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ENCONTRO FATAL

ENCONTRO FATAL

Autor:: Ane_
Gênero: Romance
Kimberly, uma jovem médica em Londres, desfruta de uma vida tranquila até sofre um acidente e conhece o perturbador Dimitri Kempel. Dimitri, um misterioso CEO de uma grande empresa na Espanha, é conhecido por sua dedicação exclusiva ao trabalho e por esconder seus sentimentos mais profundos. No entanto, tudo muda quando ele encontra a doce Kimberly. À medida que o destino entrelaça suas vidas, um amor intenso e arrebatador surge entre eles. No entanto, ambos são assombrados por seus passados obscuros, segredos que ameaçam separá-los. Conforme a relação entre Kimberly e Dimitri se fortalece, eles são confrontados com escolhas difíceis e desafios inesperados. Enquanto lutam para superar suas próprias barreiras emocionais, eles precisam enfrentar os segredos que os atormentam. Será que o amor entre eles será forte o suficiente para resistir aos obstáculos do passado? Ou será que os segredos revelados serão a ruína desse vínculo promissor? Essa é uma história emocionante sobre o poder do amor, a força da redenção e a luta para superar os fantasmas do passado. Neste romance cativante, Kimberly e Dimitri enfrentarão um caminho repleto de obstáculos, enquanto descobrem a verdadeira profundidade de seus sentimentos e a coragem necessária para enfrentar a adversidade e encontrar a felicidade verdadeira.

Capítulo 1 1. A VIAGEM

INGLATERRA 1988

Acordei com o barulho agitado do meu telefone, eram apenas 6:30 da manhã de sexta-feira, quando fui despertada por ele.

Abro os olhos irritada, quem em sã consciência me liga a esta hora... droga! Xingo em meus pensamentos.

Ligação on:

- Bom dia, senhorita Kimberly?

- Sim, sou, em que posso ajudá-lo?

- Desculpas por ligar assim tão cedo, sou o Peterson, liguei outras vezes, como não obtive susesso estou ligando mais cedo, sou advogado de seus tios, como você sabe eles faleceram o mês passado após ladrões entrarem, renderem e assassinarem o casal dentro de casa. Como eles não tinham filhos, deixaram a herança para você e seu irmão. Estou te ligando, para informar que preciso da presença de vocês dois aqui, para entregar os documentos e assinar os papéis para receber a herança.

Fiquei nervosa com aquela ligação. Como assim herança?

- É necessário a nossa presença? Será que posso enviar o meu advogado para resolver isso? -Bufo após falar.

Gostava muito dos meus tios, mas como nos mudamos há muito tempo, já não tínhamos mais a mesma intimidade. Não pude ir ao velório, pois estava doente na época, lembrar da morte trágica deles faz meu coração doer.

- Infelizmente será necessária a presença dos dois. - Ele diz, interrompendo meus pensamentos.

- Tudo bem, então, estarei aí na segunda-feira, pode ser? - Minha voz soa entristecida.

- Ok, aguardo vocês então. Anote o endereço: Avenida de Pablo Neruda, 581.

- Combinado, tenha um bom dia.

- Obrigado, bom dia para você também.

Ligação Off

Esta ligação me deixa um pouco desconcertada, mas me preparo para mais um dia de trabalho, com a agenda cheia.

Sou médica aqui em Londres, amo essa profissão, sonhava em exercer a medicina desde criança, então com muito esforço consegui realizar meu sonho.

Passo na cafeteira, peço um café.

O cheiro delicioso invade as minhas narinas, realmente é um cheiro que amo.

Já no escritório, vou rapidamente até a minha sala ligar para o meu irmão, antes que caia no esquecimento, pois a minha agenda é tão lotada, que mal consigo respirar, não que eu seja exagerada, pois os consultórios médicos estão lotados mesmo.

Ligação on:

- Bom dia maninho, está dormindo ainda seu preguiçoso... - Gargalho, pois sei que é verdade. - Recebi uma ligação logo cedo do advogado do tio Francisco e da tia Margaret, nos avisando que eles deixaram uma herança para nós. Acredito que deva ser pouca coisa, porque sabemos muito bem que eles estavam falidos, só tinha aquela casa onde moravam. - Engoli em seco, pois eles viveram momentos felizes lá.

- Nossa Kimberly, não estou acreditando, porque logo para nós? - O telefone fica em silêncio, não quero quebrar o clima triste do meu irmão, pois eles além de tios, eram seus padrinhos, quando morávamos perto, mimavam demais meu irmão.

- Se prepare para o que vem agora! - Faço uma pausa, respiro fundo, e prossigo. - Pior que o advogado quer nossa presença lá quanto antes. Combinei de nos encontrarmos na segunda-feira. Mais um detalhe, se é que você não entendeu.

Temos que ir nós dois. - Respiro pesadamente.

- Sério isso? - Seu tom de voz parece indignado.

- Vou preparar tudo para viajarmos, depois conversamos, quanto antes nós resolvermos isso será melhor. - tive uma ideia e acho que ele vai gostar. - O que você acha de aproveitarmos a oportunidade e ir até lá de barco? Afinal era um passeio que sempre gostávamos de fazer quando criança, já nem lembro a última vez que fizemos esse passeio. Será tão bom termos esse momento juntos, quero aproveitar e matar a saudade de estar com ele, visto que pouco me visita, só pensa em cair na gandaia.

- Tudo bem, sua chata, podemos ir de barco, pois sei que se não aceitar por bem, você vai arrumar um jeitinho de me fazer ir por mal mesmo...

- Ótimo! Haha ainda bem que você me conhece irmãozinho. Até mais tarde... beijos.

- Até chata...

Ligação off

Meu nome é Kimberly Bonierski, tenho 26 anos, sou loira e tenho os olhos azuis, que herdei da minha mãe, possuo muita garra e determinação, aprendi dede cedo que para alcançar os nossos objetivos precisamos renunciar a algumas coisas na vida, então desde os meus 16 anos já sabia que carreira seguiria.

Meu sonho era ser médica, então desde os meus 18 anos comecei a seguir meu sonho, para ter uma carreira de sucesso, precisei abdicar das amizades, noitadas, festas, baladas e até mesmo de viver um romance. Namorei poucas vezes pois não tinha tempo para sair e isso afastava os rapazer.

Não vou negar que é meu sonho encontrar um príncipe encantado, porém ainda não sinto que seja a hora certa, espero que quando ela chegar, quero estar pronta para ser a outra metade de alguém.

Desejo viver ao lado de alguém que me ame e respeite a minha opinião, quando me casar será para sempre, assim como meus pais, que forma minha base, quero seguir o exemplo deles.

Se sou exigente? Talvez me considere assim, mas a minha profissão exige que não existam erros, pois eles podem ser irreversíveis, então o amor deve ser parecido.

Perdi meus pais em um acidente de carro a apenas 3 anos, até hoje sinto meu coração tremulo quando falo nesse assunto, falar disso é como passar sal na minha ferida. Desde então somos eu e meu irmão contra o mundo, ou quase isso.

Quando tive a ideia de fazer esta viagem de barco, lembranças vieram como uma avalanche, pois até os meus 14 anos meu pai tinha um pequeno barco, sempre que podia ele nos levava para velejar, meu irmão é quase 4 anos mais novo do que eu, então aproveitamos muito a nossa infância brincando juntos.

Nós quatro aproveitamos os passeios de barco para estar juntos, já que durante a semana era muito corrido para eles. Meu pai amava pescar e minha mãe cozinhar. Ela preparava com muito carinho os peixes que pescávamos. Ambos se completavam como um casal.

Assim que voltei ao trabalho, foi preciso muita paciência para comprar as passagens e organizar tudo a tempo de chegar a Madri na segunda-feira, se tudo correr bem podermos aproveitar bastante o passeio e reviver algumas lembranças de nossa infância.

Não confiei ao meu irmão essa tarefa, pois fiquei com medo dele não conseguir arrumar tudo como eu gostaria.

Com as passagens compradas, estou mais tranquila. Já em casa, fui preparar um banho de banheira para relaxar, estava cansada das correrias que tive que fazer. Coloquei as essências e sais de banho com aroma de morango, meu preferido.

Assim que descansei um pouco resolvo ligar para a peste do meu irmão:

Ligação on

- Oi, já comprei as passagens irmãozinho. Está tudo certo. - falo animada.

- Você sabe que eu nem quero ir... E sinto que estou um pouco gripado...

cof... cof

Tossiu fingido.

Ri ao perceber o fingimento do meu irmão.

Infelizmente ele é um cafajeste de primeira categoria. É do tipo badboy, não fica em emprego algum. Vive as custas da herança de nossos pais, o que me deixa muito chateada e frustrada.

Tentei diversas vezes ajudá-lo, inclusive arrumei alguns empregos para ele, sempre me garantia que iria se comportar, entretanto, a reclamação era sempre a mesma dos empregadores, ele dava em cima das mulheres descaradamente.

- Sei, acredito. Você me convenceu profundamente com essa sua tosse mixuruca.

- Ri com desdém. - Tenho certeza que poderemos aproveitar melhor essa viagem. Pois você ama passear. - Ele riu da situação.

- Ah, faça-me o favor Kimberly, me poupe das suas ideias malucas. Não se anime muito. - Agora fui eu que ri da ironia com que ele se direciona a mim, mas sei que está se divertindo, ele gosta de me ver brava.

- Por que não posso me divertir um pouco? Seu estraga prazeres.

- Está bem, não vou discordar, pois sempre perco mesmo. Vai ser divertido... droga! - ele xinga baixinho, entretanto ouvi seu descontentamento.

- Esteja pronto amanhã as 7:00 que passo aí te pegar. Lembre-se que está bem quente, use roupas leves. Boa noite maninho, até amanhã beijos.

- Até, beijos.

Ligação Off

Vou dormir com expectativas positivas de que nossa viagem seja divertida.

Capítulo 2 2. MUDANDO MEU DESTINO

Acordo pontualmente próximo ao horário de levantar, um misto de apreensão e alegria percorre minhas veias. Meu corpo relaxou durante a noite, mas essa estranha sensação que estou vivenciando agora me deixa nervosa. Assim que tudo estiver pronto, saio em direção à casa dos meus pais para buscar Giovanne.

Estou ansiosa por vê-lo, engulo em seco, ao perceber que ele não está. Sua expressão deixa em dúvida se fiz a escolha certa em optar pelo navio para Madri, quando poderia ter escolhido o avião, que é muito mais rápido. Giovanne não esconde seu desânimo.

No entanto, esta viagem pode ser benéfica para ambos, especialmente para nos aproximarmos um pouco mais.

Ao chegarmos ao porto, avistamos o navio que nos levaria ao destino. Dou pulos de alegria, e vejo meu irmão sorrir com minha atitude. Ele está começando a se soltar e a agir como o meu irmão de verdade.

A jornada duraria cerca de 12 horas, de Londres até Madri, capital da Espanha, onde meus tios moravam e onde passei parte da minha infância.

Ao entrarmos no navio, pudemos admirar sua sofisticação, desde as longas escadarias até as cabines da primeira classe. Sinto-me como uma princesa, tudo é encantador. Lembranças dos meus pais vêm à tona, e tento conter as lágrimas diante dessas lembranças.

Após nos acomodarmos na cabine, nos divertimos alegremente. Giovanne sempre conta suas histórias malucas e as encrencas em que nos metia. Com muitas risadas e brincadeiras, já que fazia tempo que não estávamos tão próximos, isto me deixa muito feliz. Seguimos para o restaurante para tomar café, causando surpresa em algumas pessoas que nos encontraram pelo corredor.

- Está gostando da viagem? - pergunto enquanto sentamos.

- Você sabe que é uma chata, mas eu gosto de estar ao seu lado, faz tempo que não saímos juntos. Você trabalha demais. - ele fala gargalhando e eu me mantive séria.

- Relaxa, estou brincando.

Conversávamos com coisas aleatórias quando percebi Giovanne observando uma moça muito bonita sentar em uma cadeira próxima a nossa mesa.

Seus olhares se cruzam e ele dá um sorriso safado para a jovem. Atrás dela vem um senhor que senta ao seu lado, presumo ser o pai da moça, o olhar do homem possui um semblante muito escuro, de arrogância e soberba.

Confirmo que é o pai da jovem, pois fala algumas palavras grotescas para ela e fazem com que a moça se levante e saia do restaurante chorando.

Giovanne pede licença e se retira do ambiente, deixando-me sozinha, sem entender direito o que se passa. Na verdade, sei o quão safado e mulherengo, que meu irmão é, logo penso o previsível, pois tenho certeza de que ele foi atrás da moça. Não vou deixar barato, terei que dar o troco, pois ele vai ter que me escutar depois.

Estou desacreditada do que meu irmão é capaz de fazer, mas após tomar meu café, irei até o terraço do navio passear um pouco.

Realmente a viagem é belíssima, com uma vista maravilhosa para as cidades a beira-mar, o navio possui vários compartimentos.

À noite, eu e Giovanne combinamos de assistir uma apresentação de teatro que haveria no salão principal.

A apresentação seria às 20:00, já eram 19:30 e meu irmão não havia retornado do passeio que fora fazer. Eu estava angustiada com a demora de meu irmão, principalmente porque Giovanne era muito descomprometido, tinha que ficar no seu pé o tempo todo para que ele cumprisse com alguns combinados entre nós dois.

Nossa relação entre irmãos era ótima, apesar de Giovanne ser um rapaz irresponsável e imaturo.

Ouvi alguém bater na porta. Era ele que havia chegado.

- Até que enfim você chegou. Pensei que iria me dar o bolo.

- Desculpas, irmãzinha, demorei, mas estou aqui.

- Posso saber onde você esteve?- falo irritada.

- Conheci uma moça hoje pela manhã, e estávamos conversando, nem vi o tempo passar. - seu sorriso o entrega.

- Estava conhecendo, sei... Você acha que nasci ontem?- não me contive e gargalhei.

- Deixa isso para lá, vou me arrumar para irmos ao teatro.

- Espero que não arrume confusão, porque não vou te ajudar, caso precise.

- Fique tranquila, está tudo sob controle.

- Vá logo arrumar-se então.

Após prontos, fomos ao segundo compartimento, entretanto Giovanne estava incomodado, percebeu o desconforto e nervosismo dele, pois constantemente passava a mão nos cabelos, mas não o confrontei para saber o motivo, porque se for devido a algum rabo de saia, vou odiá-lo por isso. Entretanto, espero que não seja nada de mais.

Fico um pouco incomodada com isso, principalmente porque ele sempre foi bem sincero comigo, mas não perde a oportunidade de iludir uma mulher.

Ainda na metade da apresentação, Giovanne me avisa que vai ao banheiro. Fico desconfiada com isso, mas nada digo.

Acho que meu olhar de irmã mais velha diz tudo. Minha vontade era esculachar ele, ou seja, dar um bom sermão, para ele deixar de ser idiota e tirar um tempo comigo.

Como Giovanne estava demorando a retornar, comecei a ficar nervosa. Já tive paciência demais por hoje, ele está sendo muito chato, afinal escolhi esse passeio para nos aproximarmos mais.

Melhor ir atrás dele!

Quando vou procurá-lo ouço uma discussão na lateral externa do navio. Ao se aproximar, vi meu irmão bem alterado, discutindo com o pai da jovem que vimos durante o café da manhã. Fiquei preocupada, era fácil alguém cair de um lugar daquele.

Mas a moça estava tentando conter os dois.

Chego próximo a meu irmão, que já estava avançando para cima do velho. Tento segurá-lo por trás, e subo em um degrau de uma pequena escada que dá acesso a para o navio. Neste momento, o pai da moça vem para cima de Giovanne, se desvencilhando da filha. Com o impulso que ele dá contra o peito de Giovanne, perco o equilíbrio.

Caio no mar.

xxxxxx

Eu até sabia nadar, mas estava escuro, fiquei por horas ali no meio do nada. Via uma imensidão negra e não enxergava o navio, pois quando afundei, uma enorme onda me levou para longe.

Já muito cansada de estar dentro da água, avistei um farol ao longe, tentei me aproximar da margem, quando uma onda forte me arrastou, a dor latejante na cabeça me tirou os sentidos, nada mais senti naquele momento, simplesmente meu corpo amoleceu. Meus sentidos foram se perdendo aos poucos.

Mal sabia eu que meu destino seria mudado completamente com uma batida forte na cabeça.

Capítulo 3 MEU SALVADOR

DIMITRI

Estava correndo, como sempre, em uma manhã ensolarada quando avistei alguém caído na beira da praia. Corri para mais perto e era uma moça, no momento, a achei muito bonita. Ela tinha a aparência de uns 25 anos, aproximadamente.

Chequei para ver se ela estava respirando, toquei seu rosto com delicadeza, para retirar os cabelos da frente dos seus olhos e de sua boca bem desenhada.

Ela abriu os olhos e me olhou com espanto. Senti uma eletricidade percorrer meu corpo quando nossos olhares se conectaram. Nunca havia sentido tal sensação física, meu corpo se arrepiou apenas com seu olhar.

Quando fui tomá-la em meus braços, ela esmoreceu, desmaiando.

Consegui checar sua pulsação, mas me preocupei com o fato de ela estar com a cabeça sangrando. Sem pensar direito, a levei para casa. Pois o hospital ficava a cerca de duas horas de distância, e eu podia ligar para o Doutor Versales, meu médico particular e amigo.

Meu segurança me ajudou a colocá-la no carro.

Fiquei perturbado. E se ela morresse? Tão linda, e parecia ser muito jovem.

Logo que chegamos em casa, a coloquei em uma cama no quarto de hóspedes e chamei a empregada. Assim que entendi a real gravidade de tudo e me livrei daquele momento de susto, liguei para o médico. Já estava passando da hora.

Por meu pedido, a empregada retirou as roupas da bela moça e as trocou por roupas limpas e secas.

Enquanto eu esperava o doutor chegar, olhei no relógio impaciente.

***

Dois dias se passaram e eu ainda não sei nada sobre a linda loira de pele clara e olhos azuis da cor do oceano, que chegou agitando minha vida, que já é um pouco bagunçada..

Estou impaciente por ela não acordar. Não consigo descrever a intensidade do seu olhar, quando se cruzou com o meu naquela praia. Senti algo diferente naquele momento. Sua presença despertou algo em mim que já estava morto há muito tempo.

Quando fui vê-la pela quarta vez em seu quarto, ela já tinha recobrado os sentidos. Observei o modo como seu cabelo loiro, embora bagunçado, dava a ela um aspecto inocente.

Estava muito confusa e com medo, me fez várias perguntas.

Sua voz doce me encantou.

Infelizmente, ela não se lembra de quem é, deve ser por causa da pancada na cabeça.

Tento ser gentil, pois não é do meu feitio. A conforto, dizendo que logo ela vai se lembrar de tudo. Isso tem se tornado meu mantra: ela vai se lembrar de quem é e voltar para a sua vida de antes.

Quando peço para retirar o curativo que ela usava, ficamos bem próximos. Sua respiração mudou com a minha proximidade.

Disfarçadamente, olho nos seus olhos e na sua boca, sem que ela perceba. Meu coração dispara...

Só posso estar maluco!

Brigo comigo mesmo internamente. Estou me sentindo um adolescente no colegial, quando se apaixona por uma garota.

Retiro a faixa que envolve sua cabeça e a olho fixamente nos olhos. Percebo que parei de respirar por um instante...

Me sinto um insano. Recobro minha postura de sempre, ficando em pé rapidamente.

Chego a me sentir estúpido com tal atitude. Mas como pensei, não posso ter nenhum sentimento por essa jovem.

Preciso que ela saia da minha casa o mais rápido possível.

"Que droga!" xingo mentalmente.

Até parece que fui eu que bati a cabeça, estou com um comportamento estranho. Após ela dizer que não sabe seu nome, vem até mim a imagem de uma pérola e pergunto se posso chamá-la assim. Bem, pérola é uma palavra vinda do latim, que tem semelhança com a lua, assim como pureza e brilho. É o que sinto quando olho para ela.

Agora ela deve pensar que sou um maluco... Deixo-a intrigada!

E digo que pérolas são delicadas e as encontramos no mar, assim como eu a encontrei.

Por que a mulher à minha frente tem que ser tão doce e delicada? Se ela souber que mexe com as minhas estruturas, sou um homem morto.

Pronto, pirei de vez.

Nunca fui gentil com as mulheres a esse ponto, somente uma que realmente me teve por completo, mas por obra do destino não estamos juntos.

Quando me lembro desse fato, enrijeço a postura e a fito com um olhar sombrio. Nesse momento, ela desvia o olhar para a janela.

Aviso que vão trazer o café no quarto e saio em seguida, pois estou precisando me afastar ou não vou resistir aos seus encantos. Meus pensamentos sempre me levam á ela, tenho muitas curiosidades sobre aquela loirinha encontrada na praia.

Estar perto dela é estranho.

Peço para Amayume, a filha da empregada levar o café da manhã para ela no quarto. que prontamente ajuda sua mãe e faz o que eu ordenei.

Passo o dia com meus afazeres e retorno somente à noite para casa. Evito ao máximo encontrar com Pérola, mas meus pensamentos ainda estão nela, como pude ser tão idiota, dei até um apelido para a bela mulher.

Fechei-me para o amor e agora só faço sexo casual. Porque não quero ter que passar novamente pelo que passei.

O amor entre um homem e uma mulher nos deixa vulneráveis, e sou impenetrável quando se trata de relacionamentos. Vou ter que ser mais severo com ela não posso me dar ao luxo de que ela tenha algum sentimento por mim.

Sou Dimitre Kempel tenho 36 anos, todos me conhecem como o bem sucedido empresário de telecomunicação da Espanha.

Sou filho único, meu pai morreu de infarto a mais de 15 anos e minha mãe faleceu após fazer uma cirurgia e contrair infecção generalizada há 12 anos atrás.

Desde que meu pai faleceu eu dirijo a empresa da família.

Estudei na França, onde me formei em Administração e Direito.

Sou um homem rígido, obcecado pelo trabalho. Extremamente exigente e perfeccionista.

Tudo tem que ser do meu jeito. Odeio que contrariem minhas ordens.

Sempre fui um homem sonhador e ambicioso. Mas minha vida se tornou escura há oito anos atrás. Memórias daquela noite ainda me atormentam.

Minha história foi muito linda e trágica, as marcas de destruição ainda estão presentes no meu coração e fazem parte da minha vida.

Só tenho contatos com mulheres quando vou até as casa noturnas em busca de aliviar minhas necessidades.

Será que um dia poderei amar novamente. Afasto esse pensamento, pois estou determinado a não deixar isso acontecer.

Não quero ter um relacionamento sério desde então, odeio mulheres no meu pé. Principalmente porque elas viram nossas vidas de perna para o ar. Estou bem assim, já tenho muitos problemas de mais.

Entretanto uma mulher tem tirado o meu sossego durante esses dias. Pérola entrou na minha vida inesperadamente e agora está na morando na minha casa, não sei como eu permiti.

Passo o dia todo na empresa e não vejo a hora de chegar a casa, para vê-la, desde o dia em que a encontrei desacordada na beira da praia não para de pensar nela.

Cada toque, cada olhar, quero sentir seu cheiro e principalmente seu gosto.

Quando me pego pensando nela, tento afastar esses pensamentos obscenos que tenho, mas não consigo, eles são mais fortes do que eu.

Estou constantemente irritado, nervoso, descontente e mal humorado.

Não quero acreditar que estou tendo sentimentos por uma mulher novamente. Meu coração é apenas cacos quebrados dentro do peito.

Já tive algumas ficantes, mas nada serio, odeio mulheres no meu pé, choramingando ou exigindo atenção, principalmente essas interesseiras, que conhecem minha família e sabem que sou um homem bem abastado.

Vou jantar, e pergunto para a Mirella se Pérola já jantou. Mesmo não querendo me aproximar sou tomado pelo desejo de vê-la. Falo que eu mesmo vou levar seu jantar no quarto. Mirella me olha confusa, pois sabe que eu nunca trataria assim uma mulher na minha casa. Não que eu seja um ogro, mas evito esse tipo de situação e ela sabe muito bem.

Levo o jantar no quarto em que Pérola está, conversamos um pouco e ela fez alguns questionamentos sobre o dia em que a encontrei.

Respondo a todas as suas perguntas. Assim que terminamos de conversar e fazer companhia. Me despeço com muito sono e vou para meu quarto.

Quando estou no corredor, pensando ainda nessa doce mulher, ouço gritos vindos de outro quarto. Infelizmente a realidade que me martiriza todos os dias está aí, sigo em direção ao quarto o mais rápido possível, para realidade mais dolorosa que um homem possa viver.

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