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Ele Odiou Um Amor Que Eu Esqueci

Ele Odiou Um Amor Que Eu Esqueci

Autor:: Su Liao Bao Zi
Gênero: Moderno
Minha memória tinha sumido, uma lousa em branco que era apagada todo dia. Eu vivia uma vida guiada por Post-its - instruções simples que me diziam quem eu era, o que comer e como ser educada com as visitas. Então ele voltou. Caio, o homem que eu supostamente abandonei por dinheiro sete anos atrás, agora era um bilionário. Ele apareceu na minha porta com sua nova noiva, seus olhos queimando com um ódio que eu não conseguia entender. Ele me forçou a participar de um reality show humilhante, transformando minha mente quebrada em um espetáculo público. Ele arrancou meus bilhetes, minha única conexão comigo mesma, e deixou o mundo assistir enquanto eu quase me afogava em um tanque de água gelada. Quando meu irmão tentou me salvar, foi preso por agressão. Para libertar meu irmão, eu tive que confessar. Fiquei diante do mundo e pedi desculpas por uma traição da qual eu nem me lembrava, tornando-me o monstro que todos acreditavam que eu era. Mas enquanto eu falava as mentiras que ele me alimentou, um único detalhe sobre um colar roubado fez seu mundo perfeito desmoronar. Ele finalmente viu a verdade em meus olhos vazios. Só que sete anos tarde demais.

Capítulo 1

Minha memória tinha sumido, uma lousa em branco que era apagada todo dia. Eu vivia uma vida guiada por Post-its - instruções simples que me diziam quem eu era, o que comer e como ser educada com as visitas.

Então ele voltou. Caio, o homem que eu supostamente abandonei por dinheiro sete anos atrás, agora era um bilionário. Ele apareceu na minha porta com sua nova noiva, seus olhos queimando com um ódio que eu não conseguia entender.

Ele me forçou a participar de um reality show humilhante, transformando minha mente quebrada em um espetáculo público. Ele arrancou meus bilhetes, minha única conexão comigo mesma, e deixou o mundo assistir enquanto eu quase me afogava em um tanque de água gelada. Quando meu irmão tentou me salvar, foi preso por agressão.

Para libertar meu irmão, eu tive que confessar. Fiquei diante do mundo e pedi desculpas por uma traição da qual eu nem me lembrava, tornando-me o monstro que todos acreditavam que eu era.

Mas enquanto eu falava as mentiras que ele me alimentou, um único detalhe sobre um colar roubado fez seu mundo perfeito desmoronar. Ele finalmente viu a verdade em meus olhos vazios. Só que sete anos tarde demais.

Capítulo 1

Minha cabeça latejava. Às vezes, parecia um disco quebrado, tocando os mesmos três segundos repetidamente. Outras vezes, era só estática. Apenas ruído branco.

Eu esquecia as coisas. Coisas grandes. Coisas pequenas. Tudo entre elas.

Havia Post-its por toda parte. Na geladeira. Nas paredes. Na minha mão. Eles me diziam o que fazer. Eles me diziam quem eu era.

Hoje, um bilhete na porta dizia: "Receba as visitas. Seja educada."

A campainha tocou. Me fez pular. Meu coração acelerou.

Eu abri a porta.

Um homem estava parado ali. Alto. Cabelos escuros. Olhos penetrantes. Ele parecia familiar, mas eu não conseguia lembrar de onde. Minha cabeça parecia confusa.

Ao lado dele, uma mulher. Loira, perfeitamente maquiada. Ela usava um vestido que brilhava. Seu sorriso era largo demais.

O homem me encarou. Seus olhos percorreram minha calça jeans desbotada, meu suéter surrado.

Ele soltou uma risada curta e fria. "Sete anos, Juliana. E foi nisso que você se transformou."

Eu franzi a testa. "Eu te conheço?"

A mulher ao lado dele apertou o braço dele com mais força. O sorriso dela desapareceu, substituído por um sorriso de deboche.

"Não se faça de idiota, Juliana", disse o homem. Sua voz era baixa, furiosa. "Ou será que o velho rico finalmente fritou seus miolos?"

Eu balancei a cabeça. "Eu não entendo."

Ele zombou. "Ainda fingindo? Tudo bem. Lorena, meu amor, não vamos perder nosso tempo."

Lorena. Esse era o nome dela. Estava escrito em um Post-it em algum lugar. Eu acho.

"Vocês gostariam de um pouco de água? Ou chá?", perguntei. O bilhete na mesa dizia: "Ofereça algo para beber aos convidados."

Caio, o homem, apenas me encarou. Seu maxilar estava tenso.

Lorena apenas revirou os olhos.

"Ok", murmurei. Virei-me e fui para a pequena cozinha.

Eu precisava encontrar os copos. Um Post-it no armário dizia: "Copos: prateleira de cima, à esquerda."

Minhas mãos tremiam um pouco enquanto eu os alcançava. O vidro bateu em outro.

Outro bilhete dizia: "Água: porta da geladeira."

Peguei a jarra. Mas então, parei. Onde estava o açúcar?

Examinei a bancada. Nenhum Post-it para o açúcar. Meu cérebro parecia um emaranhado de fios.

"Por que está demorando tanto?", a voz de Caio cortou o silêncio. Era afiada, impaciente.

"Só estou pegando o açúcar", respondi. Minha voz era fraca.

Finalmente encontrei o açúcar em um pote. Escondido atrás do café. Servi dois copos de água. Adicionei açúcar a um, por via das dúvidas.

Levei a bandeja, minhas mãos tremendo ainda mais. A água balançou. Algumas gotas derramaram na bandeja. Fizeram um pequeno barulho.

Caio estava me observando. Seu olhar parecia pesado.

Lorena deu um passo à frente. Ela pegou a bandeja das minhas mãos. Seus dedos eram longos e frios.

"Olha para você, Juliana", disse Lorena. Sua voz era doce, mas seus olhos eram frios. "Sete anos. E você não mudou nada. Continua uma bagunça."

Ela entregou um copo para Caio. Ele bebeu um gole longo e lento.

Então ela colocou o outro copo com força na pequena mesa de centro na minha frente. Fez um baque surdo.

"Quem são vocês?", perguntei novamente. Minha voz era um sussurro.

O sorriso perfeito de Lorena se contraiu. Ela entrelaçou o braço no de Caio. Ela apertou.

"Eu sou Lorena Pontes", ela anunciou. Sua voz era alta e clara. "A noiva do Caio."

Ela fez uma pausa, apenas por um segundo. "E nós vamos nos casar. Voltamos para contar a todos. Especialmente a você."

Senti uma pontada estranha no peito. Um sentimento que eu não conseguia nomear.

"Ah", eu disse. "Parabéns." Parecia a coisa certa a dizer.

Olhei para minhas mãos. Puxei um fio solto do meu suéter.

Caio bateu o copo na mesa. O som me fez estremecer.

"Parabéns?", ele rosnou. Seus olhos estavam em chamas. "Que direito você tem de parabenizar alguém, Juliana? Ainda bancando a inocente?"

Ele se levantou. Sua figura alta projetou uma sombra sobre mim. Minha respiração ficou presa na garganta.

"Você me deixou", ele disse. Sua voz era um rosnado baixo. "Por um velho rico qualquer. Você jogou fora tudo o que tínhamos. Tudo."

"Você acha que eu esqueci?", ele continuou. "Você acha que eu esqueceria como você me humilhou? Como você me arruinou?"

"Agora olhe para mim. Sou um bilionário. Um magnata da tecnologia. A anos-luz deste lixo de lugar. A anos-luz de você."

"E você", ele cuspiu. "Você ainda está se fazendo de vítima. Essa encenação de perda de memória? É patético, Juliana. É verdadeiramente patético."

Ele se inclinou para mais perto. Seu hálito quente no meu rosto. "Não pense por um segundo que vou sentir pena de você. Não pense por um segundo que vou olhar para trás."

Ele estendeu a mão. Seus dedos se fecharam em volta do meu queixo. Ele inclinou minha cabeça para cima bruscamente.

"Olha para você", ele disse, sua voz carregada de nojo. "A garota bonita do colégio. Acabada. Feia."

Meu queixo doía. Minha visão turvou.

"Está doendo", sussurrei.

Ele soltou uma risada áspera. "Está doendo? Você se lembra da dor, Juliana? Ótimo. Porque você me causou mais dor do que jamais poderia imaginar."

Capítulo 2

Caio finalmente soltou meu rosto. Ele empurrou minha cabeça para longe com um movimento brusco. Meu pescoço estalou para trás.

Ele se virou de mim. Seus olhos encontraram a parede coberta com meus Post-its. Seu rosto se contorceu em um desprezo.

Ele chutou a parede. O som foi alto. Alguns bilhetes voaram para o chão.

"Que lixo é esse?", ele rosnou. "O manual de instruções da sua vida? Não me diga que você precisa de bilhetes para respirar também."

Ele começou a arrancá-los. Um por um. Ele os lia em voz alta, sua voz pingando sarcasmo.

"'Lembrar de tomar café da manhã.' 'Tomar remédio às 8h.' 'Carlos liga na terça.'"

Ele rasgou outro. "'Esta é a sua casa.'"

Ele riu, um som cruel e áspero. "Você precisa de um lembrete de onde mora, Juliana? Que gênio. Ou tudo isso faz parte da encenação? Para conseguir simpatia?"

Meus Post-its. Eles eram minhas âncoras. Meu bote salva-vidas em um mar de momentos esquecidos. Eram minha prova de que eu ainda estava aqui.

Tentei me levantar da cadeira. Minhas pernas pareciam gelatina. Escorreguei para o chão.

"Por favor", grasnei. "Não. Não os rasgue."

Rastejei de quatro. Tentando juntar os pedaços de papel espalhados. Eram minhas memórias. Minhas instruções. Minha vida.

Caio me observava. Um olhar frio e distante em seus olhos.

Ele pisou. Bem em cima de um pequeno bilhete amarelo. Minha mão tentou alcançá-lo, mas seu sapato era muito pesado.

Ele se abaixou. Lentamente. Ele pegou o bilhete de debaixo do pé.

Era um antigo. Tinta desbotada.

"'Feliz aniversário, Caio'", ele leu em voz alta. Sua voz era monótona. "'Você é o meu sol.'"

Ele fez uma pausa. Apenas por um segundo. Seus dedos se apertaram em torno do pequeno papel.

"Ainda guardando isso?", ele zombou. "O quê, planejando usar na sua próxima vítima? Para lembrá-los da minha estupidez passada?"

Então, com um movimento deliberado, ele rasgou o bilhete em pedacinhos. Ele os segurou no alto. O confete de papel flutuou para baixo. Pousando no meu cabelo. Nos meus ombros.

Minha mão ainda estendida. Tentando pegar os fragmentos. Mas eles escorregaram por entre meus dedos.

Lorena deu um passo à frente. Ela gentilmente pegou o braço de Caio.

"Caio, querido", ela arrulhou. Sua voz era suave. "Não se estresse por causa dela. Ela é patética. Como um cachorro de rua."

Ela se virou para as câmeras que haviam aparecido de repente. Eu nem as tinha notado. Elas estavam por toda parte.

"É exatamente disso que estou falando", disse Lorena para a câmera. Sua voz estava cheia de falsa simpatia. "Ela está tão perdida. Tão quebrada. É realmente de partir o coração."

Ela olhou de volta para Caio. "Viemos aqui para ajudar, lembra? Para mostrar a todos o seu espírito generoso. O seu perdão."

"Um reality show", ela sussurrou para ele. Mas foi alto o suficiente para eu ouvir. "Vamos chamar de 'Redenção em Volta Redonda'. Uma história de um bilionário compassivo voltando para casa para salvar uma alma perdida. É ouro, Caio. Ouro puro."

Caio olhou para Lorena. Um brilho de algo em seus olhos. Então ele assentiu. Um sorriso lento e predatório se espalhou por seu rosto.

Ele olhou para mim. Ainda no chão, cercada por papel rasgado.

"Levanta, sua inútil com o cérebro danificado", ele rosnou. Ele chutou um bilhete perdido perto da minha cabeça. "Você vai ser uma estrela. Todos verão a bagunça que você é. E verão como eu, Caio Moraes, vou te salvar."

Ele se virou e saiu, com Lorena agarrada ao seu braço. As câmeras os seguiram.

Fiquei ali por muito tempo. A parede vazia me encarava de volta. Silêncio. Mas minha cabeça. Minha cabeça estava gritando.

Na manhã seguinte, acordei com uma dor surda na cabeça. Um Post-it no meu pulso dizia: "Comer aveia. Tomar pílulas."

Arrastei-me para a cozinha. Minha casa parecia vazia. As paredes estavam nuas.

De repente, a porta da frente se abriu com um estrondo. Bateu contra a parede. O som me fez pular.

Caio entrou. Atrás dele, uma equipe de pessoas. Luzes. Câmeras. Microfones.

Lorena também estava lá. Seu braço entrelaçado no de Caio. Ela sorriu para as câmeras. Um sorriso largo e deslumbrante.

Um homem com um fone de ouvido deu um passo à frente. Ele segurava uma prancheta.

"Juliana Souza?", ele perguntou, sua voz retumbando. "Eu sou o Marcos, o diretor de 'Redenção em Volta Redonda'. E esta é a sua chance de virar o jogo!"

Ele gesticulou para Caio e Lorena. "Estes dois filantropos incríveis, Caio Moraes e Lorena Pontes, voltaram para sua cidade natal. Eles querem retribuir. Ajudar os menos afortunados."

Ele se inclinou conspiratoriamente, mas sua voz ainda era alta. "Ouvimos sobre suas dificuldades, Juliana. Sua... condição. Queremos documentar sua jornada. Para inspirar outros. Para aumentar a conscientização. E, claro, para conseguir a ajuda que você desesperadamente precisa."

Capítulo 3

Eu me encolhi na cadeira, tentando me fazer pequena. As palavras de Marcos giravam ao meu redor. Eu não conseguia entendê-las. Por que Caio iria querer me ajudar? Foi ele quem rasgou meus bilhetes. Foi ele quem me chamou de lixo.

Meus olhos se desviaram para a parede vazia. Minha mente parecia em branco, assim como o gesso. Sem bilhetes. Sem instruções. Apenas um espaço vasto e vazio.

Caio deu um passo à frente. As câmeras deram zoom. Suas lentes eram como olhos famintos.

"Juliana", ele disse. Sua voz era áspera. "Sete anos. E você ainda não consegue cuidar de si mesma? O que você fez da sua vida?"

Eu olhei para ele. Lembrei-me de seu rosto. Aquele que rasgou minha vida. Aquele com o sorriso cruel. Mas o nome dele... ainda era um borrão.

O rosto de Caio escureceu. Ele odiava ser esquecido.

Lorena imediatamente se colocou na frente dele. A mão dela em seu peito. Um olhar preocupado em seu rosto para as câmeras.

"Caio, querido, não fique bravo. Ela não pode evitar. A memória dela é... frágil." Ela deu um tapinha no braço dele. "Não leve para o lado pessoal."

Então, ela se virou para as câmeras. Seu rosto se suavizou em uma performance de pena.

"Ouvimos sobre a situação da Juliana", explicou Lorena para a lente. "Quero dizer, nós realmente pensamos que ela estava bem. Sete anos atrás, nos disseram que ela partiu para... uma vida melhor."

Ela fez uma pausa, balançando a cabeça tristemente. "Nunca imaginamos que ela acabaria assim. Tão sozinha. Tão vulnerável."

"Caio sempre sentiu um profundo arrependimento", ela continuou, sua voz cheia de emoção. "Ele se culpava. Achava que não era bom o suficiente para ela. Foi por isso que ela o 'deixou', entende."

"Quando voltamos, a primeira coisa que ele quis fazer foi encontrá-la. Para fazer as pazes. Para dar a ela uma segunda chance." Lorena engasgou com um soluço falso. "Nós só queremos consertar o que foi quebrado."

Algumas pessoas da equipe murmuraram palavras de aprovação. "Que homem generoso", alguém sussurrou. "Que história linda."

Minha cabeça latejava. As vozes deles. Os rostos deles. Era demais. Eu só queria que eles parassem.

Eu me levantei. Precisava fugir. Voltar para o meu quarto. Voltar para o silêncio.

A mão de Caio disparou. Ele agarrou meu pulso. Seu aperto era como ferro.

"Onde você pensa que vai?", ele rosnou. Seus olhos estavam frios. "Você é a estrela do show agora, Juliana. Você não pode ir embora."

"Você não era tão quieta antes", ele zombou. "Sete anos atrás, você tinha muito a dizer. Muita garra."

Ele me empurrou de volta para a cadeira. Com força. A madeira velha gemeu.

"Comecem a filmar!", ele gritou para Marcos.

Marcos assentiu ansiosamente. As câmeras giraram. As lentes focaram em mim.

"Podemos fazer um tour pelas instalações?", perguntou Marcos. "Mostrar aos espectadores as condições de vida dela? Realmente destacar sua luta?"

Caio acenou com uma mão desdenhosa. "Vá em frente. Filme o que quiser. Ela não tem nada a esconder. Nada sobrando, de qualquer maneira."

A equipe invadiu minha pequena casa. Eles filmaram meu sofá puído. Minhas cortinas desbotadas. Minhas xícaras de chá lascadas.

Eles filmaram minhas roupas, penduradas em um varal para secar. Pálidas e gastas.

Eles filmaram a lata de sopa pela metade na minha mesa.

Eles filmaram minha cama. A colcha remendada em uma dúzia de lugares.

Então, os vizinhos começaram a se aglomerar. Atraídos pela comoção. Atraídos pelas câmeras.

Dona Elza, da casa ao lado, abriu caminho até a frente. Ela apontou um dedo para mim.

"Olha para ela agora!", ela gritou, sua voz estridente. "Costumava ser uma coisinha tão bonita. Achava que era boa demais para esta cidade. Boa demais para o Caio."

"Fugiu com um velho rico, disseram. Vadiazinha interesseira. Achou que tinha tirado a sorte grande."

"Bem feito para ela, eu digo! O jeito que ela largou o Caio, praticamente no altar. Deixou ele de coração partido. Agora olha para ela. Aqui se faz, aqui se paga."

"Aquele homem rico provavelmente a usou e a jogou fora", outro vizinho interveio. "Agora ela não tem nada. O cérebro se foi. Fica olhando para o nada o dia todo. Se os pais dela não tivessem deixado esta casa para ela, estaria mendigando nas ruas."

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