Camilo, vulgo "Mió", é cria da comunidade. Sua mãe era jovem e ingênua, caiu nas graças de um colombiano e engravidou. Expulsa de casa, foi morar no morro de favor e fazia de tudo um pouco para se manter e criar seu filho sozinha. Ela morreu quando Camilo completou 10 anos. Ele foi ficando de favor na casa dos outros até atingir a pré-adolescência e ir morar no meio de uma boca com a Maria, avó do Papito, um traficante considerado no morro do Cajueiro. Desde pequeno, Mió era um menino destemido. Graças a esse comportamento de merda, as pessoas foram fechando as portas para ele.
Foi um pulo para subir de entregador de quentinhas e moleque de recados a "vapor" - indivíduo, geralmente menor de idade, contratado pelo tráfico para vigiar a entrada da boca. É chamado de vapor, pois ao primeiro sinal de polícia, ele evapora, ou seja, some.
Com quatorze anos, ele tinha sua renda e não passava mais fome nem vontade.
Maria era quem cuidava dele como dava. Seu neto Papito virou o chefe de lá com o passar do tempo. Era temido pelos inimigos e querido pela comunidade. Para ganhar aprovação e respeito dele, os meninos por lá faziam de tudo. Mió era observador e porra louca, comunicativo, todo ligeiro.
Aos quinze anos, foi cobrar uma dívida de um viciado e fez seu primeiro "121". Era um cara ferrado que já tinha roubado a própria família para comprar drogas. Papito o mandou e deu o recado: "plata o plomo", que significa dinheiro ou chumbo. Sem a menor culpa ou arrependimento, ele matou o noia e depois foi jogar futebol com a molecada. Enquanto contava vantagem sobre o que fez, todo orgulhoso de si, olhava Daianara de longe desfilando com metade da bunda de fora. Os flertes começaram naquela época, mas ela sabia o que queria e ele era muito fraco no corre para ter moral suficiente de chegar nela.
Daianara era-a novinha e não era virgem. Nascida e criada lá, começou a beijar aos nove, namorar aos onze. Só não tinha filho por conta dos ovários policísticos. Seu tipo ideal de homem era: tatuado, marrento, com grana pra bancar e, o mais importante, com a pica grande. Ela dizia isso debochada e acumulava apelidos relacionados à sua boca: "quente / de veludo". Seu ex tinha sido morto em um "acidente" causado por um atropelamento em fuga, e o luto a estava segurando solteira por um curto tempo. Sua mãe era até pior que ela e não dava a mínima para o que elas faziam ou não na rua.
Era dia de baile funk. Desde a tarde, a quebrada estava no fervo, todo mundo seguindo o fluxo, se preparando para a anarquia noturna. A fila no barbeiro tinha até senha por ordem de chegada, mas os moleques do corre nunca ficavam esperando. Quando o Mió chegou lá, foi entrando e já sentou pra ser atendido. O barbeiro era o Burã, um cara evangélico que era pior do que o pessoal do mundo, mas disso ninguém sabia ainda.
Como recompensa pelo trabalho muito bem feito, Mió ganhou um litro de Red Label e foi avisado que ia perder o cabaço naquela noite. Ele jurava não ser virgem, mas o Papito transava direto na frente dele e achava que era mentira.
Ansioso, ele cortou o cabelo, fez as sobrancelhas com risquinho, colocou uma camiseta novinha que a Maria passou e foi pro baile se achando o cara. Depois de metade da garrafa, ele criou coragem. Foi se chegando nas meninas que estavam dançando com roupas curtas perto deles. A mais bonita era a Daianara, e o Mió não era o único a achar isso. Ela estava de shorts jeans curto desfiado e cropped vermelho. O Papito, que não perdia tempo, largou a ficante e foi esfregar o pau na Daianara. Ela gostava daquilo, aquela sensação de ser a preferida. Falou logo que não era lanchinho, porque sua buceta era boa demais e quem fodesse uma vez não largava mais. Ela arriscou no joguinho de sedução, quem não arrisca não petisca. A noite toda ela provocou o chefe e, como amostra, pagou um boquete guloso atrás de um carro. Aquela hora, o Mió já estava trilouco e não viu nada do que estava rolando. Foi embora caindo de bêbado, trombou a Daianara "por acaso" perto da casa dela. Como ninguém estava de olho, ela o arrastou para dentro, o beijou na sala e foi ficando nua. Ele quase nunca nem beijava ninguém e nem estava em condições de ser safado, mas ela era experiente pelos dois. Tirou as roupas dele, o sentou no sofá e foi por cima, dizendo o quanto era grossa e gostosa a pica dele. Então aconteceu, a primeira vez. Ele só soube falar o quanto ela era linda, gata, especial, perfeita. Aquilo, os elogios fofos, foram uma grande piada pra ela e, ao acabar, a mesma disse exausta:
- Filho da puta, me gozou toda, vê se não conta pra ninguém ou eu nunca mais olho na tua cara. - Perfeita é minha buceta, né! - Você sabe chupar?
No outro dia, Camilo acordou no susto com gritaria. Era a ficante do Papito sendo expulsa e gritando aos quatro cantos do mundo que ia pegar aquela talarica e cortar a cara. Agressivo, ele fez ameaças, disse que ia cortar era a língua da buceta dela e ainda riu muito com os amigos.
Camilo foi lá conversar, também riu da situação, perguntou o que tinha acontecido. Um dos meninos falou que era o mel da Daianara, a melhor buceta da rua. O Papito interrompeu hostil:
- Porra, cê já comeu, moleque? Tu num pega nem as puta que dá o cu por uma bucha, vai se foder, arrombado, respeita a minha fiel.
Todos caíram na risada. Ele falou que era sério, pediu respeito pela primeira dama, logo completou:
- Vocês são mó Zé porva, na moral, essa merda aqui num tem muita coisa boa. Quando tem, cês acha que vou deixar passar? Vou nada.
Continuaram rindo com brincadeiras. Camilo lembrava exatamente do que fez com ela, mas ficou quietinho e com medo de alguém ter visto algo.
Mais tarde, no mesmo dia, ela encostou no pagode. Os meninos estavam reunidos curtindo. O Papito foi atrás e já assumiu pra todo mundo ver. A ex apareceu lá locona de pó, foi arrumar briga. Ele deu dois tapas na cara dela e a dispensou com humilhações sobre o corpo e até a cor da bunda dela.
A Daianara assistiu a tudo com deboche, bebeu, comeu tudo de melhor que tinha lá, fumou maconha com as amigas, tudo sem pagar nada. Ficou dançando se exibindo e chegou a olhar o Camilo esperando ser notada como antes, mas com o cu na mão ele não olhou pra ela nem um minuto a noite toda.
O Papito a levou pra casa deles, fodeu a noite inteira com Camilo ouvindo tudo. Ela não pareceu se importar, a verdade é que gostava daquilo.
Depois da primeira vez, ele tomou gosto pela coisa. Ficou a semana toda com a prima de um parceiro e foi transando de várias maneiras, aprendendo os macetes.
A Daianara começou a reclamar de ter que ouvir gemido das "putas" do Camilo. Em menos de dez dias como fiel, ela já começou a instalar o caos. Foi o pontapé inicial para ele ir morar em um barraco sozinho. Ele não brigou nem nada disso, muito esperto, levou na brincadeira, se desculpou e falou ao Papito que tinha que aprender a foder direito. Orgulhoso como irmão mais velho, ele começou a perguntar quem tinha tirado o cabaço dele, se foi naquela noite do baile. Com desdém, ele falou que foi uma mina bichada sebosa com a buceta tão fedida podre que ele precisou passar limão no pau depois. Ela ficou furiosa. Na primeira oportunidade a sós, foi tirar satisfação, xingar e o ameaçou:
- Talarico, tá se achando, né? Vou te chamar nas ideias, vamo ver quem o Papito prefere, seu maldito filha da puta, fiz uma caridade contigo por te dar.
Ele riu afrontoso:
- E aí, sebosa, qual foi? Na moral, eu tô pouco me fodendo pra essa merda que cê tá falando, quem vai rodar nas ideia é você, caralho, tá de fiel e quis me dar, nem moral cê tem, se liga, sebosa é isso mesmo.
Ele não abaixou a cabeça, e a birra dela só foi aumentando, mas ela não era otária de abrir a boca, ou ia se dar mal também.
Em semanas, ela foi morar com o Papito, que estava muito envolvido.
Camilo foi morar sozinho e ganhou uma promoção no corre, virou "soldado" - indivíduo responsável pela defesa e ataque bélicos, sempre armado e pronto para participar de qualquer confronto, com direito até a salário fixo e trabalhando em esquema de plantões. Ele era confiável e eficiente, seguia as ordens do chefe, não perdia o foco, ele despertava inveja entre os demais colegas.
Não demorou muito para o pouco de normalidade daquele menino ir embora e dar espaço ao comportamento de marginal. No primeiro ano como soldado, derrubou todo tipo de inimigo e virou o cão de guarda do Papito. Qualquer perrengue era resolvido por ele. Cortava a quebrada de fora a fora diariamente, ele ouvia a todos como um advogado. Era uma comédia às vezes, tinha briga de vizinho, traição, briga de casal, tudo era tratado com a sua devida importância e respeito, até que o tiravam do sério. Burã era um desses que gostava de perrengue com geral.
Certa vez, Burã chamou nas ideias um menino que tinha roubado uma máquina de cortar cabelo. Como Camilo só cortava o cabelo lá quase que semanalmente, teve que aceitar cobrar. Quando foi tirar satisfação, soube de outros fatos: o menino pegou a máquina porque trabalhou e não recebeu. Como roubo era inaceitável e o Burã inventou toda uma história justificando o atraso do pagamento, a briga se estendeu por dias. Nenhum dos dois queriam fazer um acordo e foram irritando a todos os envolvidos.
Estava calor e o pagode ia começar. O perrengue começou na esquina de baixo. O Burã passou e o moleque provocou, chamou de cagueta, fez ameaça. Logo o Burã voltou com um pedaço de ripa e partiu pra cima, surrando o moleque pelas costas sem o direito de defesa. Quando a notícia chegou no pagode, Camilo desceu brabo de tudo, chegou dando coronhada no Burã e não parou até ele perder a consciência. O aviso foi dado: a briga morria ali, ou os dois iam pro buraco juntinhos. Foram para o hospital, e o Burã voltou pianinho, cortando caminho do corre. Começou a louvar cada vez mais na igreja, cheio de temor a Camilo e gratidão a Deus. Claro que ele se vingaria se pudesse, mas lá não tinha outra história, era se calar para sobreviver.
Outra coisa que não demorou para acontecer foi a mudança no relacionamento da Daianara. Ela queria estudar e o Papito não gostava, tinha ciúmes dela na escola. Ele nunca a proibiu de nada, mas a castigava pelas ações. As agressões verbais eram frequentes e sempre na frente de outras pessoas.
Ela participou da formatura do oitavo ano e ele não pôde ir. Por causa da sua posição no tráfico, nunca saía da quebrada, ainda mais para coisas que não eram de seu interesse. Na época, Camilo estava começando a ficar de rolo com a Kylian, prima da Daianara, por isso os nomes diferentes – as mães delas assistiam muita televisão quando engravidaram.
Kylian tinha quinze para dezesseis anos. Diferente de sua prima, não tinha corpão, era muito magra, baixinha e branca, seus cabelos eram cacheados, volumosos e castanhos. Tudo nela era motivo de piada para sua prima.
A mãe de Kylian era geniosa e muito amorosa, era tipo "amiga", mas gostava das coisas certas. Não a prendia porque não precisava, a menina sempre preferiu ficar lendo e assistindo. Morando lá, dificilmente as meninas namorariam bons homens. Na primeira vez que Camilo a viu foi no aniversário da Daianara na quadra, ela estava incomodada porque foi obrigada a ir e ainda teve que servir o pessoal.
A maioria dos meninos estava chapada curtindo, um dos últimos a chegar foi Camilo, estava virado do avesso porque teve problemas na boca, arrebentou a mão batendo em dois parças, ainda se deu ao trabalho de ir se arrumar pra curtir a noite.
Kylian estava mexendo com as bebidas, colocando mais gelo. Ele pegou duas cervejas ao lado dela, logo ouviu ao dar as costas:
- Oooo cara, eii, tô falando com você, caralho.
Daquele jeito nada amigável ele voltou invocado:
- E aí, qual foi, porra? Tem que pagar essa merda agora?
Ela se aproximou séria, colocou na mão dele uma sacolinha com gelo dentro:
- Sua mão tá toda ferrada!
Há muito tempo ninguém era tão gentil espontaneamente. Foi inesperado como um tapa na cara. Ela saiu andando e foi sentar, observou ele bebendo, fumando, olhando pra ela a noite toda. Quando ela estava indo embora ele saiu correndo atrás, foi à caça:
- Oooo, vai pra onde? Tá cedo ainda. Qual foi, pô, num vai me dar uma moral?
Ela continuou andando, ignorando. Encontrou um rapaz mais velho que ela. Com deboche ele continuou indo atrás, foi cumprimentar o cara:
- Alaaaaa, tem namorado, pô, cara, fiquei bolado a mina andando sozinha. E aí, beleza?
Ela saiu andando, puta da vida:
- Ele é meu irmão!
Aquilo foi mais agradável de se ouvir que as batidas do pancadão que estava estralando. Os dois começaram a rir resenhando. Educadamente ele se apresentou:
- Suave, cunhado? Quer uma breja?
Ela foi indo sozinha sem olhar pra trás. O irmão dela disse que precisava acompanhar, e Camilo, cheio de segundas intenções, os acompanhou, armado como sempre. Ela falou ao chegar na porta de casa:
- Cara, por que está andando atrás de mim? Vai devolver a porra do gelo?
Ele riu debochado:
- Não, pô, derreteu tudo. Vim agradecer, na moral, valeu. Fica sussa, escolta particular, ainda reclama, que isso.
Ela entrou sem dizer nada. Ele nem voltou pra festa, foi dormir pensando nela. No dia seguinte, a festa continuou. Ele estava de plantão. Quando a Kylian estava indo, ouviu de cima da escadaria:
- Oooo, esquisita, traz uma quentinha pra mim aí, vai, cê num tá fazendo porra nenhuma mesmo. Alaaaa, mó comédia, cê, louco, num é muda, não, né?
Todos ficaram rindo dele. Ela só olhou feio e foi pra festa. Meia hora depois, subiu o procurando. Os meninos começaram a tirar sarro, falando que não tinham visto ele. A cada pergunta, as risadas aumentavam. Quando ela se irritou, ele falou sentado em uma laje, de onde estava observando ela o tempo todo:
- Tá na caçada, mudinha?
Ela só mostrou as sacolas com aquele mesmo olhar indiferente. Um dos meninos se aproximou:
- Bora lá, vou te mostrar por onde sobe.
Ela foi seguindo ele, ao chegar na laje recebeu ajuda no final da escada:
- Oi, cê veio mesmo...
Foram sentar na beirada. Ela foi abrindo os potes de sorvete cheios de comida: churrasco, arroz, feijão, maionese.
- Não, eu tô lá, é uma miragem, você tá delirando de fome, toma, come aí logo.
Ele ficou olhando rindo. Tinham duas marmitas, cerveja, refrigerante, talheres. Almoçaram juntos sem conversar. Ela foi juntando tudo se preparando pra descer. Ele interrompeu pegando as sacolas:
- Não precisa ir, bora trocar uma ideia? Na moral, senta aí. Vai, Kyssi.
Ela sentou revirando os olhos:
- É Kylian! E você? Quer conversar sobre o que? Tráfico? F1? Ah, os cu azul?
Ele riu debochado sentando ao lado dela:
- Não, né, pô, acha que eu não sei trocar ideia? Sabe, eu gosto de colar aqui à noite, por causa das estrelas. - Qualquer dia, se pá, cê pode subir comigo, né não?
Ela disse tranquila:
- Não.
Ele continuou falando sobre os seus lugares preferidos por lá, a fez rir falando mal da Daianara, imitando.
Conversaram por horas, ela riu muito e o convidou para a formatura. Teve que explicar como eram as aulas e notou que ele era diferente dos outros, porque realmente ouvia tudo e prestava atenção.
A Daianara só soube que estavam conversando um dia antes da formatura. Não gostou e ficou pior, porque teve que ir sozinha sem o namorado e sabendo que ia ter problemas quando voltasse.
Camilo era do tipo que conversava com todos, quando queria. A família toda delas estava conversando com ele. Na formatura, ele recebeu o inesperado convite para ser padrinho da Kylian. Estava bem arrumado, animado. Deram o primeiro beijinho no ônibus voltando embora. Ela tinha muita vergonha, foi um selinho demorado. Ele não estava nem aí pra nada, achou o máximo e em momento algum quis forçar qualquer situação, ainda gritou para a sogra fechar os olhos.
A Daianara passou a formatura toda de cara feia. Quando chegaram na comunidade, pararam no pagode. Ela foi abraçar, beijar o Papito, ele virou o rosto indiferente:
- Demorou mó cota, hein, achei que nem ia voltar, vai tirar essa roupa de merda, tá parecendo a puta da minha mãe.
Ela insistiu próxima:
- Esse vestido é novo, não fala assim, mô.
Com um sorriso sádico, ele derrubou o copo todo de bebida na cabeça dela, molhando tudo:
- Vai tirar essa merda, sua puta!
Eles estavam no canto encostados na mesa de brilhar. Perto, Camilo e a Kylian estavam abraçados trocando carinho. Deram o primeiro beijo de verdade e tomaram um susto com uma bola de brilhar que quase acertou os dois e quebrou uma janela.
A Fúria de Daianara e a Crise de Camilo
A Daianara jogou, quase acertando o Papito. Ele ficou rindo, cantando, dançando, afrontando ainda mais. Ela foi embora surtada, se trocou, voltou bebendo todas, colou na Kylian e literalmente a arrastou para andar. Super atrapalhou o casal, deixou a prima muito bêbada, que teve que ir embora carregada. Como a casa da Daianara era mais perto, foram para lá. Não tinha ninguém. Assim que entraram, a Kylian quis por vontade própria ir para o quarto, sua prima lhe encheu a cabeça incentivando aquele comportamento, por essa razão ela bebeu tanto.
Camilo foi indo no embalo, mas hesitou, nada além de uns pegas aconteceu. Ele nem chegou a tocar ela intimamente, logo ela apagou e ele achou melhor ir embora. Daianara estava na sala deitada semi nua:
- Foi tão rápido assim? Que foda meia boca. Se quiser foder com uma mulher de verdade, pode vir. Minha buceta cê já conhece, né? Olha!
Ela estava se tocando, ficando nua, foi indo para perto. Ele a grudou pela garganta com força:
- Sua buceta todo mundo conhece e não vale porra nenhuma, num vem arrumar perrengue pra mim, não, vagabunda, sua talarica do caralho. Se eu for pras ideias por causa de cao teu, cê vai acordar com a boca cheia de formiga. Cê tá ligada que eu tô com a Kylian, ela nem precisa fazer nada, dá dez a zero em você!
Ele a jogou no chão e foi embora, crente que ela não ia abrir a boca. No fundo, eles dois sabiam que aquela implicância era um desejo mútuo recolhido.
Nos dias seguintes, tiveram problemas com os corres, ele ficou super ocupado, estressado, teve uma recaída forte, desandou muito usando drogas e por isso deu um tempo da Kylian.
Quando foi procurá-la, ficou na porta chamando. Ela mandou dizer que não estava e o irritou, porque ele tinha certeza que era mentira.
Ele foi beber, voltou de madrugada transtornado, quase derrubando a porta, acordou todo mundo no susto, a família dela foi ficando com medo. Ela saiu para atender chorando:
- O que você quer? Para de gritar, caralho, olha a hora que é.
Ele se aproximou para abraçar, beijar:
- Eu sei, eu sei, foi mal aí. Porra, só queria te ver, essa semana foi do cão.
Ela o empurrou super hostil:
- É, foi uma merda! O que quer de mim? Ninguém sabe o que você fez. Eu achei que gostava de mim!
Ele não entendeu o que estava acontecendo:
- Qual foi? Mano, desenrola. Não fiz nada, tá louca? Porra, Kylian.
Ela estava se afastando da porta de casa, falando baixinho:
- É claro que não vai assumir. Quero ver quem vai segurar o B.O. se eu ficar grávida, não usou nem camisinha, né, seu maldito? Acha que pode fazer o que quer com todo mundo nessa droga de lugar.
Ele ainda sem entender:
- Cê tá louca? Eu gosto de você, não aconteceu nada, eu te deixei lá e fui embora. Que papo errado é esse? Eiii, porra, fala comigo, Kylian!
Ela estava em um beco, o empurrou contra a parede:
- Então quem me fodeu dormindo e me deixou cheia de porra? Toda machucada, eu mal consigo ir no banheiro, não consigo dormir, comer e não posso falar pra ninguém. Porque você é um soldado, né, seu filha da puta, vai matar minha família, me levar pras ideias como ameaçou minha prima, eu sei de tudo, bateu nela quando ela foi tentar te impedir de me estuprar. Covarde, eu era virgem, você acabou com a minha vida!