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Destino( AMORES)

Destino( AMORES)

Autor:: Brenda Kellen
Gênero: Romance
Emir, um homem desiludido pelo amor devido a experiências dolorosas, decide dedicar-se exclusivamente à sua carreira após ser abandonado e traído por sua ex-namorada. Sua perspectiva muda drasticamente ao conhecer Ayla, uma jovem estudante de jornalismo com uma personalidade audaciosa. Inicialmente opostos, o encontro dos dois é pouco amigável, mas à medida que se aproximam, surge uma atração irresistível, levando-os a se apaixonarem. Enfrentando desaprovações de amigos e familiares, além da diferença de idade, Emir e Ayla decidem explorar um relacionamento juntos. Confrontados com desafios, eles aprendem a superar barreiras e a confiar um no outro. Ao longo da jornada, Emir confronta seus próprios traumas e inseguranças, vencendo o medo de ser ferido novamente e abrindo seu coração para o amor. Ayla também cresce pessoalmente ao enfrentar obstáculos ao lado de Emir. À medida que a história se desenrola, o casal descobre que o verdadeiro amor é capaz de superar qualquer adversidade.

Capítulo 1 1

- Ayla, acorde, ou você vai se atrasar para a faculdade!

Ayla se espreguiçou e esfregou os olhos antes de finalmente se sentar na cama. Com um bocejo sonoro, ela olhou para sua mãe com um sorriso sonolento.

- Tudo bem, mãe, estou me levantando. Só mais cinco minutinhos, por favor.

Eda balançou a cabeça, rindo.

- Cinco minutos é tudo que eu te dou, jovem senhorita. Mas não se atrase para o primeiro dia de aula. Você sabe como é importante começar com o pé direito.

Ayla concordou com um aceno de cabeça e se levantou da cama. Ela se dirigiu ao banheiro, ainda sonolenta, para se arrumar rapidamente. Enquanto escovava os dentes, Ayla pensava nas expectativas que tinha para seu primeiro dia na faculdade de jornalismo. Ela estava animada para aprender mais sobre a profissão que sempre a fascinou.

***

Emir Divit, 36 anos, publicitário e dono de uma das melhores agências de talentos e propaganda da Turquia, enfrenta um passado recente de desilusões amorosas. Três meses atrás, na noite em que planejava pedir sua namorada, Sevda, em casamento, Emir foi surpreendido pela notícia de que ela estava partindo para a Itália e o deixava para trás por seu rival.

Naquela manhã, Emir acordou tarde, exausto após passar quase toda a noite trabalhando em uma nova campanha para sua agência. Cercado por lembranças dolorosas de Sevda, ele decide seguir em frente e focar no sucesso profissional.

***

- Ayla, preste atenção no primeiro dia de aula, cuidado ao andar na rua com fones de ouvido, pois mesmo em uma caminhada curta até a faculdade, o trânsito pode ser perigoso nesta hora do dia.

Furkan, o pai da jovem, repreendeu a esposa.

- Querida, pare de tratar Ayla como uma criança. Ela é adulta e sabe bem o certo e o errado.

- Filha, aqui está o dinheiro para o lanche da semana e se precisar de algo, você me avisa.

Ahmet, tomando café em silêncio, reclamou com o pai enquanto entregava o lanche, enquanto a irmã ganhava dinheiro.

- Olha a minha idade em comparação à dela, garoto.

- Pai, mãe, me desejem sorte e que eu me saia bem no primeiro dia de aula. Tchau, seu chatinho, você também se cuide na escola e veja se não arruma confusão.

A jovem se despediu da família e partiu para a faculdade, aproveitando o trajeto para exercitar-se.

***

Emir conversava com sua irmã, Bahar, durante o caótico trânsito matinal. Ela, envolvida em mais uma crise no casamento, desabafava com o irmão mais velho sobre a falta de compreensão do marido quanto a seus objetivos profissionais.

- Bahar, minha querida, podemos conversar quando eu chegar no trabalho? Estou dirigindo, o trânsito está caótico, e você chorando desse jeito, não consigo entender nada.

- Irmão, eu juro que tentei, mas Aras não entende que eu quero me firmar na carreira e não penso em ter filhos agora.

Emir, o irmão mais velho, comprometeu-se a visitá-la naquela noite e encerrou a ligação. Parado em um sinal, Emir virou a esquina apenas para ser surpreendido pelo impacto de algo contra seu carro.

- Que não seja nenhum motoqueiro. - Emir parou o carro, desceu apressado e se surpreendeu ao encontrar uma adolescente caída no chão, gemendo de dor por conta do choque.

- Menina, você não presta atenção por onde anda? - Emir repreendeu a jovem que permanecia caída com um machucado no joelho.

- O senhor é que não presta atenção para onde está dirigindo. É cego ou o quê? Eu estava dobrando a esquina, seu carro se aproximou de mim e acabou me atropelando.

Emir não acreditava no que ela falava, convencido de que a preferência era dele e que a garota estava errada. Ela tentou levantar, Emir a ajudou, e quando a garota mexeu no cabelo, ele viu os fones de ouvido. Ciente de que ela não prestou atenção no trânsito, Emir argumentou.

- Se não estivesse com esses fones, teria prestado atenção e não teria entrado ao mesmo tempo que eu.

Ayla, indignada, estava certa de que ele tinha a preferência, mas agora precisava lidar com a pulseira quebrada e não queria enfrentar a repreensão dos pais. Surgiu, então, uma ideia.

- Olha só, você me deixa na faculdade, conserta a minha pulseira da sorte, e eu não conto nada para os meus pais nem chamo a polícia de trânsito para você.

Emir, surpreso, ponderou por um momento.

- Garota, eu...

- Tudo bem, se não aceitar, vou ligar agora mesmo para o meu pai, que é advogado. Ele virá até aqui resolver essa situação.

Emir, antevendo uma segunda-feira infernal, concordou.

- Tudo bem, garota. Eu te deixo na faculdade e mando consertar a sua pulseira, e você esquece o que aconteceu aqui.

O publicitário ajudou a garota a entrar no carro, ela entregou-lhe a pulseira, e ambos seguiram em direção à faculdade, iniciando uma jornada improvável.

Capítulo 2 2

Ayla entrou apressada na sala e a professora da primeira aula do dia estava fazendo a chamada. A jovem pediu licença e foi se sentar numa das mesas do fundo já que as primeiras fileiras estavam todas ocupadas. Tirou o celular da bolsa e olhou as mensagens no grupo do Whats 'Melhores amigas para sempre ❤️'

-Aylaaaaa, cadê você, garota?

-Hey, tá dormindo ainda? Olha que horas são!

-Ayla, querida, onde você está? Elçin e eu já vamos entrar e você não chega.

Ayla riu das mensagens das amigas Elçin e Samia.

As três garotas cresceram juntas e estudaram juntas desde o jardim de infância e decidiram entrar na mesma faculdade. Enquanto Ayla escolheu jornalismo, Elçin escolheu Moda e Samia decidiu por Nutrição.

Foi difícil encontrar uma faculdade, onde os três cursos que eram totalmente diferentes um do outro existissem, mas com muito sufoco, as mães das jovens acabaram por escolher a İstanbul Üniversitesi.

- Meninas, aconteceu um imprevisto, eu conto na hora do intervalo.

Guardou o celular na bolsa e respondeu a chamada quando a professora falou seu nome. Era o primeiro dia dos quatro anos da jovem e ela iria se esforçar, se formar e se tornar uma profissional de sucesso.

**

Emir estacionou na joalheria que a sua assistente passou o endereço, ficava próximo do escritório e ele estava atrasado. Olhou a hora no relógio e passava das 8h30.

Com certeza Kerem, seu sócio e um dos melhores amigos, estava preocupado com o seu atraso, mesmo avisando a Aisha que um problema havia surgido.

-Bom dia, senhor! – Emir cumprimentou o homem que arrumava uma joia, sentado em um cubículo repleto de peças de relógios.

-Bom dia, no que posso ajudar o senhor?

-Estou com uma pulseira com o fecho quebrado, pelo que percebi que ela é de um modelo antigo. Será possível soldar agora?

Emir tirou a pulseira do bolso e entregou para o homem, que analisou a peça com cuidado.

-Olha, eu não tenho como fazer esse serviço nesse momento, porque estou com esse par de aliança agora de manhã. Mesmo sendo uma pulseira de modelo simples eu preciso de um tempo para soldar a peça. Se o senhor quiser deixar aqui e passar para buscar depois das 14:00.

14:00? Mas a garota precisava da pulseira antes e Emir não pretendia rever aquela criatura sem educação novamente.

-Não tem como o senhor arrumar antes das 13:00? Pago o triplo do serviço, se possível.

- Senhor, não é pelo dinheiro é que não posso passar o serviço na frente. Se quiser é esse o horário que posso entregar.

Emir pensou por alguns minutos, ele estava bastante atrasado, precisava organizar seu próximo projeto e aquela garota atrapalhou todo o seu dia. Ou ele deixava ali na joalheria perto do trabalho ou teria que se deslocar para outro lugar e isso levaria tempo e para Emir tempo era dinheiro.

-Tudo bem, senhor. Pode ficar com a pulseira, eu deixo aqui, assino o que for preciso e passo para buscar depois das 14:00.

Emir e o ourives acertaram o pagamento e ainda bem que era uma pulseira barata e não uma cravejada de diamantes. Já pensou ter que desembolsar uma grana por conta de uma chantagista universitária?

Emir iria até a faculdade da garota, a levaria até a joalheira e devolveria a pulseira. E ele esperava nunca mais reencontrá-la em sua vida.

Se despediu do homem e seguiu para o trabalho.

No caminho, seu celular tocou e só atendeu à ligação porque era a mãe ligando.

-Mamãe, não posso falar agora, estou dirigindo e já sei o assunto. Eu vou conversar com sua filha à noite.

-Filho, sua irmã me ligou desesperada. Ela acha que Aras irá abandoná-la e seu pai já está ao meu lado reclamando. Ele insistiu para que Bahar não se casasse e olhe no que deu.

Pelo jeito todos os problemas do mundo tiraram o dia para aparecer e não eram 9 horas da manhã e Emir já queria que o dia acabasse.

-Mamãe, eu falo com a senhora depois. Eu realmente preciso desligar e estou dirigindo. Não quero ser multado ou bater em alguém novamente.

Desligou o celular antes que a mãe respondesse algo. Entrou na garagem do prédio e estacionou na vaga reservada. Saiu do carro, trancou e entrou no elevador e em menos de três minutos já entrava na agência.

-Emir, até que enfim! Kerem está estressado no escritório dele porque o projeto que a E&K iria assumir foi para outra agência.

-Outra agência? Mas como? Eu nem fiz esboço, nem nada.

Emir entrou no escritório do amigo, que estava ao celular com alguém.

-Aisha, pode voltar para sua sala. Eu vou conversar com ele. Melhor, não vai para a sua sala não, me traz um café bem forte porque estou precisando.

-Tudo bem! - A secretária saiu e assim que Emir se sentou na poltrona, o amigo desligou o telefone e Emir notou o nervosismo dele.

-O que aconteceu? -Emir perguntou ao amigo que tentava manter a calma.

-Não precisa se preocupar com nenhum projeto! Eles me enviaram um e-mail pela manhã avisando que outra agência assumiu.

-Mas como? Eu nem tive a chance de começar a trabalhar nele.

Emir pensava que a secretária se referia a outro projeto pequeno e não o projeto que ele tinha tentando fazer e não conseguia porque sua mente estava na ex-namorada.

-Por qual motivo eles cancelaram? Tínhamos acertado tudo e eu nem comecei a pensar na ideia da campanha.

-Eles não me contaram, simplesmente avisaram que como o contrato não havia sido assinado, uma outra agência entregou o projeto que eles desejavam e pronto. Agora você tem noção do que isso vai causar na agência? Perdemos dois grandes projetos em menos de um ano.

Emir sabia o que o amigo queria dizer, o primeiro projeto foi embora junto com Sevda e ele desconfiava que tinha dedo daquele inútil do Onur.

-Me fala a verdade, foi a agência que aquele babaca está trabalhando? Sevda! Eu tenho certeza de que ela passou todas as minhas ideias e como ele foi mais rápido do que eu, acabei sendo feito de trouxa duas vezes.

Kerem não tinha intenção de contar para o amigo a agência escolhida, mas não adiantava esconder nada de Emir.

-Eu não ia te falar nada, mas foi à agência do Onur. Sabe Deus como lá da Itália, ele conseguiu passar na nossa frente, provavelmente, Sevda deve ter dado a ideia do que você pretendia fazer.

Aisha entrou no escritório e viu os chefes desolados com o que estava acontecendo. Ela trabalhava para ambos desde a faculdade, foi estagiária deles e acabou conseguindo a vaga de secretária/assistente. Tinha Emir e Kerem como patrões e amigos.

-Não fique assim, tenho certeza de que tudo vai se resolver e Emir vai conseguir novas ideias em breve.

Emir pegou a xícara de café e bebeu um gole. Seu dia que começou ruim, acabou piorando ao ouvir aquela notícia e culpava a chantagista universitária. Ela foi quem trouxe o azar para o seu dia.

**

Ayla e as amigas lanchavam sentadas na cantina da faculdade. As três amigas contaram sobre como foi o primeiro dia de aula e Samia notou que a amiga não parava de olhar o relógio.

- Ayla, você está preocupada com algo? Mandou mensagem no grupo falando de um imprevisto, contamos como foi nosso primeiro tempo de aula e você tá aí olhando esse relógio. Tá acontecendo algo e você não quer dizer? – Samia, que das três amigas sempre foi a mais discreta e a mais velha, notou que a amiga escondia algo e não queria contar.

-Ela aprontou algo, tenho certeza! Conta logo, Ayla, o que você fez para chegar atrasada? - Elçin foi interrogar a amiga que estava com o pensamento no homem que a atropelou e curiosa para saber se ele teria coragem de ir até a faculdade deixar sua pulseira.

-Não aconteceu nada, eu apenas tive um probleminha logo de manhã. Um sem noção quase me atropela, minha pulseira da sorte foi para o conserto e agora vou ter que ficar aqui esperando.

Samia e Elçin se assustaram com o que ela disse.

-Mas você não tem nenhum arranhão nem nada. Como assim um sem noção? Explica isso direito. - Samia questionou e Ayla explicou como havia acontecido o acidente e que por sorte a pulseira foi a única machucada no meio de toda a confusão.

-E foi isso, minhas queridas amigas do coração. Tudo bem, eu estava errada, mas ele também não prestou atenção e acabou encostando o carro em mim que me desequilibrei e acabei caindo no chão.

- Ayla, você é louca mesmo, garota, já pensou se algo pior te acontece? E você é mais louca ainda de entrar no carro de um estranho.

-O carro dele era luxuoso e pela roupa que usava e o relógio no pulso, te garanto que pobre, não era.

-Mesmo assim, você brinca com o perigo - Elçin chamou a atenção.

-Se eu soubesse do sermão não tinha contado.

O sinal tocou e o intervalo havia acabado e cada uma voltaria para sua sala.

-Eu vou ficar esperando você até esse homem chegar com sua pulseira. Depois sigo com você para sua casa.

-Concordo com a Samia.

-Tudo bem, minhas queridas melhores amigas. Vamos ou vou acabar chegando tarde, até depois do intervalo.

As três seguiram cada uma para sua sala e Ayla desejava apenas que a aula acabasse e ela pudesse reencontrar Emir.

Capítulo 3 3

Emir e Kerem, depois de calmos, decidiram o que o publicitário faria dali para frente. Sua ex sabia tudo sobre ele, o que pensava e o que faria em várias situações.

-Cara, me desculpa o que vou te falar, mas Sevda, além de apaixonada, vai entregar de bandeja tudo que sabe sobre você? O que você fez de tão errado assim para que a mulher que "morria" por você, agora virasse namorada do homem que te odeia e inveja desde sempre?

Emir se sentia um completo fracasso. Mesmo com Aisha tentando animar o chefe, ele se sentiu um inútil pela primeira vez em seus 36 anos de vida.

-Se eu que dormi com ela por cinco anos até agora não sei o que fiz, como vou te responder algo que estou tentando entender?

Emir viu a hora no relógio e faltava 15 minutos para às 13:00. Ele precisava buscar a chantagista universitária antes que ela chamasse a polícia e quando ele chegasse na faculdade, o pai dela estaria lá esperando.

-Preciso ir agora, tenho que buscar alguém ainda e com a confusão, eu não te contei. Eu bati o carro, quer dizer, alguém bateu na minha porta e, enfim, eu te conto depois que voltar do almoço. Devo chegar depois das 15:00 hoje e você volta pra agência ou vai se encontrar com Zeynep?

- Vou almoçar por aqui mesmo. Na verdade, eu pensei que você também ficaria.

-Vontade não falta, mas eu preciso buscar a garota que eu acabei quase atropelando e como te falei, eu conto depois o que aconteceu.

Emir se despediu do amigo, antes passou na sala de Aisha e avisou que qualquer coisa estava no celular.

Desceu até o estacionamento e se apressaria para buscá-la e deixá-la na joalheira. Depois, iria até sua casa tomar um banho, quem sabe assim a dor de cabeça que estava começando a aparecer fosse embora.

Ele iria até a faculdade, buscaria a garota, explicaria sobre o conserto e depois iria embora. Entrou no carro e saiu com o pensamento de que tudo iria se resolver.

**

- Ayla, eu acho que esse homem te enganou e você vai perder sua pulseira da sorte e ainda vai levar bronca da sua mãe.

A jovem viu a hora e ele estava atrasado quinze minutos. Achou melhor inventar uma desculpa para a mãe, até resolver o que fazer com a pulseira. Seu pai entenderia, mas a sua mãe com certeza iria encher tanto seu saco que ela ouviria o sermão pelas próximas dez gerações.

- Eu vou ligar pra minha mãe, vocês duas fechem o bico e Samia, se mamãe perguntar, confirma que vou almoçar com você.

Ayla discou e a mãe atendeu e já foi perguntando por que a menina ainda não havia chegado em casa.

-Mãe, eu acabei de sair da aula e vou almoçar com Samia. Vamos comemorar nosso primeiro dia de aula e não se preocupe que não vou chegar tarde.

-Tudo bem, senhorita Ayla, mas espero você em casa antes das 15h. Seu irmão tem tarefa da escola e você precisa ajudar o Ahmet. Seu pai também não vem almoçar, apareceu um problema no escritório e ele vai ficar por lá para resolver. Cuidado e manda um abraço para Samia.

A jovem agradeceu em silêncio que a mãe havia acreditado e já estava nervosa por não saber o que fazer até que o carro de Emir estacionou em frente à faculdade.

-Estou salva! Meninas, a minha carona chegou. Não quero sermão e ligo para vocês quando chegar em casa. Samia, não fala nada pra mamãe, enquanto eu não te avisar.

A jovem entrou no carro sem esperar a resposta das amigas. Conhecendo as duas, Ayla sabia que elas iriam impedir a garota de entrar no carro.

**

Emir mal estacionou e a garota foi entrando no carro e como na primeira vez, colocou os pés em cima do banco.

-Pensei que você tinha fugido com a minha pulseira. - Antes que Emir pudesse falar algo a menina já foi se sentindo como se fosse a dona do carro e perguntando pela tal pulseira da sorte dela.

-Se puder tirar os pés daí eu te agradeço. E vamos buscar a sua joia agora. Na verdade, ela vai ficar pronta só depois das 14 horas, mas vou te deixar na joalheira e já está tudo pago. Eu não tenho mais nenhuma responsabilidade e você pode seguir seu caminho que eu vou seguir o meu.

Ayla quis falar algo, mas Emir ligou o som do carro e a jovem percebeu que ele não queria conversar com ela e achou melhor assim.

Além de grosso, era mal-humorado. Tirou os fones de ouvido da bolsa, colocou no Spotify e deu play na sua lista de reprodução favorita.

Emir dirigia com todo cuidado, depois da péssima manhã tinha até medo de ficar perto daquela garota e algo de ruim acontecer. Parou em frente à joalheria e a garota estava de olhos fechados, cantando baixinho uma música que não conseguia entender.

Desligou o veículo e Ayla abriu os olhos e notou que tinham chegado ao local onde o ranzinza levou sua pulseira. Se ele soubesse a importância que aquela joia barata tinha não agiria da forma que estava agindo.

A joalheria até que era organizada pelo menos do lado de fora.

-Ao menos trouxe minha pulseira num lugar decente. Agora vamos que preciso almoçar, espero que esteja pronta e assim vou logo para casa.

Ayla desceu primeiro e Emir seguiu atrás dela. Ao entrarem no lugar, a primeira coisa que Emir notou foi o homem trabalhando em outra joia ao invés da pulseira dela.

-Senhor, me perdoe pelo atraso, mas o par de alianças, demorou, mas do que eu pensei e como o senhor não deixou contato, eu não tinha como avisar.

- Isso só pode ser brincadeira! - Emir falou consigo mesmo e ao lado dele a chantagista universitária olhava com um sorriso debochado no rosto.

-Senhor, podemos esperar? Eu acredito que em dez minutos, o senhor conserta essa pulseira. Eu penso que é só colocar uma solda no fecho e pronto.

Ayla que se mantinha calada, respondeu primeiro que o ourives.

-Senhor, essa pulseira é especial para mim e tenho certeza de que em dez minutos o senhor não vai consertar ela. Então, eu e meu amigo aqui, vamos almoçar e voltamos daqui uma hora.

Ayla saiu primeiro e Emir não acreditava que além de pagar o conserto, ela iria querer até que bancasse o almoço dela.

-A moça tem razão, me perdoe, senhor. Mas em uma hora eu garanto que vai ficar pronta e eu entrego como nova para vocês. Vou até aproveitar para dar uma limpeza nos berloques que notei que são antigos e precisam apenas de um polimento.

Emir tentou entender o senhor, mesmo que não concordasse. A manhã já tinha sido um horror e agora teria que pagar o almoço para a chantagista.

Quando saiu, Ayla aguardava encostada na porta do carro.

-Então, o joalheiro disse que horas fica pronto?

-Daqui uma hora e vou te deixar no primeiro restaurante que eu encontrar. Tive uma manhã difícil e preciso ir para casa.

Ayla notou que aquele homem estava bem estressado e não era por causa dela. Resolveu deixar a gracinha de lado e perguntar se ele estava bem.

-Hey, se quiser posso te fazer companhia no almoço. Somos estranhos, mas eu li uma vez que estranhos podem ser os melhores ouvintes. Podemos almoçar juntos e você me conta os seus problemas e eu te falo como foi o meu primeiro dia na faculdade.

Pela primeira vez, desde que encontrou aquela garota, Emir sorriu. E foi um sorriso sincero.

-Tudo bem, vamos. Eu pago o seu almoço e podemos conversar um pouco.

Ayla entrou no carro e antes que Emir desse a partida a jovem respondeu que ela iria escolher o lugar.

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