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Do Inferno ao Paraíso

Do Inferno ao Paraíso

Autor:: You Ran Qian Wu
Gênero: Romance
O médico confirmou: Sofia estava grávida de quase três meses. Um detalhe me corroía: eu não a tocava havia meses, desde aquela lesão que me tirou dos campos de futebol. O silêncio no carro, na volta para casa, era sufocante. "Me perdoa, Miguel", Sofia choramingou, agarrando-se a mim com lágrimas falsas. "Foi só uma vez, juro. Eu bebi demais, estava perdida, com tanto medo por você." Eu, um tolo apaixonado, quase acreditei na desculpa patética. Afinal, ela sempre foi meu paraíso seguro. A verdade, no entanto, me atingiu como um soco no estômago, numa tarde chuvosa. Espiei pela porta entreaberta do quarto e ouvi a voz dela ao telefone, gélida, cruel. "Sim, Thiago, ele está engolindo tudo. O idiota apaixonado acredita que o filho é um erro de uma noite." Thiago. Meu empresário. Meu amigo. A risada dela, baixa e perversa, ecoou no meu peito. "Com a carreira acabada, ele não tem mais nada, só a mim. E o dinheiro dele? Agora é nosso dinheiro, meu amor. Nosso e do nosso filho." O amor que eu sentia se transformou em cinzas de desgosto. Eu era a piada, o idiota, o jogador quebrado. Olhei para as fotos sorrindo na sala, para a vida que eu achava que tinha. Uma farsa nojenta. Eles me transformaram em um monstro para a família deles. Eu caí no chão, meu joelho lesionado explodindo de dor. "Você não vai estragar a minha vida!", ela gritava, chutando meu joelho repetidamente. Fui arrastado para um porão escuro, jogado como lixo. "Aprenda sua lição, Miguel", ouvi a voz dela antes que a porta se fechasse. Em meio aos gemidos de dor, percebi: o Miguel que eles conheciam havia morrido naquele porão. Eu não seria mais o idiota. Com a ajuda da Isabella, aquela que sempre acreditou em mim, eu me reergueria. A guerra mal havia começado.

Introdução

O médico confirmou: Sofia estava grávida de quase três meses.

Um detalhe me corroía: eu não a tocava havia meses, desde aquela lesão que me tirou dos campos de futebol.

O silêncio no carro, na volta para casa, era sufocante.

"Me perdoa, Miguel", Sofia choramingou, agarrando-se a mim com lágrimas falsas. "Foi só uma vez, juro. Eu bebi demais, estava perdida, com tanto medo por você."

Eu, um tolo apaixonado, quase acreditei na desculpa patética. Afinal, ela sempre foi meu paraíso seguro.

A verdade, no entanto, me atingiu como um soco no estômago, numa tarde chuvosa.

Espiei pela porta entreaberta do quarto e ouvi a voz dela ao telefone, gélida, cruel.

"Sim, Thiago, ele está engolindo tudo. O idiota apaixonado acredita que o filho é um erro de uma noite."

Thiago. Meu empresário. Meu amigo.

A risada dela, baixa e perversa, ecoou no meu peito. "Com a carreira acabada, ele não tem mais nada, só a mim. E o dinheiro dele? Agora é nosso dinheiro, meu amor. Nosso e do nosso filho."

O amor que eu sentia se transformou em cinzas de desgosto. Eu era a piada, o idiota, o jogador quebrado.

Olhei para as fotos sorrindo na sala, para a vida que eu achava que tinha. Uma farsa nojenta.

Eles me transformaram em um monstro para a família deles. Eu caí no chão, meu joelho lesionado explodindo de dor.

"Você não vai estragar a minha vida!", ela gritava, chutando meu joelho repetidamente.

Fui arrastado para um porão escuro, jogado como lixo. "Aprenda sua lição, Miguel", ouvi a voz dela antes que a porta se fechasse.

Em meio aos gemidos de dor, percebi: o Miguel que eles conheciam havia morrido naquele porão.

Eu não seria mais o idiota. Com a ajuda da Isabella, aquela que sempre acreditou em mim, eu me reergueria. A guerra mal havia começado.

Capítulo 1

Miguel sentiu o mundo desabar quando o médico, com um olhar de pena, confirmou a gravidez de Sofia. Seria uma notícia feliz, se não fosse por um detalhe: ele não tocava nela há meses, desde a lesão que o tirou dos campos.

"Parabéns, Miguel. Pelo ultrassom, Sofia está com quase três meses."

Três meses. A conta não fechava.

O silêncio no carro, na volta para casa, era pesado. Sofia olhava pela janela, a mão pousada sobre a barriga que ainda mal aparecia. Miguel segurava o volante com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos, a confusão e a dor batalhando dentro dele.

Assim que entraram em casa, Sofia desabou a chorar. Era um choro ensaiado, que ele já conhecia.

"Me perdoa, Miguel. Me perdoa, por favor."

Ela se agarrou a ele, o rosto molhado de lágrimas falsas.

"Foi só uma vez, eu juro. Naquela festa do clube, depois que você se machucou. Eu bebi demais, estava tão perdida, com tanto medo por você. Foi uma noite de excessos, não significou nada."

A desculpa era patética, mas ele era seu namorado desde a infância, o homem que a amava mais do que a si mesmo. Uma parte dele, a parte tola e desesperada, queria acreditar.

"Eu te amo, Miguel. Só a você. Esse bebê... ele não tem culpa. Podemos criá-lo juntos. Ele vai ser nosso filho."

Ela o manipulava com a precisão de um cirurgião, tocando em todos os seus pontos fracos: o amor deles, o sonho de ter uma família, a sua própria fragilidade desde a lesão.

Nos dias seguintes, Sofia se transformou na namorada perfeita. Cuidava dele, cozinhava seus pratos favoritos, falava sem parar sobre o futuro, sobre o quarto do bebê, sobre como seriam uma família feliz. Miguel, perdido na névoa da traição, quase se deixou levar.

A verdade o atingiu como um soco no estômago, numa tarde chuvosa. Ele estava mancando pela casa, procurando um analgésico, quando ouviu a voz de Sofia vindo do quarto. Ela falava baixo ao telefone, mas a porta estava entreaberta.

"Sim, Thiago, ele está engolindo tudo. O idiota apaixonado acredita que o filho é um erro de uma noite."

Uma pausa. A risada dela, baixa e cruel, cortou o ar.

"Claro que ele vai assumir. Com a carreira acabada, ele não tem mais nada, só a mim. E o dinheiro dele? Agora é nosso dinheiro, meu amor. Nosso e do nosso filho."

Thiago. Seu empresário. Seu amigo.

Miguel se apoiou na parede, o ar faltando em seus pulmões. A dor no joelho não era nada comparada à dor que rasgava seu peito. Ele olhou para a sala, para as fotos dos dois sorrindo, para a vida que ele achava que tinha. Era tudo uma mentira. Uma farsa nojenta.

Ele sentiu um cansaço profundo, uma náusea que subia pela garganta. A imagem de Sofia e Thiago juntos, rindo da sua desgraça, se fixou em sua mente. O amor que ele sentia se transformou em pó, em cinzas de desgosto. Estava acabado. Ele não seria o idiota da história deles.

Sem pensar, ele pegou o celular e discou um número que não usava há tempos.

"Isabella?"

A voz dela soou calorosa do outro lado, uma lufada de ar fresco naquele ambiente podre.

"Miguel? Aconteceu alguma coisa?"

"Você está ocupada? Preciso conversar."

Era um pedido de socorro. Um primeiro passo para fora do abismo.

No dia seguinte, ele foi a uma consulta de rotina com o ortopedista. A ressonância magnética confirmou o que ele já temia.

"Sinto muito, Miguel. A lesão foi grave. A cirurgia estabilizou seu joelho, mas para o futebol de alto rendimento... acabou. Você não pode mais jogar profissionalmente."

As palavras do médico foram o prego final no caixão de seus sonhos. Ele saiu da clínica sentindo-se oco, um fantasma de si mesmo. Sem rumo, dirigiu até um café perto do consultório.

E lá estavam eles. Sofia e Thiago.

Sentados numa mesa no canto, riam e conversavam animadamente. Thiago colocou a mão sobre a barriga de Sofia, um gesto íntimo, possessivo. Depois, ele se inclinou e a beijou. Um beijo longo, apaixonado, que não deixava dúvidas sobre a natureza da relação deles.

Miguel ficou parado do lado de fora, na chuva fina que começava a cair, observando a cena pelo vidro. Cada risada, cada toque, era uma facada. Ele se lembrou de todos os sacrifícios, de todas as promessas, de todos os anos que dedicou a ela. Tudo para acabar assim, sendo o espectador da felicidade construída sobre suas ruínas.

A dor se transformou em uma raiva fria e lúcida. Ele não sentia mais tristeza, apenas uma determinação gelada.

Ele pegou o celular novamente. Não ligou para Isabella desta vez. Ligou para o melhor advogado da cidade.

"Preciso dos seus serviços. É uma questão pessoal. E urgente."

A guerra estava apenas começando.

Capítulo 2

Quando Miguel abriu a porta de casa, o cheiro dele o atingiu primeiro. Um perfume caro e amadeirado que não era o seu. Era o perfume de Thiago.

Sofia veio recebê-lo na sala, com um sorriso que não alcançava os olhos.

"Amor, você demorou. Estava preocupada."

Ela tentou beijá-lo, mas Miguel virou o rosto. O cheiro dele estava nela também, impregnado na sua pele, no seu cabelo. O estômago dele se revirou.

Ele caminhou até o centro da sala, o som de sua perna machucada ecoando no silêncio. Ele não se sentou. Apenas ficou de pé, olhando para ela.

"Sofia, eu quero a separação."

As palavras saíram calmas, sem emoção. Frias como o gelo que se formara em seu coração.

O sorriso de Sofia desapareceu. Seus olhos se arregalaram em choque, uma confusão genuína passando por seu rosto antes de ser substituída pela máscara da vítima.

"O quê? Separação? Miguel, do que você está falando? Por causa daquela noite? Eu já te pedi perdão! Eu te amo, nós vamos ter um filho!"

"Esse filho não é meu."

A negação dela foi instantânea, quase um grito.

"Como você pode dizer isso? Você está me acusando? Depois de tudo que passamos? É a sua lesão, não é? Está te deixando amargo, cruel!"

Ela tentou se aproximar, mas ele deu um passo para trás.

"Eu ouvi você, Sofia. No telefone. Com o Thiago."

O rosto dela ficou pálido. A máscara caiu, revelando a feiura por baixo. A raiva brilhou em seus olhos.

"Então você estava me espionando? Que patético."

Ela cruzou os braços, a postura defensiva se transformando em agressividade.

"E se for verdade? E daí? O que você ia fazer, hein? Você não é mais o grande Miguel, o craque do time. Você é um aleijado, um ex-jogador. Thiago pode me dar uma vida que você não pode mais. Ele é um homem de verdade."

Cada palavra era um golpe calculado para ferir, para diminuí-lo.

"Eu não quero nada de você, Sofia. Apenas a minha liberdade. Quero que você saia da minha casa."

"Sua casa?", ela riu, um som estridente e feio. "Essa casa é nossa! E eu não vou a lugar nenhum. Estou grávida, Miguel! Você tem a obrigação de cuidar de mim e do meu filho. Mesmo que não seja seu, você vai criá-lo. É o mínimo que você pode fazer."

"Eu não vou."

A recusa dele, firme e final, a fez explodir.

Com um grito de fúria, ela correu até a estante onde ficavam os porta-retratos. Pegou a foto do casamento deles, a imagem de um dia que ele um dia considerou o mais feliz de sua vida, e a atirou no chão. O vidro se estilhaçou, espalhando cacos pelo tapete.

"Você vai se arrepender disso, Miguel! Eu vou destruir você!"

Ela começou a rasgar outras fotos, álbuns, qualquer lembrança que encontrava pela frente, num frenesi de ódio.

Miguel apenas observou, impassível. Quando ela parou, ofegante, no meio da bagunça, ele se abaixou lentamente, com dificuldade por causa do joelho. Ele pegou um dos pedaços da foto rasgada, o seu próprio rosto sorrindo, e o olhou por um instante. Depois, calmamente, o jogou na lixeira junto com os outros destroços.

Ele se virou e foi em direção ao quarto, sem dizer mais nada.

Pegou uma mala e começou a colocar algumas roupas dentro. Camisetas, calças, o essencial. Deixou para trás os ternos caros, os relógios, tudo que lembrava a vida que ele não queria mais. Ele pegou uma camisa simples, uma que usava antes da fama, e a vestiu. Era hora de um novo começo, por mais doloroso que fosse.

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