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Destinada à Fera

Destinada à Fera

Autor:: Maddu Nascimento
Gênero: Lobisomem
Ivy é uma escrava do Alfa Lucian desde que ele matou os seus pais há dois anos e a aprisionou junto com o seu irmão. No dia de sua execução, para a sua surpresa, o Alfa Lucian segura o machado que a mataria e revela que ela é sua companheira destinada. Seu destino estava ligado ao lobo que matou quase toda a sua família, mas Ivy prefere morrer do que se tornar sua Luna. Lucian não querendo ir contra os desígnios da deusa Selene, que pune aqueles que machucam seus companheiros destinados, oferece um acordo a Ivy; se ela aceitasse ser sua Luna, ele libertaria o seu irmão e após ela conceber um filho homem, estaria livre para deixar a alcateia. Ivy aceita, mas será que ela pode confiar na palavra de Lucian, o alfa cruel e impiedoso que matou seus pais friamente? Ou isso era uma oportunidade dela vingar seus pais? Mas como ela poderia ignorar o profundo desejo entre os dois e manter seu coração afastado?

Capítulo 1 A setença

- Não importa o que aconteça, Ivy, eles já nos condenaram. O único consolo que me resta é que, ao menos, estaremos juntos até o fim.

Os corredores escuros da masmorra vibravam com o eco da voz de Ethan e das gotas d'água que caíam das paredes frias de pedra.

Ivy estava sentada contra a parede, o metal gélido das correntes apertando seus pulsos e tornozelos. Ela havia perdido a noção do tempo ali dentro. Dois anos pareciam uma eternidade, um ciclo interminável de escuridão, fome e silêncio quebrado apenas pelos gemidos baixos de dor de seu irmão preso na cela ao lado.

- Juntos até o fim, sim. - Ivy finalmente responde. - Mas isso não significa que vamos morrer sem lutar.

Ethan não tivera tempo de rebater a resposta coberta de resignação e coragem de sua irmã, porque no mesmo instante, surgiu uma luz no fundo do corredor. A luz fraca das tochas iluminava os passos calculados de Lucian, o alfa. Ele era uma figura intimidante, com ombros largos e olhos que pareciam queimar de raiva eterna.

Ivy o observava de soslaio sempre que ele aparecia, mas nunca o encarava diretamente. Não por medo - ela havia perdido a capacidade de temer após o que ele fizera a seus pais -, mas porque sabia que seus olhos carregavam a mesma chama desafiadora que os de sua mãe, algo que parecia enfurecê-lo ainda mais.

Quando Lucian parou diante de sua cela naquela noite, algo estava diferente. Ele não trouxe as ameaças habituais nem a lembrança cruel de suas derrotas. Em vez disso, suas palavras eram curtas, mas carregadas de um peso que fazia o ar na masmorra parecer mais denso.

- Amanhã, os anciãos decidirão o destino de vocês.

E simples assim, ele se foi, deixando apenas o som de suas botas ecoando no corredor. Ivy sentiu um aperto no peito, mas não disse nada. Sabia que aquele dia, mais cedo ou mais tarde, chegaria.

Ethan, porém, murmurou com a voz rouca outra vez:

- Eles não vão nos poupar, Ivy. Você sabe disso.

Ela apertou os punhos, sentindo o metal das correntes cortar sua pele.

- Eu sei. - Confessa, ainda que mentalmente faça planos de como poderia escapar do seu destino inevitável.

***

Na manhã seguinte, a praça da alcateia Lúgubre estava tomada. Os lobos se reuniram, murmurando entre si, os olhares curiosos e famintos por justiça, enquanto aguardavam pela chegada dos criminosos.

Ivy e Ethan foram levados da masmorra sob o olhar vigilante dos guardas. O brilho do sol era quase insuportável depois de tanto tempo no escuro, mas Ivy ergueu a cabeça, recusando-se a demonstrar fraqueza.

Com um único olhar para seu irmão, demonstrou força e nenhum tipo de arrependimento sequer.

Assim que chegaram no centro da praça, os anciãos estavam sentados em um semicírculo elevado, suas expressões eram de pedra, apáticos; como se não estivessem prestes a decidir algo cruel.

O mais velho deles se levantou, e sua voz ecoou pela praça:

- Ivy e Ethan Kaelen, da Alcateia Sanguínea, os declaro culpados pela traição de seus pais. Por suas ações, nossa alcateia perdeu um líder. Justiça será feita; vossas execuções serão no amanhecer.

O veredicto foi rápido. Ivy sentiu o peso da decisão como uma pedra sobre seu peito, mas não vacilou. Antes que os guardas pudessem arrastá-los de volta a masmorra, a praça inteira ficou silenciosa de repente, dominada pela presença recém chegada e esmagadora de Lucian.

Ele entrou com passos firmes, seu olhar implacável varrendo a multidão de lobos reunidos. O alfa não precisava falar; sua aura de poder e autoridade falava por si. Ele caminhou até o centro, onde os anciãos estavam reunidos, suas figuras altas e severas como as pedras que cercavam a praça.

Apenas a leve brisa fazia as folhas das árvores ao redor se moverem. As correntes de Ivy e Ethan faziam um som metálico, um lembrete do destino cruel que os aguardava.

O olhar de Ivy foi direto para Lucian, mas sem emoção. Ela já havia aprendido a se fechar, a não ceder a nada que fosse vulnerabilidade. Mas Ethan, seu irmão, estava ao seu lado, mais tenso que nunca, as mãos tremendo nas correntes.

Lucian, no entanto, permanecia impassível. Ele observou Ivy de longe, como um predador que sentia o aroma da caça no ar. A execução parecia inevitável, mas algo o incomodava. Seus olhos, frios e calculadores, se fixaram na jovem à sua frente.

- Levem-nos de volta para a masmorra. - O ancião anuncia, chamando a atenção dos guardas.

Quando os guardas começaram a arrastar Ivy e Ethan, algo no ar mudou.

A fragrância de Ivy, o cheiro doce e quente de sua pele, invadiu os sentidos do alfa, de Lucian. Um cheiro que ele nunca havia notado antes, mas que agora parecia penetrar em sua alma, uma atração que o puxava como um ímã.

Lucian deu um passo em direção a ela, seu coração batendo mais forte, uma sensação estranha e indomável surgindo dentro de seu peito. Ele fechou os olhos por um momento, tentando controlar o turbilhão de sentimentos que o assolava. Mas o cheiro... aquele cheiro inconfundível... ele sentiu sua respiração mudar, seus sentidos aguçados se alinhando de uma maneira que ele nunca havia experimentado.

Ivy. Era ela. A companheira destinada que ele jamais esperaria encontrar ali, diante de seus olhos, no meio de sua vingança, no sofrimento de sua própria alcateia. O destino, implacável e cruel, o havia colocado diante dela.

A sua prisioneira era a sua companheira destinada; a mulher que ele deveria desprezar, que ele deveria destruir, mas que agora, em sua presença, lhe fazia sentir algo muito mais complexo. Algo que ele não estava preparado para aceitar.

Com um movimento brusco, ele olhou para os guardas, que estavam empurrando Ivy para as escadas da masmorra. O instinto foi mais forte que sua razão. Ele se aproximou deles com passos rápidos, sua presença poderosa, que imediatamente fez com que os guardas parassem e o olhassem, tensos.

- Deixe-a. - Sua voz saiu fria, cortante, mas algo em seu tom carregava uma ordem que não poderia ser ignorada.

Os guardas, apesar do desconforto, obedeceram. Ivy foi solta de suas correntes momentaneamente, e ela olhou para Lucian com uma expressão que não se encaixava em sua dor. Ela não sabia o que ele queria, mas algo no fundo de seu ser sabia que aquela presença significava mais do que parecia.

Ivy tentou afastar o olhar de Lucian quando ele se aproximou, mas algo nela não permitiu. Seus olhos azuis estavam fixos nele, como se fossem puxados por uma força invisível. O cheiro dele atingiu seus sentidos com intensidade - um aroma amadeirado e profundo, com um toque de algo selvagem e indomável, que fez seus pulmões se encherem involuntariamente.

De repente, foi como se algo se rompesse dentro dela. Um calor estranho percorreu seu corpo, aquecendo até os cantos mais frios de sua alma. Ela sentiu um peso no peito, uma pressão inexplicável, como se o ar ao redor tivesse mudado. Seu coração acelerou, batendo contra suas costelas como se quisesse sair dali e encontrá-lo.

- Não... - Ivy sussurrou para si mesma, baixinho, quase sem som, tentando afastar o que estava acontecendo.

Lucian se aproximou, os olhos fixos nela com intensidade. Ivy tentou não ceder, mas o cheiro dele, a presença esmagadora do alfa, a fazia sentir um turbilhão de emoções que ela mal podia compreender.

- Você... - Lucian começou, sua voz baixa, quase um sussurro. - Você é minha companheira destinada.

O mundo ao redor parecia parar, e Ivy sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela não sabia o que aquilo significava, mas o olhar de Lucian falava por si. O ódio, a vingança, tudo o que ela sentia por ele parecia se desintegrar diante daquela revelação. O destino havia jogado suas cartas, e agora ela estava entrelaçada a ele de uma maneira que não podia ser desfeita.

Um calor repentino subiu pelo corpo de Ivy, a visão escurecendo nas bordas. Sua respiração ficou pesada, e ela cambaleou para trás, as pernas falhando sob o peso de sua exaustão.

- Ivy! - A voz de Ethan foi a última coisa que ela ouviu antes de tudo se apagar.

Capítulo 2 Sem saída

Ivy tentou resistir, lutar contra as sensações que inundavam seu corpo. O cheiro de Lucian parecia invadir cada fibra de seu ser, enquanto a conexão que surgia entre eles pulsava como uma corda apertada ao redor de seu coração. Ela sentia o peso de sua fome, de sua fraqueza.

E o seu corpo acabou por ceder, desabando como se finalmente estivesse entregando tudo o que tinha lutado para segurar nos últimos anos. As correntes em seus pulsos tilintaram quando ela caiu no chão de pedra, seu cabelo rubro se espalhando ao redor de seu rosto pálido.

Antes que possa apagar completamente, Ivy sente braços fortes e calorosos amparando sua queda. Aquele toque, aquele calor enviam conjuntos de faíscas sobre todo o seu corpo frágil, a deixando ainda mais desnorteada.

Lucian reage antes que qualquer outro pudesse se mover. Em um movimento rápido, ele a segurou antes que seu corpo atingisse o chão completamente. Sua mão firme a amparou, mas o toque fez o laço entre eles pulsar ainda mais forte. Era insuportável e inegável.

Ivy consegue sentir a própria frieza de sua pele, e ela percebeu com um choque que era mais frágil do que ela havia permitido acreditar. Os dois anos de cativeiro, a falta de comida decente, de luz, de dignidade - tudo havia cobrado seu preço.

- Levem-na de volta à masmorra - ordenou um dos anciãos, tentando restabelecer a ordem.

Lucian se virou lentamente, os olhos cheios de uma fúria contida.

- Não. - Sua voz era baixa, mas carregava o peso de uma autoridade que ninguém ousava questionar. - Ela vem comigo.

Os guardas hesitaram, trocando olhares, mas nenhum deles ousou se mover contra o alfa. Ele ergueu Ivy com cuidado, sua expressão impenetrável, mas dentro dele, uma guerra estava sendo travada.

Enquanto carregava Ivy para longe, o cheiro dela ainda pairando no ar, ele sabia que as coisas haviam mudado. Aquela mulher não era apenas uma prisioneira, nem apenas um inimigo. Ela era sua companheira. E agora, ele teria que decidir o que isso significava.

***

Ivy despertou em um sobressalto, sentindo o cheiro de madeira polida e lavanda; uma combinação que a enojou por saber a quem pertencia. Seu corpo ainda estava exausto, e sua cabeça latejava com a memória do que havia acontecido horas antes.

Ela tenta se levantar da cama, apenas para ser interceptada pelas duas lobas que estavam presentes no quarto em que ela se encontrava.

- Você precisa tomar banho e se arrumar. - disse uma das fêmeas, repetindo a ordem do alfa, uma loba alta de cabelos castanhos presos em um coque apertado. Seu tom era firme, mas havia uma pitada de compaixão em sua voz.

Ivy cruzou os braços, erguendo o queixo em desafio.

- Eu só quero ver meu irmão. Onde está Ethan? O que fizeram com ele?

- Seu irmão está seguro - disse a outra loba, menor e mais jovem, com olhos tão dourados quanto os de Lucian. - O Alfa quer vê-la. É importante que esteja apresentável.

- Apresentável? - Ivy riu com escárnio. - Não vou me enfeitar para o monstro que matou minha família. Podem esquecer!

As lobas trocaram um olhar antes de se aproximarem dela novamente.

- Não é uma escolha, garota. - disse a mais velha. - Faça o que dizemos, ou sofrerá as consequências.

Ivy, com o coração acelerado e a fúria queimando em seu peito, decidiu que não aceitaria aquele tipo de tratamento. Quando as duas lobas a conduziram ao banheiro, ela entrou na banheira cheia de água morna apenas para sair imediatamente. Com um movimento rápido, empurrou Lyra, a loba mais jovem, que tropeçou e caiu no chão.

- Eu não vou me submeter! Vocês podem me forçar a vir para cá, mas não vou me enfeitar para ele - gritou, os punhos cerrados. - Não enquanto meu irmão estiver longe, e eu não tiver respostas!

Helena, a loba mais velha, estreitou os olhos, mas permaneceu estoica.

- O Alfa decidirá como lidar com você - murmurou antes de sair do quarto, puxando Lyra consigo.

Por alguns minutos, o silêncio reinou. Ivy respirava com dificuldade, seu corpo tremendo de raiva e medo. Ela buscou um roupão ao lado e em seguida colocou ao redor de si e encarou o seu reflexo no espelho e tudo que viu foi uma mulher assustada, perdida em um jogo de poder que não compreendia completamente. Além disso, a sua própria aparência fez seu estômago revirar. Estava magra, com olheiras enormes e escuras ao redor do seus olhos índigo.

Naquele momento, ela se dá conta de que apenas não morreu por causa do poder de cura dos lobos, mas seu estado era deplorável. Sua situação era ainda mais cruel por conta das correntes de prata que usara durante os anos em que ficara presa, o que impedia a sua transformação. Ivy sentia-se desprezada, pavorosa e culpava o alfa Lucian por toda a fatalidade que percorria sua existência.

Minutos depois, passos firmes e lentos ecoaram pelo corredor. O ar ficou pesado, e Ivy soube que ele estava perto antes mesmo de vê-lo. A porta se abriu, e lá estava Lucian, com sua presença avassaladora. Ele usava roupas simples, mas a aura de autoridade que emanava dele era impossível de ignorar.

- Um escândalo por um banho? - Sua voz era baixa, mas carregada de um tom perigoso.

- Não quero conversar com você. - Ivy rebateu, puxando o roupão ao redor de si com mais força. - Quero meu irmão.

Lucian fechou a porta com um movimento calmo, o clique da tranca soando como um trovão no silêncio do quarto. Ele deu um passo em direção a ela, e Ivy se obrigou a não recuar, mesmo quando o cheiro amadeirado e intimidante dele invadiu seus sentidos.

- Quero conversar com você. - ele disse, como se sua decisão fosse incontestável. - Mas antes, você vai tomar banho e se alimentar.

- Eu disse que não vou. - Ivy começou, mas sua frase foi interrompida quando Lucian cruzou a distância entre eles em um movimento rápido e a ergueu como se ela não pesasse nada.

- Solte-me! - ela gritou, socando o peito dele. - Eu odeio você!

- Pode me odiar depois. - ele disse, sem sequer piscar diante de sua resistência.

Com passos firmes, ele a levou até a banheira. Ivy se debateu com mais força, mas não teve chance quando ele a jogou na água quente sem hesitar.

Capítulo 3 O ataque

Ivy emergiu, tossindo e completamente furiosa. Seus cabelos molhados grudaram no rosto enquanto ela o encarava com ódio puro.

- Você é um tirano! Um monstro!

- E você é teimosa. - Lucian cruzou os braços, observando-a com uma calma que só a irritou mais. - Agora, faça o que pedi, ou a próxima vez não será tão gentil.

Ele saiu do banheiro antes que ela pudesse dizer outra palavra, deixando-a sozinha, molhada e cheia de raiva, mas sem opções. Ivy jurou que ele não venceria, mesmo que tivesse que lutar com cada fibra do seu ser.

Ciente de que naquela altura do tempo, lutar contra Lucian seria uma imensa perca de tempo e ela precisava fazer o que ele ordenara, até certo ponto, para assim conseguir notícias do seu irmão, Ivy mergulha completamente.

Não sabia que precisava de um banho e que se sentia tão suja até o momento em que saiu da banheira e se secou completamente. Se sentiu melhor, e um pouco mais determinada. Esticando as mãos, ela encontrou um vestido azul celeste ao lado do biombo. Ivy se se vestiu rapidamente e em seguida, saiu do banheiro só para bufar de frustração.

- Você estava aqui o tempo todo? - Ela bufou, indignada ao se dar conta que ele estava no quarto ao lado enquanto ela se banhava.

- Então é assim que você agradece pela hospitalidade? - ele perguntou, a voz grave e controlada. - Recusando-se a cooperar, causando problemas para minha equipe?

Lucian se referiu a confusão causada por Ivy anteriormente e ela quase soltou uma gargalhada em sua cara ao notar que ele realmente falava sério.

- Hospitalidade? Você chama isso de hospitalidade? Me arrancar da minha vida, me prender aqui e agora exigir que eu... que eu... me enfeite para você? - Ivy respondeu, dando um passo à frente, o olhar desafiador. - Eu não sou uma de suas lobas obedientes, Lucian.

Ele deu um meio sorriso, mas havia algo perigoso nele.

- Você está certa. Você não é como elas. Você é minha companheira. E, como tal, há certas expectativas.

- Companheira? Eu não sou nada para você! - Ivy gritou, o som ecoando pelo quarto.

Lucian suspirou, aproximando-se. Ela recuou instintivamente, mas sua raiva a impediu de fugir completamente.

- Ivy, é simples. Você já tomou banho e agora precisa se alimentar. E eu não quero ter que usar força.

- Força? Você acha que pode me intimidar? - Ela ergueu o queixo, a fúria cintilando em seus olhos.

Lucian não respondeu. Em vez disso, em um movimento rápido, ele a pegou no colo. Ivy lutou, chutando e batendo em seu peito, mas ele parecia inabalável. Sem uma palavra, ele a levou até a sala de jantar da alcateia, ignorando seus protestos e os olhares dos outros lobos presentes no corredor.

- Se você não fizer isso por vontade própria, eu farei você obedecer - disse ele, inclinando-se para encarar seus olhos furiosos. - Você pode odiar o quanto quiser, mas isso não muda nada.

Lucian colocou Ivy sentada na mesa de jantar, o seu vestido ainda colava um pouco em corpo devido as pequenas gotas de água que ainda escorriam dos seus cabelos cor de fogo. Seus punhos estavam cerrados, mas as lágrimas que ameaçavam cair eram de frustração, não de derrota.

- Você pode me jogar aqui também, mas nunca vou me submeter a você, Lucian. Nunca.

Ele a encarou por um longo momento, a proximidade entre eles, o cheiro amadeirado e desconcertante fez a cabeça de Ivy girar. E por mais que lutasse com todas as suas forças, Ivy acabou por respirar fundo, sentindo ainda mais profundamente aquele aroma perturbador.

- Vamos ver, Ivy. Vamos ver. Mas agora, faça o que é preciso. Você vai precisar de forças para o que está por vir.

A respiração de Ivy se tornou irregular enquanto as ondas de fúria e desespero a dominavam. Ela sentia que a guerra entre eles havia apenas começado.

- O que diabos está por vir? - Ivy rebate sentindo seu coração ricochetear em seu peito. - Amanhã eu serei executada. Você esqueceu?

Ivy bateu em seu peito, tentando o afastar, mas era inútil.

Quando seus olhos cruzaram novamente com os de Lucian, algo se conectou, algo que ia além do ódio, da vingança e da dor. Era um fio invisível que os unia, forte como aço, impossível de ignorar. Ivy sentiu uma onda de emoções conflitantes: raiva, negação, mas também uma sensação profunda de pertencimento que ela não compreendia.

E então veio a dor. Não física, mas emocional, como se o peso de tudo que os separava tivesse se materializado dentro dela. Aquele macho, que havia destruído tudo que ela conhecia, agora era a única pessoa no mundo que seu lobo reconhecia como companheiro. Como poderia a deusa da lua tê-la castigado mais uma vez a entregando ao homem que destruiu toda sua vida matando toda sua família?

Ivy respirou fundo, mas o cheiro dele só intensificava o turbilhão dentro dela.

- Você também sente, não sente? - A voz de Lucian cortou o silêncio, baixa, quase rouca, como se ele estivesse lutando contra as mesmas forças que ela.

Ivy piscou, tentando conter as lágrimas de frustração e confusão que ameaçavam cair. Ela queria gritar, queria negar, mas a conexão que pulsava entre eles era tão real quanto as correntes que prenderam seus pulsos por tanto tempo.

- Não deveria ser assim - ela murmurou, quase inaudível, sua voz carregada de angústia. - Não com você.

Lucian a encarou, os olhos dele queimando com a mesma intensidade que ela sentia. Ele deu um passo à frente, a proximidade fazendo o ar entre eles parecer eletrizado.

- O destino não pergunta o que deveria ser - ele respondeu, a voz carregada de uma emoção que ela não conseguia decifrar.

Naquele momento, Ivy sabia que nada seria como antes. O laço que os unia era inquebrável, uma força primitiva que os amarrava um ao outro, mesmo contra sua vontade. E, no fundo, ela temia o que isso significava.

- Sendo assim, você irá me obedecer e vai se alimentar do jeito que estou ordenando. - Lucian rosna, muito próximo do seu rosto e em seguida, desaparece, indo em direção a cozinha.

No mesmo instante em que Lucian sai daquela sala, Ivy ouviu passos pesados se aproximando, e seu corpo se enrijeceu. Uma mulher alta, de cabelos escuros e olhos faiscantes, parou à sua frente. Ivy reconheceu o desprezo antes mesmo que a mulher dissesse uma palavra.

- Você não deveria estar aqui - disse a loba, sua voz baixa, mas carregada de rancor. - Filha de traidores... Vocês destruíram famílias inteiras. Vocês mataram os meus!

Ivy sentiu a acusação como uma lâmina. Não era a primeira vez que ouvia algo assim, mas desta vez havia algo diferente: uma ameaça latente.

- Eu não fiz nada a você - respondeu, tentando manter a voz firme e sair daquela mesa, mas a sua postura era vacilante e entregava o seu medo.

- Não fez? - a mulher deu um passo à frente, e Ivy instintivamente recuou. - Vocês trouxeram destruição, e agora ousa viver aqui, sob o mesmo teto que nós?

Mas antes que Ivy pudesse responder, a loba avançou, suas unhas se alongando em garras afiadas.

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