Capítulo 1 – A Falência
Diana Campbell
Em um dia estávamos planejando ter um filho; no outro, eu estava lendo sua carta suicida. Agora, estou aqui sozinha, perante todos os nossos funcionários, comunicando a falência iminente.
- Você tem certeza disso, Di? Não quer pensar mais um pouco? Só tem uma semana desde que Liam se foi... - Tyler sussurra ao pé do meu ouvido, ainda temeroso com a minha decisão.
- Quer que eu espere perder minha casa para tentar reagir? Eu não tenho mais o que esperar. - Respondo decidida.
Liam dizia que eu era o rostinho bonito da nossa relação. Nunca tive que tomar decisões sobre a nossa empresa, justamente porque ele era o cérebro da parceria. Eu costumava ser a esposa troféu, aquela que sabia conversar com as outras esposas, que usava o diploma como enfeite na parede de casa, que nunca se atreveu a entrar nas conversas de negócios dos homens.
Mas agora Liam não está mais comigo. Tudo o que me resta é a criança que carrego ainda dentro de mim. E se há algo que me impulsiona a reagir, são os chutes dela. Eu não vou deixá-la sem um lar.
- Desde já, agradeço a presença de todos. - Digo, varrendo a sala com o olhar e contemplando os poucos funcionários que permaneceram em nossa equipe.
Muitos se demitiram, outros foram cortados, e os que ficaram somam apenas quinze. Eles se acomodam à mesa da sala de reuniões. Nem precisamos do auditório hoje, como Liam costumava fazer quando precisava dar os comunicados sobre novos contratos ou até mesmo dar aqueles puxões de orelha que todo chefe costuma dar.
- Sra. Campbell, estamos preocupados... - Uma senhora, nossa arquiteta mais antiga, levanta a mão para falar. - Qual será o futuro da empresa?
- Helena, eu vim até aqui hoje justamente para dizer que tudo isso já está decidido. - Luto para que minha voz saia, apesar do aperto na garganta. - E conto com todos vocês para darmos continuidade a esta empresa.
- Nossos salários estão atrasados, muitos de nós já se foram e todos os boatos que estão rolando... - Jake, o responsável pela TI, fala.
- São apenas boatos. - Declaro, tentando me manter firme.
O olhar de Tyler, advogado de Liam e representante da empresa, recai sobre mim.
- A morte de Liam, os motivos das dívidas e todo esse caos envolvendo o nome da Campbell's ainda estão sob investigação da polícia. - Tyler diz pela primeira vez, dando-me tempo para uma breve pausa.
- E... o que faremos? Com todos os boatos, a empresa está em decadência, perdemos a credibilidade no mercado e na imprensa. - Amara, responsável pelas relações públicas, parece ainda mais perdida.
O cenário é completamente desesperador. Por alguns segundos, eu desejo correr e me jogar na frente do primeiro carro, para ir encontrar Liam e não ter que passar por tudo isso sozinha.
Mas há algo que mantém meus pés grudados no chão. Eu respiro fundo, fecho os olhos e volto a abri-los novamente quando lembro das palavras ensaiadas por mim durante a madrugada.
- De todos os boatos, apenas um sabemos que é verdade: Liam perdeu 70% da empresa para Thomas Stevens. Não sabemos como, mas, enfim... Um dos representantes dele chegará em breve e assumirá tudo isso. O salário de vocês, as dívidas, tudo. - Volto a tomar a palavra e escuto os burburinhos. - Ainda serei sócia, mas com 70% da empresa nas mãos deles, vocês sabem a quem terão que obedecer.
- Diana, os Stevens eram nossos maiores rivais. - Helena lembra. - Liam os detestava, detestava o filho dele, a família deles... Nós vivíamos competindo. Isso não faz sentido algum.
- Eles eram nossos rivais, mas agora estamos nas mãos deles. - Declaro, sorrindo fraco. - É isso ou o olho da rua, Lena. Não temos escolha a não ser nos aventurarmos nisso.
Liam, como você pôde? Era para estarmos vivendo a nossa melhor fase e agora estou tendo que lidar com tudo isso sozinha... Eu só espero que não seja tão ruim quanto tudo nos indica.
- Se alguém quiser pedir demissão, sugiro que escreva o nome nesta folha. - Tyler estende uma folha em branco sobre a mesa e coloca uma caneta em cima. - Não temos dinheiro algum para pagar seus direitos. Estou sendo sincero, mas... - Ele olha para mim. - Podemos tentar conversar com os Stevens.
- Não! - Protesto e amasso a folha, gerando surpresa nos funcionários. - Vão mesmo desistir antes de ver o que nos espera? Confiamos tanto no Liam, em tudo que ele falava sobre os Stevens e, enquanto ele pulou do barco, nós estamos aqui, recebendo uma nova chance de vida das mãos deles. - Meu estômago se revira de nervosismo, e meu tom de voz aumenta, quase aos berros. - Eu vou me sujeitar, estou grávida, viúva, levaram até meus carros! Sabe o que me sobrou apenas? Um apartamento minúsculo no centro. Eu vou ter que trabalhar tanto quanto vocês, voltarei a ser paisagista, mal poderei ter poder de fala na empresa que o meu marido construiu ao meu lado. Então, gente, se eu estou passando por isso e tendo a humildade de continuar, por que vocês não dão uma chance? Pelo menos um mês para ver o que vai acontecer. - Diminuo meu tom de voz na última frase e me apoio à mesa para respirar fundo mais uma vez.
Mas eu não aguento. Algumas lágrimas escorrem.
- Desculpa falar assim. - Levanto o rosto e enxugo as lágrimas, respirando fundo e tentando me recompor enquanto todos me olham. - Vocês são o mais próximo que eu tenho de família agora, ok? Eu só...
- Não vamos te deixar. - Tyler me vira em sua direção e me abraça apertado.
Aconchego-me ao seu peito e me permito chorar um pouco mais, sentindo o peso nas minhas costas ser aliviado brevemente.
Palmas começam a ser ouvidas, como se eu tivesse ganhado um prêmio.
- Vamos ficar, Di, por você. - Helena grita, atraindo meu olhar.
E, pela primeira vez em dias, consigo abrir um sorriso.
Depois de dias apenas perdendo, uma esperança acalenta meu peito. Eu não estou tão sozinha assim.
Capítulo 2 – Dúvidas
Diana Campbell
- Obrigada por aceitar almoçar aqui. - Agradeço a Tyler depois de ele abrir a porta do McDonald's para mim.
- Desejos de grávidas devem ser respeitados. - Ele diz, e eu só consigo lembrar do meu marido.
Era para ele continuar fazendo isso, não um terceiro. Reviro os olhos com esse pensamento e tento disfarçar, mas Tyler é perspicaz e me olha curioso.
- Eu disse algo de errado? - Pergunta, preocupado.
- Não, claro que não... Eu só estava pensando em Liam e no que ele sempre dizia.
- Ah, sim, desculpa. - Tyler coça a cabeça, envergonhado.
Caminhamos até o balcão. Tyler pede algo com frango grelhado, muita salada e um suco natural, enquanto eu opto por muito cheddar, bacon, batatas fritas e uma Coca-Cola Zero, para dar o equilíbrio. Tyler é o típico americano que vive para a academia e não abre mão de seu físico por nada. Alto, de pele clara, olhos azuis e cabelo cortado em estilo militar, sua boa aparência é nítida; é óbvio que ele veio de uma boa família. E, se há algo que me perturba, é o fato de ele continuar trabalhando comigo, mesmo com todas as bombas estourando sobre nós. Ele nem era tão amigo de Liam assim... Pelo contrário, Liam sempre reclamou dele.
- Por que continua trabalhando para mim? - Eu não consigo mais me conter.
Não consigo confiar nele. É como se ele fosse forçado a estar ali, como se a desconfiança do meu marido ainda respingasse em mim. Apesar de o homem não aparentar ser uma ameaça.
- Como assim? - Ele me encara com o cenho franzido, e a confusão é evidente em seu rosto.
- Você é rico e seu pai é dono dos maiores escritórios de advocacia de Manhattan. O que você quer para a sua carreira se continuar envolvido nesse caso do Liam?
- Eu achei ridículo o que ele fez contigo. - Ele revela e faz uma pausa ao ver a atendente se aproximar com nossos pedidos. - Obrigado. - Ele diz à jovem, que o admira descaradamente, mas logo volta sua atenção para mim. - Eu sei que era o seu marido, que você está sofrendo com o luto e desconfiando de tudo e de todos, mas se existe uma única pessoa para você desconfiar, essa pessoa é o Liam.
Engulo em seco. Ele tem razão.
- Você muito mal vai ganhar o seu salário com isso, Tyler. - Insisto, pegando uma batata e provando-a em seguida.
- Como você disse: eu não preciso do dinheiro, Diana. - Ele retruca, tomando um pouco de seu suco de laranja. - Nem todo mundo precisa de algo em troca. Às vezes, a gente só quer ajudar. Você e a Liana...
- Ayla. - Corrijo, referindo-me ao nome da minha filha.
Liana era uma homenagem ao pai dela. Depois de tudo, com tantas desconfianças, não quero arriscar dar ao meu mais sincero amor o nome de alguém que, supostamente, seria indigno.
- Você e a Ayla merecem ter alguém por perto, alguém que as ajude não só na empresa, mas... - Ele leva a mão até a minha, que está sobre a mesa.
Seu toque me arrepia estranhamente. Definitivamente não é um toque que me traz conforto, como as borboletas no estômago que senti ao toque de Liam um dia. O toque de Tyler faz com que uma corrente elétrica e gélida percorra toda a minha espinha.
Afasto-me do seu toque e foco em desembrulhar o hambúrguer, comendo-o, enquanto me concentro em não olhar nos olhos azuis dele.
- Digo, Liam era filho único, os pais dele morreram cedo, e você...
- Meus pais detestavam meu marido e pararam de falar comigo antes mesmo do casamento. - Eu tomo a palavra, antes que ele tenha o prazer de declarar isso para eu ouvir.
- O que levou seus pais a não gostarem dele? - Tyler questiona, ainda curioso.
- Isso tem algo a ver com as investigações? - Rebato.
- Talvez... - Dá de ombros, levando um pouco da salada à boca.
- Não sei. - Sou sincera. - Acho que simplesmente não gostaram dele. Eles tinham isso. - Recordo-me de papai e mamãe e de como julgaram Liam.
Eles simplesmente não gostaram. No final, nos excluíram de suas vidas, restando apenas eu e Liam contra o mundo.
- Pensa em ir atrás deles agora que Liam não está mais contigo?
Eu não tinha pensado nisso.
- No momento, eu só quero organizar minha vida e a minha empresa. - Dou um corte na conversa.
- Desculpe se estou sendo invasivo. Eu só quero ajudar. - Ele me olha nos olhos. Seu olhar é intenso, como se quisesse ler minha alma ou, na hipótese mais simples, meus pensamentos.
- Você pode deixar que eu me concentro nas coisas da empresa. Quero que se concentre com o detetive sobre as dívidas de Liam e se ele realmente se suicidou, ou se o mataram. O que o levou a perder a empresa, ou se ele realmente vendeu.
- Acha que podem ter matado ele?
- Não sabemos a quem ele devia, o que ele fazia. Ele me deixou uma carta, digitada, nem era a letra dele. A carta não tinha pé nem cabeça, muito menos... - Fecho os olhos e respiro fundo. - Ser encontrado no fundo de um rio, dentro do próprio carro e com um tiro na cara. Na cara, Tyler. - Declaro com a voz embargada. - Caixão fechado, eu só reconheci o corpo pelas tatuagens.
- Perfeito e milimétricamente pensado para um suicídio. - Tyler parece entender minha linha de raciocínio.
- A polícia da cidade já deu o caso como resolvido. Esse detetive que você encontrou é tudo o que tenho como esperança...
Às vezes eu tenho raiva de Liam, às vezes eu apenas sinto que fomos interrompidos de algo lindo. A verdade é que, na maioria das vezes, nas últimas semanas, estou confusa. Liam costumava me contar tudo, mas dias antes de sua morte, coisas começaram a acontecer. Um Liam diferente estava dividindo a cama comigo. Ele recebia ligações que o faziam se afastar de mim para falar. Parecia distante na maioria das vezes, chegava tarde em casa ou mal dormia pelas madrugadas, zanzando pela casa.
Descobri nossa falência lendo a carta que deixou, o que nos fez acreditar no suicídio.
Mas, ao mesmo tempo, eu sinto que algumas coisas não encaixam.
O meu Liam amava a vida, jamais teria coragem de tirar a própria.
Contudo, o Liam que estava convivendo comigo nos últimos dias não parecia ser o mesmo.
Capítulo 3 – A Carta
Diana Campbell
"Eu não sei nem por onde começar a te escrever.
Prometi cuidar de você até o nosso fim. Pretendia te acompanhar por toda a vida, não deixar que nada de mal te acontecesse, mas fui fraco demais e hoje estou quebrando a promessa.
Meu amor, você foi tudo o que sempre sonhei. Os anos que compartilhamos juntos foram os melhores de toda a minha vida de merda. Você foi um anjo que chegou e trouxe luz para os meus dias nublados. Graças a você, juntos, erguemos nosso império e construímos nossa família. Fomos felizes, amamos, viajamos, vivemos coisas extraordinariamente inimagináveis.
Infelizmente, tudo isso chegou ao fim.
Não tenho coragem de te olhar nos olhos e dizer que errei tanto ao ponto de ter que tirar de você tudo o que um dia pude te proporcionar.
Eu errei, Di. Eu errei feio e não sou digno do seu perdão.
Um dia eu te prometi ser sincero, prometi sempre te dizer a verdade, mas nas últimas semanas eu me vi como a própria mentira.
Eu errei, me desculpa, mas não consigo mais ficar.
Nossas contas bancárias não foram suficientes para pagar o que eu devia.
Fui fraco e inconsequente.
Me desculpa, meu amor, mas eu não posso continuar colocando a nossa família em risco por minha causa.
Cuide da Liana, cuide de ti.
Sejam felizes de um jeito que eu jamais poderia fazê-las.
Adeus,
Liam."
Eu posso ler esta carta milhões de vezes, e sei que, em todas elas, vou me sentir confusa. Por mais clara que alguns pensem que esta carta seja, sinto que não estou lendo Liam, nem mesmo em seus sentimentos mais confusos.
Todos os dias, acordo e leio essas palavras, mas elas nunca fazem sentido.
Batidas na porta me despertam dos meus pensamentos, fazendo-me enxugar as lágrimas dos meus olhos e devolver o papel levemente amassado à minha bolsa.
- Bom dia, Diana! O Sr. Stevens chegou, está na sala de reuniões e aguarda pela senhora. - Hannah diz com seu sorriso perolado, confortando-me com a gentileza em seu olhar e a calmaria em sua voz.
- Obrigada, querida. Diga a ele que já estou a caminho. - Tento transparecer tranquilidade em minha voz, mas, na verdade, tudo ainda soa embargado demais.
- Ok, o senhor Tyler também já está aqui. - A jovem sorri e fecha a porta.
"É, ele sempre está", reviro os olhos e penso.
Pego as pastas em cima da minha mesa, junto minhas coisas e saio da sala, encontrando Tyler na recepção, mexendo em seu celular. Porém, ao me ver, ele se levanta rapidamente e sorri, como se eu fosse a coisa mais interessante e importante do mundo.
- Bom dia, Diana. Como vocês estão? - Seu olhar desce à minha barriga, ainda não muito grande, disfarçada pelo vestido largo.
- Bem. - É tudo o que digo.
- Ethan chegou, vamos lá? - Ele indica a direção do elevador com a mão, e eu sigo, embora não esteja satisfeita com a sua companhia.
Eu nem me esforço para disfarçar.
Adentramos o elevador, eu entro seguida por Tyler. Poucas pessoas estão trabalhando na empresa, e meu coração se parte ao ver o corredor à nossa frente, quase vazio, se comparado aos meses anteriores.
A porta se fecha e meu pensamento nostálgico é interrompido por Tyler, mais uma vez.
- Achei melhor vir, para acompanhar essa primeira conversa sua com ele, visto que você tem algumas dúvidas e eu quero garantir que tudo esteja direitinho perante a lei.
- Você é bem insistente. - Digo irritada.
- Diana...
- Tyler, eu disse que cuidaria disso. Falei claramente que queria você acompanhando aquele detetive. - A porta do elevador se abre, me dando a visão do andar da sala de reuniões.
- E eu disse que daria conta de...
- Estou esperando há quase quinze minutos. - Uma voz se faz ouvir, fazendo com que Tyler finalmente pare de falar.
Ao virar na direção da voz, quase me sinto como uma criança levando uma bronca dos pais.
Tyler caminha para fora do elevador com a mão nas minhas costas. Caminhamos juntos e constrangidos em direção ao homem que nos espera na porta da sala de reuniões.
Sua voz rouca, seu olhar frio e sua postura séria fazem meu coração apertar, e eu engulo em seco o choro que insiste em brotar novamente em minha garganta.
Malditos hormônios.
Além disso, o rapaz possui uma bela aparência.
- Você deve ser Diana, a viúva. - Há prepotência em sua voz, indiferença em seu olhar, mas ele estende a mão para me cumprimentar.
- E você deve ser Ethan, o filhinho do papai. - Digo, notando as tatuagens que cobrem sua mão.
Ethan não tem cara de homem de negócios. Se pudesse chutar, diria que ele é apenas um grafiteiro dentro de um terno caro.
Ethan é alto, moreno, possui um sorriso até que bonito, piercing pequeno sobre o nariz fino, uma argola pequena em uma de suas orelhas e tatuagens que, ao julgar pelo pescoço e mãos, cobrem boa parte do seu corpo.
- Aparências enganam. - Ele declara, já apertando a mão de Tyler.
- Digo o mesmo. - Adentro a sala e tomo a liberdade de sentar em um dos sofás, dispensando a mesa.
- Pensávamos que chegaria amanhã. - Tyler dá início à conversa, meio que justificando nosso atraso.
- Consegui adiantar minha mudança. - O homem diz, tirando o blazer e revelando a blusa branca, quase transparente, que deixa em evidência os desenhos que cobrem seu corpo. - Meu pai disse que vocês queriam urgência na transição.
- A situação não está muito boa por aqui. - Tyler diz.
- Na verdade, a gente precisa de algumas respostas. - Eu falo antes que Tyler diga mais coisas e não pergunte o que eu quero saber.
- O que, exatamente? - Zayn senta-se em uma das poltronas vazias, cruzando as pernas e abrindo os braços, com um sorriso vitorioso nos lábios. Como se fosse uma vitória estar aqui hoje.
- Liam tinha alguma dívida com vocês? Como conseguiram comprar a empresa dele?
- Dívida? - O homem sorri, em deboche. - Ele nunca teve dívida conosco. Ele apenas ofereceu e nós compramos. - Dá de ombros, como se fosse óbvio.
O ar foge dos meus pulmões, meu coração falha em uma batida e meus pensamentos ficam ainda mais confusos. Parece que, a cada vez que busco mais respostas, tudo fica mais enrolado.
- Não é possível. Liam jamais venderia a empresa para o nosso maior concorrente. - Nego, ainda tentando entender a situação.
- Ele quem procurou a mim e ofereceu tudo de mão beijada. - Ele diz. - Até pensei que estivesse de engano, mas... acho que você está tão surpresa quanto eu fiquei.
- Não faz sentido, Tyler. - Declaro e me levanto, vendo Tyler vir até mim.
- Você não sabia? - Ethan questiona.
- Ele tinha dívidas, muitas dívidas. Vocês faliram, e ele fez isso com a esperança de pagar. - Tyler diz, tentando me dar respostas.
- Tyler, você não entende. Eu pensei que ele tivesse apostado, sei lá, perdido a empresa. Não vendido assim, para o maior concorrente dele.
- Liam ainda tinha problemas com jogos? - Ethan se levanta e vai até o mini bar no canto oposto da sala. - Na faculdade, eu sempre avisei a ele que aquele vício o traria problemas.
- Ele parou de jogar quando casamos. - Justifico. - Nunca mais jogou, eu tenho certeza.
Para quem estou querendo mentir? Eu não tenho certeza de nada.
- Se tem uma pessoa que não tem certeza por aqui, Sra. Campbell, essa pessoa é você. - Ethan vem até mim. - E posso falar a verdade? Ele me ofereceu mais. Mais do que 70%... - Ri. - Parecia um louco, atordoado, com raiva.
- Raiva? - Questiono, já sentindo as lágrimas embaçarem meu olhar.
- O advogado que estava com ele sugeriu que ele deixasse pelo menos alguma coisa para a filha. - Aponta para a minha barriga. - E não, não era esse cara aí atrás de você não. Era um outro advogado... não lembro o nome dele.
Olho para Tyler em busca de uma resposta, mas ele parece tão atônito quanto eu.
- E então, Liam olhou para ele, riu e disse: "Não sabemos nem se aquela criança é minha."
E foi aí que o meu mundo caiu.