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Doce e quente

Doce e quente

Autor:: Sofia Garcia
Gênero: Romance
Nem mesmo sendo uma confeiteira talentosa, Sofia conseguiria inventar uma receita tão difícil quanto a que se tornou sua vida. A milionária Gioavana Mazza quer os doces da confeitaria de Sofia em seu casamento, mas o noivo é nada mais nada menos que seu antigo namorado, Gabriel Moore. Para sua surpresa, essa confusão traz consigo um presente: Heitor Garcia. O melhor amigo de Giovana é o ingrediente perfeito que faltava nos seus dias. Só que, após um final traumático, Gabriel voltou a sua vida com outros planos e fará de tudo para acabar com esse romance. Será que Sofia e Heitor conseguirão ficar juntos? Uma história de amor, ódio e resistência que te deixará com gostinho de quero mais.

Capítulo 1 Prólogo

Peguei o celular e liguei para Gabriel. Tocou, tocou, tocou. Quando estava prestes a desistir, ele atendeu secamente.

-Oi.

-Oi, tudo bem? Está ocupado?

-Sim.

Não sei se está bem ou ocupado ou as duas coisas. Custava ser mais expansivo?! Franzi a testa e segurei meu temperamento antes que desligasse o telefone na cara dele.

-Serei rápida. Está livre no horário do almoço? Pensei em passar no seu escritório...

Acho que percebeu minha intenção, porque ficou um pouco mais animado.

-Tudo bem. Te espero aqui às 13h. Não se atrase. Beijo

Não tive nem tempo de me despedir. Petulante! Estou numa batalha interna: parte de mim diz para mandar esse homem a merda, enquanto a outra fala que se ele está frio é porque sou desinteressante e devo dar um jeito nisso. Pego minha bolsa com raiva e saio da confeitaria a caminho da empresa de Gabriel. É um pouco distante, afinal minha loja é no Chelsea e ele trabalha no Rockefeller Center.

Pensei que, talvez, uma rapidinha no meio do dia fosse incendiar um pouco nossa relação. Mas, às vezes, me pergunto se vale esse esforço. Será que ele é o cara dos meus sonhos? Se fosse, eu teria esse tipo de dúvida? Melhor parar de pensar nessas coisas. Ele parece ser o sonho de qualquer uma. Quem sou eu para pensar o contrário?!

Estou saindo com Gabriel há quase oito meses. Não sei ao certo se estamos namorando porque nunca houve um pedido formal. O que sei é que as coisas andam esfriando entre a gente. Fico o tempo todo me culpando sobre isso, afinal toda mulher que conheço me diz o quanto sou sortuda por estar com ele. Com exceção, é claro, da minha melhor amiga Helena, que o detesta. Nunca entendi o motivo, mas ela diz que Gabriel não me faz bem e que nem sequer combinamos.

De fato, não temos muito em comum e, ao que parece, ele é muita areia para o meu caminhãozinho. É bonito, milionário, poderoso e cobiçado. Muito cobiçado. O que me faz pensar que está prestes a ter um caso com outra; se é que já não tem! Fico um pouco nervosa quando penso sobre isso e começo a me cobrar mais empenho. Se não, vou perder o homem perfeito.

Cheguei na base da montadora de carros Mazza. É minha primeira vez na empresa em que Gabriel é diretor e, olha, é impressionante o quanto é luxuosa! Ao entrar no escritório imponente dele, então, me senti ainda menor.

-Muito bem, Srta Jones. Na hora certa.

Ele me fitou com seus olhos de lince. Não me atinge mais como antes, mas forcei meu melhor sorriso. Ele começou a se aproximar devagar e lembrei da primeira vez que o vi, num jantar de uma ricaça qualquer em que fui contratada para produzir as sobremesas. Enquanto eu apresentava o doce, Gabriel me olhava como um tigre vigiando a caça. Era amedrontador, mas também excitante. Aquilo se perdeu. E só pode ser por minha causa. Acordei dos meus devaneios quando ele passou os dedos de leve no meu decote.

-Porque tem ido vestida assim para o trabalho? Querendo conquistar mais clientes, Sofia?

- Gabriel, sabe que não gosto que me diga o que vestir.

- Nunca gostei que ande por aí dessa maneira inapropriada.

Já ia começar a vociferar, quando ele me encarou com seus olhos pegando fogo. Seria isso paixão mesmo? Fiquei um pouco assustada e me calei. Ele pegou meu corpo e apertou contra o seu, me dando um beijo feroz nos lábios. Gabriel puxou meu decote para baixo e colocou meu peito esquerdo para fora. Eu ainda não estava entregue, mas comecei a sentir calor quando ele mordeu meu mamilo. Desceu as mãos pelo meu corpo e levantou a saia do meu vestido. Enquanto apertava minha bunda, sentia sua excitação por baixo da calça do terno. Nossa respiração ficou entrecortada.

-Fica de quatro na poltrona.

Estou excitada, mas ainda cheia de questões na cabeça. Preciso tentar esvaziar a mente. Eu gosto de ser mandada na cama, mas por que tem que ser tudo sempre do jeito que ele quer e quando deseja? Hesitei, mas Gabriel enfiou dois dedos entre minhas pernas. Tirava e botava, sussurrando no meu ouvido:

-Sei que você quer...

Ele se esforça quando é do seu interesse, afinal. Obedeci ofegante. Gabriel enfiou tudo de uma vez, segurando minha cintura com força. Não houve carinho, nem conexão. Só sexo por sexo. Nada contra, mas tive que me concentrar para curtir e brinquei com os dedos no meu clitóris enquanto ele metia sem parar. Gozei e logo em seguida ele também. Saiu e fechou seu zíper. Se distanciou de mim e falou sem cerimônias:

-Sofia, precisamos conversar.

É sério isso? Agora?! Continuou:

-Não quero mais te ver. Num faz sentido mantermos uma relação que não tem futuro. Estou me envolvendo com outra mulher que faz mais, digamos, sentido com a minha realidade.

Estou em choque. Sempre se mostrou superior a mim, mas como pode ser tão frio? Não consigo nem gritar.

-E você esperou me comer para falar isso?

Perguntei incrédula.

- Não me leve a mal, Sofia. Você é muito gostosa. Sentirei sua falta. Como eu ia negar com você se oferecendo para mim? Achei que seria uma boa despedida.

Não sei se está sendo sincero ou apenas cínico. Seja como for, estou tão arrasada que não consigo nem discutir. Sabia que esse dia chegaria, mas jamais iria pensar que alguém seria capaz de algo assim. Apenas saí de lá correndo. Nunca me senti tão minúscula, usada, suja. Como voltar para o trabalho dessa maneira?! Cheguei pela porta dos fundos da confeitaria aos prantos. Helena correu ao meu encontro e me levou para o banheiro.

-O que aconteceu, pelo amor de Deus?!

-Gabriel terminou comigo.

-Finalmente!

Capítulo 2 Um Casamento Inesperado

PONTO DE VISTA DE SOFIA

Sair do ciclo vicioso de culpa se mostrou mais complicado do que eu imaginava. E é louco que, por mais infeliz que você esteja, a sensação de fracasso te domina com o fim do relacionamento. E aceitar o quão tóxico Gabriel foi para mim foi um processo difícil. Helena me ajudou a enxergar que não era normal namorar alguém que me fazia sentir um lixo, que queria controlar o que eu comia, vestia, com quem andava, a que horas ia dormir, quando deveria trabalhar. Eu só era o brinquedo favorito do momento. Sabe-se lá quantos mais colecionava.

Desde aquele dia, decidi me afundar no trabalho. Eu e Helena havíamos aberto a Sprinkles há pouco mais de um ano e os negócios iam muito bem. A confeitaria, inclusive, foi um problema entre eu e Gabriel desde o início. Primeiro, porque ele não ligava para a minha profissão. Odeia sobremesas! Segundo, porque detestava ter que lidar com uma mulher que não era rica como ele, mas que não dependia dele para absolutamente nada. O sucesso da loja nunca era encorajado. E terceiro porque eu não podia largar tudo sempre que ele ligava exigindo minha presença. Eu me enganava dizendo que era o jeito dele, que estava cuidando de mim porque estava apaixonado. Que idiota!

Como pude ficar tão cega?! Eu, Sofia Jones, me deixei levar numa relação abusiva! Jamais pensei que aconteceria comigo. Que raiva! De mim, dele, do tempo perdido. Pelo menos tirei dessa história um aprendizado: eu nunca mais vou permitir que homem algum me destrua daquela forma.

Seis meses se passaram desde que Gabriel terminou comigo e as coisas parecem estar no lugar de novo. Me sinto mais tranquila, confiante e feliz. Helena diz que estou voltando a ser eu mesma e acho que tem razão. A dedicação a Sprinkles tem dado frutos também: a confeitaria está cada dia mais cheia. Estou tão contente! Tem sido incrível ver nossos doces serem indicados por toda Nova York.

São 8h da manhã, o dia está lindo e já estamos nos toques finais para abrir a loja. Adoro dias de sol e meu humor está ótimo. Tanto que nem me irritei quando Helena ligou a televisão naquele programa chato de fofocas que passa logo cedo:

- Ih! Já começou, fofoqueira?

Falei rindo querendo implicar com minha amiga. Como não tive qualquer resposta, levantei os olhos. Helena estava congelada.

- O que foi?!

Virei assustada para a TV. A notícia era: Giovana Mazza se casará com Gabriel Moore.

- Desculpe, Sofia. Não fazia ideia que algo assim apareceria no programa.

Não vou mentir: foi um susto saber de Gabriel dessa forma. E noivo. Bem, o que devo pensar sobre isso? Estou confusa. Será que deveria doer? Porque não senti absolutamente nada com a novidade. Na verdade, parece que tiraram um peso gigante das minhas costas: estou livre de Gabriel de uma vez por todas.

Por um tempo, achei que havia sido apaixonada por ele. Hoje eu vejo que só estava tentando me convencer que tinha que aceitar aquele filme de terror como se fosse um conto de fadas.

- Amiga, fique tranquila. Estou bem! Ver Gabriel seguindo a vida dele longe de mim é um livramento!

Helena respirou tão aliviada que me fez rir. Ela é uma boa amiga. Sempre cuidadosa.

- Tem certeza?

- Sim! Gabriel faz parte de um passado que prefiro esquecer. E se em pouco tempo já vai se casar, sinal que finalmente se apaixonou de verdade. Que seja feliz! Afinal, gente feliz não enche o saco!

- Já que esqueceu de vez esse bosta, bora começar a conhecer umas pessoas por aí? Você vive trancada em casa!

- Mas já vai começar, criatura? Meu Deus! Chega desse papo! Tá na hora de abrir a confeitaria. Tem gente na porta até!

Sorrimos uma para a outra. Sei que quer meu bem. Helena é a irmã que nunca tive. Tínhamos quinze anos quando nos conhecemos na escola. Ela havia acabado de ficar órfã. Seus pais morreram num acidente de carro. Helena, então, se mudou para minha cidade, em San Diego, na Califórnia, para morar com a única tia que havia sobrado. Quando soube da história, fiquei muito comovida e tentei me aproximar para dar uma força, ajudar a se adaptar. Acabamos ficando inseparáveis desde então. Apesar de tudo o que passou, Helena é uma mulher positiva, alegre, bem resolvida, leal e talentosa. É colorida e livre feito uma borboleta. Sorte a minha tê-la ao meu lado.

-Ande, Helena! Desliga essa televisão e abra a porta! Vai!

- Ok, ok, chata!

PONTO DE VISTA DE HEITOR

Hoje está um sol gostoso na rua e estou animado. Tenho um ensaio externo e a luz vai estar ótima. Dá até para tomar um café gelado na Starbucks.

-Hey, bom dia! Um frappuccino de caramelo grande, por favor. Meu nome é Heitor. Obrigado.

Impressão minha ou a moça do caixa continua me olhando? Quando ia me virar para ela, uma conversa ao lado me chamou atenção.

-Giovana Mazza vai se casar. Quem diria! Nunca apareceu com ninguém.

Como é que é?! Espiei o celular da mulher e ela estava assistindo aquele programa ruim que passa de manhã na tv local. A chamada dizia que estava noiva de Gabriel Moore. Merda! Minha animação agora foi por água abaixo. Peguei meu frappuccino e saí com raiva da loja. Tomei um gole e respirei fundo com o sol batendo no meu rosto.

Olhei para o copo e tinha um coração do lado do meu nome. Acho que fui rude com a atendente. E ela era bem bonitinha. Bosta de fofoca! Me desestabilizou totalmente. Queria ignorar meu celular tocando sem parar, mas não posso. Viajo em poucos dias e tem muita coisa acontecendo no estúdio. Peguei o telefone a contragosto. Assim que vi quem estava ligando, atendi irritado:

- Porra, Giovana! Você vai mesmo casar com esse babaca?!

- Bom dia para você também, Heitor!

- Tinha que saber sobre isso por fofoca na mídia? Sério? Não podia me contar pessoalmente?

- Eu sabia que ficaria nervoso. Aposto que está despenteando o cabelo todo.

Droga! Tirei a mão da cabeça com raiva. Não respondi.

-O dia está lindo! Aproveite e se acalme, Heitor. Eu preciso do meu melhor amigo comigo para fazer esse casamento acontecer.

Respirei fundo mais uma vez. Giovana é uma amiga muito querida. Sempre cuidei dela como se fosse minha irmã mais nova. Apesar de passar todo o ar de mulher de negócios durona, ela é solitária e, muitas vezes, medrosa. De fato, ela precisa de mim para fazer essa estupidez. Até porque ela não tem mais ninguém ao seu lado.

-Você sabe a burrice que está fazendo, não é?

- É minha decisão. Quero esse casamento, Heitor.

- Tudo bem. Só para deixar claro: não me conformo, mas estou aqui. Então, diz logo o que você quer, Giovana. Porque minha paciência está por um fio.

Ela começou a rir e me deixou ainda mais nervoso.

- Esquentadinho, você vai gostar do meu pedido: quero companhia para provar bolos de casamento e doces.

- Seu digníssimo noivo não vai com você?

- Ele detesta doces e vai estar envolvido num novo lançamento da empresa.

Bem, sendo só com Giovana, não vejo problemas.

-Ok, eu vou. Mas só porque é pra comer doce de graça. Vamos aonde?

- Marquei em duas confeitarias já famosas e vou ligar para uma que Gabriel me indicou, chamada Sprinkles. Já ouviu falar?

- Na verdade, sim. E estava querendo mesmo conhecer.

- Tá vendo? Sabia que ia gostar!

- Me manda depois onde, que dia e que horas e estarei lá.

Desliguei o telefone ainda muito chateado. Esse casamento é um erro. Eles mal se conhecem. E não há química alguma entre os dois. Eu aposto que essa correria para se casar é por conta de seu pai, Vicenzo Mazza. É um homem rude, machista, antiquado e dominante. Sempre controlou Gio, mas agora que descobriu um câncer inoperável no pulmão, passou a encher o saco para que se case antes que ele morra. Me pergunto como Giovana consegue se dar ao trabalho de atender aos caprichos do pai. Mas, bem, é o único pai que tem.

Passaram-se dois dias e já estou mais controlado para encontrar Gio e ajudar a escolher o maldito bolo do seu casamento. Estou atrasado e sei que ela fica revoltada todas as vezes que isso acontece. Não sei como ainda não se acostumou. Entrei na confeitaria chiquetosa Le Petit e Giovana estava sentada à mesa tomando um café. Assim que me aproximei ela sequer levantou o olhar, apenas disse:

- Isso são horas?!

Eu respondi rindo.

- Nem adianta começar a reclamar. Estou aqui, não estou?!

Ela finalmente me olhou e sorriu.

- Sim, está! E nossos doces estão a caminho!

Olhei para o lado e já estavam servindo as bandejas. Tudo parecia delicioso! Sentamos, conversamos, comemos e rimos. Era um bom lugar, mas Giovana achou que os doces poderiam ser melhores. Então, ligou para a Sprinkles que o mala do Gabriel havia indicado e marcou uma degustação.

PONTO DE VISTA DE HELENA

Ufa! Que dia corrido! A loja está cada dia mais cheia. É bom ver que estamos fazendo sucesso, mas ter que falar com tanta gente ao mesmo tempo tem sido cansativo, viu? E esse telefone que não pára?!

- Alô! Sprinkles, boa tarde. Helena falando!

Uma voz doce falou de maneira educada do outro lado da linha e fiquei sem graça com o quanto devo ter soado esbaforida.

- Boa tarde. Eu gostaria de marcar uma degustação de bolos e doces de casamento, por favor.

Tentei falar mais pausadamente, mas ainda precisava ser rápida. O balcão estava cheio.

- Claro. Poderia ser amanhã? Por volta de 14h? Porque já temos outro cliente marcado logo em seguida, aí conseguimos encaixar.

- Sim, seria perfeito.

- Qual o nome completo da senhora, por gentileza?

- Giovana Mazza.

Quem?! Meu coração parou de bater por alguns segundos. Dentro da minha cabeça estou gritando "Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!", mas não posso deixá-la esperando.

- A senhora virá com quantas pessoas?

- Somente um amigo me acompanhará.

- Está bem. Marcado! Até amanhã!

Ufa! Acho que nunca falei sem respirar por tanto tempo. Qual será a reação de Sofia? Bem, pelo menos Gabriel não virá. Ela precisa entender, porque, por mais estranho que seja fazer os doces do casamento dele, será um evento muito importante para a imagem da confeitaria.

Deixei a equipe se matando no salão rapidinho. Preciso resolver isso agora mesmo. Fui até a cozinha e Sofia estava tirando alguns cookies do forno. Respirei fundo. Ela é minha família e machucá-la é a última coisa que quero.

- Amiga, podemos conversar rapidinho?

Ela veio prontamente.

- Aconteceu alguma coisa?

- Aconteceu. É que amanhã teremos mais uma degustação de bolos e doces de casamento.

- Ah, sem problemas. Num me mata de susto, Helena!

- Calma, Sofia. Tem mais. Quem vai provar é Giovana Mazza.

Sofia travou. Ficou em silêncio por algum tempo. Pareceu uma eternidade. Fiquei tão tensa que já ia falar para desmarcarmos tudo, mas ela finalmente respondeu.

- Vai ser incrível para a Sprinkles conseguir esse casamento!

- Sim, vai. Mas, você não acha que será estranho?

- Muito estranho! Mas é por isso que você quem vai atendê-los, eu só vou fazer os doces.

Ela me deu uma piscadela sapeca e parecia que estava tudo bem. Meu medo é que Sofia só caia na real e fique mal quando Giovana Mazza estiver aqui.

- Gabriel pelo menos não estará presente. A noiva virá com um amigo.

- Perfeito!

PONTO DE VISTA DE SOFIA

Se conseguirmos esse evento, será uma ótima publicidade para a Sprinkles. Quando Helena falou que Giovana Mazza estava vindo provar os doces, eu tive que parar para pensar um tempinho não porque seria desconfortável fazer o casamento de Gabriel, mas porque fiquei me perguntando se não estava me tornando uma pessoa gananciosa demais. Mas se ele fazia parte do passado, por que diabos negar, não é mesmo?

Por um lado, fiquei aliviada em perceber que não me causava sentimento algum o fato de Gabriel estar noivo. Mas por outro, comecei a me preocupar. Será que Giovana sabe da minha história com Gabriel ou é tudo uma coincidência? Ou pior: será que ela é uma dessas malucas que gostam de conhecer e tentar humilhar as ex mulheres do companheiro?

Se ela for doida, bem, só vai perder o tempo dela vindo até a Sprinkles porque eu realmente não vou entrar nessa. Mas e se Gabriel tivesse escondido nosso caso? Por que faria isso? Será que sente vergonha, ou remorso? Não faz o estilo dele. Seja como for, o importante é que eu me mantenha o mais distante possível dessa degustação.

No dia seguinte, tudo pronto para receber a senhorita Mazza e seu amigo. Graças aos céus, eu tenho coisas para fazer na cozinha, então Helena começará o atendimento no salão e eu não vou precisar me envolver. Se bobear, quando eu sair, eles já foram embora. Comecei a organizar algumas produções, finalizei uns bolos e até esqueci do que estava acontecendo. Saí para ver se precisava de reposição dos produtos no balcão e aproveitei para falar com os clientes. De repente, Helena me chamou:

- Sofia, pode vir até aqui, por favor?

Ah não! Droga! Eles ainda estão aqui! Respirei fundo, forcei meu melhor sorriso e caminhei até a mesa de Giovana Mazza.

PONTO DE VISTA DE HEITOR

Para evitar atrasos, Gio resolveu me buscar em casa com seu motorista para irmos na Sprinkles. Chegamos na loja e fiquei impressionado. É pequena, mas muito charmosa. O cheiro de comida boa vinha longe. Tinha um ar aconchegante e acolhedor. Nada muito espalhafatoso ou metido a besta. Era moderna na medida, com toques vintage e criativos. O tipo de lugar que você se sente em casa, sabe? Sentamos à mesa e achei muito legal porque nenhuma cadeira era igual a outra no salão. Depois percebi que os talheres e pratos eram peças de brechó possivelmente, todos antigos, um diferente do outro.

A dona veio se apresentar. Era uma mulher bonita e simpática, cheia de tatuagens e cabelo rosa.

- Boa tarde. Sejam bem-vindos! Meu nome é Helena. Senhorita Mazza correto? E senhor...?

- Garcia. Mas, por favor, me chame só de Heitor. E boa tarde! Sua loja parece incrível!

- Pode me chamar de Giovana também, por favor. E a confeitaria é realmente muito agradável.

- Fico feliz que tenham gostado! Espero que gostem ainda mais dos doces. Vou buscar as degustações e sento com vocês para conversarmos. Com licença.

Quando Helena voltou com os doces, meus olhos chegaram a brilhar! Tudo parecia apetitoso. Haviam mini cupcakes, chocolates, macarons, cookies, tartelettes, caramelos e algumas fatias de bolo. Foram os melhores que provei na vida. Elogiei tanto um bolo de massa branca com recheios de nozes, baunilha e geleia de damasco que Helena me ofereceu outro pedaço. Aceitei sem pensar duas vezes. Giovana ficou muito sem graça, o que me fez rir. Helena também achou engraçado e confortou Gio explicando que não havia problema algum, era até um elogio.

Giovana e Helena não paravam de falar. Tinham se dado bem logo de cara e estou contente com isso. Primeiro, porque Gio precisa de amigos. Segundo, que assim não preciso falar muito sobre um casamento que não me desce de jeito nenhum. E terceiro, que posso ficar em silêncio apreciando minha segunda fatia de bolo. Entre uma garfada e outra, olhei de relance para a porta da cozinha distraído e levei um susto: estava saindo de lá uma mulher tão linda que não consegui prestar atenção em mais nada.

Pele morena clara, grandes olhos castanhos muito sedutores, lábios carnudos e um sorriso que ilumina o ambiente. Tem cabelos num tom dourado bem curtos, o que a deixa estilosa e elegante. Estava secando as mãos no avental amarrado na fina cintura. Os seios não conseguem ficar escondidos na camisa e a bunda é grande, do jeitinho que eu gosto.

Fiquei completamente hipnotizado enquanto a observava. Ela fala com os clientes com muita simpatia e bom humor. Dá ordens aos funcionários com delicadeza. Cuida dos doces na vitrine com carinho. Anda para lá e para cá como se estivesse dançando balé. Ela flutua. É nítido o quanto ama seu trabalho e aquele lugar. Não preciso nem perguntar se ela era dona da Sprinkles também porque sua alma estava sendo colocada em cada cantinho.

- Com licença, Helena. Desculpe interromper, mas gostei tanto de tudo que queria muito conhecer quem faz os doces. Seria possível?

Perguntei esperançoso. Helena sorriu educadamente.

- Claro, Heitor! Na verdade, a chef confeiteira é a minha sócia Sofia.

Ela olhou para trás e a avistou no balcão.

- Também adoraria conhecê-la.

Obrigado pela força, Giovana! Quando Sofia se virou atendendo o chamado de Helena, o ambiente ficou quente, as vozes cessaram nos meus ouvidos e tudo em volta dela parecia turvo aos meus olhos. Ela era um raio de sol e estava caminhando em nossa direção.

- Olá, boa tarde! Tudo bem? Sou Sofia. Gostaram dos doces?

Disse apertando nossas mãos gentilmente. O toque dela é macio e caloroso. Tem eletricidade por todo o meu corpo, como se tivesse acabado de tomar um choque. Como fiquei embasbacado, Giovana respondeu antes de mim

- Nossa, os doces são incríveis! Por Deus! Heitor gostou tanto que comeu tudo em um segundo e ainda repetiu um dos bolos! Vou até desmarcar a outra confeitaria que iríamos visitar. Quero vocês no meu casamento!

Sofia soltou uma risada tão gostosa que quase caí da cadeira. Porra, nem conheço essa mulher e já quero ela na minha cama! Preciso falar com ela.

- Parabéns pelo trabalho! Tudo aqui carrega muito amor e dedicação. Isso é sentido em cada mordida, em cada detalhe.

Os olhos de Sofia brilharam de orgulho.

- Eu fico muito feliz em saber que conseguimos passar isso às pessoas. Adoçar o mundo um pouquinho de cada vez, é só o que a gente quer.

Linda! Muito linda... Acordei com um tapinha que Gio me deu nas costas

- Viu só, Heitor? Sabia que ia gostar de me ajudar nessa missão. Helena e Sofia, meu casamento será íntimo, mas eu e Gabriel daremos uma entrevista a uma revista local. Poderiam nos enviar umas fotos dos doces e da loja? Falaremos de todos os fornecedores do evento, então eles podem precisar.

É a minha deixa para ver Sofia de novo, dessa vez com mais calma.

- Eu sou fotógrafo. Se quiserem, posso tirar umas fotos para vocês. Ter um portfólio atualizado é sempre melhor.

Gio vibrou com a ideia e foi se encaminhando para o balcão com Helena para fechar alguns detalhes do contrato dos doces. Fiquei sozinho com Sofia por um breve momento para marcarmos o ensaio. Comecei a conversa:

- Bem, me diz quando é melhor pra você que dou um jeito.

- Err.. poderia ser depois de amanhã ou é muito em cima?

- Pra mim, quanto antes melhor.

"Preciso te ver de novo e viajo em breve", pensei.

- Poderia ser um pouco antes da loja abrir? Umas 6h? É cedo, mas acho que assim teremos mais tranquilidade.

- Claro, sem problemas! Combinado!

Giovana, então, se despediu rapidamente e me puxou para fora da Sprinkles. Não consigo prestar atenção no que ela está tagarelando, eu só quero que o tempo passe logo.

Capítulo 3 Sessão de Fotos

PONTO DE VISTA DE SOFIA

Não pude deixar de notar que Giovana é completamente diferente de mim. Tem cabelos longos, lisos e avermelhados. É muito bonita. Pele clara, com sardas no nariz e pequenos olhos castanhos claros que transmitem esperteza. Alta, com um corpo esguio, se veste de maneira formal. Tem um sorriso agradável e é muito educada. Nitidamente rica e bem cuidada por toda a vida.

Acho que se encaixa muito melhor no mundo de Gabriel, de fato. Só acho estranho ele se envolver com uma mulher tão independente. Deixá-la andar por aí acompanhada de um amigo maravilhoso daqueles também é esquisito. Não faz sentido no perfil controlador e ciumento de Gabriel. Ele deve ter se apaixonado de verdade para mudar tanto!

Agora, impossível mesmo foi não ficar impactada com Heitor Garcia. A partir do momento que o vi, não enxergava mais nada. Eu tentava desviar, mas meus olhos não conseguiam desgrudar daquele homem. Me sentia presa a ele.

Tão lindo que na hora senti meu rosto esquentar. Será que eles perceberam minhas bochechas rosadas? Ele é bem alto e tem ombros largos. Um ar latino, aquela pele morena apetitosa. Seus cabelos são pretos com cachos lindos. Olhos também pretos muito sensuais e um sorriso de tirar o fôlego. Não é magrelo nem forte demais, é milimetricamente gostoso. Tem um olhar apaixonado e ainda por cima é bem humorado - o que acho extremamente atraente.

Juro que tentei desviar qualquer pensamento - até porque é melhor ficar longe de Gabriel, Giovana e companhia-, mas é impossível. Não sei qual foi o feitiço que ele lançou sobre mim, mas funcionou. Me senti nervosa perto de Heitor. As pernas bambas, coração disparado, boca seca, como se estivesse com sede... Mas sede de que?! Nem conheço esse homem!

Quando se ofereceu para tirar as fotos fiquei muito ansiosa, afinal poderia vê-lo de novo. E, dessa vez, sem Giovana por perto. Prometi que iria me concentrar somente nos doces que seriam fotografados, mas já falhei: não tiro Heitor da cabeça. Ainda bem que Helena também estará presente no ensaio, assim poderei me manter longe dele.

Chegou o dia das fotos. Como havia marcado com Heitor muito cedo, preferi dormir no quartinho dos fundos da loja. Levantei umas 5h, arrumei tudo e deu até para deixar um café pronto, assar uns croissants e aprontar uns ovos mexidos. Além disso, tem um bolinho de banana, geleia de morango e suco de laranja. Eu estou faminta, espero que Helena e Heitor também estejam.

Às 6h em ponto ouvi uma batida na porta. Olhei pelo vidro achando que era Helena, já que ela sempre esquece as chaves, mas era Heitor. Meu coração pulou uma batida: estava mais bonito ainda com os cachos molhados, vestido todo de preto e com os olhos inchados de sono. Abri a porta toda atrapalhada.

- Que pontualidade.

- Confesso que é um caso especial. Costumo ser um cara atrasado.

Ele deu um sorriso torto que quase me fez desmaiar.

Onde diabos está Helena?! Olhei meu celular e tinha uma mensagem dela:

Amiga, não vou conseguir ir. São só fotos. Até mais tarde!

A cara dela fazer isso!

- Helena ainda não chegou?

Heitor parecia curioso.

- Ela não poderá vir.

- Só eu e você, então... Bom!

Ele foi andando charmoso com uma mão no bolso em direção à cozinha e um meio sorriso nos lábios. Parece ter gostado de saber que ficará sozinho comigo. Não deveria, mas gostei também. Melhor mudar de assunto:

- Com fome? Fiz algumas coisinhas pra gente comer no café da manhã.

Quando ele viu a mesa, arregalou os olhos:

- Uau! Umas coisinhas?! Bolo de banana, geleia, croissant... meus favoritos! Está querendo me conquistar, Sofia?!

Heitor me fitou de maneira divertida com os olhos semicerrados. Será que ele sabe o quanto é sensual até sendo divertido? Senti meu rosto ficar vermelho na hora, mas ele parece não ter percebido. Ufa! Sentamos, começamos a comer e conversar. Ele é engraçado e interessante. Adora contar e ouvir histórias, sempre muito atencioso. Encantador. E um comilão convicto, suspira a cada garfada. Há algo que Julia Child dizia que concordo totalmente: pessoas que gostam de comer são sempre as melhores pessoas. Ele parece ter saído de um sonho, o que não está me ajudando nem um pouquinho.

Perdemos a noção do tempo e quando vi o relógio dei um pulo da cadeira:

- Melhor começarmos as fotos. Daqui a pouco chegam os funcionários e isso aqui vira uma loucura!

É lindo vê-lo trabalhando. Para ele, tudo é arte. É muito apaixonado e criativo. As fotos ficaram muito legais. Acabamos em cima da hora e organizei tudo rápido antes que os funcionários começassem a chegar. Heitor também se apressou porque tinha outros compromissos de trabalho ao longo do dia.

- Obrigada pelas fotos, Heitor. E desculpe a trabalheira. Você tem direito a muitos doces da Sprinkles, viu?

- O que tem de mais interessante na loja inteira, ainda não provei...

Falou se aproximando de mim devagar e senti meu sangue começar a ferver. Me deu um beijo no rosto de despedida e chegou bem pertinho do meu ouvido:

- ...você.

Fiquei arrepiada dos pés à cabeça. E ele saiu pela porta sorrindo vitorioso. Estou há cinco minutos sozinha, parada no meio da cozinha, com o olhar perdido e um sorriso bobo nos lábios.

PONTO DE VISTA DE HEITOR

Eu precisava ser um pouco mais direto para saber se eu tinha chances com Sofia. Pela maneira como a deixei, tenho sim. E isso é ótimo! Já que ela me deu crédito de doces na Sprinkles, tenho a desculpa para voltar a qualquer hora. Preciso convidá-la para sair quando retornar da viagem. Estou com malas prontas para o Havaí por conta de um catálogo de roupas de banho de uma marca de luxo. Amo viajar e fotografar, mas, pela primeira vez, estou ansioso para voltar para casa. Serão cinco longos dias.

Nem as paisagens incríveis de Honolulu me fizeram esquecer Sofia. Cheguei em Nova York ontem à noite, e mal começou o dia já estou na confeitaria. Ela não me viu quando entrei, pois o balcão da Sprinkles está lotado de clientes. Eu não sei como ela consegue falar com tantas pessoas ao mesmo tempo e com um sorriso no rosto. Enquanto ela anda de um lado para o outro o rebolado do quadril me deixa louco. Os seios balançam e se revelam um pouco por cima dos botões abertos da camisa. Caralho! O que essa mulher faz comigo?! E, de repente, nossos olhares se cruzaram e ela ficou com as bochechas coradas. Ganhei um tchauzinho envergonhado. Mexo com ela também...

Consegui chegar perto do balcão finalmente e Sofia se aproximou.

- Sentiu minha falta?

- Não seja presunçoso. Mas confesso que achei que tinha desistido dos doces que te devo.

- Você não me deve nada. Por mais incrível que seja tudo o que faz, eu quero mesmo é ter um tempo com você. Sai comigo hoje?

Ela sorriu e iluminou tudo. O verão em pessoa! E eu adoro a luz do sol... Mas antes de ouvir a resposta de Sofia, senti um tapa nas costas e uma voz familiar gritou:

- Gostou mesmo dos doces heim? Veio e nem me convidou! É para não ter que dividir com ninguém?

Me virei divertido para abraçar Giovana, mas meu humor desapareceu: ela veio com o babaca do noivo. Abracei Gio e o cumprimentei sério.

- Como vai, Gabriel?

Ele respondeu seco.

- Bem. Vim ver os doces que Giovana escolheu para nosso casamento.

Eles começaram a falar com Sofia e eu pude ver uma certa maldade em Gabriel ao olhar para ela. Que porra é essa?!

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