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Ela é meu Destino - Trilogia Entre Mundos Livro 2

Ela é meu Destino - Trilogia Entre Mundos Livro 2

Autor:: LadyArawn
Gênero: Lobisomem
Trilogia Entre Mundos: Livro 1: Ela é Minha Esperança - Completo Livro 2: Ela é Meu Destino - Em andamento Livro 3: Eles são minha Vingança - sem data prevista Este é o segundo livro da Trilogia Entre Mundos, o primeiro livro se chama: Ela é Minha Esperança. Vou tentar escrever esse livro como separado, mas haverá muitas referencias do que aconteceu no primeiro livro! Então se você quiser começar a ler por esse fique a vontade, mas terão muitos spoilers do primeiro livro! Os acontecimentos deste livro se passam 2 anos depois do final do primeiro. -------------------- Destiny White é uma guerreira que perdeu seu lobo no dia do Grande Ataque, não apenas isso, também perdeu seu Destinado, aquele que a Deusa da Lua escolheu para ser seu companheiro para o resto da vida. Durante dois anos de sua vida ela foi ignorada e deixado de lado, sua matilha não a queria por perto, pois muito a consideravam corrompida e temiam que ela corrompesse os outros. Então durante dois anos ela viveu com sua irmã na cabana mais afastada, sempre caçando para sobreviver. Um certo dia acontece outro ataque grande e o Alpha da matilha pede ajuda para a matilha SilverRage, assim sendo sua matilha agora será incorporada a SilverRage. Destiny não se importa e a única coisa que interessa é que sua irmã, Mia, fique em segurança e para isso está disposta a abrir mão de sua guarda para que Mia vá para a SilverRage, durante o processo de mudança de matilha, Kaiden acaba intervindo e consegue convencer Destiny a ir para a SilverRage. O que será que aguarda Destiny nesta viagem? Será que ela vai encontrar sua segunda chance? Quais os misterios que envolvem essa mulher que é filha de Hades, algo que há muitos séculos não se tem conhecimento.

Capítulo 1 Despedida

Destiny POV

Olhei para aquelas pessoas que estão chegando na matilha, seus uniformes tão perfeitos, em cores vermelho vibrante, azul escuro e um toque de prata... Tão organizados e que se moviam em harmonia.

Sorri de canto, achando tudo irônico, eles podiam ter vindo antes não é mesmo? Mas só tinham vindo agora... Agora que nosso Alpha morreu e o nosso Beta está em estado critico...

Eu quero correr, quero sair desta lugar, as paredes parecem diminuir e minha respiração aumenta, mas tento me controlar, afinal de contas, do que valeria eu entrar em panico agora?

Nada, eu não conseguiria absolutamente nada, mas eu não preciso ficar aqui para ver esta encenação, afinal de contas meu status como guerreira havia sido retirado há muito tempo. Afastei-me e deixei minha aura desaparecer aos poucos, simplesmente me esgueirando para longe daquele lugar.

Além do mais eu não tenho o que falar, simplesmente é isso, eu não tenho mais voz, não tenho mais poder de decidir nada e muitas pessoas me consideram uma parea. Afinal eu ainda estava viva, como eu podia estar viva?

Deixei meus passos me levarem até minha casa que já estava vazia, a única coisa que fico feliz é que minha irmã vai ter mais chances de chegar a vida adulta. Então pelo menos isso era positivo.

Entrei naquela casa de apenas um comodo, afinal era o que tinha sobrado para mim, minha irmã dormia junto comigo perto da lareira, enquanto do outro lado da lareira ficava os utensílios de cozinha, o chão tinha um grande tapete macio de peles de ursos. Nas paredes tem alguns quadros meus e de minha irmã.

Ao lado da cama tem um bau onde ficam as minhas roupas e do lado dele tem um pequeno altar que construí, há um pequeno chifre, um pequeno cetro e um cachorro de três cabeças, colocados lado a lado, a frente tem uma pequena bacia com algumas ervas e algumas pétalas de narciso. Pego o fosforo que tem ali e acendo aquelas pétalas e me ajoelho em frente ao altar.

É difícil encontrar alguém como eu, que é uma Filha de Hades, mas eu nunca fugi ou fingi que sou outra pessoa, ao contrário, foi minha fé em meu Pai que me ajudou a sobreviver ao Grande Ataque.

'Pai, peço que me guie, me dê forças e sabedoria para conseguir seguir.

Peço que me dê paciência para enfrentar estes novos desafios.

Peço que me ajude a seguir e encontrar uma Nova Casa.'

Repeti aquela prece várias vezes em minha mente, sem nunca minha voz ser ouvida.

Não é algo fácil para mim me afastar e ir para outro lugar, simplesmente porque eu sei que não vou ser aceita, mas tudo bem, eu só preciso ter certeza que minha irmã vai ficar bem.

Eu sei me defender e vou conseguir viver sozinha, como Rougue. Então tudo bem, eu posso sentir a paz que minha prece me traz.

Está tudo bem se eu não ficar ao lado de minha irmã, o importante é que ela fique bem e segura. Eu vou sobreviver, vou continuar existindo até que seja o momento certo e que Thanatos venha me encontrar para me levar ao tribunal em frente aos três Juizes.

Quando termino minhas orações eu escuto uma batida na porta, me levanto, tiro a poeira que tinha se acumulado em minha saia, subindo a mão e verificando seu minha roupa está no lugar e então arrumo o laço do capuz que cobre meu rosto, percebo que está tudo no lugar e ando até a porta.

A abro e vejo que do outro lado tem dois soldados, um deles tem cabelos negros, curtos, encaracolados, a pele branca e com algumas cicatrizes do lado direito do rosto, enquanto o outro era bem parecido só de cabelos castanhos claros e não com tantas cicatrizes.

"Você está sendo convocada."

O de cabelos negros fala e dá as costas, eu sei que eles estão desconfortaveis, principalmente porque não conseguem olhar para o meu rosto por muito tempo. Começo a andar atrás deles, seguindo-os até voltarmos para o galpão em que os sobreviventes desta matilha estão reunidos.

Chegando perto eu consigo sentir o cheiro de minha irmã e vou até ela. Ela é uma criança de 7 anos, cabelos pretos bem parecidos com os meus, que descem até sua cintura, mesmo estando amarrados em um rabo de cavalo, ela está usando uma roupa simples, uma calça jeans, um tenis preto e uma blusa pesada de inverno. Seu sorriso sempre me enche de felicidade, pois é puro.

Ela corre até mim e a abraço apertado, ela me dá um beijo na bochecha esquerda e então a coloco no chão. Aqueles que um dia chamei de companheiros nem ligam mais para mim ou para minha irmã e não me surpreende que ela é a única que me cumprimenta.

"Agora que estão todos aqui." A voz de um homem ecoa e ergo o rosto para ver quem era. "Podemos começar. Eu me chamo Kaiden Bellini, sou o Gamma da Matilha SilverRage."

Eu posso ver claramente quem ele é e um sorriso de canto de forma em meus lábios, quantas pessoas já o tinham visto sem aquela máscara? E enquanto estou analisando percebo que seu olhar recai sobre mim, não porque ele havia percebido algo, mas sim porque seu lobo o tinha avisado.

Na aparência externa Kaiden tem cabelos loiros, curtos, muito bem penteados, em um corte típico militar, seu nariz e queixo são mais quadrados, há algumas linhas de cansaço ao redor de seus olhos que tem um tom acinzentado, seu corpo é bem esculpido, não muito grande e nem muito fino. Alguém que sabia que não precisa ter músculos grandes para ser forte. Ainda mais como um lobo como aquele.

Eu consigo ver aquela forma atrás da aparência humana e sinceramente? Achei divertido, quantas pessoas conseguiriam ficar perto dele em uma transformação completa? Acho que não muitas.

"Desculpe, me perdi em pensamentos..." Kainde falou sorrindo para todos e escutei alguns suspiros. "O Alpha Peter foi abatido em combate e seu Beta Frederico está muito ferido, então o Gamma Luis nos pediu ajuda. Como a matilha é muita pequena então foi decidido que vocês vão fazer o ritual de transição e passarão a ser membros da matilha SIlverRage."

Eu sei que todos estão felizes e aliviados com a noticia... Bom, todos menos eu, afinal de contas eu sou um problema, mas tudo bem, como falei antes, agora estou em paz com essa decisão. Eu sei que minha irmã será bem tratada e terá segurança.

A matilha SilverRage é muito grande e uma das mais fortes que existem, depois que um tal de Kendrick assumiu, a matilha ficou ainda mais forte, pois parece que seu lobo carrega um poder gigantesco. O que ouvi é que ele carrega em si uma fagulha divina.

Bom, não é algo que eu queira descobrir por mim mesma ou que terei a opção de saber se é verdade.

"Todos vocês passarão por alguns testes antes de serem direcionados aos papeis dentro da matilha, precisamos saber o que cada um sabe fazer e qual o potencial que vocês tem. Mas por enquanto vamos seguir a listagem que me foi passada."

Kaiden continuou falando e minha irmã puxou de leve a minha capa e olhei para ela.

"Onde a gente vai?" Ela me perguntou preocupada, eu me abaixo e acariciou o rosto dela, encosto minha testa na dela e a vejo relaxar.

Afasto o rosto de leve e dou um beijo na ponta do nariz dela e a vejo rir.

Então volto a olhar para frente, as pessoas já estão se movendo para os lugares que Kaiden havia apontado, guerreiros, serviçais, pessoas com titulos, entre outros... Peguei a minha irmã no colo e comecei a andar em direção aqueles que não tem família e não tem posição ainda.

"Eu não quero..." Escuto minha irmã sussurrar e me apertar mais forte.

Fico na fila, pois tem várias pessoas ali e a forma que elas se afastam me faz sorrir, quando chega a minha vez, a pessoa que estava conferindo a lista e anotando as informações ergue o rosto do computador e então arregala os olhos e desvia o olhar, desconfortável.

Coloco minha irmã no chão e retiro do bolso um papel e uma caneta e escrevo algumas palavras e entrego o papel para o recrutador.

"Não, eu não quero ir sem você." Minha irmã reclama.

Me abaixo, ficando na mesma altura dela e começo a mover minhas mãos.

"A gente conversou sobre isso, Mia... Eu te amo e não te deixaria ir se não fosse para um lugar melhor."

Os olhos de minha irmã se enchem de lágrimas e suspiro, colocando a mão no rosto dela, acariciando de leve.

"Mas família tem que ficar juntas, não importa o que." Minha irmã falou, tentando segurar os soluços.

"Eu sei disso..."

Era isso que eu sempre falei para ela, porque foi o que nos manteve viva durante todos esses 2 anos.

"Eu sempre vou estar com você."

Apontei para o coração dela então e para o colar que estava ali.

"Eu vou ver você de novo?"

Mia perguntou, engolindo os soluços e limpando o próprio rosto.

"Sempre..."

Então fiz um sinal que só eu e ela conhecíamos e vi minha irmã sorrir tristemente.

Capítulo 2 Uma pequena discussão

Destiny POV

Levantei a tempo de ver que o recrutador tinha terminado de colocar minha irmã no sistema.

"Tudo pronto, vou precisar que você assine a documentação." O recrutador falou e me entregou a papelada.

Eu sei que abrir mão de minha irmã pode ser cruel, mas eu não posso ir para a matilha SilverRage, então pelo menos assim ela vai ter o suporte para crescer. Li os papeis e estava tudo nos conformes, às cláusulas informando que eu abria mão incondicionalmente da guarda e que a partir daquele momento Mia era uma órfã.

Peguei a caneta para assinar, me curvei na bancada e antes de conseguir encostar no papel, senti meu pulso ser segurado, eu nem preciso levantar os olhos para saber quem era.

"Senhorita, o que você está pensando em fazer?" A voz de Kaiden ecoou perto de mim e apenas respirei fundo.

Ainda bem que eu já tinha me acostumado a usar uma roupa que cobria todo meu corpo, então estou usando luvas pretas e minha blusa é de mangas longas, mas ainda assim eu odiava que me tocassem. Tirando minha irmã, eu odiava que me tocassem.

Fiz um leve movimento para soltar meu pulso e Kaiden soltou, voltei a colocar a caneta no papel para assinar.

"Minha irmã não tem voz." Escutei Mia respondendo e vi o papel ser puxado da mesa.

Respirei fundo novamente, fechando os olhos.

"Entendo." Kaiden falou num tom de voz que não me agradou.

Mas novamente, eu só preciso ter calma até finalizar toda aquela burocracia.

"Mas você quer se separar da sua irmã?" Kaiden estava perguntando para Mia.

"Minha irmã sempre vai estar comigo." Mia respondeu com coragem.

Eu sei que ela está triste e um tanto magoada, mas ela já não é tão mais nova que não consegue entender o que está acontecendo.

"Eu concordo com isso... Principalmente porque sua irmã vai vir junto com a gente." Kaiden falou num tom alegre e posso sentir a esperança no coração de minha irmã crescendo.

Isso só iria machucá-la, fechei meus dedos com um pouco mais de força.

"Ela vai? Viu mana, ele falou que você pode ir com a gente." A voz de minha irmã com aquele toque de felicidade e esperança que eu sempre quis evitar.

Eu tinha conversado com ela durante vários dias até que ela entendesse realidade e agora com uma frase aquele homem estava arruinando tudo.

Abri os olhos e virei para olhar para minha irmã. Sorri para ela.

"Eu não posso... Lembra? A gente conversou sobre isso?"

Fiz os sinais para Mia e vi a felicidade desaparecer.

"Mas..." Mia tentou falar algo, mas fiz um carinho na cabeça dela e a vi relaxar. "Tah bom..." Ela sussurrou por fim.

Então olhei para Kaiden e estendi a mão, pedindo os papéis para assinar. Ele não estava desconfortável para olhar para o meu rosto. É óbvio que alguém como ele não se sentiria assim.

"O que você pretende fazer?" Kaiden perguntou seriamente. "Dar sua irmã para adoção e vai viver como? Acha que ela realmente vai ter uma vida melhor sem você estar perto dela?"

Sorri de canto, como eu tinha imaginado, ele era presunçoso, achava que sabia de tudo e que tinha todas as respostas e pela primeira vez o vi desviar o olhar por alguns segundos. É, eu sei que é difícil me encarar por muito tempo, ainda mais porque eu consigo ver sua alma.

Com cuidado eu aproximei minha mão dos papeis.

"Mana!" Mia me chamou justamente quando eu estava prestes a pegar o meu objetivo. "Eu sei, você falou... Mas... Mas..."

A voz de minha irmã se quebrando quase me fez perder a cabeça... Kaiden pagaria por aquilo. Tudo isso era difícil para mim e para Mia e agora estava ainda pior, sei que estamos chamando atenção e uma das outras coisas que eu odeio é chamar atenção.

Imediatamente peguei minha irmã no colo para confortá-la, dando pequenos tapinhas nas costas dela e olhei para Kaiden e o vi vacilar levemente, mas então endireitou as costas e voltou a falar.

"Senhorita, como falei, você virá conosco. Você pode não gostar disso, mas eu sugiro fortemente que para o bem de todos, você não cause mais nenhuma cena."

Ele estava me ameaçando? Meu sorriso aumentou ainda mais, eu sei que não estou emitindo nenhuma aura, porque eu consigo me controlar muito bem, eu tive que aprender a me controlar.

Mas minha irmã me conhece melhor que ninguém e senti que ela segurava com um pouco mais de força minha roupa.

"Mana..." Ela sussurrou, implorando.

Kaiden percebeu imediatamente que havia feito algo errado, porque até mesmo seu lobo não estava satisfeito, eu posso ver a sombra do lobo dele se mexendo e brigando com ele.

Fiquei mais satisfeita com aquilo, por isso dei as costas me afastando daquela bancada e simplesmente não fui para mais nenhuma daquelas filas, afinal de contas eu não pertenço a nenhuma daquelas categorias e muito menos faria qualquer teste.

O que fiz foi andar em direção a saída daquele galpão, já que eles haviam dito que minha irmã não podia ir sozinha, então tudo bem. Ela vai ficar comigo. Vai ser mais difícil, mas ainda assim sei que vou sobreviver.

Quando estava chegando perto da saída senti a aura de Kaiden muito proxima, assim como vários guerreiros.

"Elas não fazem parte da matilha!" Escutei a voz Luis ressoar. "Você não pode força-la a ir, ninguém aqui pode. Ela é só uma agregada, mas não faz parte da matilha. Nosso acordo é que todos os membros da matilha vão com vocês. Essas duas não estão inclusas."

Fiquei um pouco mais aliviada, justamente porque não vou precisar me defender fisicamente.

"Você está me dizendo que ela são Rogues?" Kaiden perguntou numa voz mais alta.

"Não, elas fazem parte de outra matilha." Luis respondeu.

"E o que elas estão fazendo aqui?" Kaiden não estava aceitando muito aquelas respostas.

"Alpha Peter deu abrigo para elas..." Luis respondeu.

Eu queria rir, como aquelas pessoas eram tão hipócritas, mas apenas olhei para os guardas, pelo menos aquela conversinha me dava passagem para não ter que ficar ali. Então escutei um rosnado alto e sei que todos estremeceram. Era o lobo de Kaiden.

"Dá próxima vez que pensar em mentir para mim, você fica sem cabeça."

Respirei fundo, droga... Eu só quero sair deste lugar e viver a minha vida. Eu só queria que minha irmã não precisasse passar por tantas necessidades, que tivesse uma boa infancia... Tudo isso estava cada vez mais longe.

"Senhor... Eu..." Luis tentou falar alguma coisa, mas a aura de Kaiden é assustadora, para a maioria dos seres, mas para mim é apenas mais uma.

"Eu aconselho a Senhorita não dar mais um passo em direção a essa saída e é melhor me seguir."

Ele estava falando comigo, tentando me dar ordens...

"Vamos para outro lugar para conversarmos."

Os guardas que estão na porta não iriam me deixar sair, não sem que eu lutasse.

"Por favor, maninha..." Mia falou baixo e respirei fundo, derrotada...

Minha irmã era a única que conseguia fazer isso, me dissuadir de alguma coisa.

"Você pode deixá-la aqui." Kaiden quem falou desta vez.

Bom, se minha irmã não estivesse por perto, então seria mais fácil para eu lutar... Mas isso significava que ela também poderia virar uma refém. Então apenas me virei, ainda mantendo minha irmã em meu colo. Eu preferia enfrentar uma luta com ela ao meu lado, do que fazê-la refém.

"Tudo bem..." Kaiden suspirou e então deu as costas e começou a andar em direção a outra saída, a uma das quais que dava em direção a alguns escritórios que haviam sido montados às pressas.

Entrei naquele escritório e posso sentir o feitiço que tem ao redor dele, justamente para que o lado de fora não saiba o que está sendo dito. Luís estava perto, mas se afastou o máximo que conseguia de mim.

"Então, que tal, Gamma Luis, você contar a história corretamente, sem omitir nada." Kaiden perguntou indo para trás da mesinha e se sentando.

"Destiny foi isolada da matilha há dois anos." Luis começou a falar e vejo que Kaiden não está satisfeito. "Ela... Ela... Foi corrompida naquele dia e então para não passar isso para os outros, a gente a isolou." Sua voz saia tremida.

"É mesmo? Porque eu não sinto nenhuma corrupção nela e posso lhe garantir, se houvesse eu saberia." Kaiden falou com calma.

"Essa máscara que ela usa encobre!" Luis apontou para o meu rosto. "Ninguém sabe onde ela conseguiu essa coisa! Mas é isso que encobre a corrupção dela! Com certeza é magia negra!"

"Mentira!" Minha irmã quem gritou, com raiva. "Minha irmã nunca mexeu com isso ai não!"

"Só porque você não sabe o que é essa máscara, não significa que seja magia negra." Kaiden falou com calma. "Só mostra o quão ignorante você é. A Máscara que ela usa é um presente divino. Você que não consegue ver direito."

Capítulo 3 Aceitando ir para a matilha

Destiny POV

O sorriso de vitória no rosto de Kaiden me fazia querer bater ainda mais nele, sim eu fiquei surpresa quando ele disse aquelas palavras. Eu nunca tinha encontrado mais ninguém que conseguia ver as fagulhas divinas.

Mas bem, meu mundo é pequeno, isso eu sei... Sò que não tão pequeno assim... O que me leva a suspeitar, por que ele quer tanto que eu vá com a matilha dele? E ele percebeu meu olhar.

"Na matilha SilverRage você vai ter um treinamento adequado e vai poder descobrir mais sobre a sua máscara." Kaiden explicou.

Ainda assim, eu não estou acreditando muito.

"Já temos experiência com pessoas que carregavam presentes divinos." Kaiden se levantou e me olhou atentamente. Posso ver o lobo dele andando de um lado para o outro inquieto.

Kaiden é bom nisso, em esconder seus verdadeiros sentimentos. Se fosse antes eu o parabenizaria por isso, mas hoje... Eu sei melhor, eu entendo melhor.

"Mesmo que você queira levá-la... Ela não vai poder falar o ritual." Luis falou, seu tom de voz é baixo.

"O que você quer dizer com isso?" Kaiden olhou para meu antigo Gamma.

"Quando a isolamos, cortamos os laços com ela, deixando apenas uma pequena parte para ela não ser considerada Rogue." Luis explicou.

"Então não tem ninguém ligada a ela? Nem mesmo a irmã?" Kaiden perguntou irritado, aquilo era algo que ele não esperava.

"Não, nem mesmo a irmã." Luis concordou.

"Como ela não fala, então o ritual de troca não pode ser dito... Seu antigo Alpha está morto e não pode restitui-la, seu Beta não passou pelo ritual de substituição e você... Você não serve para nada." As palavras de Kaiden eram repletas de raiva.

Agora ele começava a entender porque eu estava deixando a minha irmã. Eu não posso viver no mesmo territorio sem que faça um dos rituais, seja o de entrada ou de estadia... Porque é uma magia que envolve a Palavra. Para quem é mudo, pode ser dito através dos elos mentais, mas eu não tenho nenhum... Assim, eu estou fadada a não participar de nenhuma matilha.

Se Peter estivesse vivo ele poderia me reintegrar a matilha e eu voltaria a ter um elo mental... Mas ele não está e Frederico ainda está em péssimas condições e eu sei que ele não vai sobreviver. Luís não pode assumir esse papel, porque seu elo como Gamma é muito fraco.

"Eu vou precisar conversar com Kendrick... Talvez tenhamos uma solução..." Kaiden falou depois de pensar por algum tempo. "Acredito que podemos pagar para uma maga fazer um feitiço em você, Senhorita, para que sua voz volte."

Minha expressão endureceu, quem indicou que eu vou querer isso? Que vou aceitar algo assim?

"Viu, mana... Vai dar certo... Você pode ir comigo! A gente vai poder ficar juntas!" Mia falou animada.

Torci a boca e fiz um movimento leve com a cabeça, informando que não, eu não vou aceitar nenhum tipo de feitiço. Coloquei Mia no chão e então estendi a mão. Kaiden pegou um pequeno caderno e uma caneta e me entregou. Mia se agarrou a minha perna.

"Eu vou levar minha irmã até a matilha de vocês... Mas não quero nenhum feitiço em mim."

Escrevi e entreguei para Kaiden. Ele respirou fundo.

"Pelo menos consegui convencer a ir até as terras da matilha." Kaiden falou sorrindo.

"Oba!" Mia gritou feliz, aquele gritinho que até machuca os ouvidos, ainda mais para quem tem lobo.

Sorri e fiz um cafuné na cabeça dela.

"Suas coisas, você tem algo que precise levar?" Kaiden perguntou e apenas dei as costas para ele para sair daquele escritório. "Espero, Senhorita White, vê-la aqui para partimos."

Mais uma vez aquele homem estava me ameaçando, já não era a primeira vez e parecia que não seria a última. Arrumei o capuz que cobre meu rosto e estendi a mão e Mia a segurou.

Eu não pretendia ir, logo só tinha arrumado a mochila da minha irmã. Tudo bem que não preciso de muita coisa, mas tem alguns itens muito importantes que preciso levar, mas claro que Kaiden não confiava em mim, como poderia? Por isso, enquanto me afasto sou seguida por um daqueles soldados.

Formigas fazendo suas funções, sem reclamar, sem questionar... Cheguei novamente em minha cabana, abri a porta e fechei na cara do soldado, sem deixá-lo entrar, fui até o bau e o abri, vendo minhas roupas ali.

"Viu, irmã! Eu to tão feliz!" Mia não parava de falar enquanto estava pegando uma outra mala para me entregar.

Sorri, a felicidade da minha irmã é contagiosa e por um momento fiquei vendo ela puxando a minha mala, mesmo que ela fosse mais pesada, minha irmã não desistia e puxava com as duas mãos.

Eu sei que tenho que agradecer ao meu Pai por estar aqui hoje, para poder ver minha irmã tão feliz, virei meu rosto para o pequeno altar que tinha construído. Será que é esse o meu caminho? É isso mesmo?

Kaiden e seu lobo tinham um pezinho no domínio de meu Pai. Fechei os olhos e me concentrei no cheiro daquelas folhas de narciso e me senti mais leve. Era algo muito sutil, mas eu consigo entender o significado... No mínimo eu tenho que tentar.

Voltei a olhar o bau, peguei as três capas, todas iguais, pretas que lembram o tecido da noite sem estrelas, todas elas tem capuz, este capuz faz com que mesmo com o olhar aguçado dos lupinos, eles não consigam enxergar muito bem meu rosto e é basicamente isso que os deixa desconfortáveis.

E aqueles que se preocupam em prestar atenção acabam encontrando então meu rosto, metade dela é coberto por uma máscara metálica de um tom dourado envelhecido, enquanto o outro lado parece muito mais pálido do que um corpo vivo deveria ser.

Guardei as três capas na mala que minha irmã trouxe, também coloquei algumas outras roupas, peguei um pequeno pano preto, coloquei o cetro, o cachorro e o chifre, enrolei com cuidado e coloquei no meio das roupas e fechei a mala.

Ao me erguer escutei uma batida na porta, minha irmã correu para abrir e o soldado limpou a garganta antes de falar:

"Temos que ir, todos os outros já estão prontos."

Sua voz mostra o quanto ele não queria estar ali, então apenas segurei a alça da mala com a mão esquerda e peguei a mão de minha irmã com a direita.

Passamos a voltar para aquele galpão, mas desta vez existem alguns ônibus já lotados com as outras pessoas daquela matilha, mas o soldado foi andando e sei que é para eu segui-lo, passamos pelos ônibus e vi Kaiden parado ao lado de uma SUV preta, o porta malas estava aberto.

O sorriso dele era irritante, mas minha irmã soltou minha mão e correu até ele o abraçando e escutei ela agradecendo. Revirei meus olhos e coloquei a mala no porta malas, fechei e entrei no carro, na parte de trás.

Minha irmã já estava ali, aproveitei para colocar o cinto nela e fiz a mesma coisa. Kaiden sentou no banco do motorista.

"Que tipo de música você gosta, Mia?" Kaiden perguntou.

"Rock! Igual o papai!" Mia respondeu animada.

Apenas olhei pela janela, esperando que a viagem começasse.

"E sua irmã?" Kaiden começou a mexer no celular para colocar uma playlist.

"A musica favorita dela é: Under your Scars! Eu lembro! Eu era muito pequena, mas é a musica que sempre tocava quando o tio Marc fazia uma surpresa para a minha irmã." Mia respondeu animada e inocente.

Fechei os olhos, mesmo depois de tanto tempo ainda doía escutar o nome dele.

"Bom, vamos ficar com um soft rock, que tal?" Kaiden falou, sem fazer mais perguntas.

Eu sei que ele quer saber mais sobre mim, mas pelo menos se deu a dignidade de não ficar interrogando minha irmã.

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