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Desejo Ardente - chamas do destino

Desejo Ardente - chamas do destino

Autor:: Maddu Nascimento
Gênero: Moderno
Elisa Caccini; uma mulher atraente, brilhante e profundamente intimidadora é uma CEO de sucesso e negócios multinacionais que controla tudo e todos ao seu redor. No entanto, uma reviravolta em seu mundo perfeito a deixa envolvida em um turbilhão de emoções tanto na vida pessoal quanto profissional. Decidida a retomar o controle da sua vida, Elisa se vê obrigada a pedir ajuda de outra pessoa. Diferentemente de qualquer negócio que Elisa já conheceu, ela se encontra extremamente atraída ao se deparar com o misterioso porto-riquenho que apareceu do nada em sua vida. Consumida pela necessidade de ordem e poder, Elisa tenta se afastar do irritante Ramón Martin, mas quanto ela tenta fugir, mais eles parecem se aproximar... O destino parece decidido a reuni-los! Em Desejo Ardente, você embarcará num apaixonado e sensual caso de amor coberto de desejos e outros segredos obscuros.

Capítulo 1 Mais um dia incrível para ser eu

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Você conhece a sensação indescritível de abrir os olhos e ser abraçada pela luz do sol através das enormes janelas de vidro do seu quarto? Sabe a sensação de ter cada minuto do seu dia programado e ter controle das ações de todos ao seu redor? Provavelmente não. Mas eu conhecia.

Então mais uma vez, eu estava de olhos bem abertos na minha sala de jantar, em uma bela manhã e me preparando para mais um dia corrido, mas extremamente produtivo.

- Deseja mais alguma coisa, senhora Caccini? – minha empregada perguntou enquanto terminava de montar a mesa.

- Não, obrigada. – Eu a dispensei e fiquei sozinha novamente.

Eu adorava a tranquilidade daquelas manhãs. Adorava me sentar sozinha e curtir a minha própria companhia. Gostava daquele tipo de solidão, ao menos por uns pequenos instantes.

- Bom dia, gatinha. – a voz masculina e rotineira quebrou o meu silêncio. – Como você está hoje? – ele depositou um beijo em minha bochecha e se sentou ao meu lado na mesa.

- Mais um dia incrível para ser eu. – Respondi e dei um pequeno sorriso.

Meu marido revirou os olhos e sorriu de volta para mim. Ficamos em silêncio e tomamos nosso café.

Anderson e eu éramos casados há dois anos. Nos conhecemos em uma reunião dos maiores CEO's da minha organização, bem, na verdade, eu era a CEO e o Anderson era apenas o mediador de nossas negociações. Mas ele tinha um ar quente que me chamou atenção durante a reunião inteira, e eu não era o tipo de mulher que negava os meus desejos e reais intenções, então eu o convidei para sair e nós dois saímos todos os dias durante os três primeiros meses, e logo em seguida, moramos juntos. Ele era inteligente, me tratava bem e fazia um sexo digno de adoração. E isso era suficiente para mim.

- Então, o que faremos amanhã? – eu mordi o lábio enquanto me levantava da mesa e parava em frente a ele.

Anderson levantou os olhos claros para mim e arqueou a sobrancelha, parecia confuso por um instante e eu sorri.

- Nosso aniversário de casamento. – Eu respondi. – Eu indico uma reserva naquele restaurante italiano onde nós tivemos nosso primeiro encontro.

Anderson abriu um sorriso de lado e assentiu lentamente.

- A Itália não sai mesmo de você, Elisa. – Ele comentou.

- É o meu crime. – Eu sorri e me abaixei para sussurrar em seu ouvido. – Mas você sabe exatamente o que não sai de mim. E não é a Itália.

Deslizei a mão sobre o peito nu do meu marido até chegar na parte que eu era extremamente viciada e pegar com força. Anderson gemeu. Eu sorri.

- Te vejo mais tarde. – Dei um beijo rápido em seus lábios e me afastei.

Atravessei as portas da minha casa e o meu motorista já me esperava com a porta do carro aberta.

- Bom dia, senhora Caccini.

- Bom dia. – Baixei os óculos escuros e entrei no carro.

Acessei os meus emails da noite anterior e fiz algumas anotações para enviar a minha assistente porque aquele dia iria ser longo o suficiente para eu lidar com mais problemas das filiais de minha empresa.

Estávamos na época de lançamento de uma nova linha de peças íntimas e o trabalho que tudo aquilo causava a Caccini's Style era sobrenatural, mas eu era o tipo de líder destemida e apesar da confusão que tudo aquilo causava, as minhas boas ideias e atos destemidos sempre se sobressaiam. E não, eu não precisava ser modesta nessa área da minha vida. Eu me esforcei muito, foquei no meu trabalho e cada conquista que eu obtive me transformou em uma mulher ainda mais foda. Em uma estilista, designer de moda, administradora e dona de mais diversas lojas de roupas ao redor do país, com os meus próprios modelos e fotógrafos. Então, sim, é sempre um belo dia para ser Elisa Caccini.

Logo que entrei na empresa e sai através das portas daquele elevador, minha assistente veio correndo e me entregou o meu espresso panna diário.

- Bom dia, senhora Caccini. A sua reunião com os administradores das futuras startups começará em três minutos na sala de reunião do sexto andar. Todos os envolvidos já estão presentes.

- Certo. Mais alguma coisa que eu preciso saber? – perguntei enquanto continuava a andar em frente.

- Nada urgente. Assim que terminar a reunião estarei por perto para relembrar. – Ela assentiu com força. – Aqui estão os documentos necessários para reunião de hoje, com as anotações que me enviou pelo e-mail.

- Bom trabalho, Rayssa. – A dispensei.

Encarei o meu reflexo nas paredes de vidro da minha sala. O cabelo cacheado e escuro bem alinhado, a saia lápis escura destacando a minha silhueta através da blusa de seda branca também. Os saltos altos e finos em meus pés e o inseparável batom vermelho em meus lábios. Sorri para minha própria imagem no espelho e eu estava pronta.

Era um incrível dia para ser Elisa Caccini.

Capítulo 2 Câmeras, ensaios, ex namorada

O dia estava findando e eu estava indo em direção a minha última tarefa do dia. Na verdade, aquele próximo ato não tinha muita coisa a ver com o meu trabalho. Era algo pessoal, mas eu tinha os meus próprios meios de conseguir o que eu queria sem tanto esforço.

A porta do carro foi aberta e eu saí, seguindo em direção ao meu estúdio que ficava no centro da cidade. Os seguranças na portaria ficaram surpresos com a minha chegada e logo ficaram eretos à medida que eu atravessava as portas. Minha assistente vinha logo atrás de mim.

Adentrei as portas daquele estúdio e ele estava exatamente como as últimas vezes em que eu estivera ali. Havia modelos usando os nossos novos designers de verão enquanto flashs iluminavam todo aquele espaço. As paredes escuras, e logo na frente a montagem branca onde um cara que eu conhecia intimamente tirava uma foto consideravelmente quente.

Mordi o lábio e pedi que Rayssa anunciasse as maquiadoras que eu precisaria delas em instantes. Ela se afastou e eu segui em direção ao meu fotógrafo.

- É um modelo excepcional, não é? – sussurrei baixinho quando me aproximei de Michael.

Ele ficou surpreso quando me viu e tirou a visão de sua câmera. Me lançou um sorriso amigável.

- Elisa, não sabia que viria aqui hoje. – Ele fez um sinal com a cabeça dispensando o modelo. – Repensou a minha proposta? – ele piscou os olhos escuros.

Soltei uma risada.

- Na verdade, eu pedi para Rayssa avisar há algumas semanas que iria precisar dos seus trabalhos. Provavelmente você que esqueceu. – Repreendi. – Vou precisar do estúdio e de você agora. Dispense todos.

Michael arqueou a sobrancelha e eu sabia exatamente o que ele tinha em mente. Desviei o olhar porque eu também não era o tipo de pessoa forte que resistiria fácil ao moreno perfeito que estava em minha frente.

- Quero fazer um book novo. Testar as peças novas pessoalmente e preciso que você fotografe muito bem.

- É um presente então? – ele começou a mexer na câmera e eu assenti.

- Sim. Mas não é pra você. – Pisquei os olhos. – Quero fazer uma surpresa para o meu marido de dois anos de casamento.

- Já faz tanto tempo assim? – ele parecia surpreso. – Eu não pensei que...

Cruzei os braços e lancei o olhar mais sério e repreensivo que eu podia. Michael entendeu de imediato.

O meu relacionamento com meus funcionários não passava de nada além de profissional. Ao menos, era isso que eu dizia a mim mesma nos últimos dois anos. Conheci Michael em uma viagem a Londres e eu soube que precisava dele com urgência na minha equipe. Criamos uma intimidade necessária em nosso meio, apesar das suas tentativas de ter uma noite dos sonhos comigo. Infelizmente, ele não pôde ter essa honra.

- Eu só achei que fosse alguma espécie de fogo de palha. – Ele continuou mesmo assim. – Vocês são diferentes entre si. Você é totalmente ambiciosa, estrategista, um tipo de alfa. E ele é só o Anderson.

Soltei a respiração e lancei um sorriso coberto de indiferença.

- Ser casada não me impediria de ficar com você, se eu quisesse. O ponto é que eu não quero você. – Entreguei a minha bolsa para que ele segurasse. – Eu estou casada porque eu quero, Michael, não porque eu preciso.

Dei as costas a ele e segui até o vestuário, dispensei todo mundo e só deixei quem eu realmente precisaria. Maquiadores, cabeleireiros, minha assistente e meu fotógrafo.

Saí daquela sala meia hora depois; com o meu cabelo perfeitamente alinhado em seus cachos, os olhos em um esfumado preto, os clássicos lábios vermelhos. Saltos finos em agulhas nos meus pés, e abaixo do roupão que eu usava um conjunto de lingerie em renda arrastão com cinta liga e meia 7/8 pretas.

- Está pronta? – Michael perguntou enquanto terminava de arrumar o cenário.

Não havia mais ninguém no estúdio além de nós dois.

- Nasci pronta! – sorri para ele e deixei o roupão cair sobre os meus pés.

Michael engoliu em seco e eu sorri comigo mesma, sabendo o quão irresistível eu podia estar.

- Controle sua ereção, por favor. – Sorri docemente para ele e segui até o cenário.

Os tripés com as luminárias me abraçaram e Michael ajustou as lentes da câmera.

- Então, o que eu faço? – quis saber.

- Vamos começar com você só olhando para câmera, foco no olhar arrebatador. – Ele começou a me dá direção. – Lança um pequeno sorriso. Isso, ótimo. Fica de perfil. Passe os dedos lentamente na estrutura do seu pescoço chegando até o decote. Incrível.

Michael continuava a tirar fotos seguidas enquanto eu realizava aqueles passos a passos. Eu me sentia complexa e descolada o suficiente para saber que eu estava incrível.

- Você. Jogue essa poltrona pra cá. – Rayssa fez o que Michael pediu e ele colocou a poltrona ao meu lado. – Agora se deite de lado e estique suas pernas como se estivesse flutuando. Joga o cabelo para trás. Isso. Tenta soltar uma risada. Agora séria. Sexy. Sexy pra caralho. – Ele me elogiou no final e eu sorri.

- Estou ciente. – Me levantei daquela poltrona.

- Ok, vamos tentar uma mais ousada agora. – Michael se aproximou de mim e me pediu para deitar-se nas almofadas no chão. – Fica de quatro. Ombrinho na almofada e bumbum no teto.

- Eu sei ficar de quatro muito bem. – Sorri para ele e fiz o que me pediu, esticando um pouco do meu braço direito para frente e olhando para câmera mordendo lentamente os lábios.

- Uau. – Michael sussurrou e me entregou um pirulito. – Você sabe o que fazer.

- Você sabe que eu sei. – Eu sorri, fiquei de joelho e olhei para câmera.

As poses e fotos continuaram e aquilo estava me deixando animada o suficiente e eu já esperava ardentemente o momento de chegar em casa e refazer cada posição daquela.

- É isto, temos o suficiente. – Michael anunciou.

Me levantei e Rayssa me entregou o roupão para vestir. Michael me mostrou as fotos e como eu já sabia, fizemos um excelente trabalho.

- Preciso disso para amanhã. Escolha as melhores e em formato de book e envie para Rayssa. – Eu dei minhas últimas ordens e estava prestes a seguir em frente e ir embora quando um perfume conhecido encheu aquele espaço.

Me virei entre os calcanhares e assisti Beatriz atravessando as portas daquele estúdio com o ruivo do seu cabelo no movimento esvoaçante. Ela me olhou e sorriu. Eu continuei séria.

- Elisa, quanto tempo?! – ela se aproximou de mim. – O que faz aqui?

- Por que eu precisaria te dizer isso? Isso é tudo meu. – Sorri.

- Sempre rude.

Beatriz era a prova viva de todos os motivos para eu não me envolver com mais ninguém do trabalho. Ela era uma das minhas modelos mais talentosas e que esteve trabalhando comigo desde o início, até que em uma noite de bebedeira há três anos, dormimos juntas. E assim seguiu pelas próximas sessenta noites seguidas. Até Beatriz se afastar rapidamente por não dá conta de toda bagagem que vinha comigo. De toda forma, eu agradecia.

- Como você está? – ela insistiu.

- Melhor do que nunca. – Eu sorri. – Você?

- Com saudades sua. – Ela mordeu o lábio.

Revirei os olhos e comecei a andar em frente, para longe dela.

- Você não precisa me manter afastada assim. – ela parou em minha frente novamente.

- Você tem que agradecer por ainda deixar você trabalhar comigo. – Dessa vez, fui rude.

- Na verdade, é porque eu sou a sua melhor modelo. – Ela sorriu.

- Não se engane, existem melhores ao redor do mundo.

Beatriz ficou em silêncio por um instante e eu sorri porque eu gostava de me sentir superior a ela. Na verdade, havia passado tanto tempo que eu nem fazia tanta questão. Descobri que tinha coisa infinitamente melhor.

- Como está o seu casamento? Espero que esteja feliz. – Quis saber.

- Você não precisa saber disso. E eu quero que saia. Esse estúdio é meu pelo resto da tarde.

Beatriz tentou argumentar, mas a arqueada de sobrancelha que eu a entreguei foi suficiente. Ela deu as costas e foi embora.

Ser cruel tinha as suas qualidades e eram amargamente doces. Mas naquele momento, eu sabia que precisava voltar para casa o mais rápido que podia e descontar toda raiva e fogo que eu estava sentindo no meu marido.

E bem, essa era a minha rotina.

Capítulo 3 A marca no seu pescoço

3

Já passavam das sete da noite quando finalmente cheguei em casa. Eu estava me sentindo exausta e precisava muito de qualquer distração. O silêncio daquela sala imensa me abraçou e eu pude respirar fundo. A tranquilidade e a paz que eu tanto zelava estava ali.

Me negando a subir as escadas que me levaria ao próximo andar, segui até o elevador residencial e em instantes dei de cara com o meu quarto. O silêncio continuava naquele cômodo exceto pelo barulho de água caindo que vinha do banheiro. Sorri comigo mesma e abandonei os meus sapatos seguindo até o barulho que me chamava.

À medida que eu atravessava o cômodo e encontrava o meu marido atrás do boxe de vidro do banheiro com a água do chuveiro caindo sobre os seus braços, comecei a abrir os botões da minha blusa e em seguida desci a saia sobre os meus pés. Anderson ainda não havia notado minha presença até eu respirar fundo e ele virar a cabeça para mim.

- Oi, gatinha. – Ele sorriu e encarou o meu corpo nu em sua frente. – Quer entrar aqui?

- Sempre. – falei baixinho e dei os próximos passos.

E por mais que estivesse cansada naquele momento, eu nunca estava cansada para aquilo. Nunca estava cansada para o beijo quente que me devorou no exato momento que eu pisei dentro daquele boxe.

Passei os braços ao redor de Anderson e me permiti sentir todo o desejo e fogo que eu acumulei durante todo dia. Seus lábios me beijavam com urgência e eu mantinha o meu corpo muito próximo do seu, o puxando para mais perto que podia. Eu queria senti-lo em cada centímetro de pele. O puxei com força e minhas costas encostaram a cerâmica fria do banheiro. A água quente do chuveiro me molhou, mas não tanto quanto o Anderson fazia.

Gemi em seus lábios e em segundos Anderson estava com a sua cabeça no meio das minhas pernas. Joguei o pescoço para trás e abri as pernas lhe dando mais acesso. Sua língua me encontrou e eu soltei um gemido chamando seu nome.

Eu conhecia intimamente aquela língua e sabia cada movimento que ela poderia fazer, não havia um dia sequer que eu não experimentasse aquela sensação. Mas dessa vez era diferente, eu sentia como se estivesse sendo devorada, e em instantes poderia ser arrebatada em um gozo que me levaria do céu ao inferno.

Segurei os cabelos de Anderson entre minhas pernas para me apoiar porque eu estava prestes a perder o meu equilíbrio, mas então ele levantou-se abruptamente e beijou os meus lábios. Senti o meu gosto. Gemi outra vez.

- Quer mais? – ele perguntou entre os meus lábios.

- Para de falar. – Respondi de volta. – Eu sempre quero.

E em um movimento brusco, Anderson me segurou pelas dobras do joelho e eu passei as pernas sobre o seu quadril e sem nenhum aviso prévio ele me penetrou com força. Soltei um grito.

- Isso. – Gemi quando o senti todo dentro de mim. – Agora continua. Com força.

E ele fez exatamente o que eu ordenei. Me entregou tudo de si, me preenchendo em todos os centímetros e eu senti todas as minhas preocupações se dissipando.

A cada estocada profunda eu me sentia mais viva, me sentia transbordar e eu adorava aquela sensação. A sensação de ter tudo e em segundos, não ter nada. E de novo. E de novo. Cravei as unhas nas costas de Anderson porque eu estava chegando no meu limite principalmente quando ele fez o movimento circular que acabava comigo. Gemidos incoerentes saíram dos meus lábios e ele cravou os lábios nos meus seios e aquilo foi a gota d'água, explodi ao seu redor o sentindo escorrer dentro de mim também.

Minha respiração regulou em instantes e eu voltei a ficar de pé. Anderson ainda mantinha os olhos fechados e se apoiava no vidro do boxer. Sorri com orgulho.

- Irei deixar você terminar o seu banho agora. – Eu disse baixinho e dei um beijo em sua bochecha.

Me afastei daquele boxer e dediquei minha atenção a minha adorável e inseparável banheira de todo fim de noite. Abri a torneira e deixei a água invadir aquele espaço enquanto eu derramava os sais de banho e a espuma. O cheiro de flores invadiu o espaço e eu respirei fundo.

Adentrei a banheira e a água cobriu o meu corpo. Prendi o cabelo em um coque frouxo e em seguida peguei uma taça ao meu lado e a enchi com meu amado champanhe "Tast of Diamonds". Coloquei jazz clássico para tocar nas caixas de som interna e me permiti afundar naquela água.

Relaxei pouco a pouco à medida que a água me deixava mais leve, e o gosto do champanhe molhava minha garganta e me fazia parecer como se tomasse as estrelas. A música no fundo fez minha mente divagar.

Repassei aquele dia em minha cabeça; a quantidade de trabalho que tive e o que precisarei terminar até o fim da noite. As conquistas e novos recordes quebrados pela empresa. Eu tinha uma vida aparentemente perfeita.

- Gatinha? – ouvi a voz de Anderson me chamando atrás de mim.

Abri os olhos lentamente e o encarei abaixado em minha frente, com uma toalha envolta aos seus quadris, havia terminado o seu banho bem atrás de mim e eu não havia ouvido nada.

- Vou descer para jantar. Quer que eu espere você? – ele perguntou.

- Não é necessário. Irei demorar mais um pouco. – Sorri para ele. Anderson havia começado a se levantar novamente quando eu o chamei de volta. – O que é isso no seu pescoço?

Ele me encarou no mesmo instante e em seguida encarou a marca roxa em seu pescoço no espelho enorme em sua frente. Fez uma careta para o seu reflexo e em seguida me encarou de volta.

- Acho que foi você minutos atrás. – Ele sorriu para mim.

- Sim, provavelmente. – Sorri de volta. – Daqui a pouco te encontro lá embaixo.

Anderson se despediu de mim atravessando as portas do banheiro e fechando atrás de si.

Era óbvio que eu sabia que aquela marca não havia sido eu que havia deixado. Aquilo estava roxo e totalmente diferente das marcas vermelhas que eu havia deixado em sua pele branca.

Tentei deixar aquilo para lá e focar a minha concentração novamente em minha tranquilidade. Mas isso foi quase impossível, porque à medida que eu relembrava o dia que eu tive, eu conseguia ouvir novamente as palavras de Michael falando sobre o meu casamento; sobre como parecia que tudo que eu e Anderson tínhamos era fogo de palha, sobre como ele parecia superficial ao ser comparado comigo.

Eu sabia que não deveria dar ouvidos a esses comentários, mas de repente comecei a pensar que eu também não conhecia o meu marido tanto assim. Eu não sabia sua cor preferida, não sabia qual era o seu ídolo na infância, não conhecia suas histórias da universidade, não sabia os seus planos no futuro, se queria ou não ter filhos. Tudo que eu sabia do homem que dividia a cama comigo era que ele era um mediador em negociações, que tinha um pequeno escritório no centro da cidade e que raramente tinha clientes, conhecia também a maneira que ele me tratava e como todos os dias transávamos. Isso não era suficiente? Aliás, eu já havia aproveitado demais a minha vida. Havia pegado todo mundo que eu podia e que eu quis antes de me comprometer. Eu havia sossegado. E eu acho que isso era tudo.

Então, me levantei daquela banheira e me sequei com a toalha. Em instantes eu iria descer até a sala de jantar, em seguida iria me trancar em meu escritório para revisar papeladas para o dia seguinte, e logo depois iria para o meu quarto com o Anderson. E iríamos fazer aquilo de novo. E isso era tudo que eu sabia e conhecia.

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