Intrigas: estava cansada da Gwendolyn ser tratada de forma diferente só porque era órfã.
Gwendolyn transbordava de felicidade. Seu casamento logo aconteceria,ela e Galahad fariam seus votos diante de todos. Antes mesmo do sol nascer, ela levantou e ajudou no preparo do café da manhã. Em seguida, dirigiu-se à arena de treinamento, onde organizou tudo para os soldados e seus capitães. À tarde, voltaria para guardar as armas e aproveitaria para treinar longe de olhares curiosos.
Quando seus pais foram acusados de conspirar para o assassinato do grande Alfa Cedric e sua família, Gwendolyn ainda era pequena, tinha apenas seis anos. Isso trouxe desgraça à sua família e ao clã ao qual pertenciam. O novo Alfa, que assumiu o Reino, ordenou a morte deles como consequência. Após a trágica perda dos pais, ela ficou perambulando pelas ruas da província sem rumo, até que um bom homem muito respeitado a adotou, impedindo-a de se tornar uma mendiga.
"Gwendolyn, você tem um tempo para sua irmã?" perguntou Guinevere, aparecendo na porta do quarto e fazendo a irmã sorrir.
"Claro, sua boba, vem aqui", disse Gwendolyn, fazendo um gesto com o braço para sua irmã entrar.
"Por que limpar aquele lugar?" perguntou Guinevere, indo até ela.
"Gosto de ajudar o pai", respondeu Gwen.
"Temos empregados para isso", falou a irmã, deitando-se na cama e olhando para ela de maneira estranha.
"O que seu noivo viu em você?" perguntou, com uma expressão de superioridade. Desde que se conheceram, sua irmã agia assim, mas Gwendolyn não se importava. Ela tinha ganhado uma família, isso era tudo que ela queria na vida uma família.
"Ele é meu companheiro escolhido", disse Gwen, sorrindo e mostrando a língua para a irmã, que revirou os olhos.
"Ah, sim! Está explicado. Um nobre nunca olharia para você",diz Guinevere, sempre tão cruel com suas palavras. E prosseguiu, perguntando:
"Galahad virá aqui hoje?" Gwendolyn apenas confirmou com a cabeça.Se perguntando porque a irmã era assim sem maldosa com suas palavras.
"Bom, preciso ir", disse Guinevere, saindo do quarto da irmã com um plano pronto,Ela já havia pensado em tudo.Faria o noivo de sua irmã abandoná-la, afinal, ela o viu primeiro e já estava cansada da Gwendolyn ser tratada de forma diferente só porque era órfã. Guinevere caminhou em direção aos jardins quando braços fortes a agarraram e a puxaram para um canto onde ninguém pudesse vê-los.
"Está maluco me agarrando desse jeito?"perguntou Guinevere,olhando para o soldado. Seu cheiro a embriagou, ela adorava sentir seu cheiro.
"Quando falaremos com seu pai?" ele perguntou, beijando sua boca. Ela correspondeu por um momento, mas logo se afastou. Eles tinham combinado que ele entraria pela janela do seu quarto, e não que a agarraria nos jardins, onde qualquer pessoa poderia vê-los, especialmente Galahad.
"Combinamos de nos encontrar no meu quarto.Por que me agarrou nos jardins? Alguém pode nos ver", declarou ela, cruzando os braços fingindo que estava com raiva.
" Sabe que te amo,não resistir"Ele fala pegando um rosa colocando em seus cabelos.
"Não sei se realmente me ama. Preciso de uma prova", disse ela, fazendo charme.
"Faço qualquer coisa por você!" respondeu ele, completamente apaixonado. Ela sabendo disso, olhou para ele e sorriu.
"Seu plano está indo muito bem."Pensou ela
"Qualquer coisa mesmo?" ele assentiu com a cabeça. Ela passou a mão pelo seu peitoral e disse:
"Quero que agarre a Gwendolyn." Ele olhou confuso,sem entender o que tinha acabado de ouvir.
"Como? Por que isso?Sua irmã tem noivo!" Diz ele olhando para Guinevere totalmente confuso.
"Gwen não a ama mais e ele não aceita e o pai também não.Ela precisa que ele a deixe em paz. Prometi ajudá-la",Ela fala, mordendo seu pescoço para convencê-lo e também para sentir um pouco mais do seu cheiro.
"Está bem, quando preciso fazer isso?" Ela sorriu, pulou de felicidade e o beijou.
"Hoje mesmo, fique atento. E mais tarde, quero você no meu quarto", disse ela, sorrindo. O soldado olhou para ela. Essa mulher é uma diaba, e ele está completamente apaixonado por ela. Eles se despediram, e Guinevere saiu sorrindo pelos jardins. Seu cio está próximo Ela dormiria com o soldado engravidaria dele,faria Galahad dormir com ela,depois da suposta traição de Gwen seria fácil se casaria com ele, que é o seu verdadeiro amor, e não com um oficial pobre do exército. Diria a seu pai que o soldado a agarrou e a forçou a dormir com ele.
"Plano perfeito", pensou ela, sorrindo e mordendo a ponta do dedo. Agora era só esperar.
O sol já estava quase se pondo quando Gwendolyn foi arrumar o salão de treinamento,deixando tudo organizado para o dia seguinte.
Ao ver sua irmã indo para o salão de treino, Guinevere correu em direção aos jardins. E assim que o Galahad noivo de sua irmã chegou, ela foi recebê-lo como sempre e aproveitou para se exibir para ele.
"Galahad, que bom que está aqui. Preciso conversar com você",falou Guinevere nervosa e assustada, deixando-o tenso ao pensar que algo aconteceu com Gwen.
"O que houve?" perguntou ele preocupado.
"É sobre Gwen, eu não queria falar isso, mas ela está te traindo", ele olhou para ela por um momento.
"Está mentindo", disse Galahad, incrédulo. Guinevere deu de ombros.
"Vá até a arena. Quando vi, não acreditei. Eu aqui te amando e ela fazendo isso", falou cinicamente, mas ele não percebeu, pois sua mente estava a mil. Galahad caminhou em direção a arena.
Gwendolyn estava terminando de arrumar o grande salão quando um soldado entrou e sorriu para ela.
"Está tudo bem!", ele disse, deixando-a um pouco confusa, mas ela não deu muita atenção.
"Ainda vai treinar?", perguntou Gwendolyn.Ele se aproximou mais dela e sorriu.
"Eu vou te ajudar", disse ele. Ela ficou confusa, sem entender. Antes que pudesse perguntar algo, ele a beijou, empurrando-a contra a parede e passando a mão nela.
"Vagabunda, é por isso que você fica nesse lugar", Gwendolyn ouviu a voz do noivo e ficou nervosa.
"Não tive culpa, não é o que está pensando", tentou se explicar, mas foi em vão.
"Eu te rejeito, sua vadia", ele virou as costas e a deixou em choque. Sua irmã apareceu e foi até ela.
"Gwen, o que houve? Galahad saiu bravo?", perguntou Guinevere com semblante assustado.
"Ele terminou comigo", ela disse em um fio de voz, olhando ao redor, mas não havia sinal do oficial.
"Como assim?", perguntou Guinevere, fingindo surpresa.
"Ele viu o soldado me beijando", disse Gwendolyn, olhando para a irmã, que arregalou os olhos e levou a mão à boca.
"O quê? Como isso aconteceu?", ela perguntou, fazendo o papel de irmã preocupada.
"Preciso sair daqui", Gwendolyn falou, caminhando rápido de volta para casa, deixando sua irmã sozinha. Ela entrou em seu quarto, jogou-se na cama e começou a chorar. Galahad nem sequer a ouviu, ele simplesmente a rejeitou. Acabou adormecendo de tanto chorar. Quando acordou, fez sua higiene pessoal e desceu para jantar. falaria com seu pai e explicaria tudo a ele. Assim que chegou na sala de jantar, sua irmã a olhou de um jeito estranho. Gwendolyn perguntou por que ela estava olhando assim.Estaria pensando mal dela igual Galahad.beijo
Sir Ulrich, caminhava inquieto pelos corredores da imponente residência. Seus passos ecoavam, refletindo a agitação que tomava conta de seu coração. Era chegada a hora de anunciar a sua filha, Guinevere, a notícia que ele temia ter que dar.
Ao entrar na elegante sala de jantar, onde uma mesa farta já estava preparada para a família, avistou Guinevere, uma jovem de rara beleza, sentada elegantemente à mesa. Ela exibia uma expressão petulante, acostumada a ter seus desejos atendidos. Seus olhos azuis faiscaram de impaciência quando notou a seriedade no semblante do pai.
Sentado na cabeceira da mesa, o Sir Ulrich tomou um fôlego profundo, enquanto todos os olhares se voltaram para ele. Sua filha mais velha, Gwendolyn, estava ao seu lado, uma presença graciosa que emanava uma aura de serenidade. No entanto, ele podia sentir que havia algo errado.
O patriarca do clã Lúpus, olhou para suas filhas na sua frente .
"Eu tenho um anúncio a fazer". Falou esperando pelas reações delas.
Guinevere ergueu uma sobrancelha, mostrando seu desinteresse, esperava algo grandioso, algo que a beneficiasse, como de costume.
"Devido a uma dívida que contraí há muitos anos, que nos ameaça com consequências devastadoras, chegou o momento de saldá-la", continuou, tentando se expressar com firmeza. Guinevere suspirou dramaticamente, exibindo sua insatisfação.
"E o que isso tem a ver conosco, papai? Certamente o senhor pode resolver isso sem afetar minha vida?"
O Sir Ulrich sentiu a indiferença da filha. Ele compreendia que havia mimado ela por muito tempo, alimentando sua personalidade egoísta.
"Infelizmente, a única solução para essa dívida é um casamento", respondeu ele com voz cansada pela viagem. "Minha única opção é oferecer você em casamento ao príncipe Magnus, cujo destino infeliz o deixou..." Mas foi interrompido por Guinevere.
"Não quero!", disse ela, lançando um olhar furioso ao pai, seus olhos azuis faiscando de raiva e desdém.
"O senhor está brincando comigo, papai? Eu recuso! Não vou sacrificar minha felicidade por suas dívidas", disse ela, olhando para ele com os olhos marejados.
"Você não tem escolha,já está resolvido,do contrário perderemos tudo e posso ser considerado traidor do rei ,serei morto ", declarou ele, firme.
"Você se casará para cumprir nosso dever com honra. É uma decisão tomada."Diz seu pai batendo na mesa com força
A sala de jantar ficou tensa, carregada com a teimosia de Guinevere e a determinação do Senhor Ulrich em fazer o que era certo para sua família.
"Arrume suas coisas. Mandarei levá-la", ordenou ele, sério.
"O senhor não pode fazer isso. Me recuso a casar",ela falou, sentada à mesa, segurando os talheres com força. Sir Ulrich se levantou, sua voz carregada de autoridade.
"Guinevere, chega de suas atitudes egoístas! É hora de você compreender que há responsabilidades que vão além de seus caprichos."
Nesse momento, Gwendolyn, percebendo que a irmã se recusaria a se casar e seu pai poderia ser morto ,interveio, surpreendendo a todos.
A voz de Gwendolyn soava triste, porém firme."Eu me casarei!Se isso salvar sua vida. Farei o que for preciso para preservar nossa família."
As palavras de Gwendolyn chocaram Guinevere. Ela não esperava que sua irmã se oferecesse em seu lugar. Isso despertou uma raiva ainda maior em Guinevere, agora que Gwendolyn se tornaria a salvadora da família. A cada dia, Guinevere a odiava mais.
O pai delas segurou a mão de Gwendolyn e disse:
"Filha, você tem um compromisso!"Essa atitude revoltou ainda mais Guinevere. Gwendolyn balançou a cabeça, tentando esconder suas lágrimas.
"Ele terminou comigo", as lágrimas escorriam pelo rosto de Gwendolyn. Seu pai olhou para ela, sem compreender nada.
"Como? Quem ele pensa que é para fazer isso? Falarei com ele!", exclamou ele indignado, jogando o guardanapo na mesa.
Gwendolyn enxugou suas lágrimas e disse:
"Não há necessidade, pai."
"Mas o que aconteceu nesta casa, na minha ausência?", falou o pai em tom sério, olhando para as duas.
"Gwen estava se agarrando com um oficial e ele viu. Que vergonha", disse Guinevere, lançando um olhar zombeteiro para a irmã. Gwendolyn preferiu manter-se calada.
"logo estarei pronto para ir." Gwendolyn levantou-se, determinada, e dirigiu-se ao seu quarto para arrumar suas coisas. A verdade era que ela não conseguiria viver perto dele, com todo esse amor em seu peito. Fala indo em direção ao seu quarto sem seguida por seu pai.
"Explique isso, Gwen", seu pai falou, entrando no quarto e sentando-se no pequeno sofá. Gwendolyn interrompeu o que estava fazendo.
"Um oficial me beijou e ele viu, então ele me rejeitou. Mas pai, eu não tenho culpa!", explicou ela.
"Que oficial é esse? Mandarei prendê-lo. Como ousa tocar em você?", disse ele revoltado. Ele não aceitaria que a honra de sua filha fosse manchada impunemente.
"Pai, não quero mais falar disso. Além do mais, irei para o castelo", falou Gwendolyn, dando um sorriso tímido. Ela estava disposta a fazer qualquer coisa para ajudar seu pai. Agora era sua vez de retribuir o que ele fez por ela a vida toda.
"Tem certeza de que deseja fazer isso, minha filha?", perguntou seu pai.
""Sim, será melhor para mim. Talvez eu consiga esquecê-lo longe daqui", respondeu ela, voltando a arrumar suas coisas.
"Escreverei uma carta explicando tudo, entregue-a assim que chegar", disse seu pai, levantando-se e saindo do quarto. Gwendolyn concluiu a tarefa de arrumar suas coisas e encontrou-se com seu pai, que lhe entregou uma carta. Uma carruagem aguardava, e os serviçais guardaram suas bagagens. Ela se despediu dele, entrou na carruagem e partiu em direção a uma nova vida. Talvez, quem sabe, ela encontrasse a felicidade.
O Castelo Corvo de Ferro erguia-se com imponência, sua arquitetura gótica e sombria destacando-se contra o céu. Cercado por uma muralha imponente, parecia ser uma fortaleza impenetrável. Gwen admirava cada detalhe, desde as torres altas e afiadas até as janelas cobertas de trepadeiras, conferindo um ar misterioso ao lugar. Enquanto ela observava, a enorme ponte de acesso começou a se mover lentamente, descendo gradualmente para permitir a passagem da carruagem. Gwen sentiu um arrepio percorrer sua espinha enquanto a carruagem atravessava a ponte, adentrando os portões maciços do castelo. Ela mal podia acreditar no rumo que sua vida havia tomado.
Gwen seguiu os passos do guia, maravilhando-se com os vitrais coloridos que retratam histórias antigas e figuras nobres. Foi levada para uma sala de espera logo após os portões de entrada, um amplo espaço iluminado por candelabros pendendo do teto alto. As paredes eram revestidas por painéis de madeira escura, conferindo um aspecto imponente e austero ao ambiente.
"A senhorita espera aqui"disse o homem colocando suas malas no chão,deixando ela sozinha, caminhou observando tudo em volta com curiosidade. Uma enorme porta se abriu e um homem alto entrou na sala.
Um homem alto entrou na sala.
"Guinevere Windsor", chamou o homem com um semblante sério.
"Gwendolyn Windsor, aqui está uma carta do meu senhor explicando tudo", falou, entregando o papel tremendo. Os olhos do homem recaíram sobre o papel por um tempo antes de olhar para ela.
"Venha, esteja pronta para conhecer o rei e o seu futuro marido", disse ele, guiando-a por um corredor que se estendia em várias direções. Ele abriu uma enorme porta, colocando-se de lado.
"Este é o seu quarto. Esteja preparada e saia somente quando for chamada. Estamos entendidos?", perguntou ele, olhando para ela.
"Sim, senhor. Aguardarei aqui", respondeu Gwendolyn, observando-o fechar a porta. Ela estava encantada com o quarto, uma verdadeira obra-prima de luxo e elegância. O teto alto, ricamente ornamentado com molduras douradas e afrescos intrincados, conferia uma sensação de nobreza. Gwen respirou fundo, confiante de que não era o que havia planejado, mas tinha certeza de que sua vida seria diferente. Se ela fosse paciente, talvez pudesse até ser feliz e, quem sabe, esquecer Galahad.
A porta abriu e uma criada entrou.
"Boa tarde, senhorita Windsor. Lhe servirei", falou a moça, mantendo-se em pé ao lado da porta.
"Pode me chamar de Gwendolyn", pediu Gwendolyn, sorrindo para a criada, que aparentava ser mais nova que sua irmã.
"Vou desfazer suas malas e preparar seu banho", disse a criada, caminhando até as malas e começando a desfazê-las. Gwendolyn estava admirada com a enorme cama no centro do quarto, ornada com cortinas de veludo ao redor. Móveis de madeira nobre se destacavam, e uma penteadeira elaborada com espelho oval e gavetas adornadas com puxadores de ouro abrigava finos frascos de perfume e joias brilhantes.
"Permita-me ajudar", falou Gwendolyn, indo até a jovem que a olhou com incredulidade, como se ela a tivesse ofendido.
"Senhorita, por favor, esse é meu trabalho", respondeu a criada. Gwen se aproximou da moça com cautela,não querendo causar nem um tipo de incômodo.
"Não quero atrapalhar seu trabalho, apenas queria ajudar e talvez pudéssemos ser amigas", disse Gwendolyn. A jovem olhou para ela como se ela tivesse dito algo estranho e voltou ao seu trabalho. Depois de arrumar as coisas no enorme guarda-roupa, a criada preparou um banho para Gwendolyn. Em seguida, ajudou-a a escolher uma roupa.
"Esteja preparada a qualquer momento, o rei pode chegar e querer vê-la", avisou a criada antes de sair, deixando Gwendolyn sozinha mais uma vez. A jovem caminhou até a janela e olhou para os imensos jardins lá fora. Suspirou, pois sua vida seria diferente ali, mas estava confiante de que tudo daria certo em sua nova jornada.
Gwendolyn dirigiu-se à cama e deitou-se um pouco para relaxar. O colchão parecia envolvê-la em sua maciez. Sua mente vagou para seu antigo relacionamento e lágrimas escorreram pelo seu rosto. Se ao menos ele tivesse a escutado, ela poderia ter lhe explicado tudo, mas ele apenas a rejeitou e partiu. Com esse pensamento, adormeceu, sonhando com as possibilidades que o futuro poderia trazer. Logo conheceria o Príncipe.
Os corredores do palácio ecoavam com os murmúrios sobre a chegada da noiva, enquanto Magnus se encontrava nos jardins em seu assento especial projetado para permitir que ele ficasse sentado ou deitado. O rei havia mandado construir uma um pequeno suporte em forma triangular com uma roda na ponta, que podia ser movida facilmente. Quando colocada no chão com os apoio na parte de trás, permitia que Magnus escolhesse entre ficar deitado ou sentado.
Os sussurros com seu nome alcançaram seus ouvidos, provocando uma crescente raiva,que logo foi aplacado por seus sentidos aguçados que capturam os passos de Fenrir se aproximando.
"Meu príncipe,já providenciei sua noiva?"Diz Fenrir ao sentar-se à sua frente com um sorriso.
"A mais bonita do reino", acrescentou, concluindo sua fala.Magnus o observou por um momento, sem entender por que Fenrir o tratava com tanta formalidade. Ele foi o único amigo que permaneceu ao seu lado após o acidente que tirou a vida de seus pais.
"Perfeito. Alistar ficará enfurecido quando eu apresentar minha noiva", Magnus disse, imaginando a expressão em seu rosto.
"Sabe que ele não permitirá isso", disse Fenrir com um sorriso de canto de boca. Magnus percebeu que ele tinha algo mais a dizer e esperou pacientemente.
"Sua noiva chegou hoje ao castelo", revelou Fenrir.
"Foi uma decisão do rei, ele case-se em meu lugar", retrucou Magnus com raiva.
"Você deveria ao menos vê-la", sugeriu Fenrir Magnus não tinha interesse em nada que viesse do rei.
"A verei amanhã, durante a apresentação. Se meus olhos estiverem bons, ainda está embasado", disse Magnus, esfregando os olhos. Na realidade, Alistar já havia assumido o trono de seu pai, tornando-se o alfa por conquista. Ele não governaria a sua vida. Passos apressados se aproximavam deles e Magnus e Fenrir se entreolharam. ele conhecia esses passos; era o conselheiro, que antes havia sido do seu pai.
"Meu príncipe, o rei deseja vê-lo", disse o conselheiro. Os batimentos cardíacos do homem mudaram consideravelmente ao se aproximar dele.
"Estou tomando banho de sol, irei encontrá-lo depois", respondeu Magnus, percebendo a importância do chamado.
"Meu príncipe, o rei deseja falar-lhe sobre sua noiva, que já está no castelo", disse o conselheiro cautelosamente.
"Eu não desejo esse casamento, e você sabe disso", respondeu Magnus, perdendo a paciência.
"Meu príncipe, entendo que não queira esse matrimônio. Se me permite dizer...", o conselheiro começou a falar, e Magnus assentiu para que continuasse.
"O rei está tentando fazer o melhor para o príncipe. Ele ficará ofendido com sua recusa", explicou o conselheiro. Essa forma de falar deixou Magnus furioso, e ele rosnou em resposta.
"O que o rei fez por mim em minha deficiência? Se Fenrir não tivesse pensado nessa cadeira, eu estaria preso em um quarto. Onde estava o rei quando eu precisei? Cresci com vocês dois, não me importo com ele. Diga-lhe que irei assim que terminar aqui, e se ele quer que eu me case, eu me casarei", ordenou Magnus. O conselheiro assentiu e saiu apressadamente, com o coração acelerado.
Fenrir olhou ao redor, buscando ver se havia alguém por perto. Percebendo que estavam sozinhos, ele se virou para Magnus com uma expressão preocupada.
"Vamos resolver aquele problema?" perguntou, com uma expressão de preocupação.
Eu entendo seus motivos, penso.
"Sim, precisamos intervir nisso", respondi, refletindo sobre a situação. Ele continuou falando, sua voz carregada de preocupação.
"Estou no rastro dele, mas sempre desaparece quando estou chegando perto. Isso me intriga", disse Fenrir, referindo-se ao lobo negro que atacou os pais de Magnus. Naquele maldito dia, momentos antes do coração do meu pai parar de bater, ele me revelou a existência de outro lobo.
"Sinto que ele está próximo", falei, pensativo.
"Você mencionou que o rei o alertou a ter cuidado no castelo. Algo está acontecendo aqui!", disse Fenrir, com um olhar preocupado, soltando um longo suspiro.
"Por isso, precisamos agir com cautela", acrescentei, consciente de que a cada dia que passava, sentia a necessidade de permanecer vigilante.
"Não vamos deixar o rei esperando mais", disse Fenrir, levantando-se e pegando meu suporte especial. Ele me empurrou pelos jardins e corredores em direção à sala do trono. Ao chegarmos, senti a tensão no ar. O coração do rei estava acelerado, e sua voz soava preocupada enquanto conversava com seu conselheiro de confiança, que parecia estar impregnado de medo.
"Não quero que isso vaze. Descubram quem é e eliminem-o", consegui ouvir o rei dizer durante a conversa, que foi interrompida assim que me viram entrar na sala, conduzido por Fenrir. Odeio a expressão de pena que ele sempre faz quando me vê.
"Ah, meu querido tio, se soubesse o que tenho preparado para você", pensei com determinação.
"Magnus e seu fiel escudeiro. Pensei que me fariam esperar mais", falou o rei com ironia.
"Meu rei sabe que sou adepto aos passeios de banho de sol" falou
com ironia igual.Contínuo
"Meu rei, se soubesse que era algo sério, teria vindo imediatamente", respondi, com um sorriso no canto dos lábios.
" Sempre tão espirituoso,caminhe venha mais perto"ele fala ironizando com deboche a minha condição de aleijado.
"Claro", respondi, e Fenrir me empurrou ainda mais, aproximando-me dele.
"Olho para você e vejo seu pai", disse o rei com uma expressão séria e difícil de decifrar.
"Imagino como deve ser difícil", respondi, sem demonstrar emoção na voz.
"Serei direto. Sua futura esposa já está no castelo", disse o rei,esperando a aguardando reação do sobrinho,desde que seu irmão foi morto,cuidou dele não havia procurado se aproximar,porém sempre procurava saber dos seus passos o que não eram muitos,um leve sorriso passou nos seus lábios,mas o garoto cresceu e se tornou um problema para ele e para o Reino pois é cruel com seus servos.O afrontava sempre que podia,precisava dar um basta nisso.
"Suponha-se que eu deva aceitar suas ordens", disse, controlando minha raiva. O rei olhou para o príncipe à sua frente e suspirou profundamente, ciente de que aquela seria uma conversa difícil para ambos.
"Claro, tendo em vista sua condição, cego e aleijado", disse o rei com seriedade, tentando fazer o sobrinho lembrar de sua condição e aceitar seu destino.
"Sinto lhe informar que não quero que escolha nada sobre minha vida", rosnei, mostrando os dentes para ele.
"Infelizmente, você está dentro do meu castelo e fará o que eu ordenar. Se casará, e já está decidido", disse o rei com um semblante sombrio.
"Ou o que?" desafia o príncipe e continua: "Este castelo nunca foi seu, pertencia ao meu pai, e eu sou o herdeiro dele. É bom que não esqueça disso",disse com firmeza acrescentei, deixando toda minha raiva transparecer. Pude sentir sua pulsação acelerar e sua respiração ficar mais rápida.
"Não esqueço que você é filho dele! Então, meu nobre príncipe aleijado e cegueta, você vai aceitar sua futura esposa", disse o rei, desafiador e acrescentou com desdém. "Tendo em vista que a primeira já o rejeitou, e agora sua irmã está no lugar dela", acrescentou, descendo os degraus do trono em direção do príncipe.
"Acha que não sou capaz de conseguir uma esposa?", perguntei, rangendo os dentes de ódio. O rei respirou fundo.
"Magnus, tomei essa decisão apenas por causa de sua condição. Entenda, escolhi alguém de uma excelente família nobre", explicou o rei, tentando fazer com que eu compreendesse.
"Eu a rejeito! Eu já tenho uma escolhida", disse o príncipe em tom sério, fazendo o rei olhar para ele com surpresa, erguendo a sobrancelha cheio de dúvidas.
"Ora, Magnus, não me faça rir", disse o rei de forma debochada.
"Fenrir, leve-me daqui. Amanhã, eu a mostrarei no banquete. Eu poderei escolher minha futura esposa", afirmei, esperando que ele me tirasse da presença repugnante do meu tio.
"Peço permissão para nos retirarmos", ouvi Fenrir pedir, irritando-me ainda mais.
"Estão dispensados, mas quero que tragam sua escolhida e sua família amanhã", ordenou o rei, voltando para o trono outrora ocupado por seu irmão, Cedric.
Naquela tarde, no quarto do príncipe, Fenrir entrou e trancou a porta, como de costume. Magnus se levantou do seu suporte especial e caminhou pelo quarto.
"Por que pediu permissão naquela hora?",perguntou com raiva, sua respiração ofegante.
"Ele é o meu rei, devo respeito"Ao ouvir isso, Magnus se virou rapidamente e segurou o amigo pelo pescoço, mas ele permaneceu imóvel.
"Ele não é seu rei", disse Magnus soltando-o enquanto ele ajeitava suas roupas.
"E eu não sou seu inimigo.Sou apenas filho de uma família simples", afirmou Fenrir.
"Eu sei, acabei me descontrolando", disse o príncipe, indo em direção a uma passagem secreta que os levaria a uma densa floresta, longe do castelo. Magnus olhou para o amigo e disse:
"Vamos", assumindo sua forma na passagem, junto com seu amigo, correram em direção à saída.