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Digitais que Queimam

Digitais que Queimam

Autor:: JulikaNesser
Gênero: Romance
"Suas digitais ainda queimam em minha pele" Luiza tinha tudo para desistir. Mas reuniu toda a força que ainda tinha pra lutar. Com a mãe com câncer em tratamento, um irmã problemática e uma casa pra manter, ela não vê outra escolha a não ser se desdobrar em dois empregos: faxineira de uma universidade durante o dia e garçonete durante a noite. Thiago teve todas as regalias que poderia ter. É dono de uma universidade, rico e bem sucedido. Mas vê seu mundo mudar em uma noite quando vai com seus amigos a um bar, e pressionado e desafiado por eles, da um beijo na garçonete e entrega um número de telefone errado. Mas um acidente em seu escritório alguns dias depois leva uma faxineira a ir ao seu encontro. O que ele não esperava era que essa faxineira era a garçonete que ele beijou no bar. Mundos opostos que se cruzam numa explosão de sentimentos e obstáculos que vão surgindo. Será que eles terão forças pra enfrentar tudo por amor?

Capítulo 1 Eu sou real, pele e osso

"Talvez gostemos da dor, porque sem ela, eu não sei... talvez nós simplesmente não nos sentíssemos reais."

- Grey's Anatomy

A vida nunca tinha sido fácil. Desde criança, a primeira memória de Luísa era uma discussão dos pais. Ela chorava, abraçada a um travesseiro, enquanto ouvia o pai dizer que ia embora e que seria melhor assim. Talvez, se naquele dia, ele tivesse ido embora mesmo, as coisas teriam sido realmente melhores.

O relacionamento de seus pais não era nada bom. O pai era instável, sem base familiar, não sabia ser uma figura paterna a quem Luisa poderia se espelhar, desde que ela era criança cobrando a filha de coisas que ele próprio não tinha conseguido conquistar... o abuso psicológico era tanto, que muitas vezes na adolescência, Luísa entrava no banheiro e pedia para que quem regesse o universo a levasse daquele lugar. Muitas e muitas vezes pensou em parar de viver, sem forças para continuar.

Os pais brigavam mais do que ficavam em paz, com o tempo Luisa começou a se acostumar com as brigas, com as discussões altas, tentando de todo jeito que a irmã mais nova não ficasse sabendo de nada do que acontecia. Quando Luísa fez 13 anos, o pai começou a encrencar que sua esposa tinha um amante, e tentava de todo jeito convencer Luísa também, dizendo que tinha provas - as quais a própria Luísa nunca chegou a ver. E mesmo assim,mesmo com as palavras que machucavam, com os socos que levava, a mãe de Luisa nunca se separou.

E além de ter que lidar com os problemas familiares, Luísa também tinha sua própria carga para carregar. Cresceu se sentindo estranha, como se não se encaixasse em lugar nenhum. Teve que amadurecer muito cedo pra lidar com os pais, por isso, as conversas da sua idade não a interessavam, e era taxada como o chata, a careta. Foi quando o bullying começou, junto com as mudanças de escola - 11 vezes pra ser mais exato. Como o pai era autônomo, eles nunca tinham residencia fixa, vivendo de aluguel e se mudando constantemente. Pelo menos Luisa cresceu sem se apegar a nada, seja casa ou bens materiais.

Claro que ela sonhava com um dia em que não ia ser expulsa de onde morava pela falta do pagamento do aluguel, ou de que na janta teria mais do que um sache de ketchup velho com um pedaço seco de pão.

Por muitas vezes, deitada a noite em sua cama, pensando em tudo, ela desejava ter nascido em outra família. Ela via a vida dos outros amigos, não era ingênua de pensar que não tinham problemas, porque afinal, todos tem, mas sabia que eles tinham casa própria, os pais empregos fixos, e um relacionamento que talvez pudesse se espelhar.

Ela desejava, mas então chorava, com peso no coração por pensar em trocar de família, porque, apesar de tudo, era sua família, e ela a amava com toda a força de seu ser.

Não demorou muito para Luisa começar a trabalhar, e então os pais se acomodarem em suas costas. Ela fazia o ensino médio de manha, e a tarde trabalhava em um supermercado. A única com salario fixo em casa, então por isso ela assumiu o aluguel.

"Pelo menos um mês eu vou ter paz sabendo que tenho um teto sob minha cabeça."

Começou a se dedicar mais aos estudos nas horas vagas, que eram das 23 da noite ate as 6 da manha. Queria prestar vestibular, entrar em uma faculdade boa, ter um futuro diferente, poder dar uma vida melhor a sua família.

Foi quando seu pai sumiu da face da terra. Até os dias de hoje ela ainda não sabe onde ele esta. Se vivo ou morto, rico ou pobre, no pais ou em outro. Um dia ele estava lá, reclamando de tudo, no outro não estava mais.

Acabou não passando de primeira no vestibular, e com o passar dos anos acabou se acomodando. Mas então, quando ela achou que finalmente teria paz, depois que o pai tinha ido embora, a noticia de que sua mãe estava com câncer abalou ela completamente.

Ela tinha 21 anos, sem expectativa de futuro, trabalhando em um supermercado em período integral, com uma irmã de 14, uma mãe com câncer que ia começar um tratamento intenso e não tinha ninguém pra cuidar...

Ela não podia virar as costas agora... não quando sua mãe precisava tanto del...

Ela conseguiu tratamento pelo governo, pelo menos o começo. O primeiro ano regido a quimo terapias, remédios e idas e vindas ao hospital. Luisa acabou perdendo o emprego no supermercado pelas faltas para acompanhar a mãe no médico.

Então o governo cortou o beneficio, a mãe começou a piorar sem os remédios. Luisa conseguiu um emprego de garçonete em um bar muito famoso da cidade, que até pagava bem, mais as gorjetas, e com isso, conseguiu colocar a mãe de volta ao tratamento...

Tinha dias em que ela saia do bar, trocando de roupa no pequeno vestiário do local, e ia andando e chorando de volta pra casa, sentindo o peso do mundo em suas costas. Ela suspirava e olhava para o céu, desejando ser qualquer outra pessoa da face da terra, até o mendigo que estava deitado embaixo do toldo de uma loja.

Se sentia egoísta, então chorava mais, porque, se não fosse ela, quem seria? Quem iria aguentar passar por tudo que ela passava? Quem iria conseguir carregar o peso daquele mundo nas costas?

Apesar de tudo, Luisa era humana. Com pele e osso, que se machucavam, que se quebravam, que jorrava sangue, que tinha cicatrizes eternas cravadas. Ela não conseguia imaginar uma vida sem dor, talvez tivesse se acostumado a ela. Nenhum dos seus relacionamentos era normal. Sua amiga mais antiga - e única - era Beatriz, que conheceu quando tinha 13 anos, em uma das escolas que estudou.

Ela, que por tantas vezes dizia que Luiza precisava sair de casa e viver sua própria vida, dizia que Luiza se auto sabotava, não deixando ninguém se aproximar... e estava certo, por tudo que viveu - e vivia - Luiza se escondeu em volta de uma casca de auto proteção, e só entrava quem conseguia quebrar essa casca. Mas ninguém tinha paciência pra isso. Julgavam Luiza por fora, sem nem ao menos conhecer ou saber algo sobre a vida dela, o porque dela ser assim.

Ela sentia que não tinha mais esperanças pra ele. Aos 22 anos ela estava cansada. Cansada da vida, cansada de tudo.

Cansada e ao mesmo tempo com peso na consciência por estar assim.

- Preciso arranjar outro emprego durante o dia, só o de garçonete não ta dando pra pagar os remédios e ainda manter a casa - ela disse a Beatriz em um dia em que estavam as duas sentadas em frente ao bar onde Yo

Luiza trabalhava após o expediente.

Beatriz fez uma careta - Olha... lá na faculdade onde eu trabalho estão precisando de faxineiros... mas não sei se você...

- Eu quero! - Luiza disse sem pestanejar, se virando para a amiga - eu preciso de algo Bia, qualquer coisa, não me importo de limpar chão.

- Não é só chão Lu, são pátios, salas, privadas... é um trabalho digno, porém tem que ter estomago, não que eu esteja dizendo que você não tem, só não consigo te ver assim...

- Eu não tenho escolha...

- Falta muito pro tratamento da sua mãe acabar?

- Eu não sei... ela não mostrou nenhuma melhora... o retorno no médico é só daqui dois meses...

Beatriz suspirou - Não vejo a hora dela ficar boa logo pra você poder viver um pouco sua vida. Me machuca você se auto negar, nem sai, nem vai ver gente em algum lugar, não arranja ninguém pra... sei lá... pelo menos dar uns beijos, umas pegadas, passar a noite...

- Lá vem você com essa historia de novo - ela disse rindo.

- É porque né... você precisa... perder o cabaço.

Y

Luíza empurrou o amigo pelo ombro - Vai acontecer Bia, e quando acontecer você vai ser a primeira a saber.

- Mas vai acontecer quando? Você vive e respira trabalho e família. Eu tenho medo de você ficar doente...

- Não vou, estou saudavel.

- Não to falando do seu eu de fora ô tapada, to falando do seu psicológico...

Luiza suspirou - Eu to bem Bia, não precisa se preocupar.

Foi a vez de Beatriz suspirar - Ok, vai querer mesmo a vaga de faxineira?

- Vou. - Luiza disse firme.

- Certo, amanhã faço seu ligamento pelo RH - Beatriz era a coordenadora do setor na faculdade, ao contrario de Luíza, vinha de uma família bem estruturada, que a permitiu fazer a faculdade de psicologia que tanto queria. Ela tinha começado como estagiária, agora já era quase a que comandava o setor inteiro, coisa que ficaria oficial depois de sua formatura dali 6 meses.

- Obrigada Bia.

- Fazer o que né? Agora vem - disse se levantando do meio fio onde estavam sentados - Vamos achar uma cerveja pra você beber, to convidando, ou seja, eu pago, e não aceito não como resposta.

Luiza riu, se deixando ser puxada por Beatriz, andando na rua com um sentimento estranho no peito. Ela estava mais ferrada que nunca, ia ter que trabalhar em dois empregos e dar conta de tudo. Trabalho braçal, que iria exigir muito de si.

Mas ela precisava, sua família precisava...

Mas ela também não conseguia controlar o pequeno fio de fogo que acendia em seu coração cada vez que pensava em viver sua vida, encontrar alguém, ter suas primeiras experiencias.

Ela só tinha uma certeza: estava muito longe de acontecer...

Ou não.

Capítulo 2 Um dia de merda

"Ninguém vai acertá-lo tão forte quanto a vida. Não importa como você bate, e sim o quanto aguenta apanhar e continuar lutando; o quanto pode suportar e seguir em frente."

- Rocky Balboa

O horário das 16:30 era o pior para Luiza. Não que ela fosse frescurento, ou que tivesse nojo de alguma coisa, apenas porque, ela não pensava que a vida um dia chegaria naquele nível.

Ela suspirou, vestido seu uniforme que consistia em um macacão azul de mangas compridas e botas galocha pretas, trazendo consigo o carrinho de limpeza com seu famoso esfregão, baldes, luvas amarelas e esponjas. Parada ali em frente ao banheiro do bloco C, o primeiro do prédio que ela era encarregada de lavar, ela sentiu uma imensa tristeza ao ver um aluno sair de dentro antes dela colocar o famoso "não ultrapasse, piso molhado" na porta.

O garoto devia ter sua idade, e estava ali estudando, coisa que era pra ela estar fazendo. Ela nem reparou quando as lagrimas começaram a cair enquanto dava descarga em cada privada, uma de cada vez, jogando sabão em pó e desinfetante, então colocou as luvas e começou a esfregar a pia.

A vida era injusta as vezes, pensou, levando o antebraço ate a testa para secar o suor. Os alunos a olhavam com reprovação, as vezes cochichavam quando ela passava, e ate teve uma vez que, depois que trocou de roupa e estava indo embora, sem o uniforme de faxineira, um menino a olhou diferente, e ela pensou que talvez... apenas talvez... se a realidade fosse outra, ela teria alguma chance de ser feliz.

Porque era isso, ela não via possibilidade nenhuma de ser feliz. Ela vivia a vida empurrando com a barriga, arcando com as consequências das escolhas de outras pessoas, vivendo e trabalhando pra sustentar outros. E como era difícil conviver com ela mesma! Sua cabeça a acusava só de pensar que talvez ela estava pensando que uma vida diferente seria melhor, afinal, essa foi a vida que foi dada a ela.

Já tinha cerca de dois meses que ela tinha arrumado esse novo emprego. Apesar dos quilos que perdeu por não estar comendo certo, pelas olheiras profundas de dormir as 3 da manha e acordar as 6, o cansaço e a fraqueza mental, financeiramente estava tudo bem. O aluguel tinha sido colocado em ordem, os remédios da mãe tinham sido comprados e a geladeira estava com comida novamente.

Ela já estava no ultimo banheiro do quarto andar quando seu celular apitou mostrando que faltavam dez minutos para as 18 horas. Ela entrava no bar as 18:30.

Terminou de jogar água e rapar o chão, deu descarga novamente agora nas privadas limpas e cheirosas, e saiu até o vestiário dos empregados, guardando o carrinho , desabotoando os primeiros botões do macacão e abrindo seu armário. Pegou a toalha que guardava ali e a roupa que tinha chegado e foi ate o banheiro dali.

A água caía em suas costas, relaxando seus músculos e Luiza daria tudo por uma comida quente e uma cama naquele momento. Mas lavou o rosto tentando dispersar o cansaço, pois era sexta feira, e o bar costumava pegar fogo nesse dia.

Se vestiu e saiu, pegando sua mochila. Nesse dia, de tão cansada, acabou gastando o dinheiro da janta para pegar o ônibus, afinal eram três bairros de distância, ela não ia chegar a tempo se fosse a pé como costumava ir. No ônibus ela sentiu vontade de chorar novamente. Não entendia de onde saia todas aquelas lagrimas, ou tanta dor em seu coração. Tinha 21 anos e se sentia cansada, cansada da vida cansada de tudo. Isso era normal? Sentir tudo isso nessa idade era normal? Querer desistir de tudo nessa idade era normal? As pessoas olhavam de fora, pra Luiza com todas as suas cargas e responsabilidades, com a síndrome do panico que a pegou, a fobia social, o transtorno de ansiedade, viam por fora e falavam "você nem começou a viver pra saber que sente tudo isso". Era difícil viver sem saber que podia contar com alguém.

Ela não podia desabafar isso com sua mãe, no estado em que ela estava, só se sentiria mais culpada por não poder fazer nada no momento para ajudar. A irmã...bem... vivia bem sem saber de tudo, ela não queria traumatizar a irmã ou faze-la ter a vida que ele tinha... Ele desabava com Beatriz, mas a amiga dizia as coisas mais malucas como "você precisa sair de casa", "precisa achar uma boca pra beijar e distrair" "só se vive uma vez, você ta desperdiçando sua vida".

Luíza riu de encontro ao vidro do ônibus. A amiga não estava de toda errada, mas, onde ela arranjaria tempo pra "viver a vida" como ela tanto falava? Quando não estava trabalhando estava dormindo. E era só o que queria e conseguia fazer no momento.

Ela desceu do ônibus no ponto que ficava na esquina do bar requintado onde trabalhava. Pelo menos ter uma aparência mediana lhe concedeu um emprego na área nobre da cidade.

Andou um pouco rápido demais para os fundos do lugar onde os funcionários entravam e sentiu a visão embaçar e escurecer. Se escorou na parede. "Era só o que faltava eu passar mal agora" pensou consigo mesma sentindo a barriga roncar e as mãos tremerem. Ela tinha almoçado uma maçã e um pedaço de batata assada do outro dia. Respirou fundo.

- Mas que merda Luiza, sempre isso. - Pedro, um garçom do lugar a viu e pegou em seu braço.

- Eu to bem.

- Não ta não - ele sussurrou com raiva - entra no banheiro logo que eu já vou la. Consegue chegar? - Luiza assentiu, tateando a parede e indo ate o banheiro dos funcionários. Se sentou da privada esperando a tontura passar, e então ouviu a porta ser aberta e trancada logo depois - Aqui - Pedro disse colocando um sanduíche em sua mão - Tem suco aqui também, meu Deus Luíza, você ta branca, você almoçou hoje?

- Almocei - disse de boca cheia, ainda sem abrir os olhos, saboreando o gosto do pão com presunto e queijo, suspirando ao cair em seu estomago e escorando na parede atras de si.

- Arroz, macarrão, algo assim? - Luiza ficou em silencio ainda mastigando - Sabia... aqui, vai engasgar - disse colocando o suco em sua mão - Você vai acabar caindo doente Lu, precisa se cuidar.

- Eu sei ta, eu sei, to fazendo o que posso. - disse abrindo os olhos e encontrando o amigo abaixado a sua frente.

- Não da pra conversar com você - Ele suspirou se levantando - trouxe seu uniforme, ta em cima da pia, junto com uma banana. Come depois que terminar, ajuda nos músculos. Eu trouxe bolo pra nós dois pra hora do intervalo. - ele foi ate a porta.

- Pedro? - ele a olhou - Obrigada.

As vezes Luiza podia contar com a sorte de ter amigos assim.

🔥

Capítulo 3 Um dia de merda Parte 2

Já eram mais de onze da noite e o bar fervia. Porções de aperitivos eram pedidos e as bebidas alcoólicas rodavam e rolavam soltas pelo ambiente. Luiza equilibrava a bandeja na mão, andando de um lado para o outro, anotando pedidos e levando drinques, não tinha nem ideia de quantos passos já tinha dado aquela noite, com certeza mais que um maratonista em corrida, certeza.

Do canto de olho ela observou o grupo de amigos no canto que gritava e ria batendo palmas para o alto e dançando a musica que tocava batendo no ombro um do outro. Deviam estar comemorando alguma coisa, pelo que ela percebeu. Ela franziu a testa e voltou para a cozinha.

- Ah, que bom que chegou, vem cá - Marcos disse a chamando com a mão. - Ta tudo bem? Tudo em ordem? - ele era o mais velho, e era como o "líder" dos garçons, sempre querendo saber de tudo e manter a ordem.

- Tudo... - Luiza disse desconfiada. Marcos não dava ponto sem nó, ela sabia que tinha algo ali.

- Certo, certo... vou direto ao ponto - "sabia!" Luiza pensou - Você sabe que é contra a politica da empresa que funcionários tenham relacionamento entre eles certo?

- Certo...- disse sentindo o braço de Marcos rodear seu ombro pra sussurrar em seu ouvido.

- Longe de mim querer sem empata foda Lu, mas você e o Pedro precisam parar de se agarrar no banheiro antes que alguém descubra.

Luiza arregalou os olhos - Não estamos...

- Qual é, sempre vocês se trancam lá antes do expediente começar, todo mundo sabe, só, tomem mais cuidado ok? Eu apoio, formam um lindo casal. - disse dando uma piscadela e se afastando.

Luíza ficou parada no lugar sem acreditar no que tinha ouvido, sem conseguir esboçar alguma reação. - Pela sua cara ele veio te alertar sobre nosso romance secreto - ele ouviu Pedro dizer ao seu lado com uma risada.

- Não te incomoda?

Ele deu de ombros - Esse emprego não é a minha vida, não quero levar nenhuma dessas pessoas pra minha vida pessoal então não, não me importo. E você é bem gatinha,eu pegaria. - ele disse rindo e se afastando como Marcos se afastou, com uma piscada.

Luiza outra vez ficou parada analisando aquelas palavras. O que estava acontecendo naquele dia afinal? Tomou um copo de água e voltou para o bar.

Logo viu a mão de um do grupinho que ela observava antes se levantar, chamando um garçom. Ela caminhou ate lá, pegando seu bloquinho - Pois não?

Um dos caras riu, segurando um copo de Whisky na mão - Meu amigo Thiago tem algo pra te dizer - disse rindo mais ainda e os outros o acompanhando.

Ela olhou para cada um deles, confusa, nenhum parecia dizer nada, talvez, nenhum deles era o tal Thiago. Ate que virou de costas, dando de cara com um rosto que ela tinha certeza que já tinha visto em algum lugar. Tentou puxar da memoria mas não conseguiu se concentrar porque do nada os lábios do homem a sua frente pressionaram os seus.

Ela ficou parada, sem reação, coisa que parecia que estava acontecendo muito aquela noite, enquanto os lábios levemente macios ainda estavam sobre si, as mãos do homem segurando seus ombros sem apertar, até que as mãos foram ate as suas e ela sentiu um papel ser colocado em uma delas - Me liga - o homem sussurrou quando se afastaram.

Luiza sentiu todo seu sangue esvair de seu corpo, assim como seu coração bater mais rápido do que ela estava acostumado, ela virou os pés, fazendo o caminho de volta a cozinha, ouvindo a gritaria que deixou na mesa quando se afastou.

Chegou lá e abriu o papel, claramente um numero de telefone. Bufou, balançando a cabeça em negação. Que piada de mau gosto.

Amaçou o papel e jogou no lixo.

E, mais do que nunca, queria que aquele dia terminasse logo.

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