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Destino traçado ao mafioso

Destino traçado ao mafioso

Autor:: Serena 26
Gênero: Romance
As famílias mafiosas Cosa Nostra e Camorra firmaram um pacto inquebrável: para selar sua aliança, o primogênito da família Genovese deverá se casar com a filha mais velha da família Camorra assim que ela completar 18 anos. O aniversário de Paola Camorra está chegando, e com ele, a obrigação de se unir a Enrico Genovese, o temido e calculista herdeiro do império Genovese. No entanto, Paola é teimosa, sonhadora e rebelde - casar-se não faz parte dos seus planos. Ela deseja estudar, viajar, conhecer o mundo, e não ser aprisionada a uma vida submissa. Enrico, por sua vez, não deseja o casamento, mas sabe que é seu dever: dar continuidade ao legado da família. Para isso, ele quer uma esposa obediente, discreta e submissa - tudo o que Paola se recusa a ser. Para ele, mulheres devem obedecer sem questionar; para ela, o casamento arranjado é uma sentença de morte para sua liberdade. Agora, presos a uma união forçada e a expectativas familiares sufocantes, Enrico e Paola terão que enfrentar não apenas a máfia, mas também seus próprios preconceitos, desejos e a difícil batalha entre tradição e liberdade.

Capítulo 1 Prólogo

O quarto estava em meia-luz, as cortinas fechadas abafavam o calor da tarde, mas não conseguiam conter a tensão que pairava no ar. Paola andava de um lado para o outro, os pés descalços mal faziam barulho contra o piso de madeira, mas seus passos eram frenéticos, desesperados.

- Eu não posso fazer isso, Viola! - Paola sussurrou, como se as paredes pudessem ouvir. Seus olhos brilhavam de lágrimas contidas. - Faltam só duas semanas... duas semanas para eu ser entregue a um homem que eu nem conheço!

Sentada na beirada da cama, abraçava um travesseiro contra o peito. A irmã mais nova era seu único consolo naquela casa que mais parecia uma prisão.

- Talvez ele não seja tão ruim assim - arriscou Viola a voz fraca.

Paola soltou uma risada amarga, passando as mãos pelos cabelos.

- Não seja tão ruim? - repetiu, incrédula. - Você já ouviu as histórias, Viola! Dizem que ele é frio como gelo, que o coração dele é feito de pedra... Que ele é impiedoso até com a própria família!

Ela parou diante da janela, puxando a cortina de leve para espiar o jardim vazio, como se pudesse encontrar uma saída escondida lá fora.

- Eu não posso viver ao lado de alguém assim - sua voz quebrou. - Não posso ser apenas uma sombra na vida de Enrico Genovese. Eu quero estudar, viajar, ser livre... Não ser acorrentada a um casamento sem amor, sem escolha!

Viola se levantou e abraçou Paola por trás, apertando-a como se pudesse protegê-la de tudo.

- Nós vamos encontrar um jeito, Paola - prometeu, embora nem ela mesma acreditasse. - Você não está sozinha.

Por um momento, Paola fechou os olhos e deixou-se ficar ali, no único lugar que ainda parecia seguro: nos braços da irmã.

Mas no fundo, sabia que o tempo estava contra ela - e que a liberdade que tanto desejava estava cada vez mais distante.

O quarto estava em meia-luz, as cortinas fechadas abafavam o calor da tarde, mas não conseguiam conter a tensão que pairava no ar. Paola andava de um lado para o outro, os pés descalços mal faziam barulho contra o piso de madeira, mas seus passos eram frenéticos, desesperados.

- Eu não posso fazer isso,Viola ! - Paola sussurrou, como se as paredes pudessem ouvir. Seus olhos brilhavam de lágrimas contidas. - Faltam só duas semanas... duas semanas para eu ser entregue a um homem que eu nem conheço!

Paola, sentada na beirada da cama, abraçava um travesseiro contra o peito. A irmã mais nova era seu único consolo naquela casa que mais parecia uma prisão.

- Talvez ele não seja tão ruim assim - arriscou Viola, a voz fraca.

Paola soltou uma risada amarga, passando as mãos pelos cabelos.

- Não seja tão ruim? - repetiu, incrédula. - Você já ouviu as histórias, Viola ! Dizem que ele é frio como gelo, que o coração dele é feito de pedra... Que ele é impiedoso até com a própria família!

Ela parou diante da janela, puxando a cortina de leve para espiar o jardim vazio, como se pudesse encontrar uma saída escondida lá fora.

- Eu não posso viver ao lado de alguém assim - sua voz quebrou. - Não posso ser apenas uma sombra na vida de Enrico Genovese. Eu quero estudar, viajar, ser livre... Não ser acorrentada a um casamento sem amor, sem escolha!

Viola se levantou e abraçou Paola por trás, apertando-a como se pudesse protegê-la de tudo.

- Nós vamos encontrar um jeito, Paola - prometeu, embora nem ela mesma acreditasse. - Você não está sozinha.

Por um momento, Paola fechou os olhos e deixou-se ficar ali, no único lugar que ainda parecia seguro: nos braços da irmã.

Mas no fundo, sabia que o tempo estava contra ela - e que a liberdade que tanto desejava estava cada vez mais distante.

- Era para você se casar com aquele homem, Viola, e não eu! - Paola explodiu, a voz embargada pela raiva e pelo desespero. - Você é quem sonha com casamento, com filhos, com essa vida... esse nunca foi o meu sonho! Não é o meu desejo!

Ela gesticulava com as mãos, o coração batendo rápido. - Você seria a esposa perfeita! Obediente, delicada... Você bem que podia casar no meu lugar.

Viola, encostada na cabeceira da cama, sorriu tímida, os olhos brilhando com uma esperança impossível.

- Realmente é o meu sonho - admitiu ela, baixinho. - Eu nem sei como ficaria se ele quisesse se casar comigo... - suspirou, com um brilho sonhador no olhar. - Imagina só... eu, esposa do Enrico Genovese. Um homem tão poderoso... sem falar na beleza dele.

Paola bufou, cruzando os braços com força.

- Infelizmente, é você quem vai casar com ele, irmã - continuou Viola, com um certo pesar. - Você vai ter que aceitar isso. Vai ter que ser uma boa esposa... obediente e submissa.

Paola se virou de repente, os olhos faiscando.

- Eu nunca vou ser submissa! - afirmou, a voz firme como nunca. - Se ele quer se casar comigo, ele vai ter que me aceitar do jeito que eu sou. Ou então que tenha coragem de romper esse maldito acordo!

O silêncio que se seguiu foi pesado. Do lado de fora, o céu começava a escurecer, como se o mundo inteiro estivesse em luto pelos sonhos que Paola via se desfazer.

- E se você se casasse no meu lugar, irmã? - Paola disse de repente, a voz carregada de esperança desesperada. - E se eu fugisse? Eu posso... sei lá, ir para a Rússia! Sumir do mapa! Eu preciso encontrar uma saída, Viola!

Viola arregalou os olhos, chocada.

- Você tá maluca, Paola? - sussurrou, olhando para a porta, como se alguém pudesse ouvir. - Se você fizer isso, o papai te mata... e me mata também!

Paola se aproximou, segurando as mãos da irmã com força.

- Pense bem, Viola... Se eu fugir, de qualquer forma, você vai acabar casando com o Enrico. O papai jamais quebraria a palavra dele. Ele ia precisar de uma solução rápida para manter o pacto com a família Genovese... e você é a escolha óbvia.

Viola hesitou, seu rosto dividido entre o medo e um brilho de desejo mal contido. Mas, no fundo, ela sabia o tamanho do perigo.

- Para de pensar essas coisas, Paola - murmurou, soltando-se com delicadeza. - Vamos deitar. A mamãe falou que a mãe e a irmã do seu noivo vêm aqui amanhã... para acertar os detalhes do casamento.

Paola sentou-se na cama, olhando para o vazio, o peito apertado. Cada batida do relógio parecia levá-la para mais perto de um destino que ela não queria - e agora, nem mesmo Viola parecia disposta a ajudá-la a escapar.

No silêncio do quarto, as duas irmãs se deitaram, mas só Paola permaneceu acordada, com os olhos fixos no teto e a mente fervilhando em planos de fuga.

Capítulo 2 Ensaio de casamento - primeiro contato

O dia seguinte amanheceu abafado, como se até o ar estivesse pesado demais para respirar.

Paola mal dormira. Passou a noite inteira tramando planos de fuga que pareciam se desfazer assim que o sol ameaçava nascer.

Agora, sentada no sofá da sala principal, ela torcia as mãos no colo, o coração batendo descompassado.

Viola, ao seu lado, tentou oferecer um sorriso tranquilizador, mas o nervosismo era palpável.

A porta se abriu.

- Elas chegaram - anunciou o mordomo, com uma reverência tensa.

Paola se obrigou a se levantar. Sentiu o chão sob seus pés descalços como se fosse feito de espinhos.

A primeira a entrar foi uma mulher alta, de cabelos loiros impecavelmente presos e olhos duros como vidro quebrado. Vestia um conjunto de linho branco que exalava riqueza e frieza.

Atrás dela vinha uma jovem da mesma idade de Paola - ou talvez um pouco mais velha -, com o mesmo olhar altivo, embora escondesse um sorriso quase debochado nos lábios pintados de vermelho.

- Senhora Genovese, senhorita Genovese - cumprimentou seu pai, surgindo do fundo da sala, a voz carregada de respeito forçado. - Sejam bem-vindas.

Paola manteve a cabeça erguida, mesmo sentindo cada músculo de seu corpo implorar para fugir.

- Esta é minha filha, Paola - disse ele, empurrando-a para frente como uma peça de porcelana que fosse ser avaliada.

A senhora Genovese a olhou de cima a baixo, como quem examina um cavalo em um leilão.

- Hm - murmurou, sem esconder o julgamento. - É bonita o suficiente.

Paola mordeu a língua para não retrucar.

A jovem ao lado sorriu de lado.

- Ela tem fogo nos olhos - comentou, em tom de provocação. - O meu irmão vai gostar disso.

- Ou vai querer quebrá-la - respondeu a mãe, fria.

Viola apertou a mão de Paola discretamente, tentando segurá-la no lugar.

- Espero que você saiba qual é o seu papel, Paola - continuou a senhora Genovese, sem rodeios. - Meu filho é um homem muito ocupado. Ele não tolera escândalos, nem desobediência.

Paola ergueu o queixo, sentindo o sangue ferver nas veias.

- Talvez ele tenha que aprender a tolerar - disse, a voz baixa mas cortante.

O silêncio que se seguiu foi brutal.

O pai de Paola tossiu nervosamente, lançando-lhe um olhar de advertência, mas ela não recuou.

A senhora Genovese sorriu - um sorriso gélido e cruel.

- Você é valente. Isso pode ser... interessante. Ou desastroso.

Virou-se para a filha.

- Vamos, não temos tempo a perder. O vestido precisa ser ajustado, e os documentos do dote devem ser revisados.

Antes de sair, a jovem Genovese lançou a Paola um último olhar curioso - como se estivesse apostando quanto tempo aquela rebeldia duraria nas mãos do irmão.

Quando a porta se fechou atrás delas, Paola soltou o ar que nem sabia que estava prendendo.

Viola a abraçou.

- Você foi corajosa... - sussurrou.

Mas Paola não se sentia corajosa.

Se sentia presa.

Como um pássaro batendo desesperadamente contra as grades de uma gaiola.

E sabia, no fundo, que o pior ainda estava por vir.

O vestido de noiva já pendia de um cabide dourado no canto do quarto, como uma sentença.

Paola o olhava de longe, como se fosse um animal prestes a atacá-la.

Bateram à porta.

Antes que pudesse responder, seu pai entrou.

Trazia no rosto a expressão grave que Paola aprendera a temer desde pequena.

Ele fechou a porta atrás de si com um clique seco.

- Sente-se - ordenou, apontando para a poltrona.

Paola obedeceu, mas manteve a cabeça erguida, o olhar desafiador.

O pai caminhou lentamente até ela, as mãos cruzadas nas costas.

- Faltam poucos dias para o seu casamento - começou ele, a voz fria, controlada. - E você vai se comportar como uma Genovese. Não como essa garota rebelde e respondona que insiste em envergonhar nossa família.

Paola cerrou os punhos no colo.

- Eu não pedi por esse casamento - murmurou.

O pai inclinou-se para frente, o rosto tão próximo que Paola podia sentir o hálito dele.

- Não interessa o que você quer.

Interessa o que a família precisa.

E a nossa sobrevivência depende dessa aliança.

Ele se endireitou, ajeitando o paletó com um gesto calculado.

- Enrico Genovese é um homem poderoso. Um homem que pode fazer ou destruir a vida de quem ousar desrespeitá-lo.

- Então que ele destrua a minha! - disparou Paola, antes que pudesse se conter.

O tapa foi rápido e preciso.

Não forte o suficiente para derrubá-la, mas o suficiente para que o mundo tremesse diante dos olhos dela.

Ela levou a mão à bochecha, a pele ardendo, mas não deixou uma lágrima escapar.

- Você vai entrar naquela igreja sorrindo - rosnou o pai. - Vai obedecer ao seu marido. Vai ser uma esposa digna do nome que carrega.

- Eu não sou propriedade de ninguém - respondeu Paola, a voz firme apesar da dor.

O pai a olhou com desprezo.

- Você é minha filha. E enquanto viver sob este teto, sob este nome, fará o que eu mandar.

Ou sofrerá as consequências.

Ele virou-se e caminhou até a porta. Antes de sair, lançou-lhe um último olhar.

- Pense bem, Paola. Se tentar se rebelar... se envergonhar esta família, não haverá lugar no mundo onde possa se esconder de mim.

A porta se fechou com um estalo seco.

Paola permaneceu imóvel na poltrona, o rosto em fogo, o peito explodindo de raiva e medo.

Por alguns minutos, só o som do seu próprio coração ecoava no quarto.

Então, lentamente, ela se levantou.

Foi até o vestido de noiva.

Passou os dedos pela renda fria como gelo.

Se aquele era o destino que tinham escolhido para ela, Paola sabia: ou encontraria um jeito de destruí-lo... ou ele a destruiria primeiro.

Mas ela não seria submissa.

Ela não seria a esposa perfeita.

Não importava o que custasse.

O salão estava repleto de flores brancas e douradas.

O som suave de um piano de cauda preenchia o espaço, mas nada poderia acalmar a tempestade que se formava dentro de Paola. Ela estava em pé no centro da sala, o vestido de noiva pesando sobre seus ombros, mais como uma prisão do que uma peça de vestuário. A renda brilhava sob as luzes suaves, mas Paola mal conseguia respirar. Cada movimento seu parecia forçado, como se estivesse tentando se encaixar em algo que não fosse feito para ela.

Os olhos do pai estavam fixos nela, e o sorriso da mãe era mais um comando do que um apoio.

- O que está acontecendo, Paola? - a mãe perguntou, com um toque de impaciência na voz. - Anda logo, você vai fazer a entrada perfeita. Sorria! Como ensaiamos.

Paola se forçou a esboçar um sorriso, mas seu coração estava longe dali. Ela olhou para a porta de entrada, imaginando a chegada de Enrico. A curiosidade, o medo e a raiva se misturavam em sua mente. Mas não era só ele quem a aterrorizava. Era a ideia de se perder nela mesma, de ser reduzida a um simples "objeto" a ser exibido.

- Lembre-se do seu papel - o pai disse, quase como um sussurro, mas a voz carregava uma ameaça velada. - Você vai fazer essa família orgulhosa. Não faça nada para envergonhá-los.

Paola tentou ignorar o aperto no peito e, ao som de uma leve batida, a porta se abriu. Uma figura imponente entrou na sala: Enrico Genovese. Seus olhos estavam fixos nela de imediato. Ele usava um terno escuro, ajustado ao corpo, e sua presença era tão esmagadora quanto o silêncio que se seguiu à sua chegada.

Paola o observou por um momento, tentando não demonstrar o turbilhão que se passava dentro dela. Seus olhos se encontraram, mas, ao contrário do que Paola esperava, ele não sorriu. Não parecia surpreso, nem admirado. Apenas... observava.

O pai de Paola fez um gesto cortês.

- Enrico, aqui está sua noiva, Paola.

Paola levantou o queixo, mais por instinto do que por qualquer outra coisa. Enrico olhou para ela com uma frieza que a fez se sentir como uma estranha. Mas não ia se deixar abater. Não ia se deixar ser anulada por aquele olhar.

Ela deu um passo à frente, os saltos do vestido fazendo um som delicado no piso de mármore. Seus olhos nunca se desviarão dos dele.

- Prazer - ela disse, a voz controlada, mas cortante.

Ele a olhou por um longo momento antes de responder, como se medisse cada palavra antes de escolhê-la.

- O prazer é meu. - A resposta dele foi simples, mas a forma como disse, sem emoção, fez Paola se sentir mais vazia ainda.

O silêncio reinou entre os dois enquanto a mãe e o pai observavam, tentando controlar a situação com um sorriso forçado. Paola podia sentir o peso da expectativa em cada olhar, em cada movimento, mas não poderia se render.

Ela sabia o que esperavam dela. Sabia que deveria ser doce, submissa, obediente. Mas ela não era assim.

Ela se afastou um pouco, ainda encarando Enrico com intensidade.

- Então... como será nosso casamento? - perguntou, a curiosidade disfarçada pela ironia.

Enrico não pareceu surpreso com a pergunta. Ele apenas a olhou, e o silêncio voltou a dominar.

- O casamento será simples. Não se preocupe, será como está planejado.

Paola segurou a raiva, mas a pergunta escapou.

- E a minha liberdade? Onde está nisso?

Enrico a observou, agora com um leve sorriso, mas não de diversão. Mas como se estivesse avaliando.

- O que você quer dizer com isso, Paola?

- Você sabe

Capítulo 3 Primeira conversa

Paola sentiu o ar pesar mais a cada palavra que saía da sua boca. Ela estava arriscando tudo, mas a raiva e a desesperança eram mais fortes do que qualquer lógica. Ela se via diante de Enrico, que parecia um monstro frio de ferro, e não sabia mais o que fazer. Sua mente fervia com a ideia de fugir, de encontrar uma saída, mas ela precisava de uma brecha, e ele era a única possibilidade de isso acontecer.

- Você também não quer casar, Enrico. - Paola disse, com a voz tensa, os olhos fixos nele. - Você podia me ajudar a fugir. E então você poderia se casar com a minha irmã. Ela é muito mais bonita do que eu, é submissa e obediente. Ela é o tipo de esposa perfeita pra você. Eu... eu não sou o que você espera.

Ela parou, o coração batendo rápido. Mas as palavras saíram sem controle, como se, ao dizer aquilo, algo dentro dela quebrasse, algo que ela não queria admitir, mas que estava ali. Ela já estava presa de alguma forma, mesmo que fugisse.

Enrico, em um movimento lento e calculado, se aproximou mais, os olhos fixos nela, como se estivesse avaliando cada centímetro de sua expressão. Ele sorriu de maneira enigmática, o que fez Paola estremecer, embora ela tentasse não demonstrar. Ela não sabia o que ele pensava, mas sabia que estava jogando um jogo perigoso.

- Você está me oferecendo sua irmã, Paola? - ele perguntou, a voz baixa, mas o tom desafiador estava lá. - Sério? Eu poderia, mas... eu não quero sua irmã.

Paola ergueu as sobrancelhas, confusa. Ele a olhou com um sorriso sutil, mas foi o que ele disse em seguida que a pegou de surpresa.

- Eu quero você. Agora. Você vai ser um desafio, e eu gosto de desafios.

Paola sentiu as palavras dele como uma lâmina fria, cortando o ar entre eles. Seu coração acelerou, mas não de um jeito que ela pudesse entender completamente. Raiva e algo mais, uma sensação que ela não queria admitir, se misturaram dentro dela.

- Não... você não pode... - ela tentou reagir, sua voz quase falhando.

Enrico riu baixinho, quase como se estivesse se divertindo com a confusão dela.

- Eu posso, Paola. E vou fazer de você algo que você nunca imaginou. Não me interessa a sua fuga. O que me interessa é o desafio que você representa. Eu vejo o que você tenta esconder... sua vontade de liberdade, sua raiva. E é isso que me atrai. Você não vai me escapar tão facilmente.

Paola sentiu um frio percorrer sua espinha, mas ao mesmo tempo, havia algo dentro dela que se acendeu. Era o que ela temia. Enrico não era só o homem com quem ela seria forçada a se casar, ele se tornava algo mais complexo, algo que fazia seu corpo reagir de formas que ela não queria entender. Ele sabia como provocar.

Ela deu um passo para trás, mas as palavras dele ecoavam em sua mente, e sua resistência estava começando a vacilar.

- Eu... não sou como sua esposa ideal, Enrico. Não sou uma submissa que você pode controlar. - Ela disse, tentando firmar a voz.

Enrico a observou, um olhar calculista nos olhos, como se estivesse analisando cada reação dela.

- E é isso que me atrai, Paola. Você será difícil de dominar, e é isso que eu gosto. Porque, no fim, vou fazer você entender que pode ser minha. Que, mesmo rebelde, você vai acabar se entregando.

Paola o encarou, o corpo tenso, mas no fundo, havia um impulso perigoso, um misto de revolta e algo mais que ela não sabia identificar.

- Não... - ela sussurrou, a voz mais fraca do que ela gostaria de admitir.

Mas Enrico já havia dado o passo definitivo, seu olhar nunca deixando o dela. Ele sabia que ela estava jogando com fogo, e agora ele estava decidido a acender essa chama, a fazer ela se render.

E Paola, por mais que tentasse se afastar, sabia que ele tinha razão. Não havia volta. Algo dentro dela estava começando a ceder.

Enrico se aproximou mais, seu olhar penetrante fixado em Paola. Ele não parecia mais o homem indiferente e distante que ela conhecera, mas algo muito mais perigoso. A frieza em sua voz era carregada de uma autoridade que Paola sentiu como um golpe.

- Eu fui criado para ter uma mulher submissa ao meu lado, Paola - disse ele, a voz baixa e firme. - Uma mulher que saiba qual é o seu lugar. Mas vejo que o seu pai não lhe ensinou como ser submissa ao marido. Então, será meu trabalho fazer isso.

Paola sentiu a raiva crescer dentro de si, mas algo em seu peito parecia apertar. Ele estava desafiando tudo o que ela acreditava, mas ao mesmo tempo, ela não podia deixar de sentir a intensidade do controle que ele estava tentando impor sobre ela. Algo nela queria resistir, mas ele estava começando a mexer com suas emoções de uma forma que ela não esperava.

- Você não me conhece - Paola respondeu, tentando manter a voz firme, mas havia uma leve tremedeira em suas palavras. - Eu não sou sua propriedade. Não sou uma mulher que vai se dobrar à sua vontade.

Enrico sorriu com uma calma quase assustadora, como se as palavras dela não tivessem efeito algum sobre ele.

- Você acha que pode lutar contra isso? - ele perguntou, a voz carregada de ceticismo. - Paola, você não tem ideia do que está dizendo. Eu vou te ensinar o que significa ser submissa ao seu marido. E, no final, você vai perceber que isso não é apenas o seu destino, mas o que você realmente deseja.

Ela deu um passo para trás, seu corpo tenso com a frustração e a raiva que se acumulavam. Como ele podia ser tão... arrogante? Como ele podia ver tudo dessa maneira, sem entender que ela queria ser livre, viver sem essas correntes de expectativas e regras?

- Eu nunca serei a mulher que você quer que eu seja - Paola disse, com mais força, o olhar desafiador.

Enrico a observou por um longo momento, o sorriso ainda lá, mas agora com um toque de diversão cruel.

- Você vai ser, Paola. Porque não há outra escolha. Quando você perceber que lutar contra mim só vai te desgastar, você vai finalmente aceitar o que é natural. E nesse momento, vai ser muito mais fácil para nós dois.

Paola sentiu um frio percorrer sua espinha. Ele falava com tanta certeza, com tanta frieza, que parecia inevitável. Como se ele já tivesse planejado cada passo, como se ela já estivesse perdida antes mesmo de começar.

- Eu não vou me submeter - ela afirmou, mais para si mesma do que para ele, tentando manter um pouco da sua dignidade.

Enrico deu um passo mais perto, agora tão próximo que ela podia sentir a intensidade da sua presença. Seu olhar era implacável, e Paola sentiu a pressão aumentar a cada palavra que ele dizia.

- Você vai, Paola. O que você não entende ainda é que a submissão não é sobre fraqueza, mas sobre entrega. Você vai descobrir isso por si mesma. Não é sobre o que eu quero. É sobre o que você vai querer, quando perceber que essa luta não vale a pena.

As palavras dele ressoaram em sua mente, e embora Paola tentasse resistir, ela sentiu que ele estava começando a quebrar as barreiras dentro dela. Ele estava jogando um jogo de controle psicológico, e Paola começava a perceber que essa batalha não seria apenas de corpos, mas de mentes.

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