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Ela e o Fogo da Vingança

Ela e o Fogo da Vingança

Autor:: Luna
Gênero: Horror
O cheiro de fumaça invadia meus pulmões, e o calor do fogo queimava minha pele. Eu não lutei, deixei as chamas me consumirem, assim como consumiam a casa que um dia foi meu lar. No meio do inferno, vi o rosto de Patrícia, contorcido em terror e dor, e uma última satisfação percorreu meu coração moribundo: ela morreria comigo. Era o fim justo para a mulher que destruiu tudo o que eu amava, tudo começou na véspera do vestibular. Patrícia, minha colega de quarto, a quem eu considerava amiga, me pediu para passar o feriado em minha casa. Eu, ingênua, concordei e levei a serpente para o meu ninho. Ela seduziu meu irmão, Pedro, acusando-o falsamente de agressão, destruindo seu futuro brilhante. Expulso da escola, ele foi forçado a trabalhar em uma fábrica perigosa, onde acabou morrendo em um acidente. Meus pais não suportaram a dor e se foram logo depois, deixando-me sozinha, consumida por um ódio que era a única coisa que me mantinha de pé. Peguei a gasolina e ateei fogo na casa, certa de que seria o fim. Mas, então, abri os olhos. Eu estava no meu quarto do dormitório da faculdade, meus pais e meu irmão estavam vivos. A data no meu celular me fez prender a respiração: era o dia em que Patrícia me pediu para ir para casa com ela. Eu não estava morta, eu tinha voltado. Uma segunda chance se apresentou, uma chance de salvar minha família e de fazer Patrícia pagar de uma forma que a morte pelo fogo nunca poderia. Naquele momento, a porta do quarto se abriu. Era ela, Patrícia, com seu sorriso doce e falso. "Lívia, eu estava te procurando." O pedido, as mesmas palavras, o mesmo sorriso ensaiado. "Não." Eu sabia que a ingênua Lívia tinha morrido no fogo, e em seu lugar nasceu uma estrategista.

Introdução

O cheiro de fumaça invadia meus pulmões, e o calor do fogo queimava minha pele.

Eu não lutei, deixei as chamas me consumirem, assim como consumiam a casa que um dia foi meu lar.

No meio do inferno, vi o rosto de Patrícia, contorcido em terror e dor, e uma última satisfação percorreu meu coração moribundo: ela morreria comigo.

Era o fim justo para a mulher que destruiu tudo o que eu amava, tudo começou na véspera do vestibular.

Patrícia, minha colega de quarto, a quem eu considerava amiga, me pediu para passar o feriado em minha casa.

Eu, ingênua, concordei e levei a serpente para o meu ninho.

Ela seduziu meu irmão, Pedro, acusando-o falsamente de agressão, destruindo seu futuro brilhante.

Expulso da escola, ele foi forçado a trabalhar em uma fábrica perigosa, onde acabou morrendo em um acidente.

Meus pais não suportaram a dor e se foram logo depois, deixando-me sozinha, consumida por um ódio que era a única coisa que me mantinha de pé.

Peguei a gasolina e ateei fogo na casa, certa de que seria o fim.

Mas, então, abri os olhos.

Eu estava no meu quarto do dormitório da faculdade, meus pais e meu irmão estavam vivos.

A data no meu celular me fez prender a respiração: era o dia em que Patrícia me pediu para ir para casa com ela.

Eu não estava morta, eu tinha voltado.

Uma segunda chance se apresentou, uma chance de salvar minha família e de fazer Patrícia pagar de uma forma que a morte pelo fogo nunca poderia.

Naquele momento, a porta do quarto se abriu.

Era ela, Patrícia, com seu sorriso doce e falso.

"Lívia, eu estava te procurando."

O pedido, as mesmas palavras, o mesmo sorriso ensaiado.

"Não."

Eu sabia que a ingênua Lívia tinha morrido no fogo, e em seu lugar nasceu uma estrategista.

Capítulo 1

O cheiro de fumaça enchia meus pulmões, e o calor do fogo queimava minha pele. Eu não lutei. Deixei as chamas me consumirem, assim como consumiam a casa que um dia foi meu lar. No meio do inferno, eu vi o rosto de Patrícia, contorcido em terror e dor, e um último pingo de satisfação percorreu meu coração moribundo. Ela ia morrer comigo. Era o fim justo para a mulher que destruiu tudo o que eu amava.

Tudo começou na véspera do vestibular. Uma data que deveria ser de esperança, mas que se tornou o início do nosso fim. Patrícia, minha colega de quarto, a garota que eu considerava uma amiga, me pediu com olhos pidões para passar o feriado em minha casa. Eu, na minha ingenuidade, concordei. Levei a serpente para o meu ninho.

Ela seduziu meu irmão, Pedro. Ele era jovem, inteligente, com um futuro brilhante pela frente, prestes a fazer a prova que definiria sua vida. Patrícia, com sua maldade calculada, o acusou falsamente de agressão. O mundo de Pedro desabou. A acusação o impediu de fazer o vestibular, sua reputação foi para o lixo e ele foi expulso da escola.

Para me "proteger", minha família foi forçada a acolher Patrícia. Ela se fez de vítima, e meus pais, com seus corações bons e ingênuos, caíram na armadilha. Patrícia se tornou uma parasita, explorando nossa culpa e nosso dinheiro. Ela forçou Pedro, meu irmão outrora promissor, a trabalhar em uma fábrica perigosa para sustentar seus luxos.

A morte dele não foi uma surpresa, mas ainda assim me quebrou. Um acidente na fábrica. Um corpo esmagado. Um futuro aniquilado. Meus pais não aguentaram. A dor os consumiu, e eles se foram logo depois, um após o outro, como se seus corações estivessem ligados por um fio de tristeza que finalmente se partiu.

Fiquei sozinha, com um ódio que era a única coisa que me mantinha de pé. Então, eu peguei a gasolina. E agora, o fogo. O fim.

Ou assim eu pensei.

Abri os olhos.

Não havia fumaça. Não havia calor.

Eu estava no meu quarto do dormitório da faculdade. A luz do sol da tarde entrava pela janela, iluminando as partículas de poeira no ar. Olhei para minhas mãos. Elas estavam limpas, sem queimaduras, sem cicatrizes.

Meu coração começou a bater descontroladamente. Peguei meu celular da mesinha de cabeceira. A tela se acendeu.

A data me fez prender a respiração.

Era o dia. O dia em que Patrícia me pediu para ir para casa com ela. O dia antes do vestibular de Pedro. O dia em que tudo começou a dar errado.

Eu não estava morta. Eu tinha voltado.

Uma onda de choque, de descrença, me atingiu. Era impossível. Mas a sensação do lençol sob meus dedos, o barulho dos estudantes no corredor, tudo era real. Uma segunda chance. Uma chance de salvar minha família. Uma chance de fazer Patrícia pagar de uma forma que a morte pelo fogo nunca poderia.

Naquele momento, a porta do quarto se abriu.

Era ela. Patrícia.

Ela entrou com seu sorriso doce e falso, o mesmo sorriso que enganou a todos. Seus olhos brilhavam com uma inocência ensaiada.

"Lívia, eu estava te procurando."

Sua voz, a mesma voz que sussurrou mentiras e destruiu minha família, soou como um veneno em meus ouvidos.

"O que foi?", perguntei, minha própria voz soando mais fria do que eu pretendia.

Ela se aproximou, sentando-se na beirada da minha cama, uma expressão vulnerável no rosto.

"Sabe, o feriado do vestibular está chegando... e eu não tenho para onde ir. Meus pais estão viajando, e eu não queria ficar sozinha no dormitório. Eu estava pensando... será que eu poderia ir para casa com você?"

O pedido. O mesmo pedido. As mesmas palavras.

Um calafrio percorreu minha espinha. A cena se desenrolava exatamente como na minha memória. Mas desta vez, a garota sentada na minha frente não era minha amiga. Era um monstro. E eu via através de sua máscara.

Meu peito se encheu de uma fúria gelada. Eu me lembrava de tudo. Da maneira como ela encantou meus pais com suas histórias tristes e sua falsa gratidão. Da forma como ela olhou para o meu irmão, não com afeto, mas com a cobiça de um predador. Da vulnerabilidade de minha família, sua bondade transformada em uma arma contra eles mesmos.

Na minha vida passada, eu disse "Claro, Patrícia! Meus pais vão adorar te conhecer!".

Desta vez, a resposta seria diferente. Eu olhei diretamente em seus olhos, e pela primeira vez, deixei meu ódio transparecer.

Capítulo 2

"Não."

A palavra saiu da minha boca, curta e afiada. Não houve hesitação. Apenas a certeza fria e absoluta de quem já viveu o inferno e se recusa a revisitá-lo.

O sorriso de Patrícia vacilou por uma fração de segundo. Confusão genuína passou por seus olhos antes que ela a substituísse por uma máscara de mágoa.

"Não? Mas... por quê? Eu pensei que fôssemos amigas, Lívia. Eu realmente não quero ficar sozinha aqui."

Ela usou o mesmo tom choroso que a tornava tão eficaz. Era uma manipulação emocional descarada, projetada para me fazer sentir culpada, para me forçar a ceder. Na minha vida anterior, teria funcionado. Eu teria me sentido péssima e imediatamente voltado atrás na minha decisão.

Mas a Lívia que viveu para ver sua família morrer não sentia mais culpa. Apenas raiva.

"Eu disse não, Patrícia", repeti, mantendo meu tom de voz firme e baixo. "Meus pais estão com muitas coisas na cabeça por causa do vestibular do meu irmão. Não é uma boa hora para visitas."

Era uma desculpa plausível, uma barreira lógica contra seu ataque emocional.

A expressão de Patrícia se tornou ainda mais magoada. Seus olhos se encheram de lágrimas, lágrimas que eu sabia serem tão falsas quanto seu sorriso.

"Mas... eu não vou incomodar, eu juro! Eu posso até ajudar seu irmão a estudar, se ele quiser. Eu só... eu realmente não tenho outro lugar para ir."

Ela estava se fazendo de vítima, uma tática que ela dominava com perfeição. Ela queria que eu me sentisse responsável por seu suposto sofrimento. Mas eu conhecia a verdade. Eu sabia que por trás daquela fachada de menina abandonada havia um poço de inveja e maldade.

Eu me levantei da cama, criando uma distância física entre nós. Cruzei os braços, um gesto de desafio.

"Este não é um problema meu, Patrícia. Você é uma adulta. Encontre outra solução. Minha resposta é não, e é final."

Minha firmeza a pegou de surpresa. Ela não estava acostumada a ser rejeitada. Ela sempre conseguia o que queria através de charme e manipulação. Ver seu poder falhar a deixou visivelmente desconcertada.

As lágrimas falsas secaram instantaneamente. A máscara de donzela em perigo caiu, revelando uma carranca de pura irritação. Ela percebeu que sua estratégia inicial não estava funcionando.

"Tudo bem, Lívia", disse ela, sua voz agora tingida de um ressentimento mal disfarçado. "Se é assim que você quer. Eu só não esperava isso de você."

Ela se levantou abruptamente, como se minha presença a ofendesse. Ela caminhou em direção à porta, com uma rigidez dramática em seus ombros, garantindo que eu visse o quão "magoada" ela estava.

"Não se preocupe, não vou mais te incomodar com meus problemas", ela disse, antes de sair e bater a porta atrás de si.

O silêncio que se seguiu foi preenchido por um sentimento de alívio avassalador.

Eu consegui.

Eu a parei.

Recostei-me na parede, sentindo minhas pernas fracas. Um sorriso lento se espalhou pelo meu rosto. Era uma sensação de poder, de controle. Eu tinha mudado o roteiro. A tragédia tinha sido evitada com uma única palavra.

Pedro estaria seguro. Meus pais estariam seguros. Nossa família continuaria inteira e feliz.

Naquele momento, eu acreditei genuinamente que o pesadelo havia acabado antes mesmo de começar. Eu me permiti respirar fundo, sentindo uma esperança que eu não sentia há muito, muito tempo. Eu estava ingênua novamente, mas de uma maneira diferente. Eu acreditava que tinha vencido a batalha.

Mal sabia eu que a guerra estava apenas começando.

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