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Deslize

Deslize

Autor:: Cristinna Guimaraes
Gênero: Romance
Sebastian Demprey está cansado das pessoas que se aproximam dele apenas por causa de seu dinheiro e seu nome. Aborrecido por encontrar apenas com mulheres interesseiras, ele adota uma identidade falsa e cria um perfil num aplicativo de relacionamentos e acaba conhecendo uma mulher incrível e inteligente que ele pretende fazer sua, o que ele não sabe é que essa mulher tem trauma de namorar homens ricos e é também a sua recém contratada secretária, Desirré Gabrielli.

Capítulo 1 – Deveria saber que eu não tolero atrasos

– Daisy, você vai se atrasar para o seu primeiro dia se não sair da cama agora. – Kim grita da porta do meu quarto e esse é o incentivo que eu tenho para sair da minha cama. Claramente, é só mais um dia na minha vida em que não ouvi o despertador tocar e vou me atrasar. Normalmente são compromissos normais, onde ninguém liga para os meus atrasos (isso não inclui a Kim, ela odeia atrasos, pessoas do signo de virgem são assim mesmo) mas hoje é o dia mais importante do meu ano, é o meu primeiro dia de trabalho num emprego de verdade.

Estive por ai o ano inteiro entregando currículos e nunca era chamada para cargos que pagassem mais que os meus gastos mínimos, que dirá um salário que desse para fazer um pé de meia. Semana passada finalmente me telefonaram informando que havia uma vaga para secretária do CEO e para saber se eu estava interessada, é claro que eu quase cai dura da cadeira onde estava sentada num bar qualquer e agendei uma entrevista para o dia seguinte na Demprey Beauty & Co, uma das mais grandes empresas na industria de beleza de toda a Manhattan. Eu não tinha esperança de ser chamada para fazer entrevistas lá, mas achei que não fazia mal sonhar e entreguei meu currículo mesmo com poucas esperanças.

Qualquer pessoa sensata ao saber que terá uma entrevista de emprego no dia anterior, descansaria e se prepararia para arrasar na entrevista do dia seguinte. Eu fiz isso? Claro que não. Para mim, a simples menção de uma entrevista de emprego era motivo para comemorar e foi isso que eu fiz, enchi a cara de cerveja e voltei para casa muito tarde, resultando em uma cara inchada e uma grande ressaca no dia seguinte, sem falar no sono por ter dormido apenas cinco horas completas. Felizmente, fiz uma boa maquiagem que escondeu todo o cansaço do meu rosto e o meu currículo falou mais alto na entrevista. Mesmo que eu não tenha trabalhado de secretária antes, eu estudei muito para isso e tenho boas referencias da faculdade e isso me fez ser escolhida para o cargo, finalmente posso colocar em prática tudo que me matei para aprender na faculdade. Agora tudo que preciso é agradar o chefe e fazer um bom trabalho.

Corro para o banheiro e olho a hora no relógio que está na parede antes de entrar. Sete em ponto e eu preciso estar lá as oito, ou seja, eu estou prestes a me atrasar já que a minha casa é muuuito longe da empresa e eu preciso pegar ônibus para chegar lá.

– Merda! Merda dupla! – Resmungo para mim mesma entrando no box e solto um impropério quando a água fria bate no meu corpo que ainda estava um pouco adormecido. Com o choque da água fria eu finalmente acordo e a primeira coisa que eu penso é um pouco engraçada.

– Eu finalmente preciso comprar um despertador para mim, aquele ainda vai me matar de fome. – Resmungo enquanto passo sabonete pelo meu corpo. O meu despertador não funciona bem a algum tempo, ele nunca desperta e quando desperta é sempre na hora errada então eu uso o meu celular como despertador, mas acho que isso não tem funcionado muito para mim já que eu sempre o desligo e nem ao menos vejo quando faço isso. Bizarro, eu sei, meu sono é muito pesado.

Saio do banheiro menos de dez minutos depois e corro direto para o guarda-roupa e pego a roupa que deixei pendurada e passada na noite passada. Acho que eu estava adivinhando que eu não teria tempo disso hoje e ainda bem que o fiz ontem, eu estaria encrencada.

Visto um par de lingeries brancas, logo depois a saia lápis preta e a camisa branca social. Estou abotoando o último botão quando Kim entra como um furacão no meu quarto.

– Você realmente precisa arrumar o seu quarto. Está me dando complexo só de olhar. – Ela diz olhando ao redor e logo depois olha para mim com um olhar analista.

– Scarpin preto. Básico e elegante, tenho certeza que vai passar uma ótima impressão. Cabelo preso num rabo de cavalo, deixe a sua franja de lado que vai ficar incrível. – Diz depois de poucos segundos me observando e essa é a parte boa de ter uma amiga que estudou moda.

– Obrigada amiga, você é salva vidas. – Digo correndo para procurar o meu scarpin preto.

– Sim, eu sou salva vidas e você está atrasada.

– Eu estaria mais atrasada se você não tivesse me acordado. Muito obrigada. – Digo assim que acho o par de sapatos e sento-me na poltrona mais próxima para calcá-los.

– Sempre a disposição. Mas é melhor você comprar um novo despertador, acho que seus dedos nervosos não vão encontrá-lo assim que tocar e desligá-lo.

– Vou me lembrar disso, obrigada. – Digo indo até a penteadeira para começar a maquiagem.

– Você já está muito atrasada, vou te ajudar. – Ela pega o secador e começa a modelar o meu cabelo enquanto eu faço uma maquiagem simples.

Dez minutos depois, meu cabelo está arrumado em um rabo de cavalo alto e cheio e a minha maquiagem está pronta. Foi o melhor que consegui em tao pouco tempo.

– Ótimo, agora corra. Com sorte pegara o ônibus com tempo ainda. – Kim diz me entregando a minha bolsa e eu lhe dou um beijo na bochecha para me despedir.

– O que seria de mim sem você? – Digo correndo até a porta.

– Você provavelmente perderia o emprego. Até mais tarde, te amo. – Ela grita e eu sou capaz de ouvir no corredor do prédio. Entro no elevador com pressa e aperto para o térreo.

Os poucos minutos que passei dentro do elevador pareceram horas e eu corro até o ponto de ônibus que, felizmente, para no mesmo momento que eu chego ao ponto. Eu subo e sento-me no lugar vago mais próximo para descansar. Olho o relógio e são 7:25.

– O caminho até a empresa deve durar um 30 minutos. Vai dar tempo, vou chegar a tempo. – Digo a mim mesma com um sorriso, mas as minhas palavras me assombram 15 minutos depois quando encontramos um grande engarrafamento no meio do caminho e eu balanço meu joelho em ansiedade.

Droga, desse jeito vou mesmo me atrasar.

São 7:55 quando eu finalmente desço do ônibus e corro para a empresa a minha frente. Eu entro correndo e vou direto para o elevador, que demora uma eternidade até abrir. Olho o meu relógio 7:57.

o elevador sobe e felizmente não para em nenhum andar e assim que eu adentro a cobertura o relógio marca 8 horas em ponto. Consegui, eu cheguei a tempo. Respiro aliviada e ando até a recepcionista, que já me conhece da entrevista e me dá as boas vindas e me entrega meu crachá de secretária e diz que o Sr. Demprey já está a minha espera.

Ando na direção que Lana, a secretária, me indicou e chego a minha mesa. Mas fico surpresa ao encontrar um um homem de 1,90m sentado a ponta da mesa de braços cruzados, ele tem olhos verdes, cabelo loiro num topete e uma cara de poucos amigos. Está vestido num terno preto sob medida que parece mais caro que a minha vida.

Abro a boca para cumprimentá-lo e me apresentar, mas não tenho a chance. Assim que ele me ve chegar, ele se levanta e me olha de cima abaixo.

– Está atrasada, Senhorita Gabrielli. Deveria saber que eu não tolero atrasos. – A voz grossa envia arrepios por todo o meu corpo e ao observar o seu olhar para mim já sei que vou amargar nesse emprego.

Meu dia já começou ótimo.

Capítulo 2 – Eu sou Sebastian Demprey

Acordo pontualmente as 6 da manha para a minha corrida matinal e contemplo a quinta avenida pela janela do meu quarto me preparando para mais um dia árduo de trabalho. Pego meu fone de ouvido, meu iPod e desço para o térreo. Na rua, é possível ver a cidade acordando para um novo dia, as ruas ainda não estão movimentadas mas já é possível ver algumas pessoas transitando apressadas para os seus destinos. Assim que ponho o pé na rua, conecto meus fones de ouvido ao iPod e esquecendo do mundo exterior, inicio minha corrida até o Central Park, que é onde corro normalmente.

Uma hora depois, estou de volta ao hotel para me aprontar para ir para a empresa. Meu pai fundou a Demprey Beauty & Co e eu dou o meu sangue todos os dias para que ela continue prosperando desde que assumi a empresa por conta da saúde do meu pai que não é mais tao boa, a quatro anos, afinal, eu não poderia fazer diferente com o homem que me ensinou tanto e me passou toda a sua sabedoria. Felizmente, as ações estão sempre altas desde que entrei e eu tenho feito tudo certo graças a minha inteligência. É tudo resultado do meu grande esforço todos os dias. Tomo uma ducha longa, coloco meu terno sob medida e arrumo os papéis que estão disposto pela minha mesa de escritório e me atrapalho. Demiti a última secretaria por sua incompetência, dei muitas chances a ela, mas tudo que ela sabia era dar em cima de mim e eu não aguentava mais. Felizmente, hoje é o primeiro dia da nova secretária e eu finalmente terei alguém para me ajudar a fazer esse trabalho. Tomo um café da manha leve e pego a minha pasta descendo até a garagem, onde o motorista já me espera. Cumprimento-o com um bom dia, que ele rapidamente devolve. Logo estamos no meio do trânsito da movimentada Manhattan, diferente da hora que acordei, agora as ruas já estão a todo vapor e há pessoas andando na calçada cuidando de suas vidas e carros buzinando por todos os lugares a fim de chegarem aos seus destinos. Como as pessoas estão começando a ir para o trabalho agora, o trânsito ainda não está tão caótico e eu consigo chegar na empresa sem problemas e sem atrasos. Pontualmente as 7:45 estou entrando na cobertura da empresa e cumprimentando a secretária da recepção, Lana. Ela tem me ajudado a cuidar dos deveres da minha secretária, mesmo que não seja seu trabalho e eu estou muito grato pela sua ajuda, mas ela não é paga para isso.

– Bom dia, Srta. Lana. – Cumprimento passando por ela, que se levanta.

– Bom dia, Sr. Demprey. Como vai nessa manha? – Pergunta educadamente com um leve sorriso no rosto.

– Vou muito bem, obrigada. A secretária começa hoje, certo? – Pergunto indo para a minha sala e ouço o barulho do seu salto no chão, o que significa que ela me segue a uma distância segura.

– Correto, senhor. Ela chegará em breve.

– Ela é boa mesmo, não é? Confiei essa tarefa a vocês por não ter tempo suficiente para escolher uma nova secretária e quero acreditar que vocês levaram a sério essa tarefa levando em conta minhas preferências. – Digo entrando em minha sala e tirando imediatamente o meu terno e pendurando-o perto da minha poltrona.

– Claro, ela passou em todas as etapas com honras. Mesmo nunca tendo atuado como secretária, tenho certeza que ela vai se sair muito bem devido as suas qualificações que são muito boas. – Ela diz em frente a minha mesa enquanto eu me sento e eu assinto.

– Você sabe que eu não ligo para isso, certo? Acho que o trabalho conta mais que as qualificações, já vi pessoas sem nenhuma qualificação que faziam o trabalho melhor que qualquer outro que ostentava um currículo gordo. Mas vamos confiar no seu trabalho e ver se ela faz um bom trabalho. – Digo me ajeitando na cadeira e olhando em seus olhos para deixar claro que eu falo serio.

– Não se preocupe, eu mesmo vou treiná-la. – Lana diz sem se abalar. Gosto desse controle nela.

– Não precisa, eu mesmo farei isso.

– O que? – A sua expressão se abala um pouco e eu arqueio a sobrancelha.

– Algo contra? – Pergunto observando bem o seu rosto, que logo volta a expressão normal.

– Nada, senhor.

– Então, se está tudo combinado, pode voltar ao seu lugar. Alguém pode te procurar na recepção e você não está lá.

– Então vou me retirar. – Ela faz uma mesura e se vai. Olho o relógio que marca 7:55 e decido ir esperar a nova secretária em sua mesa, ela deve chegar a qualquer momento e eu quero estar lá para conhecê-la. Sendo assim, saio e sento-me a sua mesa. Pela relógio da parede, consigo acompanhar os minutos passando e eu não posso acreditar no que está acontecendo. Ela está atrasada em seu primeiro dia de trabalho, o que é inadmissível para mim, todos sabem que eu não tolero atrasos. Incapaz de suportar ficar sentado e esperar, começo a andar ao redor e quando o relógio marca 8:00 eu dou uma risada sem graça.

– Ela está tentando me enlouquecer por acaso? Ela não sabe quem eu sou? – Digo para mim mesmo tentando conter a minha raiva. No mesmo momento, ouço o barulho de passos se aproximando e me escoro na escrivaninha despreocupadamente esperando que ela chegue até mim. Estou de frente a porta e a mulher que anda confiantemente até mim não é nada do que eu esperava, eu dei uma olhada em seu currículo e o que eu esperava ver era uma mulher com roupas de vó, aparência de vó e grandes óculos de grau, além de uma vida social inexistente, mas a mulher que vejo a minha frente não se parece nem um pouco com isso. Ela está vestida com uma roupa normal de secretária, camisa social e saia lápis complementada por um scarpin preto. Apenas acho que uma camisa social não deveria ficar tao bem numa mulher, uma saia lápis não deveria ser tao apertada e sapatos scarpins não deveriam deixar suas pernas tao longas que chega a ser sexy. Ela carrega um olhar de confiança em seu rosto e o seu cabelo balança para lá e para cá num elegante rabo de cavalo a cada passo dado. Sua aparência me desestruturou um pouco, mas já estou de volta a mim e pronto para dar sua primeira bronca. Ela não parece o tipo de pessoa que sabe executar esse tipo de trabalho e provavelmente mentiu no currículo e essa não seria a primeira vez que isso me acontece. Eu conheço muito bem o seu tipo. Assim que ela está próxima a mesa, não dou chance para que ela seja a primeira a falar e a analiso de cima abaixo.

– Está atrasada, Senhorita Gabrielli. Deveria saber que eu não tolero atrasos. – Digo com autoridade e seu olhar parece vacilar um pouco mas ela logo se recupera e volta a ter o mesmo olhar determinado de antes.

– Creio que cheguei na hora certa senhor. – A sua voz é tao bonita quanto a sua aparência, mas isso não me engana.

– Que horas começa o seu expediente? – Pergunto.

– As 8:00, senhor. – Responde imediatamente e eu aponto para o relógio na parede.

– Senhorita, que horas são no relógio?

– São 8:01, senhor. – Responde prontamente e eu assinto.

– O que significa que está atrasada e eu não tolero atrasos. Certifique-se de chegar na hora amanha, do contrário, não acho que esse trabalho sirva para você. Esteja na minha sala daqui a cinco minutos para discutirmos a minha agenda, o seu treinamento começa imediatamente. Bem-vinda a Demprey Beauty & Co, eu sou Sebastian Demprey e serei o seu chefe de hoje em diante. – Digo com autoridade e não espero a resposta e volto a minha sala fechando a porta com força. Belo começo de dia para mim.

Capítulo 3 – O que ele acha que sou Um robô, por acaso

Sustento meu sorriso apenas até que ele entre na sala e feche a porta força demais para qualquer um que estivesse vendo e sou capaz de respirar livremente quando ele está fora da minha vista. Me escoro na mesa e me abano um pouco em busca de ar.

– Meu Deus, achei que ia morrer. Estou no trabalho ou numa competição? Por que diabos me olhava com tanto ódio? Como um homem tão bonito pode ser tão sério e ranzinza? Que horror. Cazzo, assim não vai dar certo. – Murmuro para mim mesma tentando me recompor e imediatamente me lembro das suas palavras. "Esteja na minha sala daqui a cinco minutos." e começo a trabalhar imediatamente. Coloco minha bolsa na mesa, pego a agenda em branco disponível na gaveta, respiro fundo umas trinta vezes e estou pronta para encarar a fera que é o meu chefe.

Com passos decididos, ando até a sua porta e dou leves batidas pedindo permissão para entrar.

– Entre, senhorita Gabrielli. – Ouço a sua voz abafada pela porta e eu entro e fecho a porta.

– Estou aqui para discutir sua agenda, Senhor. Quando quiser... – Digo com a minha melhor expressão, e temo que não esteja tão boa como eu gostaria.

– Bem, essa é a minha agenda. Memorize. – Diz me entregando uma lista extensa. – Certifique-se de me notificar de todos os meus compromissos todos os dias, sempre pela manha quando eu chegar já quero que esteja aqui. Você também será responsável pelo meu café, preto e sem açúcar a não ser que queira ser despedida. Revise estes papéis e me devolva até o fim do dia, quero ver do que você é capaz. Por enquanto é só isso, pode sair. – Pego a pilha enorme de papéis que ele me entrega e espero que a minha cara não esteja entregando toda a minha insatisfação, pois é muita e eu nunca fui muito boa em esconder as emoções.

– Claro, senhor. Vou me retirar agora. – Digo dando o meu melhor sorrisinho e me viro para sair.

– Ah, senhorita Gabrielli, mais uma coisa. – Ele diz me chamando.

– Sim? – Digo voltando a me virar e escondendo minha cara azeda.

– Você só pode almoçar quando eu sair para almoçar, essa é a regra. Depois que eu sair, você pode sair também e quando eu voltar você já deve estar no seu lugar. Isso é tudo, traga o meu café e não demore. – Fala e eu resisto ao meu impulso de retrucar, apenas assinto e me retiro.

Coloco a pilha de documentos na minha mesa e ponho as mãos na cintura.

– O que ele acha que sou? Um robô, por acaso? – Digo olhando para a pilha enorme de papéis. – Isso vai demorar horrores para ser concluído. Melhor eu começar logo. – Digo observando-os e puxo a cadeira para me sentar, mas ai me lembro do seu café e torno a empurrar a cadeira. – Minha memória ainda vai me colocar numa enrascada qualquer dia.

Resmungando a má sorte de um chefe ruim, eu ando em busca do seu café esperando que meu dia não seja tão caótico como a minha manha.

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