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Dupla obsessão

Dupla obsessão

Autor:: Danny veloso
Gênero: Bilionários
"Ele está em toda parte, me observando e me manipulando de tantas maneiras que nem sei por onde começar." "Ela é tão enigmática quanto eu, e isso é perigoso, porque quanto mais desejo que ela se afaste de mim, mais ela se aproxima." As razões pelas quais Rebecca ingressou na polícia eram, inicialmente, nobres e impulsionadas por um desejo incessante de buscar a verdade. No entanto, com o tempo, a jovem prodígio descobriu que se sentia mais atraída pela ação e pelo mistério do que gostaria de admitir. Seduzida pelo lado sombrio da cidade, ela logo se vê envolvida em um novo mistério que assola North Weland: um assassino implacável que ceifa a vida de criminosos. Jonathan nunca teve uma vida convencional e logo percebe que a melancólica cidade pela qual se apaixonou no início era apenas uma fachada, escondendo um sistema falho que ele precisava desvendar. Ele nunca almejou ser o herói, pois heróis não eliminam os vilões, mas também não tinha a intenção de se tornar um vilão. No entanto, ele se torna alvo da polícia devido aos seus métodos radicais e irreversíveis. No entanto, quando ele se depara com uma jovem inteligente e determinada, que o encara com surpresa e, ao mesmo tempo, fascinação em um beco escuro, ele percebe que isso representa uma preocupação real, tanto para sua identidade quanto para seus interesses pessoais. Ele enxerga nela uma escuridão tão intensa quanto a sua própria.

Capítulo 1 Prologo

A pouca luz limitava a minha visão. Vi uma sombra preta se escondendo estrategicamente atrás da lâmpada. Mal percebi que estava saindo do meu esconderijo, aproximando-me da cena, até que um tiro foi disparado contra a cabeça do homem ao chão.

Ouvi um grito desesperado e pavoroso, foi quando notei que esse som veio de mim e rapidamente tapei a boca. A figura estranha e totalmente camuflada na escuridão notou a minha presença. De início, ele pareceu se assustar. Deu alguns passos em minha direção ainda com a arma e sua mão, mas não fez nada, apenas me encarou assim como eu a ele.

O medo quase me paralisou por completo, meu coração parecia que sairia pela boca e o ar estava tão frio que pareceu congelar. Por alguns segundos minha mente ficou silenciosa. O coração voltou ao seu ritmo normal, como se aquilo não fosse nada demais. Minhas pernas finalmente agiram, saindo daquele beco e voltando ao meu caminho.

***

Minha ira estava no auge total naquela hora. Não percebi que estava sendo observado. Isso será um problema. Quem era aquela mulher de pele pálida e cabelos negros que até pareceu ter medo, mas depois saiu como se nada tivesse acontecido?

Ela não era minha inimiga, e penso que não conseguiu ver meu rosto. No entanto, foi um erro cometido por mim, e não posso permitir que alguém me pegue assim tão facilmente. Nunca serei um daqueles que tanto odeio, machucando alguém inocente, mas devo tomar alguma providência sobre isso. Só não sei como encontrá-la, pois nunca vi aquele rosto em minha vida.

Confesso que será difícil dormir à noite sem lembrar daquela feição assustada, ao mesmo tempo que inocente.

Capítulo 2 O bicho papão

Rebecca

"Mais um copo foi encontrado, desta vez nas docas marítimas da pesca local. A polícia ainda não se pronunciou sobre o novo caso, que agora se soma a uma lista que parece interminável e ainda não foi solucionada. O que conseguimos apurar é que a vítima estava envolvida no sequestro das duas meninas resgatadas há dois meses. "

O dia estava frio, como sempre. O ritual matinal, hoje, era diferente. Não havia muitos dias quentes em North Weland, o que era particularmente agradável. O noticiário não parava de mostrar o local onde mais um corpo foi deixado pelo apelidado pela população alemã, Buhmann. Isso se deu por conta das primeiras vítimas encontradas nos arredores do pequeno distrito onde vivem as famílias vindas da Alemanha, meio que significa bicho-papão. Muitos o temiam; no entanto, desde que apareceu e espalhou os corpos pela cidade, percebemos que seu padrão era refinado, eu diria. Sete vítimas, todas fazendo parte de uma lista peculiar: homens que viviam do crime ou cometeram algo muito cruel.

A cidade passou a admirar esse novo "juiz". Ele julgava aqueles que não eram punidos pela lei, mas a sua sentença, aos olhos do Buhmann, era a mais alta das punições: a morte. Apesar da boa fama, a lei não permitia fazer justiça com as próprias mãos, então foi criada uma equipe especial para investigar e prender quem quer que ele seja. Acredite, fiz de tudo para entrar para essa equipe. Infelizmente, eles chamaram uma perita de fora. Claro que chamaram. Desde o momento em que entrei pela porta do distrito 13, insistem em não reconhecer o meu valor como perita. Bem, admito ser um pouco irritante e me coloco no lugar de um detetive, mas ninguém consegue fazer o que eu faço, com a rapidez e precisão, que faço o meu trabalho. Egocentrismo? Talvez sim, mas era a verdade. O pior era não poder me inteirar do caso e ter que saber por terceiros.

Irritada, levanto-me da cadeira e desligo a TV. Com tantas mentes brilhantes aqui, foram buscar alguém de fora? Isso beirava ao ridículo. Dentro de mim habita algum tipo de ser curioso que não para de repetir no meu ouvido coisas como; você deveria aproveitar que trabalha no mesmo andar e na mesma sala e dar uma olhada, memorize e saia para caçar esse homem. Meu cérebro era o meu maior inimigo. Chateada demais para discutir, peguei as chaves, a bolsa e saí batendo a porta, forte.

O lugar onde eu morava era calmo, com vizinhos fofoqueiros, pois não seria cidade grande se não houvesse alguém varrendo a varanda só para olhar a vida do próximo. Mesmo com muitas peças de roupas, eu ainda estava com frio. Não era ruim; na verdade, até gostava. Enrolei o cachecol no pescoço e abracei a bolsa ao meu corpo. Como morava próximo do trabalho, ia de ônibus. Andei alguns metros até a parada onde apenas uma senhora de idade também esperava pelo transporte. Cresci nessa cidade. Sempre adorei o frio, era meio melancólico. Depois que minha mãe morreu, fiquei só. Éramos só nós duas. E ela sempre me pedia para arranjar alguém, para que eu não precisasse ficar sozinha depois que ela se fosse. Bem, não rolou.

Voltei a mim quando notei que o ônibus se aproximava. Deixei que a senhora passasse na frente. Assim que as portas se fecharam, o frio diminuiu. Sentei-me perto da janela e observei o caminho enquanto ele fazia o trajeto. Não parei de pensar nesse caçador de assassinos. Quem seria a sua nova vítima? Qual crime cometeu? Por Deus, não devo pensar nele como um herói. Nada pode justificar os seus atos. Certo?

Claro que não; entretanto, me peguei pensando nesse bicho-papão como o cara correto da história. Esse era o meu problema, um que às vezes me botava medo. Há coisas erradas e certas, mas muitas vezes eu optava pela coisa errada. Esse conflito me prendeu por um longo tempo, tanto que quase passei do ponto onde deveria descer.

Bem, não tinha como errar isso. O distrito 13 ficava em um prédio bem grande, com paredes de vidro espelhadas, arquitetura moderna e metálica. Pessoas iam e vinham a cada minuto. Tinha mais ou menos três andares. Era aqui que a equipe tática investigava casos diversos, incluindo o do ceifador.

- Está admirando o prédio, Miller? - Reconheci a voz convencida e brincalhona de Edward sem ao menos olhar em seu rosto. Ele era do tipo irmão mais velho e irritante, que às vezes me dava bronca. - É uma arquitetura linda e única, mas prefiro o lado de dentro.

- Wilson, seus gostos são bem questionáveis. - Respondi à altura. - Até o interior de um banheiro de balada, sujo, é agradável para você. Ele não se ofendeu, na verdade, riu. Trabalhamos juntos há quase três anos. Tempo suficiente para nos apegarmos um ao outro. Sempre nos referimos pelo sobrenome. Edward era um bom detetive. Estava na corporação há quase oito anos e nunca perdeu a graça da vida, apesar de ficar bem sério quando estava em um caso grande como esse. Devo admitir que ele era um homem muito bonito. Tinha ombros largos, barba rala, a pele cor de oliva, e os olhos claros chamavam atenção de todos.

- Tenho que ir. - Falou, dando-se conta do horário. - Aquele filho da mãe acabou de me dar mais um problema. Ed andou até dentro do prédio público, e o seguinte, pois trabalhávamos no mesmo lugar, só não no mesmo caso. Já tive oportunidades de trabalhar com Edward, e ele sempre foi autoritário. Isso até poderia estragar a nossa amizade, mas, por fim, preferi ficar com Mila.

Claro que eu não tinha poder sobre isso, porém, ela mesmo concordou em me ter como sua parceira.

- Eu daria tudo para estar nesse caso. - Confessei-me lamentando. - Não é justo. Estou aqui há quase dois anos e sou boa no que faço. Como não me colocaram nesse caso? Entramos no elevador, junto com outras quatro pessoas.

- Miller, você é boa e eu até gostaria de trabalhar com você, mas... - e eu vou ficar furiosa com ele a partir de agora, por isso a pausa dramática. - Parece até obcecada por esse caso. - Falou mais baixo que pode. - Parece que quer o pegar para si.

- Não viaja, eu só acho interessante. - Expliquei. - Ele parece um serial killer de assassinos, como não se interessar por isso?

- Seus olhos brilham quando fala disso. - Disse apontando para mim. - É assustador!

- Vai se fuder. - Sussurrei. - Eu deveria estar nesse caso.

- Ok, florzinha. - Falou assim que as portas se abriram. - Tenha um bom dia. Observei o meu amigo sair da minha frente com um sorriso no rosto que eu gostaria de tirar com um soco.

***

Buhmann

Eu não queria nada disso. Nem um apelido, nem atenção. O que faço, na verdade, é uma penitência. Mas hoje vejo que o meu trabalho traz bons e maus frutos. O medo é a consequência, porém, não para aqueles que levam as suas vidas de forma correta. Não sou o herói, talvez o vilão. Eu não devia ter esse trabalho sobre as minhas costas. A justiça deveria fazer o seu trabalho, eles deveriam punir sem ver a quem, mas algo nessa cidade, assim como em outras, estava errado.

A punição vem para aqueles que cometem algum crime e são simples ladrões de bairro. Entretanto, os piores e mais afortunados eram tratados como bons olhos. Uma boa quantia livraria as cabeças deles, que voltam para a rua e cometem os mesmos crimes. Eu via isso da primeira fila. Quando questionava, quem era julgado era eu. Então eu me calei.

À espreita e com muita raiva, comecei com isso sem planos para uma lista. O problema era que ela já existia e era o meu dever fazer o meu trabalho, só que de outra forma. Hoje, assisto à TV, vendo a má fama que me deram. A imprensa sensacionalista me chamava de bicho-papão. Ridículo! Eu não matava qualquer um. Os que foram escolhidos tinham uma ficha criminal extensa e eram aqueles que deveriam estar presos, não nas ruas.

Todo esse burburinho me irritava. Agora, até uma equipe especial foi designada para me achar, forçando-me a me esconder e tomar cuidado. Não posso parar agora. Quanto mais medo provocar nos que merecem, menos existirão. Se pensam que irei parar só porque a polícia estava atrás de mim, estão enganados. Até parece uma piada de muito mau gosto. Se querem aprender alguém, que seja os verdadeiros criminosos.

- Senhor, tem alguém que quer ver, mas não tem um horário agendado.

Capítulo 3 melancólica

Nada melhor do que tomar um café forte, ouvindo a voz melancólica da Lana Del Rey, assistindo à chuva do lado de fora da cafeteria que ficava a poucas quadras do trabalho. Bem, esse era o meu ritual matinal quando estava em um caso. O curioso era que o meu trabalho se mantinha em analisar provas e elementos de uma cena de crime, mas eu tinha um espírito detetive que às vezes incomodava os meus colegas.

Meu trabalho era dentro do prédio ou quando ia a uma cena de crime, porém, muitas vezes eu me envolvia tanto com o caso que saía, sem permissão alguma, em busca de mais provas, atrás dos suspeitos, o que já me deu duas advertências. A questão agora era bem mais complicada e talvez perigosa.

A equipe de Edward estava na investigação que buscava pelo chamado ceifador. Particularmente, me sinto atraída por esse caso em particular. Ele era sombrio e não tinha pistas suficientes para uma busca ou qualquer caminho investigativo. Se bem sei e como conheço o trabalho do Wilson, ele vai, primeiramente, investigar as suas vítimas.

Pelo menos os motivos não eram segredo. Todos sabemos que o perfil desse assassino é ceifar vidas de pessoas que se envolviam com o mundo do crime ou que cometeram algum ato cruel contra pessoas inocentes. Alguns o veem como herói, outros como vilão, para mim ele é só mais um homem misterioso que está me atraindo de formas assustadoras e que não posso explicar como. Se Eduardo me ouvisse dizendo isso, ele me prenderia em um sanatório.

Quem é esse homem? Com o que trabalha? É um policial, detetive, já foi um soldado? Bem, ele não é um homem comum, pois tem habilidades suficientes para abordar as suas vítimas sem que elas o percebam. Desde que começou a deixar o seu rastro de sangue não deixou muitas pistas. Se eu pudesse analisar aquela cena poderia descobrir algo. Entretanto, esse caso foi dado a Benedict. Análise Benedict. A coitada não tem culpa. É o nosso trabalho, mas passei a odiá-la baseada nisso.

Contudo, um dia cheio e barulhento na agência, ela saiu da sala, deixando-me com algumas evidências sobre a mesa. Meu lado moral tentou me impedir, mas o diabo em mim, expulsou qualquer racionalidade naquele momento, me levando a espiar, e como tenho memória eidética, meu cérebro guardou aquelas palavras e fatos como em um chip. Toda vez que fecho os olhos, vejo aquela cena. O corpo, o beco e o lugar mais limpo de evidências.

Claro, estava tudo sujo, pois era um beco, porém, as pegadas e digitais que nos ajudariam a achar o assassino não estavam lá. A vítima não foi morta no local onde encontramos o corpo. Seja lá quem for, o assassino sabia exatamente o que fazer, o que me deixou ainda mais curiosa e com uma pulga atrás da orelha. Com certeza é um profissional. Da polícia, do exército, seja lá o que ele for, sabe como não deixar suas digitais.

Que ninguém me ouça, mas admiro esse ceifador.

- Gostaria de mais alguma coisa? - A garçonete perguntou, com aquele típico sorriso simpático que sempre exibia no seu rosto. As maçãs do seu rosto coravam toda vez que olhava para mim. Era estranho, mas eu acho que não era só comigo. Devo admitir que a mulher era bonita. Os cabelos escuros combinavam com o seu tom de pele pálida, os olhos claros chamavam atenção. Nunca conversamos mais do que duas ou três palavras.

- Não, obrigada. - Respondi e peguei a minha carteira na bolsa retirando a nota e pagando a mulher.

***

Hernandes Chaves. Morto com dois tiros, um nas costas e o outro na cabeça. Provavelmente tentou correr do assassino, mas não conseguiu. O beco onde seu corpo foi encontrado não foi a cena do crime. Ele foi acusado de estuprar e espancar uma mulher. Curiosamente, o seu assassino o deixou no mesmo lugar no qual ele cometeu esse crime. Semanas antes, Hernandes conseguiu se safar da justiça por falta de provas ou do seu DNA na moça.

Não faço ideia do porquê estou repassando isso na minha cabeça justamente agora. Primeiro, não era o meu caso; segundo, eu encarava o corpo de uma mulher que deveria ter entre 20 a 30 anos, seminua e com um ferimento de bala na boca, em cima de uma cama de motel. Meu caso não era tão empolgante como o de Hernandes. Claro, isso não deveria me dar graça ou felicidade, mas confesso que estava esperando algo parecido.

A única dificuldade que eu poderia ter seria identificar o seu assassino, pois dentro deste quarto deve ter milhares de DNA de outros milhares de pessoas que frequentam este tipo de lugar. É bem óbvio pensar que seu companheiro é o verdadeiro assassino aqui. O detetive desse caso só precisaria ver as câmeras de segurança ou registro na entrada. A mulher levava a vida como muitas outras, vendendo o seu corpo por míseros trocados. Seus olhos ainda abertos registraram o pânico e o medo que sentia antes mesmo do seu crânio ser aberto por uma bala dentro da sua boca.

- Temos um segundo corpo no banheiro. - Falou Tomás, o novo recruta da polícia. Era notório que esse era o seu primeiro caso. A cara que fez quase me fez gargalhar. Seria mórbido se eu fizesse isso? - Ele tentou se esconder, mas obviamente não conseguiu.

- Então podemos descartar o cliente da nossa lista de prováveis assassinos. - Falei, sentindo uma mera satisfação nisso.

- A recepcionista disse que o cliente não saiu. - Mila adentrou o quarto olhando diretamente para o corpo da mulher em cima da cama.

- O novato achou ele no banheiro. - Falei, exibindo um sorriso que a fez me olhar com surpresa.

- Por que acho que você está feliz com isso? - Franzir o cenho.

- Não estou. Sério, não riria dessa situação. - Me defendi. - Mas ficou interessante.

- É mórbido você querer achar isso empolgante, Miller. - Ela disse ao passar por mim, indo ao banheiro do pequeno quarto. Eu adorava trabalhar com ela. A detetive Foster era a melhor, e que Edward não me ouça, mas prefiro trabalhar com Mila. Ela era firme e focada, sua cara de mal botava medo em homens com o dobro do seu tamanho e tinha um senso de humor que poucos tinham. - Quem desses dois era o alvo?

Deixando o meu material em cima da cama, me dirigi ao banheiro onde encontrei um homem encostado na parede, de cabeça baixa, sem roupa alguma. Ele tinha duas perfurações no peito.

- A mulher o alvo. Esse bobo aqui foi apagado por consequência. - Agachei-me para olhar em seu rosto caído sobre o corpo. Bem, ele não estava estirado, e pela forma como estava parecia mais que desejava se esconder. - O assassino priorizou a mulher, o que deu tempo para esse aqui correr para o banheiro, e por alguma razão, tentou se esconder. Acredito que ele sabia que seria morto. - Levantei-me e voltei ao comando anterior. - Ela também sabia que morreria. Não houve luta, só um acordo silencioso. Foi cruel e direto. O único tiro na boca, que atravessou o crânio, a matou instantaneamente. Particularmente queria que o cerebelo tivesse saído.

- Você me assusta, Miller. – Falou o novato parecendo enjoado.

- Gosto de você por ser direta e às vezes fazer o meu trabalho. - Mila comentou.

- Às vezes gostaria de ir atrás dos bandidos, mas não daria certo, me empolgaria demais. - Revelei.

- Continue trabalhando, vou até a recepção coletar informações. - Então ela saiu, deixando apenas eu e Thomas.

- Você seria uma boa detetive. - Ele disse. Eu prestava atenção à vítima, porém, sentia seu olhar em mim. - É muito inteligente.

- É, eu sou boa no que faço. - Falei orgulhosa. - Uma cena de crime para mim é como uma tela e pintura que foi traçada pelo artista onde eu tenho que identificar todos os elementos e as falhas nele.

- Você parece ser bem esquisita.

- Tipo isso. – Falei a ele, que saía do quarto.

***

Muitos me perguntam por que escolhi North Weland. Bem, não foi pela agitação da cidade, pois ela não é assim, apesar dos seus pontos mais festivos. Também não foi pela família, tudo que eu tinha se perdeu no passado. Escolhi vir para cá por conta do seu silêncio e do clima. Era tudo tão melancólico, com dias mais frios e mais escuros. A neve caía bastante por aqui. As pessoas viviam suas vidas isoladas, se conectando apenas quando era necessário. Nunca fui de ter muitos amigos. Os que tenho respeitam a minha privacidade; eles sabem que não sou o homem brincalhão ou que gosta de piadas bobas, não saio do trabalho para beber em grupo, não vou às suas casas e conheço suas famílias, e também não falo muito sobre mim ou sentimentos, mas eles me respeitam. Essa cidade não é perfeita, apesar da sua beleza. Ela é apenas mais uma entre outras que tem o sistema corrompido. A máfia domina as favelas e ruas sujas, a polícia tem seu teto de vidro por onde se veem os defeitos, a política é mais um círculo do que democracia. O sistema não existe. Penso, às vezes, que cometi um erro ao vir, porém, ainda permaneço aqui. Agora, ironicamente, esse sistema falho quer me ferrar, vindo atrás de quem está fazendo alguma coisa. Me forçando a calar por alguns segundos. Não sinto medo, isso nem era uma ameaça para mim, entretanto, os olhos de todos, assim como da imprensa, estão sobre os meus atos e não é fama que busco.

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