O conversível branco cortava a estrada em alta velocidade, a pressa em não ser pega enquanto claramente cometia um crime. A mulher de cabelos negros, tão obscuros quanto a maldade que havia dentro do seu coração, sem remorso algum dirigia aquele carro em direção a um inimigo, sentia que ao levar para o homem algo precioso como a menina de onze que também estava dentro do carro se veria completamente livre de um problema. Mesmo que não existisse problema algum.
Fez tudo exatamente calculado para que seu marido não descobrisse seus planos, e executou com perfeita maestria ao retirar a menina da casa sem que fosse percebida. Odiava olhar a menina de olhos azuis como o céu em um dia límpido, e dos cabelos dourados como o mais puro ouro. Odiava como a menina lembrava a primeira esposa do marido, e mais ainda, odiava saber que o homem, ao olhar para a filha, só conseguia se recordar da ex mulher, o verdadeiro amor de sua vida.
A mulher acreditava fielmente que sem a menina dos olhos do marido, lhe sobraria mais tempo para si, e para a criança que já estava sendo gerada em seu ventre. Ela sabia qual poderia ser o destino da criança no carro, mas não se importava, no fundo até gostava de saber que a menina sofreria. Achava que era justo por todo incômodo que sentia.
Estacionou o carro na entrada da mansão, Don Dominic, um homem cruel, chefe da família Venturi, inimigo de longa data de Otto Campbell. Um soldado revistou o carro e a guiou para dentro da casa, local em que o homem já esperava, sentado em sua cadeira de revestida de de couro, com dois seguranças altos, segurando metralhadoras.
A pequena Alicia segurou firme nas mãos da madrasta, com medo, queria chorar porque estava assustada, seu pequeno coração batia acelerado, queria ir embora dali, queria sua casa, a tia Dada, que era na verdade a governanta da casa, mas a pessoa que mais lhe dava amor depois de seu pai, e mais que tudo e todos, queria seu pai, pois sabia que com ele teria a proteção que precisava.
- Que prazer lhe receber em minha casa, Cassandra - O homem falou com soberba e um sorriso arrogante no rosto - Seu marido sabe que você pisa em solo inimigo?
Dominic é um homem muito bonito, no auge dos seus trinta e cinco anos, a barba bem feita moldando o rosto, cabelo bem cortado, a pele possuindo um tom bronzeado natural, os olhos escuros, assim como o tom do cabelo. Uma demonstração de como o diabo pode ser bonito.
- Dominic, já conversamos, temos um acordo e eu trouxe a minha parte - Cassandra respondeu segura, não se importava de estar onde estava, era fria o suficiente para não sentir nem medo - A pirralha é toda sua.
Empurrou a menina ao chão, sentindo-se aliviada de se livrar da criança, ainda sorriu ao ouvir o resmungar de dor da garota, achava que todo sofrimento era pouco para ela. A culpava por algo que definitivamente não era sua culpa. Era só uma criança que recebia amor do pai, era só uma criança que tinha perdido a mãe muito cedo. Era só uma criança e estava sendo usada como moeda de troca.
- Você é uma vadia má, é maravilhoso saber que o Otto dorme com uma cobra feito você, meu inimigo dorme com uma mulher que é pior do eu - Ele riu debochado e se levantou, indo até a mulher, que permaneceu parada. Alicia ainda estava no chão, queria se levantar e voltar para perto da Cassandra, mas estava com medo da mulher, mas estava com ainda mais medo das outras pessoas naquela sala de escritório.
- Eu sou o amor da vida dele, estou fazendo dois favores a ele - Cassandra respondeu com prepotência e sorriu - Sou a solução para todos os problemas dele.
- Ah Cassandra, você é uma vagabunda, entregando a filha do cara assim - Riu e se aproximou da mulher tocando-lhe de forma ousada, e não deixando ela se afastar - Mas sabe, eu não quero mais só a menina, se quiser sair daqui com vida, vai ter que foder comigo em cima daquela mesa enquanto meus homens assistem.
- O quê? Você enlouqueceu? - Cassandra perguntou, abalada, pela primeira vez desde o momento que saiu de casa - Não foi isso que nós acordamos, eu trazia a garota, você transferia o dinheiro e eu ia embora. É só isso e acabou.
- Não, vadia, não é assim que funciona, eu estava ali na minha cadeira te olhando e vi quanto você é uma puta gostosa, e o quanto seria gostoso foder com a mulher do Campbell, ele sempre se sentiu tão superior, mas vai ser tão gostoso saber que eu mandei a vagabunda da mulher dele de volta para casa com a buceta cheia de porra - O homem falou enfiando a mão dentro da blusa da mulher - Achou o que? Que viria aqui e agiria como uma mulher poderosa e de valor? Você é muito burra.
- Eu me recuso a fazer isso - Ela disse se afastando bruscamente, enquanto os seguranças olhavam sem expressão, Alícia estava em completo pânico, não sabia o que pensar de outro homem tocando a mulher do seu pai, não sabia o que fazer mesmo que dos seus olhos escorressem lágrimas sem qualquer controle.
- Se você sair por aquela porta sem fazer o que eu quero, você morre - Dominic falou sorrindo, sabia que a mulher não iria arriscar - Agora você vai tirar a roupa e chupar meu pau.
- Eu quero ir para casa, eu quero meu pai - Alicia falou, pela primeira vez.
- Você agora mora aqui - Dominic respondeu, se abaixando.
- Eu não quero morar aqui, eu quero meu pai - Alicia pediu, os olhos vermelhos enquanto fungava um pouco, não queria mais ficar ali vendo e ouvindo aquilo, só queria o abraço quente e confortável do seu pai.
- Mas você não vai a lugar algum - Dominic falou com um sorriso maldoso - Levem ela para a Margo, diga que depois eu vou lá dizer o que ela terá de fazer.
- Sim senhor - um dos soldados respondeu.
Caminhou até eles, pegando a menina no colo, que gritou desesperada, implorando para Cassandra a levar embora dali, a mulher apenas virou o rosto, mesmo que morresse ali, Otto também não teria mais a preciosa filha, a lembrança viva da ex. Alicia sentia tanto medo que não conseguia mais se conter, gritava, tentava escapar do homem que levava embora daquela sala, tão pequena e já sentia que nunca mais veria o pai novamente.
- E você... - Dominic falou quando a criança foi completamente retirada da sala de reuniões - Espero que já esteja sem roupa.
- Estou tirando - Cassandra respondeu ao se dar por vencida.
Dominic sentou em uma poltrona que havia no canto da sala e ficou observando a mulher tirar cada peça de roupa, sorriu de canto, talvez um dia fosse necessário mostrar o vídeo que era feito pelas câmeras que haviam pela sala colocadas especialmente para esse momento que foi pensado e calculado. Além de estar completamente satisfeito em foder a mulher de seu inimigo.
Margo, era governanta da casa dos Venturi a cerca de trinta anos, já conhecia a crueldade que a família agia. Não estranhou quando a menina foi jogada no chão da cozinha, tal qual como um bicho sendo escorraçado. Ajudou a menininha que chorava implorando para voltar para a casa a se acalmar, não sabia quais seriam as decisões do chefe, mas tinha certeza que não seriam boas.
Serviu um pouco de bolo e colocou em frente a menina, que estava sentada à mesa com os olhos inchados e avermelhados, perdidos, olhando para lugar algum. Sua mente estava confusa e já entendia que tinha sido levada por sua madrasta e que a mulher traia seu pai. E o que mais doía e lhe fazia querer chorar ainda mais, sabia que talvez não veria mais Otto. Apesar de só ter onze anos, ter um pai mafioso que lhe explicava muito dos perigos do mundo lhe dava uma noção maior de certas coisas do que crianças nessa idade talvez não notassem. Às vezes, ela só queria ser uma criança comum em que o pai tem uma profissão comum.
- Come o bolo, está muito gostoso, eu que fiz - Margo ofereceu com a voz suave, e suspirou ao ver a menina negar com um aceno - o que acha de me dizer seu nome então, eu te digo o meu e você me diz o seu, que tal? - Dessa vez, após alguns segundos em que Alicia pensava sobre o que fazer, resolveu ceder um pouquinho e acenou que sim. - Muito bom, meu nome é Margo e eu tenho cinquenta e quatro, e você?
- Eu... Eu sou a Alicia - A pequena garota disse devagar e a Margo a incentivava a continuar com acenos e sorrisos - Alicia Campbell, e tenho onze anos. E eu quero ir para casa, por favor.
- Infelizmente eu não posso te levar para lá, a única coisa que eu posso te garantir é que enquanto você estiver aqui, eu vou cuidar de você, o que você acha? - Margo perguntou ainda usando a voz o mais suave possível, não queria assustar a garota novamente.
- Meu papai vai procurar por mim, ele vai me achar, eu tenho certeza - Alicia falou convicta, queria se apegar a algo para acreditar.
- Pode acreditar nisso, se quiser - A senhora respondeu com um sorriso gentil. No fundo, até achava bom que a menina se apegasse a algo. Ela mesma não tinha o que fazer, apenas esperar que seu chefe aparecesse e lhe contasse quais eram seus planos para a menina.
Deixou a menina sentada e voltou aos seus afazeres, a noite se aproximava e precisava já preparar o jantar do chefe, e agora, precisava preparar algo para a menina também. Ficou com um olho na cozinha e outro na garotinha que parecia, e estava, completamente desolada ali, vez e outra deixava uma lágrima teimosa escapar, só queria ir para casa. Nada mais.
Quando Dominic entrou na cozinha, carregando um sorriso no rosto e um olhar de satisfação, Alicia se escondeu na cadeira, encolhendo o máximo que podia, queria ficar invisível ao olhar daquele homem, mesmo que o tivesse visto tão pouco, ele lhe causava arrepios, e isso com certeza era ruim.
Margo suspirou baixo ao ver o chefe caminhando em direção a menina, que estava tão encolhida que parecia apenas uma pequena bolinha de gente, e se abaixando até ficar a uma altura que possibilitava olhar a menina de perto. Sorriu como se olhasse para um prêmio valioso, era isso que Alicia representava para ele.
Em sua mente cruel se passava todos os piores tipos de pensamento que um homem pode ter sobre uma criança tão vulnerável e tão... acessível, como Alicia estava para si. Pensava em qual seria a melhor forma de fazer com que ter a menina sob seu poder seria uma afronta para Otto, afinal, considerava o Campbell responsável por suas maiores perdas, e queria que ele pagasse por isso.
Tocou o cabelo da menina, que escondia o rosto entre as pernas que abraçava com força, os dedos pequenos marcando as canelas expostas, já que usava um short. Dominic sorriu ao chegar a uma conclusão. Educaria Alicia para ser sua esposa. Cresceria tendo tutores que lhe ensinassem sobre a educação, a manteria pura para si, como uma bonequinha em que ele controla tudo.
- Pode chorar e se esconder o quanto quiser - Acariciou o cabelo da menina, sorrindo enquanto a ouvia fungar baixo - Agora você é minha, e nunca mais vai voltar para casa, nunca mais vai ver seu pai. Mas pode ficar tranquila, eu vou cuidar muito bem de você.
- Eu não quero ficar aqui, não gosto de você, eu quero meu pai - Alicia respondeu sem levantar o rosto, mas teve o cabelo puxado, obrigando-a a olhar para o homem que sorria inabalado.
- Não me importo com o que você quer, aprenda que eu sou a autoridade aqui - riu ficando de pé, não sentia necessidade nenhuma de dialogar com a criança que estava cada vez mais apavorada - Cansei de você por enquanto, crianças são insuportáveis.
O homem estralou o pescoço e tirou o celular do bolso se afastando da Alicia, mas parando no meio da cozinha para olhar para a governanta que trabalhava atenta ao que acontecia ali. Margo não era uma senhora fofa e cheia de amor no coração, já tinha visto todo tipo de crime hediondo, já havia lavado o chão sujo de sangue sem se abalar, mas criança ainda era um ponto delicado para si, não tinha nada a ver com a maldade dos adultos, só que não tinha forças para enfrentar o chefe, porque sabia que qualquer que fosse a resposta errada, poderia sofrer consequências dolorosas.
- Margo, eu quero que encontre alguém que fique responsável por cuidar da criança, encontre professores, ela é proibida de ter um celular, acesso a internet, pegue o cartão e compre roupas e o que mais for necessário - O homem mandou, enquanto a senhora ouvia atenta, pois sabia muito bem que não seria repetido - Ela vai morar aqui mesmo, escolha um quarto longe do meu e a coloque lá, sob minha supervisão.
- Sim senhor.
- Mas não quero ela muito no meu caminho ou me incomodando, avise quem for ficar de babá, se atente a arrumar alguém competente o suficiente para que eu não tenha que gastar bala - Dominic ameaçou.
- Irei providenciar, senhor - A senhora respondeu submissa, olhando para baixo, não encarando o chefe.
O homem olhou mais uma vez para Alicia e sorriu, em seguida se retirando dali para continuar o trabalho. Dominic herdou os negócios da família quando seu pai foi morto em um confronto contra a família dos Campbell, mas essa não tinha sido a perda que mais lhe fez odiar Otto, o rancor veio de antes. Quando ainda eram dois adolescentes e disputavam o amor de uma mulher.
...
Alicia ainda era nova demais para entender o que realmente começaria a viver dali para frente, mas mesmo em sua mente infantil já tinha uma consciência do que estava acontecendo, e se agarrava as lembranças, faria delas um mantra diário para não esquecer de onde veio e para onde deveria voltar. Tinha certeza absoluta que nunca deixaria de tentar voltar para casa, e que seu pai sempre a procuraria.
Não comeu nada no primeiro dia na casa, mas se continuasse com a greve de fome, morreria sem a chance de fugir dali. Margo se preocupou em colocá-la confortavelmente em um quarto e aos poucos o decorar da maneira que mais agradasse a criança, e no fim pediu ao chefe que ela mesma ficasse com a responsabilidade da menina.
- Alicia, eu sei que você não gosta de estar aqui, e eu entendo sua raiva, mas reagir dessa maneira só vai fazer com que tudo seja ainda pior para você - Margo falava com calma, sentadas na cama do quarto da Alicia, após a garota ter jogado água no Dominic no meio de um jantar e levado um tapa no rosto como repreensão - É apenas seu segundo dia aqui, e ninguém consegue fugir dele, vai viver aqui até morrer.
Alicia não respondeu, não queria falar nada sobre isso. Na verdade, preferia não ter que falar nunca mais se tivesse que continuar ali. Levantou da cama e passou para a varanda. Mesmo que achasse a Margo simpática, não gostava dela porque ela a mantinha ali, como todos os outros. Odiaria cada um que prendesse naquele lugar.
E mesmo ainda sendo uma criança, Alicia, olhando a vista pela varanda de seu quarto, prometeu a si mesma que faria de tudo para sobreviver e fugir dali.
E faria dessa a promessa mais importante.
Dez anos vivendo no inferno.
Essa era a frase que Alicia usava para descrever sua vida dentro da casa do Dominic, e ele era a própria encarnação da pior versão existente de Lúcifer. Odiava a casa cada vez mais, odiava o homem que a mantinha ali cada vez mais. Aprendeu a não odiar Margo, já que depois de um tempo, entendeu que a senhora estava ali não por escolha própria, mas era um sobrevivente das maldades cometidas pelos Venturi.
Alicia nem por uma só vez deixou de pensar no pai, e sentia raiva da madrasta que tinha destruído completamente a sua vida, e sequer sabia o porquê ela havia feito isso. Era por ciúmes do pai? Não entendia o porquê, já que eram relações tão distintas. Mas se tinha uma coisa que a Alicia já conhecia com perfeição, era a maldade humana.
Não acreditava ter as mãos limpas, já que em suas tentativas de fuga provocou algumas mortes, não diretamente, mas também não tão indiretamente assim, mas para si, a pior das vezes foi quando Dominic a obrigou a assistir o soldado ser torturado por horas e horas. O evento lhe trouxe noites e noites sem sono, mas quando rendida ao cansaço, pesadelos que a faziam acordar gritando, como se quem estivesse na cadeira de tortura fosse ela mesma.
Se lembrava de todas as suas atitudes que tinham levado a esse resultado.
Ao passar em frente ao escritório do Dominic, enquanto ele conversava com o Marcus, homem esse que desempenhava a função de conselheiro, escutou ele falando sobre como queria que Alicia se mantivesse completamente pura até o casamento, porque o prazer de fodê-la a noite toda pela primeira vez seria dele, e só dele.
Não conseguiria explicar tudo o que sentiu, a raiva, o nojo, estremecia completamente enjoada e enojada só de imaginar Dominic tocando sua pele, se não tivesse como evitar isso, ao menos evitaria que ele fosse o primeiro, faria um plano e seduziria um dos homens que estavam sempre pela casa, não deveria ser difícil, Alicia acreditava, era só fazer como nos livros em que lia para passar o tempo, já que não podia sair das dependências da mansão.
Ainda tinha dezesseis anos nessa época, e muita revolta em seu coração, calculou com calma seu plano. Não pensou nas consequências dos seus atos, só iria agir de maneira irresponsável. O que teria a perder? Já vivia seu próprio inferno, mesmo que não tivesse cometido nenhum pecado que merecesse tal castigo.
Dominic exigia que Alicia mantivesse seu corpo em forma, a alimentação era controlada, as roupas eram quase todas vistoriadas. Quase todas.
Alicia vestiu um top e um short de malha curto, que deixava o corpo exposto, e caminhou em direção a academia da mansão, onde encontraria o soldado que era seu personal a um ano, entrou no local que aconteceria o treino indo em direção ao homem que já a esperava com uma expressão fechado no rosto.
- Bom dia - Alicia cumprimentou com uma gentileza que não era comum, afinal, não gostava muito dos treinos.
- Bom dia, vamos começar com os alongamentos e depois vai para a esteira - Ele respondeu sem dar a mínima atenção para a garota.
Alicia assentiu e respirou fundo, iria começar seu plano imediatamente. Se alongou ficando bem a vista do soldado, até o achava bonito, por isso havia escolhido-o para seu plano. Pediu ajuda algumas vezes durante o alongamento com a intenção de conseguir algum contato físico e até mesmo encontrar formas de deixar sua bunda contra o pau dele.
- Não sei o que está tentando fazer, mas para - O soldado falou afastando a garota de si. - Eu não vou arrumar problemas por sua causa.
- Eu não estou fazendo nada de mais - Alicia sorriu se aproximando dele - A não quer você queira que eu esteja fazendo algo, aí eu realmente estou - O tom provocativo arrepiou a pele do personal.
Alicia sequer sabia de onde estava vindo toda essa coragem realmente. Não tinha a menor experiência, não tinha nada além do visto em livros e filmes, mas tinha determinação para fazer, pois não queria que a primeira pessoa a tocá-la fosse Dominic.
- Eu não quero, vai para a esteira - Ele mandou, mas ela se manteve no mesmo lugar.
- Você quer sim, por isso sugeriu em voz alta - Alicia rebateu, e sorriu enquanto deslizava os dedos sobre o top, em um ponto entre os seios - ninguém precisa saber.
- Eu não vou morrer por causa de sexo, mesmo que seja com uma gostosinha como você - Ele falou firme e apontou para a esteira - Quinze minutos de esteira e chega desse assunto.
- Você não vai morrer e pensa bem, você não ia gostar de ser o primeiro a me tocar? E que mesmo que ninguém soubesse, ter pegado a futura mulher do chefe, você ainda teria uma satisfação pessoal - Ela falou sugestiva e se virou caminhando em direção a esteira.
- Você tem o rosto de um anjo, mas com certeza a personalidade de um demônio.
Alicia virou o rosto para o olhar depois do que ouviu e apenas sorriu dando de ombros. Já tinha plantado a semente que queria e tudo ocorreu exatamente como o planejado. E continuou com joguinhos e provocações por dias, em algum momento conseguiria atingir seu objetivo.
Até o dia em que Alicia ao final do treino decidiu usar o banheiro da academia, mas quando estava quase saindo, foi empurrada para dentro novamente pelo personal, que não parecia nenhum pouco em si. Ele virou o corpo da garota, colocando seu rosto contra a parede, e segurando em seu quadril fazendo com que ela ficasse com a bunda empinada para si.
- Queria tanto que eu te comesse, vou satisfazer seu desejo - o soldado falou enquanto uma mão deslizava pela barriga da garota e a outra começava a invadir seu short.
- É exatamente o que eu quero - Alicia respondeu, mas não havia muita emoção em sua voz.
Era o que ela queria, mas ao mesmo tempo, não. Ter sua primeira vez em um banheiro, de maneira tão agressiva, com alguém que não tinha o menor apresso, escolhido por ser bonito e um alvo fácil, definitivamente não era o que sonhava, mas era o que tinha escolhido. Percebeu que sequer havia sido beijada, mas sentia os dedos frios do soldado tocando-lhe a pele, e os lábios dele contra seu ombro.
Mas o momento seguinte foi um completo caos, o banheiro, felizmente espaçoso, foi invadido por dois homens do Dominic, que puxaram o personal para longe da garota com extrema violência, em seguida um terceiro apareceu, segurando no braço da garota, não dando tempo para ela processar o que estava acontecendo. Apenas a arrastaram dali, levando os dois para o meio da academia, onde Dominic estava parado, ao lado de Marcus, com um olhar de puro ódio e raiva.
- O quão burro tem que ser para achar que vai tocar na perola do chefe e ficar bem? - Marcus questionou.
- Ela quis, ela me seduziu, é tudo culpa dela - O homem tentou se defender. Alicia revirou os olhos, mas não disse uma palavra.
- Então você já está querendo sexo? Eu posso resolver isso, meu bem - Dominic falou ao se aproximar da menina, apertando o queixo da garota entre os dedos, marcando a pele clara - Se quer escolher ser uma puta, eu resolvo esse problema para você, não se preocupe.
- Eu odeio você - Foi tudo que a Alicia disse, e foi o suficiente para motivar Dominic a acertá-la com um tapa em seu rosto, marcando todos os dedos na face da garota.
- Pode odiar, isso não muda nada - Dominic respondeu com um sorriso maligno - Levem os dois para a sala de tortura.
- O que pretende fazer? - Marcus perguntou. Ignorando os gritos do personal que implorava por perdão enquanto era levado a força.
- Eu vou ensinar uma lição para essa vadiazinha que ela nunca vai esquecer - Dominic respondeu com raiva - Mas não vou machucá-la, porque não quero que a pele dela fique desfigurada.
- Divirta-se, eu preciso voltar para a cidade - Marcus deu de ombros - Só não esquece que você tem uma reunião hoje.
- O evento dos Spinelli? - Marcus acenou - Otto estará lá.
- Sem confusão, não queremos problemas nesse evento.
- Só vai ser divertido - Dominic sorriu, iria encontrar um jeito de provocar Otto, irritá-lo, ainda ficava mais satisfeito de estar indo torturar Alicia nesse momento.
Quando chegou ao local, o personal estava amarrado, pendurado de uma forma que deixava todo o seu corpo exposto, enquanto Alicia estava presa a uma cadeira. Dominic sorriu observando a cena. Parou em frente a garota, limpando uma das lágrimas silenciosas que escorriam por sua face.
- Espero que aproveite o show - Dominic falou friamente.
E por horas, em um show de horrores, Alicia foi obrigada a ver e ouvir o soldado sendo torturado, os gritos de agonia entravam em sua mente, lhe ensurdeciam, assim como a imagem do personal completamente ferido, desconfigurado, parecia uma cena de filme de terro. Mas era tudo real.
- Melo - Dominic chamou um soldado que rapidamente respondeu - Leve-a para Margo, a mande vestir uma roupa bonita nessa putinha e a leve para a boate, mas aquela particular, não deixe que ninguém toque nela, entendeu? - O soldado acenou - Mas eu quero que ela veja o que vai ser o futuro dela se decidir tentar me trair novamente.
Alicia foi levada, sequer tentava lutar contra, não tinha forças para isso. E depois que a arrumaram da forma como queriam que ela estivesse, Melo a levou para a boate, obrigando-a a ver tudo. Cada abuso e violência que acontecia no lugar, onde as mulheres traficadas eram obrigadas a viver e se vender para que pudessem ficar vivas.
Para Alicia era o segundo pior dia da sua vida, até então, o primeiro foi quando chegou na casa do Dominic.