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Despedida de Solteiro

Despedida de Solteiro

Autor:: Eduardo Feliipe
Gênero: Romance
Neríssa está entre a cruz de estar apaixonado pelo noivo da melhor amiga e a espada de ser a madrinha do casamento. Talvez se não fosse tão medrosa, conseguiria algo que a Elizabeth fez, que é de casar com Edgard. Contudo, não tão somente a madrinha esconde algo, mas como a noiva também. Ela esteve de caso com o padrinho e melhor amigo do noivo, Enrique. Mas a culpa no cartório não para e Edgard, o noivo, sugere uma Despedida de Solteiro para os dois poderem fazer o que quiserem. Mas pra que? Londres ficará pequena para tantos acontecimentos!

Capítulo 1 Escolhas & Consequências

Uma morena jambo deslumbrante aparece procurando seu acento no avião.

- E1, E1, E1. - repete várias vezes olhando letra e número dos assentos enquanto passa o olho pelas pessoas querendo se sentar e dormir.

Após muita procura, ela finalmente encontra, contudo, uma mulher linda apareceu sentada no lugar.

Nossa encantadora morena olhou para os assentos e disse. - esse lugar é meu. . .

- Me perdoe! - a mulher solta um sorriso sem graça.

- Nada não. - a morena responde com um brilhante sorriso encantador e caloroso como resposta.

A mulher sentada no E2 é Elizabeth, uma beleza de traços delicados e cativantes. Seus lábios rosados e carnudos, seus olhos grandes e expressivos, e sua pele clara, enfeitada por sardas suaves abaixo dos olhos, a tornam verdadeiramente encantadora. Seu cabelo negro azulado cai gracioso em seus ombros. Vestida com um elegante e decotado vestido azul curto, não há como não notar o impressionante anel de noivado em seu dedo, adornado com as palavras "Forever Yours" – ou como dizem no português brasileiro: "Para sempre seu".

A figura marcante no acento E1 é nada menos que Nanda, a deslumbrante morena jambo, com sua estatura alta e pele brilhante. Seus cabelos negros caem em cascata, mas são seus olhos perfeitos e desejados que capturam todos os olhares. Quem tem o privilégio de se perder na profundidade daqueles olhos negros sabe o quão cativante eles são. Nanda personifica tudo o que uma mulher deseja ser e é o sonho de consumo de qualquer homem. Sua beleza é sinônimo de perfeição, e mesmo sem maquiagem, vestida com um encantador vestido coral, ela brilha e chama atenção onde quer que esteja.

- Senhoras e Senhores, devido ao tempo, vamos atrasar alguns minutos, desculpe pelo problema, mas logo estaremos na França. - disse o Comandante do avião.

- Odeio esperar assim. - comentou Nanda.

- Também! Preciso ir para a França tentar arrumar um vestido de casamento que eu goste, porque está difícil! Vim até o Brasil e nada. - respondeu Elizabeth.

- Ué? Não é brasileira?

- Não. Sou britânica.

Nanda imediatamente lembrou-se daquele que a muito se forçava esquecer. De Edmundo que estava na Inglaterra.

- Que legal! E que lindo anel de noivado o seu.

- É sim querida! O meu marido é Diretor de um curso numa faculdade famosa, uma amiga que apresentou, e ele é o homem mais perfeito do mundo. - se gabou Elizabeth com orgulho no olhar.

- Que lindo! - respondeu Nanda realmente empolgada.

- Eu sei que toda noiva deve falar assim do seu esposo, não?

- Mas não deixa de ser linda essa paixão que a esposa tem. - respondeu Nanda.

-Você é casada? - questiona Elizabeth.

- Não tive essa sorte ainda. . .

- Desculpa. . .

- Não tem de que.

Elizabeth sente um estalo e rapidamente apanha seu celular para mandar um áudio.

- Xuxu? Presta atenção, não consegui nada no Brasil, vou para a França, mas não estou muito animada. A Neríssa disse que tem um vestido que é a minha cara, mas tem a questão da despedida de solteiro. Eu quero te ver logo, depois que eu casar, já era. Vou viajar e você não vai mais aproveitar nenhum momento comigo. Assim que eu chegar à Inglaterra, vamos nos ver, certo? - Elizabeth encerra o áudio colocando o celular de lado enquanto morde o canto esquerdo dos lábios pensando em Enrique.

Nanda deu uma violenta levantada de sobrancelha para Elizabeth acompanhado de sua tradicional olhada de rabo de olho.

- Olha. . . Desculpe, sei que não é da minha conta, mas. . . Despedida de Solteira?

- Sim, meu noivo disse que queria então farei também. Já está marcado, não será como nos filmes com muito álcool. Mas será íntimo só com a pessoa que desejo.

- Mas você não deveria desejar seu esposo?

- Eu o desejo, mas sempre tem alguém em segundo lugar em nossos planos, certo? -respondeu Elizabeth abrindo um sorriso, achando que Nanda concordaria.

- Olha. . . Eu discordo com isso, mesmo que eu namore e me envolva com outros, meu coração tem dono há muito tempo. - rebate Nanda.

- E porque não está com ele?

Nanda não soube o que responder e as duas desconhecidas parecem perder a compostura.

- Terei a minha despedida com o rapaz que tenho certa intimidade faz tempo, mas amo outro e me casarei com ele. Depois da despedida, me caso a esquecerei tudo.

- Mas e o rapaz?

- O que tem? - perguntou Elizabeth com a cara fechada.

- Ele sabe disso? Que é só uma noite e nada mais?

- Ele tem que lidar com isso, pois eu vou casar. É só uma noite e nada mais. - Elizabeth respondeu de braços cruzados com a cara emburrada.

- Acredita que ele pensa assim também? Sério? Você deveria saber que. . .

- Que o que?

- Não há ninguém que não queira ser alguém mais feliz. - rebateu Nanda furiosa.

Elizabeth fica paralisada, pois nunca pensou na possibilidade de seu caso querer algo mais sério com ela. Nanda respondeu e puxou uma manta para cobrir-se enquanto olha para fora pela janela.

"O aroma do anoitecer já se espalhou pelo céu. Sei que preciso mudar, mas assim que sair da França, irei para a Inglaterra! Preciso conversar com ele, ver como ele está. Mesmo sem saber se ele vai me receber". - enquanto pensava, uma pequena lágrima se fez notar nos olhos de Nanda, mas ela rapidamente a seca enquanto continua seu raciocínio.

"Não importa, tenho que continuar, meus sonhos podem me guiar, farei crescer esse amor e enquanto eu me esforçar, irei compensar toda essa dor". - Nanda fecha os olhos enquanto sonha com um ponto futuro.

Infelizmente, pela briga e o afastamento das duas estranhas. Nanda não pode ver a cara de preocupação de Elizabeth que apanhou seu telefone e correu para ver fotos de seu marido. Ela rodou a galeria inteira por lembranças e fotos que já não se lembrava. Nanda não saberá, mas você, leitor, fica sabendo que o marido de Elizabeth é amigo de nada mais nada menos que Edmundo. Visto que existem inúmeras fotos deles juntos na mesma faculdade.

"Escolhi o que trilhar, com quem trilhar. Não importa o fardo que carrego, minha vida depende de mim. A trilha sou eu quem faz e o destino vai me proteger". - pensou Elizabeth enquanto guardava o celular e virava para o outro lado.

O avião decolou e as duas não trocaram palavras à viagem inteira até a França.

Agora iremos para o outro lado do mundo, logo pela manhã. Estamos no primeiro dia do mês de Outubro, onde ocorre a primeira neve do inverno londrino. O narrador que vos fala irá contar sobre alguns destinos que se encontram diretamente entrelaçados na Antologia, a biblioteca café mais movimentada de toda a Londres.

E sim, biblioteca café, é uma cafeteria com uma biblioteca ou vise e versa. Ela é administrada por uma simpática brasileira que largou tudo onde morava no conturbado coração do Rio de Janeiro e seguiu seu pai numa jornada heroica em busca de reconhecimento literário e sucesso profissional. Flávia, a dona do lugar, fundou a Antologia, mas não se engane, pois ela não faz por desespero ou falta de opções, mas por escolha pessoal, suas graduações e investimentos a deixaram escolher tal profissão. Antologia é o lugar onde hoje Edmundo, seu pai, ex-escritor, professor orgulhoso e amargurado da vida, passa o restante de seus dias reclamando e tomando café enquanto lê bons livros, distribui conselhos para que nenhum outro venha repetir as ilusões amorosas que ele viveu enquanto novo por uma garota que acredite ou não, ele idolatra até os dias de hoje. Toda a sua literatura romântica gira em torno dela, daqueles grandes olhos negros cintilantes e a sua doce voz, tudo que ele construiu gira em torno de um amor platônico, mas vívido que percorre as milhares de linhas e parágrafos que escreveu em seus vários livros e histórias.

O cenário? Você me pergunta? É a romântica Londres nos dias atuais, onde Edmundo não era mais o garoto que trabalhava num pequeno escritório, mas era o Senhor Edmundo, instalado magnificamente num grande país europeu, num dos bairros de classe alta londrino. Bem diferente da miserável vidinha que estava acostumado no estreito e perigoso Rio de Janeiro, no Brasil. Nosso protagonista não era mais um garoto confuso com seus sentimentos, mas um homem do tradicional bairro da belgravia, que jantava cerca de três ou quatro vezes por semana na casa de importantes diretores de escolas britânicas e romancistas europeus. Tendo caído nas boas graças do prelado, era frequentemente visto no bispado local. Tendo longas conversas com os influentes da igreja. Suas ocupações o colocavam entre as pessoas mais distintas, sendo facilmente visto entre os mais ilustres do país.

Pai e filha moravam numa bela casa onde havia um bonito e aconchegante salão para tomar seu café, ler bons livros e recepcionar seus convidados. Na grande casa também havia um encantador quarto de dormir bem ao lado de um brilhante gabinete mobilhado com gosto de onde saíam seus projetos, originais, romances e poesias. Tirava seus royalties dos livros vendidos todo mês e os dividia com sua mãe que ainda morava no Brasil com sua idade avançada e com sua filha que o visitava constantemente, pois morava num bairro próximo.

Edmundo que já estava com seu romance histórico no qual trabalhava havia dois anos em dia centrou suas atenções para a criação de um volume de poesias britânicas ainda sem título certo que lhe dariam ainda mais renome no mundo literário europeu ao mesmo tempo em que dinheiro bastante para solver suas obrigações e despesas. Assim, passou a se ver engrandecido, podendo sempre que quisesse ler um bom livro na companhia de sua filha na biblioteca café, aceitando a vida tranquila sem sacrifícios, com uma nobre segurança financeira que lhe fazia sorrir perante os apertos triviais, pode assim se divertia e se amargurar lendo livros, romances e poemas, ajudando e incentivando alguém próximo. Mas sempre com aquela bela morena dos olhos marcantes em sua mente. Constantemente castigando sua memória e invadindo seus sonhos.

Sua amada filha Flávia, que sempre havia dado prioridade à felicidade. Mesmo formada e graduada em áreas pertinentes, dispensou inúmeros trabalhos quando conquistou a independência financeira ao lado de seu pai na grande Londres. Ainda mora numa casa em constante construção, pois estão à procura de móveis únicos, pinturas, livros e até mesmo papéis de parede para decorar sua pequena, mas aconchegante casa num bairro perpendicular ao bairro que Edmundo mora, bem próximo da Antologia, local onde os assuntos de Flávia haviam tido a primazia. Quem quer que a conheça sempre se admirava pelo devotamento quanto ao trabalho. E diferente de seu pai rabugento e resmungão, ela era sedutora! Suas maneiras eram meigas e conseguia exprimir sua impaciência e seus desejos tão graciosamente que na maioria das vezes tinha ganho de causa antes mesmo de falar. Além de tudo, seu pai e sua mãe eram cúmplices desse devotamento e paixão pelos livros e principalmente pelo café. Mas mesmo com a mãe morando em outro país, elas são muito próximas.

Os dois viviam felizes e de certa maneira reclusos de muita coisa. Flávia não era muito de frequentar boates, baladas, bares e aglomerações. Sequer consigo narrar se possui algum namorado ou amante promissor. Vivia de maneira semelhante a seu pai que desprezava os costumes burgueses do alto escalão inglês ou o estereótipo cervejeiro e sambista do brasileiro. Negava as alegrias patriarcais dos homens londrinos, bem como os prazeres da alta sociedade. Sempre sacrificando vaidosas satisfações chegando até a dispensar inúmeras mulheres que sentiam nele forte atração.

Mas não possuíam uma vida de total reclusão assim, pois várias vezes saiam para se divertir num passeio nada típico para os moradores de Londres, os dois iam perambular pelos bosques vizinhos da cidade para os bairros mais ao interior, onde se encontravam com várias famílias do campo na qual Edmundo constantemente ajudava com previsões e dava aula de história ou de teologia numa igreja de certo lugar próximo em horas combinadas aos finais de semana. Sempre iam e voltavam ao anoitecer, muito cansados, mas felizes com a vida que vivem.

Mas vamos nos atentar ao fato de que Flávia, no dia de hoje, antes de abrir a Antologia.

- Porque não volta a escrever? Faça com o Marcelo, assuma uma coluna aleatória desses jornais e volte a escrever.

Edmundo lhe encarou e começou a recusar a falar do assunto com veemência.

- Não quero que toque mais nesse assunto. Meu braço chega a doer. - era o que comentava com frequência quando alguém tocava no assunto.

Edmundo escrevia romances maravilhosos, além do mais, inventou uma protagonista feminina marcante, cujo a identidade real, jamais foi revelada. Quando questionado, ele insistia na mesma tecla. "Foi um caso especial, alguém que sentia muito affair, mas que não rolou".

A imprensa britânica constantemente tenta descobrir quem é a morena misteriosa que roubou o coração do romancista mais badalado da Inglaterra, mas somente Flávia sabia sua identidade e conversava com ela diariamente.

- Larga de ser um velho assim! - disse a encantadora Flávia.

Sua filha era linda, com cabelos negros, pele morena e altura imponente. Ela também era escandalosa, sempre causando problemas. A simpática dona do lugar reconhecia que talvez seu pai tivesse seus méritos quanto à frustrante relação entre os dois, mas gostaria de vê-los se dando bem. Ainda se lembrava de quando era criança e viu os dois terem a relação que marcou seu pai.

- Em minha defesa, devo admitir que tenho pensado no assunto, ok? - respondeu Edmundo.

Nosso ex-escritor é um moreno, alto, cabelo preto curto, brigando constantemente com a balança para se manter no peso com a barba levemente por fazer segurando um copo de café expresso comprado numa cafeteria próxima da biblioteca café.

Para seu azar, está para nevar a qualquer momento e Edmundo que possui uma cicatriz no supercílio esquerdo onde no mesmo lado, no braço existe outra grande cicatriz devido a um acidente que mudou sua vida. Começara a sentir grandes dores, pois teve que colocar duas placas de titânio com vinte e dois pinos em cada lado para fixar no osso do braço. O frio ou a simples mudança de tempo o fazem sentir uma dor que segundo ele mesmo "rasgam a cicatriz com dor e agonia".

Eles não sabem, mas o dia hoje será movimentado. Vamos para outro ponto da cidade, onde outros personagens começaram a se movimentar.

"Numa manhã qualquer e nada especial, chegou e se aconchegou. Ao fitar meus olhos, claramente notou que me faltava amor. Logo você brilhou, me encantou, se envolveu em meus braços, num abraço apertado e eu o aqueci por algum tempo. vivi uma eternidade em meus dias contados".

Ao ler o primeiro parágrafo da crônica de uma coluna que segue do jornal. Caroline suspirou ao pensar um pouco mais profundamente no que estavam impressas. Caroline passou a mão no rosto e retornou com a leitura.

"O que não pude entender é que aquilo era apenas um romance casual, daquelas desilusões nenhum pouco doces, daqueles amores que sempre vem e vão. Quando cai em si, o olhei pela última vez e mais uma vez o acariciei, pois mesmo sabendo que aquele era o nosso fim, já que se por ventura algum dia voltássemos a nos encontrar, seria por mero acaso. Sei que não me pedia nada mais que carinho, mas chegou a hora de me levantar e seguir, buscando e procurando abrigo nos braços de outros. Nunca mais encontrei aquele amor, porém, jamais o esqueci. Lá sei foi o meu amor".

O escritor da crônica em especial, é Marcelo, filho de um ex-Diretor da Imperial College London, onde ninguém mais, ninguém menos que Edmundo deu aula. Após as inúmeras insistências de seu amigo ex-Diretor, Edmundo ensinou algumas técnicas à Marcelo que logo ganhou notoriedade no cenário literário Londrino, além de vencer alguns prêmios Europeus de Literatura. Mas infelizmente, assim como seu mentor, não tem a vida amorosa muito bem resolvida e acabou terminando com Caroline, sua ex-namorada.

A dupla acabou discutindo dias atrás, ele tinha certeza que não sentia nada por ela, mas parece que o jogo virou. Marcelo se tornou escritor de crônicas no principal jornal da região. E atualmente, se amargura escrevendo sobre desilusões e outras histórias de amor enquanto afirma que "a vida não é um morango".

E como você também leu, hoje, num último ato desesperado, resolveu ignorar as ordens de seu chefe e publicou o miniconto acima para que sua amada lesse e retornasse para ele.

Caroline até que leu e até que se convenceu e se comoveu daquilo. Chorou pequenas lágrimas, limpou o rosto, secou as lágrimas, terminou de tomar o café e retornou ao trabalho.

Quanto ao Marcelo? Foi trágico! A fim de evitar futuras "gracinhas" de outros membros do jornal, ele perdeu o emprego sendo demitida prontamente após a publicação do jornal. A vida de escritor não é fácil.

"O que nasce na minha vida, transborda na minha literatura."

Este é o nome da coluna no jornal que demitiu Marcelo. Rapidamente a fim de resolver o pequeno problema causado por Marcelo. O Editor-Chefe do Jornal chamou seu melhor amigo, Edmundo. Alguém que não precisa se apresentações, certo? Ele prontamente recusou sem pestanejar e ligou para Marcelo, seu ex-pupilo a fim de reclamar.

Edmundo estava feliz, certo? Errado. Ele se encontrava chateado em ver que foi chamado para fazer algo que ele não queria mais fazer, mas Marcelo estava ainda pior, pois vivia se lamentando por sua ex-namorada.

- Sou ex-escritor! - afirmava aos berros no telefone.

Após reclamar e brigar desligou e apanhou uma "Schwarzbier", a melhor cerveja preta alemã que possuía na biblioteca café. Nosso herói tomou um gole, apanhou um papel e uma caneta, coçou um pouco a cabeça e escreveu a Crônica: O cotidiano devorador.

- Magnífico. FICOU MEIO BOSTA! - comentou.

Flávia caiu na gargalhada.

Edmundo se levantou, encheu uma caneca generosa de café e escreveu uma reflexão sobre o amor.

- Vai servir.

Os revisores do jornal estavam inquietos com a coluna ainda livre, o Editor pedia para relaxarem, pois mesmo negando Edmundo iria escrever algo maravilhoso sobre o Amor. Dito e feito!

Capítulo 2 Eu te amo, não diz tudo!

Como nós já bem imaginávamos. Flávia enviou o que seu pai fez por e-mail o escrito de seu pai e o Editor correu para pôr.

"Maravilhoso, ele voltou" - disseram os críticos.

Edmundo muito put$%#@ da vida, pegou o celular e teimou com Marcelo. A edição 1919 de 16 de Agosto de 2021 do jornal foi a mais vendida de sua história.

Mas os acontecimentos deste capítulo não serão entorno destes personagens, pois existe outra briga de casal que também exigirá a atenção de Edmundo.

Nossa nova trama se desenrola um dia após os acontecimentos do capítulo anterior e gira em torno de um casal de jovens enfrentando dificuldades em seu relacionamento. Entre os clientes habituais da Biblioteca-Café, está Éden, um jovem estonteante com cabelos lisos e longos, na cor loira. Sua fama por toda Londres se deve aos seus olhos de tonalidade esverdeada, que são verdadeiramente cativantes.

Ele se senta, faz um pedido, puxa seu celular do bolso e relê uma mensagem no Whatsapp.

"Eu te amo, simplesmente não diz tudo".

A mensagem veio no meio da madrugada após "bater boca" com Natalli, sua namorada.

Eles certamente não combinaram de se ver, mas sempre se esbarravam na biblioteca café para conversarem sobre o dia, algumas horas antes do futebol dele e o balé dela. Como estava no "furo", pela briga, havia comprado um lindo e inusitado buquê de girassóis para dar de presente a ela.

"Mas falta alguma coisa". - pensou.

Flávia sempre deixa os jornais do dia encima de algumas mesas aleatoriamente, Éden teve a brilhante ideia de ler, pois havia visto no jornal que Edmundo havia escrito numa coluna. Após folhear e achar aquela reflexão maravilhosa, Éden se inspirou na reflexão que leu de Edmundo no jornal, caçou papel e caneta, e escreveu um bilhete que passaria a acompanhar o buquê.

Ele não percebeu, mas Natalli, sua namorada, havia entrado no lugar acompanhada de Edmundo que parecia lhe dar conselhos amorosos. Mesmo que o clima entre os namorados parecesse tenso, Edmundo olhou para Éden e acenou ao subir para o segundo andar do local.

Natalli foi quem lhe lançou um olhar. Ela é uma adolescente com a pele tão clara quanto uma folha de papel, mas seus olhos caramelo são verdadeiramente encantadores, harmonizando perfeitamente com as grandes tranças castanhas que ela usa. Suas sobrancelhas grossas e marcantes, assim como os lábios rosados, completam sua beleza cativante. Como estudante em tempo integral, ela está sempre vestindo o uniforme da tradicional escola britânica, o Instituto Imperial.

Natalli lhe encarou rispidamente e Éden fugiu do encontro de seus olhos. Ela notou o buquê e o bilhete. Éden lhe deu em silêncio.

Natalli abriu o pequeno bilhete e leu em tom moderado para que Éden escutasse.

- Sente-se amada porque lhe disseram isso? A demonstração de amor requer mais do que palavras e beijos. Ser amado é sentir que a pessoa é interessada em sua vida, zelando por sua felicidade, se preocupando quando as coisas não vão certo, se colocando a postos para ouvir suas dúvidas, além de dar aquela sacudida quando for preciso.

Éden deu um sorrisinho de lado. Natalli se surpreendeu com o primeiro dos três parágrafos.

- Ser amado é ver que a pessoa que te ama, lembra-se das coisas que você disse anos atrás e fica triste quando você está triste. Sente-se amado aquele que não vê a mágoa transformada em munição na hora da discussão. Sente-se amado, aquele que se sente aceito por inteiro. Ser amado é saber que está com aquela pessoa que pode falar e compreender qualquer coisa. - Natalli suspirou ao sentir a primeira lágrima cruzar uma bochecha.

- Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem briguinha, sem inventar um personagem para a relação, já que personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira, quem não levanta a voz, mas fala, quem não concorda, mas escuta... - Natalli foi interrompida por Éden que disse a última linha do bilhete para que ela escutasse.

- Agora, sente-se e entenda: EU TE AMO, NÃO DIZ TUDO.

Natalli correu para um abraço apertado em seu namorado.

Esta foi a primeira briga de muitas que certamente viverão, mas a primeira finalmente acabou.

Edmundo, do lado de cima, encarou a situação com gargalhadas.

- Viu o que fez? - disse Flávia.

- E o que eu fiz? - questionou assustado.

- Éden leu a sua crônica e escreveu um bilhete de perdão para Natalli.

- Como você sabe de tudo isso?

- Eu presto atenção nas coisas!

Edmundo lhe encarou.

- O que você aprendeu com isso tudo? - perguntou.

- O que eu aprendi? - respondeu ele.

- Que tudo acaba bem, quando termina bem e o que falamos ou escrevemos pode ressoar e agir na dor de alguém. Nada é em vão. Continue a nadar. - sorriu.

Edmundo revirou os olhos e rebateu.

- Não há nada que um velho como eu queira nessa vida, já tenho de tudo. E mesmo que eu consiga influenciar outras pessoas e seus amores, eu mesmo, não consegui ficar com o meu.

Flávia sentiu a resposta pesada de seu pai.

"Ele não muda". - pensou.

As horas se passaram, o ciclo infinito dos segundos, minutos e horas voltaram a girar uma vez mais. E em meio a isso, outros personagens agem a trama de fato.

Elizabeth estava no bar de um luxuoso hotel no coração de Londres. Falo do Bermonds Locke, um verdadeiro oásis urbano como nenhum outro no mundo. O lugar tem acomodações tranquilas por ser um apartamento-hotel, completo com móveis de design exclusivos. Algo completamente surreal para quem convive com a realidade brasileira. O lugar é bem próximo da Torre de Londres, a famosa Tower Bridge. Seu bar possui coquetéis variados.

Contudo, por ser um lugar discreto, é bem comum que amantes se se encontrem apenas para deixarem a carne falar mais alto. Mas hoje, foi o amor que deu o ar da graça.

Nossa personagem abriu uma carta escrita numa folha comum de caderno, mas com uma letra invejável. Ela leu para si em tom baixíssimo, não sabia o que esperar.

- Podemos escolher entre a felicidade plena ou o momento da paixão. Mesmo quando temos a chance de optar pela serenidade de um sentimento maduro, concreto e estável, há quem prefira aquela dúvida de um olhar correspondido. Algumas pessoas não se adaptam ao outono de uma relação duradoura e preferem o fogo do verão no vão da incerteza. Não é fácil escolher o calor que incendeia e o morno que aquele. O grande problema é que a paixão nunca será eterna e nem sempre temos a maturidade necessária para entender isso.

Elizabeth arregalou os olhos, não esperava por isso. A conversa seria séria demais, não era uma carta de sacanagem de um amante com tesão. Era uma declaração de amor. Ela deu outra golada na bebida que tinha no copo e continuou.

- A adrenalina do caos emociona e nos ensina. Quando estamos envolvidos num turbilhão de sentimentos, dúvidas e sorrisos é que vemos além do corpo. Enfrentar certos obstáculos é mais do que edificante, é recompensador, mas amar sem obstáculos, é ainda melhor. Às vezes fazemos escolhas erradas e acabamos abdicando de algo que não consideramos o ideal no momento. Se acertamos ou não, só saberemos depois, mas o segredo é sempre tomar uma decisão com o coração, jamais com a cabeça.

Elizabeth hesitou. Seu cérebro parecia alertar o que viria adiante. Mas ainda assim, continuou.

- Se a razão lhe cobrar, responda que consciência está tranquila. O que não podemos fazer é insistirmos numa escolha equivocada. Sabemos que nenhuma escolha é fácil, especialmente quando falamos de amor. Aquele cara que mexe contigo, te completa? Pois não desejo continuar com aquela mulher que certamente não posso confiar. Nossa felicidade depende das nossas escolhas. Você deseja ser feliz agora ou para sempre? Então Elizabeth?

Elizabeth não parecia acreditar ao ler a última frase da última linha.

- Quer casar comigo?

Ela não sabia o que dizer, pois o que fazer, era claro e evidente. Aos prantos, com os olhos molhados de lágrimas, Elizabeth apanhou a carta, amassou no cinzeiro que estava próximo e o queimou com o cigarro manchado com o tom do batom que usava.

"Ele teve uma vida inteira para se declarar, mas agora, eu irei me casar com outro, não posso mais flertar com a dúvida de ser companheira desse vendaval de emoções. - pensou.

Nossa protagonista não tão donzela assim, recebeu um pedido de casamento de seu amante no bar onde eles desviavam suas noites para irem transar. Infelizmente para ele, essa seria a última noite dela, pois aceitou o pedido de casamento de seu noivo. Ele a está esperando na cama, confiante de que Elizabeth largará tudo para se casar e fugir com ele. Coitado, passará por uma grande decepção em alguns minutos.

Infelizmente, o amor por si só, não sustenta uma relação, mas ele entenderá que sexo também não é a coluna para todos os relacionamentos.

Sim, você não entendeu errado. Elizabeth recebeu um pedido de casamento do seu amante. Mas espere que esta história ainda tem como piorar. O celular dela vibrou. Elizabeth sacou e olhou a mensagem de Neríssa, sua melhor amiga e madrinha desse casamento.

"Almoçamos juntas amanhã?"

Elizabeth ligou para sua amiga.

- Miga?

- Viu minha mensagem?

- Óbvio! - brincou.

- Vamos almoçar e passar por aquela loja que me disse, ok? - completou.

- Sim, sim. E os outros afazeres do casamento?

- Está tudo indo como deve ser, não tive problema algum.

- Não teve problema, tirando o vestido, né?

- CARA! Nem me fale, fui ao Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro, passei pela França, rodei por Paris, marquei a lua de mel, mas não achei o vestido.

- E eu o encontrei bem ao lado da sua casa, numa casinha em Londres. - debochou Neríssa.

- O que eu faria sem você, cara?

- Eu não sei como vai se casar!

As duas riram.

- Tá por onde? - questionou a amiga.

Elizabeth deu uma bola olhada ao redor, a fim de saber se existia a remota possibilidade dela ou de outra pessoa estar por ali.

- Tô em casa, acabei de ler um livro, já tava indo dormir.

"Meu Deus, eu vou para o inferno". - pensou.

- Desculpe te incomodar então, boa noite amiga!

- Boa noite Nê! - disse Elizabeth.

"Ufa".

Elizabeth pagou a conta e solicitou um Uber ao acaso. Enquanto aguardava, seus olhos se fixaram no contato de seu amante no Whatsapp, e ela decidiu silenciar suas notificações.

"Agora, para nós, infelizmente é tarde". - pensou.

Seu Uber chegou em poucos minutos e ela voltou para sua casa.

Não tão distante de lá, quem esperava por todo o acontecimento ocorrido, era seu amante. Ele estava despido de qualquer roupa enquanto a esperava na cama redonda, coberto por um simples lençol preto.

"Ela não vem". - imaginou enquanto encarava a si mesmo visto pelo espelho do teto.

Este é Enrique, um amante das baladas, bebidas e mulheres. Festeiro compulsivo e viciado em academia. Mas agora encontrava-se abalado e amargurado pelo amor não correspondido.

"O que aquele idiota tem que eu não tenho? Porque ela vai se casar com alguém tão inexpressivo quanto ele e me deixará pra lá?"

Enrique se levantou da cama completamente sem roupa e atendeu seu telefone que tocava à algum tempo.

- Pode falar.

- Cara, tá por onde pô? Preciso falar contigo! - disse a voz masculina.

- Eu me perdi na bebida, amanhã a gente conversa, pode ser?

- Enrique, eu quero que guarde o meu anel de casamento, tem como?

Enrique se sentou na cama assustado.

- Pera Edgard, o que você tá falando?

- EU QUERO QUE VOCÊ SEJA O MEU PADRINHO DE CASAMENTO IRMÃO! - exclamou Edgard.

Enrique caiu pra trás e voltou a se encarar com o espelho no teto.

- Eu... Eu...

- Porque o espanto? Você é o meu melhor amigo cara, sem você, eu nem casaria pô. Eu e a Elizabeth combinamos que teríamos somente um casal de padrinhos, ela escolheu a Neríssa e eu escolhi você. Entendeu?

Um turbilhão de sentimentos e emoções se passaram pela cabeça do nosso pervertido galã.

- Eu não mereço tanto cara. Escolhe o Edmundo.

- Enrique? Eu não aceito não como resposta. Amanhã a gente se encontra em algum lugar e eu te dou a aliança, ok?

- Ok...

Ao desligar o telefone. Enrique não sabia se sorria ou se chorava. Nossa trama principal finalmente começou.

Capítulo 3 O vestido da noiva

É segredo para muitos, mas o mais famoso ateliê londrino foi fundado em 1599, às margens do rio Tamisa, o Globe, idealizado e construído por Shakespeare. E caso não saiba, a maioria dos vestidos mais belos do mundo são do Reino Unido, mais precisamente, em Londres. A renascença inglesa difere da italiana por diversos motivos. As formas dominantes de arte na renascença inglesa eram a literatura e a música. As artes visuais inglesas foram muito menos significativas, em termos de características renascentistas, do que na Itália, logo, todo esse conglomerado de amarras deram fama ao lugar.

O período renascentista inglês inicia-se tardiamente em relação ao italiano, este último tendo começado com Dante, Petrarca e Giotto a partir de 1300, seguindo para o maneirismo e, posteriormente, para o barroco por volta de 1550. Estou enrolando demais para dizer que enquanto Elizabeth percorreu as muitas cidades do mundo em busca de seu vestido ideal, o deus dos vestidos, Allan, além de ter estudado Moda no Instituto Imperial, é o melhor alfaiate do UNIVERSO!

É neste cenário que uma mulher maravilhosamente linda acabou de sair do provador de um famoso ateliê, vestida de noiva, arrancando suspiros e elogios de todas as noivas que estavam no mesmo ambiente.

- Que linda!

- Parece uma princesa!

- Nunca vi uma noiva tão linda!

- Qual deve ser o tamanho dela?

- Será que tem um vestido igual?

Os cochichos são muitos, mas ela não se importa com nada nem ninguém, a opinião de sua melhor amiga é o que importa.

- Neríssa! - a noiva deu uma voltinha.

- Como ficou o vestido? - questionou a noiva.

Claro que falo de Elizabeth, muito bem trajada de noiva no mais belo vestido branco de toda a Londres! Costurada pelo próprio 'deus" dos vestidos Londrinos.

- Linda! - respondeu Neríssa, maravilhada.

Elizabeth se virou para o espelho do provador e soltou um sorriso de lado.

- Você está tão linda que eu não tenho outras palavras para me expressar! - respondeu Neríssa emocionada e chorosa.

- Não fica assim amiga. - Elizabeth abraçou sua amiga.

- Amiga, você merece. - comentou Neríssa.

Elizabeth volta a se olhar admirada por estar vivendo um sonho.

- Tive de adaptar para mim, além de precisar emgrecer, né?

- Sério?

- Uhum, o namoro e as viagens para o Rio de Janeiro e Paris, me fizeram engordar um pouco.

- Nem parece, sua convencida. - brincou.

- Olha como eu era miga, pelo amor de Deus!

- Diz que está gorda, mas ainda aparenta ser bem mais magra que eu!

- Falo sério, se você soubesse como o Edgard me entope de lanches aos finais de semana, ficaria admirada com a minha determinação!

Elizabeth abre mais um de seus apaixonantes sorrisos sinceros para sua melhor amiga, Neríssa.

Nossa nova personagem possui cabelos castanhos curtos, elegantemente na altura do pescoço, e brilhantes olhos que chamam a atenção, realçando sua boca rosada e pele pálida como a neve. Neríssa é não só amiga de infância de Elizabeth, mas também trabalha na direção do Instituto Imperial, com planos de se transferir para o setor pedagógico, onde Edmundo já atuou e Edgard trabalha atualmente.

Além de tudo isso, ela assume o papel importante de acompanhar a noiva para provar o vestido e atuar como madrinha do casamento. Como dama de honra na cerimônia, Neríssa desempenha um papel tão essencial que, sem ela, o casamento simplesmente não seria o mesmo.

- Pois é, O Edgard tem cara de ser carinhoso mesmo. - respondeu a amiga.

Neríssa foge um pouco dos olhos brilhantes de Elizabeth. Nossa noiva não percebe, mas Neríssa sempre fica um pouco desconfortável ao falar de Edgard.

- Tá bonito mesmo?

- Claro mulher! - insistiu a amiga..

- Olha só isso, a parte da cintura continua um tanto apertada! - apontou Elizabeth.

- É só fechar a boca por estes dias, não acha?

- Certeza?

- É sério amiga, não está tanto assim, você não usara o vestido por horas, será rapidinho.

- Não minta pra mim Neríssa, por favor!

- Eu jamais menti para você sua idiota. - Neríssa respondeu com um gosto amargo em sua boca.

Elizabeth a encarou chorosa fazendo bico.

- Amiga, não importa o que esteja vestindo, sabe? Você estará linda de qualquer jeito. - Neríssa a abraçou.

- Assim eu me sinto a Barbie!

Elizabeth voltou a se trancar no provador a fim de trocar a roupa. Após alguns minutos e vários outros ajustes no vestido, as amigas finalmente saíram para bater perna e conversar sobre a tão sonhada Lua de Mel em Paris.

Mas se você se lembra bem, temos outra data EXTREMAMENTE importante encima do casamento.

- É isso que ele quer, sabe? É da sua vontade, então eu aceitei. - ao terminar de explicar, Neríssia se assustou com as palavras ditas por Elizabeth.

- DESPEDIDA DE SOLTEIRO?

- Pois é, Edgard insistiu que nós tivéssemos.

- Nossa... - Neríssa ainda nãoa creditava.

Elizabeth que vestia uma calça jeans e um casaco branco felpudo, se afundou nele e enfiou as mãos no bolso, um tanto sem graça.

- ele disse que é para que nós não venhamos a nos arrepermos de nada depois, entendeu?

- Como assim? - questionou Neríssa.

- Pra falar a verdade, é um meio de nós dois fazermos o que quisérmos, pois depois que nos casarmos, acabou, sabe? - explicou.

- Um dia de traição? - respondeu Neríssa.

- Isso soa meio vulgar, não acha?

- Então o que?

- Está mais para um passe livre de culpa! - respondeu Elizabeth sorridente.

- Você está bem com isso?

- Mas é claro, está será a melhor despedida de solteira de toda a Europa e você estará comigo! - exclamou Elizabeth.

- O QUEEEEE?

Elizabeth rejeitou o pedido de casamento vindo de seu amante e abraçou de vez a vida de casada. Ela ainda não sabe sobre as intenções de sua melhor amiga, porém, contudo, toda a via, ele quer uma despedida de solteiro.

O que isso significa? E porque Elizabeth nem ao menos ligou para isso?

"Vê-la casando é um sonho que sempre tivemos, mas tê-la ao lado de Edgard ou simplesmente sonhar com o casamento dos dois afeta os meus dias. Não sei como irei reagir à este casamento. Espero de coração que dê tudo certo, eu amo a minha melhor amiga, mas adoro estar com o noivo". - os pensamentos impuros de Neríssa foram interrompidos pela fala de Elizabeth.

- Você vai a minha despedida de solteira, né? - questionou Elizabeth.

As amigas insistem em querer conversar sobre a Despedida de Solteira, nos arredores da Tower Bridge, mas, por favor, vou por os pingos nos is corretamente.

Muitos confundem, mas a chamada Torre de Londres não é aquela suspensa, de cabos azuis, próxima à Torre de Londres. Essa é a Tower Bridge e possui esse nome justamente pela proximidade com a torre. Apesar da verdadeira Ponte de Londres ser mais antiga e historicamente mais importante, a Tower Bridge atrai mais turistas por sua beleza e diferente arquitetura, que segue a da Torre de Londres ali do ladinho, sendo possível passear por dentro dela e ver o Rio Tâmisa de vários ângulos, até mesmo de cima para baixo! Mas isso eu irei explicar mais a frente.

A Tower Bridge que me refiro, foi construída em 1894 sobre o Rio Tâmisa e é uma ponte levadiça, se erguendo para barcos maiores passarem por baixo dela centenas de vezes por ano. Em sua origem, a ponte se erguia através de máquinas a vapor, hoje já são usados recursos eletrônicos para tal. Você pode não saber, mas ela já foi cenário para vários filmes como Bridget Jones, Tomb Raider, Velozes e Furiosos 6, Missão Impossível, 007: O Mundo não é o Bastante, entre tantos outros desde os anos 1900 que nem vale a pena comentar.

Hoje, a Tower Bridge é além de ser um dos cenários do conto, é ponte de Londres mais visitada e uma das maiores atrações turísticas do país, além de ser uma das pontes mais famosas do mundo.

Mas enfim, voltamos ao conto no exato momento em que Neríssa se assustou com a fala da amiga.

- Mas você não vai o que quiser? Isso realmente me inclui nos seus planos? - questionou.

- É claro que eu vou, né? Mas e depois?

- Depois o que?

- Depois eu quero beber e comemorar com você e com algumas poucas amigas da faculdade que eu não concluí.

Neríssa a encarou.

- Tá, mas e depois?

- Depois... É meio óbvio, não? - Elizabeth sorriu.

- Como assim pô? - questionou Neríssa perplexa.

As duas são verdadeiramente muito amigas, se conheceram quando crianças e de lá para cá, jamais se separaram. Contudo, uma hora ou outra a vida acaba cobrando atitudes nossas. E enquanto uma quis uma coisa, a outra quis outra.

Elizabeth abre outro de seus lindos sorrisos rasgados antes de responder sua amiga.

- Depois... Eu terei a minha despedida de solteira com o... - Neríssa a interrompeu.

- EU NÃO QUERO SABER! - esbravejou.

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