A notícia chegou. Brutal, impiedosa, como um murro no estômago que me roubou o ar, a razão. Clara, a minha irmã mais nova, a minha tudo, estava morta. Não por doença, não por acidente. Mas espancada, humilhada, e depois atirada sem vida para as águas frias do Tejo. O cenário de Lisboa, antes tão acolhedor, transformou-se num palco de tragédia, de dor insuportável.
O seu crime? Derramar uma simples taça de vinho num vestido. Não qualquer vestido, claro, mas no vestido de Beatriz. Uma herdeira rica, mimada, cruel, cujo capricho podia determinar a vida e a morte de uma inocente. A minha Clara, tão pura, tão trabalhadora, reduzida a isso. O sangue ferveu nas minhas veias, mas a minha alma gelava com a profundidade do meu tormento.
Injustiça? Crueldade? Nenhuma palavra podia descrever o vazio que me dilacerava. O que era a vida de Clara comparada a um tecido caro para aquela aberração? A pergunta ecoava sem resposta, alimentando uma chama perigosa. Luto não era uma opção. Apathy? Nunca. Apenas uma sede insaciável por... por retribuição. A semente da vingança foi plantada naquele instante, regada com as minhas lágrimas e a fúria ardente.
E essa vingança tinha um nome: Beatriz. Eu a destruiria. Teria tudo dela, tal como ela tirou tudo de mim. Comecei a pesquisar. Descobri a obsessão dela por Miguel Azevedo, o CEO daquele império de luxo, o seu noivo. Ele seria o meu ponto de entrada. Com a minha beleza, com a minha inteligência, garanti o emprego de secretária executiva de Miguel. A primeira peça do xadrez estava no lugar. O jogo começou. E sabia que Beatriz nem sequer suspeitava do monstro que acabara de criar.
A notícia chegou como um soco no estômago.
Clara, a minha irmã mais nova, morta.
Espancada e atirada ao Tejo.
O seu crime? Derramar vinho num vestido caro.
O vestido de Beatriz.
Uma herdeira rica, mimada, cruel.
Sofia sentiu o sangue ferver, a dor a transformá-la em gelo e fogo.
Vingança.
Era a única palavra que ecoava na sua mente.
Descobriu que Beatriz era obcecada por Miguel Azevedo, CEO de um império de vinhos e turismo de luxo.
Era o noivo dela.
O alvo perfeito.
Sofia, com a sua beleza e inteligência, conseguiu um emprego.
Secretária executiva de Miguel.
A primeira peça do xadrez estava no lugar.
Numa noite, depois de um evento de Fado, Miguel bebeu demais.
Sofia viu a sua oportunidade.
Levou-o para uma suite numa Pousada histórica, um ninho de luxo discreto.
Ele ressonava, alheio ao perigo que ela representava.
Sofia pegou no telemóvel dele.
O nome "Beatriz" brilhava no ecrã.
Ligou.
Beatriz atendeu, a voz arrastada de sono e irritação.
"Miguel? O que se passa?"
Sofia não disse nada.
Apenas despiu a parte de cima do seu próprio vestido, o suficiente para criar uma imagem.
Deixou o telemóvel na mesa de cabeceira, com a chamada ativa, e gemeu baixinho, um som que podia ser qualquer coisa, ou tudo.
Depois, escondeu-se rapidamente na casa de banho, deixando a porta apenas uma fresta aberta.
O seu coração batia forte, não de medo, mas de uma satisfação fria.
Beatriz, do outro lado da linha, ouvia os sons.
A sua respiração tornou-se pesada.
"Miguel? Quem está aí? Responde-me!"
O silêncio de Miguel, o gemido subtil de Sofia.
A imaginação de Beatriz faria o resto.
Sofia sorriu no escuro.
A raiva de Beatriz seria lendária.
E era só o começo.
"Vou destruir-te, Beatriz. Vou tirar-te tudo, tal como tiraste a minha irmã de mim."
Pensou, enquanto ouvia os passos apressados de Beatriz a aproximarem-se do quarto.
Ajeitou o cabelo, desfez um pouco a maquilhagem, para parecer vulnerável, apanhada de surpresa.
Miguel começou a mexer-se na cama, resmungando.
Abriu os olhos, confuso.
"Sofia? O que... o que fazes aqui?"
A sua voz estava rouca.
Sofia aproximou-se, os olhos arregalados, fingindo pânico.
"Sr. Miguel! Eu... eu não sabia o que fazer. O senhor bebeu tanto, não conseguia deixá-lo sozinho. Tentei ligar à D. Beatriz, mas..."
Ele sentou-se, a cabeça entre as mãos.
"Beatriz? O que tem ela?"
Sofia engoliu em seco, a atriz perfeita.
"Acho que ela está a caminho. Ouvi-a ao telefone, parecia... furiosa."
Miguel olhou para ela, ainda grogue, mas a preocupação a surgir.
"Furiosa? Porquê?"
Nesse momento, a porta da suite foi escancarada com um estrondo.
Beatriz entrou como um furacão, o rosto vermelho de raiva.
"Miguel! Que pouca vergonha é esta?"
Os seus olhos faiscavam, fixos em Sofia, que se encolheu.
Sofia agarrou o braço de Miguel, a voz um sussurro desesperado.
"Sr. Miguel, por favor! Esconda-me! Se ela me vir assim, perco o emprego! Ela vai matar-me!"
Miguel, apanhado no meio, olhou de Beatriz para Sofia.
Hesitou por um instante.
Depois, empurrou Sofia para a casa de banho.
"Fica aí e não faças barulho."
Sofia entrou, fechando a porta quase por completo.
Lá dentro, um sorriso vitorioso iluminou o seu rosto.
O primeiro golpe fora dado.
Beatriz ia pagar.
Beatriz vasculhou o quarto com os olhos, procurando qualquer vestígio.
"Onde é que ela está, Miguel? Eu ouvi!"
A sua voz era estridente.
Miguel passou a mão pelo cabelo, tentando parecer calmo.
"Ouviste o quê, Beatriz? Estás a imaginar coisas. Eu estava a dormir."
Ela aproximou-se dele, o perfume caro a invadir o ar.
"Não me mintas! Havia uma mulher aqui!"
Miguel suspirou, tentando acalmá-la.
"Querida, bebeste demais? Ou será o ciúme a falar mais alto?"
Ele segurou-lhe os ombros.
"Não há ninguém aqui além de nós. Eu amo-te, sabes disso."
Beatriz olhou-o nos olhos, a fúria a diminuir um pouco, substituída pela insegurança.
"Amas-me? Mesmo?"
"Claro que sim. És a minha noiva."
Ele beijou-a na testa.
Sofia, escondida, observava pela fresta.
Viu a ternura nos gestos de Miguel, uma ternura que raramente demonstrava.
Confirmou o que já sabia: o amor dele por Beatriz era real.
Isso tornava a vingança ainda mais doce.
Beatriz pareceu acalmar-se, convencida pelas palavras dele.
"Desculpa, meu amor. Acho que estou demasiado stressada."
No momento em que ela relaxou, Sofia deixou cair deliberadamente um pequeno frasco de perfume no chão da casa de banho.
O som, embora abafado, foi suficiente.
Beatriz virou-se bruscamente.
"O que foi isso?"
Os seus olhos voltaram a estreitar-se, a desconfiança a regressar.
Caminhou em direção à casa de banho.
Miguel interveio, bloqueando-lhe o caminho.
"Não é nada, querida. Deve ser o serviço de quartos no corredor."
Ele sorriu, mas os seus olhos mostravam uma ponta de nervosismo.
Beatriz hesitou, olhando de Miguel para a porta da casa de banho.
Por fim, deu de ombros.
"Talvez tenhas razão. Estou cansada. Vamos para casa."
Ela agarrou o braço de Miguel e puxou-o para fora do quarto.
Assim que a porta se fechou, Miguel suspirou aliviado.
"Sofia? Podes sair."
Sofia abriu a porta, o cabelo ligeiramente húmido, o vestido amarrotado.
Parecia a personificação da inocência apanhada numa situação embaraçosa.
"Desculpe, Sr. Miguel. Deixei cair o meu perfume. Sou tão desastrada."
Os seus olhos estavam baixos, como se estivesse com vergonha.
Miguel olhou-a, uma expressão indecifrável no rosto.
"Tens medo da Beatriz?"
Sofia levantou os olhos, a vulnerabilidade estampada neles.
"Ela... ela pode ser muito intensa, Sr. Miguel. E eu preciso deste emprego. Tenho contas para pagar, uma família para ajudar."
Era uma meia verdade, mas soava convincente.
Ela não esperou por uma resposta.
"Tenho de ir. Obrigada por... por tudo."
Fez menção de sair.
"Espera," disse Miguel, inesperadamente. "Eu levo-te a casa. Já é tarde."
Sofia escondeu um sorriso.
Ele estava a começar a interessar-se.
O plano avançava.