Olho para Blake através do meu espelho retrovisor e vejo o mesmo jogar compenetrado em seu celular algum jogo idiota que contenha tiros e tudo que um garoto da sua idade gosta.
Suspiro quando sei que estamos cada vez nos aproximando de rosas-dos-ventos.
Quando saí dessa cidade há nove anos, não pensei que voltaria.
Naquela noite em meio a uma decisão que até hoje não sei se foi a mais acertada a se fazer.
Tenho meus segredos, uma culpa, e alguém a quem devo perdão.
Adam Leal!
Não sei como reagiria diante dele se o visse agora, e tenho receio da sua reação diante de mim.
Meus pensamentos começam a viajar quando nós nos conhecemos.
Um garoto franzino de olhos verdes que adorava me olhar de um jeito estranho.
Em todos os momentos da escola ou mesmo na rua. Seus olhos brilhantes sempre me acompanhavam.
Mas nunca nos falamos, nem sequer um "oi". Tinha vontade de me comunicar com ele, porém, percebia por seu modo de agir e quando se sentava para lanchar sozinho, que era tímido assim como eu.
Mas tudo mudou em um dia quando estava indo embora da escola para minha casa e o pneu da minha bicicleta lilás com alguns adesivos das super poderosas, estava furado.
Timidamente Adam me ofereceu ajuda empurrando minha bicicleta até minha casa, que ficava a duas quadras da dele. Uma distância razoavelmente pequena.
Desse dia em diante, começamos uma espécie de amizade. Adam era sempre gentil, prestativo, protetor. Sua companhia se tornou essencial em minha vida.
No começo das férias de julho conhecemos Alex, o vizinho de Adam, e recém-chegado na cidade.
Os pais de Alex o matricularam na mesma escola em que estudávamos.
Apesar de ser um menino rico e com algumas frescuras, Alex, até que era legal.
Os meses se passaram, e com eles anos, e minha amizade com os dois se tornou algo extremamente valioso e raro de se encontrar.
Às vezes implicávamos um com o outro. Nada tão relativo como Adam e Alex.
Os dois acreditaram que eu não percebia ter uma espécie de disputa entre os dois pela minha atenção. Algo que durou até os dezesseis anos de Adam, que era o mais velho de nós.
Adam se tornou fechado, arrogante, diria até frio.
Começou a agir como seus colegas babacas, criando sua própria fama entre as meninas da escola e até fora dela. E o que eu ouvia me deixava possessa.
Aquele garoto abandonou as aulas em geral, e o time de futebol em que era o capitão.
Suas notas iam tornando-se pior, e isso nos preocupava.
Quando digo nós, me refiro a Alex e a mim.
Seus amigos verdadeiros.
Não aqueles sem noção que andavam com ele, pegando carona na fama de badboy garanhão, de Adam.
Com o afastamento de Adam, Alex sempre foi meu porto seguro. Aquele garoto loiro de olhos castanhos e sorriso fácil, conseguia me arrancar boas risadas. Sempre que me via triste, arrumava algo para me animar.
Mas um final de ano se aproximava e eu e os garotos, tínhamos sempre um ritual.
Trocávamos presentes.
No último ano, Alex me deu um livro de Jane Austen, e Adam uma trilogia de cinquenta tons de E. L. James.
Cai na gargalhada diante desse presente de Adam. O que esse garoto tinha na cabeça? Presentear uma garota de quinze anos com um conteúdo tão... impróprio?
Com os meus dezesseis completos, tive uma certa curiosidade em ler. Já escutei algumas garotas falarem e minha imaginação trabalhava a mil, só em escutar alguns trechos.
Não sei o que havia acontecido comigo, com o meu corpo naquela época. Na verdade, sei sim!
Hormônios!
Como nunca tive uma amizade feminina, há não ser minha irmã Luciana, que estava prestes a entrar em uma faculdade de direito, não tinha muito com quem desabafar.
Luciana sempre buscava me orientar conscientemente, sempre na presença da nossa mãe que nos encorajava.
Minha mãe era enfermeira, e sempre conversava com lu e eu. Nos alertando sobre os prazeres e cuidados que devemos tomar com o sexo. Sexo seguro! Como ela sempre repetia.
Comecei a sair com alguns garotos e sempre rolava uns amassos, mas nunca passava disso. Não me sentia pronta para mais.
Às vezes Alex ficava irritado, dizia que do jeito que eu estava, iria ficar com má fama.
Não me incomodava. Que falassem o que bem quisessem. Só porque sou mulher acreditam que devem me tachar como algo.
Já não via Adam há algum tempo.
No dia que se dignou a vir à escola, flagrei sem querer ele pegando uma menina de jeito no banheiro feminino. Eles nem me notaram e continuei estagnada lá assistindo aquela cena, hipnotizada.
Parecia estar em um show de porno, ao vivo e a cores. O jeito que ele a prensava na parede, como mordia e lambia o pescoço da menina, me deixava de... boca seca.
A saia dela estava enrolada até a cintura e observando com seus quadris estavam se tencionando fortemente... ponho minhas mãos na boca chocada.
Estavam transando?
Caminho em passos lentos para trás e distraidamente ainda observando a cena acabo colidindo minhas costas contra a porta, assustando os dois.
Eles se afastam minimamente.
A garota me olha assustada.
Já Adam parece não se importar de ser eu a assistir seu showzinho.
Seus olhos me fitaram intensamente, vejo um brilho de puro prazer e malícia neles. Um sorriso de canto apareceu em seus lábios e foi o ponto para eu conseguir piscar e sair do transe em que eu estava.
Viro em meus calcanhares saindo quase correndo daquele banheiro.
Porém, imagens daquele dia, de Adam, não saíram da minha mente.
Tentei sair com alguns garotos, mas nenhum me fez sentir como naquele dia. Afoita, pernas bambas, boca seca, excitada.
Uma ideia meio absurda passou pela minha cabeça e fiquei remoendo ela por longos dias. Até criar coragem e ter a oportunidade perfeita.
O vejo do lado de fora, do Struck, sozinho e me aproximei lentamente.
Ele tragava um cigarro desenhado algo em um caderno velho de capa marrom.
Ficamos tanto tempo afastados um do outro que nem me lembrava dessa sua mania de desenhar aleatoriamente.
- Posso falar com você?- Questionei e cruzei os braços.
Ele retirou o cigarro dos lábios soprando toda a fumaça em minha direção.
Comecei a tossir freneticamente e o idiota se pôs a sorrir.
Apertei os olhos observando suas covinhas que continua uma graça apesar de toda a sua pose de Badboy, e seu par de coturnos pretos, uma jaqueta de couro da mesma cor. O que falar do seu piercing no lábio inferior...
- Espero que esteja gostando do que vê. - Debochou e se levantou indo para sua caminhonete velha.
- Espera! - Ele se virou me lançando um olhar mortal.
- Quê? Já se cansou do Alex, e resolveu me procurar, é isso? Pois, já lhe aviso que perdeu seu tempo. - Rosnou de braços abertos.
O Adam à minha frente é totalmente diferente daquele garoto, gentil, amável que conheci anos atrás.
Ele entra na sua caminhonete já ligando a mesma. Ele pode ter mudado, mas eu continuei a mesma e ele sabe que quando quero, sou insistente.
Abro a porta do carona me sentando e colocando o cinto.
Ele me olhou revirando os olhos.
Resmungou vários palavrões, mas não me intimidou.
Observei quando ele estacionou em um lugar quase deserto atrás de um posto desativado de gasolina.
- Anda, o que você tanto quer comigo, que resolveu me perseguir?- Dessa vez, senti seu tom de voz amansar.
Suspirei aliviada.
Não sabia como começar esse assunto, então resolvi soltar de uma vez antes que eu me arrependesse.
- Quero que me ajude a perder minha virgindade! - Praticamente gritei de olhos fechados.
Quando reabri, observo Adam me olhar assustado. Seus olhos verdes estão em choque. Observo seu rosto tentando entender sua reação. Minutos depois ele jogou a cabeça para trás gargalhando em alto e bom som. Sua risada debochada me deixou furiosa.
- Você só pode estar louca! - Afirmou, sorrindo.
Cerrei meus dentes um no outro tentando segurar minha raiva.
- Imagino que isso seja um "não."- Resmunguei.
- Um sonoro e redondo "não". - Completou.
Retirei meu cinto ferozmente.
- Nesse caso, procurarei um que me ajude nesse assunto. - Berrei alcançando a maçaneta.
Adam segurou meu braço impedindo que eu completasse a ação.
- O que você quer dizer com isso? - Apertou os olhos em minha direção.
Sorri de forma mais descarada e maliciosa que consegui.
Adam arregalou os olhos e respirou fundo.
Quando dei por mim já estava no colo dele. Suas mãos passeavam furiosamente por meu corpo me fazendo gemer em sua boca. Ele é tão intenso, tudo nele é. Seus beijos, seus toques...
Seus lábios macios me beijavam com maestria, sua língua alcançou a minha como se já a conhecesse há anos.
Nossas respirações cada vez mais alteradas. Agarrei os cabelos dele tendo o acesso que precisava, deslizando minha língua por seu lábio inferior.
Observando seus olhos me fitarem desejosos.
Senti uma vantajosa ereção em contato com minha intimidade, já que estava com uma perna de cada lado do seu corpo e somente um fino tecido de algodão nos separava de elevar esse contato intimamente.
Continuamos nos beijando e senti quando uma de suas mãos alcançou minha calcinha a colocando de lado e brincando com minha intimidade.
Ofeguei e quase gritei sentindo algo estranho, mas deliciosamente bom.
- Alguém já te tocou assim, morena? - Sussurrou rouco em minha orelha e não consegui responder em palavras, apenas balancei a cabeça negando.
A resposta pareceu satisfazê-lo, já que me beijou com tanto ímpeto, fogoso.
Seus dedos se tornaram firmes acariciando minha intimidade, e um dedo foi introduzindo cuidadosamente na minha entrada. Movimentos circulares e precisos me levando à loucura.
Uma sensação se formou dentro de mim e parecia que explodiria em milhões de pedacinhos.
Adam pareceu sentir, pois desceu seus beijos por toda a extensão do meu pescoço. Abaixou as alças do meu vestido alcançando um peito na boca, sugando com vontade.
Gemi loucamente arqueando o corpo querendo mais daquela sua boca deliciosa.
- Goza para mim, morena! - Não sabia como fazer aquilo, mas meu corpo sim! Obedeceu instantaneamente seu comando.
Fui arrebatada por uma sensação deliciosa, vertiginosa, que não saberia descrever nem em um milhão de anos.
Tentando acalmar minha respiração, percebi que Adam enrijeceu o corpo e no segundo seguinte me empurrou para o banco vazio.
Com os olhos fechados berrou:
- Desce do carro!
Olhei para ele sem entender por que estava me tratando daquele modo.
- É surda? - Berrou mais uma vez.
Senti quando lágrimas molharam minha bochecha e não pude segurá-las.
Depois de me dar a primeira e mais incrível sensação da minha vida, estava me tratando como lixo, que usou e jogou fora.
Abri a porta da caminhonete sem olhá-lo nem sequer um segundo.
Corri em direção a minha casa, e jurava que havia escutado ele gritar meu nome.
- Mãe! Estou com fome! - ouço Blake resmungar, me tirando das minhas memórias passadas.
- Assim que avistarmos algum posto com conveniência, páramos, prometo!
A poucos metros de distância da cidade, avisto um posto. Parece recém inaugurado, ao observar pela pintura fresca, e o lugar ser bastante organizado.
Após abastecer meu carro e estacioná-lo em uma vaga segura, adentro a loja de conveniência do posto com Blake no meu encalço.
Pego algumas bolachas e uma caixinha de suco.
- Mãe, posso pegar batata frita?
- Faz bico sabendo que vou ceder a seu vício, e por consequência o meu também.
- Tá! Mas não exagera mocinho! - Advirto, apertando seu pequeno nariz, sem muita importância.
Podem me julgar, sou uma péssima mãe.
Não resisto aos olhos verdes brilhantes do meu pequeno.
Minutos depois, Blake aparece saltitando de felicidade com dois pacotes de batata fritas para meu desespero.
Levanto uma sobrancelha de forma a intimidá-lo.
- O que foi que te falei, moleque?
- Mãe! - Chama fazendo manha. - Só tinha esses nas prateleiras e o moço das tatuagens falou que essas são as melhores! - Justifica parecendo óbvio.
Reviro os olhos.
- Você sabe também que não deve falar com estranhos, filho! - Repreendo-lhe e dessa vez foi Blake que revirou os olhos.
- Eu sei mãe! E não falei. Acredito que ele trabalhe aqui, só isso! - Resmunga cruzando os braços como se fosse um adulto.
Caminhamos direto para o caixa onde uma menina aparentemente de dez anos estava. Olho para os lados procurando o responsável pelo caixa.
Ele me olha por um segundo e murmura:
- Às compras!
Franzo o cenho sem entender.
Ela se inclina sobre o balcão agarrando minha cesta.
Começou a passá-las no caixa com muita destreza, suponho que a subestimei.
- Deu 28,90! Aceitamos cartões de crédito e débito. - Informou, sorrindo minimamente.
Passei meu cartão de débito pagando as compras. No segundo que pego as sacolas em minhas mãos e me viro, acabo colidindo com um peito muito musculoso.
Seu cheiro é maravilhoso e chego a fechar os olhos inalando todo seu perfume.
Meus olhos deslizam do seu peito subindo para o maxilar encontrando um par de olhos verdes brilhando feito, brasa.
Sinto minhas pernas ficarem fracas e sei que não durarei muito.
- Adam! - Sibilo sem graça.
Melissa! - Sussurra, quase sem acreditar.
Seus olhos atravessando os meus como uma navalha. Seu rosto foi se contorcendo de dor até se tornarem assustadores.
Sua expressão amargurada, dura, afirma que não sou bem-vinda.
- Pai, preciso levar a Luna no veterinário.- A garota loira de olhos castanhos-claros, fala suavemente.
Vejo ele se virar e sorrir ternamente para ela. Sua expressão se suaviza diferente de como estava a minutos atrás.
- Pode ir Bea, eu assumo daqui! - Responde para ela e foca novamente seu olhar afiado sobre mim.
- Precisa de mais alguma coisa, moça? - Questiona entre dentes. Seus olhos carregados de desprezo.
- Não! Obrigada, Isso é tudo.- Me forço a falar de queixo erguido.
Não deixarei ele saber que esse reencontro mexeu comigo, mais do que o necessário.
Forço minhas pernas a andarem mesmo sem elas obedecerem.
Blake sorri para Adam me deixando surpresa.
- Tchau, moço!
Adam sorri sem jeito para ele e responde.
- Tchau, campeão!
Pelo menos com meu filho ele não foi hostil.
Espera ele saber toda a verdade.
Minha consciência grita.
Quando entro no carro desabo completamente.
Solto o ar que nem sabia estar preso.
Me viro olhando para o banco de trás, onde vejo Blake se deliciando com suas batatas.
Sorrio vendo meu menino comendo tranquilamente. Mal sabe ele o tamanho do iceberg que nos aguarda.
Depois de anos tentando me reerguer e preencher o vazio em meu peito, ela aparece para bagunçar tudo.
Melissa Lancaster!
Vê-la em sua total presença em minha frente despertou sentimentos que acreditava estarem extintos. Porém, o ódio, o rancor falou mais alto. A tratei com o verdadeiro desprezo e indiferença que ela merecia. Só de pensar que me entreguei inteiramente para essa mulher que só me usou e pisou em meus sentimentos como se não fosse nada. Para ela, eu era isso.
Um nada!
Me trocou sem nenhum remorso pelo riquinho babaca do Alex. Ele que se dizia ser meu amigo, um verdadeiro traidor.
Por um instante olho em seus olhos, cor de âmbar e vejo aquela antiga, mel por quem fui perdidamente apaixonado.
Aquela, que tive o prazer de ser o seu primeiro, e ensiná-la as lições mais prazerosas que se possa aprender.
Melissa sempre foi uma garota bonita. Morena, pele levemente bronzeada, lábios proeminentes, deliciosos. Um corpo lindo com curvas na medida certa, embora fosse de estatura baixa. Delicada como uma pétala de uma rosa. Confesso que sempre amei seus seios. Volumosos. Só de pensar o que já fiz com esse par de achados, fico duro como aço.
Mas não posso ir por esse caminho. Não com ela! A mulher que me abandonou sem olhar para trás.
Só não contava em conhecer seu filho com Alex. Foi uma verdadeira surpresa. Admito que gostei dele, não sei como explicar. Ele é um bom garoto, dá para sentir só de olhar em seus olhos verdes.
Não se parece muito com os pais e sinto que ele me lembrava alguém, mas não sei ao certo.
Não importa. Melissa, para mim, é um assunto mais que encerrado.
Começo a arrumar a loja para fechar quando sinto um cheiro familiar. Suspiro profundamente.
- Não devia estar aqui. - Alerto.
- Já te falei que quando eu quiser vê-la, a procuro.
Ela se senta no balcão cruzando as pernas, arqueando uma sobrancelha.
- Você falou isso há um mês. Estava com saudades gato. - Resmunga, mascando chiclete. Odeio quando ela pensa ser minha dona e quer me pressionar.
Observo Antonella descer do balcão e caminhar em minha direção com passos lentos e sensuais.
Nós nos conhecemos desde o colegial. Ficamos muitas vezes. No começo até gostava. Ela sempre foi uma mulher bonita, morena de olhos verdes. Tem um corpo escultural, mas não é como ela.
Nunca será!
Balanço a cabeça negando. Não viaja Adam! Não faça comparações. Isso é um retrocesso.
- Estava ocupado. Sinto muito! - Murmuro ríspido.
Não gosto de ser grosseiro com ninguém, mas às vezes ela me irrita se oferecendo dessa forma.
Suas mãos deslizavam por meu peito, arranhando levemente minha pele.
Seus lábios em meu pescoço deixando leves mordidas.
Quando alcança meu cinto se desfaz dele em questão de segundos. Suas carícias estimulam meu membro ainda mais. É assim que me sinto em relação a qualquer mulher, estimulado. Depois do furacão Melissa em minha vida, excitação, tesão, desejo, são sentimentos raros em minha vida. Melissa me enfeitiçou de tal forma que me senti um morto-vivo durante esses nove anos. E ver ela em minha frente de uma certa forma, me trouxe a vida, fez meu coração bater revigorado.
Cenas que lutei há muito tempo para esquecer, explodem em minha mente.
Seus olhos intensos brilhando quando derramava para mim. Gemidos roucos ao pé do ouvido ecoam em meus pensamentos. Seus lábios suspirando profundamente, repetindo meu nome várias vezes me fazendo estremecer. É como se ainda estivéssemos lá e nada tivesse mudado.
Acordo do meu transe com Antonella devorando meus lábios, sedenta. Decido dar o que ela quer, embora minha mente girasse em torno de outra pessoa.
Me afasto dela colocando uma placa de fechado na porta da loja e a puxo para a porta dos fundos. Uma despensa onde armazeno algumas coisas.
A empurro para uma prateleira onde peço para ficar de costas e se segurar firme nela. Levanto seu vestido e retiro sua calcinha, distribuindo tapas em seu traseiro empinado. Ele geme se esfregando em mim.
Retiro minha calça e boxe até os joelhos e coloco logo uma camisinha deslizando para dentro dela sem nenhum aviso. Ela grita pedindo mais, é o que lhe concedo.
Estoco cada vez mais forte, fundo. Enrolando seus cabelos castanhos em meu punho. Mordo seu ombro direito enquanto continuo a estocar em sua intimidade que começar a me apertar e sei que está perto. Acerto outro, tapa me deliciando, esse é o time perfeito para ela se desmanchar. Após algumas estocadas, consigo chegar ao meu clímax. Por um momento, é como se fosse Melissa aqui se contorcendo só para mim.
Pisco os olhos algumas vezes e consigo enxergar Antonella novamente. Ela começa a se vestir e se despede com um beijo demorado em meus lábios. Se fosse em outro momento a empurraria. Em nossa intimidade, não permito que me beije. É algo demasiado pessoal. Tem que haver conexão, não só carnal. Isso ela não entenderia. Fico por alguns minutos imaginando como será minha vida daqui para frente agora que Melissa está de volta.
Será que veio para ficar?
Essa é uma pergunta que venho me fazendo desde que a vi aqui na minha loja.
- Adam, você já sentiu pertencer a uma pessoa, mesmo antes de conhecê-la direito? - Me pergunta cautelosa, deslizando suas mãos em meu cabelo.
Me viro para encarar seu rosto.
Seus cabelos negros, balançando gentilmente conforme a brisa suave soprava.
Sorrio analisando sua face, e corro um dedo sobre seus lábios admirando a textura deles.
- Sim! - Confesso, fitando seus olhos. - Na verdade... Me sinto assim todos os dias. É sempre assim quando te vejo. Quando sorrir para mim. - Sussurro, e ela sorri lindamente, aquele sorriso que me tira o ar.
- Adam! - Sussurra.
- Me sinto assim quando estou ao seu lado. Quando me beija, quando se entrega para mim sem reservas.
- Eu te amo! - Declara, e meu coração batia descontrolado em meu peito.
- Eu te amo Mel! - falo, tomando sua boca com a minha.
Nosso beijo como sempre intenso, cheio de sentimentos. Antes não dito, agora, recíprocos.
De repente vejo Melissa se desintegrar em meus braços virando pó. Um grito desesperado rompe minha garganta e acordo totalmente desorientado, suado. Me dando conta que foi um pesadelo. Um, puta pesadelo que brincava com a realidade. Já que esse momento aconteceu. Respiro fundo esfregando as mãos em minha face. Deito novamente olhando o relógio em meu pulso. Já passava das três da madrugada. Com insistência, enfim, consigo dormir sem sonhar outra vez.