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ENTRE O AMOR E O ÓDIO..

ENTRE O AMOR E O ÓDIO..

Autor:: Tamires Coelho.
Gênero: Bilionários
Em meio aos encontros e desencontros da vida, Rebecca Jenkins Halgrave e Alex Shaw Baker cruzam seus destinos numa noite em Seattle, transformando um momento frustrante em um fim de semana extraordinário. No entanto, o caminho que se desenha para esse jovem casal é permeado por desafios e reviravoltas, testando os limites de sua conexão improvável. Com cenas sensíveis e um enredo que mergulha nas complicações do romance e do drama, a narrativa revela uma história marcada por obstáculos, linguagem inapropriada e momentos de violência, desafiando os personagens a confrontarem não apenas o mundo ao seu redor, mas também os próprios erros. Será que o destino será benevolente o suficiente para permitir que esse casal improvável alcance a tão almejada felicidade? Somente o tempo revelará.

Capítulo 1 Pare de viver de aparências

Boston amanheceu com um sol radiante, anunciando a plenitude do verão. Enquanto muitos se deleitavam com as tão esperadas férias, Alex Shaw Baker permanecia imerso em sua rotina de trabalho, zelando pelos interesses do grupo familiar. Há cinco anos, ele vinha desempenhando essa função com excelência. Concentrado em seus contratos, a suavidade das batidas na porta quebrou momentaneamente a serenidade de seu escritório, marcando uma pausa em suas atividades.

- Entre! - Ordena Alex, direcionando seu olhar para a porta.

- Olá, meu amor! Você está prestes a terminar o trabalho? - Pergunta Sophia ao entrar na sala.

- Sophia, o que a traz até aqui? - Questiona Alex, erguendo os olhos de seus documentos.

- Nossa, que recepção é essa? Pensei que ficaria feliz em me ver. - Retruca, com um tom de amargura em sua voz.

- Desculpe se dei essa impressão. Mas, sinceramente, qual o motivo da sua visita hoje?

- Alex, hoje é a festa da sua família. Você vai comigo, certo? - Pergunta Sophia, com esperança na voz.

- De maneira alguma irei a essa festa. Por que estamos discutindo isso novamente? Não deixei claro que já tomei minha decisão?

- Acredito que você ainda pode reconsiderar, Alex. É realmente significativo para mim prestigiarmos a família Ramsey. Seria muito rude da nossa parte não ir. - Argumenta Sophia, buscando persuadir com delicadeza.

- Qual é o seu problema? Já deixei claro que não participarei de nenhum evento com a família Ramsey. Para mim, eles não representam nada, e não os considero parte da minha família. Pare de viver de aparências. Não me importo se soará rude, mas não irei à festa, e acredito que você também não deveria.

- Eu não posso deixar de ir. Eles também são minha família, e minha tia jamais me perdoaria. - Responde, com uma pitada de tristeza em sua voz.

- Tudo bem, decida por si mesma. Apenas não traga mais essa questão da família Ramsey para mim. Não tenho interesse! Agora, se retire, por favor. Tenho muito trabalho a fazer. - Solicita de forma ríspida, voltando sua atenção para suas responsabilidades.

- Alex, por favor, não me trate assim. Suas palavras estão me machucando profundamente. Não sei se conseguirei perdoá-lo se continuar agindo dessa maneira. - Adverte Sophia, com a voz embargada, enquanto se afasta em direção à porta.

- Sophia? - Chama Alex, seus olhares se encontram por um instante. - Mais uma coisa, por favor, seja discreta na festa e mantenha a compostura. Não quero problemas. Ligue-me quando chegar em casa. - Orienta, enquanto ela o encara visivelmente incomodada e deixa o escritório, fechando a porta com um baque.

Alex ergue-se e se dirige à janela. É seu refúgio habitual quando precisa afastar-se das preocupações que o assolam. Enquanto observa a paisagem lá fora, seus pensamentos mergulham nas complexidades de seu relacionamento com a família paterna, especialmente nas tensões persistentes com seu pai e irmão mais velho, que o levam a evitar a todo custo participar dos eventos organizados por eles.

Alex se ergue da cadeira e caminha até a janela. É um hábito seu buscar a tranquilidade da paisagem exterior sempre que as preocupações o invadem. Contemplando a vista, sua mente se perde nas complicações que compõem seu relacionamento com a família paterna. Ele reflete sobre as tensões constantes, especialmente com seu pai e irmão mais velho, que o levaram a evitar a todo custo participar dos eventos organizados por eles.

- Dane-se, não tenho por que pensar nisso! - Resmunga Alex, agarrando o celular e discando um número. - Henrique, boa tarde! - Cumprimenta, assim que a ligação é atendida. - Por favor, leve a senhorita Spencer hoje à noite à festa da família Ramsey e esteja disponível para levá-la para casa quando o evento terminar.

- Alex, boa tarde! Certo, entrarei em contato com ela.

- Obrigado! - Agradece, encerrando a ligação com um leve suspiro de alívio.

Após um período de reflexão, contemplando a serenidade da paisagem, ele retorna à sua cadeira e mergulha no trabalho, mantendo-se assim durante toda a tarde. No início da noite, o som do toque do celular interrompe sua concentração.

- Vovô, boa noite! O que o senhor precisa? - Indaga Alex ao atender.

- Alex, boa noite! Está tudo confirmado para a viagem mais tarde?

- Sim, estou saindo do escritório agora. Passarei em casa para me preparar e nos encontraremos no hangar mais tarde! Vovô, o senhor tem certeza de que quer seguir com isso? Essas empresas não têm um histórico muito atrativo e, sinceramente, não me transmitiram confiança.

- Meu filho, gostei do que analisei. Proponho ouvirmos a proposta deles. Se não for favorável, declinamos. Tudo bem?

- Certo, continuo acreditando que a viagem é inútil. Nos encontramos mais tarde. - Conclui Alex, encerrando a ligação e deixando o escritório com um ar de preocupação.

Ao entrar na garagem do prédio e se instalar em seu carro, Alex decide ligar para Sophia enquanto dirige para casa.

- Alex, você está me ligando para se desculpar? - Questiona Sophia ao atender.

- Pedir desculpas? Por que eu faria isso?

- Sua atitude foi extremamente grosseira. - Insiste Sophia, deixando transparecer sua mágoa.

- Sophia, por favor, evite esse comportamento mimado. Suas atitudes estão me deixando descontente. Como você espera que eu a trate? - Retruca Alex, demonstrando sua própria frustração.

- Sou sua namorada, não uma funcionária. Mereço ser tratada com respeito. - Expressa em tom de queixa, reafirmando sua posição com firmeza.

- É hora de agir de acordo com isso! Não quero discutir agora. Só liguei para informar que o senhor Henrique a levará à festa da família Ramsey e estará disponível para te levar de volta para casa, tudo bem? - Declara Alex, tentando encerrar o assunto diretamente.

- Alex, estou encontrando dificuldades em compreender você. A sensação é de que estamos, a cada dia, mais distantes. O que está acontecendo conosco? - Questiona Sophia, revelando sua preocupação.

- Distante? Como assim? - Indaga Alex, surpreso com a observação.

- Alex. Ficamos semanas sem nos tocar, e você parece estar em outro mundo. Todos sabem que sou a namorada de Alex Shaw, mas ultimamente sinto como se estivesse me relacionando com um fantasma. Por que está se distanciando assim? Você ainda me ama? - Pergunta Sophia, temerosa da resposta. - Alex?

- Sophia, é realmente o momento adequado para essa conversa? Como você bem sabe, não sou fã de festas, principalmente aquelas relacionadas à família do meu pai. Por que tocar nesse assunto agora? - Questiona Alex, tentando desviar o foco da discussão, sua voz soando um tanto defensiva,

- Por que essa aversão tão intensa pela família do teu pai, Alex? Existe ciúmes porque ele os escolheu em vez de você? Mesmo após as inúmeras desculpas que ele já te pediu, você ainda mantém essa atitude em relação a eles. - Afirma Sophia, sua voz carregada de frustração, enquanto uma risada sarcástica escapa de Alex. - Não estou sendo clara, é isso?

- Sophia, estou realmente decepcionado com essa postura. Não nutro ciúmes de ninguém, e as escolhas do meu pai são irrelevantes para mim. Não vejo sentido em participar desse ciclo social e não fingirei apenas para te agradar. Já pedi várias vezes para deixar esse assunto de lado. Se insistir em trazê-lo à tona, saiba que não hesitarei em expressar todos os meus sentimentos em relação a você. - Conclui Alex, encerrando a ligação sem dar espaço para uma resposta. Sophia tenta ligar várias vezes, mas todas as chamadas são ignoradas.

- Cretino, como ele ousa falar comigo dessa maneira? - Resmunga chateada, sentindo as lágrimas de raiva escorrerem pelo rosto. Com o coração apertado, ela decide ligar para seu pai em busca de consolo.

- Filha, por que está chorando? O que aconteceu? - Pergunta Carlos ao atender, sua voz transbordando preocupação e amor paterno diante do choro da filha do outro lado da linha.

- Papai, não aguento mais. Não consigo continuar nessa relação com ele. Alex sempre foi indiferente, mas ultimamente ele é grosseiro, impaciente, e eu nem sei se ele ainda me ama, ou se eu ainda o amo. Estou sofrendo muito, pai. Eu simplesmente não aguento mais. - Desabafa em meio às lágrimas.

- Filha, do que você está falando? Vocês são perfeitos juntos. Pense em tudo que você conquistou e em tudo que ainda conquistará após se casarem. - Afirma Carlos, buscando confortá-la com palavras de ânimo e esperança.

- Papai, devo apenas fingir e me contentar? Não quero ficar sem amor, quero me sentir viva. Há muito tempo o Alex não me faz sentir assim. Ele está cada vez mais distante, eu pareço não significar nada para ele. - Desabafa Sophia, sua voz embargada refletindo a angústia que a consome.

- É apenas um momento ruim, não estrague tudo por besteiras. - Adverte Carlos, buscando tranquilizar sua filha. - Vejo você mais tarde na casa da sua tia, te amo.

- Certo, papai, também te amo. - Responde Sophia, encerrando a ligação com um suspiro, lutando para conter seus sentimentos tumultuados e encontrar forças para seguir em frente.

Capítulo 2 Será apenas o início da noite

Em Seattle, Rebecca Halgrave Jenkins sente um entusiasmo contagiante ao retornar para casa após um semestre desafiador no Massachusetts Institute of Technologies, onde se dedica ao curso de Engenharia Civil. No aeroporto, seus pais e seu namorado, Peter O'Donnell, a recebem com calorosas boas-vindas.

- Meu amor, enfim você chegou! Estava morrendo de saudades. Cada semestre parece mais longo conforme o tempo passa. - Expressa Peter, envolvendo-a em um abraço carinhoso e depositando um leve beijo em seus lábios.

- Também estava morrendo de saudades. - Responde Rebecca, com um sorriso iluminando seu rosto. - Papai, mamãe, que alegria os ter aqui! Estava ansiosa para revê-los.

- Meu anjo, que alegria a ter de volta em casa. Preparei os seus pratos favoritos. Venha, você deve estar exausta. - Martina envolve a filha em um abraço caloroso, transmitindo todo seu amor e cuidado.

- Bem-vinda de volta, princesa. - Completa Robert, abraçando Rebecca com ternura, seu olhar transbordando de orgulho e carinho paternos.

Após as boas-vindas, todos seguem para o carro e desfrutam de uma conversa animada durante o trajeto até a imponente mansão da família. Ao chegarem, dirigem-se diretamente para a acolhedora sala de jantar, onde estão preparados os pratos preferidos de Rebecca, um gesto que demonstra o carinho e a atenção de seus pais.

- Peter, como vão os negócios da família? Tenho ouvido elogios sobre você. Estou muito feliz por minha filha ter encontrado um homem tão talentoso!

- Senhor Halgrave, sou eu quem se sente honrado por ter Rebecca ao meu lado. Os negócios estão em ascensão e estamos confiantes de que nossa colaboração resultará em um plano que impressionará o grupo Shaw. O senhor estará presente na reunião?

- Sim, estarei lá. Analisei as propostas e são bastante audaciosas. No entanto, preocupa-me a complexidade das negociações com a família Shaw. O neto do senhor Shaw é meticuloso e crítico, especialmente com empresas menores. Ele não hesita em eliminar qualquer obstáculo e não tenho certeza se ele está interessado em expandir os negócios para Seattle.

- Eles já têm uma série de projetos aqui, por que não continuar expandindo, concorda? Acredito que seria uma excelente oportunidade para as empresas.

- Pai, vocês são incrivelmente talentosos, tenho certeza de que vão brilhar nesse novo projeto. Se o neto da família Shaw é um problema, por que não focar mais na colaboração com o avô? É inútil perder tempo com alguém que parece tão arrogante. - Afirma Rebecca, arrancando risadas dos presentes. - O que há de engraçado? - Questiona, ligeiramente incomodada.

- Filha, o senhor Shaw acompanha o neto em algumas viagens, mas quem toma as decisões sobre os projetos é o jovem. Ele tem liderado tudo há anos, de maneira até mais eficaz que o avô. A empresa expandiu enormemente em todas as áreas em que atua. No entanto, ele é notoriamente difícil de lidar, as pessoas não apenas o respeitam, mas também o temem, já que pode desmantelar um negócio em questão de segundos, dada a influência que exerce. Pelo menos, é o que ouvimos dizer. - Informa Robert, notando o olhar de descontentamento da filha.

- Quem em plena lucidez desejaria negociar com uma família assim? Para mim, esse indivíduo parece um completo babaca, deve ser bastante infeliz para acreditar que influência é tudo na vida. Sinto uma repulsa profunda por isso, e sinceramente, acho que vocês deveriam manter uma distância considerável deles.

- Rebecca, meu amor, relaxa, vai dar tudo certo. Os senhores Shaw estarão em Seattle para a nossa reunião. Sou extremamente competente, e estou confiante de que conseguirei garantir esse contrato para as nossas empresas. - Conclui Peter, enquanto acaricia o rosto dela, arrancando um sorriso admirado de Rebecca. - Ninguém intimida o seu namorado, eu posso lidar com qualquer um. - Brinca, provocando risadas nela.

- Eu sei, mas eu simplesmente não tolero pessoas como esse tal neto do senhor Shaw. Eu não o conheço, mas já o detesto! - Expressa Rebecca, arrancando risos de todos.

- Filha, teu pai e Peter sabem exatamente o que estão fazendo. Eles vão conquistar esse jovem rapidinho, não se preocupe. - Afirma Martina, tentando tranquilizar a filha.

- Eu sei, mãe, mas a senhora me conhece, algumas coisas simplesmente não fazem sentido para mim. Já possuímos uma grande fortuna, e sinceramente, questiono a necessidade de nos envolvermos com pessoas assim.

- Meu amor, o grupo Shaw é a empresa mais influente do país. Será uma oportunidade excepcional para as nossas empresas se conseguirmos fechar negócios com eles. O dinheiro é sempre bem-vindo, e é importante manter o padrão para garantir o melhor para nós. - Assegura Peter, segurando a mão dela com firmeza.

- Peter, juntos vamos conquistar o mundo. Consigo imaginar nossa jornada, e meu objetivo é ser reconhecida como a melhor engenheira civil do país. - Declara Rebecca, transbordando entusiasmo.

- Eu sei, meu amor, e é incrível que você tenha a oportunidade de seguir seus sonhos sem limites. - Conclui Peter, com um sorriso que expressa todo o apoio e admiração que sente por ela.

- Vocês são realmente inspiradores juntos. - Constata Martina, com um olhar cheio de carinho e orgulho.

Em meio a um ambiente festivo durante o jantar, Rebecca compartilha com entusiasmo os detalhes de seu semestre e da vida cotidiana em Boston, aproveitando cada momento ao lado das pessoas que ama.

- Senhor e senhora Halgrave, espero que não se importem se eu levar a Rebecca agora, pois preparei algumas surpresas para aproveitarmos durante a noite. - Anuncia Peter, encerrando o jantar com um sorriso brilhante.

- Fiquem à vontade, pombinhos. Mas, Peter, cuide bem dela, senão terá que lidar comigo. - Acrescenta Robert exibindo um sorriso, lançando um olhar travesso na direção do genro.

- Pode ficar tranquilo, senhor Halgrave. A Rebecca significa tudo para mim, cuidarei dela com todo o carinho e dedicação. - Assegura Peter, com uma convicção que transparece em seu olhar.

Os olhos de Rebecca se iluminam ao ouvir suas palavras, um sorriso radiante enche seu rosto, transbordando felicidade. Peter segura sua mão e a conduz delicadamente até o carro. Antes de abrir a porta para ela, um beijo intenso quebra a saudade que compartilham.

- E então, o que preparou para nós? - Questiona Rebecca, ao entrar no carro, observando-o exibir um sorriso e manter o suspense. - Peter?

- É surpresa, minha linda, mas você vai adorar. - Responde Peter, envolvendo-a num beijo lento e apaixonado, explorando cada toque suave de seus lábios. - Você é a minha perdição. - Sussurra, sua voz carregada de desejo, enquanto dá partida ao carro em direção ao próximo destino.

- Você é muito malvado, porque sabe que odeio surpresas! - Resmunga Rebecca, fazendo um bico irresistível que arranca um sorriso de Peter.

- Você não odeia surpresas, apenas não gosta de não saber o que te espera. Mas prometo que será algo especial. - Garante, segurando firme a mão dela, transmitindo confiança e ternura.

- Está tudo bem, não vejo outra opção. - Concorda Rebecca, embora um sorriso forçado mal consegue disfarçar a ansiedade em seu olhar.

- Não adianta esse drama, não vou te dizer. Em breve, você descobrirá. Será apenas o começo da noite e vamos encerrá-la de maneira extraordinária. Mal posso esperar para ter você em meus braços. Eu te amo, Becca. - Conclui Peter, acariciando a mão dela com carinho, suas palavras transbordando de ternura.

Rebecca exibe um leve sorriso, mas sua expressão não reflete completamente a tranquilidade que ele visa transmitir. Uma mistura de emoções tumultua seu peito, deixando-a incapaz de corresponder à declaração dele. A incerteza sobre seus sentimentos em relação a Peter a incomoda profundamente, criando dúvidas que a consome por dentro.

Capítulo 3 Apenas para se esconder

Peter leva Rebecca até o destino planejado e estaciona em frente ao local. Um sorriso radiante ilumina o rosto dela ao perceber o local.

- Não posso acreditar que você me trouxe para ver a Mel. Estou morrendo de saudades dela, mas imaginei que esse tempo seria só nosso.

- Calma, gata, teremos muitas oportunidades para isso. Se eu não trouxesse você aqui, tua amiga me mataria. - Responde Peter com um tom brincalhão, conduzindo-a para dentro da casa.

Ao entrarem na sala, um coro uníssono de "surpresa" irrompe, fazendo Rebecca dar um pulo e soltar um grito de susto.

- Ai, meu Deus, não posso acreditar! Vocês são incríveis! - Exclama ela, colocando a mão no peito para acalmar o coração disparado.

- Olha só a minha linda universitária! Que saudade, amiga. Espero que esses anos passem rápido, não aguento ficar longe de você e ter que cuidar desse daqui. - Comenta Melissa, lançando um olhar brincalhão para Peter, que responde com um sorriso debochado. - Ele dá um trabalho danado, sabia? Tem muitas mulheres babando por ele. - Conclui Melissa, soltando uma gargalhada antes de abraçar calorosamente Rebecca.

- Não posso acreditar que fizeram isso! Amo vocês, seus doidos! Que saudades, Melissa, você me faz muita falta em Boston. Eu disse para você ir à faculdade comigo.

- Eu sei, mas não era a hora certa, amiga. Meus planos sempre foram diferentes.

- Então, o que elas estão fazendo aqui? - Questiona Rebecca, observando suas primas com curiosidade.

- Peço que não me dirija esse olhar intimidador, reserve-o para seu namorado. Elas foram convidadas por ele.

- Então, Peter, por que estão aqui? Você sabe que minha relação com elas não é das melhores.

- Minhas desculpas, meu amor, apenas evitei criar conflitos com seu tio, especialmente agora que estamos colaborando e próximos de fechar uma parceria significativa.

- Perdoo-te apenas desta vez, Peter. Por favor, evite repetir. Elas e eu não nos damos bem, e você está ciente disso.

- Compreendido, minha querida, não voltarei a cometer o mesmo erro.

- Onde estão meus queridos amigos, que não vieram me receber?

- Becca, a Susan precisou fazer uma viagem para o interior, mas estará de volta amanhã. Quanto ao André, bem, você o conhece, está provavelmente por aí se divertindo com alguma mulher. - Brinca Melissa, arrancando um sorriso dela. Amanhã vamos nos reunir com eles e colocar as fofocas em dia.

Eles continuam imersos na atmosfera festiva, trocando risadas e engajando-se em conversas vibrantes sobre uma infinidade de assuntos. Enquanto isso, em Boston, Sophia adentra a imponente mansão dos Ramsey para o aguardado evento. Sua presença irradia um encanto inegável, capturando instantaneamente a atenção de todos os presentes. Ao avistar Olga Shaw acompanhada de suas filhas, Ana e Amanda, Sophia irradia um sorriso radiante e se aproxima delas com graça e elegância.

- Vovó, que alegria a encontrar aqui. Onde está o vovô? - Indaga Sophia, demonstrando seu sincero apreço pela presença da matriarca na festividade.

- Olá, minha querida, o Nicolas foi viajar para Seattle com Alex. Ele não te falou sobre a viagem? - Pergunta Olga, com um sorriso acolhedor, enquanto seus olhos transbordam de afeto ao fitar Sophia.

- Ah, sim, ele mencionou, vovó. Me perdoe, acabei esquecendo. - Responde Sophia, uma leve cor de rubor colorindo suas bochechas.

- Então, minha querida, como vocês estão? Enfim, vamos anunciar esse noivado? - Questiona Ana, com um brilho de entusiasmo cintilando em seu olhar.

- Ainda não houve um pedido formal, sogra, mas acredito que sim, estamos bem. Alex é reservado, mas sei que ele me ama. - Responde Sophia, mantendo uma serenidade para esconder suas inseguranças.

- Com certeza vão, olhe para você, é uma mulher maravilhosa, é perfeita para o Alex. - Elogia Amanda com um sorriso sincero, transmitindo confiança.

- Obrigada, tia Amanda. Aproveitem a festa! Com licença. - Conclui Sophia com um leve sorriso, retirando-se em direção à varanda.

Na quietude da varanda, ela fecha os olhos e permite que a brisa suave envolva seu rosto, mergulhando em reflexões sobre o futuro de seu relacionamento com Alex. Consciente da falta de um amor genuíno entre eles.

- Olá, priminha. - Sussurra Bryan junto ao ouvido dela, provocando um susto que a faz derrubar a taça de champanhe no chão.

- Ai, meu Deus, Bryan! Quer me matar do coração? - Indaga Sophia, enquanto ele ri e gentilmente lhe entrega a taça que segura.

- Desculpe pelo susto. Então, me diga, como você está? E onde está o seu namorado? - Pergunta, enquanto mantém seu sorriso divertido.

- Bryan, por favor, não comece. Você sabe que o teu irmão nunca participa dos eventos da tua família.

- É verdade, às vezes esqueço que o jovem Shaw lida com alguns complexos porque meu pai não quis formar uma família com a mãe dele.

- Bryan, vamos evitar esse tópico delicado. Não quero entrar em discussões sobre os problemas familiares de vocês.

- Entendido, não vou mais insistir nisso. Que tal entrarmos e aproveitarmos a noite juntos?

- Não, preciso de mais um tempo ao ar livre.

- Vamos lá, desabafe. Eu te conheço tão bem que sei quando algo não está certo.

- Sabe, todos estão esperando que o Alex e eu fiquemos noivos no final do verão, mas não tenho certeza se é isso que realmente quero! Parece que todos assumiram isso por mim, e meus pais têm essa expectativa.

- Espera aí, como assim? Você estava tão feliz, o que aconteceu?

- É simples, meu problema é o Alex! Ele não me faz feliz. Há muito tempo que não me sinto realizada, e acho que ele é tão indiferente que nem sei se realmente me ama. Ultimamente, ele tem sido mais rude do que o normal. Quero me sentir amada, e simplesmente não sinto isso. Estou tão frustrada que nem sei se ainda o amo. Eu me esforço tanto por ele, e ele nunca retribui. Estou esgotada. - Sophia desabafa, segurando as lágrimas, sua voz trêmula revela a profundidade de sua aflição.

- Prima, você é incrível e merece alguém melhor que ele. Nossa família encara seu casamento como um mero negócio, sem se importar com sua verdadeira felicidade. Tudo se resume a dinheiro. Enquanto você continuar tolerando as atitudes do idiota do Alex Shaw, a família ficará satisfeita.

- Agora percebo que permiti que nosso relacionamento se transformasse em uma transação comercial. Em algum momento, Alex e eu nutríamos um amor mútuo, pelo menos eu acreditava nisso, mas agora somos estranhos um para o outro. Abomino o fato de ele sempre se esconder atrás de uma máscara. Por que ele simplesmente não pode ser autêntico? Em cada evento social, me vejo sozinha, pois ele não quer se expor. Isso me incomoda profundamente, assim como sua insatisfação constante.

- Meu irmão sempre teve essa tendência exagerada, especialmente com essa peculiaridade de evitar usar o sobrenome da família apenas para se esconder.

- Vamos para dentro, quero me divertir. Deixarei as preocupações com o Alex de lado por algumas horas e amanhã pensarei calmamente sobre o nosso futuro. - Conclui, e juntos retornam ao salão, dirigindo-se à pista de dança.

Em Seattle, após desfrutarem da festa na calorosa companhia de amigos, Peter decide encerrar a celebração para compartilhar um momento íntimo a sós com Rebecca.

- Mel, não tenho palavras para expressar minha gratidão por tudo que você fez. Você é incrível, e eu te amo, amiga.

- Amo você também. Agora, vá aproveitar com seu namorado. Parece que ele tem planos especiais para vocês. - Sugere Melissa, com um brilho travesso nos olhos enquanto observa Rebecca.

- Que planos são esses? Você sabe que não aprecio esse tipo de suspense. - Reclama Rebecca, ao mesmo tempo, em que sua curiosidade sobre os planos de Peter aguça.

- Ah, você sabe muito bem o que vocês dois andaram tramando enquanto trocavam mensagens ousadas. Aposto que ele só antecipou algumas surpresas! - Afirma Melissa, sorrindo ao perceber o constrangimento de Rebecca. - Aproveite a noite, amiga. - Conclui, afastando-se com um sorriso cúmplice, sem esperar por respostas.

- Pronta, meu amor? - Pergunta Peter, olhando para Rebecca com expectativa.

- Sim, podemos ir. - Responde Rebecca, delineando um sorriso que, apesar de tentar esconder, revela sua inquietação, enquanto acompanha Peter.

Durante o trajeto, um silêncio confortável paira entre eles, cada um imerso em seus próprios pensamentos. Ao adentrarem o apartamento, um sorriso tímido escapa dos lábios de Rebecca enquanto ela segue para o quarto. Com delicadeza, organiza suas coisas e adentra o banheiro, permitindo que a água do chuveiro acalme sua mente inquieta. Enquanto a torrente morna a envolve, seus pensamentos mergulham em uma reflexão profunda sobre seus sentimentos por Peter. Questiona-se sobre a autenticidade de seu amor e se está verdadeiramente preparada para dar o próximo passo em seu relacionamento.

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