Hoje eu completo seis anos de casada e o meu marido resolveu me levar pra jantar fora para comemorarmos o nosso aniversário de casamento, como nós temos um plano mais quente para depois do jantar tivemos que pedir ajudar para os nossos amigos e padrinhos da nossa pequena Mellinda, Elisa e Ryan são loucos por ela e fazem todas as suas vontades, Mellinda por sua vez não quer mais sair da casa dos padrinhos por causa do priminho Lorenzo, esses dois parecem unha e cutícula não se desgrudam mais.
Depois de deixar a nossa pequena com os padrinhos nós finalmente saímos de casa, perguntei para onde nós iríamos mas Maurício não quis me dizer nada, disse que seria uma surpresa e mal sabe ele que eu também tenho uma surpresinha pra ele.
Chegamos na marina onde temos um iate e eu fiquei surpresa por ele ter me trago justo para cá, eu imaginava um restaurante ou um hotel mas nunca o nosso iate.
- Estou curiosa para saber o que estamos fazendo aqui meu amor. - Indago realmente curiosa e intrigada com tudo isso.
- Você já vai descobrir o que estamos fazendo aqui meu amor, não seja tão curiosa pelo menos por hoje está bem? - Diz assim que saímos do carro e ele me puxa para um beijo caloroso.
Andamos calmamente até o nosso iate e de longe não dá para ver nada, estava tudo muito escuro, mas de repente as luzes do nosso iate se ascendem e eu vejo um homem esperando por nós na entrada do mesmo.
- Boa noite Sr. e Sra. Fernandes! Sejam bem vindos, hoje eu serei o seu condutor e espero que curtam o passeio. - Nos cumprimenta um senhor muito simpático nos dando passagem para entrar.
- Boa noite Victor! E muito obrigado por deixar tudo exatamente como eu pedi. - Meu marido agradece o comandante antes de me encarar com um enorme sorriso no rosto.
Caminhamos pelo enorme e luxuoso iate e a cada passo que eu dou eu ficou ainda mais ansiosa para ver a tal surpresa, e assim que entramos no iate vejo uma trilha de pétalas de rosas seguindo para a parte de trás do iate, sigo a trilha e me deparo com uma mesa repleta de pétalas de rosas espalhadas tanto sobre a mesa quanto pelo chão em volta dela, uma garrafa de champanhe no gelo e uma única rosa solitária em cima de cada prato, além de algumas velas acesas com protetores para o vento não apagá-las... Nos aproximamos da mesa e automaticamente os meus olhos começam a lacrimejar pela emoção de ver a surpresa que o meu amor preparou para mim, a mesa no centro do deck com a luz baixa sobre a mesa destacando as velas acesas, eu não sabia se chorava ou se sorria mas se tratando de mim, provavelmente estou fazendo as duas coisas, isso tudo está me lembrando o dia em que ele me pediu em namoro e foi tudo tão especial, tão romântico.
- É tudo pra você minha loira, espero que goste porque eu ajudei a fazer tudo com muito carinho, só pra você. - Diz meu amor abraçando a minha cintura e eu me jogo em seus braços.
- Eu te amo meu amor, Obrigada está tudo perfeito, você é perfeito minha vida. - Me emociono abraçada a ele e lhe dou um beijo apaixonado. - A sua sorte é que o meu batom e 24hs e não sai, ou você estaria com os lábios mais vermelhos que os meus. - Sussurro em seu ouvido e ele gargalha.
- Sendo assim, acho que vou te beijar um pouquinho mais. - Diz já tomando a minha boca em um beijo intenso e só nos soltamos quando o ar nos falta.
- Por Deus Maurício... Se controle meu amor nós ainda nem jantamos. - Sussurro no seu ouvido e me apoio nele para não cair, pois minhas pernas estão bambas de tão excitada que fiquei.
- Por um momento eu havia me esquecido desse detalhe... Quando estou perto de você eu esqueço o resto do mundo, o tempo para e eu só vejo nos dois minha loira... Meu eterno amor. - Ele acaricia o meu rosto com carinho, me encarando com amor.
Nos sentamos à mesa e logo aparece alguém para nos servir, Maurício nos serve as taças de champanhe e brindamos ao nosso amor, ao nosso casamento e a nossa família que amamos tanto, e por eu não poder ingerir bebidas alcoólicas eu coloco a taça de champanhe de volta na mesa e pego taça de água para beber, começamos a comer e está tudo delicioso, ou então é apenas o meu apetite que duplicou as últimas semanas. Maurício me admira e sorrir como no nosso primeiro encontro na boate, ali estava o sorriso que me ganhou já no nosso primeiro encontro e essas lembrança me faz sentir novamente aquele calor e aquelas sensações gostosas que só ele me faz sentir.
No meio do nos jantar Maurício põe no centro da mesa uma caixinha de veludo vermelha, em formato de coração, ele apenas põe a caixinha ali mas não diz nada e a minha curiosidade não iria passar despercebida.
- Que caixinha é essa meu amor? - Pergunto curiosa encarando aquela caixinha misteriosa.
- É um presente. - Diz simples e objetivo.
- Tudo bem, eu já entendi, você quer me deixar curiosa, nervosa, ansiosa e eufórica, acertei? - Questiono erguendo uma sobrancelha e ele apenas balança a cabeça, confirmando com aquele sorriso de canto que me derrete. - Tá legal! Pode parar com esse jogo porque você já conseguiu o que queria, está bem? Agora me diz logo o que é isso. - Retruco impaciente apontando para a caixinha e ele gargalha.
- Você não tem jeito mesmo, não é minha loira? - Ele sorrir pegando a caixinha abrindo-a e colocando a na minha frente novamente. - É pra você meu amor, esse anel não é apenas um presente de casamento, esse anel está na família a anos, ele sempre passa para as gerações futuras... Com esse anel a minha avó se casou e com ele também se casou a minha mãe, ela acha mais que justo colocá-lo em seu dedo. - Diz se levantando do seu acento e se ajoelha ao meu lado. - Millena Andrade Fernandes! Você aceita se casar comigo pela segunda vez e assim renova os nosso votos de amor? Aceita mais uma vez confirmar que nascemos um para o outro? - Pergunta segurando a minha mão e deposita um beijo demorado nela.
Eu fiquei sem ar não acreditando no que está acontecendo, o meu marido me pedindo em casamento novamente, mas dessa vez de um jeito ainda mais romântico. E como já previsto eu choro e sorrio até as palavras finalmente saírem da minha boca.
- Sim...! Sim...! Eu aceito me casar de novo com você minha vida. - Respondo aos prantos e ele abre um sorriso lindo me enchendo de felicidade.
Maurício se levanta me puxando para si, ele tira o anel da caixinha e o colocou no meu dedo.
- Obrigado por mais uma vez me fazer o homem mais feliz do universo meu amor... Eu te amo e amo a família que nós construímos com tanto amor. - Ele me puxa pela cintura e logo me surpreende com a sua língua invadindo a minha boca sem aviso prévio, me beijando com paixão.
- Mesmo com o passar dos anos... Você continua tão sedutor quanto antes Sr. Meu marido. - Digo com a voz sexy em seu ouvido e chupo o lóbulo da sua orelha o fazendo se arrepiar.
- Acho melhor a gente deixar para comer a sobremesa em outro lugar, você não concorda? - Ele aperta a minha cintura e eu sorrio.
- Claro que não meu amor, vamos terminar o nosso jantar porque eu ainda estou faminta. - Me solto dele me sentando novamente e ele me encara atravessado.
- Prometo que você será devidamente castigada por isso, Sra. minha mulher! - Diz com o meu sorriso preferido e o meu corpo logo reage.
Conversando brevemente e ele finalmente percebe que eu não havia tocado no meu champanhe quando ele enche novamente as taças.
- O champanhe está divino, você não vai beber meu amor? - Pergunta confuso porque ele sabe o quanto eu adoro champanhe.
- Tenho certeza que esse champanhe está dos deuses, mas eu não posso beber, são ordens médicas. - Mexo na taça olhando para ele por cima dos cílios vendo sua expressão de confusão.
- Como assim ordens médicas? Você está doente? Está tudo bem com você meu amor? - Pergunta agora preocupado e eu fiquei com pena de deixar ele pensar isso.
- Não meu amor, eu não estou doente, muito pelo contrário eu estou ótima, estou melhor do que nunca. - Falo com um sorriso largo no rosto e ele continua sem entender, "meu Deus como os homens são lentos para entender as coisas". - Eu não posso ingerir álcool meu amor porque a Mellinda vai ter um irmãozinho, ou seja, você vai ser papai de novo, eu estou esperando outro bebê meu amor. - Digo calmamente e Maurício vai ficando pálido, branco feito um papel, ele não diz nada apenas encara fixamente a minha barriga. - Meu amor você está bem? Fala alguma coisa por favor? - Pergunto preocupada segurando a sua mão e ele apenas abre um lindo sorriso antes de cair literalmente duro da cadeira.
7 ANOS ANTES...
Me chamo Millena, tenho 22 anos e sou uma garota de programa, não estou nessa vida porque eu quis e sim porque precisei, não tive uma infância normal como as outras crianças mas tive o amor da minha amada mãezinha, apanhei a minha infância inteira e nem na minha adolescência eu tive paz, meu pai era um alcoólatra e chegava em casa bêbado todos os dias e agredia a mim e minha mãe, mesmo sem motivo algum, quando alguém me pergunta pelos meus pais eu apenas digo que só tenho mãe e não tenho pai, não entro muito em detalhes pra ninguém saber do pai miserável que eu tinha, prefiro ser apontada como uma prostituta do que como filha daquele monstro sem coração que um dia eu chamei de pai, não sei onde ele está e nem me interessa saber, não sei o que ele faz e muito menos se está vivo, nós fugimos dele e não temos interesse em ter notícias daquele homem.
Aos 18 anos de idade eu já estava nas ruas correndo atrás de um trabalho que me ajudasse a me sustentar e sustentar a minha mãe, eu queria livrá-la de todo aquele sofrimento, ela não merecia passar por tudo aquilo, uma mulher carinhosa, amorosa e dedicada como ela não merecia ser maltratada pelo homem que ela sempre amou. Infelizmente eu não consegui o trabalho que eu tanto precisei e procurei, a única coisa que me restava era bater nas portas de uma casa noturna, não sou uma mulher feia, tenho uma boa aparência e tive certeza de que conseguiria um trabalho de balconista ou atendente ali dentro, e não deu outra, o dono da boate ficou encantado comigo e quando percebeu o meu desespero para conseguir um trabalho me contratou na mesma hora, mesmo eu não tendo experiência alguma, mas ele só fez isso porque já tinha planos pra mim, ele não me queria como uma simples balconista porque sabia que poderia lucrar muito mais comigo fazendo outro tipo de serviço.
Depois de dois meses trabalhando como garçonete Raul percebeu o interesse dos clientes sobre mim, e não demorou muito para ele abrir o jogo comigo, ele sabia que eu não podia perder esse emprego e por isso me chantageou, ele disse que me anunciaria como uma das garotas de programa da casa e se eu não aceitasse eu estaria fora da boate, eu sabia que teria dificuldades para conseguir outro trabalho, e justo naquele momento a minha mãe estava em um estado de depressão forte por conta de tudo que passou com meu pai, e não pode parar com os tratamentos, e além disso os seus remédios são caros e estamos morando em uma pensão onde pago um aluguel não muito caro, mas se eu perdesse o meu emprego provavelmente seríamos despejadas por falta de pagamento, e minha mãe não poderia passar por isso naquele momento.
Me vi obrigada a aceitar as condições do Raul para não perder o emprego e no mesmo dia tive que começar a fazer programa, e por ser virgem meu primeiro cliente pagou ao Raul uma grande quantia em dinheiro só para tirar a minha virgindade, depois disso eu não me senti mais a mesma pessoa, eu me senti suja, me senti impregnada pelo suor daquele homem nojento em corpo, mas eu teria que me acostumar com isso se não quisesse perder o emprego, por sorte eu fiz amizade com algumas meninas da boate e me apeguei muita a Elisa, hoje nós somos mais que amigas, somos quase irmãs, quando eu cheguei aqui ela já estava e logo de cara nos tornamos amigas, e era ela quem me orientava e me aconselhava sobre o que fazer e o que não fazer.
Todas nós aqui temos um nome de guerra e o meu e Safira, a minha melhor amiga é a Luna e ela é linda, chama muita atenção por onde passa e dança divinamente bem, as vezes eu tenho uma certa inveja dela mas é uma inveja boa, ela é uma das garotas mais procuradas da boate e só aparecem homens bons e cheios da grana pra ela, enquanto eu não tenho a mesma sorte, sou muito procurada também, mas pelos coroas e até que tem alguns coroas inteiros e bons para coçar o bolso na hora de pagar, não sou de dançar no palco como a Luna mas tem alguns clientes que até pagam a mais só pra mim dançar antes do programa, e é claro que eu não me recuso pois é um extra a mais no meu bolso, e apesar do Raul ficar com boa parte do nosso dinheiro até que dá para tirar uma grana boa pra me sustentar e sustentar a minha mãe e os seus tratamentos.
Essa semana eu estou me sentindo um pouco sozinha sem a minha amiga aqui comigo, ela saiu com um cliente pra ficar três dias com ele fora do Rio e eu já estou com saudades, esses dias que ela está fora eu me atrevi a dançar algumas vezes junto com algumas das garotas e até que não fui tão mal, consegui dois programas com dois gatinhos lindo que me deu até vontade de miar para eles, atendi o primeiro e depois atendi o segundo que pediu meu telefone pra marcar outro programa depois, fora da boate.
A casa hoje está cheia como sempre, muitos novinhos circulando mas também tem muitos velhos me encarando aff! Acho que preciso tomar um banho de sal grosso pra ver se espanta um pouco desses velhos da minha cola. Ando pelo salão a procura da minha próxima vítima e a verônica vem me avisar que o Raul quer falar comigo, me direcionei até o seu escritório e entrei sem bater já que ele está me esperando, assim que entro vejo o seu cofre aberto e ali tem dinheiro o suficiente pra mim não precisar trabalhar nunca mais, mas como o dinheiro não é meu vou ter que continuar trabalhando, é o jeito. Raul fecha o seu cofre indo para sua mesa me analisando de cima abaixo.
- Queria falar comigo Raul? Algum problema? - Pergunto me aproximando da sua mesa.
- Problema nenhum minha querida, pelo contrário... Tenho um book-rosa pra você no final da noite então esteja pronta até as 23hs, o motorista do cliente vira te buscar. - Diz enquanto olha alguns papais.
- Tudo bem, pode deixar comigo... Mas Raul! Amanhã eu vou precisar sair um pouquinho mais cedo, minha mãe está muito sozinha em casa e ela não está bem de saúde, eu não tenho ninguém pra ficar com ela. - Digo meio triste ao me lembrar da minha mãe.
- Negativo Safira! Eu não posso te dispensar mais cedo, a Luna não está aqui e na ausência dela as minhas melhores garotas são você, verônica e a Paola, a casa está enchendo mais a cada dia e não tem como dispensar nenhuma de vocês mais cedo, ok? - Ele me encara sério e eu me seguro para não chorar de raiva.
- Mas Raul eu preci... - O infeliz me interrompe antes que eu conclua a minha frase.
- Não tem mais e nem meio mais Safira! Não vou te dispensar e ponto final! Agora voltei ao trabalho! - Esbraveja em um tom rude e eu tenho vontade de esganar esse cretino filho da mãe.
- Tudo bem Raul... Como você quiser, com licença! - Digo já saindo do seu escritório rezando para cair um raio na cabeça desse monstro. Infeliz!
Volto para o salão puta de ódio por não poder ficar mais tempo com a mamãe amanhã, eu preciso arrumar alguém para ficar com ela mas isso seria mais um custo pra eu pagar, mas por outro lado a mamãe não iria mais ficar sozinha e a pessoa poderia me avisar sempre que ela não estiver bem. Mal dou uma volta pela boate e já aparece um cliente, ele vai acertar o pagamento com o Raul e volta rapidamente, até que o cliente não é feio e nem velho demais, da pro gasto.
Depois do programa eu vou me preparar para o book-rosa, o mal desses book-rosa é que nem sempre a gente sabe quem está nos esperando, e nem se vai ser um programa prazeroso ou doloroso, porque tem muitos clientes violentos e fora da boate nós não temos segurança nenhuma. Fui para o meu programa no horário combinado e me surpreendi ao descer do carro na frente de um dos hotéis mais luxuosos do Leblon, eu nunca tinha vindo nesse hotel mas, vamos lá, e seja o que Deus quiser.
Até que o programa não foi tão ruim, pelo contrário, foi ótimo, o cliente era gatinho e foi bem generoso comigo, ele queria me dar um valor a mais só para beijar a minha boca mas eu não aceitei, eu, a Luna e algumas das outras meninas fizemos um acordo que nenhuma de nós beijaria os clientes, por mais que o sexo fosse bom não tem como se apaixonar se não rolar um beijo, "pelo menos é isso que nós pensamos", e o nosso lema é "transar sim, se apaixonar nunca". Como eu saí do hotel já muito tarde eu vou direto pra casa, estou preocupada com a mamãe tanto tempo sozinha, por mais que moramos em uma pensão os inquilinos não vão com a nossa cara, alguns deles suspeitam que eu seja garota de programa e o dono da pensão deixou bem claro que não quer esse tipo de gente lá, ele fala como se nós tivéssemos uma doença contagiosa "cretino".
Minha mãe sabe o que eu faço, eu abri o jogo com ela e falei a verdade, afinal nós precisávamos de grana e eu não conseguia nenhum outro tipo de trabalho, minha mãe não tem condições de trabalhar fora então sobrou pra mim me virar sozinha, mas pela minha mãe eu faço tudo, ela é a minha vida e eu só tenho ela e mais ninguém, no começo ela me criticou e não quis aceitar o que eu faço, mas depois que ela viu que esse era o único dinheiro que entrava em casa e não tinha como conseguir de outro jeito, ela começou a aceitar aos poucos mas ainda diz que eu mereço coisa melhor, ela sempre diz o mesmo para Luna que tem um carinho muito grande pela minha mãe, e até a chama de tia, minha mãe conhece a história de vida da Luna e ficou horrorizada com tudo que ouviu, ela também não gosta de nos ouvir chamando uma a outra pelos nossos nomes de guerra, ela sempre nos repreende quando fazemos isso mas é apenas pela força do hábito.
Chego na pensão onde moro e já está tudo escuro, o dono dessa pensão é tão pão duro que não deixa nem a luz da entrada acesa. Entro em casa e minha mãe já está dormindo e vez ou outra ouço ela tossir mas continua dormindo, eu não posso mais deixar minha mãe nessa situação, eu preciso arranjar um lugar melhor para morarmos e um trabalho descente pra mim, mas o fato de não ter a escolaridade concluída dificulta ainda mais as coisas. Na manhã seguinte quando acordo minha mãe já tinha se levantado, o cheirinho de café entra pelas minhas narinas me dando mais ânimo pra sair da cama, me levanto para fazer minha higiene pessoal e logo me sento a mesa ao lado da mamãe.
- Toma logo o seu café filha, ou vai esfriar. - Me alerta séria olhando para o horizonte, já faz tempo que não vejo minha mãe sorrindo e isso já está me magoando por dentro.
- A senhora está bem mamãe? Está precisando de alguma coisa? - Pergunto tomando o meu café e como um pedaço do bolo que ela havia posto pra mim.
- Sim filha, eu estou bem não se preocupe. - Diz me encarando com carinho.
- Como não vou me preocupar mamãe, você passa muito tempo sozinha e eu estou me sentindo culpada por isso. - Relato em um tom triste e ela pega a minha mão.
- Já pedi pra você não se preocupar tanto comigo filha, se preocupe um pouquinho mais com você meu amor, você passa o dia todo dentro de casa comigo e a noite naquela boate, isso não é vida pra ninguém, nós já conversamos sobre isso, Millena. - Diz com um olhar de preocupação.
- Eu sei mamãe, e como sempre você tem razão mas infelizmente nesse momento eu não posso mudar isso, eu preciso cuidar da senhora pra que a senhora melhore logo, aí sim poderei dar um jeito nisso... Mas mudando de assunto, como foi a sua noite de ontem? Quando eu cheguei você estava tossindo muito e isso me preocupou. - Pergunto analisando-a.
- Não é nada demais filha, e só a garganta que está um pouco irritada, acho que vou ficar resfriada. - Diz enquanto ajeita os cabelos.
- Se cuida direitinho ouviu mamãe? Por favor...? Olha, aqui está o dinheiro do aluguel e o dinheiro das suas sessões com o psicólogo, e amanhã eu te dou o dinheiro do mercado. - Digo entregando para ela uma quantia em dinheiro e como sempre ela reluta em pegar, mas pega.
- Tudo bem minha filha, Obrigada. - Ela me dá um beijo no alto da cabeça e vai para o quarto.
Termino de tomar o meu café e volto para o quarto também, vou dormir um pouco mais e descansar para trabalhar a noite.
Chego na boate no meu horário habitual de sempre e vou direto para o camarim e Luna chega exatamente junto comigo.
- Oi amiga, eu já estava com saudades de você. - Abraço-a e rapidamente ela me aperta em seus braços.
- Ai amiga, eu também estava morrendo de saudades de você. - Diz em um tom desanimado.
- Eu posso saber o porquê desse desânimo todo? O seu passeio foi assim tão ruim? - Questiono incrédula e ela me arrasta para o nosso cantinho.
- O passeio foi ótimo Safira, o problema é que eu estou preocupada com essa história de me passar por namorada do Ryan, eu não sei o que está acontecendo comigo amiga, eu estou muito confusa. - Luna me abraça tão forte que eu me preocupo com isso.
- Não adianta negar Luna, você está sim atraída por esse cara e passar duas semanas ao lado dele, não vai te ajudar em nada você sabe disso. - Alerto sendo sincera.
- Eu sei Safira mas não tem como voltar a traz agora, ele já pagou ao Raul e ele não vai aceitar devolver o dinheiro, além disso ele também já depositou a minha parte na minha conta... Já tem dois dias que a gente não se fala por causa daquela confusão que eu te contei, e amanhã é o dia de ir para casa dos pais dele em São Paulo, eu não sei se ele vai querer desistir de me levar porque ele não fez contato nenhum comigo depois que me viu dançando com o tal amigo dele. - Diz pensativa ao se lembrar de tal fato e eu fico realmente preocupada com ela.
- Relaxa Luna, se ele não ligou pra falar nada e amanhã já é o dia da viagem, então quer dizer que ele não desistiu... Fica tranquila e faz tudo exatamente como foi combinado e não se esqueça do que você não pode fazer, ok? - Alerto me referindo ao beijo e ela sabe muito bem que é disso que estou falando.
- Tudo bem amiga, obrigada... Agora vamos nos arrumar porque a invejosa da verônica está de olho em nós para depois ir fazer fofoca com o Raul. - Diz se levantando, me puxando junto.
Fomos nós arrumar e em vinte minutos já estávamos prontas, saímos para o salão juntas com as outras meninas e começamos a circular pela boate, nos separamos e cada uma vai para um canto atrás da sua primeira vítima... Depois de alguns minutos circulando aparece o primeiro cliente e ele já havia falado com Raul, o mesmo me entrega a guia vistoriada com a assinatura do Raul e assim fomos para um dos quartos da área de cima.
A minha noite foi bem movimentada e eu atendi três cliente e fiz um bom dinheiro hoje, e amanhã já vou poder deixar para minha mãe o dinheiro do mercado. Procuro a minha melhor amiga e me despeço dela já que vamos ficar duas semanas sem nos ver.
- Por favor Luna! Me liga sempre que você precisar conversar ou precisar de um concelho, e também de um sermão ouviu? - Peço divertida e ela sorrir me abraçando.
- Obrigada minha irmãzinha, você também pode me ligar se precisar de qualquer coisa está bem? Pode ligar a hora que for não tem problema. - Alerta enquanto me solta.
- Não se preocupe tanto comigo está bem? Amanhã você vai lá e faz o que tem que fazer, e não se deixe levar por aquela tentação de homem ou isso te trará problemas com Raul, você sabe que ele não aceita que a gente tenha namorados para não atrapalhar os negócios dele. - Falo meio triste por saber que não podemos ter vida própria por causa desse maldito do Raul.
- Não se preocupe, eu vou me cuidar e você também se cuida ouviu...? Agora vai lá para não deixar a minha tia mais tempo sozinha, já já eu também estou indo pra casa. - Ela se despede e vai falar com Raul.
Vou para o camarim tomar um banho e me trocar pra ir embora, passo também para falar com Raul e acertar a noite de hoje, depois disso finalmente eu vou pra casa pois preciso muito descansar... É impressionante, na minha vida não acontece nada de bom, nada de novo, só o de sempre, de casa para a boate e da boate para casa, aff! Já estou cansada disso e sei que minha mãe se envergonha de mim por isso, mas o que eu posso fazer? Não consigo sair desse inferno que eu entrei e sei que ninguém será capaz de me tirar daqui, assim como a maioria das garotas da boate eu também queria que alguém se interesse por mim e me tirasse dessa vida, mas não vou ficar criando um conto de fadas na minha mente, se não apareceu ninguém até agora não aparecerá mais.
DUAS SEMANAS DEPOIS...
- Não vai adiantar eu dizer que você não deveria ter beijado ele, até porque você já estava apaixonada por ele e não se deu conta disso, você só o beijou porque se deixou levar pela paixão Luna. - A encaro perplexa e ela me encara atenta as minha palavras.
- Mais uma vez você tem razão Safira, eu só não sei explicar como isso aconteceu, eu não sei como pude me apaixonar por ele sem nem ao menos tê-lo beijado. - Ela suspira pensativa.
- E agora o que você pretende fazer em relação a isso? Você sabe que o Raul não vai gostar nada quando descobrir sobre isso não sabe? - Pergunto preocupada com a confusão que isso pode causar a ela.
- Não vou fazer nada, vou deixar as coisas exatamente como estão, mesmo o Ryan se declarando pra mim isso não vai me fazer mudar de idéia... Eu vou me afastar dele Safira, eu preciso fazer isso para o bem dele e o meu também. - Diz andando de um lado para o outro nervosa.
- Eu sei que você não quer fazer isso, e também sei o quanto você merece ser feliz amiga, mas esse não é o momento para arrumarmos confusão com o Raul, ele não anda com o humor muito bom esses dias. - Falo me lembrando da grosseria que ele fez com uma das meninas só por ela ter se atrasado meia hora pra chegar na boate.
- Eu sei disso, dever ter acontecido algo muito sério pra tê-lo deixado tão azedo desse jeito... Mas vamos falar de coisas boas, você se lembra que eu te falei do Maurício o amigo do Ryan? O que agora também é meu amigo? - Pergunta um pouco mais animada.
- Sim, me lembro, o que tem ele? É bonitinho? Tem grana pra perder? - Questiono divertida e ela gargalha.
- Sim, ele é muito bonito e também tem uma boa condição de vida, ele trabalha na empresa do Ryan, parece que ele é vice presidente na empresa ou algo assim, mas enfim, a questão é que eu falei muito de você pra ele e agora ele quer te conhecer. - Diz empolgada e eu respiro fundo desanimada.
- Eu não sei se ele vai gostar de mim, não sou tão bonita como você, eu só tenho sorte com velhos, aff! - Alerto frustrada e ela me encara seria.
- Para de falar besteiras Millena! Você é linda e só não teve sorte de encontrar alguém que realmente te mereça e te faça feliz, por isso fica vendo defeito em todo mundo... Mas vamos concordar que nós estamos querendo muito achando que vamos encontrar esse alguém dentro de uma boate né? - Diz ainda me encarando séria.
- Mas você encontrou Elisa, o que significa que isso não é totalmente impossível. - Rebato um pouco mais animada.
Conversamos um pouco mais e ela vai terminar de se arrumar para a sua apresentação, e como sempre sei que ela vai ficar linda. Dou algumas voltas pelo boate e até agora não apareceu nenhum cliente pra mim, me sento um pouco no bar e fico assistindo a apresentação da Elisa que como sempre está arrasando e enlouquecendo todos os homens.
- Boa noite gatinha, posso te pagar uma bebida? - Pergunta um moreno se sentando ao meu lado e até que ele é bonitinho.
- Claro bonitão, você pode me pagar o que você quiser. - Sorrio para ele que logo chama o bartender.
Por sorte o bartender se dá muito bem com todas as garotas e sabe que nós não consumimos bebidas alcoólicas durante o trabalho e toda vez que um cliente nos oferece bebidas, ele prepara algo sem álcool para nós.
- Gostei muito de você sabia? Vamos dar uma volta depois que você sair daqui? - Pergunta mexendo no cabelo e isso já me irritou.
- Me desculpe mas se quiser ficar comigo vai ter que ser aqui dentro da boate, porque lá fora eu não atendo ninguém a menos que esteja agendado com Raul. - Falo séria fazendo o seu sorriso sumir aos poucos.
- Fala sério gatinha! Você é uma prostituta e tem que me atender onde eu quiser. - Diz irritado me segurando pelo braço.
- ME SOLTA! VOCÊ ESTÁ ME MACHUCANDO! - Grito tentando me solta e logo aparece um dos seguranças ao meu lado me tirando do aperto desse homem.
- Se você agir dessa maneira com a garota de novo você será retirado da boate ouviu? - Repreende Marcos me tirando dali e eu agradeci mentalmente por isso. - Você está bem Safira? Ele te machucou? - Pergunta preocupado me levando para outra área me surpreendendo com isso, os seguranças daqui nunca se preocupam dessa maneira conosco a menos que tenham algum interesse atrás disso.
- Eu estou bem Marcos muito obrigada por me ajudar, tenho certeza de que aquele infeliz tinha outras intenções comigo além do sexo. - Me lembro pensativa e Marcos parece inquieto depois do que eu acabei de falar.
- Se eu ver aquele cretino perto de você de novo, eu quebro o pescoço dele! - Esbraveja irritado e eu me assusto com a sua reação, mas no fundo foi ótimo saber que eu teria um homem para me defender aqui dentro, mesmo que esse homem seja apenas o segurança.
- Obrigada Marcos, mas não vai precisar você fazer nada porque eu não pretendo sair com ele... Bom, agora eu preciso voltar ao trabalho, com licença. - Sorrio para ele e saio andando pela boate mesmo com receio de encontrar aquele cara novamente.
Durante toda a noite eu só consegui um cliente e apesar de precisar muito do dinheiro, eu adorei não ter que transar com mais de um cliente. No final da noite eu fui falar com o Raul e depois voltei pra me despedir das meninas, falo com todas elas e pego as minhas coisas para ir embora. Já na saída da boate eu fico com receio de sair sozinha e fiquei ali parada por alguns minutos para ver se passava algum táxi, mas até agora nada.
- O que faz aqui fora sozinha Safira? Já era pra você estar em casa a essa hora gatinha. - Marcos se aproxima me encarando surpreso.
- Eu estou esperando um táxi, mas pra falar a verdade eu estou com medo de ir embora sozinha. - Revelo envergonhada por admitir isso, eu fiquei muito assustada com aquele homem mais cedo mesmo não sendo a primeira vez que aquilo acontece.
- Eu posso te levar em casa se você quiser, o meu turno já terminou mesmo. - Diz com um sorriso de orelha a orelha e mais uma vez me surpreendo cm isso.
- Sério? Você faria isso por mim? - Pergunto animada e por impulso o abraço empolgada. - Obrigada Marcos, você é um amor. - Retribuo ao seu sorriso envergonhada.
Ele abre ainda mais o seu sorriso mas em seguida me leva até o seu carro no estacionamento ao lado, talvez eu não devesse ter aceitado a carona dele mas eu não queria correr o risco de ir embora sozinha depois do que aconteceu com aquele cliente, a algumas semanas atrás a Luna quase foi raptada aqui na porta da boate e eu não quero correr o mesmo risco que ela, que por sorte foi salva pelo bonitão do Ryan. Assim que chegamos na porta da pensão onde moro eu me despeço do Marcos e saio do seu carro fechando a porta.
- Espera Safira? - Pede Marcos saindo do carro e eu paro para ouvi-lo. - Posso te trazer em casa todos os dias se você quiser, e permitir é claro, quero conhecer você melhor... Você é uma garota incrível. - Diz já bem próximo a mim e eu o encaro boquiaberta.
- Marcos... Eu não sei o que dizer, eu não esperava por isso... Você sabe que tanto eu quanto as outras garotas não podemos ter nenhum tipo de envolvimento afetivo com ninguém, além disso eu não quero e não posso me envolver com alguém agora além do profissional. - Digo meio sem graça e ele me encara triste. - Se você quiser me conhecer e me ter como sua amiga eu vou adorar Marcos, mas eu não posso te oferecer mais do que a minha amizade, me desculpe. - O encaro atenta deixando-o ainda mais triste com essas palavras.
- Tudo bem, eu entendo... Não se preocupe, eu quero ser seu amigo e você sempre pode contar comigo, mas se você mudar idéia e quiser mais de mim, eu vou estar sempre a sua espera. - Diz suavizando um pouco mais a sua expressão e me dá um beijo no rosto, saindo em seguida.
Fico aqui parada sem entender nada do que aconteceu agora, eu que pensei que nenhum homem me veria além de uma prostituta e de repente aparece o Marcos me pegando totalmente de surpresa com essa declaração, bem que eu queria corresponder aos seus sentimentos mas eu não sinto o mesmo por ele, e nem poderia, eu não quero arrumar problemas pra mim e para ele, o Raul nunca permitiria um envolvimento entre os funcionários, se é que posso colocar assim. Entro em casa com os pensamentos em Marcos, confesso que além de surpresa eu também fiquei mexida com o interesse dele por mim, se fosse antes de eu entrar na boate com certeza eu tentaria algo com ele, ou talvez não, ah sei lá. Deixo os meus pensamentos de lado e vou dar um beijo na minha mãe antes de ir dormir, graças a Deus e aos remédios ela não está tossindo mais.
Na manhã seguinte acordamos assustadas com alguém esmurrando a porta e achamos que estavam tentando arrombar a nossa casa, mas então ouvimos a voz do Sr. Castilho, o dono da pensão, vou até a porta ver o que ele quer e assim que abro a porta ele já entra gritando e me mandando sair da casa, fico tentando entender o que estava acontecendo mas nada me vem na mente.
- Saiam já dá minha casa! Eu não quero mais vocês aqui porque eu avisei que essa pensão é um ambiente de família, e vocês mentiram pra mim se passando por pessoas decentes! - Ele grita apontando o dedo na minha cara e eu continuo sem entender.
- Pelo amor de Deus Sr. Castilho se acalme, vamos conversar pra gent.... - Tento conversar mas ele me interrompe.
- Cala a boca sua impura! Eu avisei que não aceito prostitutas na minha pensão e vocês são... - O interrompo antes que insulte a minha mãe.
- OLHA BEM COMO SENHOR FALA DA MINHA MÃE! ELA NÃO TEM NADA A VER COM O QUE EU FAÇO ENTÃO É COMIGO QUE O SENHOR TEM QUE RESOLVER! - Grito ainda mais alto que ele que me encara assustado. - Se o senhor faz tanta questão eu saio da sua pensão, mas a minha mãe vai ficar porque ela não tem nada a ver com o que eu faço! O senhor sabe que ela está doente e não tem para onde ir, nós sempre pagamos o aluguel em dia, nunca devemos nada ao senhor então por favor deixa ela ficar até eu encontrar outro lugar pra ela, e eu saio agora mesmo. - Falo um pouco mais calma e com lágrimas nos olhos, eu não queria ter que deixar a minha mãe ainda mais sozinha que antes.
- Não filha! Se você sair eu saio com você! Não vou te deixar sozinha Millena eu vou com você! - Minha mãe se mete onde eu não chamei, ela não pode sair daqui e eu não vou permitir isso, não agora.
- Pelo amor de Deus mamãe não complique ainda mais as coisas, você vai ficar aqui sim! Eu vou dar um jeito de conseguir logo um outro lugar pra nós não se preocupe. - Abraço-a forte e nós duas choramos.
- A sua mãe pode ficar! Mas eu quero você fora da minha pensão imediatamente! - Diz ele passando por mim e para na porta me olhando feio.
- Não se preocupe! Eu vou sair, só vou pegar as minhas coisas! - Rebato indo para o quarto com a minha mãe e ele sai batendo a porta.
- Pra onde você vai minha filha...? Onde você vai dormir meu anjo...? Eu não queria ver você passando por isso minha filha.... - Me questiona chorando.
- Mamãe não se preocupe comigo, hoje eu vou dormir em um hotel mas amanhã eu vou correr atrás de um lugar melhor pra nós duas não se preocupe. - Falo enquanto pego as minhas coisas. - Eu já vou mamãe, me liga se precisar está bem? E por favor fique calma e não se altere está me ouvindo? - Abraço-a novamente sentindo o meu coração doer por deixá-la.
- Vai com Deus minha filha... E que ele te abençoe, se você não conseguir um lugar pra ficar você me avisa por favor Millena, eu dou um jeito de você entrar aqui sem ser vista está bem? - Diz ainda chorando se soltando de mim.
- Está bem mamãe, obrigada... Eu te amo, você é a minha vida. - Beijo e abraço ela forte mas logo me solto dela, saindo da casa deixando ela chorando e isso me corta o coração.