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Desprezada Online, Rainha Offline

Desprezada Online, Rainha Offline

Autor:: Olivia
Gênero: Romance
Em 2024, o Brasil parou por um aplicativo: o "Alma Gêmea" prometia encontrar sua alma gêmea, e eu, Maria Eduarda Silva, a Duda, com minha beleza fora do comum, usei um filtro negativo para que me conhecessem pela alma. Gabriel Mendes, o influenciador fitness mais cobiçado, se apaixonou pela Duda filtrada, e vivemos um amor virtual secreto por três anos, enquanto na internet eu era humilhada por ser a "namorada feia". Até que, em uma explosiva live nacional, Gabriel me traiu publicamente, desdenhando da minha aparência, e se ajoelhou para pedir a mão de Clara Santos, uma ex-modelo que, por uma bizarra coincidência, usava meu antigo apelido no aplicativo. "Duda? Não... não pode ser." O choque de ver outra mulher no meu lugar, usando meu nome, enquanto ele me desprezava e me expulsa da guilda do jogo que eu ajudei a construir, me transformou em piada nacional e ladra. A humilhação pública e a percepção de que a "Clara Santos" que ele achava que amava era, na verdade, eu, a "Duda feia" , a mulher que ele conheceu e desprezou, acendeu uma fúria fria. Com a ajuda de Lucas, meu amigo e o misterioso jogador "Zero", comecei minha jornada de volta ao jogo e à vida real, decidida a expor os dois.

Introdução

Em 2024, o Brasil parou por um aplicativo: o "Alma Gêmea" prometia encontrar sua alma gêmea, e eu, Maria Eduarda Silva, a Duda, com minha beleza fora do comum, usei um filtro negativo para que me conhecessem pela alma.

Gabriel Mendes, o influenciador fitness mais cobiçado, se apaixonou pela Duda filtrada, e vivemos um amor virtual secreto por três anos, enquanto na internet eu era humilhada por ser a "namorada feia".

Até que, em uma explosiva live nacional, Gabriel me traiu publicamente, desdenhando da minha aparência, e se ajoelhou para pedir a mão de Clara Santos, uma ex-modelo que, por uma bizarra coincidência, usava meu antigo apelido no aplicativo.

"Duda? Não... não pode ser."

O choque de ver outra mulher no meu lugar, usando meu nome, enquanto ele me desprezava e me expulsa da guilda do jogo que eu ajudei a construir, me transformou em piada nacional e ladra.

A humilhação pública e a percepção de que a "Clara Santos" que ele achava que amava era, na verdade, eu, a "Duda feia" , a mulher que ele conheceu e desprezou, acendeu uma fúria fria.

Com a ajuda de Lucas, meu amigo e o misterioso jogador "Zero", comecei minha jornada de volta ao jogo e à vida real, decidida a expor os dois.

Capítulo 1

Em 2024, o Brasil parou por causa de um aplicativo, o "Alma Gêmea" .

Não era só um app de namoro, virou uma febre, quase um mundo paralelo onde todo mundo queria estar. A promessa era simples, usar um algoritmo avançado para encontrar sua alma gêmea de verdade, a pessoa perfeita para você.

A propaganda estava em todo lugar, na TV, na internet, em outdoors gigantescos. E todo mundo entrou na onda, dos mais jovens aos mais velhos, todos em busca daquele match perfeito.

E no meio dessa loucura toda, existia uma polêmica que alimentava todos os sites de fofoca.

A polêmica tinha nome e sobrenome, Gabriel Mendes.

Ele era o influenciador fitness número um do país, um cara com milhões de seguidores, um corpo que parecia esculpido e um sorriso que vendia qualquer coisa. Ele era o rei do "Alma Gêmea" , o solteiro mais cobiçado.

Até que ele começou a namorar.

E a namorada dele era, segundo a internet inteira, a mulher mais feia do aplicativo.

Os comentários eram cruéis, uma enxurrada de ódio diária. "Como um deus grego como o Gabriel pode namorar esse monstro?" , "Ela deve ser rica, não tem outra explicação" , "Tenho pena dos filhos que eles teriam" .

As montagens, os memes, os xingamentos, nada parava.

E o nome de usuário dela no aplicativo era "Duda" .

Eu era a Duda.

Meu nome é Maria Eduarda Silva, e eu era a namorada "feia" de Gabriel Mendes.

Eu via cada comentário, lia cada ofensa, e meu estômago se revirava. Mas eles não sabiam da verdade, ninguém sabia.

Desliguei o celular, a tela cheia de notificações de ódio. Olhei para o meu reflexo no espelho do meu estúdio de ilustração.

A verdade é que eu não era feia.

Pelo contrário, minha beleza era o meu maior problema. Desde a adolescência, eu não tinha paz, os olhares eram constantes, o assédio era disfarçado de elogio, e eu me sentia um pedaço de carne exposto em uma vitrine. Homens me paravam na rua, me seguiam, me mandavam mensagens invasivas. Eu não conseguia ter uma conversa normal sem que o assunto virasse minha aparência.

Isso me gerou uma ansiedade social terrível, um pânico de sair de casa, de interagir. Eu me isolei. O meu trabalho como ilustradora era meu refúgio.

Quando o "Alma Gêmea" surgiu, vi uma chance. Uma chance de ser eu mesma, sem o fardo do meu rosto. Por isso, usei o filtro de "embelezamento negativo" . Ele distorcia minhas feições, me deixava com uma aparência comum, até mesmo desinteressante.

Pela primeira vez, os homens com quem eu conversava queriam saber sobre meus desenhos, meus livros favoritos, meus sonhos. Eles queriam conhecer a minha alma, não o meu corpo.

E foi assim que conheci o Gabriel.

Ele foi diferente, ou pelo menos, eu achei que fosse. Nosso match foi instantâneo. Conversamos por horas, dias, semanas. Ele era engraçado, inteligente, e parecia não se importar nem um pouco com a minha aparência no aplicativo.

Nos apaixonamos. Ou melhor, eu me apaixonei.

Foram três anos de um namoro totalmente virtual. Três anos ouvindo as fãs dele me massacrarem, enquanto ele me dizia no privado para não ligar, que o que importava era o que a gente sentia.

Mas nas últimas semanas, algo estava estranho.

Gabriel estava distante, respondia minhas mensagens com monossílabos. As nossas longas chamadas de vídeo noturnas ficaram raras.

"Tá tudo bem, amor?" , eu perguntei em nossa última conversa.

"Tudo ótimo, Duda. Só muito trabalho, sabe como é" , ele respondeu, com os olhos mais focados na tela do computador do que em mim. Um calafrio percorreu minha espinha, uma sensação ruim que eu não sabia explicar.

Eu me sentia insegura, com medo de perdê-lo. Talvez as fãs tivessem razão, talvez eu não fosse o suficiente para ele.

Foi então que, do nada, ele me ligou, animado como eu não via há tempos.

"Duda, amor da minha vida! Tenho uma surpresa pra você!" , a voz dele soava eufórica do outro lado da linha.

Meu coração disparou, a esperança voltando com força total.

"O que foi, Gabriel?"

"Hoje à noite, vou fazer uma live especial. Uma live pra oficializar o nosso namoro pra todo o Brasil! Chega de esconder, quero que todo mundo saiba que eu te amo, não importa o que eles achem da sua aparência. Você é a mulher da minha vida!"

As palavras dele foram como música para os meus ouvidos. Eu chorei de alívio, de felicidade. Finalmente, ele ia me assumir, ia me defender.

"Eu te amo tanto, Gabriel" , eu disse, com a voz embargada.

"Eu também te amo, Duda. Esteja online às nove, vai ser histórico."

Passei o resto do dia nas nuvens, preparando tudo. Arrumei meu estúdio, escolhi minha melhor roupa, mesmo que fosse só para uma chamada de vídeo. Eu estava radiante.

Às nove em ponto, a live começou. O número de espectadores subiu para milhões em segundos. O rosto perfeito de Gabriel preenchia a tela.

"Boa noite, Brasil! Hoje é uma noite muito especial pra mim. Como vocês sabem, meu coração tem dona há três anos. E hoje, eu decidi que era hora de acabar com o mistério."

Meu coração batia tão forte que parecia que ia sair pela boca. Eu sorria para a tela, esperando ele me chamar para a live.

Mas ele continuou, "Muitos de vocês a criticaram, a julgaram, mas vocês não a conhecem. A verdade é que eu esperei por ela por muito tempo. E hoje, ela está aqui."

A câmera se moveu. E ao lado dele, não estava o meu rosto filtrado.

Era outra mulher.

Uma mulher deslumbrante, uma ex-modelo famosa chamada Clara Santos. Ela sorria, um sorriso vitorioso.

Eu não conseguia respirar. Meu mundo desabou naquele instante.

"Gente, essa é a Clara" , disse Gabriel, abraçando-a. "O verdadeiro amor da minha vida. Eu a procurei por anos, sem sucesso. Ela usava um nome de usuário antigo, mas finalmente a encontrei."

Ele olhou para a câmera, com os olhos brilhando. "O nome de usuário dela era Duda. Coincidência, né?"

Não era coincidência. "Duda" era o meu nome de usuário original, o que eu usava antes de me isolar, antes do filtro, antes de tudo. Mas o nome dele no aplicativo era Clara Santos.

E então, o golpe final.

Gabriel pegou a mão de Clara e a levantou. Nos dedos deles, brilhando sob as luzes do estúdio, estavam as alianças de casal. As mesmas alianças que ele tinha me mostrado semanas atrás, dizendo que eram o nosso símbolo, que as usaria na live para me pedir em casamento.

A traição, a humilhação, a dor. Tudo ao vivo, para milhões de pessoas.

Eu não era o amor da vida dele. Eu era só um tapa-buraco, uma sombra com o mesmo nome da mulher que ele realmente queria. Ele me usou enquanto esperava por ela.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto, mas não eram mais de felicidade. Eram de ódio.

Ele ia me pagar. Os dois iam me pagar.

Capítulo 2

A imagem na tela do meu notebook congelou meu sangue, Gabriel e Clara, sorrindo, exibindo as alianças que deveriam ser minhas.

Cada detalhe da cena se gravava na minha mente, o brilho do ouro, a forma como os dedos deles se entrelaçavam, o sorriso presunçoso de Clara.

Ele estava usando a aliança. A aliança que ele me prometeu.

Minha mente voltou para três semanas atrás, numa chamada de vídeo. Gabriel me mostrou a caixinha de veludo azul, abrindo-a para revelar os anéis idênticos.

"Gostou, meu amor?" , ele perguntou, com a voz cheia de uma ternura que agora eu via que era falsa. "É pra gente. Pra selar nosso compromisso. Na live de oficialização, eu vou colocar no seu dedo."

Eu tinha chorado de emoção naquele dia, acreditando em cada palavra. Acreditando que, apesar de tudo, nosso amor era real.

Agora, vendo aquela mesma aliança no dedo de outra mulher, uma dor física me atingiu, como um soco no estômago. Eu me sentia uma idiota, a maior idiota do mundo.

O chat da live explodia. "Sabia! A outra era feia demais pra ele!" , "Clara e Gabriel, casal perfeito!" , "Finalmente ele se livrou daquele peso morto!" .

Cada comentário era um novo golpe.

E então, um detalhe me chamou a atenção, algo que Clara disse.

"Foi tão engraçado quando você me achou, amor. Eu nem usava mais o 'Alma Gêmea' , mas meu perfil antigo ainda estava lá. Clara Santos, que nome brega que eu usava, né?" , ela riu, e a risada dela ecoou no meu apartamento silencioso.

Clara Santos.

Meu corpo inteiro gelou.

Antes de criar a conta "Duda" com o filtro negativo, eu tinha um outro perfil. Um perfil que eu mal usei, criado num impulso, logo que o aplicativo foi lançado.

Por causa do meu trabalho como ilustradora, eu tinha uma pequena base de seguidores, e para manter meu anonimato e evitar o assédio que eu já sofria, usei um pseudônimo.

O pseudônimo que escolhi foi Clara Santos.

Ele não estava procurando por ela. Ele estava me procurando. A mim. A verdadeira eu.

A ironia era tão cruel que eu tive vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. Ele encontrou a "Clara Santos" errada, uma modelo famosa que, por uma coincidência bizarra, tinha o mesmo nome de um perfil antigo que eu nem lembrava mais que existia.

E eu, a verdadeira dona daquele nome, a mulher que ele conheceu e com quem se conectou, era a "Duda feia" , a piada nacional.

Ele nunca soube que a garota com quem ele achava que tinha uma conexão era a mesma que ele desprezava publicamente.

De repente, a porta do meu estúdio abriu. Era Lucas, meu melhor amigo desde a infância. Ele morava no apartamento ao lado e tinha a chave do meu.

"Duda? Você tá vendo isso?" , ele disse, com o celular na mão, mostrando a mesma live que eu assistia. O rosto dele era uma mistura de choque e fúria.

Eu não consegui responder, apenas apontei para a tela do meu notebook.

Lucas olhou para a tela, depois para mim, e entendeu tudo. Ele me abraçou forte, enquanto eu tremia incontrolavelmente.

"Aquele desgraçado..." , Lucas sussurrou, a raiva vibrando em sua voz. "Ele te usou, Duda."

Gabriel continuava a falar na live, contando uma história completamente fabricada.

"Eu vi uma foto da Clara há anos, numa campanha publicitária. Foi amor à primeira vista. Eu soube que ela era a mulher da minha vida. Procurei por ela em todo lugar, até que a encontrei no 'Alma Gêmea' sob o nome 'Duda' . Mas ela não queria se expor, então respeitei. Mas agora, finalmente, posso mostrar ao mundo o rosto do meu verdadeiro amor."

Cada palavra era uma mentira deslavada. Ele estava reescrevendo nossa história para encaixar Clara nela. Ele não se apaixonou por uma foto, ele se apaixonou pela minha conversa, pela minha arte, pela minha alma. Mas agora, ele dava todo o crédito a um rosto bonito que nem era o meu.

Eu era um fantasma na minha própria história de amor.

A humilhação pública era insuportável. Os fãs dele, que antes me atacavam pela minha aparência "feia" , agora me atacavam por ser uma "fraude" .

"Então a Duda era só uma conta fake da Clara?" , "Que doente, fingir ser outra pessoa" , "Essa tal de Duda merece ser processada!" .

Eu estava sendo xingada por um crime que não cometi, enquanto a verdadeira culpada, Clara, posava de vítima e de grande amor reencontrado.

Eu me afastei de Lucas e sequei minhas lágrimas. A dor estava se transformando em outra coisa, em uma fúria fria e calculada.

"Eu não vou deixar isso assim, Lucas" , eu disse, minha voz firme pela primeira vez naquela noite.

"O que você vai fazer?" , ele perguntou, preocupado.

"Eu vou expor os dois. Vou mostrar pra todo mundo quem é o verdadeiro Gabriel Mendes. E quem é a verdadeira Clara Santos."

Lucas, que era programador de software, me olhou com um brilho de cumplicidade nos olhos.

"Eu vou te ajudar. A gente vai derrubar esses dois."

A batalha estava apenas começando.

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