Fred e eu chegamos em casa aos risos, um pouco altos pela bebida que consumimos num coquetel que fomos convidados de última hora.
Como sempre, a companhia do meu marido era o que me deixava mais feliz e entusiasmada e... muito excitada.
Apesar de que ultimamente, tinha percebido que ele estava me evitando, mas tinha esperança de que não fosse nada grave. Afinal, o Fred era o homem da minha vida. Depois que nosso ataque de riso cessou o observei enquanto ele ia para o banheiro e sem nem pensar duas vezes o acompanhei.
Notei que ele suspirou e o sorriso em seus lábios morreu de repente. Pensei em me despir, mas algo em seu olhar fez evaporar toda a minha empolgação, duas semanas, tinha duas semanas que ele nem sequer me tocava e nossa última transa foi tão sem graça que estava claro que ele só o fez para me agradar.
- Sei que por causa do coquetel tivemos que desmarcar nosso jantar e consequentemente não conseguimos conversar, mas ainda precisamos, querida! - Fred disse sem muita cerimônia e pelo seu olhar preocupado sobre mim, já sabia que não ia gostar.
Conhecia esse homem fazia tanto tempo, que sabia quando algo ou alguém o incomodava, e no caso, esse "alguém" era eu. Só não queria admitir que nosso relacionamento tinha mudado. Não parecia certo, não para mim.
- O que está acontecendo com a gente? Não me ama mais? - Fred, que ainda não tinha entrado no banho e estava seminu, veio até mim e segurou meu rosto em suas mãos.
- Independente de qualquer coisa, eu sempre vou amar e proteger você, minha pequena. Por favor, eu te imploro, nunca esqueça disso. - Um nó se formou em minha garganta e foi muito difícil dizer as próximas palavras.
- Então, por que parece que está me afastando, Fred? O que está acontecendo? - Ele me encarou com pesar nos olhos, depois aproximou os lábios da minha testa e a beijou.
- Vamos tomar um banho e relaxar, ok? Prometo que vamos conversar sobre isso hoje. - Encostei minha cabeça em seu peito e assenti levemente, logo depois, me afastei para que ele tomasse seu banho sozinho. Não queria encarar o último olhar que me deu quando cogitei tomar banho com ele, como se precisasse de espaço. Como se precisasse pensar longe de mim. Meu coração estava tão apertado que pensei seriamente em fugir. Mas eu não era esse tipo de mulher, e independente do que ele viesse a dizer, suportaria e venceria qualquer obstáculo por nós dois.
Menos de uma hora depois, sentamos em nosso sofá, eu no meu lugar de sempre, pois por ter TOC, ninguém me fazia sentar em outro canto do sofá, ou era o chão ou exatamente onde me encontro: bem na quina do sofá em formato de "L" que experimentei na loja e gostei de como ficava protegida ali.
Fred me passou uma xícara de chocolate quente e aceitei com um sorriso fraco. Ele sempre fazia isso quando nossa conversa era séria, mas nós sempre conseguíamos resolver tudo. Esperava que desta vez não fosse diferente.
Tomei um gole da bebida quente e cheirosa, que sempre acabava acalmando um pouco meu nervosismo, Fred sabia disso, ele sempre sabia como me deixar confortável.
E isso deveria me acalmar, não é?
- Luna, já tem uns dias que eu fico pensando em como te dizer isso, sem te magoar, e acho, que pelo seu olhar, independente do que eu tente dizer para amenizar, não vou alcançar esse objetivo, e eu quero que saiba que eu sinto muito. Nunca foi minha intenção chegar a esse ponto, tentei lutar contra tudo, para que nós fôssemos mais importantes... - Coloquei minha caneca em cima da mesinha de frente para nós com um baque alto e Fred parou de falar. Minha respiração ficou presa e eu quase me debulhei em lágrimas, mas consegui segurar minha mágoa.
Respirei fundo antes de dizer:
- Você vai me deixar! - afirmei, sentindo todos os nervos do meu corpo reagirem. Meus dedos das mãos tremiam fortemente.
Ele se levantou e tentou me tocar, me afastei. Sou a pessoa mais geniosa que poderia existir nesse mundo.
- Me deixe terminar e explicar meus motivos, por favor, Luna, só me deixe explicar! - Apesar de ter afirmado que sabia o que estava tentando dizer, a certeza veio como um tapa na cara.
Um soluço forte irrompeu de mim sem permissão e me odiei por isso. Fred me abraçou forte mesmo comigo tentando afastá-lo, sem saber se era uma reação realmente minha ou do meu corpo tremendo por saber que ele iria me abandonar. Que não me amava mais como eu a ele.
- Luna, eu juro que tentei! - Sua voz estava embargada e sentia profunda tristeza nela.
- Você... - Tentei segurar o nó em minha garganta, mas as lágrimas não me davam folga e os soluços muito menos. - Me traiu? Se apaixonou por outra pessoa? Esqueceu tudo o que vivemos juntos?
Disse as últimas palavras me afastando e o empurrando, enquanto o acusava.
- Não te traí, ainda... - O encarei chocada e meu coração quase saiu pela boca. Ele percebeu que me machucou, que aquilo acabou comigo quando levei a mão ao peito, como se o gesto fosse fazer meu coração partido se colar novamente. - Me desculpa, por favor, eu só quero ser livre para poder seguir meu coração, Luna, e não quero tentar ser feliz magoando você, se fizesse qualquer coisa sem te dizer como me sinto, não seria uma pessoa de confiança para você contar sempre.
- Você se apaixonou por outra mulher! Você me traiu, Fred! Já me magoou, e eu só queria ser capaz de fazer o mesmo com você... - falei alto, mas sem gritar, e Fred levou a mão ao rosto e o esfregou. - Queria ter me envolvido com alguém e te dizer que eu não te traí, que só me envolvi tão profundamente que me apaixonei, me deixei levar. Você me traiu e da pior maneira possível, deixou de me amar.
- Você sempre será a mulher da minha vida! - Fred falou alto, tentando encobrir o desespero da minha voz, pelo dele. - Jamais tive a intenção de me separar e por um momento pensei em deixar tudo como está e ficar com vocês dois. Mas não consigo viver assim, não consigo ser essa pessoa que trai e humilha a outra, ainda mais se a outra for você, então optei pela coisa mais difícil da minha vida para não perder você e continuar sendo seu melhor amigo e não te traindo... - Não sabia o que tinha dado em mim, mas ao sentir meu coração se despedaçar a cada palavra, só queria ferir quem estava me causando dor e virei a mão no rosto do Fred.
Ele parou de falar e me encarou perplexo com minha atitude. Nunca fui uma pessoa que perdia o controle, que chorava quando tudo estava dando errado. Era a pessoa que tentava resolver, que geralmente assumia a culpa e consertava as coisas.
Dessa vez, sabia, que não importava o que tentasse fazer, Fred tinha decidido que eu não era a mais importante da sua vida. Estava indo embora, me deixando... Sabendo que esse era o meu maior medo, que eu iria definhar.
- Nunca vou te perdoar por estar me trocando por outra mulher. Nunca! Quer minha amizade, não terá. Porque não vou aceitar essa humilhação, e você, que me conhece tão bem, deveria saber. Deveria saber como eu me sentiria. - Fred ficou em silêncio, me observando ainda chocado e com os olhos demonstrando um medo e emoção que não sabia o que queria dizer, mas parecia que ele estava resistindo a algo que ele precisava, mas não queria, contar.
- Não estou te trocando por uma mulher, Luna! Como disse, você é a única que já amei em toda minha vida! - Dei um passo para trás confusa.
Ele continuou:
- Mas não aguento mais esconder quem sou para te proteger, uma hora você iria saber e a mágoa iria realmente te consumir.
Fred abaixou o olhar, parecendo muito envergonhado e sem jeito, depois voltou a me encarar e declarou com certeza:
- Luna, eu sou gay!
Quando aceitei sair com a Rhanna, não pensei que essa seria a noite mais louca de toda a minha vida. Talvez, o fato de eu ser uma mulher casada com um homem que não me desejava, poderia ter me feito seguir essa doida até aqui. Porém, bem sabia que isso não ia dar certo. Não que tivesse muita chance de dizer não, ela praticamente me arrastou até aqui.
O Fred era maravilhoso e quando casamos cinco anos atrás, éramos muito novos e achávamos que aquilo que sentíamos era amor. Além do fato de nossas famílias terem planejado aquele momento desde que nascemos. Deixamo-nos levar pela ansiedade adolescente que nos dizia com certeza que o amor existia entre nós e hoje somos melhores amigos, nos tratamos como irmãos, que vivem como casados, para não ter que dizer para todos que fracassamos como casal.
Tanto Fred, quanto eu temos horror ao fracasso. Não que estejamos nessa situação realmente por esse motivo. Se fôssemos conversar sobre isso e nomear um culpado, esse seria eu. Não reagi bem ao fato dele ser gay, agi muito mal se for ser bem sincera.
Não fui criada em uma família que aceita bem o fato de uma pessoa não ser como dita a sociedade e quando percebi isso, também tive uma certeza, os pais do Fred também não aceitariam. Foi quando entrei no modo super protetora e fiz a besteira de propor o que temos hoje. Cada um faz o que quer, se relaciona com quem quiser, e não haveria cobranças, muito pelo contrário, meu amigo ou marido - que seja - vive dizendo que preciso cumprir o que eu mesma sugeri. Mas como me relacionaria com outros homens sabendo que meu coração ainda pertence ao meu primeiro amor?
Um ano depois que decidimos não continuar com essa farsa ao menos dentro de casa, Rhanna finalmente conseguiu me arrastar pra orgia. Eu poderia ter dito não e continuado no meu estado de negação. Mas algo da antiga Luna, determinada e que não gostava de se sentir menos do que era, acordou e me deu um tapa dizendo: acorda, minha filha!
A razão de ter resistido todo esse tempo para me relacionar com outras pessoas era porque ainda me sentia estranha pensando que de certa maneira sou solteira, e porque tenho uma vida pública, tinha que fazer tudo com muito cuidado, o que me irritava bastante. Por isso, quando Fred saía e passava noites fora, eu ficava em casa, vendo séries e lendo qualquer coisa que pudesse me fazer esquecer que não nasci para o amor, que a teia a qual me encontro presa, talvez nunca fosse desfeita, pelo menos não se dependesse de mim.
Ao mesmo tempo que me negava a aceitar a situação, não ter isso estava me deixando depressiva, queria me sentir desejada. Amada sabia que era, Fred me amava e não me negava carinho, mas nossa relação se tornou algo fraternal, nada além disso, ele não me tocava intimamente havia mais de um ano.
E se tinha uma coisa que eu gostava, era de sexo!
Rhanna, minha melhor amiga e a maior incentivadora para que parássemos com essa palhaçada e que sempre pedia para que anunciássemos o divórcio, me trouxe para uma boate e disse com todas as letras que não sairia daqui sem transar. Apesar da timidez estar me inibindo, no fundo, era exatamente isso que queria. Na verdade, precisava disso para melhorar minha autoestima. Sou uma mulher atraente, poderosa e merecia me sentir assim, não apenas manter a máscara. Estou cansada de máscaras, cansada de mentiras e manipulações.
- Luna, acabei de conhecer o seu homem! Ele é bom de cama e vai te deixar no céu! Além de parecer ser romântico, bem sua cara! - Rhanna chegou de repente e eufórica por ter achado o cara, rolei os olhos e sorri.
- Rhanna, talvez fosse melhor ir devagar, conhecer a pessoa primeiro. Não me sinto confortável em ir pra cama com o primeiro cara que você vê! - Rhanna bufou e cruzou os braços.
- Não seja covarde! - Ela se aproximou e virou meu rosto em direção ao homem que me encarava bebericando um líquido âmbar, provavelmente uísque. - Olha como ele é gostoso, e como ele te olha! - Engoli em seco e assenti, sim, ele era bonito demais, pele bem clara, cabelos castanhos claros, cortado curto nas laterais, em cima um pouco maior e penteado para o lado, barba cerrada e bem aparada, olhos puxados e verdes. Ele me chamou a atenção de imediato, era uma beleza irresistível.
Ele era forte e malhado, mas nada muito exagerado, tudo na medida certa, o que me fazia fantasiar coisas eróticas enquanto me via perdida naquele olhar que sustentava o meu.
- Você gostou? Espero que sim, porque eu já paguei! - A olhei assustada.
- Você arrumou um garoto de programa? - Rhanna gargalhou divertida.
- Você precisava ver a sua cara, como queria um espelho! - Ela riu, enquanto cruzei os braços com raiva. - Não, sua careta, fiz perguntas, ele é novo na cidade, e veio para assumir os negócios de uma empresa que o pai comprou aqui no Brasil. Ele é brasileiro, mas cresceu no Canadá, pois o pai é de lá. Ele tem uma paixão pelo país pelo tempo que viveu aqui quando criança. Viu, tudo certo, não precisa se preocupar. - A olhei desconfiada, será que ela perguntou isso tudo para ele e o cara foi dizendo assim?
- Rhanna...
- Nada de Rhanna, tive muito trabalho para achar um gostoso decente, apesar de safado, para você, deixa de ser essa chata insuportável! Prometi ao Fred que te tiraria da bad, e vou! - Ela me pegou pelo braço e praticamente me arrastou, suspirei e a segui. Agora eles fazem acordo pelas minhas costas?
Estávamos começando a chamar atenção e para mim isso não era algo bom. Joguei o cabelo no rosto para disfarçar um pouco. Estávamos indo por um caminho perigoso.
Meu coração acelerava conforme ia me aproximando, e o sorriso dele foi aumentando, fiquei quente de vergonha e senti todo meu rosto se esquentar com o acúmulo de sangue que correu para lá denunciando minha vergonha pela situação e neste momento só queria matar a Rhanna.
Paramos de frente para o homem que de longe não parecia ser tão alto, ele abriu um largo sorriso que fez minhas pernas bambear de nervoso. Ele estendeu a mão em minha direção, fiquei olhando a mão estendida pensando no quanto isso parecia surreal. O que eu estou fazendo aqui? Perdi o juízo? Rhanna me deu uma cotovelada para me acordar do transe.
Engoli em seco e estendi minha mão, ele a apertou com cuidado e fez um carinho.
- Parece nervosa! - Ele disse em tom calmo e sedutor, levantei o olhar e o encarei, dei um pequeno sorriso.
- Um pouco...
- Vem, vamos conversar um pouco. - Ele me convidou e olhei para Rhanna, ela deu de ombros.
Bom, pelo menos não ia só me arrastar para um hotel qualquer, poderia lidar com uma conversa e talvez sair correndo quando ele sugerir me levar para o carro. Acabei dando uma risadinha com o pensamento, minha nossa, isso tudo era nervoso?
- Se divirtam, agora vou achar um gato para mim! - Ela piscou um olho e deu um sorriso.
- Me chamo James, mas pode me chamar de Jen.
- Luna - disse com um sorriso, enquanto ele nos guiava até um sofá, com uma mesa no centro. Há dois casais nos sofás dispostos ao lado do nosso, eles pareciam já estar no clima do sexo e acabei me distraindo observando a cena, o homem colocou as mãos por baixo do vestido da parceira e eu soube que ele introduziu um dedo nela quando ela soltou um gemido que foi abafado pelos lábios do homem.
Sentia-me uma intrusa no momento deles e desviei a atenção, só então percebi que James estava me observando.
Minha nossa, a Rhanna me trouxe para uma boate de sexo?
- Você gosta de assistir, Luna? - Meu rosto esquentou na hora, nem conhecia este homem. O que eu estava fazendo?
- Não, quero dizer, eu não me importo, mas... - Ele sorriu com meu nervosismo.
- Está tudo bem, estamos nos conhecendo, mas se não quiser falar sobre isso agora, vamos falar do que te deixa confortável... O que gosta de fazer nas horas livres? - Ele sorriu mais à vontade. Percebi que ele tem um sotaque gostoso e acabei relaxando um pouco, sentamos e me acomodei um pouco distante dele, James respeitou o espaço com um sorriso sacana.
- Ler, correr, assistir filmes, dançar, apesar de ter um tempo que não prático este último. - James se mexeu ao meu lado e em seguida se aproximou colocando seu braço sobre as costas do sofá, ficando perigosamente e irresistivelmente perto. Um ano sem sexo estava mexendo com meu cérebro.
- Gosto de correr, atuar e não gosto muito de trabalhar para o meu pai, mas que escolha tenho? Foi a condição para fazer a faculdade que amava, além da que o meu pai exigia. - Ele disse sem perder a simpatia como se isso tudo não tivesse a mínima importância. - Em compensação, tenho uma vida boa, e de quebra estou de volta ao país que amo.
- Não gostava de onde morava? - perguntei curiosa. Algo na forma sensual que ele falava me acalmava.
- Muito frio... - Ele sorriu. - As mulheres lá são frias, mesmo você tão tímida tem mais sal que elas... - Se ele estivesse mesmo falando do Canadá estava mentindo, os canadenses são muito animados, pelo menos quando fui ao país, tive essa impressão.
Dei um sorriso fingindo acreditar e cruzei as pernas dando corda para o que dizia. Percebi que ele disse isso para me deixar mais a vontade e sem que eu percebesse, já me via mais desinibida perto dele.
- Não sou tímida, não te conheço e meio que estou aqui obrigada - falei com um sorriso, Jen encarou minhas pernas parecendo gostar do que via.
- Sua amiga me disse, e decidi tentar porque gosto de desafios, mas também gosto de conversar com minhas conquistas, gosto de conhecer pessoas novas e apesar de ter algumas regras, sempre mantenho contato. - O olhei curiosa e ele sorriu.
- Que tipo de regras? - James pegou minha mão e acariciou.
- Eu não namoro, não gosto de repetir roupas, se é que me entende! - disse extrovertido e piscou-me um olho.
- Isso é bom, não preciso de um namorado e muito menos alguém pegando no meu pé - Ele fez uma trilha de carinho em meu braço, o que fez meus pelos se arrepiarem, chegou em meus cabelos e enrolou uma mecha nos dedos.
- A mulher perfeita, então... - Ele disse se aproximando do meu ouvido, em seguida seus dedos se enterraram mais em meus cabelos, ele deixou um beijo casto e cheio de promessas em meu pescoço, meu ventre se contraiu, o desejo me deixou sedenta por algo mais, porém, não pedi mais quando ele se afastou um pouco. E passou a falar perto do meu rosto, seu hálito fresco e sua boca carnuda estão me convidando para um beijo ousado. Mas sempre fui aquela que resistia à tentação, até que pudesse experimentar o desconhecido.
Nossa conversa durou pouco, e apesar de não me sentir totalmente segura, havia algo em James que me atraía muito e eu precisava sentir as sensações que ele prometia em seus toques. Eu queria sentir.
James me puxou para um beijo guloso e todo meu corpo se acendeu de prazer. Sua língua contemplava a minha, seu gosto de canela e menta me deixava cada vez mais excitada, suas mãos inquietas passeando por meu corpo, me deixava arrepiada por onde passavam.
Mas uma coisa me fez afastá-lo gentilmente. Minha mão ficou parada em seu coração que batia forte contra ela. Fiquei tensa, estamos em público e qualquer pessoa poderia me reconhecer, James sentiu que fiquei nervosa!
- Vamos para um lugar mais reservado, linda! - Ele disse com a voz rouca em meu pescoço, um arrepio subiu por minha espinha e senti o desejo descer para o meu baixo ventre, gemi baixinho em seu ouvido, me sentindo mais ousada, passo minha mão por toda a extensão do seu peitoral. Assenti, ansiosa para sair daqui.
- Para onde vai me levar? - Com os lábios colados em meu pescoço ele soltou um grunhido quando minha mão alcançou seu pau.
- Isso importa? - Ele mexeu um pouco o quadril empurrando-o em minha mão.
- Não consigo raciocinar. - Seu peito vibrou com a risada pela minha resposta.
- Vamos sair daqui! - Ele levantou e me puxou junto com ele, me guiando para fora do ambiente cheio de gente suada e risonha.
James me levou até um carro esporte bonito, o qual eu não sabia identificar a marca, era preto e os vidros bem escuros. Ele abriu a porta do carona para mim, e entrei, ele bateu a porta e deu a volta no veículo, entrou no carro e se acomodou no banco do motorista.
Ele me olhou safado e deu partida no carro.
- O hotel que estou hospedado não é longe, mas se quiser escolher outro lugar, eu não me importo. - Ele falou e eu me perguntei se era seguro ir com alguém que não conheço para um lugar desconhecido, mas logo resolvi confiar, afinal, quando que irei me sentir tão atraída assim por alguém a ponto de nem me lembrar do Fred? Precisava aproveitar.
- Por mim, tudo bem. - Ele sorriu e saiu com o carro, James nos colocou em uma via expressa e durante todo o caminho ele me observou e acariciou, como se fosse difícil ficar com as mãos longe de mim.
Meu vestido preto e soltinho já estava na minha virilha, e sua mão acariciava o tecido da minha calcinha vermelha de renda. Minha buceta já estava molhada e eu me mexia em direção a sua mão que me provocava com seus dedos habilidosos.
Quando chegamos ao hotel, James estacionou em uma vaga escondida, ele ajustou o banco o jogando para trás e me puxou para o seu colo. De início me assustei e pensei se era certo fazer qualquer coisa ali. Mas quando ele me puxou para um beijo, senti suas mãos subindo minha saia até a cintura, os seus dedos puxaram minha calcinha para o lado e foram diretamente para o meu clitóris, um grito foi abafado por seus lábios e eu me senti vaidosa, querida, desejada. Fez-me esquecer o motivo de achar que isso não seria mais possível. De me sentir tão gostosa, bonita.
- Você é muito gostosa, Luna! - Ele falou em meus lábios e eu rebolei gostoso em seus dedos hábeis.
- Eu quero você dentro de mim, James! - pedi ousada e senti seus lábios se repuxarem em um sorriso.
- Primeiro quero que goze em meus dedos, linda! - Ele bombeou dois dedos dentro de mim enquanto o dedão massageava meu clitóris, parei nosso beijo jogando minha cabeça para trás em êxtase. Minha respiração ficou mais rápida à medida que comecei a dar sinais de que iria gozar.
James me colocou com facilidade no banco do carona, levantei a cabeça rápido e assustada quando o ouvi abrir a porta. Ele sorriu colocando metade do corpo enorme pra fora e piscando um olho para mim, posicionou-me de frente para o seu rosto.
- Goza em minha língua, Luna! - Deixei-me relaxar apesar do medo de sermos pegos no estacionamento, mas considerei que o horário vai nos dar privacidade, e se não der, dane-se! Gemi fogosa quando sua língua me fez ir ao delírio, peguei em seus cabelos bagunçando-os e rebolei em sua direção. Ele passou a língua lentamente em meu clitóris recebendo meu gozo, me contorci com o prazer e o nervoso de sua língua em minha buceta, amando o jeito que me contemplava. Continuei segurando firme em seu cabelo curto. Seus dedos me acariciavam, quando sua boca abandonou minha carne e eu dei um gemido lamentoso. James beijou minha buceta e subiu minha calcinha. Fechou a porta do carro me dando certo alívio e me puxou para um beijo, senti meu gosto em seus lábios.
Desci minhas mãos até seu pau para lhe dar tanto prazer quanto ele me deu, porém, ele me parou e abriu a porta do carro novamente, imaginei que ele faria outra loucura, mas ele me puxou para fora.
- Vem, minha gostosa - Ele sorriu me puxando para si. - Segura seu fogo até chegarmos lá em cima.
- Vou tentar. - Sorri e ele fechou o carro me guiando até o elevador, me puxando para si, fazendo meu peito bater contra o dele. Estou completamente ligada a esse momento, enquanto seus olhos sedentos de desejo me encaravam.
James puxou meus cabelos para trás e mordiscou meu pescoço, minhas mãos vão instintivamente para o seu pau e eu o liberei de sua calça, massageando, senti seus lábios sugar meu pescoço me excitando, provocando... Ficamos tão absortos em nossos êxtases, que só percebi que paramos quando a porta se abriu. James pegou em minhas pernas e me fez encaixar em seu quadril. O elevador não saiu em um corredor, e sim, para o seu apartamento.
Ele me carregou para dentro.
James deixou sua calça cair pelo caminho, e sua boca procurou a minha. Nós dois gememos. Ele colocou a minha calcinha para o lado e seu pau me invadiu, gemi alto entre seus lábios.
Ele me empurrou contra a parede e investiu forte contra mim, seus lábios nunca abandonavam os meus. Prendi minhas pernas mais firmes nele e me apoiei em seus ombros para rebolar mais ousada em seu pau gostoso. James jogou a cabeça para trás, e soltou um urro de prazer.
Senti sua mão apalpar algo ao lado. Ele levou a embalagem de camisinha a boca e rasgou, se afastou para colocar a proteção e voltou para mim. Ele se encaixou e me penetrou com força, abaixou a alça do meu vestido, expondo um dos meus seios. Passou a língua e o sugou, minha buceta começou a sugar o pau dele, senti o prazer me invadindo ao mesmo tempo que James soltou grunhidos furiosos de prazer. Ele me virou de costas, desferiu um tapa em minha bunda, o que me faz soltar um grito surpreso e prazeroso. Ele arremeteu com força, eu gritava de prazer e ele rugia em meu ouvido. Sentia seu pau latejar e minha buceta o sugava querendo mais dele dentro de mim.
Ele diminuiu o ritmo e deu beijos em minha nuca suada. Fez carinhos em meus cabelos, apertando de leve meus seios e dando pequenos apertos no outro bico. Parecia que estava em um jogo de sedução onde nunca pararia de sentir prazer. James era uma máquina de sexo e eu queria saber tudo o mais que poderia sentir com ele.
Por fim, eu fiquei três dias com o James em seu apartamento, ele disse que quando saísse por aquela porta nosso envolvimento seria apenas de amizade, que ele não queria nada sério e que ele não era homem de ter apenas uma mulher. Perguntei o porquê, mas ele não quis dizer, então apenas aproveitei o momento.
Por várias vezes me questionei curiosa, era uma regra idiota, ficar apenas uma vez com uma mulher, no meu caso, eu tenho muitos motivos para não me envolver de novo com ele. Seria fácil demais me apegar, eu me conheço bem o suficiente para saber disso, e o melhor seria se eu nunca mais voltasse a vê-lo ou ter qualquer contato.
O único motivo para eu decidir deixar aquele homem foi porque eu recebi uma mensagem do Fred preocupado. Eu estava sumida há três dias e por mais que eu dissesse que estava bem, ele não acreditava. James disse que precisava ir à nova empresa conhecer os sócios e depois ir ver como estava a reforma do apartamento que comprou na cidade. Portanto, essa é a minha última noite com ele.
Disse ao Fred que amanhã mesmo estaria em casa, ele se acalmou e me desejou boa noite. Era estranho falar ao meu marido que estava tendo as melhores transas da minha vida, ao mesmo tempo em que me sentia aliviada por saber que ele parecia bem, até mesmo aliviado por eu estar vivendo isso. Eu entendo que o Fred queria me ver feliz e nesses dias é exatamente como me sinto.
- Por que minha gostosa está tão pensativa? - James perguntou com a cabeça apoiada em meu ventre.
- Na vida, e no quanto ela, às vezes, é engraçada. Eu nunca pensei que fosse ter coragem de fazer isso, me enfiar em um quarto com um homem desconhecido e... Foi tão bom, tão... Diferente! - James sorriu safado.
- Eu sou irresistível - Rolei os olhos e mordi os lábios, não posso dizer que ele não tinha razão, mesmo ficando esses dias com ele, não mostrou ser qualquer coisa além de incrível, um homem apaixonante. Seria fácil demais me apaixonar por ele se continuássemos a nos ver. Fiquei em silêncio por um tempo, pensando em seu jeito e suspirei triste por dizer algo que vai afastá-lo, mas era melhor assim.
- Acho melhor não mantermos contato. - Ele parou de sorrir e assentiu.
- Eu te entendo, foi maravilhoso passar esses dias com você, há muito tempo não me sentia tão... disperso! Você é uma mulher especial, Luna, e ficar perto de você pode ser perigoso e viciante. Meiga, amorosa, ao mesmo tempo sedutora e muito boa de cama. Difícil essa mistura... Me surpreende que não seja casada, que não tenham fisgado seu coração. - Sorri lateralmente me sentindo um pouco culpada, eu sou casada, porém, não estou traindo meu marido. Nem eu entendo direito minha relação com Fred, não tem porque eu tentar explicar isso ao James, para quê? Não voltaremos a nos encontrar.
- Gostei muito de você, e espero que a mulher que conquistar seu coração o mereça! - James ficou um pouco sério, como se o assunto de romance o incomodasse, ele pegou uma mecha do meu cabelo, distraído. - Você gosta do meu cabelo, não é? - perguntei, já que ele sempre o acariciava ou puxava.
- Gosto de cabelos longos, e o seu em especial, é longo o bastante para dar duas voltas nas mãos. - Ele disse e o enrolou firme na mão e deu uma leve puxada expondo meu pescoço, se inclinou sobre mim e procurou a minha boca. - É a nossa última noite, e já estou com saudades do seu corpo. Da sua boca, pele... - Ele beijou a pele do meu ombro e soltei um suspiro lamentoso.
- Foi bom enquanto durou! - Ele fez uma trilha de beijos e eu arqueei o corpo.
- Foi perfeito! - Levantei me sentindo ousada como não sou com mais ninguém e o guiei para deitar sobre o colchão. Beijei seu peito e fui descendo em direção ao seu pau, ele agarrou meu cabelo e se mexeu inquieto abaixo de mim, alcancei seu pau com fome e o devorei com gosto, levando-o até a garganta em seguida. Eu amava o som que o James fazia quando estava excitado, em apenas três dias esse se tornou meu som favorito.
James mexia o quadril puxando meu cabelo com uma mão enquanto que com a outra ele massageava meu seio. Levei minha mão ao meu clitóris o massageando também, enquanto minha boca estava em um vai e vem delicioso para James e para mim.
James não demorou muito para gozar em minha boca. Ele me puxou para si, ainda duro, e me penetrou gostoso, gememos juntos e rebolei em cima dele. James segurou meu quadril e empurrou forte dentro de mim. Soltei um grito de prazer.
Ele mudou nossa posição e me colocou de quatro para ele e passou a investir com força enquanto estimulava meu botãozinho. Um calor diferente me tomou, eu comecei a ofegar nervosa.
- Calma, minha linda! - Ele disse próximo ao meu ouvido. - Só estou brincando com ele, relaxa, que é gostoso. - Assenti confiando nele e o deixei fazer o carinho. Eu não demorei a gozar depois disso, a sensação era incrível e o gozo foi um dos melhores da minha vida. Quando estava perto de gozar ele tirou o pau de dentro de mim e passou a se estimular, engatinhei até ele e o chupei até gozar novamente em minha boca com James segurando firme em meus cabelos. Ele me olhava de um jeito que me fazia se sentir especial. Então, deixei que em minha cabeça fosse isso, que não se tratasse só de sexo. Porque antes de tudo, sou uma mulher romântica que acredita que o sexo faz parte de um casal apaixonado.
Dormimos agarrados como se fôssemos um só, e acordei com ele dentro de mim, não resisti em dar uma rebolada, incentivando-o a continuar. James empurrava o quadril devagar e sem pressa, colocando a mão em meu clitóris, gemi empurrando meu quadril contra o dele, ele beijou meu pescoço e estimulou meus seios, o êxtase do momento me deixou louca.
- James? - chamei e ele investiu mais forte sabendo que a qualquer momento eu ia gozar.
- Isso, gostosa, chama meu nome! - Ele pediu metendo com força.
- James... James? - Ele urrou de prazer e pouco tempo depois gozamos juntos. Ele caiu para o lado e fui para cima de seu peito, ofegantes, procuramos as mãos um do outro e nos acariciamos, eu não queria ter a sensação de perda, eu sabia que seria assim, mas voltar à realidade parecia tortura.
Beijei sua mão carinhosamente e saí da cama procurando a toalha. Eu precisava ir... E ele também.
Nos arrumamos em silêncio. Antes de sair chamei um táxi para ir embora, chegou a hora de nos despedirmos e eu sorri para ele.
- Vou sentir saudades. - James disse com um sorriso segurando meu rosto.
- Também vou, mas é melhor assim, não é? - Ele assentiu.
- Sim, seria fácil demais me apaixonar por você! - Sorri lateralmente.
- Obrigada, sinto o mesmo em relação a você, mas eu estou longe de ser perfeita!
- Vou guardar a perfeição que eu vejo de você em meu coração. - James me deu um beijo casto de despedida agarrando meus cabelos. Coloquei a mão em seu peito e me afastei devagar.
Precisava voltar à realidade.
Entrei no elevador e dei um tchau para ele, que retribuiu com um sorriso e uma piscadela.
A porta se fechou e ali parecia se encerrar a melhor aventura picante que já tive na vida.
Cheguei em casa após aquela despedida, com uma sensação de vazio. O Fred não estava, pois foi para a empresa, e como eu me dei uns dias de folga, estava livre para fazer o que quisesse, sozinha...
Joguei-me no sofá e fiquei pensando nos dias que passei com James. Lamentei pela decisão de não o ver mais. Porém, tinha consciência que nada de bom poderia vir disso, ele disse que não se relacionaria comigo, o que é ótimo, mas eu já estou com minha autoestima um fracasso por causa do Fred, nenhum bem me faria se mais um homem que gostava de estar só me quisesse como amiga.
Passei o dia dispersa, mesmo assistindo TV, não conseguia focar em nada e acabei dormindo no sofá enrolada em meu cobertor. Acordei com um carinho em meus cabelos e um beijo no rosto. Sorri sabendo que Fred chegou e não estava mais sozinha.
- Olha quem parece cansada, foram dias bons, hein? - Fred comentou animado, abri um dos olhos para ver se seu olhar estava tão animado quanto sua voz.
- Foi perfeito, mas acabou! - Sorri, ao constatar que ele não parecia chateado. - Como foi na empresa hoje? - Fred fechou o semblante.
- Você não vai gostar... - Levantei, ficando tensa.
- Fala logo, Fred, o que aconteceu?
- Conheci o novo sócio, não fui com a cara dele! - O olhei com a sobrancelha levantada.
- Certo, e o que eu não irei gostar? - Fred ficou inquieto no sofá.
- Ele já chegou pedindo uma reunião com o conselho solicitando a vice-presidência. - Levantei bufando.
- O quê? - Comecei a andar de um lado para o outro.
- E como ele tem 29% das ações e as nossas ações estão divididas... Ele pode fazer essa solicitação e é provável que ele consiga. O Harry e você não se dão bem e ele tem 10%, o voto dele conta...
- Mas, Fred, esse é o meu cargo...
- Eu sei, Luna! Mas ele disse que tem esse direito e o solicitou. Disse que pode fazer muita coisa no comando.
- Me surpreende ele não ter pedido a presidência! - Sentei no sofá, chateada. - Certo, isso significa que minha folga acabou, amanhã vou declarar guerra a esse idiota! Não tem chances dele ganhar, eu tenho o seu voto e dos nossos pais também. Apesar de não ter o voto do Harry...
- Luna! - Fred me chamou como se fosse me aconselhar. - Não acha que seria um bom momento para dizermos aos nossos pais que vamos nos separar. - O olhei confusa e magoada.
- Por que essa conversa agora? Continuamos sendo figuras públicas, Fred! Seus pais ainda vão cair matando em cima de você, é capaz de te deserdarem...
- Essa situação está acabando com você, Luna! - Fred falou alto e eu arregalei os olhos. Como assim? Do que ele estava falando? Eu nunca o pressionava, ele vivia a vida de solteiro dele e a única coisa que eu fazia era ficar na minha.
- Não, isso não é verdade, e eu não sei como o assunto da empresa mudou tão rápido para o nosso relacionamento.
- Não temos um relacionamento, Luna! - Ele afirmou e dei um passo para trás magoada, ele estendeu a mão em minha direção arrependido e dei outro passo para trás, o evitando.
Olhei para ele me sentindo traída, conheço-o bem o suficiente para entender o que ele está pretendendo com essa conversa.
- Quando o cara chegou, posando de dono da empresa, eu fiquei com raiva, e eu ainda não gosto apesar de... Não vem ao caso! - Fred esfregou o cabelo nervoso. - Mas eu vi uma chance de você refazer sua vida, devolver o brilho aos seus olhos, ao contrário do que pensa eu não preciso ser protegido, eu vou ter que sair do armário um dia, e eu decidi que não vou mais manter essa merda, Luna! Esses três dias foram esclarecedores, sua voz estava diferente, você está diferente! Então, vindo para casa eu decidi... - Levantei as mãos pedindo que parasse, entendi o que estava nas entrelinhas, e por um momento eu achei que fosse paranoia minha, mesmo assim falei em voz alta o que meus pensamentos gritavam.
- Vai votar contra mim!? - Fred abaixou a cabeça. Eu bufei de raiva e comecei a andar de um lado para o outro. - Você perdeu completamente o juízo? Vai tirar o controle das nossas mãos depois de tudo que fizemos para chegar aonde estamos? Você usou alguma droga? Qual o seu problema? - Minha voz estava ofegante enquanto eu questionava aquela merda que ele estava dizendo.
- Tem noção do quanto isso vai ser difícil para mim? - Encarei seus olhos como se o quisesse explodir.
- Na verdade, não tenho! - As lágrimas nublaram minha visão e coloquei a mão no rosto para me livrar da sensação de traição. Ele não pode fazer isso comigo.
- Você ainda vai estar do meu lado administrando a nossa empresa. - Fred tentou se aproximar e me afastei.
Tudo que fiz na minha vida, foi em nome da empresa e meu relacionamento, o Fred estava destruindo minha estrutura, meu ego, minha razão de viver.
- Luna, eu te amo, mas não dá mais para vivermos assim, e se essa é a única maneira de termos um motivo para nos separarmos eu vou fazer.
- Me tirando tudo... - disse sem chão.
- Não, te devolvendo o direito de escolha! - O encarei tentando saber do que ele estava falando, me sentia perdida nessa merda toda que ele estava dizendo.
Fred me encarou com seus olhos gentis castanhos escuros, sua pele bronzeada que eu tanto amava, abraçada pela blusa social de manga comprida que foi enrolada até o cotovelo. Os cabelos enrolados e negros, bem penteados para trás e a barba bem aparada que contornava seu rosto. Esse homem, que eu tanto amei e considerei, está destruindo meu mundo.
- Me tirando tudo? - repeti minha frase com um tom cansado e Fred suspirou. - Que espécie de escolha você está me dando, droga?
- Te tirando tudo que foi obrigada a aceitar quando ainda era uma menina! - Pisquei algumas vezes para clarear a visão e o encarei. - Lembra o que queria ser, antes de te dizerem qual faculdade teria que fazer?
- Dançarina...
- Sim, você fazia balé desde que me conheço por gente e você era maravilhosa naquilo... - Comecei a assentir, mas então eu neguei com a cabeça.
- Você não entende, Fred? Aquela menina morreu, eu não sei mais ser assim. - Balancei a cabeça indignada. - Para seguir a carreira de uma dançarina, eu jamais poderia ter parado de praticar e eu parei... Por nós, e pelo o que a dança fazia com meus traumas... Você sabe disso! - Abri os braços, mas logo os abaixei, cansada, derrotada. - Por toda essa merda de vida! Você vai me destruir, Fred!
- Estou te dando a chance de ressuscitar essa menina e não importa o quanto negue, sei que ela está aí, escondida e acuada. - O olhei sem forças para discutir, peguei a chave do meu carro e Fred foi rápido ao se colocar na minha frente. - Luna, não pode sair assim, aonde pensa que vai? Nem vestida direito está! - O encarei novamente com o olhar mais frio que consegui.
Suspirei por fim e acabei pensando um pouco sobre aquilo e um dos meus próprios pensamentos sobre os dias que passei sem o Fred. Eu podia fazer qualquer coisa sozinha.
- Quer saber, tem razão, não temos mais um relacionamento, isso daqui que estamos fazendo é tudo menos uma relação. - Ele me olhou triste. - Quanto a vice-presidência, se você votar contra mim, nunca mais vai me ver na sua vida! Espero que saiba fazer muito bem a sua escolha.
- Me desculpe, eu não vou fazer isso com você, foi apenas uma ideia, sempre achei que... Se sentia obrigada ali, não pensei que significasse tanto.
- Talvez, não signifique, mas não cabe a você decidir isso. - Dei um passo em direção à porta e Fred segurou meu ombro.
- Não vai assim, vamos conversar sobre isso, não quero que saia magoada - disse ele e pensei por um segundo sobre aquilo, mas cheguei à conclusão que ficar ali seria me humilhar e voltar atrás do que decidi. Acabou, não tem mais volta e eu só quero sair dali e esquecer todos os dias felizes que tive e o último ano de carência e desespero.
- Até amanhã, Fred! - Desviei dele, abri a porta e saí de casa.
Entrei em meu carro e dirigi pela noite escura, até parar em frente à casa da Rhanna, só ela podia me ajudar agora.
E pelo jeito ela já estava me esperando, pois foi o motor desligar para ela abrir o portão de sua casa e aparecer num pijama azul, ela cruzou os braços enquanto me esperava estacionar em sua garagem. Saí do carro e fui até ela, que estendeu os braços e me envolveu ali. Entramos e eu contei tudo a ela.