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Divorciei Dele e Fugi com Nossa Filha Secreta

Divorciei Dele e Fugi com Nossa Filha Secreta

Autor: PageProfit Studio
Gênero: Romance
Durante sete anos, Rose Bennett foi a esposa que Ryan Knight manteve em segredo. Para toda Nova York, a futura Sra. Knight sempre foi Samantha Hill. Enquanto isso, Rose suportava em silêncio um casamento frio, presa a um homem que nunca a amou de verdade. Até a noite em que Samantha deu entrada, grávida, no pronto-socorro onde Rose trabalhava... e Ryan apareceu ao lado dela, protegendo-a como se ela fosse a mulher mais preciosa do mundo. Foi naquela noite que o amor de Rose por ele morreu. O que Ryan nunca imaginou é que, anos antes, Rose já havia dado à luz uma filha dele - uma criança que ele rejeitou sem hesitar, junto com a mãe. Então Rose foi embora. Com apenas duas malas, uma filha que ele nunca conheceu e os cacos de sete anos de sofrimento. Mas a mulher que Ryan descartou não era apenas uma esposa esquecida. Rose era a mente brilhante por trás da Aetheris, uma inteligência artificial médica revolucionária, prestes a transformar para sempre o futuro da medicina. Enquanto Rose sobe ao topo - tornando-se poderosa, intocável e impossível de substituir - Ryan finalmente descobre a verdade que o destrói: Ele não perdeu apenas a mulher que o amava. Ele perdeu a única mulher que seria capaz de amar. E, quando enfim percebeu isso, até a própria filha já havia deixado de chamá-lo de pai.
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Capítulo 1 Um

Pum!

A porta da clínica foi chutada com tanta violência que bateu contra a parede.

A caneta de Rose mal tinha encostado no papel quando o estrondo assustou sua mão, traçando uma linha torta no meio do contrato. Ela ficou paralisada por um segundo. Depois ergueu os olhos-

E deu de cara com o marido, Ryan Knight.

O seu roupão de seda pendia aberto, desfeito. Sangue - escuro, pegajoso, inconfundível - manchava a gola do roupão, os braços e até os espaços entre os dedos. Ryan carregava uma mulher nos braços. A barra da camisola estava encharcada, e gemidos baixos, entrecortados, escapavam pelos lábios.

Em sete anos de casamento, Rose nunca tinha visto Ryan daquele jeito - despenteado, em pânico, completamente fora de si.

E tudo aquilo... por outra mulher.

Uma enfermeira veio correndo atrás dele e tentou impedir a passagem.

"Senhor, não pode entrar assim!"

Depois se virou para Rose, aflita.

"Dra. Bennett, a paciente provavelmente sofreu uma laceração vaginal com sangramento intenso. Vou levar ela para a emergência-"

Ryan ignorou a enfermeira por completo.

Seus olhos se prenderam ao rosto de Rose, duros, irredutíveis. A voz saiu rouca, como uma ordem absoluta.

"Ajude ela."

Rose apertou a caneta com mais força, até os nós dos dedos ficarem brancos.

-

Vinte minutos antes.

A clínica estava silenciosa, tomada apenas pelo zumbido baixo da ventoinha do notebook.

Uma pilha de documentos estava espalhada diante de Rose. Na página de cima, algumas palavras haviam sido circuladas com tinta vermelha:

Acordo de Transferência de Ações.

Ao lado, repousava uma folha fina - a certidão de nascimento de sua filha, Ariel. As bordas estavam gastas de tanto toque.

Na tela do notebook, uma menininha de maria-chiquinhas ficava na ponta dos pés para se aproximar da câmera. Seus olhos brilhavam como se fossem saltar da tela.

"Mamãe, é verdade? Vou mesmo te ver? Vou finalmente conhecer o papai?!"

Os dedos de Rose pararam sobre o documento. Um sorriso fraco curvou seus lábios.

"Hm. Em breve."

Mas não respondeu à pergunta sobre o pai.

A menina não percebeu. Estava empolgada demais.

"Eba! O tio Caleb disse que vai arrumar a maior mala do mundo pra mim! Vou levar todos os meus brinquedos!"

No canto da imagem, Caleb Byrne aparecia com uma expressão tão sombria que chegava a doer aos olhos. Uma de suas mãos repousava levemente no ombro da garota enquanto falava em voz baixa. "Rose, você pensou bem mesmo? A empresa abriu capital há só três meses. Se você transferir suas ações agora, o Dr. Hale vai surtar. Você é a aluna que ele mais valoriza. Você ficou tempo demais fora dos holofotes, o bastante para deixálo frustrado."

Sete anos antes, uma plataforma revolucionária chamada Aetheris Medical IA havia abalado a indústria. Sozinha, ela transformara uma startup desconhecida em uma empresa de capital aberto, criando uma das tecnologias médicas mais influentes dos Estados Unidos.

E sua criadora - Era Rose Bennett.

Ela tinha trabalhado lado a lado com seu mentor, o Dr. Nathan Hale, digitalizando décadas de pesquisas farmacêuticas, estudos clínicos de caso e dados de tratamento.

E agora... estava se afastando de tudo.

"Eu sei, Caleb", respondeu Rose, um pouco ausente.

Seu olhar caiu de novo sobre a certidão de nascimento - mais exatamente sobre o espaço em branco abaixo de Pai.

Por cinco anos, aquele campo permanecera vazio.

Não podia continuar assim.

"Caleb, sei que vai ter consequência. Não quero decepcionar o Hale, mas a Ariel já tem cinco anos. Ela não deveria continuar escondida. Merece conhecer o pai... e talvez... ele mereça saber que ela existe."

Até Rose conseguia ouvir a hesitação na própria voz.

Do outro lado da tela, Ariel se animou ao escutar seu nome - e a palavra pai.

Aproximou o rostinho da câmera, os olhos brilhando.

"Mamãe, vocês estão falando de mim? E do papai? O que vocês estão dizendo?"

Crianças não entendiam o peso por trás das palavras dos adultos. Para ela, tudo soava maravilhoso. Aquele olhar curioso e cheio de luz ia de um para o outro, tornando impossível mentir.

Caleb suspirou e forçou um sorriso.

"Estamos dizendo que a Ariel é a menina mais fofa do mundo inteiro."

Depois cobriu com cuidado os ouvidos dela e olhou diretamente para Rose, baixando a voz até quase um sussurro - mas cada palavra ardia.

"E ele? Aquele seu maldito marido, Ryan Knight, sequer vai querer ela? Não me diga que esqueceu o que ele falou."

O quarto ficou em silêncio.

O sorriso de Rose congelou.

Claro que não tinha esquecido.

Sete anos antes, um casamento arranjado para proteger a reputação da família a unira a Ryan. O acordo pré-nupcial era claro - sete anos, depois um divórcio limpo. Sem amarras.

Ela nem tinha mudado de sobrenome. Continuava sendo Rose Bennett.

Ninguém sabia que era casada.

Nunca esperara amor daquele casamento.

E, ainda assim, ao longo daqueles anos longos e frios, tinha entregado o coração aos poucos.

Esse era o único segredo que nunca contara a ninguém.

Mas havia um segredo ainda maior, vindo de seis anos antes-

Aquela noite inesperada.

Os dois tinham bebido. Nenhum dos dois estava preparado para o que aconteceu. Quando Rose viu as duas linhas no teste de gravidez, foi tomada por uma alegria quase irracional.

Por um instante breve e tolo, acreditou que uma criança pudesse aquecer alguma coisa entre eles.

Voou para Paris com o teste na mão, parou diante dele, segurando todas as emoções por dentro-

E recebeu apenas aquilo:

"Por que veio? Alguém te viu?"

Era óbvio. Ele não queria que ninguém soubesse que tinha uma esposa.

"Estou te avisando", disse Ryan, frio. "Não diga nada que não deve. Você sabe muito bem o que nós somos."

Mesmo assim, ela perguntou:

"Ryan... sua avó quer que a gente tenha um filho. O que acha?"

Ele não hesitou.

"Nós não vamos ter filhos."

Então seu olhar desceu por um segundo até a barriga lisa dela.

"Se você estiver grávida - não importa quem seja o pai - se livre disso. E, se isso é algum tipo de teste, deixa eu deixar bem claro: eu não quero filho."

Não sobrava espaço para ilusão.

Pelo menos ele não tinha mentido.

Mas a verdade cortou mais fundo do que qualquer mentira.

Ryan odiava aquele casamento. Odiava ela.

Então, claro... jamais amaria uma criança ligada a ela.

Ela deveria ter entendido desde o começo.

Depois daquilo, Rose nunca mais tocou no assunto. Foi sozinha para a Califórnia, deu à luz Ariel e deixou a menina aos cuidados do Dr. Hale. Visitava sempre que podia.

E escondeu a filha... por cinco anos.

Mas a criança crescia.

Começava a fazer perguntas como: "Todo mundo tem pai... cadê o meu?"

E Rose já não conseguia mais responder com frases vagas como "Ele está ocupado".

Ela via a luz se apagando nos olhos de Ariel.

Não podia deixar a filha continuar esperando por alguém que talvez nunca aparecesse.

Ou, um dia, Ariel a odiaria por isso.

Olhando para o rostinho redondo da filha na tela, Rose finalmente tomou uma decisão.

Suas mãos se moveram mais rápido sobre os documentos, virando página após página para uma última conferência.

"Sei o que está tentando dizer, Caleb. Mas você também sabe de uma coisa: uma hora eu preciso voltar para minha família. Ariel merece ter pai e mãe por perto. Se não posso ficar na Califórnia, entregar a empresa é a melhor opção. Já conquistei tudo o que eu queria. Sucesso, dinheiro, reputação... nada disso importa tanto pra mim."

Ela fez uma pausa.

"O Hale vai entender."

Caleb abriu a boca, mas no fim não disse nada. Apenas soltou um suspiro pesado, parecendo completamente frustrado.

Enquanto isso, Ariel tinha captado a única parte que importava.

"Mamãe! Papai! Papai! Vou conhecer o papai, né?!"

Rose não conseguiu segurar uma risada. Seus olhos se suavizaram de um jeito raro.

Não respondeu diretamente.

Mas assentiu.

Pela primeira vez, deu esperança à filha.

Mesmo que fosse só uma aposta-

Mesmo que houvesse apenas uma chance mínima-

Ela queria acreditar que Ryan não era tão frio assim.

Que talvez aceitasse a filha deles.

Que talvez... aceitasse o amor que Rose carregara por sete anos.

Rose respirou fundo, virou para a última página e destampou a caneta-

Pum!

Mas tudo foi interrompido pelo estrondo seco da porta .

-

A enfermeira confundiu o silêncio de Rose com choque e explicou, sem jeito:

"Todos os médicos de plantão na emergência hoje são homens, então..."

Então o marido dela não suportava a ideia de outro homem examinando sua amante-

Mas não via problema nenhum em obrigar a própria esposa a fazer isso?

Rose não conseguia entender.

Mesmo com todo seu profissionalismo, não conseguia fingir que não sabia o que tinha acontecido.

Um homem e uma mulher. Roupas de dormir. Uma laceração vaginal.

A conclusão era óbvia.

Pela primeira vez, quase desejou não ser uma médica tão competente.

Ryan não parecia se importar. Inclinou-se e murmurou para a mulher em seus braços, a voz tão gentil que soava estranha.

"Tudo bem. Já vai parar de doer."

Rose apertou a caneta com tanta força que quase quebrou.

Atrás dela, a tela do notebook ainda estava ligada.

Ariel percebeu a mudança na expressão da mãe e chamou, ansiosa, com sua vozinha clara e forte:

"Mamãe! O que aconteceu?! Esse é o papai?! Papai! Papai!"

Ryan enrijeceu.

Como se algo invisível puxasse seu olhar, ele se virou para o notebook ainda aberto.

Mas Rose foi mais rápida.

Clique-

Ela fechou a tela com força.

Em seguida, puxou com rapidez os documentos ainda não assinados para perto do peito, ocultando as partes mais importantes.

Tudo o que tinha acabado de decidir revelar-

Escondido de novo.

Os olhos de Ryan foram do notebook para as mãos dela, depois voltaram ao rosto de Rose. Uma suspeita brilhou em seu olhar.

"Com quem você estava falando?"

Rose sustentou seu olhar com calma. A voz saiu fria e firme.

"Ninguém."

Fez uma pausa.

"Só uma menininha pobre... cujo pai morreu."

Capítulo 2 Dois

A testa de Ryan ainda estava franzida, o vinco entre as sobrancelhas sem se desfazer. Ele claramente tinha percebido a farpa no tom dela e estava prestes a insistir.

"Quem-"

Mas a mulher em seus braços se mexeu, soltando um soluço molhado e entrecortado. Ergueu o rosto na direção dele, a voz suave e ferida.

"Ryan... dói..."

Aquela queixa puxou a atenção dele de volta da tela do notebook como se ela tivesse fisgado seu corpo inteiro.

Ryan olhou para os lábios pálidos dela, e qualquer suspeita sem fundamento que tivesse cruzado sua mente um segundo antes foi engolida por uma preocupação mais urgente.

"Eu sei. Já vai acabar. Estou aqui. Você não está sozinha."

Rose observou a cena com os olhos baixos, recusando-se a olhar para ele de novo.

Com um gesto deliberado, empurrou os documentos sobre a mesa para o lado e cobriu tudo.

Também reconhecera a mulher nos braços dele: Samantha Hill, noiva de Ethan, irmão de Ryan.

Ethan estava preso havia mais de cinco meses. Mesmo assim, ali estava ela, grudada em Ryan numa intimidade que nenhuma cunhada teria o direito de reivindicar, coberta de sangue.

Uma cena que faria qualquer pessoa com olhos na cara imaginar coisas.

E Rose, sua esposa de sete anos, só estava descobrindo aquilo agora.

"Patético" ainda era pouco.

Ela endireitou a coluna e, no espaço de uma única respiração, recompôs a expressão. A médica calma e competente voltava ao posto.

Virou-se para a pia, abriu a torneira e deu uma ordem à enfermeira por cima do ombro.

"Leve ela para a sala de procedimentos. Eu cuido."

A enfermeira assentiu e foi empurrar a maca, mas Samantha estendeu a mão de repente e agarrou a grade como se estivesse se queimando. Sua voz subiu uma oitava, tomada pelo alarme.

"Ela não!" Fixou o olhar em Rose, e toda a vulnerabilidade de antes se transformou em pura defensiva. "Não quero que ela toque em mim!"

O ar da sala de exames ficou tenso. Todo mundo congelou.

Ryan, por sua vez, não demonstrou intenção de ceder, embora sua voz continuasse carregada de paciência.

"Samantha, todos os médicos lá fora são homens. Você não pode adiar isso, ainda está sangrando. Confia em mim, tá?"

A mandíbula de Samantha se contraiu, mas ela parou de discutir. Seus dedos ficaram brancos de tanto apertar a grade da maca enquanto a enfermeira a levava para a sala de procedimentos.

Quando a enfermeira a empurrou para dentro e fechou a porta, os olhos de Samantha não deixaram Rose nem por um segundo.

Como se estivesse tentando se proteger de alguma coisa.

Rose ignorou.

Levantou as mãos, entrou, calçou as luvas e se abaixou para examinar o ferimento. Cada movimento era preciso, eficiente - impecavelmente profissional.

As luzes da sala de procedimentos eram duras, aquele branco implacável que expõe cada falha e cada detalhe. Quando o olhar de Rose passou pelo tecido rasgado, ela hesitou.

A enfermeira se inclinou para olhar e soltou um murmúrio sugestivo, os olhos passando pelo rosto de Rose antes de deslizarem, de propósito, para a porta por onde Ryan tinha saído.

"Bom, isso com certeza parece..." Ela deixou a frase no ar, com a sobrancelha erguida, claramente tentando puxar Rose para a fofoca.

Rose não levantou os olhos.

Seus dedos não vacilaram, mas uma onda de náusea subiu pela garganta, amarga e sufocante. Ela precisou cerrar os dentes para conter.

Com os dedos enluvados e estéreis, separou delicadamente as bordas da lesão e avaliou a extensão da laceração.

"Laceração perineal de segundo grau, envolvendo parte da mucosa vaginal posterior. Não há sangramento arterial. Nada grave. Tente ficar calma."

"Pressão?" perguntou, sem se dar ao trabalho de levantar a cabeça.

"Noventa por sessenta. Frequência cardíaca, cento e dois", recitou a enfermeira.

Rose pressionou a gaze sobre o ferimento para conter o sangramento e continuou dando instruções.

"Pegue um acesso venoso, comece com soro fisiológico e prepare lidocaína. Dá para suturar aqui mesmo. Não precisa mandar para o pronto-socorro."

"Não!"

Rose supôs que fosse mais uma crise emocional e ajustou o tom para algo tão profissionalmente tranquilizador quanto possível.

"Senhora, você precisa confiar no julgamento médico."

Mas Samantha segurou seu pulso. Desviou o olhar para o lado, e a voz baixou para algo suave, quase tímido.

"Não é isso... é que... eu estou grávida."

"Grávida?"

A enfermeira quase gritou a palavra.

As mãos de Rose congelaram no ar. Seus dedos se apertaram ao redor da seringa que segurava, fortes o bastante para quase ameaçar o vidro.

Seu olhar desceu até a barriga de Samantha.

Até onde Rose sabia, Ethan estava preso havia cinco meses. E a barriga de Samantha não mostrava sinal algum de uma gestação de quatro ou cinco meses.

O olhar de Rose voltou ao rosto da mulher, onde uma mistura de timidez e provocação parecia aguardar, faminta pela reação dela.

A enfermeira, sem perceber nada, já se perdia nos próprios pensamentos.

"Mas fazer sexo tão no comecinho da gravidez... isso é extremamente arriscado..."

Diante daquelas palavras, a expressão de Samantha ficou ainda mais satisfeita. Os últimos resquícios de modéstia fingida se evaporaram completamente.

Rose não aguentava mais. Pousou os instrumentos e se dirigiu à enfermeira num tom cortante.

"Retire todos os anti-inflamatórios não esteroides da ficha e troque os antibióticos de amplo espectro por um da classe das penicilinas. Eu termino em um minuto."

Depois disso, praticamente fugiu.

Foi até a pia. A água corria alto o bastante para afogar o ritmo frenético da própria respiração.

Sete anos de casamento.

Rose já tinha segurado um teste de gravidez positivo, voado metade do mundo para mostrar a Ryan, e recebido nada além de um "eu não quero filho".

Então se retirou sozinha para outra cidade para criar a filha deles, deixando a menina crescer confusa, sem entender por que o pai não fazia parte de sua vida.

E agora aquilo? O que era aquilo?

Outra criança - vindo ao mundo com todo o peso da expectativa, bem-vinda a uma vida que daria tudo o que sua filha nunca teve.

Por quê?

Ariel esperara cinco anos, e tudo o que recebera era um pai que nunca quis sua existência desde o começo.

E tudo por culpa de Rose - aquela desculpa incompetente de mãe.

Ryan nunca rejeitara a paternidade. Só rejeitara a paternidade com ela.

Seu estômago embrulhou, a garganta se fechou, e ela cerrou os molares com tanta força que a mandíbula chegou a doer.

Foi apenas a memória muscular profissional - anos de treinamento que se recusavam a abandoná-la - que a sustentou pelo restante do procedimento, permitindo que terminasse a sutura e passasse as orientações pós-operatórias à enfermeira antes de abrir a porta.

"Como ela está?"

Ryan já estava ali. Passou por Rose no instante em que a porta se abriu, o olhar indo direto para Samantha, sem sequer roçar nela.

Rose permaneceu parada no lugar. Um fantasma de sorriso - amargo, zombeteiro - contorceu o canto de sua boca.

"Ela precisa descansar. Você pode levar ela para a ala de observação por um tempo e depois para casa. As orientações de cuidados estão na folha. Dá para você mesmo ler."

Ryan murmurou um reconhecimento sem levantar os olhos, abaixou-se e pegou Samantha nos braços, caminhando em direção à ala com ela aninhada contra o peito.

A imagem das costas dele se afastando foi tudo o que deixou para trás.

Atrás de Rose, a enfermeira mais jovem - mal saída do treinamento - já se aproximava da enfermeira sênior. Sua voz saiu baixa, sem fôlego, cheia de espanto incrédulo.

"Meu Deus... eles fizeram aquilo mesmo, né? Rasgou desse jeito..." Ela própria ficou vermelha e estalou a língua, chocada.

A enfermeira mais velha revirou os olhos e deu um tapa no braço dela, resmungando baixinho.

"Fica quieta, menina."

Mas a mais nova ainda não tinha terminado. Virou-se para Rose com a curiosidade descuidada de quem ainda não aprendera onde ficavam os limites.

"Doutora... a senhora é casada há anos. Já... sabe... é tão bom assim mesmo?"

Rose encarou os dois vultos que se afastavam pelo corredor. Sua voz saiu plana, deliberada, sem qualquer preocupação em baixar o volume.

"Eu não saberia dizer. Meu marido tem disfunção erétil há sete anos. Estamos tratando desde então."

O sorriso da jovem enfermeira congelou por completo. Suas orelhas ficaram escarlates quando percebeu o quanto tinha passado do limite.

"Eu... eu sinto muito. Não foi isso que eu quis..." gaguejou, encolhendo-se, a voz se perdendo enquanto mexia nos instrumentos.

Mais adiante no corredor, os passos de Ryan vacilaram.

Ele parou de repente, virou a cabeça, e seu olhar cortou a distância.

A enfermeira jovem ficou pálida. Esqueceu por completo o constrangimento, agarrou o braço de Rose e tentou puxar ela de volta para a sala de exames, balbuciando num sussurro em pânico.

"Ai, não! Ele ouviu, né? Com certeza ouviu. Vamos, vamos entrar!"

Rose não se moveu.

Manteve-se no lugar, deixando a enfermeira puxar inutilmente sua manga. Seus olhos continuaram presos aos de Ryan do outro lado do corredor, sem vacilar.

Nem um lampejo de culpa. Nem um traço de arrependimento.

Presa entre os dois, a enfermeira ficava mais desesperada a cada segundo.

Soltou uma risadinha nervosa e frágil e deu outro puxão no braço de Rose.

"Desculpa! Desculpa mesmo, foi erro nosso!"

Rose se deixou puxar um passo para trás, como se finalmente tivesse decidido permitir que a cena continuasse sozinha.

Mas, antes de se virar, acrescentou, a voz ecoando claramente pelo corredor, alta o bastante para ser ouvida.

"Bom, quem sabe? Talvez meu marido só tenha gastado toda a energia na cama de outras mulheres."

Não esperou para ver as consequências. Virou-se e entrou na sala de exames, deixando a porta se fechar atrás de si e um silêncio mortal no corredor.

Ryan, por sua vez, nem percebeu que tinha apertado os braços ao redor de Samantha até ela estremecer e soltar um pequeno protesto.

"Tá doendo."

Ele piscou, olhou para ela e travou a mandíbula.

Não disse nada. Apenas retomou os passos longos em direção à ala, o rosto esculpido em pedra.

-

De volta ao consultório, a compostura de Rose finalmente desmoronou.

Ela ficou encostada na porta fechada por um longo momento, o corpo inteiro tremendo sem controle, antes de se obrigar a caminhar até a mesa e afundar na cadeira.

A tela do celular brilhava com uma sequência de mensagens não lidas acumuladas na parte superior. O nome de Caleb se destacava, com mensagens curtas e urgentes:

"O que está acontecendo aí? Ouvi a voz do Ryan... ele descobriu?!"

O olhar de Rose deslizou para a pilha de documentos no canto da mesa. A página de cima trazia o título em negrito "Acordo de Transferência de Ações", e uma linha diagonal riscava o campo da assinatura - impossível de assinar agora.

A caneta estava ao lado, sem tampa, ainda úmida.

Uma risada seca e vazia escapou da garganta de Rose.

Ela nem precisava mais se perguntar se ainda queria lutar por aquela batalha.

A resposta tinha sido entregue, clara como o dia.

Pegou o celular, parou sobre o teclado por uma única respiração e digitou:

"Eu quero o divórcio."

Capítulo 3 Três

Por três dias seguidos, Rose praticamente não dormiu.

No primeiro, desenterrou o acordo matrimonial de anos atrás e revisou as cláusulas de divórcio uma por uma.

Bens, imóveis, ações - tudo o que podia ser dividido estava descrito com clareza meticulosa, sem deixar espaço para disputa.

No segundo dia, entregou sua demissão no hospital.

Na época, escolhera aquele emprego por um motivo simples: ficava perto da empresa de Ryan. Agora, só queria colocar a maior distância possível entre os dois.

No terceiro dia, numa manhã de semana, finalmente foi para casa fazer as malas.

Naquele horário, Ryan deveria estar no escritório. A mãe dele, Selena, e o irmão mais novo, Evan, provavelmente também não estariam lá. Tudo o que Rose queria era recolher o pouco que lhe pertencia e sair em silêncio, sem cruzar com ninguém.

Não havia muita coisa para levar.

Sete anos de casamento, e seus pertences pessoais mal enchiam duas malas.

Ela se agachou no canto do closet, dobrando as roupas uma a uma, até que seus dedos tocaram uma caixa de veludo.

Parou.

Dentro estava o anel, repousando em silêncio sobre o forro azul-escuro.

No dia em que recebeu, não houve pedido de casamento, ninguém se ajoelhou, não houve cerimônia alguma. Tinha sido apenas um jantar de família.

A mesa comprida estava cheia de parentes de Ryan e, do outro lado, ele simplesmente jogara a caixinha do anel em sua direção, com um tom tão indiferente quanto se estivesse tratando de negócios.

"Meu avô mandou preparar isso pra você."

Só isso. Nem uma palavra a mais. Nem sequer olhou para ela.

Rose encarou o anel na palma e deixou escapar um sorriso fraco, quase autodepreciativo. Sem hesitar, deixou a joia cair dentro da pasta que continha os papéis do divórcio, repousando entre documentos legais frios.

Parecia estranhamente apropriado, como se finalmente devolvesse o anel ao lugar ao qual pertencia.

Ela se agachou de novo e continuou arrumando as malas.

Então, de repente, um barulho surgiu lá embaixo.

Passos. O som agudo de rodinhas de mala no chão. Vozes se sobrepondo.

Rose tinha calculado errado. Naquele horário, ninguém deveria estar em casa.

Endireitou-se, pegou a pasta e caminhou em direção à escada. Antes mesmo de alcançar o corrimão, uma sequência de insultos subiu pelo vão - ditos em voz baixa, mas perfeitamente claros.

"Aquela vadia."

"Manipuladora aproveitadora."

"Lixo interesseiro."

Não era preciso adivinhar de quem falavam.

Rose ficou parada no patamar por um breve momento, ouvindo sem expressão. Então deu um passo à frente e desceu.

Na sala de estar, Evan entrou primeiro, com Selena logo atrás. Os dois ladeavam Ryan e Samantha, seguidos por vários funcionários que carregavam malas escada acima.

Era óbvio à primeira vista: Samantha estava se mudando para lá.

Nem sequer se dera ao trabalho de esperar a esposa legítima ir embora.

Evan se virou de repente e avistou Rose. Sua expressão se iluminou como se finalmente tivesse encontrado um alvo.

"Como você ousa aparecer aqui?!"

Rose olhou para ele, o tom calmo, quase didático.

"Essa é a minha casa - minha e do meu marido. Essa pergunta você deveria fazer a si mesmo."

Evan engasgou com a resposta, o rosto ficando vermelho de raiva. Pegou o celular e enfiou a tela diante do rosto dela.

"Foi você que fez isso?!"

Rose baixou o olhar.

A tela estava cheia de posts em alta - um vídeo de Ryan carregando Samantha para dentro e para fora do hospital.

A legenda dizia, com absoluta certeza: Ryan Knight e Samantha Hill - Suspeita de gravidez! Caso ilícito com a cunhada!

A seção de comentários fervia em especulações e zombarias. O nome de Samantha agora estava intimamente ligado ao escândalo.

Alguns até romantizavam as imagens, elogiando a suposta devoção de um homem protegendo a mulher amada.

Hoje em dia, a opinião pública já tinha perdido qualquer bússola moral.

Rose observou sem reação, mas Evan interpretou seu silêncio como confissão.

"Todo mundo sabe que foi você! Aconteceu no seu hospital!"

Os lábios de Rose se curvaram levemente, e um traço de diversão gelada surgiu em seus olhos.

"Você realmente não me conhece nem um pouco. Se eu tivesse escrito isso, as palavras seriam bem mais pesadas. Quer que eu dê um exemplo?"

Aquele comentário fez Selena explodir de vez.

Ela avançou, o rosto lívido.

"Como você ousa falar assim?"

Sua mão veio na direção do rosto de Rose.

Rose se moveu apenas o suficiente para desviar do tapa. Selena cambaleou para a frente, perdendo o equilíbrio bem no topo da escada. Um pé escorregou no vazio, e ela quase caiu para trás, sendo segurada por Evan no último segundo.

A sala mergulhou no caos.

Selena ficou ali, pálida e abalada.

Rose permaneceu ereta, olhando para eles de cima. Seu tom, de repente, soou "atencioso" de um jeito quase irônico.

"Início de gravidez exige repouso. Estresse emocional não faz bem pra ninguém."

Um frio leve tremulou em seus olhos.

Suas palavras caíram como um balde de água fria e silenciaram todos.

Foi Ryan quem quebrou o silêncio.

"Peça desculpas."

A voz dele era baixa, mas firme.

Rose não se moveu.

A expressão de Ryan escureceu.

"Samantha não está grávida. Você atendeu ela. Sabe muito bem disso."

Fez uma pausa, depois acrescentou com desprezo inconfundível:

"E você mesma nunca esteve grávida. Nem ginecologista-obstetra você é. Como conseguiu afirmar isso com tanta certeza?"

Ele sabia exatamente onde atacar.

Mesmo em um casamento que existia apenas no papel, Ryan conhecia suas fragilidades melhor do que ninguém. As palavras atingiram mais forte do que qualquer tapa.

Samantha não estava grávida?

O olhar de Rose se voltou para ela, estudando com cuidado. Mais uma vez, captou aquele traço fugaz de presunção.

Então tudo tinha sido proposital.

Uma jogada calculada para forçar Rose a reagir.

Mas o que Samantha não entendia era que, grávida ou não, aquilo já não fazia diferença alguma.

Samantha se inclinou por trás de Ryan, com um tom leve, quase brincalhão.

"Vamos deixar pra lá. Eu sei que não foi você, Rose." Piscou com uma doçura falsa. "Continua fazendo tiramisù pra mim, tá? Eu amo aquele que o Ryan sempre leva."

Aquilo atingiu mais fundo do que qualquer outra coisa.

A respiração de Rose falhou.

Aquele tiramisù... ela testara a receita inúmeras vezes, ajustando as proporções de novo e de novo, só para chegar a uma versão que Ryan dissera uma vez ser "boa o suficiente".

Não fazia com frequência, mas, sempre que fazia, se dedicava tanto.

Até Ariel mal tinha provado.

Rose acreditava que aquela era uma das poucas intimidades silenciosas que compartilhavam - uma pequena doçura dentro de um casamento vazio.

Só agora percebeu que nada daquilo jamais tinha chegado a Ryan.

Cada tiramisù tinha sido entregue, repetidas vezes, a Samantha.

Sete anos de esforço silencioso e teimoso - e ninguém jamais se importara.

Ryan se moveu levemente, colocando-se diante de Samantha como se a protegesse. Seu olhar ficou cauteloso.

Rose deixou escapar uma risada baixa, quase desdenhosa.

Então começou a descer a escada, degrau por degrau.

"Não", disse, calma. "Eu definitivamente devo um pedido de desculpas."

Sua voz estava assustadoramente firme.

"Eu deveria gravar um vídeo agora mesmo - me desculpando com meu marido e com a amante dele... que, por acaso, também é minha cunhada."

Fez uma pausa, pronunciando cada palavra com clareza.

"Errei em me meter. Errei em tentar impedir minha querida cunhada de ficar com meu marido. Claramente, sou mesquinha. Afinal-"

Ergueu o olhar, passando por Samantha e depois por Ryan.

"Como eu poderia competir com a senhorita Hill, tão dedicada ao papel de amante? Ou com o senhor Knight, que parece perfeitamente capaz de administrar duas casas ao mesmo tempo?"

A sala mergulhou em silêncio absoluto.

Até o tique-taque do relógio parecia alto.

"Então", continuou, com calma, "vocês gostariam que eu esclarecesse que Samantha não está grávida - e que a visita dela ao hospital foi por... outros motivos?"

Mesmo naquele momento, seu profissionalismo ainda a segurava. Rose não conseguia se permitir expor a privacidade de uma paciente.

E se odiava por isso.

O rosto de Selena ficou acinzentado. Evan permaneceu sem palavras.

A expressão de Ryan escureceu visivelmente. Seu olhar finalmente se fixou em Rose com uma complexidade que ela já não conseguia decifrar.

Mas Rose não olhou para nenhum deles de novo.

Nem se deu ao trabalho de subir para pegar as malas.

Em vez disso, deu um passo à frente, parou diante de Ryan e bateu a pasta contra o peito dele.

O som surdo ecoou pela sala.

Então passou por ele sem hesitar, os passos ficando mais firmes a cada passada.

Só então Ryan baixou os olhos e viu o título em destaque no documento.

Acordo de Divórcio.

As palavras escaparam de sua boca antes que pudesse se conter.

"Espera."

Sua voz cortou o silêncio.

"Não. A gente não vai se divorciar."

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