Muito barulho, muitas pessoas, muito nervoso. Aperto minha mochila com as mãos e caminho em direção a secretária do campus. Tento ficar calma e fingir que ainda estou no meu quarto e que não vou precisar estudar fora, mas percebo que essa não é a realidade ao sentir muitos olhares sobre mim, não gosto da sensação. então abaixo a cabeça, aperto mais ainda a mochila, e também apresso os passos e assim, chego mais rápido à secretária.
- oi - levanto a cabeça e dou um sorriso, afim de deixar minha timidez de lado e ser um pouco gentil, mas é inútil. Meu sorriso murcha ao ver uma senhora do cabelo arrepiado mal humorada me encarando (ela parece a Cruella daquele desenho de tv).
- oque deseja flor? - ela inclina a cabeça para o lada e me dá um sorriso forçado.
- meu pai me matriculou ontem, mas não sei em qual turma estou. Pode ver para mim?
- ontem? Mas as matrículas se encerraram na semana passada.. tem certeza de que é nesse campus que foi matriculada?
- sim, oras - reviro os olhos ao ver ela me encarando
- não sei não.. - ela fala sem acreditar em mim Pego meu celular e ligo para o meu pai. Ele demora, mas me atente.
- oi amor, conseguiu achar sua classe?
- não papai, sua funcionária inútil não quer acreditar em mim.. - levanto a cabeça e percebo que a Cruella estava me encarando surpresa com o olho esbugalhado, bem feito.
- como assim? Pede pra falar com a Ellen - diz papai
- Ellen? - o olho da mulher se abre ainda mais..
- sim bebê. - afasto o celular do rosto e me preparo para falar com a Cruella
- com licença, eu poderia falar com a Ellen?-pergunto apreensiva por não saber quem era Ellen
- a Ellen? Claro, irei chamá-la. - ela usa o telefone por uns minutos e depois avisa que a Ellen está vindo.
- tabom, obrigada.. - agradeço ela e volto a falar com o papai no telefone - papai?
- Sim, anjo?
- a Ellen está vindo.. oque falo?
- não precisa dizer nada, dê o telefone a ela e eu mesmo falarei.
- tabom.. já consigo avistar uma moça loira, é ela?
- sim.
- olá, em que posso ajudá-la? - pergunta a loira com um sorriso gentil
- Ellen? - ela assente e eu estico o braço com o telefone - aqui. - ela confusa pega o celular
- oque eu faço com isso?
- atende. Meu pai pediu pra falar com você e está te aguardando na ligação.._ explico e ela assente colocando o celular na orelha
- pois não?- ela diz e aguarda a resposta vir do outro lado da linha, minutos depois ela responde de novo. - sei sim.. É ela? Pode deixar comigo.. a tratou mal? Sim, sim.. Pode deixar vou resolver.. tchau, tchau - ela desliga e me entrega o telefone - anjo, sua classe é a 445. Desculpe a demora..
- obrigada! - após eu agradecer, ela sorri e assente como resposta e se vira para a Cruella - pode arrumar suas coisas, está demitida. - observo elas boquiaberta
- ma.ma.mas por quê? - à secretaria a questiona com os olhos cheio de água
- você não pode estar na secretaria se não sabe recepcionar um aluno. - a loira já usava um outro tom de voz, soava rude e grossa
- Srt. Ellen, mil desculpas eu estava muito ocupada, achei que fosse só mais um aluno zuando com a minha cara como de costume, ainda mas que ela disse que se matriculou ontem.. me desculpe, por favor.. me desculpe. O meu filho estuda aqui, também da área de Medicina e você sabe que não é barato, mesmo com ele trabalhando a noite eu ainda tenho que o ajudar, por favor me deixe ficar, pelo o Lucas me deixe ficar.
- o Lucas é um excelente aluno, você também é uma excelente funcionária, mas a ordem veio de cima. Sinto muito mas não posso contrariar o chef
- espera aí - me intrometo na conversa delas - meu pai mandou fazer isso? Porque?
- seu pai? - a Cruella abre a boca
- sim, foi ele. - a Ellen fala orgulhosa.
- então pode voltar atrás! Não quero ser responsável por destruir dois sonhos no meu primeiro dia de aula, não mesmo.
- infelizmente não posso.
- pode sim! eu fiz meu pai fazer isso. Agora tenho que desfazer. Pode ficar, só é falar para o meu pai que foi um mal entendido e que eu pedi para ela ficar
- tudo bem. falarei com ele, mas não posso garantir nada.
- tabom, obrigada. Agora irei para classe, 445 certo?_ as duas assente e eu caminho para lá.
O corredor está vazio, tudo está em silêncio. Já se passaram mais de dez minutos e eu ainda estou estou perdida no 122 do segundo andar, apresso meu passo depois de ouvir alguem comentando que ficava no 4 andar. Acho uma escadaria e rapidamente a subo e avisto a sala 445 no final do corredor. corro rapidamente em direção a ela com um sorriso de vitória estampando na cara, mas acabo me chocando com alguém que estava saindo a sala
- POR QUÊ NÃO OLHA POR ONDE ANDA PORRA? PARECE CRIANÇA CORRENDO PELOS CORREDORES - ouço uma voz masculina enquanto me levanto e recolho meus livros que também haviam caído minutos atrás comigo.
- me.me desculpe - gaguejo baixo, e com a cabeça baixa pois não tenho coragem nenhuma para levantá-la e encarar a pessoa que acabara de me derrubar. O homem não fala nada, apenas da uma pequena volta por mim e caminha em direção as escadas, euen, isso que eu chamo de falta de educação. Balanço a cabeça para me dispersar dos pensamentos do recente acontecimento e de cabeça erguida entro na sala. Sinto meu rosto corar ao perceber que o olhar de todos se voltou para mim, tento avistar um lugar vago, mas são poucos. Então caminho para a última fileira do canto, próximo a mesa do professor que ainda não havia chegado. No caminho ouço rumores..
"olha, aluna nova" pronunciou uma menina "oloko, gostozassa" diz um garoto
- EI, GATA? - grita uma voz masculina, procuro ao redor para saber se é eu quem ele está chamando, paro de procurar ao avistar um cara loiro acenando em minha direção, ainda com dúvida de se era comigo continuo quieta só olhando para ele, ele olha para mim é abaixa o braço - vem e se senta aqui caloura - definitivamente era comigo que ele estava falando. Sem saber oque fazer, me sento ali mesmo na mesa do canto, sem o responder nada. Pego minha mochila, retirando minha agenda e guardo os livros na bolsa que estava vazia. (Não, eu não estou louca. Apenas peguei os livros hoje, por isso a mochila estava vazia). Estava vendo meus compromissos quando uma mão de homem encosta na minha carteira, levanto minha cabeça e me deparo com o mesmo loiro de minutos atrás, ele parecia alegre com um sorriso no rosto.
- prazer, sou o Lucas. - ele diz e em seguida estende a mão não sei exatamente como me comportar em relação a isso, ele é o primeiro homem que fala comigo, depois do meu pai é lógico. É que sempre vivi sozinha, nunca fui muito da vibe amizade, durante toda infância estudei em casa, não privadamente, foi uma opção minha sabe?! Bom, mas já que agora ele já está aqui, não custa nada fazer amizade.
- Oi, sou a Júlia. - aperto sua mão.
- olha.. - ele caminha duas carteiras atrás da que estou, pega uma cadeira vaga e volta para onde estou se sentando - a princesinha tem língua me sinto envergonhada então não digo nada, apenas sorri sem mostrar o dente
- então.. veio de onde? - pergunta o garoto
- sou de Seattle, me mudei para cá essa semana
- entendi..
- e você?
- sempre morei aqui na cidade, não aqui no bairro dos granfinos claro, mas sempre morrei aqui.. - Granfinos? Oque é isso?
- granfinos? - pergunto com dúvida
- sim, riquinhos sabe? Eles recebem esse apelido.. - ele diz com um sorriso no rosto
- sim. Entedi..
- mais e então?
- então o que?
- amigos?
- amigos. - confirmo sua pergunta Sou surpreendida por um abraço do mesmo
- poderia me soltar por favor? - ele rapidamente me solta
- me desculpe, é que estou acostumado a abraçar amigos. Não me entenda mal, por favor.
- sim, eu sei, mas é que não estou acostumada com isso
- tudo bem, então sem abraços_ ele da um sorriso meigo. Acho que deixei ele meio envergonhado, deveria abracá-lo para desfazer esse gelo que acabei de criar entre nós? Acho que sim, isso é normal entre amigos pego ele de surpresa com um abraço. Ele demora, mas retribui
- me desculpe, prometo que aos poucos me acostumo com esses afetos de amigos.
- tudo bem, se você for grossa te darei uns tapas - arqueio a sobrancelha o encarando - brincadeirinha kkkk - diminuo a tensão em que me encontrava e dou um sorriso.
- com licença, posso falar com a Júlia? - uma voz familiar me chama, mas o loiro se vira antes de mim
- Oi mãe, oque quer com a minha bff? - mãe? Bff? Me viro rapidamente para ver de quem se tratava, a mãe dele é a Cruella? Fico minutos olhando para os dois, vendo se encontrava alguma semelhança, mas nada. Então era ele o tal Lucas que ela citou mais cedo? Que loucura..
- ela é sua mãe? - cochicho baixinho para ele
- é sim - cochicha ele de volta
- Júlia? - a Cruella chama novamente meu nome
- sim? - respondo me levantando
- poderia vir aqui fora um minuto?
- claro. - vou até ela que segue em direção a porta e saímos da sala
- obrigada!. - ela diz e me surpreende com um abraço, o povinho que gosta de abraço viu..
- de nada, mas por quê? - pergunto após a gente separar o abraço.
- você conseguiu me ajudar manter meu trabalho..
- sério? - pergunto pensativa.
- sério? - a voz do Lucas surge atrás de nós, me viro e era ele.
- sim. a Ellen já queria me despedir a um tempo. Eu fui meio grossa com você mais cedo por esse motivo, estava preocupada com o futuro do Lucas, só tinha cabeça para isso. Daí quando você veio com o papo de ter feito a matrícula no dia anterior pensei que fosse um trote.. - meu Deus, coitadinha dela.
- mas por que ela te mandaria embora?
- porque ela é uma cobra.
- como assim? Ela foi um doce mais cedo..
- máscara. Ela deve ter amado quando seu pai mandou ela me demitir, pois ela só esperava um motivo e essa foi a chance perfeita..
- pai? Por que seu pai mandaria minha mãe embora? - pergunta o Lucas confuso
- me desculpe, foi tudo minha culpa. Eu que liguei para ele
- ma.mais como assim?_ ele ainda não entende
- ela é a filha do dono daqui, filho. - o Lucas rapidamente arregala os olhos
- o quê?? - diz ele surpreso
- sim. Mas não tinha má intenção, me desculpem por tudo - peço desculpa a eles. Enquanto isso um homem passa por nós, entra na classe e fecha a porta
- eu sei disso linda, mas é melhor vocês entrarem.. - diz a Cruella
- sim mamãe, depois teminaremos a conversa.
- quem é o cara? - pergunto ao Lucas enquanto voltamos para classe, já tinha me despedido da Tati e ela me fez prometer que iria até a sua casa tomar um café um dia desses.
- nosso professor
- bonito ele né?
- é, mas não é flor que se cheire. Agora mudando de assunto - ele passa a mão pelo meu ombro - por que não me disse que era filha do dono?
- porque você não perguntou.. - digo dando de ombros e ele sorri.
- vamos entrar, vamos bobinha..
- vamos sim, não comenta com ninguém sobre quem é meu pai. Não quero nenhum tratamento especial..
- tudo bem..
Bato na porta e a abro.
- com licença.
- tá atrasada! - diz o professor olhando para um papel.. a voz dele é familiar, me lembra alguém.. Flashback on* "- POR QUÊ NÃO OLHA POR ONDE ANDA PORRA? PARECE CRIANÇA CORRENDO PELOS CORREDORES" Flashback of* É ele.. o mal educado de mais cedo, é o professor... estou chocada!
- entra Juh. - cochicha o Lucas atrás de mim.
- já vou - falo e dou um passo para frente onde acabo tropeçando, caindo e fazendo a classe inteira rir de mim. O Lucas rapidamente me ajuda a levantar
- está bem? Se machucou? - ele pergunta procurando por machucados
- não, foi só uma quedinha, nada de mais_ rio e sinto que estão todos olhando para nós dois, inclusive o grosso do professor
- bobinha - ele ri e da uns tapinhas na minha cabeça.
- SALA DE AULA NÃO É LUGAR PARA NAMORO! - ele grita e eu e o Lucas nos viramos em direção a ele.
- SALA DE AULA NÃO É LUGAR PARA NAMORO, PODEM FAZER O FAVOR DE IREM PARA SEUS LUGARES? - o professor berra e eu e o Lucas nos viramos para ele espantados
- quem disse que somos namorados? - eu e o Lucas dissemos em unisom
- não me importa, vão e se sentem! - eu olho para o Lucas que ri e vai para seu lugar, eu também vou para o meu
- ei, você! - o professor chama, me viro para ver se é comigo
eu? - pergunto apontando pra mim, ele ignora e entra em outro assunto, mas era comigo
- você é nova aqui, não é? - jura que só percebeu isso agora?! Aé, estava oculpado demais sendo grosso com a filha do chef
- sim. - respondo apenas o que sai
- venha aqui - caminho até a sua mesa
- pois não?
- qual é o seu nome? - pergunta ele me olhando nos olhos
- Júlia Almeida.
- Júlia Almeida.. - ele repete baixinho e me perco ali, naquele cara arrogante de olhos negros, cabelos arrepiados e seu peitoral absolutamente definido em baixo daquele camiseta social branca. Ele era um ator de novela grega, disfarçado de professor. - a que derrubou mais cedo não foi? - ele me chama de volta a realidade, quebrando o encanto e me lembrando do ogro que realmente era.
- na verdade foi ao contrário.. - sai um cochicho dentre meus lábios, ele arqueia a sobrancelha tentando entender o que eu tinha dito. - m.me desculpe. - digo, mas a voz quase não sai
- tranquilo. vou na secretaria pegar seus documentos - ele levanta e eu me contenho para não olhá-lo de cima a baixo. - pode ir sentar lá.
Assinto e volto para o meu lugar e o observo sair da sala, o Lucas vem correndo para cá.
- eai, oque o mané queria? - ele pergunta após se agaixar ao meu lado
- relembrar que eu o derrubei..
- kkkkkkk você o derrubou? Como? Quando? Onde?
- não exatamente, ele estava saindo da sala e eu entrando, fiquei um tempão conversando com a sua mãe e acabei ficando atrasada pra aula, então meio que vim correndo e acabamos nos bicando e caindo.
- kkkkk queria ter sido você, para derrubar esse mané metido a besta. Ele é assim só porque é amigo do dono, inclusive está se gabando porque vai jantar na casa dele...
- O QUE???! - arregalo o olho, e ele ao perceber oque havia dito também arregalou.
- ele vai pra sua casa, e agora?
- me ajuda Lucas, isso não pode acontecer. Oque eu faço?
- porra Juh, pior é que não sei como te ajudar. Não sabemos nem quando ele vai pra lá..
- eu tô ferrada, me ajuda a pensar em algo
- me passa seu número. Te mando uma mensagem se souber de alguma coisa a mais - passo meu número a ele e continuamos tentando pensar em algo enquanto ele não volta - estamos ferrados..
- estou né..
- se você está, eu também estou, não estou? Somos amigos e irei te ajudar
- certo, obrigada. - ele me dá um abraço e eu retribuo. O professor entra na hora
- Lucass, fora do lugar de novo Lucas? - eu e o Lucas separamos o abraço e ele volta pra seu lugar - então classe, como temos uma aluna nova. Vamos voltar um pouquinho no assunto dos semestres atrás para ela nos acompanhar..
- com licença, prof• - levanto a mão
- sim? - o professor me dá atenção
- não precisa mudar o assunto por minha causa, estive estudando em casa antes de vir para cá - na verdade eu já sei de quase tudo, pois meu pai me ensinou desde os 6 anos e por isso eu já sei do assunto é não quero atrasar o resto da classe.
- sabe, é?
- sim.
- e quem é que te falou do assunto?
- o Lucas. - minto, e ele me dá um olhar fuzilador, o Lucas também.
- o Lucas né?.._ ele repete oque eu acabara de dizer
- sim, ele esteve me enviando um resumo da matéria enquanto eu não chegava - desculpa Lucas, mas não posso revelar minha identidade.
- hmm, sei, sei. A cabeça se divide em quantas partes? - ahh, fala sério. Ele está mesmo me perguntando isso?
- duas - respondo o óbvio.
- e quais são elas?
- face e crânio. - reviro os olhos
- quantos ossos tem o crânio?
- oito ossos professor - respondo, e antes que ele fosse perguntar outra coisa idiota eu completo- e a face 14, 24 costelas, 7 mini ossos no carpo, 2 fêmur, 2 rádios, 2 unas, 2 úmeros, e vários outros totalizando a 208 ossos, tá bom de osseologia né? - ele me olha com uma cara de tacho
- okay, foda-se. - professor pode falar palavrão na classe?! - estava tentando te explicar o básico, mas já que esta querendo dar uma de espertinha já vai participar da prova de hoje com os outros.
- que prova? - todos (menos eu) perguntam em um unico som.
- a que eu descidi passar agora. Guardem o material, é sem consulta. - O pessoal guarda o material e ele distribui a prova para todos. - as provas são diferentes umas das outras, não tentem colar. Vocês tem 45 minutos, e ahh - ele se vira para trás me fitando - as provas estão em um nível avançado. - dou um sorriso para ele e abro a minha prova.
1- de qual lado costumamos fazer a bolsa de vasectomia?_ sério que esse é o nível avançado? Essas provas deveriam ser distribuídas para a turma de enfermagem, não de Medicina. Respondo-a e vou para a próxima rindo do que lia. sério isso? Essas perguntas estão extremamente ridículas nego e sorrio a segunda. A terceira pergunta queria saber a grande e a pequena circulação sanguínea. Eu respondi o óbvio. Que a pequena saia do ventrículo direito pela artéria pulmonar para os pulmões, onde fazia a hematose e voltava para o átrio esquerdo através da veia pulmonar. E que a grande saia da artéria aorta e blá, blá, blá. Enfim, a prova tinha 60 questões e conforme foi aumentando a questão, a dificuldade também aumentava, oque era bom, pois eu achava que continuaria aquela coisa tosca até o final. 25 minutos se passaram e estou na última questão, a qual citava a respeito de uma cirurgia de AVC. Nossa turma iria se especializar em neurocirurgia, então ele meio que já estava tentando nos ensinar a respeito.
- terminei - falo assim que escrevo meu nome no início da Folha.
- certeza? - pergunta o professor com uma cara de espanto, os alunos também fizeram a mesma cara que ele.
- sim. - digo confiante
- pode trazer a folha e sair, por hora está liberada. - Guardo minhas canetas, pego a minha bolsa, caminho até sua mesa e lhe entrego a prova, logo após saio da classe.
Cerca de uns dez minutos caminhando perdida resolvo me sentar em um banco que encontrei no primeiro andar, verifico meu celular e há uma mensagem de um número desconhecido. Abro-a, era o Lucas.
Lucas: acabou rápido.. já foi para casa?
Júlia: queria ter ido, mas estou perdida
Lucas: onde?
Júlia: aqui no campus kkkkk
Lucas: mds kkkkk. Não acredito, me fala onde mais ou menos você está que eu tentarei te encontrar.
Júlia: estou no primeiro andar, em um banco próximo a biblioteca.
Lucas: estarei aí em 5 minutos.. não saia daí Júlia: okay. Guardo meu celular e fico esperando por ele que já está a caminho, minutos depois ele chega próximo a mim
- mentindo com meu nome mocinha? - rio
- foi mal.. não tive outra escolha
- "foi mal".. kkk um dia aqui e já parece malandra - rimos - foi péssimo. O Mattew já não ia com a minha cara, agora ele só quer me matar.
- kkkkkk desculpa.
- Me diz aí, oque achou da prova? Eu achei mediana e você?
- não estava difícil
- Como conseguiu ser a primeira terminar se você não tem a matéria que estudamos?
- é que aprendi isso com 10 anos..
- aé, desculpa aí filhinha do chef_ ele se faz de ofendido em tom de brincadeira e rimos.
- me guia até a cantina por favor? estou perdidassa.
- claro, mas tem que me pagar um hambúrguer - ele me estende a mão
- pagarei - pego sua mão e andamos a caminho da cantina. Já lá, entramos na fila e faço meu pedido.. - vou querer duas coxinhas, um hambúrguer com batatas, 3 pães de queijo e uma Fanta uva de 600 ml por favor - a moça assente e anota meu pedido - e você anjinho, oque vai querer?
- eu? Nada não, estou sem fome
- como assim? Impossível não estar com fome depois daquela lorota toda daquele velho - eu falo revirando os olhos e ele da uma risadinha, minutos depois cochicha em meu ouvido
- é que eu estou meio sem grana.. deixa para um outro dia
- mas quem vai pagar sou eu - cochicho de volta
- de jeito nenhum, já estou acostumado a não comer nada.. em casa eu almoço. Pode ficar tranquila
- para ele é o mesmo que o meu - ele fica fazendo que não com a mão, mas não dou bola
- certo. Deu 140 reais - pego meu cartão e entrego a ela - é débito.
- certo. - após passar o cartão e pegar um cupom, caminhamos para a fila ao lado para aguardar e retirar o pedido
- você não se acha louca? Não precisava se incomodar comigo..
- lógico que precisa, não somos amigos agora?! - ele assente e eu continuo a falar - então, a partir de hoje não irei mais deixar você com fome, meu pai pagará a nossa merenda. - ele abre a boca, mas eu a tapo com a minha mão - e nem adianta retrucar. - Ele por fim se cala. Após pegarmos nosso lanche caminhamos a uma mesa..
- você é muito exagerada, não precisava ter comprado tudo isso
- precisava sim, só iremos sair daqui 16 horas e agora ainda é 13 hrs
- mas eu não vou conseguir comer isso tudo
- não tem problema, coma o quanto conseguir
- certo. - Comemos nosso lanche caminhamos de volta para sala - ainda não acredito que você comeu aquilo tudo sozinha..
- você comeu o seu inteiro também
- mais você é mulher!
- oque tem? Não posso comer porque sou mulher? Sou mulher, mas a minha fome é de Leão.
- kkkkkk por isso que é gorda desse jeito - oque? Não acredito que ele me chamou de gorda
- NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ME CHAMOU DE GORDA!!!! - grito enquanto bato nele, ele ri correndo.
- vamos voltar logo, até porque nem deu a hora do intervalo. Era para a gente ficar no corredor esperando os outros acabarem para voltar para a sala.
- sério? - digo surpresa, mas depois lembro que ele não pode fazer nada comigo, porque sou a filha do chefe - não estou nem aí - dou de ombros
- kkkkkk você não vale nada, por isso gosto de você! -
- que horas é o nosso intervalo?
- 14:30
- até lá a minha barriga já muchou, da para gente comer um lanchinho...
- quê? Você acabou de comer a cantina inteira e já está pensando no que vai comer daqui uma hora e meia?
- isso mesmo - eu digo e ele balança a cabeça. Após chegarmos ao 4 andar observamos o corredor vazio - Lucas, ou todo mundo ainda está fazendo a prova, ou..
- estamos fodidos - o Lucas completa para mim batemos na sala e entramos
- com licença - dissemos juntos
- os dois - o prof nos mira com um olhar fuzilador - me esperem lá fora, iremos bater um papo.
Eu e o Lucas não falamos nada, apenas saímos
- escutem aqui.. se pensam que vão estragar meu dia estão muito enganados!! Essa é a minha classe e o Lucas conhece muito bem as minhas regras. Não tem nem um dia que você chegou garotinha - ele aponta para mim - e já está virando minha classe de cabeça para baixo?
- me desculpe professor, juro que não foi essa a minha intenção
- não adianta retrucar, só não deixo vocês aqui fora porque eu não quero esquentar minha cabeça. Justo hoje que tenho um jantar com alguém especial - gelo e olho para Lucas, que parece pensar o mesmo que eu
- vai jantar com quem professor? - pergunta o Lucas com medo
- que menino abusado! Não que seja da sua conta, mas eu vou jantar na casa de um amigo antigo. Senhor Bittencourt - arregalo ainda mais o olho..
- fudeu Lucas.. fudeu_ deixo escapar e acho que foi alto demais porque o Lucas assentiu
- que boca porca é essa menina? Oque fudeu?
- nada professor, eu estava com a cabeça em outro lugar, me desculpe.
- que merda! Devo pagar para que prestem atenção quando eu falo com vocês? - diz ele incomodado
- novamente peço desculpas
- tudo bem, não vou me estressar com vocês, entrem ande! - Voltamos para sala, nos sentamos em nossos lugares e assistimos atentamente a chata aula de anatomia
No intervalo..
- mano estou fudida - falo para o Lucas que assente enquanto caminhamos a cantina..
- não achei que seria tão rápido esse jantar, oque vamos fazer?
- não faço a mínima idéia..
- fica comigo - o encaro com a sobrancelha arqueada. sério que ele veio me perguntar isso em uma hora dessas? Ele logo nota que entendi no sentido errado e se corrige - assim não idiota, eca.
- eca? Tá querendo me ajudar ou me ofender? - ele ri e me abraça
- me desculpe amiga, é que você só não faz meu tipo..
- rum! - dou de ombros e viro para o lado oposto me soltando do seu abraço
- estou falando para você sair comigo enquanto ele janta com o seu pai..
- graças a Deus uma solução! - volto a olhar para ele com um sorriso de orelha a orelha. - Só tem um problema...
- qual?
- você terá que ir na minha casa e pedir pessoalmente ao meu pai
- que? E.eu falar diretamente com o chefe? - ele gagueja
- o meu pai não é o seu chefe, Lucas! - dou risada da sua cara de pavor
- mas é o da minha mãe
- mesmo assim, ele é legal! Mas só deixa se você pedir, você pede?
- peço - ele assente após pensar por muito tempo. Dou pulinhos de alívio e o abraço - não está muito perto não? Pra quem não gosta de abraços..
- ihh.. acabou com o clima mané
- clima? - Luk arqueia a sobrancelha com um sorriso sapeca no rosto
- É. E isso me deu fome, vamos comer!
- que? Tá brincando né?
- não. porque estaria?
- comer? De novo?
- não é mais lanche né bobão. Vamos tomar sorvete.
- não estou com vontade de tomar, mas vou com você..
- beleza - Nós andamos até a fila do sorvete, o Lucas estava decidido não comer o sorvete até chegar nossa vez e ver o mega combo com açaí e resolveu querer, compro um combo para cada e vamos para o jardim
- sabia que não resistiria.. ninguém nega açaí..
- sentamos no chão apoio minha cabeça em seu ombro.
- concordo.
- vou ligar para o meu pai..
- pra que?
- vou avisar que você vai ir lá hoje..
- já estou me arrependendo, mas vai fundo - Disco o número do meu pai, após encontrá-lo na agenda. Ele atende no segundo toque
- oi anjo, como está sendo seu dia? Está se dando bem com esse novo ambiente? Fez amizades?
- oi papai, estou me dando bem sim. Fiz amizade também, inclusive estou ligando para pedir para sair com o meu novo amigo, posso?
- amiGO?
- humrum - sorrio para o Luk que ri após eu imitar o papai bravo no telefone.
- Sabe que não gosto que saia.. E hoje tenho um jantar com um colega e quero que esteja presente - faço um sinal negativo para o Luk, ele faz cara de choro me dando uma maravilhosa ideia
- mas papai..
- não tem mais, nem menos! - começo a fazer sons de choro usando o dom de atriz que a globo me deu.
- mas eu nunca tive amigos, e agora que tenho v.você não deixa eu me divertir - dou risada e abano a mão, o Lucas me olhava boquiaberto
- não precisa chorar princesa, só quero que entenda que homens tem sempre segundas intenções com garotinhas inocentes, por isso eu não vou permitir.
- o Lucas é gay papai! - o Lucas arregala o olho e cospe todo açaí que estava em sua boca, eu seguro o riso e prossigo com meu drama
- Bom. Assim melhora meu ponto de vista.. Faz assim, mande ele vir aqui hoje falar comigo e se ele for uma boa pessoa, eu permito.
- obrigada, papai. Te amo muito, muito, muito!
- cadê o choro, Júlia?
- ops! ou uma risadinha sinica e digo - bye, bye. - desligo.
- gay? Tá maluca é Júlia? - não consigo mais conter a risada e gargalho da sua cara.
- desculpa, migo. Ele não iria deixar se eu não falasse isso
- papai é muito chato para o meu gosto - ele me zoa por eu chamar eu pai de "papai"
- pode parar besta! - dou-lhe um tapa.
- tá preparada?
- que? Como assim? Preparada pra que? - ele deixa seu açaí de lado e paga o meu da minha mão e deixa na grama. - ei! O que pretende fazer?
- vou te mostrar que sou um homem de verdade. - em fração de segundos ele me deita na grama, segura minha mão prendendo acima da minha cabeça e passa por cima de mim. Do nada começa a fazer cócegas em mim.
- HAHAHA para com isso, Lucas! - imploro, já quase fazendo xixi nas calças.
- só depois de você confessar.
- confessar o que? Kkkk.
- que eu sou um puta macho!
- kkkkkk
- vai falar ou não? - assinto já sem fôlego e ele me solta. Respiro fundo pegando o máximo de ar possível. Me levanto, jogo o pote de açaí fora, com o Lucas me seguindo o tempo todo. - anda logo, Júlia!
- vou falar agora, pera. - respiro fundo uma última vez - Lucas, você é um grande filho da puta! - ele fica boquiaberto e antes mesmo que ele possa reagir corro dele em direção à classe, lá ele não iria me atacar. Ele me alcança minutos antes de eu entrar na sala e me agara por trás.
- buh!! Te peguei! - ele sussura em meu ouvido e eu torno a rir sem nem ao menos receber cócegas.
- Lucas nem pense nisso - falo entre os risos me debatendo contra ele para me soltar. Ele me segura mais forte. Dou um passo pra frente, mesmo assim ele me acompanha e não consigo me soltar.
Continuo me arrastando até entrar na sala. Lucas me solta quando seus olhos cruzam com o do professor que nos encarava de cara fechada e braços cruzados. Ele estava parado perto da porta, mas respira fundo e vai para sua mesa se sentando sem dizer nada. Lucas ri e da de ombros e para evitar mais confusão vamos para nossos lugares, aos poucos o pessoal foi voltando e a aula retomou. As aulas prosseguiram até as 16:30 antes de irmos embora.
Caminho com o Lucas para rua de trás do campus, meu motorista me esperava lá como eu havia solicitado mais cedo.
- falta muito ainda? - ele pergunta todo soado
- calma, o Silas tá me esperando na próxima rua
- quem é Silas?
- meu motorista..
- ah é, você é riquinha.. óbvio que teria motorista, mas porque esse folgado não foi buscar a gente no campus?
- quer que eu seja descoberta?
- tinha esquecido kkk - ele ri ao se lembrar da minha situação.
Avisto meu carro e olho em volta para certificar de que não havia mais ninguém no local
- é aquele ali - aponto para o Audi preto que me aguardava
- uauu - ele fica paralisado ao ver o carro
- lindo né? - ele assente - é meu - ele me olha boquiaberto
- seu?
- sim, mas tenho preguiça de dirigir. - Ele continua boquiaberto com o carro e abismado comigo por ter preguiça de dirigir o Audi do ano, mas o puxo para dentro do carro antes que alguém nos veja
- vamos logo, mané! - ele entra e fecha a porta - bom dia, Silas! - falo ao meu motorista
boa tarde senhorita Bittencourt - ele me corrige e dou risada por trocar o fuso - atrapalhada como sempre, né julhinha?
- tô tentando mudar isso.. - ele nega rindo
- você diz isso desde quando nasceu.. - ele olha para o Lucas através do retrovisor - de namorado novo no primeiro dia?
- sim/não - eu e o Lucas falamos ao mesmo tempo.
- não sou sua namorada seu panaca! - dou um tapa na cabeça dele que grita "ai" e passa a mão onde bati, Silas ri da gente.
- não briguem crianças, seu pai quer vocês ainda vivos.. Se eu chegar com vocês mortos ele me mata
- é bom que fazemos uma festa na outra vida kkk - o Lucas fala e leva outro tapa, mas dessa vez do Silas. Eu dou risada disso tudo
- não fala besteira garoto - o Silas o repreende e começa a dirigir. Isso é a última coisa que ele fala eu e o Lucas também não falamos mais nada, a caminho de casa pegamos no sono e o Silas nos acordou no destino. - Acordem! Chegamos. - eu e o Lucas damos um pulo e saímos do carro
- obrigada Silas! - falo ao sair do carro
- valeu coroa - o Lucas fala e toca na mão dele. Caminhamos pelo jardim até chegar a porta - não me falou que morava em um castelo, se tivesse me avisado eu teria vindo mais arrumado - ele fala cheio de tique
- minha casa nem é tudo isso, para de tique! - Entramos e nos deparamos com meu pai sentado em sua poltrona de sempre - papai! - corro e o abraço, ele beija o alto da minha cabeça e eu me sento em seu colo
- oi meu anjo, como foi seu dia?
- muito bom, aquele é o Lucas. - aponto para o Lucas que ainda estava parado na porta. - e Lucas, esse é o meu pai - Lucas se apróxima sem dde papai e estende a mão - é um prazer ver o Sr, Sr Bittencourt - meu pai aperta sua mão
- igualmente pequeno - ele diz ao Lucas e minutos depois se vira para mim e fala - já pode subir Júlia
- como? - pergunto desentendida
- sobe para o seu quarto. Quero falar com o pequeno Lucas a sós. - Vejo Lucas fazendo que não com o dedo, isso me diverte
- tudo bem, esperarei lá em cima - rindo da cara de desespero do Lucas subo para o meu quarto.
Um tempo depois alguém bate em minha porta, deve ser alguém com alguma resposta pois dois já estão conversando cerca de 20 minutos. Abro a porta era o Lucas, ele me parecia muito aliviado
- entra. - dou espaço para ele e ele entra e se joga na minha cama, nada abusado ele.
- estou pra-cu-lá! - ele rola pela cama com os olhos fechado, fecho a porta e caminho até a beira da cama
- e o que é isso? - ele senta
- não sei, minha mãe fala isso pra quase tudo que eu nem sei mais para oque serve, mas no momento estou usando para barriga cheia - ele coloca a mão na barriga
- quê? Não estou entendendo nada..
- você é muito burra euen, estava comendo sua sonsa!
- para de me xingar seu ridículo, eu não quero saber se estava comendo ou deixou de comer, eu quero saber o que resolveu com o meu pai
- ah, é isso? Porque não me avisou antes... Vai se arrumar, vai, o tio deixou você sair comigo. - meu sorriso vai de orelha a orelha
- sério? AAAAAAAAAAAAAAA - dou um grito empolgada e aliviada por saber que não vão descobrir quem eu sou
- para de ser histérica e vai logo se vestir - ele torna se deitar e pega o celular - qual a senha do Wi-Fi?
- ai, estraga prazeres! - reviro os olhos, pego minha toalha e vou para o banheiro
- ainda vai tomar banho?
- cala a boca e procura uma roupa para mim! - bato a porta e vou tomar meu banho.
- qual a senha??
- vai se foder!! - ligo o chuveiro e tomo meu banho levando cerca de 20 minutos no banheiro.
- não acredito que a senha do Wi-Fi é vai se foder kkkk
- achou que eu estava te chingando ? - ele da de ombros, saindo de perto do guarda-roupa e voltando pra cama
- você faz isso o tempo todo.. tive que confirmar com a empregada kkk
- conseguiu achar algo para eu vestir? - ele nega .
- você só tem trapo amiga, nada digno de balada.
- mas eu tenho tantas..
- mas nenhuma apropriada para hoje, quem vai sair com você usando esses blusões? Eu não vou. - dou risada da cara que ele fez ao me olhar de cima a baixo
- tá legal, já falei que não precisa me humilhar... vamos sair e comprar outra roupa. - ele ri e me joga um macaquinho preto.
- veste isso é vamos às compras! - vou ao banheiro me visto e penteio meu cabelo. Pego tudo o que eu iria precisar para mais tarde
- sabe dirigir Luk?
- sim, ainda me lembro de algumas coisas
- vamos com o meu carro?
- sério isso?
- sim, eu tenho medo de dirigir, mas confio em você.
- não tenho dinheiro para pagar o concerto não hein
- relaxa, bobão!
Descemos, eu pego a chave do meu carro com o Silas e me despeço do papai que estava saindo para uma reunião com alguém do trabalho.
Eu e o Lucas fomos ao shopping do centro. Comprei uma calça moletom linda, tudo bem que era da moda masculina mas era linda. Junto dela comprei mais 5 parecidas e uns 3 blusoes maras. O Lucas não aceitou minhas roupas, disse que era iguaiszinhas as da minha casa, ele escolheu um absurdo de vestido de puta, ainda não sei como me enfiei nisso, o vestido era cinza, e tinha um super decote V que ia até o umbigo, ele é de alcinha e fica uns 2 palmos acima do joelho. Depois de muita luta consegui convencer o Lucas a comprar algo para ele, ele fez questão de escolher o modelo mais simples, disse que não queria me dar gastos, mas percebi que ele havia gostado de outro modelo e que não havia pego por ser caro (para ele). Então peguei o modelo que ele havia gostado e escondi e na hora de pagar fui sozinha ao caixa e passei o simples e oque ele havia gostado. Ele ficou indignado, mas feliz acabou aceitando, comemos um lanche do Mc' depois nos trocamos na casa dele e de lá fomos a uma boate
- ainda não acredito que você conseguiu convencer meu pai - grito pois a música estava muito alta
- eu consigo qualquer coisa que quero bebê - grita ele de volta e me puxa até o bar - você me deu a roupa, agora eu pago a bebida
- bebida?
- não, água.
- ah, tá. - falo aliviada
- que ata o que?! não vim aqui para beber água.. - ele vira ao barmen_ eu quero dois whiskys duplos, por favor!
- não, Lucas. Eu não bebo.
- há uma primeira vez para tudo, não é?! - Resolvo aceitar a bebida, que por sinal é horrível, super amarga não sei como podem gostar disso. Bebo copo todo quase vomitando..
- bom né? - pergunta o Lucas
- humrum - minto.
- quero dois coquetéis com vodka - ele torna a pedir para o garçom.
- não! - grito para o garçom, que para e olha para o Lucas, também olho para ele e falo -Não quero mais beber.
- mas esse quase não vai álcool, é só pra ajudar você se soltar
- tudo bem - ele faz um joinha para o barmen que torna a preparar o drink e nos entrega minutos depois o copo - bonitinho
- obrigado! - Lucas agradece crente de que foi pra ele
- não estou falando de você ridículo, estou falando do copo, olha esse guarda-chuvinha - falo rindo para o pequeno garda-chuva no canto do copo
- ihhh, já tá é doida. Vem, vamos dançar - ele ri e me puxa para a pista. Ficamos ali dançando e bebendo bastante tempo até chegar umas mulheres perto do Lucas e ele sumir por uns 15 minutos e voltar falando - vamos anjo?
- pra onde?
- para casa ué. Já está tarde, vou te deixar em casa pois tenho outro compromisso se é que você me entende.. - ele me oferece um sorriso torto e olha para as duas meninas
- que safado você em.. mas e se o outro ainda estiver lá em casa?
- confia em mim, ele já foi.
- será?
- qual jantar fica até as.. - ele olha o relógio no pulso - 00:21?
- é.. acho que nenhum
- então.. Vamos? - vamos, sim. Ele se afasta e chama duas meninas que vem conosco para fora da boate e caminhamos até o meu carro.
- consegue dirigir? - pergunto apreensiva já que ele havia tomado todas.
- claro amor, confia em mim. - eu realmente confio muito no Luk, mesmo sendo ele meu primeiro amigo e eu ter conhecido ele hoje. Entro no carro e seguimos viajem, ao me deixar em casa, ele pede para eu deixar o carro com ele, eu deixei, mas é claro com promessa de que nada iria acontecer ali.
Caminho cambaleando pelo meu jardim onde paro para vomitar nas plantas do meu pai, amanhã ele me mata kkkkkkk. Entro e vou até a cozinha pra ver se acho algo para comer e encontro um banquete na minha frente, junto dele estava Márcia, uma das empregadas da casa.
- ué, marci por que essa comida toda ainda está aqui?
- bem vinda srt. Júlia, seu pai e o amigo ainda não apareceu para o jantar..
- eita. Sério? - engulo em seco. - será que cancelaram?
- provavelmente sim, já está tarde. Acho melhor desmanchar tudo.
- não, não precisa. Eu comerei tudo
- sério?
- sim, pode ir descansar.
- obrigada! - ela diz e se retira
Me sento e pego um enorme pedaço de coxa de frango e quando eu ia morder a campainha toca
- já vou! - grita a Márcia
- pode deixar que eu abro marci - será que o papai esqueceu as chaves?! Caminho até a porta comendo uma coxa de frango, destranco-a e me surpreendo com quem eu menos esperava, era ele.
- você? - falamos ao mesmo