Desde muito nova, Bruna vive com medo dentro da casa de seus tios. Eles eram pessoas estranhas.
Sua tia Gina a tratava com cortesia, mas não demonstrava nenhum sentimento por ela. Apenas pelo dinheiro que ela sempre trouxe para casa.
Bruna nem sabia ao certo quando começou a trabalhar, ela imagina que tinha por volta dos dez, onze anos e cuidava de crianças para as vizinhas de seus tios poderem trabalhar.
Quando o tempo foi passando ela passou a esconder um pouco do dinheiro que recebia e fez um curso técnico de enfermagem.
Seu sonho sempre foi cursar medicina, mas não poderia realizá-lo tão cedo.
Enquanto sua tia era ao menos respeitosa, seu tio era assustador. Ela passou a evitá-lo desde muito cedo. Não era seguro estar sozinha com ele no mesmo ambiente. ele sempre fazia gestos obscenos ou falava palavrões com conotação sexual.
Algumas vezes ele tentou agarrá-la, mas ela conseguiu escapar a tempo.
Não sabia até quando seria possível fugir.
Não aguentava mais fazer turno duplo no hospital e descansar apenas algumas horas intercaladas durante o dia, na sala de descanso. Já fazia quase um mês que não voltava para a casa de seus tios, depois da última vez que foi assediada.
Ela já não tinha mais roupas limpas, mas vinha tentando suportar por mais um tempo, lavando as roupas íntimas com sabonete no banheiro dos funcionários e fazendo dois turnos com as mesmas vestes.
O que não poderia era retornar para a mesma casa que aquele homem nojento. Bruna não queria arriscar a sua segurança chegando perto daquele lugar novamente.
Quando recebeu a proposta de Luana ela sentiu que estava entrando no céu, teria moradia e tempo para deixar em dia suas finanças, além de poder sumir das vistas de seus tios.
Quando ela aceitou, rápido demais, achou que Luana a entenderia mal, e que desistiria da proposta quando pediu para conversarem sozinhas.
Mas, ela percebeu que bastava falar a verdade e tudo daria certo. Sua chefe parecia uma pessoa de coração puro. Ela estava gostando muito daquilo.
Depois de deixarem o hospital, ela já seguiu com seus chefes para a mansão, ficou deslumbrada com tanto luxo, ela nunca imaginou que as pessoas poderiam viver com tudo aquilo. Mas, quem era ela para falar alguma coisa?
"Bruna, você ficará em um dos quartos de hóspedes, no andar de cima."
"Querida, ela será sua enfermeira. Não a nossa hóspede!" Miguel não havia gostado muito daquela ideia de sua esposa, mas mesmo assim ele sempre cederia a ela.
"Miguel, você sairá para trabalhar, preciso que Bruna esteja por perto para tudo que for necessário."
"Senhora, o quarto é irrelevante, eu estarei disponível sempre que for solicitada a minha presença."
"Que bom, mas já está decidido."
....
Depois que todos foram instalados, Bruna foi diretamente para a lavanderia e colocou suas roupas na máquina, estava sem mais nenhuma peça de roupa limpa. Precisa que estivessem limpas para o dia seguinte, ou passaria muita vergonha.
Quando ela estava saindo da lavanderia deu de cara com Miguel, que parecia estar observando seus movimentos.
"Não pense que será fácil receber um voto de confiança meu. Quero sua completa dedicação a minha esposa. Mas nem sonhe em cometer qualquer coisa para prejudicá-la, eu acabo com você e com toda a sua família. Fui claro!?"
"Não há com o que se preocupar, Senhor He, farei apenas o meu melhor no trabalho. Sei exatamente o meu lugar. Mais uma vez obrigada pela oportunidade."
"Ótimo!"
Quando se viu sozinha, Bruna limpou o suor da testa, seu chefe era muito intimidante; ela sentia medo cada vez que precisava estar no mesmo ambiente que ele.
Depois de terminar com suas roupas ela colocou para secar e foi até a cozinha. Percebeu que não havia mais ninguém ali, então preparou o jantar com pratos leves e que poderiam ser comidos por Luana.
Quando tudo estava cozido ela arrumou em uma bandeja grande e subiu até o quarto principal.
Depois de bater várias vezes, Luana abriu a porta, bastante sonolenta.
"Senhora, preparei o seu jantar, não deve ficar muito tempo sem comer, fará mal aos bebês."
"Oh! Eu havia esquecido da refeição..." Luana falou toda envergonhada.
Depois de deixar o jantar em uma mesa, na varanda, Bruna retornou para a cozinha. Jantou e limpou a bagunça.
Ao deitar-se para dormir começou a lembrar da situação que vivenciou a poucas semanas.
Início do flashback
'Quando já estava quase pegando no sono, ouviu o ranger da porta velha, do quartinho que ocupava, na casa de seus tios. Era um quarto velho, destruído pelo tempo e que só tinha espaço para uma cama de solteiro e um pequeno roupeiro de duas portas.
Não havia janela, apenas uma pequena abertura para saída de ar, mas que era protegida por grades.
A porta do quarto emperrava com frequência, por isso, ela não podia trancá-la ou ficaria presa no lado de dentro.
Esse também foi o motivo de seu tio invadir seu quarto de madrugada, como um gato sorrateiro, ela só acordou porque ouviu o ranger da porta, esse também foi o motivo de ter conseguido escapar.
Quando sentiu o forte odor de álcool, percebeu que seu tio já estava muito próximo dela. Só deu tempo de pegar um pedaço de madeira embaixo da cama e deixá-lo ao seu lado.
De repente, no escuro do quarto ela foi agarrada. Seu tio jogou as cobertas que protegiam seu corpo para longe. Depois ele se jogou na cama, subindo com as mãos de forma noventa pelo corpo de Bruna. Ela tentou gritar, mas sua boca foi imediatamente coberta por sua mão áspera.
Ela tentou se debater e alcançar a madeira deixada ao seu lado, mas não conseguia tocá-la, a claridade era quase nula, ela não conseguia ver nada.
Quando ele começou a rasgar o pijama de Bruna, ela tentou chutá-lo, enfim conseguiu se ver livre dele por tempo suficiente para alcançar a madeira e acerta-lo na cabeça.
Assim que ele tombou para o lado ela saiu correndo, apavorada do quarto.
Tentou explicar para a tia o que havia acontecido, mas sua tia apenas disse:
"Ele é um homem honesto, jamais faria algo assim se você não estivesse se insinuando. Dê o fora daqui, mande apenas o dinheiro da sua estadia. E não pense em comentar o que aconteceu. Amanhã você pode retornar, mas com roupas mais decentes. Garanto que assim isso não vai mais se repetir."
Bruna precisou abaixar a cabeça e retornar ao quarto, para colocar suas poucas roupas em um mala de viagem pequena, a única que tinha, saindo logo em seguida da casa.'
Fim do flashback
Desde então ela vinha fazendo jornada dupla de trabalho. Mesmo estando no limite da exaustão.
Não era uma opção retornar a casa de seus tios novamente. Ela não faria isso com sua vida.
Depois de vários dias trabalhando com Luana, Bruna sentia que sua vida estava muito melhor, ela estava gostando muito de seu trabalho e vinha fazendo vários afazeres domésticos.
Todos os dias ela se preocupava em não parecer ociosa na mansão, portanto quando a noite caia ela estava exausta.
Em uma manhã de sexta-feira, Luana apareceu na cozinha, buscando por Bruna.
"Bruna, como faço para anunciar algumas vagas de emprego aqui em casa?" Quando Bruna se virou para olhar sua patroa sentiu um calafrio varrer seu corpo; parecia que ela estava recebendo um convite para esconder um corpo e não para indicar uma agência de emprego.
Ela agitou a cabeça de um lado para o outro, a fim de espantar esses pensamentos e respondeu:
"Você pode anunciar diretamente em algumas agências de emprego, senhora! Existem várias empresas que terceirizam isso. Podendo até fazer uma primeira seleção de possíveis candidatos, de acordo com o perfil exigido." Ela havia deixado seu currículo em uma dessas agências e sabia que o trabalho que desempenhavam era sério e confiável.
"Ótimo, providencie uma ótima agência para que eu entre em contato."
"Tudo bem." Bruna respondeu rapidamente, com algumas dúvidas em mente.
'Será que serei substituída, talvez meu trabalho não seja agradável aos olhos de meus patrões.'
Mas da mesma forma que teve esse pensamento, tratou de esquecê-lo, não havia como ela ser demitida sem que Luana lhe informasse com antecedência. Elas já haviam desenvolvido uma relação de confiança e Bruna pensava que sua chefe poderia ser sua amiga se não houvesse essa relação trabalhista.
....
Alguns dias depois de ter passado o nome de algumas agências de emprego para Luana, ela soube que na verdade sua chefe pretendia contratar mais funcionários para trabalharem na mansão.
"Bruna, precisarei da sua ajuda nas entrevistas de manhã, você ficará junto comigo no escritório da piscina externa. Tudo bem?"
"Sim, senhora." Bruna respondeu feliz da vida, ela não deixaria de participar de nada que sua chefe pedia.
Na manhã seguinte, Bruna levantou cedo e foi preparar o café da manhã. Ela estava distraída na cozinha, cantando uma música que Mara costumava cantar, às vezes, no hospital, enquanto elas faziam alguns trabalhos internos - como a preparação de materiais.
Ela estava tão distraída na cozinha que não percebeu a aproximação de Luana...
"Bom dia!" Luana disse de maneira animada para Bruna, mas o resultado foi inverso.
"ahhhh!" Bruna deu um grito e jogou para longe o recipiente de vidro que tinha nas mãos... quando ela se virou para Luana estava branca como papel e tremia como folha ao vento.
Luana se preocupou ao ver a situação de sua enfermeira, ela não queria assustá-la.
"MIGUEL!" Ela gritou o mais alto que pode.
Na mesma hora Xavier e Miguel invadiram a cozinha, deparando-se com Bruna agarrada na mesa e Luana desesperada.
"Querido, ela se assustou quando cheguei na cozinha e falei nas suas costas."
"Fique calma, vamos ajudá-la." Quando Miguel entendeu que fora apenas um susto respirou aliviado.
Xavier se aproximou e tentou tocar o braço de Bruna, mas na mesma hora ela se assustou e começou a tremer, arregalou os olhos e depois foi desfalecendo.
Um pouco antes de tocar o chão desacordada ela sentiu que foi suspensa do chão.
"Rápido, Miguel! Ligue para o Lucas..." Luana estava desesperada, mas Miguel não tinha um coração tão bom assim, ele não se importava com outras mulheres além de sua esposa e de sua avó.
Porém, ele não iria contrariar sua esposa, na mesma hora ele discou o número de Lucas, que por coincidência estava saindo de casa naquele momento.
"Alô, Miguel!" Lucas resolveu ser mais discreto daquela vez, seu amigo estava fazendo algumas perguntas estranhas ultimamente...
"Lucas, Bruna desmaiou e Luana está nervosa. Você conseguiria passar aqui em casa para examiná-la." Lucas ficou pensando quem Miguel queria que ele examinasse, mas deduziu que ele deveria estar falando da esposa. Miguel não se preocupava com ninguém além de sua esposa.
Lucas pensou que sua enfermeira, aquela jovem adorável que despertou alguns sentimentos estranhos nele, merecia um atendimento rápido e eficaz.
Ele mudou a direção e acelerou rumo à casa de Miguel.
Quando chegou, Bruna ainda estava desacordada no sofá; ele fez o procedimento básico e ela despertou em seguida; ele ficou observando-a enquanto ela se situava no espaço, "você está se sentindo bem?"
"Sim, obrigada Dr. desculpe o transtorno." Ela falou baixinho, apenas para que Lucas pudesse ouvir seu agradecimento.
Lucas ficou encantado com a voz doce e sussurrada de Bruna; levou algum tempo para que ele se dissipasse da névoa, depois de um menear de cabeça, ele se voltou para Luana, fazendo alguns testes rápidos. "Como eu imaginei." Ele pensou em voz alta.
"O quê? Minha esposa está bem? precisamos ir ao hospital?" Lucas achou engraçado o desespero de seu amigo.
"Não, tudo está bem, foi apenas um susto."
Bruna sentiu muita vergonha e se desculpou com seu chefe:
"Desculpem-me! Eu estava distraída e me assustei. Prometo que vou prestar mais atenção de agora em diante." Ela olhou para Luana, demonstrando seu arrependimento no olhar.
"Não se preocupe, está tudo bem! Venha comigo, vamos terminar o nosso café da manhã."
Quando elas chegaram na cozinha, Xavier já havia organizado o ambiente e recolhido toda a sujeira; em questão de minutos elas terminaram o café e eles sentaram para fazer a refeição juntos, na mesa da cozinha mesmo, na companhia de Lucas, que acabou ficando para a refeição.
Depois que eles terminaram o café da manhã, Bruna ficou para organizar a cozinha, mas foi interrompida por Luana.
"Bruna, hoje faremos as entrevistas de emprego; lembre-se que você me acompanhará. Vamos começar em uma hora."
"Sim Senhora Luana! Vou apenas terminar de organizar a cozinha e já chegarei no escritório da piscina."
"Tudo bem! Vou esperá-la."
Sem dizer mais nenhuma palavra, Luana sentou numa cadeira e ficou esperando.
.........
Enquanto isso, Lucas foi dirigindo para o hospital, sua vontade era permanecer na mansão e puxar assunto com Bruna, mas percebeu que ela era bastante tímida.
Ele tinha uma agenda lotada para o dia, entre consultas e cirurgias, só iria sair do hospital durante a madrugada, se tudo corresse bem.
Quando ele estacionou o carro, deu de cara com uma das médicas plantonistas do hospital.
"Dr. Lucas! que coincidência." Ela falou, demonstrando muito entusiasmo por tê-lo encontrado.
"Hum! Coincidência?!" Lucas falou de maneira irônica. Cada vez que ele chegava para trabalhar, os dois se encontravam no estacionamento.
Parecia que ela ficava esperando para puxar assunto.
"Claro, acabei de chegar para o meu turno, hoje o dia será bem cheio, mas amanhã poderemos sair para um barzinho. O que acha?"
"Não."
"..." Ela ficou sem reação diante da resposta direta de Lucas.
"Mas... podemos sair com outros médicos... apenas como amigos."
"Olha, Letícia. Eu não quero e não vou sair com você!" Lucas já havia perdido a sua paciência.
A jovem médica estava completamente sem jeito, ela não sabia como reagir.
"Bom, tudo bem!"
"E não volte a insistir. Não sei quem deu liberdade para ficar correndo atrás de mim, mas eu não gosto nada disso."
"Desculpe, Dr. Lucas. Isso não voltará a acontecer." Letícia falou, sentindo-se muito humilhada.
Na verdade, quem havia pedido que ela se aproximasse de Lucas foi o próprio pai dele. Ela apenas achou que era uma boa ideia.
Lucas, enquanto cirurgião renomado, diretor do hospital e um dos homens mais ricos da cidade era um dos melhores partidos, juntamente com seus amigos. Letícia achou que poderia tentar uma aproximação, mas nunca imaginou que seria humilhada daquela maneira.
Ela desistiu no mesmo instante de chegar perto de Lucas. Ele não tinha o perfil de marido que ela buscava.
Lucas estava cada dia mais irritado, cada vez que chegava no hospital para trabalhar era abordado por alguém, ele demorava a perceber, mas eram sempre médicas jovens e descompromissadas.
Ele acabava sempre perdendo a paciência, passava o dia todo estressado e ninguém podia cruzar o seu caminho.
Depois de precisar ser grosseiro com algumas médicas do hospital, precisando lidar com dois pedidos de demissão e uma ameaça de processo por agressão verbal, ele estava em ponto de ebulição.
Não sabendo para onde fugir ele chamou a Dr. Sandra, de todas as médicas do hospital, ela era a única que permanecia indiferente a sua presença.
"Lucas, posso entrar?" Ele ouviu uma batida na porta seguido da pergunta.
"Claro!"
Depois que Sandra entrou na sala eles começaram a conversar sobre o motivo de sua presença.
"Sandra, chamei você aqui, porque não faço ideia do que está acontecendo."
"Com relação a o quê?"
"Bom..." Lucas pareceu envergonhado em precisar relatar o assunto...
"Apenas diga, acima de tudo, acredito que sejamos amigos. Já trabalhamos juntos a tempo suficiente para saber que tem alguma coisa muito grave acontecendo."
"Na verdade não é tão grave assim, apenas estou cismado com alguns acontecimentos."
"E quais seriam esses acontecimentos?"
"Hum... a algumas semanas tenho sido abordado, na chegada ao trabalho, nos corredores, no consultório... bom, na verdade em qualquer lugar que eu esteja sozinho, pelas médicas mais jovens do hospital..."
"Sim..." Sandra já imaginava do que se tratava, mas preferiu esperar que ele terminasse.
"Então... tenho recebido muitos convites para encontros, pedidos de namoro, convites para relação sexual... cada coisa absurda que tem tirado minha paciência."
"Hahahaha..." Sandra caiu na risada... a situação era hilária. Seu chefe sempre centrado e de poucas palavras estava perdendo a compostura por causa de meia dúzia de cantadas...
"Você está rindo?!" Lucas perguntou incrédulo.
"Desculpe... Posso falar com a Letícia para tentar saber o que aconteceu, mas não vou garantir nada..."
"Se você pudesse me ajudar, mas sem risadas, eu ficaria grato!" Ele estava muito sério, mas Sandra fazia um esforço sobrehumano para prender o riso.
Na verdade, a situação era realmente engraçada para quem observava de longe.
Lucas estava sendo assediado no hospital, ele já havia cancelado várias consultas e remarcado cirurgias...
Parecia ser por medo, mas Sandra não iria afirmar aquilo.
Ela levantou e saiu da sala, pensando no que faria para ajudar seu chefe.
...
Alguns dias depois, Sandra encontrou com Letícia, por acaso, na sala de descanso.
Como elas sempre faziam turnos diferentes, eram raras as oportunidades de se verem.
"Letícia! Quanto tempo..."
"Sandra!" Ela exclamou surpresa e trocaram abraços calorosos.
"Quanto tempo não nos víamos... quase nem acreditei que pudesse estar no mesmo plantão que eu hoje."
"Acabei ficando para cobrir o turno de uma colega que teve uma emergência familiar."
"Então realmente foi uma coincidência nos encontrarmos."
"Foi sim!"
Sandra ficou preocupada que a conversa encerrou-se por ali. Tratou logo de puxar outro assunto, e assim seguiram de papo. Até que a oportunidade perfeita surgiu.
"Então, Letícia, você está comprometida?"
"Não, estou solteira."
"Soube que estava comprometida, imaginei que pudesse ser verdade, já que é uma mulher linda e muito talentosa."
"Bom, na verdade, o senhor You me procurou para firmarmos um compromisso, mas pela reação do Dr. Lucas, acredito que ele não queira."
"Qual Senhor You?" Sandra ficou intrigada, 'será que era o avô ou o pai de Lucas?'
"Senhor Fernando You, pai de Lucas."
"Sério? Mas ele queria propor casamento para vocês?"
"Sim, mas pelo que tenho ouvido nos corredores ele fez a mesma proposta a todas as médicas solteiras do hospital."
"Meu Deus, ele está desesperado!"
Elas seguiram a conversa por mais algum tempo, até que Sandra arrumou uma desculpa para sair da sala de descanso.
Ela correu para a sala de Lucas, precisava falar ao seu amigo sobre as suas descobertas. Ela não imaginava uma situação séria como aquela.
Depois de esperar que uma reunião fosse encerrada ela foi relatar as suas descobertas.
"O QUÊ?" Lucas deu um tapa forte sobre a mesa "só pode ser loucura! Meu pai perdeu o juízo?"
Sandra permaneceu em silêncio. Parecia que Lucas iria explodir a qualquer momento.
Ela ficou por mais alguns minutos na sala, mas quando percebeu que Lucas não falaria nada ela levantou e saiu de fininho.
Na verdade, ela fez apenas um favor ao seu amigo, mas preferia estar fora de qualquer coisa que acontecesse.
...
Lucas continuou dando voltas e mais voltas. Tanto em pensamentos quanto em seu escritório. Parecia que ele desejava abrir um buraco em torno de sua mesa de trabalho, tamanha sua força nas passadas.
Depois de pensar sobre o que vinha acontecendo ele decidiu que precisaria de uma solução para se livrar das loucuras de seu pai, mas quanto mais pensava menos certeza tinha.