Dediquei sete anos e cada centavo que tinha para tornar Iago o "Cantor do Ano", escrevendo as letras que ele cantava como se fossem sua alma.
Em troca, recebi o fim do nosso namoro transmitido ao vivo no Instagram, enquanto ele beijava uma influenciadora no palco e me chamava de "passado".
Achei que tinha chegado ao fundo do poço, até meu próprio pai me demitir para entregar minha herança e meu projeto de vida à minha meia-irmã.
"Você é apenas um degrau, Eliza", disse o empresário dele, rindo da minha desgraça.
Enquanto a internet me massacrava, meu pai roubava a Torre Sol, alegando que eu não tinha o "brilho" necessário para os negócios da família.
Eles esperavam que eu me encolhesse, chorasse e aceitasse as migalhas.
Mas quando o bilionário Artur Ulhoa me ofereceu um contrato de casamento frio e calculado, eu não vi um fim, mas uma arma.
"Eu aceito", disse a ele, secando as lágrimas.
"Mas não espere amor, Artur. Espere uma parceira de negócios pronta para destruir o império do meu pai e a carreira do meu ex."
Afinal, eu tenho os direitos autorais de todas as músicas do Iago e as provas das fraudes fiscais do meu pai.
A caçada começou.
Capítulo 1
Eliza De Souza POV:
A voz de Iago invadia minha casa, não pelo rádio como antes, mas por uma transmissão ao vivo no Instagram, anunciando o fim de "nós" e o início de "eles". Meu mundo virou de cabeça para baixo. Sete anos. Setenta e duas luas cheias de sacrifícios, cada centavo gasto em sua carreira, cada noite em claro escrevendo letras que ele cantava como se fossem sua própria alma. Agora, tudo queimava em cinzas na frente dos meus olhos, ao vivo, para milhões.
Iago tinha desaparecido há semanas. As mensagens não lidas se acumulavam, as ligações caíam na caixa postal. Eu me agarrava a qualquer desculpa, qualquer migalha de esperança que minha mente exausta conseguia fabricar. Ele devia estar ocupado com o festival, preparando a grande performance que o coroaria como "Cantor do Ano". Ele me disse isso. Eu acreditei.
Então, a cena se desenrolou. Iago, no palco, sob os holofotes, recebendo o prêmio. A multidão gritava. Ele sorriu, um sorriso que eu já tinha visto mil vezes, mas que agora parecia estranho, distante. Então, ele chamou Stefania Meneses ao palco. A influenciadora. A ruiva com olhos de boneca que eu via nos feeds de fofoca. Ele a beijou. Bem ali. Na frente de todos. E ali, no meu sofá, com o celular na mão, senti um pedaço da minha alma morrer.
Levei dias para aceitar o convite de Artur Ulhoa, um convite que chegou como um raio em um céu sem nuvens. Não era um convite para um encontro romântico, mas para um casamento. Um contrato. Minha mente pragmática demorou a processar, mas meu coração, já em pedaços, achou um estranho consolo na proposta. Não havia espaço para romance destruidor que Iago me deu, apenas para uma parceria fria e calculista.
Artur me recebeu com uma formalidade impecável em seu escritório impecável. Seus olhos, mesmo frios, demonstravam uma estranha sinceridade quando ele falou. "Eliza, eu entendo que isso é... não convencional. Mas acredito que podemos nos ajudar. Agradeço por considerar a proposta." Não havia súplica, apenas uma oferta de negócios. Era um respeito que Iago nunca me deu.
Lembrei-me dos anéis que Iago me prometeu. Um solitário de diamante quando sua primeira música estourasse. Um de noivado quando ele ganhasse seu primeiro grande prêmio nacional. Ele me mostrava fotos, dizia que eu era a "inspiração" por trás de cada verso. "Quando estourar, a gente casa, meu amor", ele sussurrava, com um brilho nos olhos que eu ingenuamente via como paixão.
Mas o sucesso veio. E os anéis, não. As promessas se desvaneceram como fumaça. Em vez disso, vieram as fotos dele em jatinhos particulares, com outras mulheres. Ele sempre tinha uma desculpa, sempre se fazia de vítima da "máquina da indústria". "É marketing, Eliza. Você sabe como é. A gente precisa manter a imagem." Eu, como sempre, engolia.
O amor, percebi, não morre de uma vez. Ele se esvai. Como água escorrendo por um ralo, gota a gota, até que não resta nada. A cada mentira, a cada desculpa, a cada vez que eu me sentia mais invisível ao lado dele, um pouco mais de mim se perdia.
"Eu aceito", eu disse a Artur, minha voz tão calma que me surpreendeu. "Mas não espere paixão, Artur. Espere uma parceira de negócios. Rigorosa e justa." Ele balançou a cabeça. "É tudo o que peço. E tudo o que ofereço, Eliza." Não havia promessas vazias, apenas a promessa de um acordo.
Aquele mesmo dia, a notícia do noivado de Iago com Stefania explodiu nas redes sociais. Uma live, centenas de comentários, milhões de visualizações. "O amor da minha vida", ele chamava Stefania, enquanto eu assistia, sentada à minha mesa de desenho, sentindo um alívio frio. Acabou. Finalmente acabou.
Horas depois, uma caixa Hermes chegou em casa. Dentro, um relógio cravejado de diamantes, um modelo exclusivo que eu só tinha visto em revistas de luxo. Acompanhava um cartão simples: "Para minha futura esposa. Artur." A caixa era enorme, pesada. Um relógio. Não um anel. Eu sorri, um sorriso genuíno que não sentia há muito tempo.
Havia um pequeno adesivo na parte inferior da caixa. "Edição Limitada. Número 007." Sete anos desperdiçados em Iago. Sete anos da minha vida. Sete. O universo tinha um senso de humor peculiar.
A dor que eu senti por Iago nos últimos, oh, sei lá, sete anos? Ela se desfez. Como um véu que finalmente é arrancado. Eu estava livre. E ri. Uma risada que começou baixa e se transformou em gargalhada, ecoando pelo apartamento vazio.
Peguei meu celular e postei uma foto do relógio no meu pulso, com a legenda: "Novo começo. Nova era." Não marquei Artur. Não precisei. As notícias se espalhariam sozinhas.
O telefone tocou. Era Iago. A foto de perfil dele, sorrindo. O mesmo sorriso que Stefania tinha beijado horas antes. Eu ignorei. E bloqueei o número dele. Sem hesitar.
Minha assistente, Cecília, entrou na sala, a testa franzida. "Senhora Eliza, o Iago está ligando incessantemente. Ele ligou cinco vezes em dez minutos. Quer saber o que fazer." Ela parecia irritada.
"Bloqueie", eu disse, sem olhar para cima. "Se ele encontrar outra forma de ligar, bloqueie de novo. Não quero nenhuma comunicação com ele."
Lembrei-me do empresário de Iago, um homem gorducho e arrogante, que sempre me tratava com condescendência. "Eliza, querida, você precisa entender que ele é uma estrela agora. Ele não pode se dar ao luxo de ter uma namorada que não contribua para a imagem dele." Eu era uma arquiteta. Eu desenhava projetos bilionários. Mas para eles, eu era apenas a namorada que ele escondia.
Percebi então. Eu era apenas um degrau. Um trampolim para o sucesso dele. Uma fonte inesgotável de dinheiro e apoio, enquanto ele escalava. E quando chegou ao topo, ele me chutou para longe. Eu era descartável.
"Diga a ele para não me incomodar", eu instruí Cecília, minha voz fria. "Diga que estou ocupada planejando meu casamento."
Cecília piscou. E vi um brilho de satisfação em seus olhos. Não estava enganada. Ela sempre soube. Todos sempre souberam. Menos eu.
Meu telefone tocou de novo. Era um número desconhecido. Hesitante, atendi. "Eliza, o que diabos você está fazendo?", a voz de Iago rugiu do outro lado da linha. Ele soava furioso. "Apague essa porcaria agora! Você não está se casando, Eliza! Ninguém quer você!"
Eliza De Souza POV:
A voz dele, impregnada de raiva e desdém, era como um balde de lixo despejado sobre mim. A velha Eliza teria recuado, teria tentado acalmá-lo, explicar. Mas a nova Eliza, a que acabara de ser batizada em fogo, apenas sentiu um nó de nojo e desprezo enrolar em meu estômago.
"Sua vida pessoal não é da minha conta, Iago", eu disse, minha voz tão gelada que mal a reconheci. Não lhe dei tempo para responder. "Mas a minha, você precisa saber, não inclui mais você."
Houve um silêncio do outro lado, um silêncio de choque. "Do que você está falando?", ele finalmente gaguejou.
Eu ri. Uma risada curta e amarga. "Estou falando que não sou eu quem está te ligando desesperadamente, implorando por atenção. Estou falando que o mundo, Iago, não gira mais ao seu redor para mim."
E desliguei. Sem mais uma palavra.
Quando foi que perdemos a capacidade de nos comunicar? Talvez quando ele começou a me tratar como um acessório, não como uma pessoa. Talvez quando as promessas se tornaram apenas palavras vazias, e as ações dele gritavam uma história completamente diferente.
Meu apartamento, antes o lar onde construímos tantos sonhos, agora ecoava um vazio ensurdecedor quando eu voltava do trabalho. Iago estava sempre em viagens, shows, festas. Enquanto ele brilhava sob os holofotes, eu ficava até tarde na prancheta, transformando rabiscos em edifícios imponentes. Ele colhia os aplausos; eu, o cansaço.
Ele prometia que voltaria para casa. Sempre prometia. Mas nunca vinha. As datas dos shows, os compromissos de última hora, as reuniões "cruciais" com a gravadora. Todas as vezes, meu coração apertava um pouco mais. A chama, antes tão vibrante, diminuía, até virar uma brasa fria. Eu não percebia, mas cada desculpa era um tijolo a mais no muro que nos separava.
A última vez que o vi, há três meses, eu tinha cortado o cabelo, pintado de um tom mais claro, comprado um vestido novo. Queria surpreendê-lo. Ele chegou apressado para um jantar rápido, entre um voo e outro. "Estou lindo, meu amor?", perguntei, girando. Ele mal me olhou. "Está ótimo, Eliza. Agora coma, tenho que estar no aeroporto em uma hora." Ele nem notou.
"Precisamos conversar", eu disse, sentindo a ponta do iceberg quebrar.
Ele suspirou, impaciente. "Sobre o quê? Eliza, eu estou exausto. O festival está chegando. Não podemos ter dramas agora."
"Não é drama, Iago. É sobre nós."
Ele largou o garfo com um barulho metálico. "Olha, a gente precisa dar um tempo. A assessoria acha que ter uma namorada pode atrapalhar minha imagem de 'solteiro cobiçado' antes do festival. É só por um tempo, tá? Depois que tudo estourar, a gente volta, eu prometo." Ele me ofereceu um sorriso forçado.
Eu ri. Uma risada que me rasgou a alma. "Você está brincando, não está?"
Ele me olhou, irritado. "Qual é, Eliza? Não seja infantil. É só uma estratégia. Você sabe como o show business funciona."
Eu levantei da mesa. "Não, Iago. Eu não sei. E não quero saber. Acabou."
Ele se levantou também, as mãos na cintura. "Acabou? Você está terminando comigo por causa de uma estratégia de marketing? Eliza, você é ridícula!"
Foi quando a assessora dele entrou na sala. "Iago, estamos atrasados. Você tem que ir."
Ele me olhou uma última vez, os olhos estreitos. "Você vai se arrepender disso, Eliza. Ninguém vai te amar como eu te amei." E saiu, deixando-me sozinha na cozinha, com a comida intocada e o gosto amargo da verdade. Nem tempo para discutir até o fim nós tínhamos.
Alguns dias depois, as fotos dele com Stefania começaram a pipocar. Jantares, festas, abraços. "A nova musa do sertanejo", diziam as manchetes. Ele não estava "dando um tempo" por causa da assessoria. Ele estava vivendo outra vida. E eu? Eu era apenas a ex-namorada que ele já havia superado.
Esperei. Três meses. O prazo que dei a mim mesma. Três meses para ele me procurar, para explicar, para se arrepender. Nada. Nem uma mensagem, nem uma ligação. Ele me apagou da vida dele como se eu nunca tivesse existido.
Quando me mudei, tentei devolver as poucas coisas dele que sobraram. Roupas, um violão velho, alguns CDs. Deixei tudo em uma caixa na portaria do prédio dele, com um bilhete pedindo para ele buscar. A caixa ficou lá por uma semana. Ninguém buscou. Ele nem se importava. Eu era, para ele, um objeto esquecido.
E então, bloqueei o número dele de novo.
As redes sociais fervilhavam com o romance de Iago e Stefania. Fotos, vídeos, declarações de amor. O mundo aplaudia o novo casal. Eu não sentia mais nada.
Meu telefone tocou. Era meu pai, Kleber Raposo. Sua voz era dura, como sempre. "Eliza, onde você está? Sabe que horas são? Chegou tarde de novo."
"Estou no escritório, pai. Finalizando o projeto da Torre Sol. A prazo final é amanhã."
"Projeto? Que projeto? Sua irmã, Maísa, está cuidando disso agora. Você deveria estar em casa, preparando as coisas para o casamento. Sua mãe, se estivesse viva, teria vergonha." E desligou, sem me dar tempo de responder.
Cheguei à mansão da família, onde fui criada, mas onde agora me sentia uma estranha. Meu pai estava na sala de estar, bebendo uísque, Maísa ao seu lado, sorrindo. "Está atrasada, Eliza", ele disse, a voz cortante. "Temos notícias para você."
Ele gesticulou para Maísa. "Sua irmã será a nova diretora criativa do projeto da Torre Sol. Ela tem mais visão, mais... modernidade. Você está fora, Eliza. Deixe os projetos para quem sabe." A Torre Sol. Meu projeto. Minha alma.
"Pai, eu desenhei cada milímetro desse projeto", eu disse, minha voz falhando.
"Você é uma arquiteta competente, filha. Mas Maísa tem o toque de influenciadora que o mercado de hoje exige. Ela tem o brilho." Ele me ofereceu um sorriso calculista. "Não se preocupe, você ainda é minha filha. E vamos te dar uma boa parte dos lucros, claro."
Era a mesma oferta que ele fez quando me demitiu da empresa da minha mãe, que ele havia tomado. A mesma promessa vazia.
Lembrei-me de mim mesma, aos 18 anos, gritando com ele, exigindo justiça para minha mãe. "Você não pode fazer isso, pai! É a herança da mamãe!" Ele apenas riu e me arrastou para fora da sala. A porta se fechou. E eu, sozinha, chorei. Agora, eu apenas sorri. Um sorriso amargo.
"Eu entendo, pai", eu disse calmamente. "Mas não quero o seu lucro. Quero o meu. E você, Artur Ulhoa, não está incluído nisso."
Ele me olhou, surpreso. "Artur? O que Artur tem a ver com isso?"
"Tudo", eu disse, e me virei para Maísa, que me olhava com um sorriso vitorioso. "Tudo a ver." Minha voz era um sussurro, mas carregava o peso de uma promessa.
Saí da mansão e peguei meu telefone. Disquei o número de Artur. Ele atendeu no segundo toque. "Artur, meu pai me demitiu", eu disse, sem rodeios. "E me tirou do projeto da Torre Sol. Ele quer dar para minha meia-irmã. Mas eu tenho todas as provas das fraudes dele. E os direitos autorais das músicas de Iago. Quer casar?"
Ele ficou em silêncio por um momento. "Interessante", ele disse, sua voz calma. "Sempre soube que você era uma mulher de negócios, Eliza. Mas não imaginava que fosse tão rápida."
"Estou cansada de ser a segunda opção", eu disse. "E meu pai é seu inimigo, não é? Temos um objetivo em comum."
"Sim, Eliza. Temos. Meus termos são simples. Um casamento de conveniência. Você me ajuda a recuperar o que é meu, eu te ajudo a destruir seu pai e seu ex-namorado. E você será a minha esposa, a mãe dos meus filhos."
E a mãe dos meus filhos. A frase ecoou na minha cabeça. Era um preço alto. Mas o que eu tinha a perder?
"E o que você ganha com isso?", eu perguntei.
"Você", ele respondeu. "E o império do seu pai, claro."
Pensei nos relógios Hermes. Pensei em Iago. Pensei no meu pai. "Feito", eu disse. "Mas minhas condições vêm depois. E você vai se arrepender de ter me subestimado."
Ele riu. "Mal posso esperar, Eliza."
Meu telefone vibrou. Uma mensagem do empresário de Iago. "Eliza, Iago está muito chateado com suas postagens. Ele quer que você as apague. Não estrague a imagem dele. Você sabe o que ele pode fazer."
Uma onda de raiva me varreu. Anos de silêncio, de conformidade, de deixar que eles me pisassem. Chega.
Respondi em voz alta, para que Cecília, que estava por perto, ouvisse. "Diga ao Iago e ao empresário dele que meu casamento é iminente. E que, se ousarem me ameaçar novamente, as músicas que eu escrevi, as provas das fraudes fiscais do meu pai e cada segredo deles virão à tona. Em cinco minutos, dez minutos, vinte minutos. Em tempo real. E então, veremos quem estraga a imagem de quem." Enviei.
Cecília me olhou, os olhos arregalados. Eu apenas sorri.
Meu telefone vibrou novamente. Uma resposta do empresário. "Você está louca, Eliza? Não faça isso! Iago é uma celebridade! Você vai se arrepender!"
Eu ri. "Já me arrependi de muita coisa na vida, mas de agora em diante? Não mais."
E então, abri o Twitter. Digitei. "Querido Iago Ramires, controle a sua equipe. Ou eu controlarei a sua narrativa." E postei.
Eliza De Souza POV:
Minha postagem no Twitter explodiu. Meu telefone não parava de vibrar. As pessoas se perguntavam o que estava acontecendo. Quem era Eliza De Souza? Por que Iago Ramires, o "Cantor do Ano", estava sendo "controlado" por ela?
As especulações começaram. Alguns fãs de Iago me atacavam, me chamando de oportunista, de ex-namorada in