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ENCONTREI O AMOR

ENCONTREI O AMOR

Autor:: RENATA PANTOZO
Gênero: Romance
LIVRO 2 DE (PROCURA-SE UM AMOR) Catarina descobriu o amor no seu melhor amigo, mas o destino fez esse amigo ser também o grande amor de sua irmã Cassandra. Pela felicidade da irmã ela seria capaz de abrir mão desse grande amor, fazendo Gustavo ser apenas seu melhor amigo, mesmo que isso doa em sua alma. Isso se ainda existir uma forma de viver ao lado do homem que ama.

Capítulo 1 1

Olho em torno do bar as pessoas caminhando como se o dia fosse comum, como se nada estivesse acontecendo. Mas meu mundo parece estar desabando sobre a minha cabeça e me vejo sem ter pra onde ir. Cassandra é meu porto seguro desde sempre. Não sei pra quem correr, chorar no colo toda a minha dor e mesmo que calada, apenas ter alguém ali pra me segurar forte. Vejo um táxi parado em frente a uma loja e atravesso a rua correndo, para pegá-lo. Converso com o taxista e ele aceita a corrida, mesmo sem destino, sem rumo e apenas dirigir enquanto tento de alguma forma controlar tudo a minha volta.

Assim que coloco meu cinto ele sai com o carro e meus olhos se enchem de lágrimas, conforme o carro se afasta do bar. O que eu antes tentava controlar perde o controle e o choro explode dentro de mim, três vezes pior que a noite na praia, chorando pela minha mãe. Minha mãe! Queria tanto tê-la aqui comigo agora, seu colo acolhedor e sua mão afagando meu cabelo.

- Não posso dirigir sem rumo, precisa me dar um endereço.

O motorista diz com a voz calma e olho pra ele. Deve ter a idade do Valdir e parece preocupado comigo. Eu quero a minha mãe!

- Cemitério Municipal!

Seus olhos me analisam e depois se estreitam.

- Há essa hora ele deve estar fechado!

- Não me importa!

- Tem certeza?

Confirmo com a cabeça e ele apenas segue para o cemitério.

**************

O carro para em frente ao portão principal e pago a corrida.

- Quer que espere aqui?

Nego com a cabeça.

- Tem certeza?

- Não! Mas eu não sei quanto tempo vou demorar aqui, então pode ir.

- Vamos fazer assim!

Me olha com muito carinho.

- Vou ficar aqui até receber um chamado. Se sair e não me ver aqui, é porque tive que ir.

- Obrigada!

Solto meu cinto e saio do carro, fechando a porta. Caminho em frente ao grande portão principal e o vejo trancado. Na lateral tem um pequeno acesso aos velórios e se bem me lembro, as capelas são abertas e dão acesso aos túmulos. Se eu conseguir acesso a algum velório, terei acesso às ruas que ficam os túmulos. Vou para a lateral e vejo algumas pessoas chorando. Passo por elas de cabeça baixa e subo a pequena rampa para as capelas. As lembranças do dia do enterro da minha mãe vêm com tudo e a cada passo, parece que revivo aquele dia. Cassandra segurava minha mão com muita força e chorava intensamente. Seguíamos lado a lado rumo a capela 4, onde minha mãe estava pronta pra ser velada. O caminho todo eu parecia estar fora de mim, anestesiada, morta. Chego perto das capelas e vejo que usam duas agora à noite. Paro de andar ficando em frente à capela 4, completamente vazia.

Fecho meus olhos e o choro me consome, me inunda de dentro pra fora. Lembro da Cassandra soltar minha mão e correr pra dentro da capela, se jogando sobre o caixão. E me mantive parada pro lado de fora, sem coragem de entrar e ver que eu realmente havia perdido a minha mãe. Passei o velório todo do lado de fora, vendo as pessoas entrando e chorando sobre a minha mãe. Cassandra não se afastou nenhum minuto do caixão, se despedindo como podia. Abro meus olhos e viro em direção a rua que dá acesso ao túmulo da minha mãe. Não lembro nada sobre a numeração, sobre onde ela está enterrada, mas me lembro de contar tumulo por tumulo, até chegar ao dela. Então começo a contagem, até chegar no tumulo oitenta e três. Meu corpo todo treme e meus olhos focam na pequena placa.

" Deise Carvalho Dias

*Nascida em 22 de abril de 1965

✝Falecida em 28 de maio de 2002"

Olho a foto na lápide e vejo o quanto ela era jovem e parecida comigo. Me sento na beirada da calçada, em frente ao túmulo. Fico em silêncio sem saber o que dizer ou fazer. Fazem vinte anos que não volto aqui. Desde o dia que ela se foi para sempre. Ergo meus olhos e encaro as estrelas sobre mim.

- Não sei se pode me ouvir...

Um nó se forma em minha garganta.

- Mas eu queria começar pedindo perdão por tentar esquecer a sua morte, a sua partida desse mundo.

Abaixo minha cabeça e encaro meus dedos trêmulos.

- Nunca quis aceitar o fato de não tê-la mais como nossa referência, nosso mundo. Não teria mais seu colo quando o medo me consumia. Não teria seus beijos curando minhas feridas.

Um soluço alto escapa da minha boca.

- Está doendo tanto e você não está aqui para me abraçar e dizer que a dor vai passar.

Limpo meu rosto e olho mais uma vez a foto da minha mãe, vendo o quanto somos tão parecidas.

- Tenho que aprender a me ver linda, como eu te vejo. Aprender a me olhar no espelho e não sentir culpa por sermos tão parecidas. Somos idênticas por fora, mas a que possui o seu coração e sua essência é a Cassandra.

Abro um pequeno sorriso.

- Ficaria orgulhosa de como ela assumiu o papel super protetor comigo, como se fosse uma mãe.

As lágrimas voltam a inundar meu rosto.

- Deixou de viver a vida dela, seu grande amor, sua adolescência, sua vida adulta pra cuidar de mim.

Respiro fundo pra me acalmar.

- Acho que deve saber que nos apaixonamos pelo mesmo homem. Como não se apaixonar pelo Gustavo?

Ele me vem à mente e junto com ele um sorriso idiota.

- Mas chegou a hora da Cassandra ser feliz e eu cuidar dela. Que ela viva esse grande amor e que Deus tenha piedade de mim e arranque o Gustavo de dentro do meu peito.

Mordo meus lábios pra abafar o som do choro e fecho meus olhos.

- Se você puder de alguma forma intervir ou me ajudar, faça com que eu deixe de ama-lo. Por favor!

- Senhorita!

Me viro e vejo um homem, que segura uma lanterna.

- As visitas aos túmulos encerraram faz tempo. Apenas o acesso às capelas estão liberado.

- Desculpe, só precisava de ar.

Me levanto e limpo minha calça.

- Vou acompanha-la a sua capela.

- Obrigada!

Antes de ir embora, olho mais uma vez a lápide da minha mãe.

**************

Saio do cemitério e o taxista continua me esperando. Entro em seu carro e puxo o cinto, percebendo que me olha.

- Temos um destino?

Pergunta e confirmo com a minha cabeça.

- Quero a minha casa.

Passo o endereço e encosto minha testa no vidro frio da janela, vendo as pessoas passando enquanto o carro se move.

**************

Pago a corrida e agradeço ao homem gentil por ter me esperado. Saio do carro e procuro minhas chaves na bolsa. Assim que as encontro, pego a da porta e a abro. Giro a maçaneta e levo um susto ao ver o Gustavo sentado no sofá, encarando suas mãos. Sua cabeça se ergue e ele me olha. Deus, me dê forças para suportar vê-lo ao lado da Cassandra como meu cunhado. Fecho a porta e sem saber o que fazer decido ignora-lo e ir para o meu quarto.

- Catarina!

Me chama e paro de andar, mas não me viro.

- Acho que precisamos ter aquela conversa agora.

Meu coração bate tão rápido que parece querer sair do peito.

- Onde está a Cassandra?

- No quarto se trocando.

Respiro fundo umas seis vezes pra tentar ter coragem de olha-lo, mas não consigo.

- Conversamos outro dia, quero um banho e a minha cama.

Quando vou andar, Gustavo pergunta baixinho pra mim.

- É verdade que você se apaixonou por mim?

Capítulo 2 2

Como se não tivesse ouvido sua pergunta, caminho em direção ao corredor deixando Gustavo pra trás. Vou em direção ao meu quarto, completamente perdida e tendo sua pergunta me corroendo por dentro. Como ele sabe? Quem contou pra ele? O que eu digo pra evitar algo horrível com ele e a minha irmã?

Entro no quarto e fecho a porta, soltando o ar com força pra ver se alivio o peso no peito. Me assusto quando escuto atrás da porta o mesmo suspirar pesado. Meu coração parece parar de bater e me apoio na porta, sentindo meu corpo perdendo as forças. Estranhamente sinto que apoio contra o seu peito e não na porta, como se ele estivesse aqui atrás de mim.

- Gustavo!

É a voz da Cassandra o chamando e agora tenho certeza que é ele na porta.

- Catarina chegou!

Sua voz é quase um sussurro.

- Ela falou alguma coisa?

Tento escutar sua resposta, mas ela não vem.

- Deixe-a tomar um banho e ficar bem! Vem comigo!

A dor no peito só aumenta ao imaginá-los juntos, vivendo o amor que nunca viveram esses anos todos. Escuto os passos se afastando da porta e jogo minhas coisas sobre a cadeira no quarto. Corro até meu armário e pego um pijama, uma calcinha e meias quentes. Vou tomar um banho rápido e vir pra cama. Se fingir dormir não terei que vê-los juntos e terei tempo para me preparar pra isso.

*************

Jogo minhas roupas no cesto, passo pelo box de vidro e o fecho. Ligo a torneira e o primeiro jato frio bate contra as minhas pernas. Quando sinto a água esquentar, me enfio embaixo da ducha, meu corpo todo relaxa e fecho meus olhos.

- Você pode fugir do Gustavo, mas não de mim.

Abro meus olhos e me viro assustada, vendo Cassandra entrar no banheiro e trancar a porta.

- Só quero tomar um banho, por favor!

Tento com todas as forças conter o choro.

- Te deixo tomar banho, mas sairemos juntas desse banheiro. Não quero correr o risco de se trancar no quarto e fugir de mim.

- Cassandra, não é uma boa hora pra conversarmos.

- É sim!

Se senta sobre a tampa do vaso sanitário e me olha como se pudesse ver minha alma, minha dor, meus sentimentos.

- Achou mesmo que eu não descobriria que o seu Apolo é o meu Gustavo?

O choro que lutei pra segurar, agora sai de mim sem qualquer controle.

- Termine seu banho, que precisamos conversar.

Sem conseguir parar de chorar, tomo meu banho e por dentro sei que essa conversa pode quebrar nós duas.

*************

Abro o box, pego a toalha e seco meu cabelo. Enrolo ela na minha cabeça e pego outra para o meu corpo. Cassandra me observa calada e minha mente imagina mil coisas nessa conversa. Já seca, passo meu creme, coloco minha calcinha, minhas meias e por ultimo o pijama.

- Senta!

Pede do jeito Cassandra super protetora, saindo da tampa do vaso sanitário. Me sento e ela solta minha toalha, terminando de secar meu cabelo.

- Por que não conversou comigo antes sobre o Gustavo do meu passado ser o Gustavo do seu presente?

- Como descobriu que ele era o Apolo?

Para de secar meu cabelo e vem pra minha frente. Se abaixa e de joelhos encara meus olhos.

- Acha que sou tão idiota assim pra não ligar os fatos?

- Não! Só não imaginei que seria tão rápido assim, que demoraria alguns dias.

Ergue a mão e seus olhos se enchem de lágrimas quando toca meu rosto.

- Você estava abrindo mão dele por mim?

Ela não precisa saber disso. Cassandra nunca aceitaria ficar com o Gustavo, sabendo que o amo.

- Não abri mão, apenas percebi que não era ele que eu gostava. O Miguel é a pessoa certa pra mim.

Balança a cabeça de forma negativa e sorri.

- Você é péssima mentindo.

Mordo meu lábio e ergo os ombros, em sinal de culpa. Ela sempre soube quando eu contava alguma mentira muito grave. Não seria diferente agora.

- Só acho que o seu sentimento pelo Gustavo é maior que o meu por ele. Somos melhores como amigos e agora como cunhados.

Cassandra se senta no chão e encosta as costas na parede do banheiro.

- Quer saber algo sobre você, que provavelmente não tenha descoberto?

- Esse algo vai ser um murro no meu estômago?

- Você não sabe lidar muito bem com críticas.

- Sei sim!

Ergue uma sobrancelha e depois de limpar meu nariz escorrendo, dou um sorriso forçado.

- Apenas me escute.

Respira fundo e encolhe as pernas, erguendo os joelhos.

- Você tem a mania de olhar tudo pelos seus olhos e criar teorias, ver uma versão de tudo. Precisa entender que para cada situação existe um olhar diferente de cada pessoa. Temos nós três encarando a mesma situação com olhares diferentes.

Ergue os três dedos e involuntariamente imagino que dedo médio dela, enorme seja o Gustavo.

- Quando entrei naquele bar e vi o Gustavo, me senti novamente a Cassandra com quase quinze anos.

Vejo uma lágrima escorrer pelo seu rosto.

- Mas eu não vi ali mais o amor da minha adolescência, mas sim o garoto que me ajudou a enfrentar a pior coisa do mundo. Me ajudou a superar a morte da nossa mãe.

Limpa as lágrimas e sorri de um jeito tão lindo, que me faz sorrir junto.

- Sabe o que eu senti ao ver o Gustavo?

Nego com a cabeça e prendo o ar em meus pulmões, esperando sua resposta.

- Gratidão! Me senti tão grata por ele ter me abraçado e me feito tão bem.

Começa a rir e encara o chão.

- Tenho um professor que fala muito sobre o luto na faculdade e o quanto ficamos sensíveis e mais propícios a aflorar os sentimentos. Eu não amei o Gustavo, eu amei ter sido cuidada. Ele foi a melhor coisa que me aconteceu após perder a mamãe e me agarrei a isso durante anos.

Volta a ficar de joelhos e vem pra perto de mim.

- Durante anos vivi agarrada a essa felicidade que ele me deu, achando que era amor. Quando estava ali na frente do Gustavo e pude agradecer por tudo que fez e foi na minha vida, me libertei do passado do que eu achei que nunca vivi. Pude me sentir livre pra seguir em frente, segura de que o que é meu está guardado lá fora. Que o meu grande amor ainda não passou pela minha vida.

Seca minhas lágrimas e beija minha testa com carinho.

- Você pode viver seu grande amor em paz, minha irmã.

Se afasta e me olha com um enorme sorriso.

- Penteia esse cabelo, seca essas lágrimas e vai lá falar com ele.

- Gustavo ainda está aqui?

- Ele se nega a ir embora sem falar com você.

- Merda! Ele disse se sente algo por mim?

Nega com a cabeça e abaixo a cabeça.

- Resolvemos a nossa parte e agora resolvam a de vocês.

Se levanta do chão e percebo que está vestida pra sair.

- Vai sair?

- Sim! Hoje eu mereço um porre libertador.

Pisca pra mim e vai em direção à porta do banheiro.

- Tenham juízo!

Abre a porta e antes de sair me olha.

- Não tenha medo de dizer o que sente. Mesmo que não seja correspondido esse amor, vai ser libertador descobrir as coisas pelo olhar do Gustavo. Promete que vai contar como se sente?

- Sim!

- Te amo!

- Também te amo!

Sai e fecha a porta e me levanto do vaso sanitário.

Vou pra frente do pequeno espelho e pego a escova pra arrumar a juba que a Cassandra deixou na minha cabeça ao tentar secar meu cabelo. Termino de me pentear, limpo meu rosto, passo um desodorante, escovo os dentes e passo um perfume. Respiro fundo mil vezes com a mão na maçaneta. Solto o ar com calma e abro a porta do banheiro. Conforme sigo para a sala, sinto meu coração acelerar muito as batidas e tenho medo de morrer de infarto antes de falar com o bicho pau. Chego a sala e não o encontro no sofá.

- Caramba!

O escuto esbravejar da cozinha e sinto um cheio bom de comida. Ando até a cozinha e o vejo perto do fogão, mexendo algo na panela bem quente. Me encosto na porta e apenas o observo de costas, tentando domar meu pequeno fogão. Com o pano de prato segura a alça da panela e leva correndo pra cima da mesa onde tem um suporte de panela esperando. Limpa os dedos no pano e percebe minha presença. Seus olhos encontram os meus e sem dizer nada, caminha muito rápido em minha direção, parando a minha frente.

- Não vou embora sem conversar com você. Nem adianta me mandar embora.

- Tá bom!

Me olha perdido e imagino que estava preparado para ouvir um "vai embora". Seu corpo cola mais ao meu e sou obrigada a tombar muito a cabeça pra trás, tentando manter meus olhos no dele.

- Diz que você se apaixonou por mim, como me apaixonei por você.

Capítulo 3 3

Gustavo disse mesmo o que eu ouvi ou foi coisa da minha cabeça!? Isso só pode ser uma alucinação. Seu braço me agarra pela cintura e me ergue, fazendo meus pés quase saírem do chão. Me seguro em seus braços e sua boca vem em direção a minha.

- Responde!

Pede com a voz baixa e meus olhos só conseguem focar em seus lábios prontos pra me beijar.

- Olha pra mim!

Ergo meus olhos e encontro uma imensidão verde me encarando.

- Não posso ter me apaixonado sozinho. Me diz que ao menos estou perto de tocar seu coração.

Sua mão livre toca minha nuca e se afunda por baixo do meu cabelo molhado, me fazendo amolecer toda em seus braços. Fecho meus olhos e já não possuo qualquer sanidade pra pensar em uma resposta decente a não ser gemer que sim. Seus lábios tocam minha bochecha e levemente se arrastam pro canto da minha boca.

- Quero te beijar, mas só vou fazer isso se seus sentimentos realmente corresponderem aos meus. Não quero te beijar, gravar em mim o seu sabor e depois nunca mais voltar a sentir sua boca na minha. Não quero perder você por causa dos meus sentimentos.

Abro meus olhos e subo minhas mãos por seus braços, chegando em seu cabelo tão loiro e liso. Toco e me controlo pra não gemer ao sentir os fios se perderem em meus dedos. Sua respiração pesada se misturando a minha e minha boca seca de desejo, querendo tocar a dele. Gustavo fecha os olhos, talvez com medo do que possa ouvir.

- Eu...

Sussurro e beijo sua bochecha.

- Me...

Beijo o canto de sua boca.

- Apaixonei...

Roço nossos lábios e suspiramos juntos.

- Por você...

Sua boca se encaixa a minha e nós dois gememos com o toque delas. Não demora muito para o desejo explodir dentro de mim e aparentemente dentro dele também, já que me puxa para o seu colo e minhas pernas se agarram em sua cintura. Sinto suas mãos percorrerem minhas costas, enquanto nossos lábios apaixonados se movem com uma intensidade que nunca senti antes. Sua língua invade minha boca e percorre cada canto, enquanto a minha vai de encontro à dele, querendo de vez selar essa paixão entre nós. Sua mão enorme segura por trás minha cabeça, a mantendo parada pra que ele se mova e se delicie com o meu beijo.

Minhas mãos seguram seu rosto, sentindo sua barba em meus dedos, pinicando gostoso. Está nos movendo pra algum lugar e não quero abrir meus olhos para ver nada. Se ele quiser me levar para o forno e me assar pro jantar, fique a vontade. Sinto que nos chocamos com alguma coisa e então ele me senta em algo. Sua boca suga meus lábios, meu queixo, desce pro meu pescoço e trilha beijos com leves chupadas em meu pescoço. Minhas mãos estão moles, descendo pelo seu corpo e abro meus olhos. Agora é ele quem segura meu rosto e antes de voltar a me beijar encara meus olhos, abre aquele lindo sorriso que me faz suspirar e derreter toda.

- Minha joaninha!

Seu dedão percorre meus lábios e seus olhos estão focados neles.

- Não sabe quanto tempo desejei toca-los assim, com paixão.

Fecha os olhos e esfrega a boca contra a minha.

- Tenho certeza que roubou meu coração no dia em que entrou no meu bar pela primeira vez.

Suga meu lábio inferior, me arrancando um gemido.

- Temos que agradecer o Osvaldo por ter me dado um bolo. Isso nunca aconteceria se ele tivesse aparecido, ou teria?

Abro um enorme sorriso e ele me olha sem qualquer humor. Parece nervoso e vai se afastando, mantendo o olhar perdido em mim.

- Precisamos conversar sobre uma coisa.

- O que foi?

Me desce da mesa e agora evita me olhar.

- Fiz macarrão pra gente, senta que vou te servir.

Essa mudança repentina de humor não é boa. Ele vai me alimentar e quando eu estiver igual uma jiboia saciada sem conseguir fugir de tão pesada, vai me dizer que é casado e tem seis filhos ou é gay e o Osvaldo é o marido dele querendo sexo a três. Se aproxima com dois pratos cheios de macarrão com molho branco, coloca onde deixou a mesa posta e puxa uma cadeira pra mim.

- Vem!

- Estou com medo do que vai querer conversar.

Me chama com a cabeça e tem um sorriso nada feliz nos lábios. Vou até onde está, me sento e ele empurra a cadeira. Senta ao meu lado e coloca suco pra gente.

- Macarrão ao molho dois queijos. Era pra ser quatro, mas na sua geladeira só tinha dois tipos de queijos.

- Não precisava ter feito o macarrão.

- Precisava sim! Cozinhar me deixa menos nervoso e sempre que estou perto de você, fico assim.

Olho pra ele um pouco perdida com o que acabou de confessar.

- Sério?

Pergunto e sua cabeça confirma que sim.

- Nunca percebeu que estive sempre te alimentando enquanto estava no bar? No primeiro dia você só queria a bebida, no segundo te levei a porção, depois te mostrei os lanches e não parei mais.

- Você me alimentava pra esconder seu nervosismo?

- Sim! Mas aos poucos eu já me sentia mais a vontade ao seu lado. Catarina você sempre foi solta, relaxada, divertida, encantadora e eu não fazia ideia do que fazer.

Beijo seu rosto e acho fofo sua timidez. Quero me dar um soco por nunca ter percebido isso antes.

- Antes de te contar uma coisa, quero esclarecer algo.

Se vira na cadeira e fica de frente pra mim, mas sua cabeça está baixa.

- Nunca fui apaixonado pela Cassandra.

Confessa e ergue a cabeça pra me olhar.

- Quando sua mãe faleceu, Cassandra foi excluída pelas amizades, as pessoas começaram a chama-la de órfã. Aquilo me doeu tanto e mesmo nunca tido uma amizade de verdade com ela, decidi me aproximar e protegê-la disso tudo.

Solta um longo suspiro.

- Nos tornamos grandes amigos, mas nunca imaginei que da parte dela fosse algo mais. Quando ela sumiu do colégio e nunca mais nos vimos, fiquei mal pra caramba porque havia perdido minha melhor amiga. Eu não tinha amigos na escola, mas sim garotos perto que queriam me usar pra atrair garotas e um bando de meninas que pareciam querer me comer vivo.

Segura minhas mãos e as puxa para sua boca, dando um beijo em cada uma.

- Nunca houve interesse da minha parte em sua irmã. Nessa família a única que mexeu comigo foi você.

Me arrasto na cadeira, saio dela e muito safada vou pra cima de suas enormes pernas. Sento nelas e ganho um sorriso safadinho também. Seus braços envolvem minha cintura e seguro seu rosto em minhas mãos.

- Um Deus grego tímido?

Passo a ponta do meu nariz no dele.

- Chega a ser ironia sua timidez com a quantidade de mulher que se joga aos seus pés.

Beijo sua boca com carinho e seus braços me apertam mais.

- Odeio isso!

Confessa e suspira cansado.

- Minha vida inteira me senti um pedaço de carne jogado no meio de um monte de lobos famintos.

Meus dedos acariciam seu rosto, observando seus olhos tristes.

- Não sou um Deus grego, o Apolo, o gostoso, o cara pegador, qualquer coisa assim.

- Desculpa!

Peço com sinceridade e encosto minha testa na dele, fechando meus olhos em seguida.

- Nunca ninguém se aproximou de mim sem segundas intenções.

Respira fundo e afasta a cabeça da minha, me fazendo abrir os olhos e encarar os dele um pouco perdidos.

- Há um bom tempo sinto a necessidade de ter alguém na minha vida. Queria alguém pra compartilhar o meu sonho, a hamburgueria. Que pudesse provar as coisas que cozinho, viver loucuras de amor e pudesse pensar em uma família comigo. Que não fugisse após conhecer minhas cinco mulheres e fizesse parte do meu mundo rosa.

Agora são suas mãos que seguram meu rosto, me mantendo focada em seu olhar.

- Você não levou bolo no primeiro encontro.

Sussurra e fico sem entender o que disse.

- Me chamo Gustavo Osvaldo Castro. Osvaldo em homenagem ao meu avô.

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