Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Elo Mortal
Elo Mortal

Elo Mortal

Autor:: Daniele A Claudino
Gênero: Romance
Se apaixonar nem sempre é uma coisa boa, ainda mais para Neelam que está tentando seguir em frente após um relacionamento ruim, mas um misterioso admirador passa a persegui-la, exigindo que ela não se aproxime de ninguém. Neelam comete um erro ao não fazer o que ele manda e alguém se machuca por isso. Presa em um jogo doentio, ela precisa descobrir quem é o seu admirador antes que surja a próxima vítima. *Prequel de Inconsequentes - O Pecado Mora em Casa

Capítulo 1 A briga

Glaretown, Maine (E.U.A) 1997

Parada em frente ao espelho, Neelam encarava a si mesma, feliz por seu uniforme novo ter lhe servido. Ela sofrera nas férias para perder peso e agora estava convencida de que, diferente de como fora em seu colégio anterior, ela não chamaria a atenção por causa de sua aparência.

- Já está pronta querida? Vai se atrasar. - Disse Mikaela ao bater à porta do quarto de sua filha.

- Sim. Mamãe, desço em um minuto. - Respondeu Neelam.

Ao chegar em Harmony High School, Neelam foi até a diretoria, pedir ajuda para encontrar sua sala, e a diretora a mandou ir até o Grêmio falar com Killian, o presidente do Grêmio.

Neelam entrou timidamente no grêmio e se aproximou de um rapaz loiro que estava de costas para ela, mexendo em alguns papéis.

- Com licença... - Neelam disse.

- Sim, em que posso ajudá-la? - Killian disse se virando e a encarando com seus penetrantes olhos cor de âmbar.

- Eu me chamo Neelam Ferraz e estou aqui porque a diretora pediu para que viesse falar com você.

- Prazer, sou Killian Werner, o presidente do Grêmio. - Apresentou-se ele, estendendo a mão para um aperto formal. - Em que exatamente posso ajudá-la?

- É sobre uns papéis. Eu acho. Não entendi bem. - Disse Neelam apertando a mão dele.

- Sua ficha de inscrição? - Tentou adivinhar Killian.

- Isso mesmo. - Disse Neelam.

Killian deu uma olhada na pasta que ela lhe entregou e lhe explicou que ainda faltavam alguns papéis e pediu para que ela os providenciasse o quanto antes. Em seguida, deu-lhe instruções de como fazer isso.

- Obrigada. Trarei o que me pediu. - Disse Neelam antes de deixar a sala.

Caminhando apressada, ela tomou o corredor à sua esquerda e sem querer, esbarrou em um garoto magricelo que usava óculos. Com o impacto da queda, o garoto deixou seus livros caírem no chão.

- Oh, me desculpe? Eu sinto muito. - Disse Neelam nervosa e abaixou-se e ajudou o garoto a recolher seus livros.

- Não. A culpa foi minha. Não sua. Eu estava distraído. - Falou o garoto enquanto recolhia seus livros.

- Mil desculpas. - Disse Neelam após ajudá-lo a recolher seus livros do chão.

- Tudo bem. Não foi sua culpa. - Disse ele, ajeitando seus óculos.

- Prazer. Eu me chamo Neelam Ferraz, mas pode me chamar só de Neelam.

- Sou Kendall Maldonado, mas pode me chamar de Ken. - Disse ele sem jeito. - E então, você também é nova aqui?

- Sim. A propósito, você completou sua ficha de inscrição? - Disse Neelam.

- Sim. - Respondeu Kendall. - Precisa de ajuda com a sua?

- Sim, eu sou nova aqui e ainda não sei nem onde fica o banheiro. - Disse Neelam.

- Seria um prazer ajudá-la. - Falou Kendall.

Dessa forma, ele a acompanhou e a ajudou a completar sua ficha de inscrição. Os dois foram até o grêmio. Neelam entrou na sala e Kendall a esperou do lado de fora. Neelam entregou os papéis a Killian. Ele os conferiu e pediu a ela que entregasse os mesmos à diretora. Após fazer isso, Neelam e Kendall foram para a sala de aula.

As duas primeiras aulas de História foram bem tranquilas. No entanto, no terceiro tempo, na aula de Geografia, um ruivo, vestido como um roqueiro entrou na sala e passou por Neelam, a encarando de uma forma que ela não pode discernir se era malícia ou deboche ou os dois. Ele sentou-se atrás dela.

- Pode me emprestar um marcador? - O ruivo sussurrou em seu ouvido.

Neelam abriu seu estojo e apanhou o marcador e a entregou ao ruivo. Ele sorriu malicioso e piscou para ela. Neelam permaneceu séria e se virou.

Cinco minutos depois, quando o professor se distraiu, o ruivo sussurrou no ouvido dela:

- Obrigado.

Ela assustou-se!

- Ops... - Disse o ruivo ao derrubar de propósito o marcador na gola do suéter dela.

Neelam sentiu o marcador escorregar por seu busto e se virou, irritada, enfiando a mão em seu suéter e o pegando.

- Qual o seu nome? Eu sou o Duke Benson. - Ele sussurrou outra vez no ouvido dela.

- Não te interessa. - Neelam respondeu.

Duke recuou e não voltou a incomodá-la.

Na hora do almoço, Neelam e Kendall tiveram uma prévia de como seria o restante do ano letivo para ambos, quando foram ignorados pelos outros estudantes, que prefiriram se apertar nas mesas próximas a se juntarem a eles.

- Que bom que temos privacidade. - Kendall sorriu amargo.

A duas mesas de distância da deles, estava um grupo de amigos que não tinha nada melhor a fazer a não ser tentar reunir alguma informação e adivinhar quem eles eram.

- Será que são irmãos? - Blair Oneil disse. Ela era baixa e magra. Seu cabelo era tingido em um tom violeta, e seu cumprimento era acima dos ombros. Seus olhos eram de um azul-cinzento. Ela tinha um ar doce que combinava com sua personalidade introvertida.

- Não. Eles não parecem irmãos... Nem de longe. - Mattew Mckinney disse. Ele era irmão gêmeo de Anderson (Dru) Bertolini, mas ambos não possuíam o mesmo sobrenome porque foram adotados por famílias diferentes. Os irmãos eram idênticos fisicamente, mas tinham personalidades opostas.

- Talvez, sejam namorados... - Brielle Wilkins disse. Ela era naturalmente ruiva, com olhos azuis, e costumava deixar seus cabelos presos em duas tranças.

- Nossa! Dá para sentir a paixão daqui. - Mattew disse, sarcástico.

- Então... Não que eu seja uma fofoqueira, mas... - Willow McDaniel sorriu com a segurança que somente alguém muito bem informado demonstraria. - Eles foram transferidos de colégios diferentes. Ela veio de outra cidade, na verdade. - Willow passou a mão por seu cabelo louro platinado e olhou rapidamente para a mesa de Neelam e Kendall.

- Foi a Savannah que te contou, não foi? - Mattew disse, desconfiado.

- Eu nunca revelo minhas fontes. - Willow se inclinou para frente como se fosse contar um segredo a seguir. - Por acaso, um passarinho me contou que ela chamou a atenção do Duke.

- Coitada! - Mattew riu alto. - O Duke é terrível! Se ela for esperta, ficará bem longe dele.

- Oh, oh... - Blair disse, nervosa.

Mattew seguiu o olhar dela, e Willow se virou, deparando-se com a chefe das líderes de torcida que estava parada atrás de Willow, ouvindo o que ela dizia.

- Gillian? Não quer se sentar? - Mattew disse, sorrindo com raiva. - Você não tem nada melhor para fazer que ficar ouvindo a conversa alheia?

Gillian Werner o ignorou e se voltou a Willow, lhe perguntando:

- Quem é essa garota que estão falando?

- Que garota? - Willow se fez de boba.

- Neelam! Ela está ali! - Blair apontou a direção.

- Quieta! Traidora! - Mattew disse a Blair.

- Muito obrigada, Blair. - Gillian sorriu, satisfeita e se afastou.

- Você ficou louca, Blair? Por que fez isso? - Brielle disse sem compreender.

- Eu não quero mais a Gillian pegando no meu pé. Estou cansada de ser o saco de pancadas dela. - Blair disse, abaixando a cabeça, chateada.

- Só que você não será melhor que ela se permitir que ela faça com os outros o que faz com você. - Mattew disse.

† † †

Gillian se aproximou da mesa de Neelam e ficou parada, a encarando. Neelam tentou ignorá-la, mas foi impossível.

- Você quer alguma coisa?

- Não. - Gillian sorriu. - Na verdade, sim. Estou tentando descobrir porque você chamou a atenção do MEU namorado!

Neelam encarou Kendall, vermelha.

- Por que não me disse que tinha uma namorada?

- O quê? Não. Ela não é minha namorada! - Kendall disse.

- Não seja ridícula! É do Duke Benson que estou falando! - Gillian bateu na mesa.

- Eu não sei quem ele é nem me interessa saber. Você está me confundindo, garota. - Neelam disse.

- Você é Neelam, certo? - Gillian disse.

- Já disse que não conheço esse cara. Me deixe em paz! - Neelam disse.

- Fique longe do meu namorado. Vadia! - Gillian esbofetou a face de Neelam.

Neelam notou que os outros à sua volta pararam para prestarem atenção ao que acontecia e, além da vergonha, ela sentiu raiva. Sem pensar se levaria ou não a pior, enfrentando aquela garota, ela se levantou e devolveu o tapa que recebeu. Gillian se enfureceu e a agarrou pelos cabelos. Os alunos deixaram suas mesas e se amontoaram ao redor das duas, ávidos pelo desfecho daquela briga.

Kendall tentou apartar a briga, mas os outros o detiveram, segurando-o pelos braços.

Killian abriu espaço entre a multidão a cotoveladas e conseguiu chegar até onde as garotas estavam. Ele puxou Gillian, tirando-a de cima de Neelam, e quando Neelam se levantou do chão e tentou avançar em Gillian, Killian se colocou entre as duas e disse com autoridade:

- Parem!

- Foi ela que começou! - Neelam disse.

- Não me interessa quem começou. Vamos ao Grêmio, agora! - Killian agarrou Gillian pelo braço, a arrastando.

Gillian protestou, mas não adiantou. Neelam abaixou a cabeça e seguiu Killian.

- Estou desapontado com as duas. Especialmente com você, Gill! - Disse Killian encostando a porta do grêmio para que não fosse interrompido. - Vocês tem noção do papel ao qual se prestaram hoje? O que fizeram foi ridículo!

- Sinto muito. - Disse Neelam sem coragem de encará-lo.

- Como chegaram a isso? - Perguntou Killian.

- Foi ela quem começou, Killian! - Disse Gillian.

- Mentirosa! Você veio até a minha mesa e me acusou de estar envolvida com o seu namorado, mas eu disse que NÃO tenho a mínima ideia de quem seja ele! - Disse Neelam.

- Vadia! Mentirosa! - Disse Gillian. - Sei que você foi se oferecer a ele.

- Parem com isso! - Falou Killian dando um murro na mesa.

As garotas se calaram.

- Vá para a sala, Gill! Conversamos depois! - Falou Killian.

Gillian deixou a sala resmungando e bateu a porta ao passar. Killian encarou Neelam por algum tempo, esperando que ela se defendesse, mas ela não disse uma só palavra.

- Vou ter de comunicar a diretora o que houve e além da detenção, talvez, você seja suspensa. A política desse colégio é bem rígida e não tolera agressão física. - Falou Killian.

- Eu só me defendi. O que eu deveria ter feito? Apanhado calada? - Neelam disse.

Killian suspirou, cansado, e pensou antes de dizer:

- Droga. Não. Eu sei que a minha irmã é terrível.

- Ela é sua irmã? Sinto muito por você. - Neelam disse.

- Olhe? Infelizmente, preciso comunicar a diretora sobre o que houve, mas... Eu poderia usar a minha influência e convencer a diretora de que dessa vez a culpa é da Gillian, se você me fizesse um favor. - Killian disse.

- Mas a culpa é realmente dela... - Neelam disse.

Killian balançou a cabeça e disse:

- Você é novata, então, não entende... Quando a diretora perguntar aos outros alunos o que houve, todos dirão que foi você e não a Gillian quem começou porque a Gill é o demônio e ninguém quer irritá-la.

- Pelo visto, nem você. Então, por que? - Neelam disse.

- Tem outro demônio pior que ela e se você pudesse enfrentá-lo por mim, seria ótimo. - Killian disse.

- E quem seria esse demônio? - Neelam inquiriu.

- Duke Benson. - Killian respondeu.

Capítulo 2 Trato com o diabo

Killian colocou uma pasta diante de Neelam e disse-lhe:

- Essa é a lista de ausências do Duke. Convença-o a assinar? Devo te alertar, porém, que não será nada fácil convencê-lo a assinar, devido a seu comportamento hostil, mas este será seu desafio... Se aceitar, claro.

- Eu não sei se deveria me aproximar do namorado da maluca da sua irmã. Eu só arranjaria mais problemas. - Falou Neelam.

- Ele não é namorado da minha irmã. - Disse Killian rindo.

- Mas ela disse... - Falou Neelam confusa.

- Ela ACHA que tem qualquer coisa com ele, mas é só na cabeça dela. - Disse Killian

- Quando tenho de trazer essa lista de volta? - Perguntou Neelam.

Killian sorriu, feliz por ela ter aceito.

† † †

Duke estava deitado em um banco no pátio, ouvindo música pelo seu Walkman. Neelam parou e se perguntou como se aproximaria dele sem aborrecê-lo. Ele não parecia nada simpático! Mesmo assim, ela precisava reunir coragem e falar com ele. Ela respirou fundo e foi até onde o ruivo estava. Duke levou quase cinco minutos para perceber a presença dela, e quando isso aconteceu, ele sentou-se no banco e puxou seus fones.

- Qual é gatinha? - Disse Duke a olhando dos pés a cabeça com malícia.

- Você é Duke, certo? - Perguntou ela, nervosa.

- É da polícia? - Ele brincou.

- Não. Eu... Esquece! - Falou ela se virando para ir embora.

- Espera? - Disse ele a pegando pelo pulso com firmeza.

Neelam virou-se e encarou a mão dele em seu pulso.

- Qual o seu nome? - Ele soltou o pulso dela.

- É da polícia? - Ela devolveu.

Duke riu.

- Neelam. - Ela respondeu

- Sei... E como posso ajudar você? - Disse Duke.

- Poderia assinar sua lista de ausência? - Disse Neelam.

- Deixe-me ver isso? - Disse Duke levantando-se do banco.

Neelam entregou a folha a ele. Duke olhou a folha e a devolveu a Neelam, dizendo-lhe:

- Foi aquele idiota quem te mandou me entregar isso?

- Killian. - Disse Neelam o corrigindo.

- Pois diga a ele para enfiar essa folha no... Bolso. Não vou assinar isso nem morto! - Disse Duke deliberado.

- Por favor? Se você não assinar, Killian vai acabar comigo! - Falou Neelam.

- E eu com isso? - Disse Duke dando de ombros.

- Por favor, faço o que você quiser. - Falou Neelam, mas se arrependeu daquelas palavras quando o ruivo exibiu um sorriso malicioso.

- O que eu quiser? - Disse Duke interessado.

- O que você quiser... Desde que não seja nada indecente. - Falou Neelam.

- Então... Acho que já sei o que vou pedir. - Ele sussurrou no ouvido dela, a deixando arrepiada.

† † †

- Aqui está a folha de ausência do Duke. - Disse Neelam devolvendo a pasta a Killian.

- Então você desistiu? - Disse Killian, visivelmente desapontado.

- Por favor, dê uma olhada nisso? - Pediu Neelam sorrindo.

Killian olhou a folha e espantado, disse:

- Não pode ser! Como conseguiu persuadi-lo a assinar essa folha?

- Eu conversei com ele e expliquei a ele qual era a importância desse documento. E ele entendeu e assinou. - Falou Neelam.

Killian riu, incrédulo.

- Sei... Só pela bondade do coração que ele não tem? Duke jamais assinaria essa folha tão facilmente. Eu o conheço bem. Da última vez, tivemos uma discussão feia e mesmo assim, ele se recusou a assinar essa folha. Me diga, o que foi que ele pediu em troca de assinar esses papéis? - Disse Killian.

- Como assim? Ele não pediu nada. Eu juro. - Falou Neelam tentando disfarçar seu nervosismo.

- Não. Duke não cede assim tão facilmente. - Disse Killian seguro do que dizia. - Por favor, confie em mim? Eu prometo que não vou me zangar se me disser a verdade. O que ele pediu em troca de assinar essa folha?

Neelam não poderia falar, pois jurara a Duke que não diria nada.

"Se romper o nosso trato por qualquer motivo, juro que quebro a cara do seu namoradinho de quatro olhos", ela se lembrou das palavras de Duke.

- Não precisa ter medo do Duke. Te dou a minha palavra que ele não vai te fazer mal. - Disse Killian.

Neelam precisava dizer alguma coisa, ou Killian não a deixaria em paz. Então, disse a primeira besteira que lhe veio a mente.

- Ele não pediu nada demais, só um beijo.

- Um beijo?! - Repetiu Killian e balançou a cabeça com raiva.

- Isso... Um beijo... O que tem demais? - Neelam deu de ombros.

- Mas... O que ele pensa que está fazendo? Ele não pode fazer isso! - Disse Killian. - E você, como pode se vender dessa forma? Não sente vergonha?

- Você não me deu outra escolha... - Neelam disse.

Killian deixou o grêmio, indo atrás de Duke. Neelam o seguiu.

- Por favor? Esqueça isso! O que importa é que ele assinou o papel. - Disse Neelam.

- É melhor voltar para a sala. Deixa que eu cuido disso! - Falou Killian.

- Droga! - Disse Neelam deixando de seguir Killian.

Duke conversava com Merlyn Arcangeli e Anderson Bertolini sobre as novas músicas da banda, quando Killian se aproximou e vociferou:

- Você é mesmo pior do que eu imaginava! Um sujeitinho baixo! Não tem vergonha de se aproveitar de uma garota indefesa?

- Desculpe? Está falando comigo? - Disse Duke se fazendo de bobo. - Porque se estiver, primeiro, abaixe a voz. Nem meu pai fala assim comigo. E segundo, não faço a menor ideia do que você está falando!

- Você vai negar que chantageou a aluna nova para assinar a sua folha de ausência? - Disse Killian.

"Não acredito que aquela idiota abriu a boca! Mas juro que ela me paga!", pensou Duke.

- Eu não sei do que você está falando! - Negou Duke.

- Neelam me disse que você pediu um beijo a ela em troca de assinar a folha. - Falou Killian.

- Ah, foi isso que ela te disse? - Falou Duke, rindo.

- Vai negar isso? - Disse Killian.

- Não. Eu não vou negar! - Falou Duke.

- Por que tanta coisa por causa de um beijo, cara? Até parece que você está afim dela! - Disse Anderson a Killian.

- Não se mete nisso. Não tem nada a ver com você. - Falou Killian.

- E se EU tiver afim da novata? Qual o problema? - Disse Duke.

Killian percebeu que aquela discussão não fazia sentido. Por que ele se alterara tanto por saber que Duke e Neelam se beijaram? Ele não devia se importar tanto, ainda que sentisse qualquer coisa por ela... Era uma besteira.

- É meu dever como representante da turma zelar por todos. E você não pode fazer mal a ninguém, principalmente a alguém que não pode se defender de você. - Disse Killian chateado.

- Eu acho que a Neelam é bem crescidinha. Vocês não acham, rapazes? - Disse Duke.

Merlyn deu de ombros, voltando a sua atenção a seu bloco de notas.

- Crescidinha até demais! - Falou Anderson sorrindo, malicioso.

Ao perceber que Anderson estava pensando o que não devia, Merlyn lhe deu uma cotovelada.

- Ai! - Disse Anderson com uma careta.

- Então, era só isso o que tinha para me falar? Porque se era, pode ir agora. - Falou Duke.

- Estou de olho em você. - Killian disse antes de ir embora.

- Que história é essa, Duke? - Perguntou Merlyn a Duke depois que Killian se foi.

- Nada que seja da sua conta. Onde estávamos? - Falou Duke.

- Cuidado, viu? Quem brinca com fogo se queima. - Disse Merlyn.

- Nesse caso... Eu sou o fogo. - Duke sorriu, convencido.

Merlyn balançou a cabeça e voltou a falar sobre a banda.

Capítulo 3 Encontro

Duke surpreendeu Neelam quando ela deixava o colégio.

- Eu não acredito que ia embora sem se despedir de mim. Que coisa feia!

- O que você quer? - Neelam se virou, se certificando que Gillian não estava por perto para lhe arrumar mais confusão.

- Você mora longe? Posso te dar uma carona. - Disse Duke.

- Não quero que você saiba o meu endereço. - Falou Neelam.

- Qual o problema? Sua casa é tão ruim assim? - Disse Duke. - Já estive em lugares que fazem o inferno parecerem um paraíso.

- Eu agradeço a sua gentileza, mas minha mãe me mataria se me visse ao lado de um... Garoto como você. - Disse Neelam tentando não ser tão grosseira.

- Eu posso te deixar na esquina. - Insistiu ele.

- Sinto muito. Eu sou claustrofóbica. - Disse Neelam se afastando dele e indo embora.

- Mas eu dirijo uma moto. - Disse Duke a seguindo.

- Não moro longe. - Disse Neelam caminhando rapidamente.

- Ok. Podemos caminhar. - Disse Duke. - Merlyn sempre diz que preciso de um pouco de caminhada, que estou fora de forma. Acredita nisso?

- Sério? O que você quer de mim? - Neelam parou e o encarou.

- Killian encheu o meu saco por sua causa. - Disse Duke.

- Eu juro que mantive o nosso trato. Não disse nada. - Falou Neelam temendo que ele fizesse alguma coisa a Ken.

- Nada? Um beijo é nada para você? - Perguntou Duke a encarando.

Neelam não respondeu. Nunca se interessara de verdade por um garoto em sua vida. Sempre preferira ficar na sua, e mesmo quando um garoto bonito se interessava por ela, fingia que não era com ela. De alguma forma, ela sentia que o amor não fora feito para ela.

Duke chegou mais perto dela e agarrou sua cintura com uma mão. Com a outra mão, acariciou o rosto dela. Neelam sentiu um calor com a proximidade. Nunca estivera tão próxima de um garoto antes. Nervosa, ficou parada, sem saber o que fazer. Quando os lábios de Duke tocaram os dela. Por um momento, ela desejou ardentemente ceder e corresponder aquele beijo, mas se conteve e empurrou Duke.

- Não me toque novamente! - Ela disse brava e foi embora.

- Eu não prometo nada. - Duke elevou a voz para que ela o ouvisse e riu.

† † †

Merlyn tirou seus sapatos e seu sobretudo. Desabotoou sua camisa e a tirou, expondo sua pele albina e a tatuagem de asas angelicais que tinha em suas costas. Foi até a sacada e olhou para o céu nublado. Suspirou e abaixou a cabeça, encontrando os olhos azuis da garota de aparência frágil que o espiava por uma fenda entre as cortinas na casa da frente. Gianina Velardi. A garota sempre seria sua fã número um sem dúvida. Ninguém, nunca seria tão obcecada por ele como ela era.

Os cabelos naturalmente louros – quase brancos – dele se agitaram ao vento, conferindo um ar feérico aquele belo rosto e, em especial àqueles olhos. Gianina amava os olhos dele porque o tornavam ainda mais especial. O direito era azul e o esquerdo era verde. Merlyn não gostava de sua heterocromia e sempre tentava disfarçá-la, usando lentes.

Merlyn acenou para Gianina e ela se escondeu, rindo como uma fã apaixonada. Ele recuou, deixando a sacada.

† † †

Neelam tomou um banho e após se trocar, colocou um casaco amarelo de lã que pertencera a sua irmã mais velha. Deitou-se em sua cama e encarou o porta-retratos em cima do criado-mudo, admirando o sorriso de sua irmã. Tudo o que ela queria era se parecer com ela, mas para a sua decepção, ela falhava miseravelmente. Nunca seria perfeita como a irmã.

O som da guitarra do vizinho invadiu seu quarto, a consolando de alguma forma e ela sorriu. Não tivera a chance de conhecer seu vizinho, mas desde que se mudara, o ouvia tocar e tentava imaginar como ele era... Talvez, loiro, rebelde e sexy como Kurt Cobain? Ou moreno com cabelos longos, todo vestido de preto como um típico metaleiro, ou... Ruivo com um sorriso malicioso.

- Deus me livre! - Neelam se virou, afundando a cabeça no travesseiro.

Os próximos dias transcorreram naturalmente no colégio. Neelam evitou cruzar o caminho de Gillian e também o de Duke, preferindo passar mais tempo com Kendall. Ela o convidou para jantar em sua casa e ele aceitou.

Neelam vestiu um vestido branco estampado com bolinhas vermelhas, calçou um par de sapatilhas e pôs uma tiara vermelha na cabeça. Ela não gostava de usar muita maquiagem, por isso, sempre optava por um batom de cor clara ou um brilho labial.

Ao ouvir a campainha tocando, desceu as escadas correndo. Quando chegou na sala, sua mãe estava recebendo Kendall e uma garota que ela ainda não conhecia. Neelam se aproximou exibindo um sorriso tímido.

- Boa noite, Neelam? Espero que não se importe por eu ter trazido minha irmã, Juno. - Disse Kendall, sem graça.

- Não. Não me importo. - Disse Neelam, disfarçando.

- Hã, oi? Estava ansiosa para conhecer a amiga do meu irmão! - Falou Juno sorrindo.

- É um prazer. - Neelam disse.

- Bem, eu preciso voltar à cozinha, mas fiquem à vontade, crianças. - Mikaela disse antes de deixá-los a sós.

- Por favor, sentem-se? - Disse Neelam a Kendall e Juno.

Eles se sentaram e os três se encararam em silêncio por um tempo, até Juno quebrar o gelo.

- Tem uma casa linda!

- Obrigada! - Respondeu Neelam.

- E o seu jardim é um sonho! Invejo você! Ken e eu moramos em um apartamento minúsculo. Não é a mesma coisa que morar em uma casa grande com porão e jardim. - Falou Juno.

- Nós temos um gato, uma tartaruga e alguns peixes. - Disse Kendall.

- Oh, sim! Azazel, o gato. E Amy, a tartaruga. - Falou Juno.

- Azazel?! - Repetiu Neelam encarando Juno curiosa. Por que alguém poria o nome de um demônio em um gato?

- Minha irmã gosta de coisas sobrenaturais, como bruxas e demônios. - Disse Kendall, ao perceber que Neelam parecera pouco à vontade de repente.

Juno revirou os olhos.

- O que ele quer dizer é que eu sou uma adepta da Kaos Magick! - Falou Juno.

- Acho que já li algo a respeito uma vez. Vocês trabalham com tulpas, é isso? - Disse Neelam.

- Servidores Astrais é o termo correto. - Falou Juno. - Deveria experimentar essa forma de magia para atrair coisas boas para a sua vida.

- Como o quê, por exemplo? - Perguntou Neelam.

Juno sorriu e respondeu:

- Isso o que você secretamente deseja.

Neelam sentiu um arrepio. Aquela garota era estranha e quando a encarava, era como se pudesse ver sua alma.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022