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Desmascarar a Falsidade Dela, Retomar Minha Vida

Desmascarar a Falsidade Dela, Retomar Minha Vida

Autor:: Michael Tretter
Gênero: Bilionários
Eu era a órfã que a rica família Mendonça criou como se fosse sua própria filha. Por vinte anos, a casa deles foi meu lar, e o filho deles, Breno, foi meu irmão e melhor amigo. Minha vida era perfeita, segura e cheia de amor. Então, Breno trouxe Fabiana para casa. Ela era linda, encantadora e imediatamente me viu como uma rival a ser eliminada. Ela começou uma guerra de sussurros, me chamando de aproveitadora com uma obsessão incestuosa, uma parasita na fortuna deles. Quando ela quebrou de propósito o único medalhão que eu tinha dos meus pais falecidos, Breno a defendeu. "Você está agindo como uma pirralha mimada", ele me disse. Meu próprio irmão, meu protetor, escolheu uma estranha manipuladora em vez de mim, acreditando em seu veneno. A família que me salvou estava sendo destruída por dentro. Na minha festa de formatura, Fabiana me encurralou, prometendo fazer um brinde público à minha "obsessão doentia" e arruinar o nome da minha família. Ela achou que eu desmoronaria. Mas enquanto ela subia ao palco, eu caminhei calmamente até o chefe de gabinete do meu pai. "Deixe-a falar", eu disse. "E prepare a segurança."

Capítulo 1

Eu era a órfã que a rica família Mendonça criou como se fosse sua própria filha. Por vinte anos, a casa deles foi meu lar, e o filho deles, Breno, foi meu irmão e melhor amigo. Minha vida era perfeita, segura e cheia de amor.

Então, Breno trouxe Fabiana para casa. Ela era linda, encantadora e imediatamente me viu como uma rival a ser eliminada.

Ela começou uma guerra de sussurros, me chamando de aproveitadora com uma obsessão incestuosa, uma parasita na fortuna deles.

Quando ela quebrou de propósito o único medalhão que eu tinha dos meus pais falecidos, Breno a defendeu.

"Você está agindo como uma pirralha mimada", ele me disse.

Meu próprio irmão, meu protetor, escolheu uma estranha manipuladora em vez de mim, acreditando em seu veneno. A família que me salvou estava sendo destruída por dentro.

Na minha festa de formatura, Fabiana me encurralou, prometendo fazer um brinde público à minha "obsessão doentia" e arruinar o nome da minha família. Ela achou que eu desmoronaria. Mas enquanto ela subia ao palco, eu caminhei calmamente até o chefe de gabinete do meu pai.

"Deixe-a falar", eu disse. "E prepare a segurança."

Capítulo 1

Clarice POV:

A primeira vez que Fabiana Bastos, a namorada do meu irmão adotivo, me chamou de aproveitadora com uma obsessão incestuosa, não foi na minha cara. Foi sussurrado com um sorriso doce para um círculo de suas amigas, alto o suficiente para eu ouvir por cima do tilintar das taças de champanhe na minha própria festa de formatura. Mas a guerra não começou ali. Começou meses antes, em uma tarde tranquila de domingo que cheirava ao famoso frango assado com limão siciliano da Helena e a dinheiro antigo.

A casa da família Mendonça nos Jardins, em São Paulo, era menos uma casa e mais um testemunho grandioso do império imobiliário de Henrique Mendonça. Era toda feita de linhas retas, paredes de vidro e gramados impecáveis que se estendiam por um jardim exuberante. Era o único lar que eu realmente conheci, e era um lar maravilhoso.

"Clarice, querida, você poderia pegar os guardanapos extras no aparador?", Helena Mendonça, a mulher que era minha mãe em todos os sentidos que importavam, chamou da sala de jantar. Sua voz era como mel morno, sempre reconfortante.

Eu sorri, largando meu livro. "Pode deixar."

A atmosfera era leve, confortável. Meu pai, Henrique, estava rindo com meu irmão, Breno, na sala de estar, suas vozes graves um barulho familiar e reconfortante. Este era o meu mundo. Seguro. Protegido. Inabalável.

Então a campainha tocou.

Breno se levantou de um salto, um sorriso rasgando seu rosto bonito. Ele passou a mão pelo cabelo loiro-escuro, do mesmo tom do de Henrique. "Deve ser ela."

Eu ouvia falar de Fabiana há semanas. Breno estava completamente apaixonado. Ele a descreveu como linda, encantadora e inteligente. Quando ele abriu a porta e ela entrou, tive que admitir, ele não estava errado.

Fabiana Bastos era deslumbrante. Tinha cabelos da cor de chocolate amargo, olhos azuis grandes e expressivos, e um sorriso que poderia desarmar exércitos. Ela usava um vestido de verão simples, mas obviamente caro, que abraçava sua figura perfeita.

"Você deve ser a Fabiana", disse Helena, limpando as mãos no avental e se adiantando com um sorriso acolhedor. "É um prazer finalmente conhecê-la. Breno não para de falar de você."

"Dona Helena, o prazer é todo meu", disse Fabiana, sua voz suave e ensaiada. "E, por favor, me chame de Helena. Sua casa é absolutamente deslumbrante."

Ela os conquistou em menos de cinco minutos. Elogiou Henrique por um artigo recente sobre sua empresa na Forbes Brasil, pediu a Helena a receita do seu frango com limão e riu de todas as piadas de Breno como se ele fosse o homem mais espirituoso do mundo.

Ela era perfeita. Perfeita demais.

Então, seu olhar pousou em mim. Eu estava perto da lareira, tentando me misturar à paisagem. Seu sorriso não vacilou, mas algo em seus olhos mudou. Um brilho rápido, quase imperceptível, de avaliação. De cálculo.

"E você deve ser...?", ela perguntou, com a cabeça inclinada de forma graciosa.

Antes que eu pudesse responder, Helena passou um braço pelos meus ombros, me puxando para o grupo. "Esta é nossa filha, Clarice."

O orgulho na voz de Helena era algo físico, um cobertor quente contra o frio repentino que senti do olhar de Fabiana.

"Clarice acabou de ser aceita no mestrado em arquitetura na FAU-USP", acrescentou Henrique, radiante. "Ela está seguindo os passos do pai."

Ele se referia ao meu pai biológico. Meus pais, David e Sara, eram os melhores amigos dos Mendonça. Eles morreram em um acidente de carro quando eu tinha seis anos e, sem hesitar um momento, Henrique e Helena me acolheram, me criando ao lado de Breno como se fosse filha deles.

"Ah", disse Fabiana. A única sílaba foi leve, etérea, mas caiu com o peso de uma pedra. "Breno mencionou que tinha uma irmã, mas eu não sabia... você é adotada, então?"

A pergunta pairou no ar, afiada e desnecessária.

Breno se mexeu, desconfortável. "Fabi, não é bem..."

"Está tudo bem", disse Helena, seu tom ainda quente, mas com uma nova camada de aço por baixo. "Clarice é nossa filha. Ponto final. As circunstâncias de como ela veio para nós não mudam isso. Ela e Breno cresceram juntos. São tão próximos quanto quaisquer irmãos poderiam ser."

O sorriso de Fabiana estava de volta, mais brilhante do que nunca, mas não alcançava seus olhos. Aqueles olhos azuis claros estavam fixos em mim, e em suas profundezas, eu vi. Não era curiosidade. Não era amizade.

Era o brilho frio e duro de uma rival.

Ela deslizou até Breno, entrelaçando seu braço no dele e se pressionando contra seu lado. Foi um claro ato de posse. "Bem, que fofo. Deve ser bom ter um irmão mais velho para cuidar de você."

Suas palavras eram melosas, mas a insinuação era ácida.

"Clarice se cuida muito bem sozinha", disse Henrique, seu sorriso se contraindo nos cantos.

Fabiana soltou uma risadinha tilintante. "Ah, tenho certeza. É que... sabe como as pessoas falam. Uma garota linda como a Clarice, vivendo tão perto de seu belo irmão adotivo. É um pouco fora do convencional, não é?"

O ar na sala passou de confortavelmente quente para gelado em um único segundo.

O rosto de Breno era uma mistura de confusão e irritação. "Fabiana, do que você está falando?"

O sorriso de Henrique desapareceu completamente.

Helena deu um passo à frente, sua expressão indecifrável. "Fabiana, não tenho certeza do que você quer dizer com 'fora do convencional', ou a que 'pessoas' você está se referindo."

Sua voz estava perigosamente calma.

"Nós somos uma família", afirmou Helena, sem deixar espaço para discussão. "Clarice é minha filha. Breno é meu filho. Qualquer sugestão contrária não é bem-vinda nesta casa."

Os olhos de Fabiana se arregalaram, e ela imediatamente colocou uma expressão de inocência horrorizada. "Meu Deus, Helena, me desculpe! Não foi isso que eu quis dizer. É que... eu ouvi sussurros, sabe? Pessoas horríveis, invejosas, falando. Eu só estava preocupada com a reputação da Clarice."

Sua mão voou para o peito em um gesto de sinceridade dramática. "Não consigo imaginar como deve ser difícil, ter que explicar constantemente sua situação. Eu só sinto por você, é isso."

Mas quando ela olhou para mim, seus olhos não estavam cheios de simpatia. Estavam cheios de uma curiosidade afiada, avaliadora, e de um desafio.

Os "sussurros" que ela mencionou... eu nunca os tinha ouvido. Nenhuma vez em toda a minha vida.

Meu estômago se revirou. Parecia que uma cobra tinha acabado de deslizar para o nosso jardim perfeito. Isso não era um mal-entendido. Era um teste. Uma sonda para ver quão fortes eram minhas fundações.

Meus dedos se fecharam em um punho ao meu lado.

Eu era órfã, sim. Mas não era uma vira-lata que eles pegaram na rua. Meus pais eram família para Henrique e Helena muito antes de eu nascer. Os Mendonça me amaram a vida inteira, não por pena, mas por uma conexão profunda e duradoura que atravessava gerações. Eles eram a única família que eu tinha, e meu amor por eles era feroz e absoluto.

E essa mulher, essa estranha linda e sorridente, tinha entrado em nossa casa e, em menos de dez minutos, tentado pintar esse amor como algo sórdido e transacional.

De onde tinham vindo esses boatos?

Quem diria uma coisa dessas?

Fabiana se virou para Breno, seu lábio inferior tremendo. "Breno, amor, acho que causei uma péssima impressão. Talvez eu devesse... ir embora. Preciso processar isso."

A manipulação era tão descarada, tão de manual, que era quase risível.

E enquanto eu via o rosto do meu irmão se suavizar com preocupação por ela, eu soube que isso era apenas o começo.

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Capítulo 2

Clarice POV:

O resto da noite foi uma aula de tensão. O frango com limão siciliano tinha gosto de cinzas na minha boca. Cada tilintar de talher contra a porcelana soava como um tiro no silêncio pesado que os comentários de Fabiana haviam criado.

Ela, é claro, agiu como se nada tivesse acontecido. Ou melhor, agiu como uma criança repreendida, tentando desesperadamente reconquistar o favor. Ela foi excessivamente elogiosa com a comida de Helena, prestou atenção em cada palavra de Henrique sobre o mercado de ações e se agarrou ao braço de Breno como se fosse uma boia salva-vidas.

Seus olhos, no entanto, continuavam encontrando os meus do outro lado da longa mesa de mogno. Eles não estavam mais velados. Eram abertamente hostis, cheios de uma avaliação arrepiante, como se ela estivesse tirando minhas medidas para um caixão.

Eu fiz o meu melhor para desaparecer. Foquei no meu prato, ofereci respostas monossilábicas quando falavam comigo e tentei respirar através do nó de pavor que havia se instalado permanentemente no meu peito. Parecia que eu tinha engolido uma pedra.

Depois do jantar, Henrique deu uma palmada no ombro de Breno. "Filho, venha comigo ao escritório por um minuto. Há um contrato que quero que você veja."

Era uma dispensa clara. Ele estava separando Breno de Fabiana, dando um momento para as mulheres. Helena começou a tirar os pratos, seus movimentos eficientes e deliberados. Levantei-me para ajudar, grata pela distração.

"Eu ajudo", Fabiana cantou, levantando-se de um pulo. Mas ela não foi para a cozinha. Ela veio na minha direção.

Ela parou ao meu lado no aparador, seu perfume enjoativamente doce. Ela passou o braço pelo meu, seu aperto surpreendentemente forte, suas unhas cravando levemente na minha pele.

"Clarice, eu realmente sinto muito pelo que aconteceu mais cedo", disse ela, sua voz baixando para um sussurro conspiratório. "Eu tenho o péssimo hábito de falar o que penso. Sem filtro, sabe?"

Ela piscou, como se fôssemos cúmplices. "Mas eu entendo."

Eu enrijeci, tentando puxar meu braço, mas seu aperto se intensificou. "Entende o quê, Fabiana?"

Seu sorriso era puro veneno, envolto em açúcar. "Eu entendo", ela repetiu, sua voz ainda mais baixa. "Esta vida. A casa, o dinheiro, o nome. É muita coisa para abrir mão. Você tem que proteger sua posição."

Meu sangue gelou.

"Mas você precisa entender", ela continuou, seu hálito quente contra minha orelha, sua voz pingando condescendência. "Breno é meu agora. E embora seja fofo que você tenha tido esse arranjo familiar, as coisas vão mudar. Eu vou ser a esposa dele. Eu vou ser a próxima Sra. Mendonça."

Ela fez uma pausa, deixando a implicação assentar.

"Você é... a outra, de certa forma. A irmã que não é irmã. É só uma questão de tempo até que se torne estranho. Você provavelmente deveria começar a pensar no seu próprio futuro. Um que não envolva morar na casa do seu irmão."

Eu a encarei, sem palavras. A audácia era de tirar o fôlego.

Uma risada amarga e incrédula borbulhou na minha garganta. "Você está falando sério?"

Finalmente, puxei meu braço com força.

"Esta é a minha casa, Fabiana. Henrique e Helena são meus pais. Breno é meu irmão. Esse é o meu futuro. Eu não vou a lugar nenhum."

Seu sorriso congelou por uma fração de segundo, depois se refez, mais largo e mais frágil do que antes. Ela estendeu a mão e deu um tapinha na minha, um gesto que deveria ser apaziguador, mas pareceu um tapa.

"Claro, claro. Você tem que manter as aparências. Eu entendo." Sua voz era um ronronar. "Mas quando eu for a dona desta casa, farei questão de cuidar muito bem de você. Encontraremos um bom apartamentozinho para você em algum lugar. Talvez até um marido adequado. Você não terá que se preocupar com nada."

Foi isso. O tom condescendente, desdenhoso. A suposição de que minha vida, minha posição nesta família, era algo que ela poderia gerenciar e descartar quando quisesse.

Dei um passo para trás, colocando uma distância sólida entre nós. Minha voz saiu baixa e fria, toda a polidez forçada arrancada.

"A dona desta casa está na cozinha fazendo café. O nome dela é Helena Mendonça. E se você algum dia se tornar parte desta família, o que estou começando a duvidar seriamente, faria bem em se lembrar disso."

Eu me virei, com as costas retas como uma vara. "E para que conste, eu não preciso que você cuide de mim. Nunca precisei e nunca vou precisar."

O rosto de Fabiana finalmente, abençoadamente, caiu. A máscara de doçura açucarada se dissolveu, revelando a raiva feia e contorcida por baixo.

"Você vai se arrepender disso", ela sibilou, sua voz um sussurro venenoso. "Você não faz ideia com quem está se metendo."

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Capítulo 3

Clarice POV:

"Você acha que está tão segura, não é?", a voz de Fabiana não era mais um sussurro. Era afiada, carregada de uma fúria que ela não se preocupava em esconder. "Apenas um caso de caridade que eles mantêm por perto por causa dos velhos tempos. Você não tem uma gota de sangue Mendonça em você. Você não é nada."

Minha própria raiva, uma coisa fria e dura, subiu para encontrar a dela. "Eu sou uma Mendonça em todos os sentidos que importam", eu disse, minha voz perigosamente baixa. "E você, Fabiana? O que você é, exatamente? Além de namorada do meu irmão há algumas semanas?"

A farpa atingiu o alvo. Seu rosto ficou vermelho e manchado. Ela abriu a boca para retaliar, mas o som da porta do escritório se abrindo a interrompeu.

Breno saiu, a testa franzida por qualquer conversa de negócios que tivesse tido com nosso pai.

Instantaneamente, todo o comportamento de Fabiana mudou. Foi como assistir a um truque de mágica. A raiva desapareceu, substituída por uma máscara de vulnerabilidade trêmula. Lágrimas brotaram em seus grandes olhos azuis enquanto ela corria para o lado dele.

"Breno", ela engasgou, enterrando o rosto no peito dele. "Foi horrível. Ela... ela foi tão cruel comigo."

Eu nem tive energia para ficar chocada. Apenas senti uma profunda sensação de nojo. Virei-me para ir embora, para subir para o meu quarto e esfregar a sensação dela da minha pele.

"Clarice."

A voz de Breno me parou. Não estava com raiva, ainda não, mas estava carregada de uma confusão que pendia para a acusação. Eu me virei lentamente.

Ele estava abraçando Fabiana, acariciando seus cabelos enquanto ela soluçava. "O que está acontecendo? A Fabiana está muito chateada. Ela disse que vocês duas brigaram."

Ele olhou para mim, esperando uma explicação. Um pedido de desculpas.

E por cima do ombro dele, Fabiana também olhou para mim. Seu rosto ainda estava enterrado na camisa dele, mas ela levantou a cabeça o suficiente para que nossos olhos se encontrassem. Suas lágrimas haviam sumido. Em seu lugar, havia um olhar de pura malícia triunfante.

Uma onda de gelo percorreu minhas veias. Ele não ia acreditar em mim.

"Breno", comecei, minha voz tensa. "Ela me ameaçou. Ela me disse que eu deveria me mudar, que não pertenço a este lugar."

Observei seu rosto, rezando por um lampejo de compreensão, de lealdade.

Em vez disso, sua testa apenas se franziu mais. "Clarice, qual é. Isso não parece nada com a Fabiana. Ela está só... um pouco insegura. Ela não está acostumada com a nossa dinâmica familiar. Você tem que admitir, é um pouco incomum."

Ele estava ecoando as palavras dela. O mesmo veneno, agora entregue pela única pessoa que eu pensei que sempre estaria do meu lado.

"Incomum?", perguntei, minha voz mal um sussurro. "Nós somos uma família. O que há de incomum nisso?"

"Ela não quis dizer isso", ele insistiu, sua paciência claramente se esgotando. "Ela só está tentando entender o lugar dela. Não seja tão dura com ela."

Eu o encarei, meu irmão, o garoto que me ensinou a andar de bicicleta e me ajudou com o dever de casa de cálculo, agora defendendo uma mulher que ele mal conhecia em vez de mim. A sensação de traição foi tão aguda, tão repentina, que me tirou o fôlego.

Senti como se ele tivesse me dado um tapa.

"Entendi", eu disse, minha voz vazia. Eu não conseguia mais olhar para ele. Não conseguia olhar para o sorriso triunfante no rosto de Fabiana. Acenei uma vez, um movimento brusco e seco. "Ok."

Virei-me e fui embora, sem olhar para trás. Cada passo na grande escadaria curva parecia uma milha. Não parei até estar no meu quarto com a porta trancada atrás de mim.

Deitei na minha cama, olhando para o teto, meu coração um nó frio e pesado no peito. O telefone na minha mesa de cabeceira vibrou. Era minha melhor amiga, Mariana.

"E a namorada nova? Demônio ou santa?"

Uma risada amarga escapou dos meus lábios. Digitei de volta uma única palavra.

"Demônio."

Instantaneamente, meu telefone começou a tocar. Eu atendi.

"Ok, desembucha", a voz de Mariana exigiu, sem preâmbulos. "O que ela fez?"

A represa se rompeu. As palavras saíram de mim em uma torrente - os sussurros de boatos, a oferta condescendente de me encontrar um apartamento, a negação total do meu lugar na minha própria família.

"- e o Breno", terminei, minha voz falhando. "Ele a defendeu. Ele me disse que eu estava sendo sensível demais."

Houve um momento de silêncio do outro lado da linha. Então, Mariana explodiu.

"VOCÊ ESTÁ BRINCANDO? ESSA VADIA MANIPULADORA, ALPINISTA SOCIAL DE PRIMEIRA!" A sequência de xingamentos que se seguiu foi criativa e catártica. "E o Breno? Que diabos há de errado com ele? Ele é cego? Surdo? Ele tem algodão no lugar do cérebro?"

Consegui um sorriso fraco. "Ela é muito bonita, Mari."

"Ah, eu não dou a mínima se ela parece uma musa da Victoria's Secret que caga arco-íris! Ela soa como uma cobra venenosa! Aproveitadora? Dizendo para você se mudar? Ela te conhece há cinco minutos! Ela é quem precisa cair na real, não você!"

Ouvir a indignação em sua voz, tão pura e sem diluição, me fez sentir um pouco menos louca.

"Ele só está apaixonado", eu disse, tentando encontrar uma desculpa para ele, para mim. "Vai passar."

"Clarice", disse Mariana, sua voz suavizando um pouco. "Isso não é só paixão. Isso é um incêndio de grandes proporções. Essa mulher te vê como uma ameaça, e ela vai queimar essa casa inteira para te tirar daí. Você precisa ter cuidado."

Soltei um suspiro longo e trêmulo. "Eu sei."

Ao desligar o telefone, a última gota de esperança de que tudo isso era um terrível mal-entendido evaporou, deixando para trás uma certeza fria e dura. Fabiana não era apenas insegura. Ela era uma predadora. E ela tinha acabado de marcar seu território.

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