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Desejo Proibido - Luna Sants

Desejo Proibido - Luna Sants

Autor:: LunaSants
Gênero: Romance
Ela sonhava em se casar com seu primeiro namorado. Ele é um cara que valoriza as relações profundas e significativas. July, uma jovem que, em busca do amor, se vê imersa em um relacionamento com Túlio, um jovem cujo interesse se limita a conquistas superficiais. Túlio, mais preocupado em ser o primeiro a deitar-se com July do que em valorizar sua essência, acaba por negligenciar os sentimentos e desejos mais profundos dela. Neste cenário de descaso, o inesperado acontece: July se vê intensamente atraída por Murilo, o melhor amigo de seu namorado. Murilo, um cara amável e compreensivo. Ele enxerga em July muito mais do que uma conquista; vê uma alma repleta de sonhos e anseios. A conexão entre eles é intensa e inesperada, desafiando tudo que ele acredita. Murilo conseguirá afastar a atração que sente por July?

Capítulo 1 Prólogo

Existem provérbios que carregam verdades universais, mas em certos momentos de nossa vida, escolhemos ignorá-los, como se pudéssemos dobrar a realidade a nosso favor. Foi assim comigo, sob a influência do deslumbramento. Ele não apenas brilhou; ele cintilou com a intensidade de um farol cortando a escuridão, desafiando a velha sabedoria de que 'nem tudo que reluz é ouro'. De maneira sedutora, ele desmontou minhas defesas, me fazendo desacreditar da existência daquela cautela ancestral, e me induziu a mergulhar de cabeça em um mundo onde a dúvida e a desconfiança não tinham espaço.

Mas como um espelho que se estilhaça sob a pressão de uma verdade incontestável, a realidade se impôs. Foi um despertar abrupto, como se estivesse emergindo de um sonho profundo para encontrar um cenário desolado. A dor dessa revelação era tangível, um fardo que se aninhava no meu peito, transformando cada palavra doce e cada promessa sussurrada em fragmentos de uma ilusão agora dolorosamente clara.

Não demorou muito para que a verdade inerente ao provérbio se revelasse em minha própria vida, desdobrando-se como uma cortina que se abre para mostrar uma cena indesejada. O homem que eu idolatrava, que colocava em um pedestal como meu príncipe encantado, desmoronou dessa altura, revelando sua verdadeira forma de um sapo repugnante. Essa transformação não foi gradual; foi uma mudança repentina que me deixou atordoada, desequilibrada, lutando para entender como o "felizes para sempre" que eu tanto desejava, sonhava e planejava não se concretizaria ao lado dele. Era um golpe devastador, que sacudia as fundações do meu coração e abalava as estruturas das minhas crenças mais profundas e românticas. Perdida em um mar de incertezas, cada passo que eu dava parecia levar-me a um abismo de desilusão, onde o chão sob meus pés se desfazia em areia movediça.

Na minha juventude, eu entreguei meu coração e a minha alma a um ideal de amor, como uma tola apaixonada que se agarra a palavras doces, mesmo quando elas não passam de ecos vazios. Fechei os olhos para a realidade, que estava tão claramente delineada diante de mim, cegada por um amor que me consumia. Esse amor, que eu acreditava ser inabalável, era na verdade uma tapeçaria complexa de emoções, que ele, com sua habilidade e charme, manipulava sem escrúpulos. Meu coração, que uma vez pulsava com a promessa de esperança e alegria, agora se debatia entre a desilusão e o medo paralisante de ter sido apenas uma peça em seu cru&l jogo de sedução.

A história de nós dois começou em um cenário provável: uma festa na casa de Cristine, minha melhor amiga desde a infância. Era uma daquelas noites vibrantes, repletas de música, risadas e conversas efervescentes. As luzes coloridas, penduradas com esmero por Cristine, dançavam pelas paredes e pelo teto, projetando sombras que se moviam ao ritmo da música, criando um clima de encantamento, reminiscente das cenas de amor e magia dos romances que eu adorava. Foi nesse cenário de conto de fadas moderno que vi Túlio pela primeira vez. Ele não era apenas mais um convidado; ele era o centro das atenções, iluminado por um holofote de carisma e simpatia, seu sorriso era um ímã que atraía todos ao seu redor, inclusive eu. Naquela noite, minha vida tomou um rumo inesperado, pois me apaixonei perdidamente, uma paixão fulminante que consumiu meu ser com a intensidade de um incêndio.

Sempre me considerei uma romântica incurável, alguém que alimentava o sonho de encontrar o amor verdadeiro, como nos contos de fadas. Túlio se encaixava perfeitamente nesse ideal. Foi um amor à primeira vista, uma tempestade de sentimentos que me arrebatou sem aviso. Nessa vulnerabilidade, nesse desejo de viver o amor dos livros, me vi completamente capturada por ele. Desde o nosso primeiro toque, que enviou ondas de arrepios através da minha pele, até os batimentos acelerados do meu coração e a secura da minha boca, tudo sinalizava que eu havia caído de amores. Eu sonhava com um futuro juntos, imaginando um casamento, filhos e uma vida repleta de amor e cumplicidade. Aos vinte e três anos, eu estava pronta, ou assim pensava, para mergulhar de cabeça nesse sentimento, vivendo todos os momentos que havia idealizado durante minha adolescência. Naquele instante, sob as estrelas daquela noite mágica, eu me sentia a mulher mais afortunada do mundo, sem imaginar que o conto de fadas que eu tanto desejava estava prestes a se desfazer diante dos meus olhos.

(...)

A conversa entre nós fluía naturalmente, apesar do meu costumeiro silêncio. Túlio, virando-se em seu assento com uma graça despretensiosa, encarava-me com olhos penetrantes, como se tentasse desvendar cada um dos meus pensamentos. Ele segurava sua bebida, uma mistura colorida que refletia os tons vibrantes da festa, e dava pequenos goles, seu olhar nunca desviando do meu.

- Você é sempre assim tão calada? - Sua voz era suave, porém carregada de uma curiosidade genuína, enquanto se inclinava ligeiramente em minha direção, diminuindo a distância entre nós.

Respondi com um sorriso tímido, que ma'l esboçava os meus lábios, em um contraste gritante com sua expressão aberta e confiante.

- Prefiro ouvir e observar a falar - minha resposta saiu quase como um sussurro, mas suficientemente alta para ser ouvida sobre o burburinho da festa.

- Deveria falar mais, sua voz é encantadora. Posso ouvi-la por horas - ele replicou, mantendo um olhar intenso que parecia me hipnotizar. Senti o calor subir às minhas bochechas, uma resposta involuntária às suas palavras lisonjeiras. - Além de linda, é tímida. Assim, fica fácil me apaixonar - sua brincadeira veio acompanhada de um sorriso contagiante, enchendo o espaço entre nós de uma energia leve e divertida, enquanto ele voltava a bebericar seu drink, agora com um ar de cumplicidade.

- Obrigada, você é muito gentil - consegui responder, minha voz ainda tímida, mas um pouco mais firme.

- Sou sincero, acima de tudo - ele disse, sua expressão suavizando em uma sinceridade desarmante. Com um movimento elegante, estendeu a mão em minha direção. - Permita-me apresentar-me formalmente. Sou o Túlio. Sei que já sabe quem sou, mas... - ele sorriu, uma mistura de confiança e humildade, esperando que eu completasse o gesto.

- Prazer, Túlio, sou a July - disse, colocando minha mão na dele, sentindo um toque firme e acolhedor.

- E então, July, está acompanhada esta noite? - Seu tom era casual, mas seus olhos brilhavam com um interesse que não podia ser disfarçado.

- Não, estou sozinha - minha resposta saiu mais confiante, encorajada pela atmosfera de abertu'ra que ele criava.

- Isso significa que posso ficar ao seu lado, ou você já tem planos? - Havia um leve traço de esperança em sua voz, uma pergunta velada que carregava muito mais peso do que as palavras sugeriam.

- Fique à vontade, não tenho planos - declarei, minha voz agora portando uma empolgação m@l disfarçada pela sua companhia.

- Ótimo! Posso ser seu plano a partir de agora - ele disse, nossos sorrisos se encontrando, espelhando a conexão instantânea que parecia ter sido estabelecida entre nós. Enquanto ele aproximava sua cadeira da minha, senti o espaço ao nosso redor se encher de possibilidades, marcando o início de algo inesperadamente novo.

(...)

A conversa entre nós durante a festa era leve e repleta de risos, como se fôssemos velhos amigos reencontrando-se após anos. Túlio era encantador, sua facilidade em se comunicar e a forma como ele se mostrava interessado em cada palavra que eu dizia me faziam sentir especial. Enquanto ele me guiava pelo lugar, apresentando-me aos seus amigos, percebi seus gestos atenciosos: ele segurava minha mão suavemente, garantindo que eu não me sentisse perdida ou deslocada naquela multidão. Havia um respeito implícito em sua atitude, algo que me fazia admirá-lo ainda mais. Ele flertava, sim, mas de uma maneira sutil e elegante, nunca ultrapassando os limites.

Ao final da noite, Túlio ofereceu-se para me levar para casa. O caminho foi preenchido por uma conversa agradável, pontuada por risadas e trocas de olhares cúmplices. Quando ele estacionou o carro em frente à minha casa, a gentileza em sua voz era palpável.

- Chegamos. Foi um prazer conhecer você, July - ele disse, com um calor sincero que fez meu coração bater mais forte.

- O prazer foi meu - respondi, tentando esconder o quão impactada eu estava por aquele encontro. Havia uma leveza em meu peito, uma faísca de esperança que há muito não sentia.

Ele então se virou para mim, seus olhos brilhando sob a luz do poste da rua.

- Que tal sairmos amanhã? Podemos comer algo, assistir a um filme, ou até mesmo ir à minha casa para conversarmos. Gostaria muito de te conhecer melhor. Você escolhe - ele sugeriu, com uma esperança cautelosa. Eu podia ver a sinceridade em seus olhos, a forma como ele me olhava, como se realmente quisesse passar mais tempo ao meu lado.

- Adoraria sair com você - disse eu, com uma empolgação que não conseguia esconder. Minha voz saiu mais animada do que pretendia, mas a genuinidade do meu sentimento era inegável.

- Então, amanhã, às 19:30h. Esse horário é bom para você? - Ele perguntou, como se temesse que qualquer outro compromisso pudesse me afastar dele.

- Perfeito - afirmei, saindo do carro com um sorriso que, suspeito, iluminava todo o meu rosto. Meus passos até a porta de casa eram leves, flutuantes. Eu me sentia nas nuvens, envolta na doce possibilidade de que, talvez, apenas talvez, Túlio pudesse ser o homem que preencheria os capítulos futuros da minha vida, aquele com quem eu viveria um feliz para sempre, como nos contos de fadas que sempre idolatrei.

Capítulo 2 Seis meses Depois

O quarto parecia encolher com a intensidade das palavras de Cristine, cada sílaba uma martelada em minhas incertezas. Eu a encarava, lutando para manter a compostura enquanto sentia o peso de sua preocupação me esmagar. Minhas mãos tremiam levemente, uma dança silenciosa de nervosismo e medo, refletindo o tumulto interno que suas palavras desencadeavam.

- Ele é um babaca, July! Por que você não termina logo com esse cretino? - Cristine questionou, com as sobrancelhas franzidas, claramente irritada ao me ver tentando ligar para Túlio pela milésima vez. Seu tom de voz exalava preocupação e irritação, um reflexo do cuidado que ela sempre teve por mim.

Olhei para baixo, sentindo um nó se formar em minha garganta. As palavras de Cristine ecoavam em minha mente, misturando-se com as dúvidas que eu tentava ignorar.

- Cristine, eu gosto dele, você sabe. Por favor, não comece com isso - eu disse, com a voz trêmula, lutando contra o mar de emoções que ameaçava engolir meu raciocínio. Meu dedo pairava sobre o botão de discar, como um pássaro indeciso à beira de um abismo, simbolizando a luta entre minha vontade de me apegar a Túlio e o medo de me afogar nas verdades que Cristine insistia em me mostrar.

Com um suspiro que parecia carregar todo o peso do mundo, Cristine arrancou o celular das minhas mãos, sua expressão um emaranhado de frustração e carinho desesperado. Ela se atirou na minha cama, uma ilha de desalento em meio à tempestade que se formava entre nós. Seu rosto, normalmente tão sereno e acolhedor, agora era um espelho de angústia e desespero.

- Você está iludida, amiga! Isso me estressa - suas palavras, embora duras, eram carregadas de um amor angustiado, um desejo ardente de me ver longe de qualquer sofrimento. Ela enterrou o rosto nas mãos, um gesto de exaustão diante da batalha que parecia interminável.

Respirei fundo, um sopro de tentativa de clareza, e recuperei meu celular com mãos trêmulas. Sentei-me ao seu lado, o contato de nossos ombros um pequeno consolo na tempestade de emoções. Minha voz, um mero sussurro, carregava o peso de minhas dúvidas e o desejo ardente de acreditar em algo mais puro do que as evidências sugeriam.

- Não é bem assim, Cristine. Eu não sou iludida - tentei me defender, embora cada palavra parecesse mais frágil diante da realidade que ela pintava. - Não seja tão dura, você está me magoando - admiti, a vulnerabilidade se infiltrando em minha voz, um pedido silencioso por compreensão e, talvez, por um pouco de esperança.

Cristine se levantou e continuou sua caminhada tempestuosa pelo quarto, uma tempestade de frustração e cuidado encapsulada em cada passo. Ela parecia dilacerada, uma lutadora no ringue da verdade e da compaixão, debatendo-se sobre quão direta deveria ser para abrir meus olhos sem partir meu coração.

- Tenho que ser sincera com você. Não vou passar a mão na sua cabeça. Ele faz o que quer, July, e você aceita tudo! - As palavras dela cortaram o ar, afiadas e diretas, uma espada desembainhada pela necessidade de me proteger daquela ilusão perigosa. Ela parou de andar, fixando em mim um olhar que era uma mistura de exasperação e um desespero para me fazer entender.

Eu desviei os olhos, incapaz de sustentar seu olhar acusatório, meu coração batendo uma marcha dolorosa. As palavras dela, embora duras, faziam minhas memórias desfilarem numa parada de arrependimentos e dúvidas. Meus pensamentos se perdiam entre os momentos que compartilhei com Túlio, uma busca febril por justificativas que se esvaíam como água entre os dedos.

- Ele não é assim, Cristine. Ele errou uma vez, mas já se desculpou. Esse assunto está resolvido - tentei infundir convicção nas minhas palavras, mas soaram como uma prece vacilante, um mantra frágil contra a tempestade de realidades que Cristine trazia.

- Uma vez? Você acredita mesmo nisso? - A voz de Cristine era um misto de choque e pesar, como se cada palavra fosse arrancada de um lugar profundo de dor e descrença. Seu conhecimento de Túlio, infelizmente, não trazia a mesma cegueira que o amor me havia imposto.

Fechei os olhos com força, um escudo fraco contra a avalanche de verdades que ameaçava minha bolha de negação.

- Ele jurou que foi só aquela vez. Eu acredito nele - murmurei, um sussurro trêmulo de fé no amor, na esperança de que o passado pudesse ser enterrado e esquecido.

Cristine balançou a cabeça, a incredulidade pintada em cada linha do seu rosto.

- Você caiu nessa conversa? Você acredita em Papai Noel também? - Sua pergunta, carregada de um sarcasmo dolorido, era um espelho da minha própria ingenuidade.

Abri os olhos lentamente, confrontando o desafio em seu olhar. Era um duelo silencioso entre minha vontade de acreditar no inacreditável e a dura realidade que ela tentava me apresentar.

- Você não pode apenas ficar feliz por mim? - a esperança em minha voz era uma chama frágil, tremulando diante do vendaval de dúvidas trazidas por Cristine. Minhas palavras, "Ele vai mudar", ecoaram pelo quarto como uma prece incerta, um pedido ao universo para que minhas ilusões se tornassem realidade.

- Ele não presta, July. Não vai mudar porque ele não quer - Cristine, aproximando-se com uma determinação ardente, segurou meus ombros com uma força que buscava despertar-me de um sonho perigoso. Sua proximidade era palpável, transmitindo uma urgência que fazia meu coração acelerar, não de paixão, mas de medo da verdade.

A tristeza invadiu minha voz enquanto eu tentava formular uma defesa

- Não é assim, Cristine... - mas dentro de mim, uma voz pequena e sufocada questionava se minhas palavras tinham algum peso, ou se eram apenas o eco de uma esperança desfalecida.

Cristine, percebendo minha hesitação, suavizou sua abordagem. Seu toque se tornou menos insistente, suas palavras tingidas de uma doçura amarga, uma mistura de preocupação e um profundo desejo de ver-me livre daquela angústia.

- Eu quero que você seja feliz, de verdade. Mas isso não vai acontecer enquanto estiver com ele. Vocês são diferentes. Você é encantadora e acredita no amor. Ele só quer curtir- sua sinceridade era um bálsamo doloroso, uma verdade que eu temia aceitar.

Engoli em seco, tentando ancorar-me na última réstia de fé que me restava.

- Estamos num relacionamento. Ele é meu namorado e está tentando mudar, mesmo que você não acredite - minha voz era um fio tremulante de convicção, uma ponte frágil sobre um abismo de incertezas.

Cristine me soltou delicadamente, seu recuo um reflexo da resignação que a tomava. O espaço entre nós crescia, preenchido por um silêncio pesado, suas próximas palavras pairando no ar como uma névoa gélida.

- Você realmente acha que o Túlio é fiel?

A pergunta atingiu-me com a força de um soco, cada sílaba um martelo que despedaçava a frágil estrutura de negação que eu havia construído. O peso da incerteza tornou-se insuportável, um monstro que crescia nas sombras da minha própria negação.

Capítulo 3 Sonhadora

- Sim, ele está arrependido do que fez - afirmei, embora a incerteza vibrasse em cada palavra, minando a convicção que eu tentava projetar. Era como se, ao dizê-las, eu tentasse convencer a mim mesma tanto quanto a Cristine, agarrando-me a qualquer resquício de esperança.

- Você está brincando comigo? - Cristine retrucou, seu tom de incredulidade se elevando, uma tempestade de frustração se formando em seus olhos. - Você não vê o que ele faz contigo?

Desviei o olhar, refugiando-me em meus próprios pensamentos, numa tentativa de escapar da realidade que suas palavras tentavam impor.

- Ele é carinhoso comigo - murmurei, mas minha voz vacilou, traída pela consciência de que talvez estivesse me agarrando a fragmentos de momentos bons, ignorando a vastidão de evidências contrárias.

- Carinhoso!? - Ela ecoou, sua incredulidade se transformando em indignação. - Ele é um grosso - disse com convicção, suas palavras carregadas de uma verdade que eu tentava, desesperadamente, ignorar. - Ele tentou ficar comigo, namorando você, ele deu em cima da sua melhor amiga, pelo amor de Deus, acorda para a vida, July.

Minhas defesas começavam a ceder, mas ainda assim, agarrei-me às desculpas que Túlio havia me dado.

- Ele se estressa de vez em quando, mas no fundo, ele é atencioso. E sobre aquele incidente com você, ele se desculpou. Disse que estava bêbado e não sabia o que estava fazendo.

Cristine suspirou, uma mistura de raiva e exasperação emanando dela.

- Ele sempre diz que está bêbado. Não foi uma única vez, July, ele não te respeita.

Tentei, inutilmente, defendê-lo mais uma vez.

- Ele brinca com você, é diferente - mas minhas palavras soaram frágeis, insuficientes até para os meus próprios ouvidos.

- Eu já avisei que não quero que ele brinque comigo, July. Não quero nem que ele olhe para mim - a determinação em sua voz era inabalável, um reflexo de sua resolução de não permitir mais desrespeito.

- Cristine, por favor, não faça isso. Ele é meu namorado e eu quero que vocês se deem bem - implorei, com a voz embargada pela emoção. Mas Cristine estava no seu limite.

- Até quando você vai fechar os olhos para o que ele faz com você? - Sua voz, agora quase um grito, carregava toda a frustração e a preocupação que ela sentia por mim.

- Somos um casal. Casais têm seus momentos difíceis - tentei argumentar, agarrando-me à crença de que o que nós tínhamos poderia, de alguma forma, ser salvado, apesar de tudo.

Cristine sacudiu a cabeça, sua decisão parecendo tão final quanto o cair de uma guilhotina, um claro sinal de que sua paciência havia atingido seu limite.

- Eu vou embora. Não aguento mais ouvir você defender esse cara - as palavras dela eram um punhado de desalento jogado sobre a já densa atmosfera do quarto.

- Cristine, por favor, fique - implorei, a tristeza e o desespero misturando-se em minha voz, uma súplica por companhia, por não querer me afundar mais na solidão de meus próprios pensamentos.

Ela hesitou na porta, uma estátua de dúvida.

- Pra quê? Para ver você sofrendo por ele? Tentando ligar para aquele infeliz a noite toda? - Sua pergunta não esperava resposta; era mais um reflexo do tormento que ela sentia ao me ver naquele estado.

- Fica aqui, por favor - implorei novamente, o medo da solidão e da reflexão sobre a minha relação com Túlio me pressionando com um peso insuportável.

Cristine suspirou, uma tempestade de sentimentos refletida em seus olhos. Ela olhou para mim, não com raiva, mas com uma seriedade que raramente eu havia visto.

- Então vamos sair - propôs, como se me oferecesse uma tábua de salvação, um escape das águas turbulentas que me afogavam.

Hesitei, dividida entre a lealdade distorcida a Túlio e a necessidade desesperada de escapar da minha própria mente.

- Se ele me procurar e eu não estiver aqui, ele vai ficar chateado - confessei, o conflito interno rasgando-me.

- Que ele se dane - disse Cristine, mas havia uma suavidade em sua voz agora, uma tentativa de consolo, de me tirar daquele abismo emocional.

- Cristine! - Protestei, uma réstia de lealdade ainda lutando dentro de mim, apesar da lógica e da razão que gritavam o contrário. Um sorriso fraco e hesitante se formou em meus lábios, um sinal da batalha interna que eu enfrentava.

Ela suspirou novamente, a frustração dando lugar a uma resignação dolorida.

- Desculpa - ela disse, um pedido de desculpas que carregava mais do que uma simples retratação; era uma desculpa por tudo, pela situação, pelo sofrimento, pela dureza das verdades que havia me forçado a enfrentar.

- Mas ele não vai te procurar hoje, você sabe disso.

Suas palavras, embora duras, eram um convite para enfrentar a realidade, uma oferta de companhia e suporte em um momento em que eu mais precisava.

- Onde você quer ir? - Perguntei, minha voz carregando o peso da derrota, mas também um traço de gratidão pela inabalável presença de Cristine ao meu lado.

- Vamos só dar uma volta, comer algo - ela sugeriu, sua voz tentando injetar um pouco de leveza em nossa noite, como um bálsamo tentando curar as feridas abertas pelas recentes revelações e confrontos.

Concordei, soltando um suspiro profundo, um último fio de esperança se agarrando à ideia de que a noite poderia trazer algum alívio para o caos em meu coração. Antes de partirmos, resolvi enviar uma mensagem para Túlio, talvez como uma forma de apaziguar meu próprio coração inquieto ou buscar algum tipo de conexão que me assegurasse de que não estava completamente sozinha em minhas aflições.

Mensagem:

- Amor, estou indo à lanchonete com a Cristine. Você vem me ver hoje? Estou com saudades.

Após enviar a mensagem, deixei o telefone de lado, um nó se formando em meu estômago enquanto esperava por uma resposta que, no fundo, eu temia não receber. Então, eu e Cristine saímos para a lanchonete, cada uma imersa em seus próprios pensamentos, um silêncio pesado entre nós que era mais eloquente do que qualquer palavra poderia ser.

A caminhada até a lanchonete foi tranquila, mas o silêncio entre nós era carregado de significados não ditos, de preocupações não expressas. Meu coração estava pesado, preso entre a realidade que eu começava a reconhecer e os fragmentos de esperança que ainda lutavam para se manter vivos dentro de mim.

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