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Destino: O Herdeiro Alfa

Destino: O Herdeiro Alfa

Autor:: Chris_HL
Gênero: Lobisomem
Primeiro livro da trilogia Destino: Eliza Singer é uma garota extraordinária que vive uma vida dupla: nos palcos, ela encanta como a famosa cantora Lisa; em segredo, é uma loba poderosa nascida entre humanos. Devido a uma convocação emergente dos clãs, ela é obrigada a se mudar para o vilarejo de Siram, lar de um pequeno clã de lobisomens, onde busca refúgio com sua avó, longe da pressão familiar dos implacáveis Singer. Pela primeira vez, vislumbra a chance de uma vida comum, almejando viver como uma simples estudante, mas isso não será tão fácil quanto ela espera. Rotulada como meio humana pelo clã devido à sua criação entre humanos, ela enfrenta o preconceito e a subestimação. No meio desses desafios, ela conhece seu companheiro predestinado, o herdeiro Alfa do clã, que a menospreza baseado em rumores sobre sua origem. Inconformada com a indiferença e a frieza dele, ela busca maneiras de contornar sua situação, desafiando as tradições e escolhendo por si mesma o seu próprio destino. Resta saber se o herdeiro reconhecerá a verdade a tempo, ou se Eliza triunfará sobre o destino, garantindo sua liberdade para amar quem desejar.

Capítulo 1 Eliza Singer

Cinza... essa era a cor que descreveria perfeitamente meu humor hoje. Da porta, me vi incapaz de dar mais do que dois passos, como se o centro da sala fosse capaz de transformar o meu cinza em preto.

- Oi, meu nome é Eliza Singer, tenho 16 anos e venho de Heington. É um prazer fazer parte de uma escola tão prestigiada quanto o colégio Siram. - Essa foi a minha apresentação formal diante de um monte de olhares desco-nhecidos de adolescentes com sangue de lobo.

Alguns me olhavam com tanta curiosidade que parecia que eu era uma peça rara de um museu, enquanto outros pareciam revirar os olhos com des-dém perante uma recém-chegada que nasceu e cresceu no meio de humanos comuns. No meio disso, uma garota ruiva sentada no fundo ignorou comple-tamente minha curta apresentação, compenetrada no que parecia ser o traba-lho de uma vida. Seus dedos se moviam silenciosa e graciosamente sobre um papel, e seus olhos brilhavam perante algo que poderia ser uma obra-prima, ou simplesmente rabiscos...

Na minha cabeça, tudo o que eu queria era sair daqui, voltar correndo para Heington e fingir que nada acontecera nas últimas semanas, mas era im-possível ignorar a grande convocação. Na melhor das hipóteses, eu seria presa e julgada como rebelde, mas sabia que não iria parar por aí.

A grande convocação foi uma decisão tomada durante a grande confe-rência dos clãs, realizada na cidade de Heington, localizada a leste de Siram. Heington é uma importante metrópole humana, central nas negociações e na distribuição de mercadorias entre os clãs. Devido à sua excelente localização e ao fato de não pertencer a nenhum dos clãs, ela era considerada o local neutro ideal para sediar as importantes conferências dos alfas, que ocorrem anualmen-te.

- Ei, novata! Pode se sentar aqui ao meu lado. - Um garoto de apa-rência atlética, cabelos pretos encaracolados e uniforme amassado apontou para a cadeira vizinha perto dele. Preferi uma cadeira mais atrás, enquanto passava pelo corredor, percebi uma piscadela convencida do garoto, achando que eu tinha dado bola.

Revirei os olhos, passei direto e me detive no assento vago em frente à ruiva distraída. Lançando um rápido olhar para o papel sobre o qual ela con-centrava sua atenção, percebi pequenos círculos pretos traçando um caminho sobre um conjunto de linhas. Eram notas musicais que compunham uma me-lodia estranhamente familiar.

Sentei-me calmamente, sorrindo, enquanto o professor de biologia dava prosseguimento à aula. Embora tivesse perdido alguns dias de aula no semestre por conta da mudança, não me sentia nem um pouco perdida com o conteúdo explicado.

- E assim vemos como a genética... - O som estridente do sinal tocou, fazendo com que os alunos se levantassem rapidamente e saíssem apressados da sala. Guardei calmamente o meu caderno de volta na mochila e percebi o pro-fessor resmungando algo para si mesmo.

- Eliza! - chamou-me assim que passei por ele. Olhei firmemente pa-ra os seus olhos castanho-claros, o que o fez desviar o olhar enquanto cutucava a sua barba branca.

- Precisa de algo? - perguntei, com monotonia na voz. Não queria prolongar a conversa, já que ainda precisava encontrar a sala da próxima aula, e chegar atrasada no primeiro dia não seria bem-visto.

- Sei que é tudo novo para você, talvez não esteja conseguindo acom-panhar as coisas...

- Estou bem! - interrompi-o antes que começasse com a conversa de fingir que entendia o que estava passando e que podia me ajudar. Já ouvi a mesma conversa dezenas de vezes essa semana e não precisava da pena de nin-guém. Vir para cá foi uma escolha minha e estava me adaptando como podia. - Professor, agradeço a preocupação, mas isso não é necessário.

Tentei soar o mais suave e direta possível. Encarei-o seriamente, espe-rando por sua liberação, e o ouvi suspirar enquanto me olhava de forma um pouco diferente.

- Eliza, conheço o seu histórico e já imagino o desempenho que terá por aqui. Não deixe que essas mudanças a impeçam de continuar brilhando. - Sorri para ele e assenti. O colégio Siram não é nada comparado à Genius School, colégio que eu frequentava até o semestre passado, mas não podia ex-por isso abertamente ou poderia perder minha vaga no único colégio deste vilarejo com ensino aceitável. - Annie, poderia mostrar para Eliza onde é a próxima sala?

Olhei para trás e percebi que a ruiva distraída ainda estava lá sentada, a única que ficou para trás.

- Annie! - O professor caminhou até ela e arrancou um fone sem fio do ouvido dela, o que finalmente a tirou do transe.

- Oi? O quê? A aula acabou? - questionou ela, completamente per-dida.

- Annie, poderia acompanhar a senhorita Eliza até a próxima aula? Acredito que vocês estejam na mesma turma.

- Eliza? - Esta talvez tenha sido a primeira vez que ela olhou para mim desde que tirou os olhos do seu caderno de música. Me perguntava como era possível alguém se perder tão completamente dessa forma.

- Olá, prazer! - disse, acenando para ela. Um olhar de compreensão pôde ser visto imediatamente em seu rosto e suas bochechas com sardas fica-ram avermelhadas. Ela enfiou as coisas de qualquer jeito na bolsa e caminhou em minha direção, mantendo o olhar baixo ao longo do caminho. Resolvi quebrar o silêncio primeiro.

- Annie, certo? - Ela assentiu de leve, mas manteve o olhar para bai-xo. Paramos no corredor de frente para a porta da próxima sala. - Percebi que você estava escrevendo uma partitura. Posso dar uma olhada?

- Bem, sim... Não! É que ainda não está pronta - tentou se explicar enquanto apertava as laterais da sua saia de forma tímida.

- Sou compositora também. Talvez eu possa ajudar. - Ela olhou dire-tamente para mim, talvez para avaliar a veracidade das minhas palavras.

Percebendo que eu falava sério, ela abriu a mochila e me entregou seu precioso trabalho. Peguei uma caneta e rapidamente comecei a corrigir as notas fora de tom e ritmo, bem como completar a última linha que faltava. Imagi-nando o "estrago" que eu estava fazendo, ela arregalou os olhos, paralisada, esticando os braços trêmulos na tentativa de recuperar seu caderno.

- O que você está fazendo? Me devolve!

- Pronto! - Não me dei ao trabalho de explicar. Simplesmente devol-vi a composição e entrei na sala, deixando-a para trás, desconcertada.

"Disse que ia manter o perfil baixo, mas já começou a se mostrar", murmurou minha loba dentro de mim.

"Não pude evitar. A falta de atenção dela já estava me irritando. Consi-dere meu único ato de boa vontade", retruquei de volta para a minha loba.

Minha loba, Lisa, estava certa. Meu objetivo era tentar passar desperce-bida e terminar esse ano sendo invisível. Para isso, assumi um visual mais nerd, com roupas folgadas, óculos grandes e mantive meus longos cabelos negros presos em um coque. Se eu não conseguisse passar invisível por esse quase um ano e meio que me faltava para terminar o ensino médio, então acabaria en-trando em apuros.

- Viu? Eu consigo - sussurrei para mim mesma após o toque do sinal que punha fim ao meu primeiro dia de aula.

Capítulo 2 A banda

Levantei-me poucos minutos após o toque do despertador. Vesti meu uniforme folgado e sem graça, todo cinza, com uma lua cheia estampada na camisa e o nome do colégio escrito dentro da lua em letras góticas. Coloquei meus grandes óculos, fiz um coque desajeitado e saí do meu quarto para a re-feição matinal novamente sem passar maquiagem ou quaisquer outros cosmé-ticos. Isso era um adiantamento e tanto...

- Bom dia, vó! - cumprimentei minha avó, Nilza, enquanto ela colo-cava pãezinhos recém-assados sobre a mesa. O aroma era simplesmente irresis-tível, fazendo-me salivar. Peguei um deles e comecei a mordiscar.

- Bom dia, querida! - Ela sorriu de forma terna e sentou-se ao meu lado.

Lembro-me do dia em que minha mãe ligou para minha avó pergun-tando se eu poderia ficar com ela. Sem questionar os motivos pelos quais eu decidira vir para cá em vez de ficar com meus pais, ela me acolheu prontamen-te. Ligava para mim quase todos os dias para perguntar quando eu viria.

- Que desleixo! Assim não vai arranjar nenhum namorado! - Minha tia Angelina reclamou comigo, aproximando-se com um pote de geleia artesa-nal de frutas vermelhas. Ela olhava para mim com o mesmo olhar de reprova-ção do primeiro dia. Era estranho para alguém que optou pelo celibato ficar pensando em namoradinhos para a sobrinha.

- É bem esse o objetivo, achei que você fosse me compreender.

- Eliza... - Ela suspirou fundo antes de começar outro sermão. Eu já estava farta deles ultimamente. - Eu não estou solteira por vontade própria, simplesmente não encontrei meu companheiro ainda.

"Talvez nunca encontre...", pensei comigo mesma. Permaneci em silên-cio, esperando o que viria a seguir, mas ela não disse mais nada.

- Bem, talvez eu também não encontre o meu - comentei enquanto me levantava da mesa. Eu realmente esperava não ter que me preocupar com esse tipo de coisa por um bom tempo. Dei um beijo na bochecha da minha avó e peguei minha mochila.

Como o colégio não ficava tão longe da casa da minha avó, eu fazia o percurso de ida e volta a pé. Era um ótimo aquecimento para iniciar o dia. Durante o trajeto, fiquei pensando nesse negócio de companheiro predestinado por um tempo e sobre como isso poderia ser inconveniente para alguém como eu.

"Talvez você seja como o seu pai e possa escolher!", disse-me Lisa, ten-tando acalentar meus pensamentos.

- Assim espero... - suspirei, olhando para a porta da sala de aula.

Fui uma das primeiras a entrar, coloquei meus fones e selecionei uma música no aplicativo no meu celular para ouvir enquanto esperava a aula co-meçar. Embora o sinal de celular fosse forte, a internet na cidade era horrível. A música travava a cada poucos segundos e acabei guardando meu fone frus-trada.

- Se quiser ouvir música aqui, você tem que baixar sua playlist com antecedência. - Uma voz feminina suave soou ao meu lado. Olhei para An-nie, surpresa por termos mais essa aula juntas. Desde que mexi na partitura dela ontem, ela não tornara a falar comigo.

- É, eu percebi - respondi de forma monótona, à medida que desvia-va meu olhar e me agachava sobre a mesa.

- Obrigada por ontem! - sussurrou em um tom envergonhado. Endi-reitei as costas e olhei para ela com mais atenção.

- Não precisa agradecer. Só tenta prestar mais atenção nas aulas agora. - Ela assentiu e sentou-se timidamente atrás de mim. Ela me acompanhou nas próximas aulas e percebi que nosso cronograma poderia ser exatamente igual.

- Já cogitou se inscrever para o clube de música? - ela me perguntou assim que o sinal do intervalo de almoço tocou.

- Não! - respondi, sucintamente, enquanto me dirigia para o refeitó-rio da escola. Clubes de música costumavam ter muitos integrantes, o que me deixaria desconfortável. Irritantemente, Annie não entendia minhas cortadas e começou a me seguir.

"Parece que já conseguiu uma amiga. E essa história de tentar passar despercebida?", minha loba implicou comigo. Rangi os dentes enquanto me servia e depois me sentei à mesa mais isolada, no canto mais afastado do refeitó-rio.

"Viu? Hahahaha", disse-me quando percebeu que Annie se sentou de frente para mim e ainda gesticulou para outra pessoa que viesse se sentar co-nosco. Quase me engasguei quando percebi que não era só uma, mas um grupo inteiro vindo em direção à minha mesa.

O primeiro rapaz do grupo é alto, com cabelos e olhos castanhos e pele de tom médio-claro. Ele se sentou à mesa, passou as mãos nos cabelos de Annie com carinho e disse:

- Oi, minha linda!

- Olá! - respondeu Annie com as bochechas rosadas e o olhar apai-xonado. - Liam, essa é a Eliza, a garota que me ajudou com a partitura.

- Oi, Eliza. Sou Liam, o namorado da Annie - respondeu ele com um sorriso simpático enquanto envolvia um dos braços nos ombros de sua namorada. Fiquei enjoada com a cena melosa...

A seguir, ele apontou para o lado, indicando outros três rapazes que o acompanhavam. Os dois primeiros sentaram-se ao lado dele enquanto me cumprimentavam.

- Estes são Jonathan, Maxsuel e Nicolas.

Acenei educadamente com a cabeça para eles, sem dizer uma palavra. Como não havia espaço suficiente no banco para se sentar com seus amigos, Nicolas, um rapaz mais alto, magro, de pele escura, cabelo preto curto leve-mente encaracolado e olhos castanhos, sentou-se ao meu lado, respondendo ao meu silêncio com o seu próprio silêncio.

- Não liga para o Nicolas, ele não está num bom dia. Eliza, você parece entender bem de música. O que acha de ajudar a banda? - disse-me Liam em um tom um pouco mais sério.

- Não entendo tão bem assim - respondi com poucas palavras, fo-cando-me em terminar minha comida para sair o mais rápido possível dali. - Além disso, já me matriculei no clube de arco e flecha.

- Olha que coincidência, Nicolas. Parece que a novata está no mesmo clube que você - Jonathan disse em tom de deboche. - Qual é, Liam? Perda de tempo!

- Ela pode nos ajudar com as partituras - intercedeu Annie, como se quisesse ajudar a convencê-los de que era uma boa ideia eu ser incluído no grupo deles.

- Por que vocês não pegam as partituras na internet? - questionei, enquanto me levantava e deixava a mesa.

- A internet por aqui não colabora em nossas pesquisas. Se fosse fácil fazer isso, não estaríamos pedindo a ajuda de alguém como você. Não seja arrogante! - A voz de Nicolas era grave e potente, fazendo-me olhar para trás. Inesperadamente, percebi que as pessoas ao redor do refeitório começaram a me encarar com desdém. Meu inferno neste lugar estava prestes a começar.

Capítulo 3 Alvejada

Alguém como eu? Essas palavras martelaram na minha cabeça pelo resto da semana. O que ele queria dizer com aquilo? O pior é que eu ainda não sabia que tinha mexido com um dos grupos de garotos mais populares da escola. Quão popular a banda era para fazer com que as pessoas começassem a prestar atenção em mim? E isso de forma negativa...

Nas aulas, bolinhas de papel voavam na minha direção volta e meia nos dias que se seguiram. Precisei faltar ao meu primeiro encontro no clube de arco e flecha quando percebi que algumas fãs da banda estavam aglomeradas na entrada do local.

Na semana seguinte, as coisas melhoraram. Pelo menos trocaram as brincadeiras bobas por trotes mais bem elaborados. A poucos passos da sala, senti um cheiro característico de tinta no ar, graças ao olfato aguçado de Lisa.

"Como se brincadeiras tão infantis fossem fazer efeito em você!" - disse minha loba, rindo por dentro.

Esbocei um sorriso fraco ao notar o balde de tinta por cima da porta entreaberta. Olhei de relance um grupo no corredor conversando disfarçadamente como se não tivessem nada a ver e imaginei que dentro da sala estaria um grupo maior, provavelmente para rir e registrar a cena.

Aguardei alguns instantes fora da sala, recostada na parede e ouvindo música. Se o objetivo era se vingar pela banda, então eu faria a própria banda detê-los. Notei o olhar impaciente de uma garota do grupo externo, mas ignorei-a completamente. Assim que notei Annie se aproximando, coloquei-me na frente para uma conversa franca. Precisava acabar com essa perseguição o quanto antes!

- Bom dia! - disse-lhe com um tom gentil.

- Bom dia! - respondeu, surpresa e um pouco tímida.

- Estive pensando melhor e decidi colaborar com a banda. Acho que será divertido!

- Sério? - ela respondeu, esboçando um sorriso fofo.

- Claro! Vamos entrar na sala para conversar mais sobre isso. O que acha? - Apontei para a frente, e ela tomou a dianteira com um olhar radiante. Assim que estava prestes a abrir a porta, a garota que me encarava antes tentou puxá-la desesperadamente. Não é para menos, afinal, o que seria da imagem delas perante a banda se a brincadeira atingisse a namorada do líder?

- Te peguei! - Interceptei o braço dela, afastando Annie da porta, e joguei a malandra por cima dos meus ombros contra a porta. Ela caiu de costas no chão, levando uma chuva de tinta sobre si, enquanto algumas garotas lá dentro riam e registravam o momento.

- Vish, pegamos a pessoa errada! - exclamou uma garota magra, de estatura média, com cabelos loiros lisos e longos, e olhos castanho-claros.

- Parece que o feitiço se virou contra o feiticeiro - falei enquanto passava por cima da garota no chão e puxava Annie comigo.

- O que foi isso? - Annie resmungou enquanto a garota no chão se levantava e saía correndo, chorando. - Isso era pra mim?

- Que pergunta ingênua. - Ignorando os olhares aborrecidos à minha volta, fiz Annie se sentar e ficar de frente para mim. - Como se alguém tivesse coragem de mexer com você.

Em circunstâncias normais, ela teria uma personalidade que a tornaria um alvo fácil de bullying, mas considerando quem supostamente se afirmou ser seu companheiro predestinado, ela passaria ilesa até o final do período colegial.

- Precisei te colocar na frente como um escudo porque eu sabia que as fãs malucas da banda do Liam não ousariam mexer com você, mas não pretendia deixar que a tinta caísse sobre você. Seria minha sentença de morte.

- Acho que você está exagerando - ela soou um pouco confusa.

- Eu? Exagerando? - Quase quis perguntar se ela era cega, mas deixei passar quando percebi uma pontada de tristeza nos olhos dela.

- Então a história de ajudar a banda...

- Posso fazer isso, desde que garantam que essas doidas vão parar de me perseguir - falei com sinceridade.

- Que ótimo! - Ela exclamou entusiasmada.

- Shhhh! - Pedi silêncio assim que vi o professor entrando. Depois de escorregar levemente na tinta, ele começou a resmungar e reclamar com a turma. Ninguém ousou dizer uma palavra sobre o que aconteceu. - Conversaremos mais sobre isso no intervalo.

Ela assentiu para mim sorridente e, para o meu desespero, voltou a andar colada comigo. Era clara a intenção que tinha de ser minha amiga e, desta vez, não fiz nada para afastá-la.

- Pessoal, a Eliza resolveu se juntar a nós! - Ela anunciou alegremente, me puxando para a mesa onde a banda estava reunida.

- Correção! Resolvi ajudá-los para que seus fãs malucos parem de me perseguir - falei seriamente. Annie se sentou e eu me sentei ao lado dela, esperando por uma resposta, positiva ou não.

- E você acha que dá conta do serviço? - questionou-me Liam com uma expressão séria no rosto.

- A pergunta certa é se ela precisa de proteção - desta vez foi Maxsuel quem questionou, parecendo querer segurar o riso. - Soube que mandou Morgan pelos ares hoje.

- Aquela garota esnobe teve o que merecia - comentou Jonathan.

- Desde que não coloque Annie em risco novamente, vou deixar isso passar - comentou Liam. Agora estava claro o motivo de sua cara mal-humorada. - Até porque minha Annie parece gostar muito de você.

- Em primeiro lugar - respondi firmemente -, ela nunca esteve em risco. Eu não permitiria que algo lhe acontecesse e, em segundo lugar, desde que a tarefa se limite a escrever partituras, eu dou conta.

- Certo! - Ele estendeu uma lista para mim com cerca de meia dúzia de músicas. - Entendo que possa demorar um pouco, mas quanto antes você puder fazer isso, melhor.

Mesmo que involuntariamente, franzi a testa enquanto lia o nome das músicas, todas da mesma cantora. Senti minha loba rindo por dentro, o que me deixou completamente desconfortável.

- Pela cara parece que não dá conta. Não conhece as músicas? - provocou-me Maxsuel.

- Vocês realmente pretendem tocar e cantar isso? - questionei-os.

- Por quê? - Desta vez foi Nicolas quem se pronunciou. Suas palavras soaram grosseiras e impacientes. - Não estamos falando de qualquer cantora. Essa é a Lisa, e caso não saiba, a carreira dela explodiu em apenas dois anos desde seu lançamento no mercado e, atualmente, ela é uma das cantoras mais ouvidas entre o grupo jovem. Todos na escola amam suas músicas. Se estamos pedindo isso para alguém como você é porque as músicas de Lisa são muito recentes e difíceis de achar nos sites de busca. Não temos muitas opções no momento.

Uma pessoa como eu? De novo com essa ladainha? Lancei um olhar furioso para Nicolas, que foi abrandado pelas palavras mansas de Annie.

- Me desculpe por não ser tão boa nisso, pessoal. Eliza, por favor, tenho certeza de que você consegue! Eu vi o que você pode fazer. - Encarei os olhos suplicantes de Annie, suspirei fundo e assenti.

- Ok! Annie, me empresta o seu caderno de partituras. - Não foi uma pergunta, e sim uma ordem.

Estiquei minha mão para Annie, e ela tirou da mochila um caderno de capa rosa cheio de desenhos de flores e passou para mim. Saquei uma caneta do bolso da calça e comecei a escrever as notas.

- Deixa isso para depois, vai demorar... - Jonathan interrompeu o que estava dizendo ao perceber a destreza e rapidez com que eu escrevia as melodias. Fui repassando as músicas em minha cabeça enquanto concluía a tarefa. Todos do grupo permaneceram em silêncio até que a última nota foi colocada, exatamente quando o sinal tocou. Ao devolver o caderno, percebi seus olhares atordoados e incrédulos sobre mim, mas não me importei. Só queria me livrar dessa tarefa o quanto antes. Enquanto me levantava, deixei uma última mensagem.

- Se não precisam de mais nada, minha tarefa está concluída. - Virei-me especificamente para Nicolas antes de dar minha palavra final. - Esteja satisfeito de alguém como eu fazer algo que alguém como você não é capaz. Se fossem bons de verdade, não precisariam de partituras para tocar.

Sinalizei para o ouvido, a poderosa arma de um músico dotado, e segui em silêncio para a próxima aula. Desta vez, ele não ousou me responder.

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