Pov. Júlia
Sorrio ao ver papai em meio a multidão que procurava por seus familiares no aeroporto. Ando até ele e o abraço matando a saudade.
- mais que saudade eu estava desse abraço!!
- oi, filhinha! deixe-me ver como você está - ele se afasta e me observa - está magrinha demais, não acha?
- a onde isso? - sorrio - estou uma bolota
- não concordo - ele para de falar e repara a Gabi - deixe-me ver essa coisinha.. - ele sorri e a pega em seus braços - que coisinha mais fofa! - ele brinca com a Gabi e ela ri - vamos para casa filha. - ele passa a mão por meu ombro e caminhamos.
No estacionamento, a caminho do carro rimos de um casal que brigava, mas nos metemos e continuamos caminhando até chegarmos ao carro, onde entramos e seguimos para casa
Pov. Matt
Saio rapidamente do estacionamento a caminho em direção ao portão em que a Rebeca desembarcaria.
- anda logo Tayssa!! - apresso a morena que andava igual a uma largatixa
- vai na frente, porra!
- então fica ai sua lesma! - torno a andar e logo vejo ela me acompanhar.
Eu, a Rebeca e Tayssa não nos desgrudamos depois do baile. Elas não tinham para onde ir, as deixei ficar na minha casa por um tempo e estão lá até hoje. Sou mais grudado com a Tay, mas amo as duas por igual. Rebeca havia viajado para o Brasil para fazer um curso de administração e hoje está de volta, ela exigiu que pegassemos ela e aqui estamos. Ela nos avista, sorri e grita
- puto, puta!! - nos sorrimos. ela corre e pula em meus braços entrelaçando minha cintura com as pernas, eu fortemente a abraço matando a saudade da minha amiga
- ô falsidade! - rosna Tay, nos rimos e eu a coloco de volta no chão e ela abraça a Tay.
~•••~
- Como foi o curso? - pergunto concentrado na estrada
- tranquilo, já posso administrar sua grana
- como você sonha alto - fala a Tay e nos rimos
- que foi? Não confia em mim? - nego
- mano, você me deu Ecstasy - me recordo de quando nos conhecemos
- e você me amarrou!
- eu não fiz isso, foi o Tomé! - rimos
- mesmo assim, eu nem sabia que era você o dono da porra toda..
- beca.. - puxo outro assunto - tô pensando em abrir um negócio
- sério? - ela sorri - O que?
- um hospital
- que? - ela ri - achei que abriria uma fábrica de armas, ou algo do tipo. Não um hospital..
- vamos na receita comigo mais tarde? - beca da ombros
- serio isso? - assinto - vamos.
Deixamos a Tay em casa e enquanto a beca descansava eu preparava os papéis. Assim que ela acordou nos fomos e como não estou envolvido com nada, eu consegui comprar um prédio na cidade. Eu assinei como proprietário e ela como diretora.
- digamos que agora nós dois somos sócios - ela sorri enquanto seguiamos a arquiteta a caminho do prédio
- fiquei encurralado - falo e recebo um tapa na cabeça. Esfrego o local do tapa, sorrindo.
Eram três prédios bem largos de 15 andares, comentamos com a arquiteta o que queríamos mudar, disse para ligar um ao outro, mudar a cor, piso e algumas coisas mais. Após isso voltamos para o morro
- conseguiram? Achei que tinham sido presos e que nem voltariam mais.. - zomba a Tay assim que entramos em casa
- cala a boca Tayssa! - dou risada me jogando no sofá
- se liga aí, Tay. Tu tá falando com a diretora do beca hospitals
- Quê? - eu e a Tayssa falamos ao mesmo tempo caindo na risada
- ela é a diretora? - pergunta a Tay e eu assinto - e eu? - ela faz bico
- minha assistente.
- até que não é tão mal assim.. - ela dá de ombros sorrindo e sobe para o seu quarto
até o final do mês já termina a reforma, no começo do mês que vem inauguramos. - passo para a Rebeca as informações do papel
- certo chefe - Beca assente e também se retira.
Pov. Júlia
Hoje faz um mês e meio desde que venho rodando a cidade com os exames de papai a procura de um médico para o operar.
O diagnóstico ainda não foi dado, cada médico diz uma coisa. Papai se auto-diagnosticou, indo ao contrário do que todos os médicos diziam. segundo ele só uma pessoa além dele capaz de realizar a cirurgia, mas não cita de jeito algum quem ela é.
- o doutor tem certeza de que não consegue realizar a cirurgia?
- tenho sim, pois os exames dele são muito confusos. A instabilidade é imensa, prefiro não arriscar. Mas conheço um cirurgião geral que se especializou em todas as áreas, ele com certeza saberá como te ajudar
- certo, Doutor. - assinto desiludida, pois eu já sabia que esse tal cirurgião era o meu pai, mas não seria possível ele mesmo se operar - obrigada, Doutor. Tem mais algum outro médico que possa me indicar?
- ahh - ele parece se lembrar de algo - conheço um outro cirurgião ótimo, inclusive ele acabou de inaugurar um hospital próprio...- corto a ladainha e vou direto para onde me interessa
- pode me passar o endereço? - ele engole em seco e sorri
- claro! já pego. - ele fuça em algumas coisas e por fim escreve o endereço em um papel e me entrega
- obrigada! Vou para lá agora mesmo. - falo e saio de lá imediatamente.
Entro no carro ansiosa, pego as chaves e o ligo o arrancando para longe dali, por pouco não percebo meu celular vibrando no bolso da calça.
- alô? - atendo Enzo no telefone
- Oi, Juh. Como vão as coisas por aí? - coloco a chamada no viva voz, penduro o celular no suporte e troco a macha do carro, o acelerando.
- na mesma.. acabei de sair de mais um médico e nada
- sério, Juh? Que porre!
- mas pelo menos ele me deu um endereço de outro médico.. ele é o dono do novo hospital da cidade que comentei
- sei.. sei.. Meu avião acabou de pousar
- o que? - pergunto confusa - pousar aonde doido?
- estou no Estados Unidos. Vim para lhe apoiar
- m.mas e o seu trabalho?
- isso não importa agora, me espere em frente ao tal hospital. Vou te encontrar lá.
- certo, e mais uma vez.. obrigada! Obrigada por tudo!
- beijos, linda! - ele desliga.
Ao chegar, estaciono e saio do carro. Fico em frente ao hospital esperando pelo Enzo que demora umas meia hora já estava vindo do aeroporto que ficava um bocado longe daqui
- AH, que saudade eu estava sentindo de você!! - o abraço forte
- eu também minha pequena, eu também.. venha, vamos subir..
- e suas malas? - pergunto curiosa
- é verdade, me dá as chaves do carro. Vou lá guardar e já volto. - sorrio e lhe entrego as chaves. Ele vai e em instantes já está de volta - vamos?
- vamos! - ele passa as mãos em volta das minhas costas e caminhamos para dentro do grande edifício. Ao entramos recebemos uma autorização para subir até o último andar e falar com o tal cirurgião e também dono desse lugar
- já falei disso com o Zinho, não brô... ele já disse que não sobe hoje! - passa por nós dois uma linda morena falando gírias no telefone
- bonita né? - comento baixinho com o Enzo
- sim, muito bonita. Você a conhece?
- não.. vi ela um dia desses brigando com um cara - me recordo das cenas do aeroporto e sorrio.
Entramos no mesmo elevador em que ela estava, ela se mantém com a cabeça abaixada, falando no telefone. Subimos com ela uns 4 andares
- com licença - pede ela sem olhar para gente, damos passagem a ela que desliga o celular e sai. A vemos correr e pular nas costas de um cara de jaleco
- me solta porra! - soa em tom brincalhão uma voz que já havia ouvido antes.. deve ter sido no aeroporto discutindo com ela.. O elevador se fecha nos levando para o último andar e contínuo a tentar assemelhar um rosto a voz que acabara de ouvir.
- oii! - comprimento a recepcionista que nos olha e sorri
- boa tarde, oque desejam?
- gostaria de falar com o cirurgião chefe
- certo, só um momento. - ela telefona para algum lugar - você esta perto do chefe? - ela guarda uma resposta - tem um casal procurando por ele - certo. - ela desliga o telefone e sua atenção volta para nós - esperem um minuto, ele já está subindo..
- certo, obrigada! - Uma porta ao lado da secretária se abre e sai dela uma linda ruiva com uma mini saia social preta curta, de paletózinho também preto e um enorme salto agulha, coisa típica de mulher de negócios
- jô, você viu se o meu batom cai.. - ela ergue o olhar em nossa direção e abre a boca em O, sorrio gentilmente a ela. - vocês...
- olá! - a comprimento
- o que eles fazem aqui? - ela me ignora e fala com a recepcionista
- eles querem ver o Zinho
- mano.. que cara de pau! - ela nega com a cabeça e sorri - o Zinho não pode atender vocês no momento, podem se retirar imediatamente por favor
- ma..mas a recepcionista acabou de nos falar que ele já estava subindo - explico confusa
- droga! Por que diabos você não me avisou que eles estavam aqui?! - ela se altera com a empregada - já não te falei que quem vai falar com a porra do chefe tem que passar por mim antes??
- me desculpe.. - a secretária se desculpa já soluçando
- não precisa a tratar assim.. - falo e ela volta a olhar para a gente
- o que vocês ainda fazem aqui? SAEM LOGO DAQUI PORRA!! - ela novamente se virar para secretaria - liga pra Tayssa, e fala pra ela não deixar o chefe subir!
"Plim" - escuto o elevador se abrir atrás de nós, mas não me viro.
- tarde demais.. já estou aqui. Quem me procura? - escuto a mesma voz de mais cedo e por fim finalmente a correlaciono um rosto, aquela era a voz do Matthew.
A ruiva nega pondo as mãos no rosto, Enzo se vira e rapidamente volta a virar para mim que aperto os olhos com força, finalmente me viro e abro os olhos me deparando com Matthew que fecha o sorriso ao me ver.
- você? - sua voz ecoa falhosa e ele engole a saliva.
Não sei por quanto tempo fiquei paralisada, mas ao me recobrar vejo Matt se levantando do chão com o rosto sujo de sangue e indo para cima de Enzo que acabara de parar no chão, vejo Matthew bater uma, duas, três, quatro e na quinta eu vou para cima deles para tentar parar o Matthew que estava com uma expressão de raiva, ou melhor, de ódio.
- Matthew, para! Por favor!! - ele me olha, seu olhar me dizia " me deixe em paz", e então ele volta a bater no Enzo
- você sabe quem eu sou? VOCÊ SABE PORRA?! - ele fala, e dá mais outro murro e então se levanta - não se meta mais comigo!
Ele me encara mais uma vez e entra no elevador que se fecha o levando pra não sei onde
Pov. Ju
Ainda sem reação, corro até o Enzo para ajudá-lo
- venha, vamos sair daqui. - estico a mão a ele que se levanta limpando o sangue que escorria pelo nariz
- me desculpe Juh.
- como vocês acabaram brigando? - tento entender aquilo que aconteceu tão rápido
- não consegui me segurar ao ver aquele infeliz, me desculpe
- está tudo bem.. - ele veio de tão longe para me ajudar, não iria o repreender
- oi, com licença - a morena que havia subido com o Matthew se aproxima - vocês estão bem?
- estamos sim, obrigado! - Enzo a responde e torna sua atenção para mim - vamos embora? - assinto me virando e o ajudando a caminhar
- Júlia, espera! - olho para a morena por cima dos ombros - podemos conversar?
- sobre o que?
- preciso saber uma coisa.. - continuo olhando para ela, desentendida. - só vai levar um minuto, prometo!
- certo. - assinto e olho para o Enzo - me espera um minutinho? - ele assente e eu o ajudo a se sentar
- me acompanhe - ela me conduz até a sala em que a ruiva havia saído. A ruiva também vem atrás de nós duas e fecha a porta - sente- se - ela se senta.
Olho tudo em volta, paredes brancas, piso azul. Grandes janelas de vidro e mobílias marrom. Me sento em uma poltrona marrom e a ruiva se aproxima sentando a minha frente. Pigarreia e me olha
- me desculpe por mais cedo - não respondo nada - eu nunca havia tratado ninguém de forma tão rude, mas no final você acabou sabendo o motivo..
- eu e a Rebeca, somos muito amigas do Matt, não sabemos o porque de você estar aqui. O Zinho acabou de se recuperar de uma baita depressão, espero que você não tenha vindo afundá-lo de novo
- depressão? - não consigo entender mais nada. Ela assinte.
- sim, quando conhecemos o Zinho ele havia acabado de virar.. - ela não termina de falar, pois a ruiva lhe dá um tapa
- isso não importa. - a Rebeca fala pela amiga - Matthew sofreu por uma menina que o deixou a quase dois anos depois de um grande mal entendido. Logo após esse mal entendido o pai da garota fudeu com a vida dele e fez com que ele ficasse sem casa e sem emprego. Depois vem nos duas super fãs do ator mexicano Lorenzo e comenta sobre seu noivado..
- sim. O problema é que não sabíamos que a noiva do cara era a mulher que havia lhe destruído. A única coisa boa nisso tudo é que a tal Karen vadia perdeu o emprego e hoje está mais fodida que tudo, nem na periferia ela foi aceita. Há boatos que ela tá morando na rua..
- Outra coisa boa, é que o zinho te superou e está recuperado. - Aquelas duas meninas me joga um balde de informações na cara. Eu permaneço imóvel tentando digerir tudo aquilo que me foi dito
Então quer dizer que o Matt não havia me traído, que ambos sofremos como idiotas. Que meu pai havia acabado com sua reputação e lar, que ele entrou em uma depressão e agora deu a volta por cima?! Minha nossa!
Eu e meu pai acabamos com a sua vida, é óbvio que ele não quer nem olhar na nossa cara. Queria tanto um buraco para enfiar minha cara agora
- obrigada.. - me levanto - por ter me contado, prometo não o incomodar mais. Já estou indo, com licença. Sem esperar por mais respostas me retiro da sala. Vou rápido até o Enzo. - vamos Enzo.
- vamos sim - ele se levanta e seguimos em silêncio para o elevador. Enzo não me pergunta nada sobre a conversa que eu acabara de ter com as meninas.
Descemos até o térreo e caminhamos para fora do hospital, em direção ao estacionamento, avisto um cara com um jaleco sujo e o rosto sangrando, certeza que era Matthew. Tento andar em direção a ele, mas sou parada por Enzo que me segura pelo braço
- é melhor não Juh.
- só vou ver como ele está, te encontro no carro - Enzo solta meu braço e eu lhe entrego a chave do carro. Ele me encara por um tempo em silêncio, parecia estar bravo, mas logo se acalma, se vira e por fim se vai.
Avisto mais uma vez o Matthew, fecho o olho, respiro fundo, torno a abri-lo e caminho até ele em passos firmes.