Olhos bicolores. Um azul e um preto, foi a primeira coisa que notei no macho a minha frente.
Os mesmos olhos que mataram o meu companheiro há cinco anos.
E que fizeram com que minha loba se retirasse tão profundamente em minha mente devido ao choque, que eu vivia como uma humana agora.
E de alguma maneira, minha loba Vênus retornou do fundo da minha mente e gritou "companheiro"
Não, aquilo só poderia ser um castigo da deusa, mas após perder Theo assassinado em uma noite escura, eu achei que já tivesse sofrido o suficiente.
Aquele baile era para que minha irmã mais nova fosse apresentada para os machos da nossa alcateia e de outras, ela havia acabado de receber o seu lobo e havia grandes chances de que um daqueles alfas fosse seu companheiro.
Os clãs mais influentes estavam no castelo Rowen.
Há gerações que as fêmeas de nossa família se vinculavam com Alfas, e meu irmão estava seguindo essa tradição.
E eu não devia estar aqui.
Meu olhar se cruzou com os do Alfa de olhos bicolores, meu coração batia descompassado enquanto minha loba gritava em minha mente. Cinco anos sem ouvir sua voz, e agora ela estava gritando pelo macho que havia matado o meu primeiro companheiro.
Por que a deusa me castigaria assim?
O macho era alto e musculoso, seus olhos se estreitaram e ele me encarou, eu sabia que ele estava sentindo o seu lobo emergir e clamar pelo mesmo que Vênus.
O macho deu um passo a frente, ignorando todos ao seu redor, inclusive quem tentava falar com ele de modo rude.
Ele atravessava o salão, com seu manto negro como a noite atrás de si, os machos começaram a sair de seu caminho.
Ele não estava sozinho, seus guardas olhavam para os lobos, todos vestidos de preto e vinho.
Quando percebi que ele estava vindo em minha direção, me virei bruscamente para tentar fugir, mas me deparei com o meu irmão e acabei derrubando sua taça de vinho.
O líquido caiu no chão e nas suas roupas com tons dourados.
Isso atraiu vários olhares e eu engoli em seco.
- Elizabeth! O que você está fazendo aqui no castelo? - Isaac me arrastou para o corredor que levava até perto da cozinha principal do castelo.
As paredes de pedra e as tochas iluminadas pareciam tremer diante de sua fúria.
Sua mão se fechando em meu braço, eu sentia suas unhas me perfurando.
Desde que perdi minha loba Vênus, eu era uma vergonha para toda a alcateia e a nobre linhagem Rowen...
Por que eu estava ali?
Sim... Eu estava na minha casa no vilarejo Vane, para lobos rejeitados, isolada do restante da alcateia quando senti um impulso que me levou até aqui. Mas como explicar isso?
No início achei que fosse algum tipo de pressentimento que Cecilia poderia estar em perigo, mas então eu o vi.
Isaac desferiu um tapa contra o meu rosto e eu fiquei paralisada, ainda tentando processar sobre os gritos de Vênus. Fazia cinco anos que não ouvia sua voz.
- Sabe que não pode aparecer aqui. Agora você é só uma humana! Deveria estar em Vane, já não é suficiente toda a vergonha que causou para o clã Rowen? - ele protestou e eu só conseguia pensar em Vênus de volta e clamando por seu companheiro.
Engoli em seco o tapa brutal. Eu precisava saber o que aquele macho estava fazendo ali.
- O que aquele macho está fazendo aqui? Quem é ele? - perguntei, minha voz rouca.
Isaac me olhou como se eu estivesse louca.
- Você por acaso ouviu o que eu disse, Isabela? Não pode estar aqui, não pense que deixarei que arruíne as coisas Cecilia! Todos sabem sobre você e o Theo Beaumont. - Quando ouvi o nome de Theo, meu coração se apertou e eu fui envolvida em um mar de tristeza e desesperança, mas tudo mudou quando o macho de olhos bicolores surgiu no corredor de pedra com uma expressão quase desesperada.
As chamas das tochas refletiram em seus olhos.
O macho vestia roupas negras como a noite, e sua expressão era impassível. Seu tamanho assustador.
O macho era como uma parede de músculos. Ele usava um manto negro, com uma cota de malha.
Isaac se virou imediatamente para ele, e eu soube que ele sabia exatamente quem ele era.
- Lorde Julian Black. O mesmo Alfa que venceu nas campanhas militares do rei em Carpeli, é uma honra tê-lo em meu baile. Eu não sabia que aceitaria o convite que enviei pelo meu mensageiro... - disse Isaac rapidamente assumindo o seu tom mais gentil e respeitoso.
Então aquele era o seu nome?
Black... O sanguinário.
Eu quase o corrigi, porque essa era a alcunha informal de Lorde Julian Black nas guerras Carpeli.
Julian Black era o comandante nas guerras Carpeli. E todos sabíamos o que ele havia feito nos campos de batalha. E todo o sangue derramado.
O Alfa possuía cabelos negros e curtos, seu rosto quadrado e maxilar marcado.
Seus olhos um azul e um preto estavam fixos em mim e eu só podia odiar aquilo, mesmo com Vênus sentindo o fio invisível que nos puxava para ele.
- Eu não costumo frequentar bailes, e não sabia a razão de ter vindo até esse momento. - ele disse, sua voz grave e imponente.
Seu olhar fixo em mim.
Isso significava que ele havia sentindo a mesmo laço que eu, a mesma atração selvagem que me trouxera aqui.
Que me fizera invadir o castelo Rowen pelas passagem secretas.
- Vamos para o salão, quero apresentá-lo a minha irmã Ceci...
- Quem é ela? - a voz de Black era exatamente como eu me lembrava daquela noite, grave, áspera e sombria.
Seus olhos, porém, estavam diferentes. Na ocasião ele parecia estar cego, vendo apenas meu amado Theo.
Por que o matou? Não se lembra de mim? Eu queria gritar essas perguntas, mas o que eu faria se ele negasse?
Se eu fizesse um escândalo, se demonstrasse como eu realmente queria agir, Isaac poderia me abandonar completamente, e até mesmo me matar alegando que eu enlouqueci.
Mas eu estou aqui agora, Vênus disse em minha mente. Sim estava, mas até quando? Você me deixou, Vênus. Assim como Theo.
- Ela? Ela não é ninguém importante. - Isaac se apressou em dizer e simplesmente me empurrou para trás tentando fazer com que eu fosse embora pela porta que havia na cozinha principal, assim que ele me tocou com violência, o Alfa Black avançou como um raio e segurou o pulso do meu irmão.
- Eu perguntei quem é ela, Rowen, e não se era importante para você! Eu sei que lobos frágeis como você não são muito inteligentes, mas será que não consegue responder uma simples pergunta? - Black o sanguinário rugiu para Isaac e foi a primeira vez que o vi tremer diante de outro macho.
Parte de mim também tremeu.
O rosto de Isaac estava vermelho agora, nunca em sua vida ele havia sido pressionado por outro macho antes, muito menos confrontado e tocado daquela forma. Nosso pai sempre foi um bom empresário e tanto dinheiro havia dado a ele uma posição de proteção que não era comum para os machos.
E era exatamente por isso que ele estava sem saber o que fazer enquanto aquele maldito alfa Black o segurava pelo pulso e o questionava sobre mim.
- Sou irmã dele, agora solte-o. - falei, finalmente recuperando a minha voz.
Seus olhos de cores diferentes se voltaram para mim imediatamente e como se eu tivesse ordenado colocando uma faca em seu pescoço, ele soltou o meu irmão e fixou seu olhar nos meus.
"Ele é nosso companheiro, está tentando nos proteger." Vênus disparou em minha mente.
"Não, ele matou o nosso companheiro e agora acredita que pertencemos a ele." Retruquei.
Isaac alisou o pulso agora vermelho pelo aperto do alfa Black, que ainda me encarava.
- Vou deixar que aproveitem a festa. - falei e me virei, não esperei que o macho dissesse algo ou tentasse falar comigo, corri em direção a cozinha e sai pela porta dos fundos.
Quando senti a lufada do ar noturno, respirei fundo pela primeira vez e meu coração disparou enquanto minhas pernas queriam retornar para aquele macho.
Queriam retornar para o maldito que matou Theo...
Ah pela deusa, porque isso estava acontecendo comigo? Por que? Eu estava sendo castigada?
Obriguei minhas pernas a caminharem para longe da mansão que um dia morei, seguindo pelas ruas escuras enquanto um trovão retumbou no céu.
Enquanto caminhava, a voz incessante de Vênus me implorava para retornar, chamando por seu companheiro e eu queria apenas que ela se calasse. Meu coração parecia estar em pedaços novamente, como se eu estivesse perdendo o Theo de novo.
Segui em direção à avenida e não esperei o sinal fechar, vendo uma brecha avancei e de repente o carro acelerou, meu coração bateu mais forte.
Vênus havia acabado de voltar, ela me curaria ou eu morreria assim? Atropelada.
Não consegui me mover, por um segundo fechei os olhos e aceitei, até que senti todo o meu corpo sendo envolvido por braços poderosos, meu corpo sendo erguido do chão com facilidade.
O calor me envolvendo como uma manta, quando abri os olhos, me deparei com aqueles olhos dispares me encarando surpresos, enquanto ele caminhava para a calçada comigo em seus braços, para a segurança.
Fiquei por alguns segundos paralisada em seus braços, Vênus estava completamente presa em seu olhar, eu estava envolvida no calor emanando de seu corpo e no modo possessivo e protetor que ele me segurava.
Quando finalmente chegamos na calçada, ele disse áspero:
- Quer se matar?
Foi então que acordei para a realidade, eu estava nos braços do macho que destruiu a minha vida e agora eu devia a minha vida a ele.
Cogitei por um momento voltar para a pista e me jogar na frente do primeiro carro.
- Me solte agora. - falei e minha voz era fria.
O macho franziu o cenho, mas me soltou. Não esperei que ele tentasse conversar, assim que meus pés tocaram o chão, me virei para fugir dele, mas o macho me segurou pelo braço e me puxou de volta para ele.
Para a minha surpresa e horror, ele mergulhou os dedos nos meus cabelos e me beijou com força, me encurralando contra a parede de um beco.
No instante que senti seus lábios nos meus, todo o meu corpo estremeceu, como se uma corrente elétrica estivesse sendo acionada e percorrendo todo o meu corpo.
Como se eu estivesse despertando, voltando a vida após um longo período de morte. Meu coração batia descompassado, minhas pernas tremiam de modo incontrolável e Vênus gritava em minha mente de êxtase.
Por Selene, o que eu estava fazendo? Estava deixando-o me tocar? Me beijar?
O rosto de Theo surgiu em minha mente e finalmente eu consegui empurrá-lo.
Quando fiz isso, seus olhos estavam mais escuros e sua expressão intensa, seus lábios vermelhos.
- Nunca mais me toque. Eu tenho nojo de você. - Cuspi as palavras e vi a surpresa em seus olhos.
Ele realmente não se lembrava de mim, não tinha ideia do que havia feito comigo naquela noite.
- Você nem me conhece e me despreza? É pelos boatos que sou cruel? Não se deixe enganar com isso.
- Então está me dizendo que não é cruel? Que não matou toda uma alcateia que não quis se curvar a você? Está dizendo isso? Então além de cruel, é mentiroso. - exclamei.
Seus olhos dispares me fitaram com tamanha intensidade que me senti nua, mesmo não estando.
- Vejo que você já tem uma opinião formada sobre mim. - Ele disse após uma longa pausa ao qual ficou me encarando minunciosamente e me deixando desconfortável.
- Sim. Tenho. E é a pior possível, agora me deixe passar. - falei, porque ele ainda estava bloqueando o meu caminho.
Quando ele não se moveu, tentei empurrá-lo para que saísse do meu caminho, mas seu corpo grande e musculoso não se moveu nem um centímetro. Eu suspeitava que Vênus estava lutando comigo e não liberando nossa força, porque ela o queria.
- Eu levo você, apenas me diga onde mora. - Ele disse e colocou os braços na parede, um de cada lado do meu rosto me encurralando novamente.
Seu rosto estava a centímetros do meu e eu podia sentir sua respiração quente e com gosto de vinho.
- Eu não preciso de carona, agora saia. - falei encarando-o.
O macho teve a audácia de sorrir de lado e não se afastou.
- Não quer que eu saiba onde você mora. - Aquilo não era uma pergunta, ele estava afirmando aquilo.
Se ele soubesse que meus sentimentos iam muito além daquilo, eu queria era que ele morresse.
- Não insista, apenas saia da minha frente e volte para a festa do meu irmão. Não temos nada. - falei do modo mais áspero possível.
- Salvei sua vida agora pouco, e a deusa decidiu que somos companheiros. Mas por enquanto, a única coisa que quero é levá-la para casa. - Ele disse e de modo repentino, agarrou a minha cintura e simplesmente me jogou sobre seus ombros enquanto eu gritava e me debatia.
- Maldito, me solte! Está me sequestrando!
Ele caminhou comigo em direção à rua e rebateu:
- Sequestrando-a tentando levá-la para casa? Que péssimo sequestrador eu sou. Se fosse sequestrá-la mesmo, a levaria para a minha cama, fêmea.
O macho continuou me arrastando até o seu carro e seu toque em meu corpo me ofendia profundamente.
Como ele ousava fazer aquilo comigo? Ele acreditava que eu era sua propriedade apenas por sermos companheiros?
Continuei me debatendo em seus braços até que o macho chegou em um SUV preto e um outro macho saiu do banco do motorista.
- Alfa Black, deixe-me abrir a porta.- o outro macho disse ignorando completamente os meus gritos e tapas contra seu chefe.
De repente, para o meu horror, o macho deu um tapa em meu traseiro.
- Pare de se debater, ou irá bater a cabeça. - ele me censurou e me bateu como se eu fosse uma criança fazendo birra.
Fiquei tão chocada que paralisei, e ele usou o meu choque para me empurrar para dentro do carro.
Julian entrou logo atrás, ocupando boa parte do assento e me encarando com seus olhos díspares que eu tanto odiava.
Os mesmos olhos que eu via em meus piores pesadelos.
Virei rapidamente para tentar fugir pela outra porta, mas com apenas um olhar seu, o motorista trancou as portas.
- Seu miserável...- rosnei para ele.
O macho sorriu como se eu o estivesse divertindo.
- Onde mora? - ele voltou a perguntar.
- Acha mesmo que direi pra você onde eu moro?
- Você não mora na mansão Rowen, não é Bela?
Rangi os dentes.
- Não me chame de Bela seu maldito. E meu sobrenome não é mais Rowen.
- Dan, descubra onde Bela mora com seu irmão Isaac Rowen...
- Não! Não incomode meu irmão. - disparei.
Isaac me odiaria se soubesse que o Alfa que ele desejava apresentar para Cecília estava tentando me levar para casa. Ele não poderia saber que aquele macho era meu companheiro de segunda chance!
- Então vai dizer onde mora?- ele me questionou, e eu vi o que ele estava fazendo.
Manipulando.
Olhei ao redor, estava em um carro trancado com ele, e pelo o que eu podia ver, aquele macho não aceitava um não como resposta.
Eu devia acabar logo com aquilo, deixar que ele me levasse para casa, arrumar minhas coisas e fugir.
O que poderia acontecer se eu o rejeitasse? Eu não ficaria para saber.
- Eu moro no conjunto de apartamentos de Vane.
Seu choque foi evidente, mas não só isso. Seus olhos brilharam com raiva.
- Para Vane, Dan. - ele disse entredentes.
Dan ligou o carro e seguiu para a pista.
Julian se acomodou mais no assento e eu me encolhi para longe dele, virando o rosto para a janela.
Podia sentir seu olhar sobre mim, o que fez meu sangue ferver.
"Ele nos salvou, Bela" Vênus disse em minha mente.
"Cale a boca sua traidora. Ele matou Theo" disparei.
Vênus rosnou e se encolheu em seguida com a lembrança de Theo.
- Por que seu sobrenome não é Rowen? - Julian perguntou após alguns minutos.
- Eu fui deserdada ao me casar. - por que eu o estava respondendo?
O macho apenas assentiu.
Eu o olhei de soslaio e me arrependi, ele estava me encarando fixamente.
Voltei meu olhar para a pista molhada, começava a chover.
- Esse conjunto de apartamentos é para rejeitados. Para a escória. Você vive lá por que desobedeceu sua alcateia? - ele voltou a perguntar e seu interesse em minha vida começou a me incomodar.
Permaneci em silêncio na esperança do macho se calar.
Julian fez o impensado ao ser ignorado, ele colocou uma mão em minha cintura e me puxou para ele com facilidade.
Meu corpo repentinamente colado ao seu.
Eu podia sentir o calor emanando dele, forte e dominador.
Seu braço estava agora ao meu redor e seu rosto a centímetros do meu. Seus olhos díspares me encarando.
- Não me toque. - avisei.
Julian parecia friamente calmo, seu olhar analisando cada parte do meu rosto.
- Você ouviu? Me solte.
- O que fará se eu não soltar? Estou curioso.
O que eu farei? O que eu podia fazer naquelas condições? Ele estava com os braços ao meu redor segurando os meus braços, e Vênus não colaborava com sua força.
- Eu sei que sou forte, mas o que há de errado com sua loba? Você é extremamente fraca para uma linhagem nobre como Rowen...
Não deixei que ele continuasse, cuspindo em seu rosto.
Julian fechou os olhos e eu podia ver o choque de Dan que quase bateu em um carro, desviando no último segundo.
Julian me soltou calmamente e Dan prontamente lhe ofereceu um lenço para que se limpasse.
Eu me afastei assim que me vi livre, esperando sua reação explosiva contra mim.
Esperando que ele se mostrasse o monstro cruel que era.
O macho terminou de se limpar e olhou na minha direção.
- Se quer tanto compartilhar saliva, há uma maneira muito mais gostosa de fazer isso, querida. - ele disse.
Eu o olhei chocada. Como ele poderia ser tão devasso e cínico?
Ele realmente não se lembrava de mim e do horror que me fez passar?
- Eu não quero nada de você.
Julian assentiu com humor e de repente o carro parou em frente ao conjunto de prédios de Vane.
- Abra a porta, já estou em casa. - falei e o macho acenou para seu motorista.
As portas foram destravadas e sem olhar para trás, sai daquele carro.
Me afastando do lobo que havia destruído minha vida.
Corri em direção ao prédio com a tinta descascadas, entrando correndo pela entrada.
Meu coração batia descompassado, meu sangue fervendo de raiva.
"Vênus?" Chamei, mas não havia resposta.
Ela havia me abandonado novamente?
Arfei, sentindo-me vazia de novo.
Subi as escadas correndo, e sem perceber, bati contra o peito sólido de um macho.
Me desequilibrei e iria cair para trás, quando o macho me segurou.
- Cuidado, Isabela. - Landon, meu asqueroso vizinho disse.
Seus olhos estava fixos em meus seios, suas mãos suadas em meus braços.
Seus olhos vermelhos e ele cheirava a álcool.
Engoli em seco e tentei me desvencilhar de seu aperto.
O macho não me soltou, ao contrário disso, me puxou para os degraus acima e me encurralou em um vão da parede mais escuro.
- Eii, para onde você está indo com tanta pressa? Eu comprei umas cervejas, vamos beber no meu apartamento?
Seu convite se repetiu.
Desde que o macho havia se mudado para o prédio, ele me fazia quase sempre o mesmo convite. Eu havia conseguido escapar de suas investidas o evitando ao máximo, saindo em horários que eu sabia que ele estaria dormindo.
- Estou cansada e tenho trabalho amanhã.- falei e sem cerimônia o empurrei para o lado para continuar subindo as escadas.
Antes que eu alcançasse o próximo degrau, o macho me puxou pelo pulso e me acertou um forte tapa no rosto.