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Ele a Escolheu, Eu Escolhi a Liberdade

Ele a Escolheu, Eu Escolhi a Liberdade

Autor:: He Shuyao
Gênero: Moderno
Meu marido, Heitor, e minha irmã adotiva, Karine, me apunhalaram pelas costas. Descobri que Karine estava grávida do filho dele, uma jogada calculada para garantir um herdeiro para o império de logística marítima que minha família construiu e que ele agora controlava. Ele me pintou como a esposa fria e obcecada pela carreira que não podia lhe dar um filho, transformando nossa decisão mútua de esperar em uma arma contra mim. Quando os confrontei, Heitor prometeu resolver a situação, mas era apenas mais uma mentira. Seu engano era mais profundo do que eu jamais imaginei. Quando uma figura violenta do passado de Heitor ressurgiu, revelando que ele havia usado dinheiro roubado para se casar com minha família, Heitor escolheu proteger sua amante grávida em vez de mim, deixando-me ser atacada e gravemente ferida. Ele me deixou sangrando no chão de uma galeria de arte, escolhendo proteger a mulher que carregava seu filho - um filho que, eu descobriria mais tarde, nem era dele. Eu forjei minha própria morte, fugindo para Portugal para começar uma nova vida, livre de sua teia de mentiras. Mas Heitor, consumido por uma obsessão doentia depois de descobrir a verdade, me caçou. Ele me encontrou, desesperado para reivindicar o que havia destruído. "Você é minha, Bianca", ele rosnou, seus olhos cheios de um fogo possessivo. "Sempre foi e sempre será."

Capítulo 1

Meu marido, Heitor, e minha irmã adotiva, Karine, me apunhalaram pelas costas. Descobri que Karine estava grávida do filho dele, uma jogada calculada para garantir um herdeiro para o império de logística marítima que minha família construiu e que ele agora controlava.

Ele me pintou como a esposa fria e obcecada pela carreira que não podia lhe dar um filho, transformando nossa decisão mútua de esperar em uma arma contra mim. Quando os confrontei, Heitor prometeu resolver a situação, mas era apenas mais uma mentira.

Seu engano era mais profundo do que eu jamais imaginei. Quando uma figura violenta do passado de Heitor ressurgiu, revelando que ele havia usado dinheiro roubado para se casar com minha família, Heitor escolheu proteger sua amante grávida em vez de mim, deixando-me ser atacada e gravemente ferida.

Ele me deixou sangrando no chão de uma galeria de arte, escolhendo proteger a mulher que carregava seu filho - um filho que, eu descobriria mais tarde, nem era dele.

Eu forjei minha própria morte, fugindo para Portugal para começar uma nova vida, livre de sua teia de mentiras.

Mas Heitor, consumido por uma obsessão doentia depois de descobrir a verdade, me caçou. Ele me encontrou, desesperado para reivindicar o que havia destruído.

"Você é minha, Bianca", ele rosnou, seus olhos cheios de um fogo possessivo. "Sempre foi e sempre será."

Capítulo 1

Ponto de Vista: Bianca

A linha rosa no teste de gravidez me encarava, zombando da fachada perfeita que Heitor e eu havíamos construído meticulosamente. Não era meu. Era de Karine. Minha irmã adotiva, carregando o filho de Heitor. O mundo girou sobre seu eixo, mas eu permaneci firme, a CEO da Almeida Logística Marítima, não uma garotinha frágil.

Karine estava sentada à minha frente em meu escritório, uma boneca de porcelana com olhos grandes e inocentes. Suas mãos pairavam sobre sua barriga levemente arredondada.

"Bianca, por favor", ela sussurrou, sua voz um apelo fraco. "Você tem que entender."

Eu não entendia. E nunca entenderia. A mulher que eu acolhi em minha casa, em minha família, estava carregando o filho do meu marido.

Uma onda de frio me percorreu. Isso não era apenas traição; era um insulto. Uma jogada calculada em um jogo que eu nem sabia que estava jogando.

"Entender o quê, Karine?" Minha voz era afiada como vidro quebrado. "Que você destruiu tudo?"

Ela se encolheu, agarrando a barriga. "Não era para acontecer assim. O Heitor... ele disse que me amava."

Eu quase ri. Heitor não amava ninguém além de si mesmo e de sua ambição.

"Ele disse que ia te deixar", ela insistiu, lágrimas brotando em seus olhos, fazendo-os parecer ainda maiores, mais vulneráveis. "Ele prometeu."

Promessas eram baratas. Especialmente as de Heitor.

"E você acreditou nele?" Meu olhar era inabalável, perfurando sua inocência fabricada. "Você realmente acreditou que ele trocaria o império Almeida por... isso?"

Seu rosto se desfez. "Ele disse que precisava de um herdeiro, Bianca. Ele disse que você não podia dar um a ele."

As palavras me atingiram como um golpe físico. A ferida não dita e infeccionada de nosso casamento sem filhos, agora usada como arma contra mim. Minhas mãos se fecharam sob a mesa.

"Isso é mentira", afirmei, minha voz perigosamente baixa. "Nós escolhemos não ter filhos ainda. Foi uma decisão mútua."

Ela desviou o olhar, traçando padrões em sua barriga. "Ele disse que você estava muito focada na empresa. Que não diminuiria o ritmo por uma família."

A audácia. A pura e descarada ousadia de ambos.

"Fora", ordenei, minha paciência esgotada. "Fora da minha casa."

Ela olhou para cima, os olhos arregalados com novas lágrimas. "Mas para onde eu vou? Não tenho para onde ir."

Isso não era problema meu. Não mais.

"Isso é algo que você deveria ter considerado antes de abrir as pernas para o meu marido", retruquei, as palavras com gosto de cinzas na minha boca.

Seu suspiro foi teatral. "Como você pode ser tão cruel?"

Cruel? Eu estava apenas constatando fatos.

"A crueldade começou quando você traiu minha confiança, Karine", eu disse, levantando-me da cadeira. "Agora, saia."

Ela não se moveu, o lábio inferior tremendo. "Estou carregando o filho dele, Bianca. O filho do seu marido. Você não pode simplesmente... nos expulsar."

"Pois observe", minha voz estava desprovida de emoção.

Naquele momento, a porta do escritório se abriu. Heitor, impecavelmente vestido como sempre, entrou, seus olhos examinando a cena. Ele viu o rosto de Karine manchado de lágrimas, a mão dela protetoramente sobre a barriga, e então seu olhar pousou em mim, frio e calculista.

"O que está acontecendo aqui?", ele perguntou, seu tom enganosamente calmo.

Encarei seu olhar de frente. "Seu segredinho foi descoberto, Heitor."

Karine soltou um soluço engasgado, enterrando o rosto nas mãos. A mandíbula de Heitor se contraiu, seus olhos se estreitando ligeiramente. Ele caminhou até Karine, colocando a mão em seu ombro, um gesto que me enviou uma nova onda de náusea.

"Bianca", ele começou, sua voz um murmúrio baixo e persuasivo, "vamos conversar sobre isso racionalmente."

Racionalmente? Não havia nada de racional nisso.

"Não há nada para conversar", eu disse, minha voz firme apesar do tremor em minhas mãos. "Eu quero o divórcio."

As palavras pairaram no ar, pesadas e finais. A mão de Heitor caiu do ombro de Karine. Seu rosto, geralmente tão composto, se partiu por uma fração de segundo.

"Divórcio?", ele repetiu, como se o conceito fosse estranho para ele. "Não seja ridícula, Bianca. Somos uma equipe."

Uma equipe? Ele tinha acabado de me apunhalar pelas costas.

"Que bela equipe", zombei. "Você transou com a minha irmã."

Karine gemeu, encolhendo-se ainda mais na poltrona. Heitor a ignorou, os olhos fixos em mim. Sua expressão endureceu, e um brilho perigoso apareceu em seus olhos.

"Você não vai me deixar, Bianca", ele disse, sua voz caindo para quase um sussurro, mas carregada de aço. "Nem agora, nem nunca."

Ele deu um passo em minha direção, sua presença de repente avassaladora, sufocante. Mantive-me firme, embora meu coração martelasse contra minhas costelas.

"Pois observe", repeti, um desafio em minha voz.

Ele parou, um músculo se contraindo em sua mandíbula. Então, com um movimento súbito e violento, ele varreu o braço pela minha mesa de mogno. Papéis, canetas, meu tinteiro antigo - tudo foi ao chão com um estrondo ensurdecedor. O som ecoou no silêncio repentino, uma pontuação gritante para sua raiva.

Karine ofegou, mas eu não vacilei. Eu já tinha visto esse lado de Heitor antes, em momentos de extrema frustração ou quando seu controle escapava. Raramente era direcionado a mim, mas estava lá, fervendo sob o verniz polido.

"Você acha que pode simplesmente ir embora?", ele exigiu, sua voz se elevando. "Depois de tudo? Depois que eu construí este império com você?"

"Você o construiu porque minha família lhe deu a oportunidade, Heitor", lembrei-o, minha voz inabalável. "Não se esqueça do seu lugar."

Seus olhos brilharam com pura fúria. Ele se virou para Karine, sua preocupação anterior por ela desaparecida.

"Fora!", ele latiu, apontando um dedo para ela. "Volte para o seu quarto. Agora!"

Karine se levantou da poltrona, o rosto pálido de terror. Ela lançou um olhar desesperado para mim, um apelo silencioso em seus olhos.

"Não", intervi, dando um passo à frente. "Ela não vai a lugar nenhum com você. Não nesta casa."

Heitor se virou para mim, sua raiva agora totalmente liberada. "Você acha que pode me controlar, Bianca? Você acha que pode ditar minha vida?"

"Acho que posso ditar quem fica na minha casa, Heitor", contrapus, minha voz fria como gelo. "E ela certamente não é mais bem-vinda aqui."

Ele me encarou, o peito arfando. Por um momento, pensei que ele poderia me agredir fisicamente. Então, suas feições se suavizaram, um brilho calculista retornando aos seus olhos.

"Tudo bem", ele disse, sua voz surpreendentemente calma. "Mas se ela sair, a criança sai também. E você perde seu herdeiro."

Minha respiração falhou. Ele estava usando a criança como uma arma.

"Essa criança é uma consequência da sua infidelidade, Heitor, não meu herdeiro", cuspi. "E eu não quero nada com ela. Ou com você."

Ele sorriu então, um sorriso arrepiante e sem humor. "Você não está falando sério, Bianca. Você está apenas magoada."

"Estou falando cada palavra", eu disse, minha voz firme. "E eu quero você fora da minha vida."

Ele caminhou em minha direção, seus passos lentos e deliberados. Eu não recuei. Ele estendeu a mão, sua mão gentilmente segurando meu rosto. Seu toque, antes reconfortante, agora parecia uma marca de ferro em brasa.

"Meu amor", ele murmurou, seu polegar acariciando minha pele. "Não faça isso. Não jogue fora tudo o que temos."

Eu recuei, afastando sua mão com um tapa. "Não me toque! Seu toque me dá arrepios."

Seus olhos escureceram, a mágoa passando por eles, rapidamente substituída por um brilho possessivo. Ele agarrou meus pulsos, seu aperto implacável.

"Você é minha, Bianca", ele rosnou, puxando-me para mais perto. "Sempre foi e sempre será."

Lutei contra ele, uma súbita onda de medo misturada com nojo. "Me solta!"

"Nunca", ele sussurrou, seus lábios roçando minha orelha. "Você acha que vou deixar você simplesmente ir embora? Depois de tudo que fiz por você? Por nós?"

Ele me puxou para um abraço feroz, seus braços como faixas de aço ao meu redor. Eu me debati, desesperada para escapar de seu aperto.

"Você está me sufocando!", ofeguei, minha voz abafada contra seu peito.

"Estou nos salvando", ele contrapôs, sua voz rouca. "Salvando nosso legado."

Consegui me libertar, empurrando-o com toda a minha força. Minhas mãos voaram e, antes que eu pudesse pensar, dei-lhe um tapa no rosto. O estalo agudo ecoou na sala.

Heitor congelou, seus olhos se arregalando em choque. Uma marca vermelha floresceu em sua bochecha. Por um momento, ele simplesmente me encarou, sua expressão indecifrável. Então, um sorriso lento e aterrorizante se espalhou por seu rosto.

"Você me bateu", ele disse, sua voz assustadoramente calma. "Minha esposa me bateu."

Um arrepio percorreu minha espinha. A maneira como ele disse "minha esposa" era possessiva, ameaçadora.

"Não sou mais sua esposa, Heitor", eu disse, ofegante. "Eu quero o divórcio. Quero você fora da minha vida, fora da minha empresa, fora de tudo que é meu."

Ele riu, um som baixo e sinistro. "Você não pode se livrar de mim tão facilmente, Bianca. Estamos ligados. Para a eternidade."

Suas palavras me enviaram uma nova onda de terror. Isso não era mais apenas sobre um divórcio. Era sobre sobrevivência.

Ele deu um passo para trás, passando a mão pelos cabelos. "Tudo bem. Você quer um divórcio, terá um divórcio. Mas não pense por um segundo que vai se livrar de mim ou do meu filho."

Meu estômago se revirou. A criança. O lembrete constante e vivo de sua traição.

Lembrei-me dos primeiros dias, do romance apaixonado e avassalador. Ele era o jovem ambicioso e charmoso de um passado conturbado, e eu, a herdeira protegida, vi nele uma alma gêmea, uma determinação que espelhava a minha. Minha família o acolheu, o orientou, e eu me apaixonei profundamente por um homem que parecia entender meu mundo, meus fardos. Mas aquele homem era uma ilusão. Uma mentira meticulosamente elaborada.

"Por quê, Heitor?" A pergunta rasgou através de mim, crua e desesperada. "Por que você fez isso?"

Ele olhou para mim, um lampejo de algo parecido com remorso em seus olhos, rapidamente mascarado. "Você queria esperar por filhos, Bianca. Anos, você disse. Eu precisava de um herdeiro. Para o nosso futuro. Para a empresa."

"Então você usou a Karine?", perguntei, uma risada amarga escapando de meus lábios. "Minha própria irmã? Uma garota que se parece tanto comigo?"

Ele não negou. Seu silêncio era uma admissão.

De repente, meu telefone vibrou. Era uma mensagem do meu investigador particular. Fotos. Fotos de Heitor e Karine, íntimas, inegáveis. E outra, um laudo médico, confirmando a gravidez avançada de Karine. Meu sangue gelou. Ele vinha planejando isso há meses.

Uma determinação fria e dura se instalou em meu peito. Ele achava que podia me superar? Ele achava que podia usar minha família, minha herança, contra mim? Ele me subestimou. Gravemente.

A tradição da família Almeida. A viagem de veleiro solo para o santuário da ilha particular. Um rito de passagem, uma purificação. Sempre fora um símbolo de cura, de um novo começo. Agora, seria minha arma.

Karine, aquela garota tola, acreditava que poderia me substituir. Ela era um peão, nada mais. Um peão que eu usaria para desmontar o mundo cuidadosamente construído de Heitor. Isso não era mais apenas sobre divórcio. Era sobre reivindicar minha vida, minha dignidade e fazer os dois pagarem.

"Você vai se arrepender disso, Heitor", sussurrei, minha voz carregada com uma promessa de retribuição. "Você vai se arrepender de ter cruzado meu caminho."

Capítulo 2

Ponto de Vista: Bianca

O frio do ar da manhã cortava minha pele exposta enquanto eu pisava no convés do meu iate, "O Canto da Sereia". O nome parecia irônico agora. Era eu quem estava sendo chamada para longe, não quem estava chamando. O sol mal beijava o horizonte, pintando o céu em tons de roxo machucado e vermelho raivoso. Espelhava a tempestade que se formava dentro de mim.

Observei a cidade de Santos encolher atrás de nós, um monumento brilhante à vida que eu estava prestes a desmontar. Heitor acreditava que eu estava simplesmente recuando, lambendo minhas feridas. Ele não tinha ideia do que estava por vir.

Minha primeira providência foi visitar o Padre Miguel. Não para absolvição, mas por uma questão de aparência. A família Almeida era mergulhada em tradição, e uma visita à igreja ancestral antes de uma grande viagem de veleiro familiar era esperada. Isso solidificaria minha narrativa de uma esposa enlutada buscando consolo.

As pesadas portas de carvalho da Igreja de São Miguel rangeram ao se abrir, revelando a santidade silenciosa lá dentro. O incenso pairava pesado no ar, um contraste gritante com o mundo estéril e calculado que eu habitava. Padre Miguel, com seus cabelos prateados como uma auréola ao redor de seu rosto gentil, me cumprimentou com um aceno solene.

"Bianca, minha filha", ele disse, sua voz suave, "sinto muito por ouvir os rumores."

Rumores. Os sussurros cuidadosamente selecionados que Heitor permitiu que circulassem, pintando-me como a esposa estéril e obcecada pela carreira que não podia lhe dar o que ele realmente precisava.

"Obrigada, Padre", eu disse, juntando as mãos, um retrato de sofrimento silencioso. "Tem sido... difícil."

Ele me conduziu a um banco silencioso, sua mão gentilmente em minhas costas. "Deus age de maneiras misteriosas, minha querida. Às vezes, das cinzas do desespero, uma nova vida emerge."

Quase engasguei com uma risada amarga. Nova vida era precisamente o problema.

Conversamos por um tempo, suas palavras um bálsamo que eu não precisava, mas fingi aceitar. Ele ofereceu orações, bênçãos. Eu as aceitei com gratidão fingida, o tempo todo pensando no próximo movimento de xadrez. Ele não percebia que era apenas um adereço em minha farsa meticulosamente planejada. Meu telefone, vibrando discretamente no meu bolso, confirmou a localização de Heitor: o refúgio exclusivo em Angra dos Reis, onde ele havia escondido Karine. Os tolos. Eles achavam que estavam seguros.

Depois de sair da igreja, dirigi diretamente para meu escritório particular, um lugar que até Heitor raramente entrava. Tirei uma pequena caixa forrada de veludo de um cofre escondido. Dentro, havia um delicado colar de diamantes, um presente de casamento de Heitor. Simbolizava tudo o que eu estava deixando para trás. Com a mão firme, abri a janela com vista para a Baía de Santos e, sem um momento de hesitação, joguei o colar nas águas agitadas e turvas abaixo. Ele afundou sem uma ondulação, assim como meus sentimentos por Heitor.

"Que tragédia", minha assistente, Sara, havia murmurado naquela manhã, ao se despedir de mim. "A Sra. Almeida, passando por tanta coisa. Mas ela é tão forte."

Ela pensava que eu estava de luto por um casamento perdido. Ela não sabia que eu estava orquestrando uma guerra silenciosa.

Heitor, em sua arrogância, achava que era esperto. Ele acreditava que eu estaria muito emotiva, muito de coração partido para revidar. Ele subestimou a mente fria e estratégica que havia transformado a Almeida Logística em uma potência global. Ele via uma esposa; eu via um rival.

Minha rede de contatos era profunda, muito mais profunda do que Heitor poderia imaginar. Algumas ligações discretas, algumas ameaças veladas, e eu tinha olhos e ouvidos em todos os lugares. Eu sabia o endereço exato da propriedade em Angra, os códigos de segurança, a lista de funcionários. Eu sabia a marca favorita de chá de ervas de Karine, as vitaminas pré-natais específicas que ela estava tomando e a data precisa do parto de seu bebê. Eles estavam vivendo em uma gaiola dourada, mas ainda assim uma gaiola.

Recostei-me na cadeira, um mapa da propriedade de Angra dos Reis espalhado diante de mim. Meu dedo traçou o caminho sinuoso até a casa de hóspedes isolada. Era lá que ela estava. Minha irmã. Minha traidora.

"Prepare o jato", instruí meu piloto pelo telefone, minha voz calma e firme. "Estamos voando para Angra. E certifique-se de que as autoridades locais estejam de prontidão. Não quero nenhuma... complicação."

Meu confronto com Heitor era inevitável, e seria nos meus termos. Deixei uma mensagem com sua assistente pessoal, uma exigência ríspida de uma reunião. Não um pedido, uma exigência. Ele viria. Ele sempre vinha. Ele era viciado em controle e nunca perderia uma oportunidade de afirmá-lo.

Mais tarde naquela noite, eu estava na opulenta sala de estar da propriedade de Angra, o cheiro de ar fresco do oceano se misturando com o leve aroma dos óleos essenciais de lavanda de Karine. Heitor entrou, seu rosto uma máscara de aborrecimento cuidadosamente controlado.

"Bianca", ele disse, sua voz monótona. "O que você está fazendo aqui? Pensei que estivesse velejando."

"E perder toda a diversão?" Ergui uma sobrancelha, um sorriso sardônico brincando em meus lábios. "Dificilmente."

Ele cerrou a mandíbula, seus olhos percorrendo a sala como se procurasse por Karine. "Isso não é apropriado."

"Apropriado?" Eu ri, um som oco e sem humor. "Você acha que pode esconder sua amante grávida na minha propriedade em Angra e falar sobre o que é 'apropriado'?"

"Ela não é minha amante", ele retrucou, seus olhos brilhando. "Ela está carregando meu filho."

"O que a torna o quê, Heitor? Sua segunda esposa? Sua barriga de aluguel?", desafiei, apreciando o lampejo de raiva em seus olhos.

Ele se aproximou, sua voz caindo para um sussurro perigoso. "O que você quer, Bianca? Dinheiro? A empresa? Diga o seu preço."

"Meu preço?" Olhei ao redor da sala luxuosa, um símbolo de sua traição. "Você acha que tudo pode ser comprado, Heitor? Foi isso que você aprendeu com a minha família? A colocar um preço no amor, na lealdade, na decência?"

Meus olhos arderam, mas me recusei a derramar uma única lágrima. Não por ele. Não por eles.

"Nosso casamento foi uma farsa, não foi?", perguntei, minha voz pouco acima de um sussurro. "Todos aqueles anos, todas aquelas declarações de amor... apenas um meio para um fim para você."

Ele permaneceu em silêncio, seu olhar inabalável. Seu silêncio era ensurdecedor. Confirmava tudo. Cada dúvida, cada insegurança que eu já havia deixado de lado, agora gritava para mim das profundezas de seus olhos frios e calculistas.

"Você me enoja", eu disse, as palavras pesadas de desprezo. "Você e sua bonequinha patética."

Virei-lhe as costas, caminhando em direção ao piano de cauda no canto da sala. Meus dedos roçaram as teclas polidas, um lamento silencioso. Ele pensava que eu estava de coração partido. Ele pensava que eu era fraca. Ele estava errado.

"Você vai se arrepender disso, Bianca", ele disse, sua voz carregada de uma ameaça sutil. "Você vai se arrepender de me afastar."

Virei-me para encará-lo, um sorriso arrepiante nos lábios. "Oh, Heitor. Eu me arrependo de ter desperdiçado um único momento com você. E quanto a te afastar? Considere um favor. Você sempre foi pegajoso demais para o meu gosto."

Com isso, virei nos calcanhares e saí, deixando-o sozinho na sala opulenta, um testamento de seu engano. O jogo tinha apenas começado.

Capítulo 3

Ponto de Vista: Bianca

O ar na casa de hóspedes parecia denso e pesado, carregado de uma tensão não dita. Karine sentava-se rigidamente na beirada de um sofá de veludo macio, as mãos firmemente entrelaçadas sobre a barriga crescente. Lá fora, a propriedade de Angra dos Reis estava banhada pelo brilho pálido da lua, uma serenidade enganosa antes da tempestade. A brisa do oceano, tipicamente calmante, agora carregava um toque cortante, sussurrando sobre o confronto iminente.

"Bianca, você não pode estar falando sério", Karine começou, sua voz tremendo ligeiramente, embora uma corrente de desafio ainda permeasse suas palavras. Ela olhou ao redor da sala opulenta, como se procurasse uma fuga ou talvez segurança na decoração cara. "Heitor nunca permitirá isso."

Eu a observei, uma observadora distante. Suas tentativas de intimidação eram risíveis. Ela ainda se apegava à ilusão de que Heitor tinha algum poder real sobre minhas decisões.

"Heitor não tem voz nisso, Karine", afirmei, minha voz calma e uniforme. "Esta é minha propriedade. E você está invadindo."

Seus olhos brilharam com um toque de malícia. "Invasão? Estou carregando o filho dele! O herdeiro dele! Você está apenas com ciúmes, Bianca. Com ciúmes de que eu posso dar a ele o que você não pode."

Uma risada aguda e sem humor escapou de meus lábios. "Ciúmes? De você, Karine? Você está carregando um filho bastardo, um testamento de sua própria tolice e do engano dele. Não há nada para ter ciúmes."

Seu rosto ficou vermelho. "Como você ousa! Esta criança é uma bênção! Um sinal de amor verdadeiro!"

"Amor verdadeiro?", zombei, aproximando-me até pairar sobre ela. "Você realmente acredita que um homem que te esconde, que manipula nós duas, é capaz de 'amor verdadeiro'? Você é uma tola, Karine. Uma tola ingênua e patética."

Ela tentou se encolher ainda mais no sofá, mas eu não permitiria. Estendi minha mão, meus dedos agarrando seu queixo com firmeza, forçando-a a olhar para mim. Seus olhos, cheios de medo, dispararam ao redor, mas não encontraram escapatória.

"Escute com atenção", ordenei, minha voz fria e inabalável. "Você vai deixar esta propriedade. Você irá a uma clínica discreta e interromperá esta gravidez. Então, você desaparecerá."

Seus olhos se arregalaram de horror. "Não! Eu não vou! Você não pode me obrigar!" Ela se debateu, arrancando o queixo do meu aperto. "Este é o bebê do Heitor! Ele quer este bebê!"

"Ele quer um herdeiro, Karine", corrigi, minha voz assustadoramente calma. "Não você. Você é meramente um recipiente. E um descartável, por sinal."

Ela soltou um grito agudo, lágrimas escorrendo por seu rosto. "Você é um monstro! Um monstro sem coração! Vou contar a todos o que você tentou fazer!"

"E quem vai acreditar em você?", ergui uma sobrancelha, um brilho predatório em meus olhos. "A pobre e iludida irmãzinha, inventando histórias para conseguir simpatia? Ou a formidável CEO, conhecida por sua reputação impecável e determinação inabalável?"

Inclinei-me, meu rosto a centímetros do dela. "Você tem duas escolhas, Karine. Você pode obedecer, e eu garantirei que você fique financeiramente confortável, bem longe daqui. Ou, você pode resistir, e eu garantirei que você perca tudo. Seu filho, sua reputação, suas míseras economias. Cada esperança a que você se apega será sistematicamente esmagada. Você entende as regras deste jogo, irmãzinha?"

Seu corpo tremia. Ela olhou para mim, seus olhos transbordando uma mistura de ódio e terror. "Eu te odeio, Bianca! Eu te odeio!"

Minha mão disparou, não para golpeá-la, mas para agarrar seu braço, meus dedos cravando-se. "Já chega, Karine. Isso não é uma negociação. Sou eu estabelecendo a lei."

De repente, a porta da casa de hóspedes se abriu com um estrondo. Heitor estava lá, o rosto contorcido de raiva, seu olhar caindo imediatamente em minha mão no braço de Karine.

"Que porra está acontecendo aqui, Bianca?!", ele rugiu, entrando na sala.

Karine, vendo seu suposto salvador, imediatamente começou a chorar de novo, soluços dramáticos. "Heitor! Ela está me ameaçando! Ela quer que eu me livre do nosso bebê!"

Ela se levantou do sofá e correu para seus braços estendidos, enterrando o rosto em seu peito. Heitor a segurou, seus olhos ardendo para mim por cima da cabeça dela. Ele estava bancando o herói, o protetor. Era uma exibição doentia.

"Isso é verdade, Bianca?", ele exigiu, sua voz perigosamente baixa. "Você estava ameaçando ela?"

"Eu estava simplesmente explicando as consequências das ações dela", respondi, minha voz firme. "E das suas."

"Ela é um monstro, Heitor!", Karine lamentou, agarrando-se a ele. "Ela quer machucar nosso bebê!"

Ele acariciou o cabelo dela, seu olhar nunca deixando o meu. "Você deve a ela um pedido de desculpas, Bianca. Agora."

Minha mandíbula se contraiu. Pedir desculpas? Para esse par de conspiradores? Nunca.

"Pedir desculpas pelo quê, Heitor?", desafiei, minha voz carregada de desdém. "Por apontar o óbvio? Por dizer a verdade? Talvez vocês dois devessem me pedir desculpas. Pelos anos de engano. Pela traição."

Ele deu um passo à frente, seus olhos queimando com uma fúria possessiva. "Você cruzou uma linha, Bianca. Uma linha da qual você se arrependerá."

Encarei seu olhar de frente. "A única linha cruzada foi quando você decidiu trair nosso casamento, Heitor. E você é o único responsável pelas consequências."

Meu olhar se desviou para Karine, ainda soluçando no peito de Heitor, seus olhos espiando para mim com um brilho triunfante. "E quanto a ela", continuei, minha voz pingando desprezo, "ela não passa de uma imitação barata. Um substituto pobre para o que você perdeu."

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