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Desejo de Pecar

Desejo de Pecar

Autor:: Ronald_P
Gênero: Romance
Pode-se dizer que nos dias de hoje na igreja católica o celibato clerical, ou seja, o voto que obriga os padres a permanecerem castos, não é um dogma de fé, e sim, um regulamento da igreja, inclusive afirmado pelo Papa Francisco. De todo o clérigo da igreja há ainda uma perspectiva para aqueles que já são casados, mas desejam desempenhar papéis mais religiosos dentro do catolicismo. Atualmente, a Igreja Católica ordena homens casados como "diáconos permanentes". Assim, eles podem desempenhar quase todas as funções dos sacerdotes, com exceção da consagração da hóstia na comunhão e da absolvição dos pecados na confissão Para muitos na atualidade, até mesmo dentro do próprio clero, padres questionam se chegou a hora de mudar essa posição, para muitos a norma do celibato deveria ser abolida, "por ser algo da Idade Média ao qual foi estabelecido". A Igreja deveria ordenar casados e manter a possibilidade de celibato àqueles que quisessem fazer uma entrega mais radical. Porém, pelo concílio do Vaticano essa regra não se prevê mudanças, e as leis defendidas ainda no Concílio de Latrão (1215) e pelo Concílio de Trento (1545- 1563) permanecem até os dias atuais.

Capítulo 1 Capitulo 1

Saio do pequeno banheiro com a toalha presa em minha cintura, quando piso no quarto ela está sentada sob minha cama nua, se levanta e caminha até mim.

- Ísis, pare! É pecado isso.

Ela se ajoelha a minha frente e me olha de baixo com seu rosto de menina. Com suas mãos delicadas solta a minha toalha fazendo cair ao chão me deixando nu a sua frente.

- Me dá seu prazer absoluto em meu rosto Padre Matteo. ela diz colocando a língua fora da boca.

Acordo no meio da noite mais uma vez ofegante e suando. Estico meu braço e acendo o abajur no pequeno criado mudo ao meu lado passando a mão entre meus cabelos ajeitando meus fios bagunçados. Puxo o lençol e abaixo minha cueca, vejo o líquido branco viscoso que encharcou o tecido. Eu havia ejaculado enquanto dormia.

Me levanto da cama e vou pro chuveiro. Essa rotina estava se fazendo presente nos últimos tempos. Só eu sei o quanto tenho lutado contra isso. Saio do box e me enxugo em uma toalha, a prendo na cintura e saio do banheiro. Ainda é noite, o dia nem amanheceu. Quando entro de novo no quarto olho o crucifixo na

parede a cima da minha cama, me repreendo baixando meu olhar envergonhado.

- Me ajude Senhor! Me ajude a me manter firme e na sua presença divina.

Desligo o abajur e volto a dormir.

Me chamo Matteo Mazzini, 35 anos de idade, e sou Padre formado desde os 30 anos, nos dias atuais eu ministro na Igreja Esplendor, na cidade de São Paulo. Comecei minha vocação a igreja desde os meus 18 anos. Antes disso eu era um frequentador assíduo nas missas na minha adolescência. Quando entrei no seminário passei pelo período de propedêutico no primeiro ano, depois tive que estudar filosofia e teologia nos anos seguintes. Foram longos anos de estudo para que eu conseguisse me formar e poder entrar no clero da igreja católica. Estar no clero significa você pertencer ao grupo de sacerdotes católicos, sendo esses padres, bispos, arcebispos, cardeais e o Papa, e cada um possui sua própria função na hierarquia da Igreja, e são responsáveis pelos cultos.

O diaconato é o primeiro grau do sacramento da Ordem. O presbiterado padre é o segundo e o episcopado (bispos) é o terceiro. Portanto, todo diácono católico deve ser ordenado por um Bispo num ritual próprio.

Quando terminei os estudos me tornei diácono, ou eclesiástico, termo dado a essa denominação. Ser diácono é assistir o sacerdote ou bispo, pregar, batizar e distribuir a comunhão. Com minha devoção absoluta por anos, fui então nomeado pela Igreja Católica como Padre, eu poderia a partir daí ministrar missas em uma igreja.

O clero me designou para comandar a igreja do Esplendor, em São Paulo, fazem 5 anos que ministro desde então. O dever de um

Padre é segundo o concílio Vaticano II, pregar a Palavra de Deus contida, pelo cristianismo de denominação católica. E se entregar absolutamente a igreja e nada fora dela, principalmente a vida solitária, não é aceito manter uma relação com uma mulher.

Na minha adolescência eu frequentava as missas fielmente com meus pais. Eu costumava sentar sempre nos primeiros bancos e olhava com admiração o Padre que ministrava a igreja. Um dia depois dos ritos finais, eu fui até o Padre Antunes e contei a ele

minha vontade de um dia ser igual ele. Lembro-me muito bem das suas palavras.

- Determinação será o que você precisará para chegar até aqui garoto.

foi o que ele me disse.

Desde os meus 18 anos, vivi dentro do seminário, hoje em dia mesmo tendo me tornado Padre permaneço morando no seminário durante a semana, pois ensino os novatos propedêuticos a se prepararem para os anos seguintes e mantê-los focados nesse primeiro ano. Muitos desistem já no começo, a vida restrita é algo que muitos jovens não conseguem se adaptar. Uma vida reclusa, sem festas, bebidas e namoros. Se um seminarista iniciante consegue passar a etapa primária dos três primeiros anos no seminário, ele tem grandes chances de entrar no clero da igreja católica. Se você deseja ser Padre, você deve abdicar do mundo e da promiscuidade, e se manter no celibato absoluto.

Celibato é o estado em que sacerdotes da igreja católica se comprometem em não se casar ou manter relações sexuais com outra pessoa. Por norma, o celibato é uma prática comum entre alguns religiosos, que abdicam dos prazeres mundanos para se dedicar exclusivamente a servir a Deus.

Nunca namorei na minha adolescência, eu era um rapaz tímido nos tempos de escola, e sempre focava em estudar e ter boas notas, tão pouco tive relações sexuais. Hoje com 35 anos ainda sou virgem e puro, nunca me entreguei a uma mulher, tampouco senti o sabor de um beijo nos lábios. Entreguei minha vida a igreja e a Cristo nosso Senhor no momento em que pisei no seminário no meu primeiro dia de aprendizado para me formar Padre.

Costumo dormir nos dias da semana no seminário, possuo um quarto aqui. E nos fins de semana vou para minha casa descansar. É uma casa confortável, e fica localizada em um condomínio

tranquilo próximo da igreja Esplendor. Foi a herança deixada pelos meus pais antes de falecerem. Lugar que até meses atrás era o meu retiro e sossego espiritual, mas depois disso se tornou o local onde evito ao máximo ficar por longos períodos. Já não posso estudar e ler minhas palestras que vou dar aos seminaristas, não consigo mais me concentrar em minha própria casa.

A poucos meses chegou ao lado da minha residência uma nova família, mais especificamente uma garota e um senhor de aproximadamente 60 anos, seu pai. Garota essa que mais parece o diabo em forma de mulher, e tenho motivos comprovatórios para afirmar dessa maneira a denominação que dou a essa garota. Estou tentando com todas as minhas forças me manter firme em Cristo.

Tenho conseguido, mas ela é audaciosa demais.

Quando chega o fim de semana, e sei que vou para minha residência, quando estou próximo do condomínio minhas mãos chegam a suar enquanto seguro o volante. Suas atitudes são as mais perversas para chamar minha atenção, ela não tem timidez alguma, não tem pudor, não me respeita como deveria respeitar. Quando ela se dá conta que estou chegando e vou passar meu fim de semana em minha casa, ela junta suas munições de pecadora e me ataca descaradamente.

Quanto mais me afasto, mas ela se aproxima. Quanto mais a evito olhar, mas ela se mostra presente. E quanto mais me repreendo, mas constante ela está nos meus sonhos. Meus malditos sonhos.

Seu nome, Ísis ... Ísis Roosevelt!

8 da manhã ...

O despertador toca, abro meus olhos que estão pesados, eu havia acordado de madrugada e tive que ir de novo pro chuveiro me limpar da promiscuidade dentro do meu sonho, que resultou em acordar sujo. Sento na cama e desligo o despertador me sentindo sonolento.

Vou ao pequeno banheiro logo a frente da minha cama e me olho no espelho, estou cansado, dormi pouco essa noite. Fecho o cenho quando lembro do motivo. Enxáguo o rosto com água gelada e escovo os dentes, observo que minha barba está crescendo, não gosto dela assim. Puxo na gaveta do armário o barbeador e aparo ela deixando rente e sutil, prefiro assim, me sinto bem. Depois de toda minha higiene matinal troco de roupa e visto uma das minhas roupas sociais e por cima coloco minha batina sagrada.

A batina é a vestimenta mais ansiada pelos seminaristas. Ela é sagrada, veste-se a roupa comum por baixo e colocamos ela por cima. Ela é preta, o que significa a morte para o mundo, tem 33 botões, que é a idade de Cristo, e 5 abotoaduras, as chagas de Jesus.

Hoje era dia de dar aulas para os seminaristas, o Diácono Martin iria me ajudar. Abro a porta do meu quarto e sigo reto o longo corredor gigantesco. Haviam outros cômodos de quartos onde muitos seminaristas dormiam. Desço a escadaria e vou até a sala de palestras no primeiro andar. O Diácono Martin já está na sala organizando as folhas, entro e me aproximo.

- Bom Dia Padre Matteo.

- Bom Dia Martin.

Ele me entrega as apostilas e vou colocando uma a uma em cada mesa. Era o conteúdo sobre teologia, os seminaristas iriam estudar a apostila de duzentas folhas que eu redigi em minha casa, e entregariam na semana seguinte para avaliarmos com teste oral cada um deles. Eles iriam responder alguns temas abordados nela.

Capítulo 2 Capitulo 2

O relógio marca 08:25, os alunos começam a entrar na sala e se acomodarem em suas cadeiras. Início minha aula palestrando o tema Teologia, que é o estudo da existência de Deus, das questões relacionadas ao conhecimento da divindade e das tradições religiosas e seus contextos históricos. É um estudo científico da relação entre homem e religião, além do seu impacto na sociedade como um todo.

No fim da aula, todos recolhem as apostilas e levam com eles para se aprofundarem mais no assunto, além da minha aula presencial. Focar a mente dos seminaristas iniciantes é a peça chave primordial. Eles precisam ocupar o máximo de tempo com estudos, a leitura da Bíblia, aulas presenciais, palestras com vídeos na sala de teatro. Quanto mais focados na palavra de Cristo, menos tempo eles tem de lembrar do mundo fora daqui.

Ajeito os livros que emprestei da biblioteca aqui mesmo no seminário e me despeço de Martin, quando estou na porta de saída, ele me chama.

- Padre Matteo.

- Pois não Martin.

- Hoje e amanhã os seminaristas vão estar designados a limpeza dos quartos. O seu está incluso Padre, se importaria de se ausentar dois dias?

- Tudo bem. Eu passo o fim de semana em minha casa. Volto domingo a noite. Com licença.

Era sexta-feira, voltei para meu quarto e retirei com cuidado minha batina, eu geralmente dava aulas aos seminaristas com a batina ou a vestimenta de Padre. Acomodei ela no cabide e vesti o saco protetor. Eu iria levar comigo, pois sábado e domingo iria ministrar as missas na igreja Esplendor. Na mala coloquei meus itens pessoais, peguei o cabide com minha batina e saí do quarto, mas não sem antes me ajoelhar de frente ao crucifixo em minha parede e agradecer a Deus pelas benfeitorias em minha vida e agradecer de poder estar vivendo em sua presença.

Me despedi dos diáconos, presbíteros e sacerdotes do seminário e fui até o estacionamento onde estava meu carro. Acomodei minhas coisas no porta malas e entrei no banco do motorista. Segui rumo a minha casa, cerca de quase trinta minutos eu estava chegando na entrada do condomínio.

A portaria liberou minha entrada, respirei fundo e coloquei o pé no acelerador entrando para dentro. Minhas mãos começaram com uma sudorese, eu já sabia o porquê dessa reação no meu corpo, sabia muito bem. Entrei até o final, minha casa era a última no condomínio. Era um local de classe média, as residências eram sobrados sofisticados e com um gramado impecável, que era cuidado pelo jardineiro do condomínio.

Desacelerei o carro e virei o volante entrando na frente da minha casa. Como era um condomínio fechado, não havia portões, as casas eram separadas por cercas nas laterais, e nada mais.

Estacionei meu carro dentro da cobertura, desci e peguei minhas coisas no porta malas.

Era em torno de 15:45 da tarde, estava ensolarado e quente. Já dentro da casa, coloquei as chaves do carro na estante e abri as janelas, subi para o andar de cima indo até meu quarto, coloquei

minha batina no armário e fui abrir a janela para ventilar o ambiente. Não devia ter feito isso!

Puxei a cortina de linho bege e abri a janela de vidraça. Quando olhei para fora, logo a minha frente vi a garota na piscina nadando lentamente. Ela estava com uma vestimenta muito pequena e seu corpo estava praticamente todo exposto. O reflexo do sol batia na sua pele molhada e reluzia. Seus cabelos que mais parecem de fogo estavam esparramados na superfície da água. Ela submergiu da água e me viu na janela.

- Oi Padre Matteo.

balançou a mão acenando pra mim.

Ergui levemente a minha sendo simplesmente cordial.

- Não quer entrar na piscina comigo? Está muito calor hoje. ela gritou da água sorridente.

- Não, obrigado!

respondi seco.

Saí da janela, e me afastei para que ela não tivesse minha visão mais. Por Deus, como vou ficar no meu quarto em paz com essa garota na piscina bem na frente da minha janela. Sentei na cama e podia ouvir suas batidas de braço na água nadando. Ela estava com aquela mesma música tocando alto, Enigma - Return to Innocence. Todas as vezes que eu vinha para minha casa descansar, eu escutava daqui ela ouvir aquela música incansavelmente. Ela não se cansa de ouvir sempre a mesma música?

Desci para baixo e fui até a cozinha, peguei uma maçã na fruteira sob a mesa e cortei em quatro partes. A irmã Scarlet costumava vir durante a semana cuidar da limpeza da minha casa, e ela deixava alguns alimentos toda sexta de manhã frescos pra mim. Me sentei

na escadaria, e ainda sim eu ouvia ela se debatendo na água e risos, ela ria sozinha.

Depois que comi ali mesmo na escada a fruta, fui para a sala e me sentei na poltrona, coloquei meus óculos de leitura e abri a Bíblia, estava lendo Genesis, o versículo que dizia sobre a criação da mulher.

" Mas, o Altíssimo criou Adão e Eva para serem seres livres, capazes de escolher entre o bem e o mal. Deus queria que o amor dos seres humanos para com Ele fosse por livre e espontânea vontade, e não algo imposto."

Notei que os barulhos de água haviam cessado. Agradeci por aquilo, eu estava perturbado com ela se debatendo constante com aquelas vestimentas ao lado da minha casa. Voltei minha atenção de novo a leitura na poltrona, quando ouvi a campainha tocar, duas vezes seguidas.

Quem poderia ser? Eu não costumava receber ninguém quando vinha pra cá. A única pessoa que vinha até minha residência era a irmã Scarlet para fazer a faxina semanal. Mas hoje não era o dia dela vir. Apoiei meus óculos sob a Bíblia na mesa ao lado e me

levantei da poltrona, girei a chave destrancando a porta. Quando abri, era a encarnação do demônio na minha porta.

- Oi Padre Matteo.

ela disse com um sorriso largo.

- Pois não. Algum problema no condomínio?

- Sim, porém na minha casa. Minha porta do guarda roupas caiu e eu não sei colocar de volta. Precisa usar a chave de fenda.

Olhei aos arredores brevemente para ver se não havia algum vizinho observando. Ísis era chamativa, e falava alto. E o pior de

tudo, ela estava na frente da minha porta trajando aquela vestimenta promíscua. Era um tecido muito pequeno e de cor branca, e estava molhado. Por Deus!

- Não posso ajudar. Não tenho chave de fenda, com licença. Me afastei para fechar a porta.

- Mas eu tenho Padre, aqui está. Só não sei colocar a porta de novo. Pode me ajudar?

ela levantou de uma de suas mãos a ferramenta.

Sorri desconfortável, sua audácia era surpreendente todas as vezes que ela vinha até mim.

Ela continuava ali, parada na minha porta esperando uma resposta com um sorriso no rosto, e com aquela roupa promíscua. Eu olhava seu rosto, ou baixava meu olhar para o chão evitando ao máximo ver seu corpo. Minha vontade era fechar a porta e passar as chaves, mas minha educação não me permitia agir com essa grosseria.

- Você pode pedir ao seu pai para ajudar você.

eu disse esperando que ela concordasse e saísse dali.

- Ele não está em casa. Só volta amanhã, e eu preciso da minha porta encaixada.

Ela estendeu a chave de fenda na minha direção e me olhava de uma forma muito estranha, eu fiquei muito nervoso com aquele olhar que ela me lançou e senti meu rosto queimar.

- Estou um pouco ocupado agora. Estou lendo a Bíblia. Ela sorriu de orelha a orelha.

- É mesmo? Está lendo o que?

- Sobre a criação do Senhor.

- Muitos dizem que a melhor obra que Deus fez foi a mulher. Você não concorda Padre Matteo?

Ela disse e jogou seus cabelos de fogo pro lado e deu uma volta na ponta dos pés sorridente. Depois que girou, espalmou suas mãos com as unhas pintadas da cor do pecado, de um vermelho forte em meu peito.

- A melhor criação foi Os Dez Mandamentos. Acho que todos deveriam cumprir as leis de Deus.

eu disse a ela calmamente.

Ísis passou por mim e entrou dentro da minha sala, fiquei estarrecido. Ela tinha que sair dali o quanto antes. Já dentro, viu a Bíblia apoiada na mesa ao lado da poltrona e se jogou sentando com aquela vestimenta molhada e pegou minha Bíblia nas mãos.

- Padre, você poderia me mostrar onde está as leis dos dez mandamentos? Eu não lembro de todos eles.

Capítulo 3 Capitulo 3

Coloquei as mãos no meu rosto, ou ela não tinha noção nenhuma, ou sabia muito bem provocar. O que os moradores iriam pensar de mim se algum deles viu ela entrar na minha casa dessa maneira.

Peguei a Bíblia das suas mãos e fechei colocando sobre a mesa ao lado de novo. Ísis me olhou sem entender, e me olhava com aquele rosto de menina. Ela se levantou e ficou bem próxima de mim, engoli minha saliva em seco. Ela estava tão próximo que eu podia ver cada pinta das sardas que ela tinha no rosto, e algumas nos

lábios. Ela era extremamente ruiva, até mesmo suas sobrancelhas eram ruivas, seus cabelos de fogo batiam na cintura, e cintura essa que era fina e curvilínea. Seus seios eram grandes. E era dona de uma boca de um tom avermelhado natural.

- Padre, você está nervoso?

- Não, porque estaria?

Ela levantou uma de suas mãos de unhas de tom do pecado e levou até minha testa, passando seu polegar entre minha pele e meus cabelos.

- Está suando.

- Ísis seu nome não é? Então Ísis, eu acho melhor você ir para sua casa. Estou realmente ocupado.

Ela sorriu e mantendo o sorriso no rosto foi descendo seu olhar em mim para baixo, e cada vez mais para baixo, até chegar onde não deveria ter olhado. Ela segurou o olhar ali por alguns segundos e subiu de uma só vez para meus olhos de novo.

- Outro dia sonhei com você Padre Matteo. Mas acho melhor nem contar. Você não ia gostar de saber o teor do meu sonho.

Ela riu tapando a boca, em seguida pegou a chave de fenda que estava em minhas mãos e foi em direção a porta. Antes de sair pra fora, parou na porta e me olhou por cima dos ombros.

- Talvez você tenha mesmo que se ocupar agora Padre. Eu peço para meu pai arrumar pra mim amanhã. Até logo.

Ela fechou a porta e saiu. Soltei minha respiração que eu estava segurando e respirei aliviado.

- Por Deus, isso só pode ser obra do maligno contra mim.

Subi para meu quarto e puxei a cortina bege tapando toda a visão que dava para fora. Eu estava com meu membro extremamente endurecido por ela. Me ajoelhei aos pés da cama segurando meu crucifixo firme, e fiz uma oração pedindo perdão pelos pensamentos sujos que estavam surgindo na minha mente. Eu não queria sentir

isso, eu estava sofrendo. Sofrendo por não conseguir controlar algo dentro de mim que estava se acendendo, e eu sabia muito bem o que era ... O desejo carnal.

Passei o resto do dia com aquela perversa na minha mente, e a imagem dela na minha sala se mantinha firme nos meus pensamentos, vestida como uma mulher mundana, promíscua e suja. Tentei ocupar minha cabeça lendo a Bíblia e preparando a

próxima apostila para os seminaristas. Consegui com esforço tirar ela do foco, e finalizar meus deveres. A noite, deitei e dormi. Mas aquele maldito sonho aconteceu de novo, me levantei da cama e estava novamente sujo. Em oração me puni no banho me culpando pelos meus sonhos.

Dia Seguinte

Era sábado, acordei cedo. Seis da manhã eu estava em pé preparando meu café da manhã. A missa iria iniciar na igreja do Esplendor as 07:30. Assim que me arrumei, tomei meu café e saí. Estacionei o carro na parte de trás da igreja, onde os sacerdotes tinham a vaga disponível. Peguei minha batina no porta malas e

entrei. Cumprimentei quem já havia chego, e fui para a sacristia me preparar.

A Sacristia é um pequeno cômodo anexo a igreja, ou dependência dela, onde são guardados os paramentos e outros objetos de culto, e onde nós vestimos as vestes do culto, no meu caso a batina.

Vesti minha batina com cuidado e coloquei meu cordão de crucifixo no pescoço. Peguei minha Bíblia e fui para o altar no púlpito preparar a missa da manhã. Eu conversava com alguns coroinhas quando os fiéis começaram a entrar e se acomodar nos bancos.

Não olhei para o público. Fiquei focado em minha Bíblia anotando as passagens bíblicas que eu iria dizer na missa depois de ler o evangelho.

A missa ia se iniciar, e a canção de entrada foi tocada. Enquanto a música tocava eu entrei com os coroinhas e os sacerdotes pelo corredor cantando um coro único. Assim que chegamos no altar, fui para o púlpito e cumprimentei todos os fiéis.

Quando olhei a multidão, vi seus cabelos de fogo, eles eram presentes e chamativos. Ela estava sentada no primeiro banco da

frente, como sempre fazia propositalmente, e se não bastasse, me olhava o tempo inteiro, sem desviar o olhar, sem sorrir, séria.

Durante a missa evitei meu contato visual com ela. Mas eu sentia seus olhos esverdeados me olhar o tempo todo, me queimar, eu sentia, eu sei que ela estava me olhando. Enquanto eu falava sobre o evangelho no microfone olhando para a multidão, ela chamou minha atenção jogando aqueles malditos cabelos de fogo cumpridos para o lado. Olhei pra ela, quando nossos olhos se cruzaram, Ísis afastou as pernas no banco, ela usava uma saia branca e uma blusa preta.

Desviei o olhar assim que a vi abrindo as pernas e voltei a falar o evangelho no microfone. Mas o meu maldito instinto aguçou, eu desejei olhar de novo pra ela, tentei me controlar enquanto dizia a palavra no púlpito, não consegui. Lancei o olhar para ela, ela estava me olhando fixo, e quando cruzamos os olhos ela abriu as pernas de novo e vi sua calcinha. Ela estava bem no banco da frente, eu pude ver ela úmida, o tecido estava úmido. Subi o olhar para seu rosto, ela mordeu os lábios e sorriu de canto.

- Demônia pecadora.

Falei em voz alta me esquecendo que estava com o microfone

ligado. Os fiéis me olhavam sem entender a frase que eu havia dito.

- Repitam comigo, Santa Curadora, curai aqueles que andam no caminho do fogo.

Ela estava me tirando o foco completamente, olhei pra ela que ria de canto com cara de satisfeita pra mim.

Agradeci a Deus quando a missa terminou. Os fiéis foram saindo ainda com os cânticos. Eu desci do púlpito e estava indo em direção a sacristia, quando senti alguém tocar meu pulso. Me virei, e era a pecadora.

- Padre Matteo, posso ir até sua casa hoje? Quero me confessar.

Ela me olhava inocentemente enquanto passava o sacerdote ao nosso lado. Mas assim que ele se afastou, seu olhar era outro. Era profano, era ousado e sexy.

- Confissões são feitas na sala do confessionário, aqui na igreja. Não na minha casa.

- E eu preciso ficar ajoelhada na sua frente enquanto digo meus pecados Padre Matteo?

Respirei fundo.

- Não. sorri sem graça. Você fica ajoelhada no âmbito, mas fora da cabine no confessionário.

- Entendi. Achei que eu ficava ajoelhada aos seus pés e depois você me punia quando eu contasse meus pecados.

Olhei para os lados, alguém poderia estar ouvindo os seus absurdos profanos. Porque eu sabia que eram absurdos que ela dizia. Aquilo não podia ser ingenuidade da sua parte.

Eu disse a Ísis que em outro momento ela se confessaria, mas não hoje. Eu não me sentia a vontade para ouvir suas confissões nesse momento. Fui até a sacristia e troquei de roupa. Deixei a minha batina pendurada no cabide ao lado da mesa onde estavam acomodadas as alfaias litúrgicas. Eu a usaria no dia seguinte, na missa da manhã. A igreja estava sendo fechada pelas irmãs, eu já estava de saída, me despedi de quem ainda estava presente e fui para a ala de trás onde estava meu carro. Quando virei o corredor, vi ela encostada no meu carro.

- O que faz aqui garota?

- Pensei que poderia me dar uma carona até em casa Padre.

Coloquei minhas mãos na cintura. Isso não podia estar acontecendo, não comigo. Por Deus, eu não mereço essa cruz. Não fiz nada para ter que carregar essa cruz Senhor. Pensei comigo.

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