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Eles roubaram tudo: Agora eu tomo

Eles roubaram tudo: Agora eu tomo

Autor:: Mo Ruoxi
Gênero: Moderno
Por sete anos, fui prisioneira em uma cadeira de rodas, e meu marido, Ricardo, era meu salvador devoto. Depois do acidente que roubou minhas pernas, ele me alimentava, me dava banho e me carregava. Ele era meu mundo inteiro. Então, descobri seu segredo: ele estava tendo um caso com Jade, a filha do homem que me aleijou. Minhas vitaminas de "recuperação" não eram para me curar; estavam misturadas com sedativos para me manter fraca e dependente. Quando os confrontei, Jade me empurrou escada abaixo. Enquanto eu sangrava no chão de mármore frio, senti uma dor aguda e agonizante. Eu estava perdendo nosso bebê. Ricardo olhou para mim com nojo. - Você é patética, Helena. Fique aí e apodreça. Ele saiu, me deixando para morrer. Mas eu não morri. Minha família me encontrou. E enquanto eu, lenta e milagrosamente, aprendia a andar de novo, a esposa quebrada que ele conhecia desapareceu. Eles levaram minhas pernas, meu filho e minha confiança. Agora, eu tiraria tudo deles.

Capítulo 1

Por sete anos, fui prisioneira em uma cadeira de rodas, e meu marido, Ricardo, era meu salvador devoto. Depois do acidente que roubou minhas pernas, ele me alimentava, me dava banho e me carregava. Ele era meu mundo inteiro.

Então, descobri seu segredo: ele estava tendo um caso com Jade, a filha do homem que me aleijou. Minhas vitaminas de "recuperação" não eram para me curar; estavam misturadas com sedativos para me manter fraca e dependente.

Quando os confrontei, Jade me empurrou escada abaixo. Enquanto eu sangrava no chão de mármore frio, senti uma dor aguda e agonizante. Eu estava perdendo nosso bebê.

Ricardo olhou para mim com nojo.

- Você é patética, Helena. Fique aí e apodreça.

Ele saiu, me deixando para morrer.

Mas eu não morri. Minha família me encontrou. E enquanto eu, lenta e milagrosamente, aprendia a andar de novo, a esposa quebrada que ele conhecia desapareceu.

Eles levaram minhas pernas, meu filho e minha confiança. Agora, eu tiraria tudo deles.

Capítulo 1

Meu mundo havia encolhido para os limites desta mansão, uma gaiola dourada onde a única liberdade que eu conhecia era o virar das páginas de um livro. Por sete longos anos, minhas pernas foram inúteis, lembranças de um acidente do qual eu mal me recordava, um borrão de pneus cantando e dor lancinante. Ricardo, meu marido, tinha sido minha rocha, meu cuidador devoto, ou assim eu acreditava. Ele me alimentava, me dava banho, me carregava, seus braços fortes uma presença constante. Ele era a única janela para o mundo exterior, minha única conexão com uma vida que eu havia perdido.

Então Jade Tavares chegou. Ela era a nova assistente pessoal de Ricardo, que passaria a morar conosco, um furacão de eficiência e charme. Ela se movia com uma graça estranha, quase perturbadora, seu sorriso um pouco largo demais, seus olhos um pouco brilhantes demais. Havia algo nela, um brilho em seu olhar, um certo ângulo de sua mandíbula, que fisgava um canto esquecido da minha mente. Era uma dor fantasma, um sussurro de pavor que eu não conseguia identificar.

- Ela é excelente, não é, Helena? - Ricardo dizia, sua voz calorosa de aprovação enquanto Jade navegava sem esforço pela casa, me trazendo chá, organizando a agenda caótica de Ricardo. - Tão capaz. Uma verdadeira aquisição para a empresa.

Eu tentava expressar meu desconforto.

- Tem algo nela, Ricardo. Não consigo explicar, mas ela... ela me lembra alguém.

Ele descartava, com uma mão gentil na minha testa, uma risada desdenhosa.

- Você só não está acostumada com rostos novos, meu amor. Ficar presa aqui pode te fazer imaginar coisas.

Suas palavras, que deveriam acalmar, apenas amplificavam a suspeita que roía minhas entranhas. Eu odiava me sentir impotente, odiava ser ignorada.

Comecei a observá-la. Não abertamente, mas com a intensidade silenciosa de alguém cuja única moeda era a observação. Notei como ela às vezes se encolhia quando a buzina de um carro soava lá fora, um tremor sutil em sua mão quando servia água. Coisas pequenas, insignificantes para qualquer outra pessoa, mas para mim, eram pixels em uma imagem borrada lutando para ganhar foco. Uma tarde, enquanto ela estava ocupada no escritório de Ricardo, consegui manobrar minha cadeira perto o suficiente para espiar seu notebook aberto. Uma foto piscou para mim no papel de parede: uma jovem Jade sorridente, de braços dados com um homem. Minha respiração engasgou. Foi apenas um relance, uma imagem fugaz, mas foi o suficiente. O rosto do homem era mais velho, com rugas, mas inconfundível. Minha mente gritou. Horácio Tavares. O retrato falado do antigo arquivo da polícia, aquele que eles ainda não haviam fechado, aquele que Ricardo sempre se certificava de que eu nunca visse. O motorista que me atropelou e fugiu.

Uma onda quente de náusea me invadiu. Minhas mãos formigaram, depois ficaram dormentes. Minha visão embaçou, o quarto girando ao meu redor. Isso não era mais uma suspeita vaga. Era uma verdade concreta e aterrorizante. Meu corpo, já uma prisão, agora parecia estar me traindo ativamente, tremendo com uma mistura de choque e fúria incandescente. Eu queria gritar, quebrar o silêncio elegante desta casa, mas o som ficou preso na minha garganta, um suspiro doloroso.

Eu tinha que agir. Eu tinha que agir. Meu coração martelava contra minhas costelas, uma batida furiosa de desafio. Isso não era mais apenas sobre mim. Era sobre justiça. Meu primeiro pensamento foi confrontá-los, expor a mentira que havia apodrecido por tanto tempo. Afastei-me do notebook, as rodas da minha cadeira raspando suavemente no chão polido, um som que, em meu estado de alerta, parecia ensurdecedor. Agarrei os apoios de braço, meus nós dos dedos brancos, uma resolução feroz endurecendo meu olhar. Eu os faria pagar.

Manobrei-me em direção ao escritório de Ricardo, minha respiração saindo em arquejos irregulares. Cada curva parecia um esforço monumental, cada centímetro para frente uma batalha contra meu próprio corpo falho. Assim que cheguei à porta entreaberta, um murmúrio de vozes me parou. Era Ricardo. E Jade. Minha mão congelou no metal frio da minha cadeira.

- Tem certeza de que ela está acomodada, Jade? - A voz de Ricardo estava carregada de uma ansiedade frenética que eu nunca o ouvira dirigir a mim. - Não quero que ela crie problemas. Não agora.

- Ela está bem, Ricardo - Jade ronronou, sua voz escorrendo falsa preocupação. - Acabou de tomar sua vitamina da noite. Logo estará apagada.

Meu sangue gelou. Vitamina? Aquela que ele insistia que eu bebesse todas as noites para "recuperação". Recuperação que ele vinha sabotando o tempo todo?

- Você tem certeza disso, Ricardo? - outra voz, mais rouca, mais velha, interveio. Era o Sr. Medeiros, o parceiro de negócios de longa data de Ricardo, que costumava passar por aqui. - Manter a Helena sedada... É um jogo perigoso. E trazer o pai da Jade para o quadro, mesmo que apenas para escondê-lo... E se alguém descobrir?

- Ninguém vai descobrir! - Ricardo retrucou, sua voz agora um rosnado baixo e perigoso. - Eu cobri todas as pistas. E o Horácio está perfeitamente seguro, escondido. Ele não será um problema.

Horácio. O nome ecoou em minha mente, um toque de finados para minha sanidade.

- Mas por quê, Ricardo? - Sr. Medeiros pressionou, parecendo genuinamente perturbado. - Por que passar por tudo isso pelo pai da Jade? Você arriscou tudo.

Um suspiro, pesado de autopiedade e um senso arrepiante de possessividade, escapou dos lábios de Ricardo.

- Porque a Jade era... é o meu verdadeiro amor. A pessoa com quem eu deveria estar desde o início. O acidente... foi uma oportunidade. Horácio aleijou a Helena, sim, mas isso significava que a Jade precisava de mim. Ela estava tão perdida, tão vulnerável. Eu não podia deixar o pai dela ir para a cadeia, não se isso significasse perdê-la. A Helena foi apenas... um dano colateral.

O mundo inclinou. O ar saiu dos meus pulmões em um suspiro silencioso e agonizante. Meu verdadeiro amor. Dano colateral. As palavras ricocheteavam no meu crânio, um tango macabro de traição. Minha memória voltou ao seu toque terno, suas promessas sussurradas ao meu lado da cama. Tudo mentira. Cada uma delas. Ele não me protegeu; ele me usou. Ele não me curou; ele me aprisionou.

- E as vitaminas - continuou o Sr. Medeiros, sua voz mal um sussurro. - Você tem dado sedativos a ela? Para impedi-la de se recuperar?

- Ela estava ficando curiosa demais - disse Ricardo, com uma indiferença plana e aterrorizante em seu tom. - Sempre perguntando sobre o acidente, sempre tentando recuperar a mobilidade. Tornou-se um incômodo. Eu precisava dela quieta, previsível. Eu precisava que ela ficasse exatamente onde eu a coloquei.

Minhas mãos se fecharam, as unhas cravando em minhas palmas. Sedativos. Todas as noites. Todas as noites, por sete anos. A névoa em meu cérebro, o cansaço constante, o ritmo lento e agonizante da minha "recuperação" - tudo se encaixou com uma clareza doentia. Ele não estava apenas escondendo um criminoso; ele estava envenenando ativamente sua esposa.

- Não acredito em você, Ricardo - murmurou o Sr. Medeiros, sua voz cheia de nojo. - Você mudou. Você costumava ser honrado.

- Honra não constrói impérios, Medeiros - Ricardo zombou. - A Helena era... uma distração. Um rosto bonito com um corpo frágil. A Jade, por outro lado, sabe apreciar de verdade o que eu faço. Ela entende o sacrifício. - Ele fez uma pausa, uma risada cruel escapando dele. - A Helena sempre foi muito mole. Fraca demais. Uma boneca quebrada.

Meu peito se apertou, uma dor lancinante irradiando pelas minhas costelas. Fraca. Quebrada. O mesmo homem que jurou me proteger, que se apresentou como meu salvador, me via como nada mais que um inconveniente, um fardo. Todos aqueles anos, todas aquelas palavras de amor sussurradas, os beijos gentis, os abraços reconfortantes - eram uma performance. Uma ilusão meticulosamente elaborada para me manter dócil, dependente e totalmente inconsciente.

Um barulho repentino me fez pular. Minha cadeira raspou no chão novamente, e as vozes lá dentro pararam abruptamente. Tarde demais.

A porta do escritório se abriu. Jade estava lá, emoldurada na porta, um sorriso astuto e triunfante brincando em seus lábios. Seus olhos, aqueles olhos perturbadoramente brilhantes, encontraram os meus. Não havia mais pretensão de preocupação, apenas uma malícia fria e aberta.

- Ora, ora, veja o que temos aqui - ela arrastou as palavras, seu olhar percorrendo minha cadeira de rodas, um escárnio torcendo suas feições. - Ainda se agarrando à vida, queridinha?

Minha respiração engasgou. O termo desrespeitoso, entregue com tanto veneno, foi como um tapa na cara.

Ricardo apareceu atrás dela, seu rosto uma máscara de falsa preocupação, substituindo rapidamente a raiva que eu acabara de ouvir.

- Helena, o que você está fazendo aqui fora? Você sabe que não deve se esforçar demais.

Seu braço deslizou pela cintura de Jade, puxando-a para mais perto, um gesto possessivo destinado aos meus olhos. Jade se inclinou para ele, seu olhar nunca deixando o meu, uma declaração silenciosa de vitória.

Tentei falar, mas minha voz era uma coisa frágil, presa em minha garganta trêmula. Agarrei os apoios de braço da minha cadeira, meus nós dos dedos brancos, uma tentativa desesperada de me ancorar em um mundo que acabara de ser irrevogavelmente virado de cabeça para baixo.

- Ah, não se preocupe com ela, Ricardo - disse Jade, sua voz escorrendo uma doçura sacarina, seus olhos ainda fixos em mim. - Ela só está com ciúmes. Sempre esteve, não é? Presa na cadeira dela, nos vendo viver. - Ela soltou uma risada pequena e zombeteira. - Deve ser difícil, saber que você é apenas um fardo, enquanto alguns de nós realmente contribuem. - Ela fez uma pausa, seu sorriso se alargando. - Qual é o problema, Helena? Perdeu o apetite? Ou talvez a capacidade de se alimentar? Que pena, não é?

Suas palavras eram punhais, cada uma se torcendo na ferida fresca da traição de Ricardo. Ela estava gostando disso, se deleitando com minha dor. Sem outra palavra, ela se virou, puxando Ricardo gentilmente para seu escritório, a porta se fechando com um clique atrás deles, me deixando sozinha no corredor silencioso e ecoante.

Eu fiquei lá, congelada, o peso de suas palavras me esmagando. As imagens passavam em minha mente: os sorrisos enganosos de Ricardo, o olhar zombeteiro de Jade, a imagem do rosto de Horácio Tavares. A mansão, antes meu santuário, era agora um túmulo de mentiras. Meu quarto, com seus tapetes felpudos e iluminação suave, parecia sufocante. Eu precisava de ar. Eu precisava escapar.

Manobrei-me de volta para o meu quarto, o silêncio da casa grande pressionando sobre mim. Olhei para a foto na minha mesa de cabeceira – uma Helena mais jovem, vibrante e cheia de vida, ao lado de um Ricardo sorridente no dia do casamento. Um eco doloroso de uma vida que nunca foi real. Ele nunca me amou. Ele cobiçou meu nome, meu legado oculto, e então, achando-me convenientemente incapacitada, ele simplesmente me substituiu, tudo isso enquanto mantinha a farsa.

Cada ato de bondade, cada palavra amorosa, cada momento de suposto cuidado era uma performance, uma manipulação. Minha respiração engasgou. Ele me drogou. Ele sabotou minha recuperação. Ele planejou isso, meticulosamente, cruelmente. Sua ambição, seu cálculo frio, superava qualquer coisa que eu pudesse ter imaginado. Eu tinha sido um peão, um substituto, um adereço conveniente em sua peça distorcida.

Uma resolução fria e dura se instalou em meu coração, substituindo o desespero. As lágrimas pararam. O tremor diminuiu. Não havia mais dor, apenas um vazio arrepiante. Eu tinha sido tola. Eu tinha sido fraca. Mas não mais. A Helena Monteiro que eles conheciam, a herdeira quebrada e dócil, estava morta. O que restava era algo muito mais perigoso.

Minha mão alcançou o compartimento secreto na escrivaninha antiga, um segredo conhecido apenas por mim e minha família. Meus dedos se atrapalharam com o fecho, meu coração batendo com um ritmo novo e feroz – não de medo, mas de determinação. Era hora de tirar o disfarce, de reivindicar o que era meu.

Puxei meu telefone via satélite, uma relíquia da minha vida passada, mantido carregado em segredo. Meus dedos, enferrujados pelo desuso, discaram um número que eu não tocava há anos. Tocou uma, duas vezes, então uma voz familiar e autoritária atendeu.

- Helena? É você mesmo? - Meu irmão mais velho, Artur, sua voz embargada de emoção.

Minha voz, quando veio, era firme, fria e desprovida da vulnerabilidade que se agarrou a mim por tanto tempo.

- Sou eu, Artur. Preciso de você. Preciso da família. Chegou a hora.

Uma pausa, então sua voz, afiada e decisiva.

- Considere feito. Do que você precisa?

- Preciso sair. Agora - ordenei, meu olhar fixo nas paredes da mansão, cada uma agora um símbolo da minha libertação iminente. - E então, preciso de vingança.

Capítulo 2

Na manhã seguinte à verdade que estilhaçou meu mundo, o ar na mansão parecia pesado, denso de mentiras não ditas. Meus membros, ainda fracos por anos de inatividade forçada e da drogadição insidiosa de Ricardo, doíam com uma pulsação surda e persistente. Mas a dor em meu coração eclipsava todo desconforto físico, uma ferida aberta gravada profundamente em minha alma. Era um membro fantasma, o amor que eu tivera por Ricardo, agora violentamente amputado.

Ricardo apareceu ao lado da minha cama, um sorriso forçado no rosto, um copo da minha "vitamina de recuperação" habitual na mão. Seus olhos, antes percebidos como carinhosos, agora pareciam vazios, refletindo apenas sua pretensão calculada.

- Bom dia, meu amor - ele chilreou, sua voz um bálsamo praticado. - Dormiu bem? Você apagou bem rápido ontem à noite. - Ele afastou uma mecha de cabelo do meu rosto, um gesto que costumava me encher de calor, agora apenas de nojo. - Tive uma reunião tardia, mas me certifiquei de que a Jade cuidasse de tudo.

Ele ofereceu a vitamina, um símbolo de seu engano, sua textura cremosa agora repugnantemente repulsiva. Olhei para ela, depois para seu rosto expectante, uma centelha de desafio se acendendo dentro de mim. A antiga Helena teria aceitado, grata, subserviente. Mas a antiga Helena estava morta.

- Não - eu disse, minha voz surpreendentemente firme, embora parecesse cacos de vidro na minha garganta. Empurrei sua mão, o copo tilintando suavemente contra a mesa de cabeceira. - Eu não quero.

O sorriso de Ricardo vacilou, um brilho de surpresa em seus olhos. Ele não estava acostumado com meu desafio. Sua fachada perfeitamente esculpida rachou um pouco.

- Está tudo bem, queridinha? Você geralmente adora suas vitaminas.

- Estou bem - respondi, meu olhar inabalável. Meu tom era plano, desprovido de emoção, uma mudança sutil que pareceu confundi-lo. Era o desprezo silencioso de uma rainha se dirigindo a um camponês, embora ele ainda não tivesse percebido sua despromoção.

Ele hesitou, depois, lenta e relutantemente, colocou o copo de volta na mesa de cabeceira.

- Tudo bem, se você insiste. O que posso pegar para você então? - Ele parecia perturbado, irritado com esse desvio inesperado da minha rotina programada.

- Apenas água - eu disse simplesmente. - Água pura. Da torneira.

Ele assentiu, ainda parecendo confuso, e se virou para chamar a empregada. Quando Maria, nossa gentil governanta, chegou, seus olhos se arregalaram um pouco ao ver a vitamina intocada.

- Maria, a Sra. Monteiro gostaria de um pouco de água da torneira - instruiu Ricardo, seu tom um pouco mais áspero que o normal. - E, por favor, certifique-se de que seja apenas água.

Maria olhou para mim, depois para a vitamina, um brilho sutil de apreensão em seus olhos.

- Claro, Sr. Ricardo. Mas... a Srta. Jade disse que as bebidas da Sra. Monteiro devem ser preparadas especialmente. Ela deu instruções estritas para não desviar.

As palavras me atingiram como um golpe físico. Jade. Ela não era apenas sua assistente; ela era a diretora da minha prisão. Ela controlava tudo, até minha hidratação básica. Meu maxilar se contraiu.

- É mesmo, Jade? - perguntei, minha voz cortando o ar como uma faca. Jade, que acabara de entrar no quarto, parou abruptamente, uma expressão presunçosa no rosto. Seus olhos se estreitaram ao encontrar meu olhar.

- Apenas garantindo seu bem-estar, Helena - respondeu Jade, sua voz doce como sacarina, um contraste gritante com o veneno que ela havia cuspido na noite anterior. - Você sabe como você é delicada. E às vezes, pessoas como nós simplesmente não sabem o que é melhor para si mesmas. Especialmente quando estamos... confinadas. - Seu olhar varreu minhas pernas imóveis, um sorriso condescendente nos lábios. - Estou apenas pensando na reputação do Ricardo. Ele não pode ter sua esposa parecendo menos do que perfeitamente cuidada, pode? Isso reflete mal nele.

Meu estômago se revirou. A pura audácia, a manipulação fria. Ela estava sugerindo que eu era um passivo, uma mancha em sua imagem perfeita. Por um momento fugaz, senti uma onda familiar de desespero, o peso esmagador de sua influência, os anos de gaslighting sutil que me fizeram duvidar da minha própria sanidade. Isso se instalou profundamente em meu âmago.

Meu olhar instintivamente se voltou para Ricardo, um apelo silencioso por apoio, para que ele visse a verdade, para me defender. Ele estava ao lado de Jade, seu braço ainda casualmente em volta dela, seu rosto uma imagem de neutralidade fingida. A esperança, uma brasa minúscula e tola, morreu instantaneamente.

- A Jade está certa, Helena - disse Ricardo, sua voz firme, não deixando espaço para discussão. Ele até deu um aperto tranquilizador no braço de Jade. - Ela só está cuidando de você. Você tende a... pensar demais nas coisas. E sua condição, você sabe, pode ser bastante desgastante. Nós só queremos que você fique confortável. - Ele se aproximou, sua voz baixando para um sussurro condescendente. - Não faça um escândalo, querida. Não pega bem.

As palavras eram um estrangulamento invisível, roubando meu fôlego. Minha condição. A mesma coisa que ele havia causado. A traição final. Meus olhos arderam, mas me recusei a deixar as lágrimas caírem. Eles não valiam a pena. Ele não valia a pena.

Uma clareza profunda me invadiu. Isso não era sobre mal-entendido, ou um lapso momentâneo de julgamento. Esta era uma campanha deliberada e calculada para me destruir, orquestrada pelo homem que eu amava, auxiliada pela mulher cujo pai me aleijou. Eles eram um par de víboras, enroladas e prontas para atacar. O desespero se transformou em uma raiva fria e dura, uma fornalha queimando profundamente em meu peito.

Respirei fundo, suavizando conscientemente as arestas cruas de minhas emoções.

- Claro, Ricardo - eu disse, minha voz calma, quase serena. - Você está certo. Peço desculpas. Apenas um copo d'água, Maria, por favor.

Ricardo olhou para mim, um brilho de surpresa, depois alívio, cruzando seu rosto. Ele realmente acreditou em mim. Acreditou na minha submissão. Ele estava tão cego por sua própria arrogância, por seu senso de controle, que não conseguia ver o vulcão se formando sob minha aparência plácida. Tolo.

- Viu, Jade? - disse Ricardo, um sorriso presunçoso voltando ao seu rosto. - Ela entende. Sempre entende, eventualmente. - Ele deu a Jade um olhar triunfante, como se tivesse acabado de domar uma fera selvagem.

Jade retribuiu o sorriso, depois voltou seu olhar para mim. Um brilho de triunfo puro e não adulterado dançou em seus olhos, uma declaração silenciosa e viciosa de vitória. Ela inclinou a cabeça, um sorriso suave e malicioso brincando em seus lábios.

Foquei no papel de parede estampado, nas pequenas imperfeições do gesso, qualquer coisa para manter meu olhar longe do rosto triunfante de Jade, do rosto complacente de Ricardo. Minha mente era um turbilhão de memórias, promessas quebradas e revelações arrepiantes. Ele havia prometido para sempre, prometido cuidado, prometido uma vida. Todas palavras vazias, projetadas para me manter confinada, tanto física quanto emocionalmente.

Assim que Ricardo saiu do quarto, presumivelmente para lidar com algum negócio urgente de CEO de tecnologia, o comportamento de Jade mudou imediatamente. O sorriso doce desapareceu, substituído por um sorriso cruel e predatório. Ela pegou uma delicada estatueta de porcelana da minha mesa de cabeceira, um presente da minha avó, um pequeno pássaro empoleirado em um galho. Ela a examinou, virando-a na mão, seus olhos brilhando com malícia.

- Sabe - ela disse, sua voz baixa e venenosa -, esta casa, estas coisas... em breve, serão todas minhas. Cada pedacinho. - Com um movimento do pulso, ela deixou a estatueta cair. Ela se estilhaçou no chão de mármore, um som agudo e violento que ecoou no quarto silencioso. Ela nem sequer se encolheu. - Assim como todo o resto.

Eu assisti, imóvel, um grito silencioso preso no meu peito. Ela estava desmantelando sistematicamente minha vida, peça por peça, bem na minha frente.

- Diga-me, Jade - perguntei, minha voz mal um sussurro, mas carregada de uma nova e arrepiante resolução. - Como está o Horácio? Seu pai.

O nome pairou no ar, uma nuvem venenosa. Jade congelou, seu rosto perdendo a cor. Seus olhos, geralmente tão confiantes, dispararam pelo quarto, um brilho de pânico em suas profundezas.

- Do que você está falando? - ela gaguejou, sua voz fina, forçada. - Não conheço ninguém com esse nome.

Meu olhar permaneceu fixo nela, inabalável. Uma satisfação fria se espalhou por mim. Minhas suspeitas foram confirmadas.

- Não se faça de boba, Jade. Horácio Tavares. O homem que me atropelou e me deixou para morrer. Seu pai.

Sua compostura se estilhaçou. Seus olhos, arregalados de medo, de repente se estreitaram com a raiva desesperada de um animal encurralado.

- E se for? - ela cuspiu, sua voz subindo, perdendo toda a pretensão de calma. - Ele te fez um favor, sua aleijada patética! Você era apenas um empecilho para o Ricardo, um brinquedo quebrado que ele foi forçado a manter! - Ela deu um passo mais perto, sua voz um silvo. - E o Ricardo? Ele sempre te odiou. Ele se casou com você pelas conexões da sua família, mas ele me amava. Sempre. Ele encobriu o acidente do meu pai, não por causa dele, mas por minha causa. Para me manter segura, para me manter ao seu lado. Você nunca foi mais do que um inconveniente temporário!

As palavras, embora confirmando meus piores medos, não tinham mais o poder de me estilhaçar. Eram meramente peças de um quebra-cabeça, agora totalmente montado, revelando uma imagem de depravação total. Senti uma onda de náusea, mas foi rapidamente substituída por uma calma gélida.

- E o império que você acha que está construindo com ele? - perguntei, minha voz perigosamente suave. - É um castelo de cartas. Construído sobre mentiras e meu sofrimento.

- Meu império, Helena - ela corrigiu, um sorriso distorcido retornando. - Ricardo me prometeu tudo. Ele está construindo para nós. Você é apenas um fantasma na máquina, uma memória esquecida. Em breve, você estará fora desta casa, fora de nossas vidas, e ninguém sequer se lembrará que você existiu. - Ela pegou minha bengala prateada, um símbolo da minha frágil independência, e com um escárnio, a quebrou sobre o joelho. O estalo agudo ecoou no quarto, uma pontuação brutal para sua crueldade. - Vê isto? Isto é o que resta da sua vida patética. Nada.

Capítulo 3

Um grito cru e gutural rasgou minha garganta, um som que eu não sabia que era capaz de fazer. Era uma mistura de dor e raiva pura e não adulterada. A bengala, minha última aparência de independência, jazia em dois pedaços quebrados no chão, espelhando os fragmentos estilhaçados da minha confiança.

Jade, no entanto, parecia se deleitar com minha agonia. Ela se virou para Maria, que estava congelada na porta, segurando o copo d'água.

- Maria! Tire-a daqui! Não quero ouvir mais nenhum som dela. Coloque-a no pequeno depósito lá embaixo. É lá que as coisas quebradas pertencem, não é?

Os olhos de Maria dispararam entre mim e Jade, o terror gravado em seu rosto. Suas mãos tremiam, derramando água no chão.

- Mas, Srta. Jade, aquele quarto... é frio. E escuro.

O rosto de Jade endureceu, sua voz baixando para um sussurro ameaçador.

- Você quer se juntar a ela, Maria? Ou talvez perder seu emprego? Seus filhos não vão comer se você estiver na rua, vão?

A ameaça pairou pesada no ar. Maria, com os ombros caídos em derrota, assentiu entorpecida. Dois seguranças corpulentos, convocados pelo sinal silencioso de Jade, entraram no quarto. Eles me levantaram, não gentilmente, da minha cadeira de rodas, ignorando meus protestos, e me carregaram pelas escadas sinuosas, passando por retratos familiares e lustres brilhantes, para as profundezas esquecidas do porão.

O depósito era uma caixa apertada e sem ar, cheia de móveis antigos empoeirados e caixas esquecidas. A única luz vinha de uma única lâmpada suja pendurada precariamente no teto. Estava frio, úmido e cheirava a mofo e decadência. Eles me colocaram em uma poltrona gasta e comida por traças, minha cadeira de rodas quebrada abandonada no corredor. A porta bateu, mergulhando-me na escuridão.

As horas se arrastaram. O frio se infiltrou em meus ossos, fazendo minhas pernas já dormentes doerem com uma dor nova e mais aguda. Meu estômago roncava de fome, minha garganta seca. Eu chamei, minha voz rouca, mas apenas o silêncio ecoante respondeu. Sem comida, sem água, apenas a escuridão opressiva e a percepção arrepiante de que minha vida havia descido a um pesadelo. Eles queriam me punir. Me quebrar completamente.

Finalmente, a porta rangeu, admitindo uma fresta de luz. Jade estava lá, uma sombra alta e imponente, seu rosto cuidadosamente desprovido de emoção, mas seus olhos continham um brilho triunfante. Ela segurava uma bandeja de comida, mas era apenas um adereço para sua performance.

- Ainda aqui, Helena? - ela ronronou, sua voz escorrendo falsa preocupação. - Pensei que um pouco de tempo sozinha poderia te fazer ver a razão. Ricardo é um homem muito importante, e ele precisa de uma esposa que entenda seu lugar. Alguém que não cause problemas. Alguém que seja... grata. Ele pensa em tudo, sabe. Ele é tão leal.

Encontrei seu olhar, meus olhos queimando com um desafio silencioso e inabalável. Eu não lhe daria a satisfação de me ver quebrar. Minha dor era uma coisa privada, uma fornalha que alimentava minha resolução.

Um brilho de irritação cruzou seu rosto. Minha resistência silenciosa claramente a enervou.

- Não me olhe assim, Helena - ela retrucou, uma pitada de desespero em seu tom. - Você não é nada. Você não tem nada. - Ela fez uma pausa, então um sorriso cruel retornou. - Ricardo quer você de volta lá em cima. Ele está se sentindo misericordioso. Não o faça se arrepender.

Os guardas voltaram, me levantando mais uma vez. Enquanto subíamos as escadas, os sons familiares da casa, antes reconfortantes, agora pareciam estranhos, uma zombaria da vida que eu conhecera. Assim que chegamos ao patamar, a porta da frente se abriu e Ricardo entrou. Ele parecia cansado, mas seu rosto se iluminou quando me viu.

- Helena! Aí está você! - ele exclamou, correndo em minha direção, uma ternura forçada em sua voz. Ele estendeu uma pequena caixa de veludo. - Eu trouxe algo para você. Apenas uma pequena bugiganga para mostrar o quanto eu me importo. Você tem estado tão quieta ultimamente, meu amor. - Ele abriu a caixa, revelando um pingente de diamante brilhante, uma peça grande e ostensiva que parecia totalmente fora de lugar. Era cafona, um contraste gritante com as peças delicadas que ele costumava me comprar. Uma oferta de paz, um pacificador. Um suborno.

Pelo canto do olho, vi o corpo de Jade enrijecer. Seus lábios se afinaram, e seu olhar, geralmente tão calculado, vacilou por um momento, um flash de ciúme puro e venenoso em seus olhos. A máscara de indiferença que ela usara para mim rachou, revelando a mulher crua e possessiva por baixo.

- Ora, Ricardo - eu disse, minha voz cortando sua fachada sacarina. - Que atencioso. Mas mal acho que isso pode compensar a maneira como a Jade me tratou lá embaixo. Ou pela bengala quebrada. - Meu olhar se voltou para Jade, uma acusação silenciosa.

A expressão de Ricardo mudou instantaneamente. A ternura fingida desapareceu, substituída por uma mistura de irritação e raiva mal velada.

- Do que você está falando, Helena? A Jade nunca te machucaria. Ela se importa com você. - Ele se virou para Jade, um olhar questionador em seu rosto.

Jade, sempre a manipuladora, rapidamente se adiantou. Seus olhos se encheram de lágrimas e seu lábio inferior tremeu.

- Oh, Ricardo, ela só está chateada. Eu... eu só tentei ajudá-la, para garantir que ela estivesse confortável. Mas ela estava tão zangada, tão confrontadora. Acho que ela entendeu mal. - Ela colocou uma mão trêmula em seu braço, seus olhos arregalados e inocentes. - Eu nunca a machucaria intencionalmente. Você sabe disso.

Meu estômago se contraiu. Sua fácil credulidade, sua fé cega nela, era doentia. Ele queria acreditar nela. Era mais fácil do que enfrentar a verdade de suas próprias ações monstruosas.

- Viu, Helena? - disse Ricardo, sua voz mais suave agora, dirigida a Jade, cheia de segurança. - Ela só está tentando ajudar. Você é sempre tão rápida em acusar. - Ele se virou para mim, seu tom endurecendo. - Talvez você esteja apenas sendo dramática. De novo.

Jade me lançou um olhar triunfante, uma torção sutil de seus lábios que falava volumes. Ela havia vencido esta rodada, e ela sabia disso.

- Ricardo, ela quebrou minha bengala - afirmei, minha voz plana, recusando-me a deixá-lo descartar isso. - Aquela que você me comprou.

Ele suspirou, um som de profunda impaciência.

- Helena, é apenas uma bengala. Eu te compro outra. Uma melhor. Por que você está tão fixada em trivialidades? A Jade não fez nada além de tentar te ajudar. E você continua fazendo essas acusações. - Seu olhar estava cheio de exasperação, como se eu fosse uma criança petulante.

- É assim que você chama, Ricardo? Trivialidades? - perguntei, uma risada amarga me escapando. - Minha mobilidade, minha dignidade, o bem-estar da sua esposa... tudo trivial?

Ele passou a mão pelo cabelo, claramente exasperado.

- Helena, você precisa entender. A Jade passou por muita coisa. A família dela... o pai dela... eles enfrentaram imensas dificuldades. Eu devo a eles. - Ele fez uma pausa, seu olhar distante, perdido em alguma narrativa auto-servil. - Quando eu era criança, minha família estava lutando. O pai dela, Horácio, uma vez me fez uma grande gentileza. Um favor enorme, quando ninguém mais faria. Sempre me senti em dívida com ele. Com eles. Apoiar a Jade, garantir a segurança do pai dela, é meu dever. Minha honra.

Meu queixo caiu. A audácia. A pura e não adulterada hipocrisia. Ele estava transformando seu hediondo encobrimento em um ato de caridade nobre, usando uma dívida de infância fabricada como um escudo para sua traição. Ele queria que eu entendesse suas razões para destruir minha vida, para proteger o mesmo homem que me aleijou.

- Você espera que eu entenda que você tem me drogado, sabotado minha recuperação e escondido um criminoso por causa de alguma dívida de infância fabricada com a filha dele? - perguntei, minha voz subindo, perdendo sua calma cuidadosamente construída. Meu corpo tremia com o esforço de conter um grito.

- Não é fabricada, Helena! - ele retrucou, sua voz afiada e fria. - E eu não estou te 'drogando'. É medicação para te ajudar a relaxar, a controlar sua dor. Você sempre foi tão frágil, tão nervosa. Isso só te ajuda a lidar. - Ele estendeu o pingente de diamante novamente. - Agora, pare com essa bobagem. Pegue o presente. E pare de fazer cena.

Olhei para os diamantes brilhantes, depois para seus olhos frios e insensíveis. Meu coração se estilhaçou em um milhão de pedaços irreparáveis. Não foi apenas uma traição; foi uma tortura ativa e prolongada. Ele não me via como uma esposa, ou mesmo um ser humano. Eu era um obstáculo, um problema a ser gerenciado, um fardo a ser suportado e, finalmente, uma coisa a ser substituída.

Uma risada histérica borbulhou do meu peito, crua e quebrada, rapidamente seguida por soluços que sacudiram todo o meu corpo. Era um som de luto profundo, não por ele, mas pela mulher bonita e confiante que eu fora, pelo amor em que eu tão tolamente acreditara. Era o som da minha alma sangrando.

Enquanto ele se afastava com nojo, vislumbrei-me refletida no chão de mármore polido: uma mulher, quebrada e chorando, presa em um corpo que não a obedecia, sua vida roubada pelo mesmo homem que jurou amá-la. E naquele momento, algo mudou. As lágrimas secaram. Os soluços cessaram. Uma resolução fria como aço preencheu o vazio onde meu coração estivera.

Ele me prometeu recuperação. Ele me prometeu um futuro. Ele me prometeu amor. Tudo mentira. E eu, Helena Monteiro, herdeira do império Monteiro, paguei o preço final por seu engano. Mas ele havia esquecido um detalhe crucial. A família Monteiro não esquece. Nós não perdoamos. E nós sempre, sempre cobramos nossas dívidas. Ele me fez sofrer por sete anos. Era hora de ele pagar.

Ricardo, você não tem ideia do que você libertou.

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