Amanda carregava o terno que Carlos usaria no casamento de seu irmão. Ela revirou os olhos desaprovando a peça de roupas. Não ia combinar em nada com o amigo. Carlos era do tipo de homem magro, mas atlético, os cabelos cumpridos sempre presos em um coque estiloso e a barba por fazer davam-lhe uma aparência mais desleixada e jovial. Ele ficaria parecendo um executivo e era uma coisa que ele detestava e ela também. Carla preferia vê-lo com sua velha calça jeans, lindo e sexy! Ela suspirou, tentando manter a cabeça longe dos pensamentos que começava a ter com o amigo.
Lembrou do dia em que ficaram em seu apartamento assistindo o filme que eles tanto gostavam desde criança. Foi naquele dia que ela havia reparado que seu amigo de infância magrelo havia crescido e se tornado um dos homens mais bonitos que ela conhecia. E ter um amigo bonito era uma chateação! Pensou ela, lembrando das várias meninas que insistiam que ela apresentasse Carlos para elas. No início eles se divertiam, mas depois ela começou a ficar irritada com a insistência de muitas. E elas se jogavam em cima dele. Por várias vezes ela teve que salvá-lo das mais atiradas. Não era mais divertido, pensou ela irritada que aquilo mexesse com ela. Não devia!
No dia do filme ele havia ficado apenas com seu moletom branco e sem camisa. Amanda não queria, mas teve que fazer um esforço enorme para continuar divertindo-se com o amigo. Mas ela nunca havia reparado que ele tinha músculos em lugares que nem imaginava que fosse possível. Enquanto ele comia a pipoca e ria de alguma cena do filme, ela reparava na boca carnuda e nas mãos enormes. E seu bumbum? Amanda tropeçou na rua e xingou mentalmente: -Droga! Aquilo não era bom!
Desde quando a bunda do seu amigo era motivo de distrações?
Mas foi durante a noite toda.
Cada movimento dele, cada risada, cada passada de mãos nos fartos cabelos, levou Carla à quase loucura!
Amanda percebeu que nunca mais assistir filme com Carlos seria algo inocente e infantil, como havia sido no passado.
E por eles se conhecerem a anos, ele a tratava às vezes como se ela fosse um homem. Tomava banho com a porta do banheiro aberta. Saia enrolado de toalha enxugando a farta cabeleira. Andava com seu moletom sem cueca. Amanda compreendia que deveria parar de fazer suas visitas ao amigo, alguma coisa estava acontecendo e ela ficava dia após dia perturbada com a presença dele.
Carlos não era culpado de nada, afinal, eles já se conheciam há mais de vinte anos. Desde época de escola. Ele era o menino magrela de óculos que ninguém queria brincar. Ela a menina negra de cabelos black engraçado, como os coleginhas falavam. Carlos e Amanda se identificaram logo no inicio, quando na hora do lanche ninguém havia sentado ao lado deles. Ela foi a primeiro a aproximar-se. Sentou ao seu lado e perguntou seu nome.
E desde então ele haviam se tornado inseparáveis.
Terminaram o primeiro e segundo ano na mesma escola e sala. Foram para a mesma universidade. Ele fazendo curso de medicina e ela de direito.
Quando se formaram não quiseram festas, mas os dois viajaram para vários países na África e conheceram lugares e pessoas maravilhosas. Foi a viagem mais inesquecível de suas vidas. Voltaram de lá convictos de suas profissões, pois ambos queriam de alguma forma ajudar o próximo. Carlos era extremamente gentil e bondoso. Tão diferente dela, que era a mais racional e dura. Ele via e fazia tudo com leveza e positivismo. Enquanto Amanda, a pé no chão.
Suas vidas amorosas era um desastre. Tanto ela quanto Carlos viviam entrando e saindo de relacionamentos. Eles costumavam dizer que se tudo desse errado, eles teriam um filho para dar continuidade ao nome deles. Amanda inicialmente achava engraçada essa brincadeira, mas de repente começou a imaginar como seria um filho com ele. Com qual cor de olhos sairia? Da cor de verde igual a do pai?
Deus! Desde quando os olhos do meu amigo se tornaram tão magníficos?
Desde muito tempo! Respondeu sua consciência. Há muito tempo que você o olha não mais como um amigo querido. Você o vê como um homem gostoso e desejável!
-Meu Deus!
Respirou fundo e entrou no prédio. Pedindo a Deus que ele pelo menos naquela noite tivesse a bondade de se vestir com algo decente. O porteiro a cumprimentou e enquanto ela aguardava o elevador chegar, ficou tagarelando o rapaz. O elevador chegou e ela foi caminhando lentamente tentando manter-se calma. Ela parou na frente do apartamento dele, segurando o terno que a mãe dele havia pedido que pegasse naquela manhã em sua casa.
Vilma Magalhães era a mãe de Carlos, uma jovem senhora meiga, bonita e sensível.
Uma mulher bonita e elegante que sonhava que o filho casasse e lhe desse neto. Para ela o mais importante era um lar feliz, como o dela sempre fora.
O pai de Carlos era um empresário, mas sempre havia sido um homem presente e amoroso com o filho.
Mas o sonho dele era que seu filho viesse um dia administrar os inúmeros restaurantes da família.
Carlos sempre havia expressado sua vontade em ser médico. Ele não podia ver alguém em riscos ou doente. Desde criança que ele se importava com os mais necessitados e carentes. Por várias vezes eles haviam brincado de consultório médico. Ela era a recepcionista e ele atendia as bonecas dela. Era tão divertido! Tão inocente! Porque as coisas não continuaram assim? Pensou ela desolada.
Ela olhou o relógio e viu que eles ainda teriam bastante tempo. O casamento de seu irmão começaria em duas horas. Ela já estava ficando arrependida de ter aceitado o convite para se arrumar em seu apartamento e combinaram de comer alguma coisa que ele havia preparado antes de saírem. Além de tudo Carlos era um excelente cozinheiro.
A porta se abriu e lá estava ele.
Enrolado em uma toalha branca.
Cabelos molhados caído abaixo do ombro e um cheiro irresistível de... Amanda parou de raciocinar enquanto entrava no apartamento seguindo-o, seus olhos cravados em seu bumbum musculoso. A toalha delineava aquela parte maravilhosa dele.
E aquele cheiro!
Cheiro de...
Cheiro irresistível de homem gostoso completou sua mente obscena!
Ele não tinha nada mais embaixo da toalha, só aquele corpo deliciosamente perigoso.
Ele se voltou com um sorriso nos lábios e se aproximou dando-lhe um rápido abraço.
Amanda precisou de todas as forças do universo para não agarra-lo.
Com um sorriso nos lábios perguntou:
-Pronto para conhecer sua roupa de gala?
Ele fez uma careta e cruzou os braços aguardando.
Pronto! Ela travou, olhando o tórax musculoso dele, disfarçando ela começou a abrir o fecho da capa onde estava a roupa dentro. Tentou parecer a mais natural possível.
Ela desistiu de achar que ele iria para o quarto e colocaria uma roupa, um short talvez. Vendo que ele não saia do lugar ela retirou a roupa de dentro da capa e mostrou para ele. Uma calça e paletó da mesma cor preta, uma camisa branca e sapatos também pretos.
- Não tem nada a ver contigo, mas confesso que não é tão feio como eu imaginava.
Ele pegou as roupas observando de perto.
- Sim, tenho que concordar. Nem mesmo na nossa formatura eu usei um terno...
- Nossa nem me fale! Coitadinha de sua mãe... Ainda lembro a carinha dela decepcionada porque você entrou de jeans e tênis.
- Eu e você também. -Ele riu tentando prender seus cabelos. -Sua mãe também quase teve um ataque cardíaco quando você entrou de vestido e tênis.
Ela riu lembrando que eles haviam comprado o tênis junto na mesma loja. Carlos havia insistido que ela pelo menos comprasse um vestido. Pois ela queria ir de jeans também. Depois de decidirem foram correndo numa dessas lojas que vendem vestidos de festas. Ela optou por um cheio de tules coloridos que combinou perfeitamente com o tênis branco que havia comprado. Na cabeça ela havia colocado uma tiara.
- Sim! Mamãe até hoje não perde a oportunidade para falar sobre isso...
- E ela me culpou! Sabe de nada ela... – Ele riu de novo e jogou a roupa sobre os ombros e dirigindo para o quarto.
- Coloque a água no fogo para mim. Hoje vamos comer um Tortellini. É rápido e sei que você adora!
- Amo! Escute e minha roupa? Você pegou? -Gritou da cozinha, lembrando que precisava também estar a caráter.
- Sim, está aqui no meu quarto... -Ele gritou de volta. -Venha ver! Esqueci de falar que sua mãe me entregou ontem à noite.
A mãe de Amanda também era médica e ele trabalhava no mesmo hospital que ele.
Amanda foi caminhando na direção do seu quarto. Ela fez isso espontaneamente durante anos, mas dessa vez ela foi em alerta, pois temia encontrá-lo sem roupa como várias vezes aconteceu. E ele sempre jogava nela a toalha ou simplesmente a expulsava do quarto. Normalmente eles sempre riam e pronto.
Ela foi andando timidamente e se odiando por isso.
Estava se tornando tímida e insegura perto do amigo.
A porta do quarto estava aberta e como ela temia ele havia acabado de colocar a cueca. Era daqueles modelos Box, preta. Estava de costas para ela procurando algum short dentro da gaveta. Amanda deu uma rápida olhada para seu traseiro e entrou no quarto, como uma adolescente que acabou de fazer uma arte. Viu em cima da cama um embrulho e reconheceu o nome da loja. Ela havia deixado à mãe escolher esse vestido. Foi a maneira dela se redimir de não ter colocado um do jeito que a mãe queria em sua formatura.
- Eu não abri, mas sei que sua mãe tem bom gosto... Vamos experimente!
Ele piscou para ela enquanto colocava o short.
A coisa estava fugindo do controle, pensou ela desanimada pegando o vestido.
Era um vestido lindo. Mas como sempre ela iria preferir o bom e velho jeans ou algo mais confortável. A cor era vermelha e iria moldar em seu corpo perfeitamente.
Obrigada mamãe! Pensou ela alisando a peça de roupa desanimada.
- Bom, acho que a gente já pode em breve começar a tortura!
- Não se preocupe eu estarei ao seu lado quando seus pezinhos começarem a doer. -Dito isso, ele lhe mostrou um par de sandálias que segurava.
Ela arregalou os olhos, vendo o tamanho salto do mesmo.
- Eu não vou conseguir andar nisso! Ah não! Aí já é demais...
- Amanda, nem tudo combinam com tênis! Vamos! É o casamento do seu irmão! E somos os padrinhos...
- Aí Jesus! Carlos olha isso!- Ela apontava o tamanho do salto, horrorizada.
Ele riu de sua cara.
- Serão algumas horas. Depois a gente sai de lá e vamos comer um cachorro quente! E você poderá tirar esses monstros de seus pés...
- Minha mãe disse que iria comprar algo confortável e bonito... Porque fui confiar nela?
- Você ficará linda, não se preocupe!
Ela se olhou no espelho e fez uma careta. Carlos se aproximou a examinando.
-Eu sei o que você está pensando! E eu te falei: Não corte o cabelo! Só corte depois do casamento... Mas você me ouviu? Não!
Ela algumas semanas atrás havia cortado definitivamente os cabelos.
Para o desespero dela ele se aproximou e alisava sua cabeça.
- Eu particularmente amei! Combinou com você! Mas eu sabia que ia querer fazer esses penteados loucos hoje...
- É... – Foi a única coisa que ela conseguiu falar, concentrada na caricia que recebia.
Ele continuava deslizando sua mão da nuca, atrás da orelha e no topo da cabeça. Divertindo-se com a textura e tamanho do seu cabelo. Desde pequeno ele era encantado por seus fios crespos.
Ela fazia um esforço sobre humano para não fechar os olhos e se deliciar com aquela carícia. Sem saber estava despertando nela sensação que jamais sonhou que um dia teria com ele.
De repente ele se afastou e começou a dizer algo sobre a água que deveria já estar fervendo.
Ela se recompôs e correu para a cozinha. Lá estava a salvo!
- Eu juro que depois desse casamento ficarei anos sem colocar uma roupa assim... Decididamente essas roupas não são minhas preferências...
Ela tagarelava sem parar tentando parecer tranquila. Mas suas emoções estavam em frangalhos, confusas.
Carlos apareceu com um short e milagrosamente também com uma camiseta.
Ela suspirou aliviada.
- Nem mesmo quando se casar?
Ela olhou para ele desconfiada. Se existia uma coisa que Amanda nunca parou para pensar: Casamento.
- Bom, como direi: Não sei meu amigo. Eu nem mesmo tenho namorado no momento!
Agora ele olhava para ela sério e viu uma coisa estranha em seu rosto só não sabia dizer o que.
- Mulheres são diferentes de nós homens, uma hora seu relógio estará clamando por um marido, filhos e uma casa confortável!
Ela colocou os Tortellinis dentro da panela com água fervente e tentando parecer engraçada disse:
- O que aconteceu com o nosso plano em termos filhos juntos?
- Esse plano seria se tudo desse errado...
-Ah, mas a gente não dá certo com ninguém, sua última namorada, por exemplo... Quanto tempo durou o namoro?
- Sei lá!
- Sim, mas eu sei dois meses... E ela era legal!
Ele mexeu o Tortellini na panela dizendo:
- Olha quem fala! E Gilberto, aquele homem lindo, que você disse que estava apaixonada? O deus ébano... Segundo você própria! -A voz dele era de puro deboche e ironia. - O cara fumava igual a um dragão! Deus do céu! Nem sei como você suportou...
-Ele era um machista arrogante! Achava-se o melhor advogado do mundo e era...Mas realmente aquele bafo dele... – Ela riu lembrando de Gilberto. -Eu te disse: Não temos sorte no amor.
- Talvez não estejamos procurando certo. É isso...
- Talvez nós sejamos muito exigentes. -Ela completou.
- Amanda, Amanda...
- Carlos, Carlos!
Eles riram um do outro.
- Quem sabe hoje no casamento, algum amigo do seu irmão... Ou uma amiga dele olhe para a gente!
Quem sabe! Pensou ela vendo-o assumir a cozinha. Mas não queria conhecer mais ninguém. Queria primeiro entender seus sentimentos em relação a ele. Queria saber o motivo daquele fogo que a consumia quando estavam juntos e dos pensamentos lascivos quando pensava nele. Antes uma simples refeição era puro divertimento, porém agora havia se tornado numa tortura infernal.
Como agora, por exemplo, que estavam jantando. Ele contava algo sobre a noite anterior, de algum paciente e ela só conseguia prestar atenção na sua boca. Onde estava seu amigo magricela, de óculos que ela tanto amava conversar? Tentando se concentrar no que ele dizia e parecer tranquila ela terminou seu jantar.
Carlos terminou de se arrumar e prendeu o cabelo no mesmo penteado de sempre. Olhou-se no espelho e respirou fundo.
Ele estava nervoso!
Queria ficar especialmente bonito naquela noite. Queria chamar atenção de uma mulher especial. Queria que ela o olhasse e o desejasse, assim como ele a desejava.
Droga! Pensou ele colocando um pouco do perfume e endireitando a gravata.
Ele se sentia como um adolescente que estava indo para seu primeiro baile. Baile que possivelmente beijaria sua amada.
Ah, coisas de filmes!
Ele estava muito sensível e romântico.
E tudo isso seria normal, se a mulher que ele desejasse tanto não fosse sua melhor amiga!
Deus... E ela estava ali, dentro do seu banheiro tomando banho e depois se vestindo. E ele imaginando como seria aquele corpo nu.
Ele sentiu um calor subindo em seu corpo e olhou para a porta, ouvindo o som do chuveiro. Imaginou ela se banhando e passando as mãos naquele corpo que estava sendo seu martírio durante algum tempo atrás.
Eles sempre foram tão amigos! As coisas entre eles sempre havia sido tão inocente e de repente ele estava olhando seus fartos seios, cheio de desejo. Via seu traseiro e sentia forte ímpeto de tocá-lo. Ficava imaginando o quão macia seriam seus lábios carnudos!
Ou como seria possuí-la?
Como Amanda reagiria quando estivesse excitada!
Será que era da mesma forma quando ela assistia a um jogo de futebol e gritava, com olhos brilhando em fogo?
Será que ela o arranharia e gritaria seu nome em êxtase?
Ele balançou a cabeça desesperado.
Olhando de novo para a porta ele saiu do quarto.
Não iria ficar ali e cometer uma loucura.
Queria agir como antes e sentar na cama e esperar ela sair do banheiro enrolada numa toalha e puxar algum papo sobre amenidades.
Não...
Isso não daria mais certo. Aliás, foi num dia assim que ele a viu de toalha e contava sobre sua aula de direito administrativo que ele reparou em suas pernas torneadas. Que viu que seus seios eram fartos, mas que caberiam direitinhos dentro de suas mãos. Que sua cintura era fina e seu quadril era perfeito! Amanda era uma mulher linda e sexy.
Mas sua melhor amiga!
E ela parecia não reparar no tumulto que causava nele, muito menos a forma que ele a olhava e a desejava.
Hoje por pouco ele não fora traído por sua atração por ela e ser visto completamente excitado.
Ele teve que pegar a roupa que ela trouxera e colocar em sua frente, antes que ela visse seu membro reagir a ela.
Ele precisou distrai-la! Seria embaraçoso demais ser visto daquele jeito por ela e não ter como explicar aquele excitamento todo e do nada...
Queria Amanda demais!
E a coisa estava perdendo o controle.
Ele precisava fazer alguma coisa e rapidamente.
Ele pensava nisso quando ela saiu do quarto.
A principio ele pensou que teria um ataque de pânico, pois a amiga simplesmente estava deslumbrante!
O vestido vermelho combinou com sua cor negra. As costas estavam de fora e ele se moldava perfeitamente em seu corpo delgado.
Ela havia colocado as sandálias e feito uma maquiagem que a deixava adorável e sexy.
Amanda estava deslumbrante.
Ela o olhava de um jeito estranho e disse:
- Não vai dizer que estou estranha?
Ele reparou que havia prendido a respiração e a olhava atônito. Rindo tentando parecer normal, disse:
- Você está linda! Eu quase não te reconheci.
Então, ela fez o que ele achou a maior covardia: Deu uma volta lentamente, exibindo o vestido. Mas claro, ele reparava cada detalhe!
Ele reparou no traseiro arredondado, na cintura fina e nas costas nuas. Suas mãos coçaram querendo tocá-la!
- Se meus cabelos estivessem maiores, talvez...
- Talvez nada! Você está perfeita! Será a madrinha mais linda do casamento...
Ela riu nervosa passando a mão na cabeça.
- Mentiroso!
Ele queria estar mentindo, mas sabia que essa era a mais perfeita verdade!
- Eu sabia que você se sentiria assim... Mas o tamanho do cabelo nunca te deixaria mais bonita ou mais feia! Acredite em mim!
Ela olhou para ele grata.
- Obrigada amigo! E você também está lindíssimo! Uauu... Vamos arrasar essa noite!
Ele teria planos melhores para essa noite, mas nada disse. Engolindo em seco, tentou parecer normal quando disse:
- Ficarei de olho em você pra ninguém te atacar! Porque está perfeita!
Ela deu outra girada, com as mãos na cintura fina. Ele reconheceu que naquela noite, se algum homem sonhasse em olhar para aquele corpo maravilhoso, ele cometeria uma loucura.
- Vamos? – Perguntou ele pegando as chaves do carro na mesa.
- Sim! Vamos lá...
- Você quer levar algum chinelo para caso de não aguentar ficar a noite toda com essa sandália alta?
Ela ponderou por alguns segundos, mas acabou concordando. Carlos foi até seu quarto voltando com uma sandália de salto baixa e bem mais confortável do que a que estava usando.
- Pronto!
- Ah você sempre me salvando...
- Pois é...
Eles saíram rumo à Capela onde ocorreria o casamento.
Se existia uma coisa que Amanda acreditava era historias de amor com finais felizes. Pelo menos quando não se tratava de sua história. Pensou ela triste olhando para Carlos.
Mas lembrou do irmão Lucas e sua cunhada Débora. Eles haviam se conhecido há anos atrás, mas ela havia se mudado para outra cidade com os pais. Porém o amor deles suportou a distancia e depois de três anos namorando praticamente à distancia, eles decidiram se unir.
Débora era uma tímida professora e seu irmão um marinheiro naval. Eles formavam aquele casal que dava inveja em ver. Seu irmão era completamente apaixonado e costumava fazer todas as vontades de sua noiva. Como eles precisavam se ver a cada três meses, Lucas conversava com ela todos os dias por chamadas de vídeos e Amanda nunca viu nenhuma traição por parte dele. Pelo contrário. Lucas vivia sobre pressão dos amigos que praticamente insistiam que ele arrumasse alguma mulher para se distrair enquanto não se casava.
Amanda por algum tempo havia conversado com Carlos sobre seu irmão e de como ele conseguia ficar tantos meses sem contato com a noiva e mesmo assim, se manter tão fiel.
- Com certeza ele a ama muito! E ela tem muita sorte em ter encontrado um cara igual a Lucas! Eu o admiro.
Amanda teve que concordar. Ela conhecia poucos homens que fossem tão fiéis e leais.
- Você conseguiria manter um relacionamento à distancia?
Carlos pareceu pensar por alguns segundo. Quando respondeu, tinha um lindo sorriso em seu rosto:
- Menina, se perto está difícil pra mim, imagina longe! Claro que não! Eu arrumaria um jeito rapidinho de ficar perto dela. Eu nunca conseguiria ficar longe da pessoa que amo...
Amanda tinha que admitir que ela também não.
Principalmente agora que sua vida e emoções estavam totalmente confusas a respeito dos sentimentos por Carlos.
- Chegamos! -A voz dele a trouxe de volta a realidade. Ela olhou para a pequena igreja aonde seria o casamento. Os noivos decidiram casar ali, pois era a capela mais bonita da Cidade. E Amanda concordava. Mas se um dia ela viesse a se casar, gostaria que fosse numa praia, com palmeiras sob o vento. Ela e o noivo descalços e com roupas bem alegres! Em sua mão um buquê de flores retirado de algum canteiro. A única música o barulho das ondas do mar.
- Hei... Acorda Amanda!
Ela olhou para Carlos sorrindo. Ah se ele soubesse o que ela esteve pensando!
- Estava com a cabeça na lua... Que lindo aqui não é?
Ele olhou para a capela e respondeu:
- Eu preferia casar numa praia... Mas ok. É bonita mesmo.
O coração de Amanda saltou dentro do peito. Era incrível a conexão e gosto mútuo que eles tinham. E ela percebeu que nunca havia conversado com ele sobre casamento. Ou onde gostaria de casar.
Eles saíram do carro e se juntaram aos outros casais que aguardavam a noiva do lado de fora da Capela.
Amanda percebeu os olhares de algumas amigas de Débora, solteiras e que seriam também madrinhas. Todas elas sabiam que Amanda e Carlos eram apenas amigos então de nada adiantava a sua mão segurando a dele.
De nada!
Uma delas se aproximou deles com um sorriso sensual e olhando Carlos de baixo a cima.
- Olha só quem chegou! Só faltava você chegar... E a noiva é claro.
Ela ignorou completamente Amanda que estava ao lado dele. Antes isso era totalmente normal para ela, não ligava, mas naquela noite sentiu uma raiva misturada com posse. Ou seria ciúme?
- Nós tínhamos que terminar algumas coisas antes de virmos para cá... – Respondeu Carlos olhando e piscando para Amanda.
Quando eles eram mais novos e ele queria se safar de alguma menina, eles simulavam serem namorados.
Entendendo a mensagem, ela se aproximou mais dele e deu um sorriso sensual.
- Sim... E quase que a gente se atrasa mais...
Ela jogou as palavras no ar e viu que a outra arregalou os olhos, vendo a intimidade entre eles. Sem dizer mais nada ela se afastou, cochichando algo para a outra madrinha que os olhou desconfiada.
Amanda apertou a mão de Carlos que retribuiu o gesto sem se olharem.
Lucas chegou perto deles e estava extremamente nervoso.
- Calma querido!- Pedia sua mãe logo atrás dele.
Ele chegou perto da irmã e Carlos e os abraçou rapidamente.
- Será que ela desistiu? Está demorando muito...
Carlos riu dando lhe tapas suaves nos ombros:
- Noivas se atrasam meu amigo...
Lucas olhou aflito para a irmã, Carlos e depois para a mãe, sem falar nada.
- Ele está assim desde ontem. Vocês acreditam que ele queria ir dormir no Hotel onde Débora e os pais estão hospedados?
- Ah não acredito... - Riu Amanda olhando carinhosamente para o irmão.
- Eu insisti que eles ficassem lá em casa, mas os pais dela não aceitaram... E tinha aquela coisa não poder ver a noiva antes... Essas bobagens...
- Irmão, calma! Ela vai chegar!
- E se ela desistiu? E se aconteceu alguma coisa?
- Nada pode ter acontecido meu querido... Tenha calma. Respira.
Amanda segurou sua mão e constatou que estavam frias. Nunca tinha visto ele tão nervoso.
- Venha, vamos lá dentro...
Amanda piscou para Carlos e levou o irmão para dentro, procurando algum lugar para lhe dar um copo de água. Temia que ele tivesse uma crise de ansiedade ali.
Mary a mãe de Amanda e Lucas viu os dois se afastarem com um sorriso nos lábios.
- Eu sempre achei que ele não ia aguentar esse momento! Mas ele está se superando!
Carlos riu.
- Você está lindíssima! Aliás as mulheres da família do noivo estão arrasando nessa noite!
Ela sorriu agradecida.
- Eu vi que Amanda está linda! Ela não reclamou do vestido e do sapato?
Carlos fingiu surpreso e ela gargalhou:
- Mas é claro que sim... Ela nunca gostou dessas roupas... Mas pode dizer: Fiz uma bela escolha não foi? – Perguntou Mary divertida.
Ele concordou:
- Belíssima! Eu até trouxe uma sandália mais baixa, porque sei que em breve ela começara a reclamar.
Mary olhava para ele com um olhar indagador e disse:
- Quando que vão entender que existe muito mais que uma amizade de criança entre vocês?
Carlos foi pego de surpresa. Ele conhecia a mãe de Amanda há anos e ela nunca havia tocado naquele assunto. Sentiu que estava sendo sufocado e mexeu na gravata, nervoso.
- Não entendo! O que quer dizer Mary?
A mãe de Amanda apenas sorriu e disse:
- Salvo pelo gongo rapaz... A noiva acabou de chegar. Mas o dia que você quiser falar sobre isso, sabe onde me encontrar. Afinal trabalhamos no mesmo hospital... - Dito isso ela se encaminhou para a entrada da Capela.
Carlos engoliu em seco. Será que a mãe de Amanda havia percebido alguma coisa em seu comportamento? Seria obvio que ele a desejasse?
Ele procurou Amanda com o olhar e viu quando ela se aproximou com um sorriso nos lábios. Chegou perto segurando sua mão.
- Está tudo bem? Você parece esquisito? Aconteceu alguma coisa?
Ela olhava para ele preocupada.
- Que nada! Só essa gravata bendita! Nunca irei me acostumar com isso...
Ela sorriu e o puxou para a entrada da Capela.
A cerimônia foi emocionante e breve. Depois eles foram para o grande salão de festas que ficava logo atrás da Capela.
Tudo estava muito bonito e enfim o noivo pareceu relaxar.
Amanda via como os dois pareciam felizes e realizados. Ela pegou uma taça de champanhe e ficou assistindo o discurso do pai da noiva com um sorriso nos lábios.
Os pais da noiva eram pessoas extremamente simpáticas e boas. Eram ricos, mas nunca haviam tratado qualquer pessoa de forma diferente ou arrogante. Sempre alegres e amorosos com as pessoas. Por isso que Débora era a pessoa mais meiga e generosa que Amanda conhecera até então.
Ela tinha certeza que seriam felizes. Pois o irmão era um dos homens mais inteligente e romântico que existia na face da terra.
A festa estava bastante animada com pessoas dançando na pista.
Amanda se requebrava no meio do salão ao som de uma melodia sexy, sob os olhares de alguns rapazes.
Carlos olhava a amiga dançando e fazendo alguns passos sensuais junto com a noiva que parecia ter se soltado depois de algumas taças de champanhe.
Ele viu quando um rapaz se aproximou dela e lhe sussurrou alguma coisa em seu ouvido. Ela pareceu não entender e ele repetiu. Amanda apenas sorriu e continuou a dança sexy. O rapaz pareceu conformado e ficou afastado apenas olhando.
Ele não recriminou o rapaz que se aproximou e nem muito menos os outros que olhavam para ela querendo devorá-la. Ele também não era imune aquele corpo, muito menos conseguia retirar os olhos dela. E ela poderia ficar parada em qualquer canto que ele repararia nela.
Ele tentava se convencer disso quando viu outro rapaz se aproximar com duas taças de champanhe. Carlos não aguentou e se aproximou deles.
O rapaz quando o viu arregalou os olhos e se afastou.
- Ah você está aí... Vem, vamos dançar!
Pediu Amanda o puxando para perto de si.
Ele tentava acompanha-la, mas a melodia exigia que eles ficassem mais pero e isso ele teria que evitar.
Amanda se requebrava e esfregava o corpo no dele de uma forma provocante.
- Ahh! Vamos Carlos! Você sabe dançar! Porque está todo duro aí?
Sussurrou ela em seu ouvido rindo. Ela parecia um pouco alta, por causa da bebida. Ele colocou as mãos em sua cintura e acompanhava seus passos, pedindo a Deus que se concentrasse apenas na dança.
- Isso aí! – Gritou ela passando os braços em seus ombros e se requebrando junto com seu corpo.
Carlos desviou o olhar do dela. Aquilo era demais!
Então era isso? Ela queria dançar e se esfregar nele? Pois então vamos lá...
Ele a puxou mais para perto de si enquanto seus corpos se embalavam no ritmo sensual e quente. Ela girava sem se afastar muito e ele a puxava de volta para perto também mexendo o corpo, aumentando a velocidade conforme o ritmo aumentava.
Quem os visse de longe diria que eram dois amantes ensaiando um jogo erótico?
Seus rostos estavam agora bem próximos e ela cantarolava a música.
E a letra não poderia ser pior, pensou ele com os sentidos aguçados:
"Veja como você me deixa louca! Até o vento que bate em meu corpo parecem seus dedos deslizando em mim... Vem baby e me faz tua! Eu sei que você também me quer".
Carlos conduzia Amanda naquele ritmo se perguntando se ela também sentia a mesma coisa que ele. Ele a encarou e seus olhos ficaram ali uns grudados no outro, enquanto eles continuavam na ritmo daquela melodia. Ele agora também cantarolava a música com os olhos grudados em sua boca...
Foi quando a música terminou e a magia do momento junto. Os dois ficaram se encarando, sem entender o que havia acontecido.
O Dj pediu para aplaudirem e eles aproveitaram para se recompor daquele momento cheio de tensão sexual.
Seria loucura ou Amanda também havia sentido o mesmo que ele?
Perguntava-se enquanto os dois se dirigiam mudos para a mesa.
- Vou pegar uma bebida, você quer uma?
Perguntou ele para Amanda tentando parecer calmo, mas estava a ponto de ter um ataque de nervos.
Amanda evitou encará-lo e respondeu:
- Ah não! Eu acho que já bebi demais por hoje! Vou ao banheiro e já volto!
Ele concordou e foram cada um para um lado.
Amanda chegou ao banheiro com o rosto pegando fogo. O rosto e outras partes do seu corpo.
O que havia acontecido?
Ela por pouco não havia beijado Carlos. Eles estavam tão mergulhados na magia do momento que quase haviam feito uma besteira na pista de dança.
Será que ele havia sentido a mesma coisa que ela ou apenas era coisa de sua cabeça?
Ela se olhou no espelho e seus olhos brilhavam mais que o normal.
Ela morreria colocando a culpa no champanhe que havia bebido. Foram mais de três taças e é claro que o álcool a fez ficar mais solta que o normal! Foi isso, calma menina! Dizia para si mesma.
Foi isso!
Ela abriu a torneira e deixou que a água caísse em seus pulsos numa tentativa frustrada em diminuir o fogo que a queimava por dentro.
Quando ela saiu do banheiro encontrou Carlos conversando com um grupo de pessoas, passou por eles acenando com a cabeça. Ele retribuiu o gesto e continuou o papo com as pessoas.
Carlos tentava concentrar-se no papo com as pessoas a roda. Mas tudo que ele conseguia era recordar os minutos em que esteve com Amanda na pista de dança.
Ele queria acreditar que tudo havia sido fruto de sua cabeça e que a amiga não estava no mesmo grau de tesão que ele.
Ele viu quando ela saiu do banheiro com a cabeça erguida e um sorriso nos lábios.
Sim, tudo não passara de um momento comum para ela. Amanda apenas dançava e divertia-se e ele achando que ela poderia ter sentido algo a mais naquele momento.
Ele precisava parar de pensar assim. Precisava parar de enxergar a amiga como uma mulher desejável.
Ela era e sempre foi uma de suas melhores amigas e ele não poderia estragar aquele relacionamento por que ele queria transar com ela.
Sim. Era isso!
Ele queria transar...
Ele precisava transar!
Olhou em volta e seus olhos encontraram com a de Letícia, que o olhava cheia de desejo.
Ele sorriu de volta.
Bem, não seria ruim se permitir conhece-la. Ele precisava beijar alguma boca e sentir algum corpo feminino em seu corpo.
Era isso! Muitos meses sem transar.
Ele pediu licença para o grupo e se aproximou da moça, que o olhava encantada.
- Olá! A gente nem se falou direito hoje.
Letícia sorriu e ajeitou o cabelo por trás da orelha. Diferente de Amanda, ela tinha longos cabelos.
Amanda, Amanda... Raios... Pensou ele olhando para a mulher a sua frente e recriminando-se por fazer tal comparação.
- Eu ia dizer o mesmo! Mas que bom que nós resolvemos mudar isso! Você agora está aqui...
- Sim estou...
Ela começou a falar sobre seu trabalho e em como estava louca para tirar férias em algum lugar especial, com alguém especial. Carlos ouvia a tudo, mas sabia dentro dele que não gostaria de estar ali.
Queria sair dali na verdade e sair com Amanda. E irem a qualquer lugar longe e se amarem.
- Ah que bom, então vou avisar que irei embora com você...
Ele apenas ouviu a ultima parte do que ela dizia, antes dela virar entusiasmada na direção de algumas pessoas.
Droga!
Ele nem mesmo prestou atenção no que ela havia falado, mas pelo que entendeu havia marcado de levá-la embora.
E agora?
O que diria para Amanda?
Ele a buscou com o olhar e a viu conversando e tirando fotos com algumas pessoas.
Droga pensou ele de novo!
Letícia aproximou-se de novo, com seu sorriso no rosto.
- Pronto, já avisei ao pessoal que irei embora contigo...
- Só tem uma coisa que não falei: Eu vim com a Amanda, então, eu a deixarei em casa e depois e deixo na sua ok?
Ela pareceu um pouco aborrecida, mas falou:
- Tudo bem! Vocês são amigos e eu super entendo. Eu também tenho um melhor amigo, mas ele é gay...
Ela riu do seu comentário e recomeçou a falar dela, de seus sonhos e outras coisas que ele jamais lembraria.
- Olá! Tudo bem com vocês?
Amanda surgiu no meio deles com um sorriso nos lábios. Seus olhos eram de alerta. Ele sorriu de volta e respondeu:
- Tudo sim!
- A gente estava mesmo falando de você. - Letícia parecia que havia ganhado na loteria e Amanda olhava para Carlos tentando entender o que se passava.
- É mesmo? E porque seria?
- Nada de mais querida... -Começou a outra alegre e Amanda queria esmurrá-la. Querida?
- É que Carlos combinou de me levar para casa, mas tem você não é? Daí nós decidimos deixa-la em casa e depois ele vai me deixar na minha, não é Carlos?
Amanda encarou Carlos aguardando a resposta dele.
- Sim, sim... Se não for ruim para você!
Ela queria gritar que sim, que ele tinha marcado deles comerem um cachorro quente, porem não disse isso, apenas respondeu sorrindo:
- Claro que não tem problema, problema algum... Se você quiser, eu peço mamãe para me levar para casa...
A outra deu um gritinho de felicidade:
- Mesmo? Olha que ideia ótima! Não é Carlos?
Amanda encarou o amigo sorrindo, tentando parecer alegre e despreocupada.
- Ok então... Se para você está tudo bem...
- Sim. Como eu disse: Não me importo, acho até que irei dormir na casa de mamãe. Um tempo que ela me pede isso.
- Pronto! Viu? No fim tudo se ajeitou! – Gritou a outra alegre, segurando o braço de Carlos.
Amanda pediu licença e se retirou de perto deles.
Ela estava servindo-se de alguns salgados quando ouviu a voz dele atrás de si:
- Tem certeza que ficará tudo bem? Afinal a gente havia combinado se comer um cachorro quente e...
Ela o cortou irritada:
- Agora não tem importância! A outra lá teria um troço se não for embora contigo.
Ele acompanhou o olhar dela na direção de Letícia que conversava com algumas pessoas perto da pista de dança.
- Eu não tive como negar... -Ele começou a falar.
- Relaxa amigo! A gente come o cachorro quente outro dia! Vá se divertir! Acho que ela está afim de você!
Ele estava irritado.
Não queria ouvir isso dela.
Queria que ela fizesse uma cena de ciúmes e que impedisse dele sair com a outra.
- Ok, se é isso que quer...
- Você precisa se divertir...
- Você já falou isso! Mas eu estava me divertindo com você também!
- Eu quis dizer outra coisa...
Ele a olhou incrédulo.
- Ahh é isso! Você quer dizer transar! Eu preciso transar!
- E não?
- E você não?
- Eu estou tranquila meu amigo
- E quem disse que eu não estou?
- Você é homem Carlos e...
Ele começou a rir e se aproximou mais dela. Ela recuou. Não curtiu o que viu em seus olhos. Era um olhar quase assassino.
- Pois eu te digo uma coisa: Eu vou sair com ela sim. E se ela quiser fazer amor comigo é isso que farei: a noite toda! Sim eu estou doido para uma noite perfeita de sexo e sabe? Eu não tenho vergonha de dizer isso!
Amanda engoliu em seco sustentando seu olhar.
- O que foi? Você marca com a bonita ali, me dispensa mesmo sabendo que tínhamos marcado uma coisa depois...
- Tá, mas eu mudei de ideia! Quero transar! É isso! E com você eu não posso transar! Você é minha amiga, certo?
Ouve um silencio entre eles. Carlos a olhava buscando alguma coisa em seu rosto.
Ela estava exausta.
Cansada de ficar ali tentando adivinhar o que estava sentindo.
Imagina-lo fazendo amor com Letícia a enchia de raiva e desgosto.
Porem respondeu:
- Sim... É isso! Nós somos amigos! E quero que se divirta... De coração...
Ele balançou a cabeça e respondeu sério:
- É o que farei minha amiga...
Depois disso eles não se falaram mais a festa toda. Amanda conversou com a mãe e combinou de dormir em sua casa. A mãe achou estranho, mas não disse nada.
Era quase uma da manha quando Carlos e Letícia foram embora. Ele a cumprimentou de longe e saiu.
A festa para Amanda também havia terminado. Não tinha mais graça.
Porem ficou mais uma hora com a mãe, até que exaustas foram embora também.
Sua mãe dirigia o carro em silencio, mas em dado momento falou:
- O que aconteceu com você e Carlos?
Amanda a fitou espantada.
- Nada ué... Porque pergunta?
- Por que vocês pareciam bem aborrecidos agora a pouco. Ele parecia que estava indo para um abatedouro...
A mãe riu do seu próprio comentário.
- Deixa ele mãe... Ele precisa sair e conhecer uma mulher...
A mãe a olhou de soslaio:
- Eu acho que ele já encontrou essa mulher minha filha!
- Mesmo? Melhor para ele...As vezes eu acho que o atrapalho!
Mary encarou a filha penalizada.
- Eu as vezes acho que você e ele dificultam muito as coisas...
- Não entendi mamãe!
- Eu acho que vocês dois tem algo... Um lance muito forte!
Amanda riu.
- Não se diz mais lance, mamãe!
- Ah é? Engraçadinha... E não mude de assunto.
Amanda se consertou na poltrona do carro sentindo-se incomodada com o rumo daquela conversa.
- Nós somos amigos é isso! E passamos muito tempo juntos. Talvez eu deva dar mais espaço para ele sair e conhecer outras pessoas e eu idem.
- Sei...
- Ah mamãe, por favor! Você viu? Hoje ele saiu com a Letícia! Quem sabe os dois não se acertem!
A mãe a encarou de novo, estudando seu rosto:
- É isso mesmo que você quer?
Amanda mexia nervosamente os dedos e respondeu rápido demais:
- sim... É o melhor!
A mãe concordou, e mudou de assunto para alivio de Amanda.
Amanda tomou banho e foi para o quarto que havia sido seu durante quase sua vida toda. Deitou na cama olhando as estrelas do céu. A noite estava quente e estrelada e ela sentia-se melancólica e triste.
Queria sair andando e gastar as energias acumuladas naquela noite. Revirou na cama, agitada.
Droga!
Onde Carlos estaria?
Com Letícia?
Pegou o celular e não tinha nenhuma mensagem dele no WhatsApp.
Claro que não sua besta! Ele deveria estar fazendo amor com a outra.
Aquilo doía nela.
E mais que isso: Ela queria estar no lugar de Letícia. Recebendo as caricias, sendo beijada!
Implorando que ele a possuísse!
Ela apertou o travesseiro sobre seu corpo sentindo-se aflita.
Por fim foi vencida pelo cansaço e adormeceu.
No dia seguinte ela amanheceu com forte dor de cabeça. Seu celular não tinha nenhuma ligação de Carlos.
Ela deu de ombros indo para o jardim ajudar a mãe.
Era domingo e elas combinaram de cozinharem juntas e depois assistirem um filme. Há muito tempo que ela e a mãe não faziam nada juntas. No fim da noite, ela sentia-se melhor. A mãe estava tão feliz com sua presença que fez a sobremesa que tanto gostava. Por mais que estivesse chateada com a falta de noticias de Carlos, ela podia dizer que teve um final de semana maravilhoso com sua mãe.