Ligação On
- Não mãe, eu não posso, tenho que trabalhar – falei.
- Bianca querida, chega de desculpas, já faz tempo, eu não aguento de saudades, e seu pai sempre pergunta por você. – mamãe falou.
- Tá bem mãe, eu vou arrumar um tempo e vou. – falei desanimada.
- E quando será meu amor? – perguntou muito animada.
- Em um mês mãe. – disse.
- Está bem meu amor, vou preparar tudo pra você, e não me importo se você trouxer um namorado. – falou.
- Tá mãe, agora preciso trabalhar. – disse.
- Bom trabalho meu anjo, nós te amamos. – disse e desligou.
Ligação off
- E ai o que foi? – perguntou elly pulando em minha cama.
- Minha mãe, me convenceu a ir visita-la. – falei.
- By você sabe que eu te dou o maior apoio em tudo né? – falou e eu afirmei que sim. - Você não a vê, faz 8 anos, já esta na hora de voltar, ela deve ficar muito triste.
- Eu sei, mais não sei e posso olhar para o meu pai e ver sua expressão de reprovação – falei.
- Bi você é uma grande empresária, se ele te reprovar foda-se, você sabe que vale muito, e se precisar eu vou com você e desço o cacete. – falou e eu ri.
- Só você mesmo pra me fazer rir da desgraça, mais você está certa, eu vou. – falei.
- Ótimo! Agora levanta e vamos, já são 9 da noite e temos que estar lá às 10. – falou.
- Como eu sei que seu guarda roupa é péssimo, eu trouxe roupa pra você, quero você beijando na boca hoje. – falou.
- Rsrsrs, nem pensar, meu trabalho vem primeiro. Agora me diz pra que uma festa de casamento a fantasia, as vezes acho que as pessoas são loucas. – falei levantando.
- Para de reclamar e vai se arrumar, te vejo daqui a pouco. – falou e saiu.
Fui para o banheiro e tomei um banho relaxante, saindo e fui ver a roupa.
- Meu deus, ela só pode ter enlouquecido. – pensei alto.
- Vou parecer uma piranha que organiza eventos. – disse pra mim mesma.
Vesti a roupa e me olhei no espelho, meu deus quem é essa? - pensei.
- Você esta muito gata. – elly falou atrás de mim.
- É sério, mulher gato? – perguntei virando pra ela.
- Pode acreditar que tinha piores, além disso, hoje eu quero que você se divirta, e que esqueça quem é, só por hoje. – falou.
- Tá bom, vou tentar. – falei derrotada.
Saímos para o evento que estava lindo e simplesmente perfeito, afinal foi eu que fiz. Entramos e todos olharam para nos, eu morri, queria me enterrar, mais elly me obrigou a continuar, começamos nosso trabalho, e correu tudo bem, ouvi ate algumas cantadas que me deixaram bastante feliz.
Já no fim da noite, e liberada do meu trabalho, decidi que beberia um pouco, o trabalho tinha terminado, e eu merecia, sentei em um banquinho e pedi um uísque, tomei um gole, tinha esquecido como era forte, a ultima vez que bebi foi com ele, rodrigo sempre me levava com ele as festas, e sempre me deixou beber.
- Boa noite. – falou uma voz me tirando dos meus pensamentos.
- Boa. – respondi sem olhar.
- Sabia que é falta de educação não olhar para a pessoa que se está cumprimentando, ainda mais sendo eu. – falou.
Ele foi tão petulante que eu não resistir e me virei para ele, e Oh Meu Deus, ele é simplesmente lindo, vestia um termo e usava uma mascara que o deixava ainda mais delicioso.
- O que foi, perdeu a fala? – perguntou.
- Pra falar a verdade sim, mais já recuperei. – disse.
- Gosto da sua sinceridade, por isso vou usar a minha, tenho 3 perguntas, e quero que me responda. – disse.
- Ok. – falei.
- Gosta de mim? – perguntou.
- Sim, você é bem bonito. – falei.
- Tem namorado? – perguntou.
- Não. – disse.
- Quer sair comigo agora para minha casa? Estou de olho em você a noite toda. - disse.
Fiquei meio em choque, um homem como aquele me chamando pra sair só podia ser golpe.
- Não, eu não quero sair com você. – menti, eu queria e como.
- Ela vai sim. – ouvi elly atrás de mim.
- Eu não vou não, precisamos terminar. – disse.
- Não precisamos, eu termino, e você vai se divertir com esse deus, cuida dela. – falou.
- Será um prazer. – disse.
Elly saiu e nos ficamos sós novamente.
- Olha eu não quero sair com você, mais agradeço se fizer um favor. – falei
- Claro. – falou em tom serio.
- Não quero que ela pegue no meu pé, se puder me acompanhar até a saída, ela vai achar que saímos juntos, ai durmo num hotel. – falei, eu sei parece patético, mais fazer o que eu estava com medo de sair com ele, e ele disser que eu não tinha sido mulher pra ele.
- Claro. – disse.
Levantamos e saímos em direção a porta, la fora eu olhei mais uma vez pra ele, como eu ia me arrepender de não sair com ele.
- Obrigada. – disse.
- Nem pensar, te levo até seu carro. – disse, e eu assenti.
Caminhamos em silencio ate meu carro, quando chegamos eu tomei coragem pra falar.
- Me desculpa por atrapalhar sua noite. – falei e me virei para abrir o carro.
Enquanto procurava a chave do carro senti sua mão em minha cintura e suspirei, ele encostou em mim, estava visivelmente excitado.
- Só um. – falou no meu ouvido, e eu tive que conter um gemido.
- Um o que? – perguntei sem conseguir pensar direito, o cheiro dele era inebriante, perfume masculino e vodca, tentador.
- Se me der um motivo pra não sair comigo, eu te deixo em paz. – falou sussurrando.
Uma onda de sensações passavam pelo meu corpo, ele me abraçava cada vez mais, sabia que meu corpo não tinha resistência, como resistir aquelas sensações, formigamento, medo, desejo, tesão, mesmo sabendo que não deveria, eu queria me ariscar.
- Eu não tenho um. – falei.
- Eu sabia, vou querer saber o porque da resistência a mim, mais só depois, agora. – falou e parou.
Quando ele parou de falar, ele foi até meu pescoço, e passou a língua até minha orelha, nesse momento eu me entreguei, só uma noite me fazia bem, eu precisava disso.
- Vamos pra minha casa? – perguntei.
- Não, quero você na minha cama. – falou. - Vem, vamos no meu.
Me levou para o carro dele, que nada mais era do que um belíssimo Maserati Ghibli, preto, perfeito, antes de vocês perguntarem, tenho uma paixão por carros, por isso tenho uma picape Classe X da Mercedes, e eu amo muito ele.
Entrei no carro e ele arrancou, em poucos minutos, chegamos a um apartamento, não vi onde era, ele abriu a porta pra mim, eu sai e ele me pegou pela cintura, me guiando pela entrada ate o elevador e depois ate sua cobertura.
Ele abriu a porta, e o apartamento estava todo a meia luz, tinha pétalas de rosas espalhados pelo chão, eu não entendi.
- Porque isso tudo? – perguntei.
- Gosto de agradar. – falou.
- Como sabia que eu viria? – perguntei.
- Não tinha certeza, mais resolvi arriscar, e acertei, então pedi a minha governanta que fisseze isso, vem. – disse.
Me guiou até o quarto, que estava cheio de pétalas, no chão e na cama. Eu fiquei um pouco chateada.
- Eu preciso ir ao banheiro. – disse.
- É ali, eu te espero. – falou.
Eu entrei e tranquei a porta atrás de mim, não me sentia bem, ele sabia que eu cairia na dele, tinha ate preparado tudo, não dava pra me enganar novamente, estava me sentindo a adolescente enganada de antes, acho que pensei que fosse a única, e notei que ele era profissional.
Não que eu quisesse ser a única, mais a mulher quer ter essa sensação, e logicamente ficou claro que eu não era.
- Tudo bem ai? – gritou.
Abri a porta olhando para o chão.
- Eu quero ir embora. – disse.
- Por que isso agora, não gostou do que preparei pra você? – perguntou.
- Eu não me sinto bem, só quero ir embora. – falei de cabeça baixa.
- Olha pra mim. – falou e eu levantei a cabeça.
Meu deus, ele estava só de cueca, que visão, loiro, olhos verdes e corpo lindo, fiquei sem fala.
- Eu vejo seu desejo por mim, porque luta contra. – falou.
- Porque depois que cheguei aqui me sinto uma vadia, você preparou tudo sabendo que me pegaria, e não sabemos nem o nome um do outro. – falei.
- É por isso? Eu não sabia que encontraria uma mulher como você, só preparei isso depois que senti que você também me queria, e arrisquei porque você poderia não vir, ai eu dormiria sozinho no meio de rosas, muito gay não acha? – falou e me fez sorri.
- Não estou acostumada a isso. – falei.
- A que? A alguém se interessar por você? E a proposito meu nome é Rafhael. – falou.
- Bianca – falei.
- Então Bi, o que você quer? – perguntou.
Capítulo 2 - A
- E então Bianca, o que você quer? – perguntou.
- Passei anos da minha vida sendo enrolada por um homem, que me feriu de uma maneira que nunca consegui superar, então eu sei distinguir quando estou sendo enganada, e você já sabia que eu cairia na sua. – disse.
- Ok, não posso negar, sim, eu tinha certeza, que você séria mais uma na minha cama, mas quando me aproximei, vi que séria diferente. Só tive a certeza quando pediu para mentir para sua amiga, ninguém nunca me rejeitou – falou.
- Então é por isso que estou aqui, só para você mostrar que ninguém te rejeita? Pode pegar, e contar para os teus amigos – falei abrindo meu macacão.
- Quero você, mais não assim, quero que venha por que me quer. – falou.
- Então eu posso ir embora? – perguntei.
- Sim, quando desejar, porém eu gostaria que ficasse, quero muito conversar com você, acho que podemos ser amigos – falou e me pareceu sincero.
- Tudo bem, se eu voltar pra casa agora a Elly vai me matar mesmo. – falei.
- Quer tomar o que? Tenho cerveja, vinho e tequila. – falou.
- Nossa cerveja, não tomo desde a adolescência, eu quero. – falei e lembrei que sempre tomava cerveja com o Rodrigo era a nossa bebida preferida.
- Então qual é a historia da cerveja? – perguntou.
- Como assim? – perguntei.
- Não conheço muitas mulheres como você, que gostam de cerveja, elas preferem vinho, ou outras frescuras. – falou.
- Eu aprendi com um amigo que cerveja era bom, sempre que saiamos ele me dava, ai eu fui gostando. – falei, era difícil lembrar de como pensei que era feliz com ele, e que era tudo mentira.
- E porque terminaram o relacionamento? – perguntou.
- Porque acha que era um relacionamento? – perguntei.
- Você fala com saudade, tristeza e mágoa. – disse.
- Nunca ouve um relacionamento, eu que achei errado, e ele deixou bem claro isso, quando me chutou. – falei.
- Você ainda não disse o motivo. – disse.
- Acho que ele cansou de brincar com a adolescente boba e apaixonada. – falei.
- Adolescente, como assim? Quantos anos tinha. – perguntou engasgando.
- Tinha 13, e ele 20. – respondi.
- Minha nossa, você era uma criança, isso é estupro. – disse indignado.
- Calma, eu me apaixonei, e ele nunca me forçou a nada, foi sempre carinhoso até o dia que me deu o pé, e arruinou o restante de vida que tinha, desde então eu tento superar, mas ficaram marcas. – falei.
- Quero saber mais. – falou.
- Esta falando sério? Porque o interesse? – perguntei.
- Não sei, só quero saber mais de você. – falou.
- Ok, já que é assim, eu vou precisar de mais bebida. – falei sorrindo.
- Vai lá na geladeira pegar, aproveita e traz algumas que colocamos no frigobar, descendo a escada a direita. – disse.
Sai do quarto sem ver muito bem, a casa estava a meia luz, fui pelas palavras dele, cheguei na cozinha e avistei 2 refrigeradores, abri o primeiro e só tinha comida, então fui para o segundo, e estava lotada de bebidas, cervejas, bordos, licores e outros que nem conheço, pensei que ele daria uma festa, peguei as cervejas e voltei pro quarto.
Rafhael estava de pé, parado no meio do quarto, a visão dele só de cueca, era simplesmente, incrivelmente e absolutamente perfeita.
- Trouxe quantas? Está tudo bem? – perguntou parecendo que não entendia.
- Tá sim, trouxe 15, vai dar uma festa? – perguntei tirando os olhos dele.
- Não, porque acha isso? – perguntou.
- Você tem muitas bebidas, por isso achei que fosse festa. – falei.
- Não, são para mim, gosto de beber ás vezes. – falou.
- Então é um alcoólatra, porque só um bêbado tem tantas bebidas. – falei.
- Claro que não, é que como não posso comprar, eu aproveito que tenho um amigo maior e peso pra ele comprar, só que ele só vem de 2 em 2 meses aqui. – falou.
Parei no momento que entendi o que ele tinha acabado de falar, que não podia comprar e pedia para o amigo que era maior, como assim maior?
- Quantos anos você tem? – perguntei.
- 19 anos, mais nesse pais só se pode comprar com 21, ai eu estoco em casa. – falou.
- Meu deus, eu não acredito, que quase fiquei com uma criança, eu vou embora. – falei indo para a porta.
- Bi. – falou segurando o meu braço, e seu toque me causando correntes elétricas pelo corpo.
- Já te falei que não precisamos transar, e acho que por experiência própria, você sabe que não sou nenhuma criança, sou um homem de 19 anos, qual é o problema. – falou.
- Não sei se é uma boa ideia. – falei.
- Porque não seria uma boa ideia, estamos conversando e bebendo como amigos que foi o que decidimos, mais se quiser ir, eu não vou te impedir. – falou.
Eu deveria ir, mais não queria, pela primeira vez, eu estava conversando com um homem, não que eu não conversasse, mais isso era diferente, eu me sentia bem com Rafhael, mesmo não o conhecendo.
- Tudo bem, acho que eu estou sendo ridícula. – falei, ele se aproximou.
- Que bom que nos acertamos, agora tira essa roupa. – falou encostado no meu cabelo.
Meu corpo tremeu em choque, ou desejo com as palavras dele, e depois de alguns segundos eu me virei.
- Não entendi. – menti.
- Tenho certeza que entendeu, mais deixa eu explicar, a sua roupa está me deixando louco, então gostaria que a tirasse e vestisse alguma coisa da minha gaveta, é serio, esta difícil pra mim manter o controle. – falou rindo e se afastando.
Como eu queria que ele perdesse o controle, mais não, era a minha chance de ter uma noite tranquila, eu não sabia, entretanto conversar com um completo estranho, estava sendo libertador.
Fui até uma gaveta e tirei uma camisa dele.
- Vou vestir, já volto. – falei e fui em direção a uma porta.
- Acho melhor você ir trocar no banheiro ai é o armário. – falou rindo e eu dei língua, o que fez ele parar de sorrir na hora.
- Já volto. – falei e sai.
O banheiro era incrível, uma banheira gigante, chuveiro, e tudo de melhor, pensei em quantas ele já tinha enrolado e trazido pra casa, enfim não era da minha conta, tirei o macacão e vesti a camisa, arrumei o cabelo e sai.
Não tinha ninguém do lado de fora do quarto, peguei uma cerveja abri e me encostei na parede, quando o vi entrar, ele parou na minha frente me encarando.
- Meu deus, acho que o macacão era melhor. – falou.
- Não tem graça. – falei.
- Não está engraçado, está tentador. – disse.
- Se continuar vou embora. – disse.
- Ok, como eu acho você bacana, vou tentar ficar na minha. – disse.
E assim ficamos conversando, por horas, até o sono ou a bebida me pegar. No dia seguinte acordei atordoada, e olhando onde estava, a cabeça doía, e o mundo girava, oh ressaca do inferno, olhei ao lado, e ele estava dormindo lindamente.
Levantei devagar e peguei meus sapatos e o macacão, mais pensei melhor, sair na rua com aquela roupa não era bom, fui até o armário e peguei um blazer, que devia ser de alguma mulher, tirei a camisa e vesti, estava curto, mais ia resolver.
Peguei um papel e uma caneta e escrevi um recado, e deixei em cima da mesinha, sai do quarto e fui embora, chamei um táxi e fui pra casa.
Como diz Elly, não tirei o atraso, entretanto desabafei com um cara, que provavelmente não vai mais me querer, depois de tudo que contei, mais eu tentei, me sinto bem e leve.
- " Mais que merda, eu não coloquei o telefone." – falei alto no táxi.
- A senhora quer que eu volte? - perguntou.
- Não, talvez seja melhor assim, pode seguir. – disse.
Meu deus como eu sou burra, esqueci a droga do numero do telefone, " é com certeza não o verei mais".
Cheguei em casa e entrei, fui ate o sofá e me joguei, nem respirei direito, e já ouvi os gritos de Elly.
- E ai como foi? – perguntou.
- Foi incrível, ele é muito legal. – disse.
- Finalmente minha amiga transou, já estava na hora, 10 anos é muito tempo. – disse.
Ela estava enganada, mais eu não ia desmentir, pelo menos agora ela me deixa em paz, não sei se estava pronta par começar algo, porém eu sei o que senti, e eu confesso que gostei dele.
- Quando vai velo novamente? – perguntou.
- Nunca. – falei com uma tristeza que eu não esperava.
- Como assim, não foi bom? – falou.
- Foi ótimo, mais eu sai fugida, e no bilhete, eu esqueci de por o telefone. – falei.
- Meu deus como você é tapada. – disse e riu. - Vou voltar pra cama e você fica ai sofrendo por ser tão lerda.
Eu queria velo de novo, mais tinha perdido a chance, 10 anos sem conhecer ninguém que me interessasse e eu não aproveito, e ainda não deixo meu numero, burra. Levantei e fui pra cama, tinha mais um trabalho, a tarde e a noite.