Eu tinha 19 anos quando decidi casar, vivia numa família classe média, meus pais tinham uma padaria, eu deixei a escola por opção da minha mãe, para ajudar na padaria.
Comecei a namorar assim que fiz os 18 anos, antes os meus pais não deixavam namorar.
Eu era "obrigada" a trabalhar na padaria, não tive juventude como qualquer menina, não tinha autorização para sair ao fim-de-semana, então eu decidi casar para ter minha liberdade.
Então o difícil, dar a notícia à minha mãe.
Cheguei a casa decidida e falei, começou as desconfianças da minha mãe:
-- Este mês já mestruaste? Estás grávida?
-- Não estou grávida mãe, se estivesse grávida, daqui até Setembro já tinha uma barriga bem grande no casamento.
Estavamos em Fevereiro e o casamento iria ser em 10 de Setembro.
Passou o tempo e chegou Setembro, uma semana antes do casamento. Descubro que minha futura sogra se aproveitou de dinheiro dado como prenda de casamento e começou a remodelar a sua casa, comprou a roupa para o casamento dela, do marido e para os outros dois filhos.
Cheguei pra minha mãe e disse:
--Mãe, já não quero casar...
--É o quê? Mas tu tás parva? Achas que decides casar, preparamos as coisas, gasto o dinheiro e agora dizes que não queres casar?
--Eu descobri que a mãe do meu futuro marido, anda a aproveitar-se de dinheiro dado como prenda de casamento e está a remodelar a casa e a comprar as roupas para o casamento com esse dinheiro.
(Nota: a mãe do noivo, não queria o casamento e disse que não iria pagar nada.)
--Mas tu vais casar com ele, não vais casar com ela. Não tens que estragar a tua felicidade por causa dela, tens que pensar que depois de casados, são só vocês dois.
Dizia e pensava a minha mãe.
Chegou o esperado dia, o casamento.
Casamento bem grande 600 pessoas, até na rádio local foi noticiado, eu era conhecida na cidade, porque até meus 17 anos fui campeã de atletismo, passava na televisão e nas rádios.
Cheguei na igreja. Como manda a tradição 10 minutos de atraso, só 😁, o casamento estava marcado para as 14 horas.
--Esperem um pouco.
--Que se passa?-- pergunta meu pai.
-- Está tudo bem, é o sr padre que ainda não chegou...
Esperamos 15 minutos, chegou o padre.
O padre, foi meu professor na escola, me conhecia os meus 12 anos, foi um casamento lindo, uma festa grande e feliz.
No dia seguinte, partida de Portugal para a Ilha da Madeira, 8 dias de lua de mel.
Os primeiros meses foram muito felizes, em dezembro descubro que estou grávida, uma alegria muito grande.
Depois de casar consigo arranjar trabalho num supermercado na cidade, porque antes de casar, minha mãe não deixava eu arranjar trabalho, porque eu tinha que ajudar na padaria.
Saiu do trabalho e vou dar a novidade aos meus pais, minha mãe me chamou tudo menos filha, meu pai ficou muito feliz, finalmente iria ser avô, (ele se queixava muito que queria netos, então lhe dei 5, mas lá chegaremos😁🥰).
Minha mãe ficou 3 semanas sem falar comigo, chega a véspera de natal, minha mãe vai fazer compras ao supermercado onde trabalho, lá vendem o pão que minha mãe fabrica, eu estava ajudando a fazer limpeza na secção do talho, minha mãe vai buscar a encomenda de carne, então o meu colega diz pra eu levar o saco com a carne pra caixa e minha mãe responde que eu não posso carregar muitos pesos por causa do bebé e ela mesmo leva o saco, como era eu que estava na caixa, eu fiz a conta dela, no final me convida pra ir lá jantar a casa dela, eu confirmo que vou.
Chego lá em casa, jantamos em família tudo corre normal, à meia-noite a abertura das prendas, a surpresa....
Meia-noite abertura das prendas, minha mãe comprou rouba de grávida pra mim, toda feliz, porque ia nascer o primeiro neto ou neta.
Dois meses depois minha mãe faz o convite pra eu ir trabalhar para ela, fazer a distribuição do pão, então eu aceitei e fui trabalhar pra ela, meu marido foi chamado pra cumprir o tempo obrigatório no exercito português, fiquei sozinha, grávida durante 5 semanas, até ao juramento de bandeira (é como se chama cá em Portugal), depois ele ficou o tempo restante, a trabalhar no bar lá no exercito, então vinha dormir todos os dias a casa, como meus sogros moravam bem perto do quartel do exército, nós fomos viver lá pra casa.
Todos os dias eu fazia a lida da casa, lavava e engomava a roupa, fazia o almoço e o jantar, arrumava e limpava a casa e depois apartir das 16h ia trabalhar com minha mãe na distribuição do pão. Certo dia chego às 23 horas a casa, depois do trabalho e não havia jantar pra mim, (jantar esse que eu deixei feito), então meu sofro pergunta, pra minha sogra o que eu ia comer, uma vez que comeram tudo e não sobrou pra mim, ela respondeu:
-Só o trabalho eu agora ir fazer comer pra ela, ela não é minha filha...
Meninas aquilo me caiu tão mal... chorei a noite toda, de manhã eu fiquei deitada e esperei que todo mundo fosse trabalhar, assim que fiquei sozinha liguei pra minha mãe e contei o sucedido.
Minha mãe disse pra pegar nas minhas coisas e fosse embora, pra casa dela, (eu estava de 8 meses de gravidez e faltava duas semanas para meu marido acabar a tropa), então nesse dia quando chegaram a casa pra almoçar, não tinham almoço feito, nem a casa arrumada, e eu fui pra casa de minha mãe.
Passou 1 mês e chegou o dia de ganhar bebé, uma menina...
Por ironia do destino, esse dia os médicos me mandaram andar muito e então fiquei na casa da sogra, 😖
22horas, meu sogro me levou pro hospital, fiquei internada, minha filha nasceu às 10h22m, meu marido queria ficar a meu lado, meninas vocês acreditam que ela não deixou? Fez de tudo pra ele não assistir ao parto. Toda vez que ela pegava na minha bebé, ela chorava muito(a bebé), não gostava da avó, só chorava com ela.
Chegou o dia de ir pra casa, minha sogra:
-Vocês vão pra minha casa!
-Não vou não, eu não sou sua filha, eu vou pra minha casa.
-Vou falar com o meu filho e vocês vão pra minha casa.
Então eu falei com o meu sogro e disse, só saiu daqui pra minha casa, se for preciso eu mando ligar pra minha mãe e eles me vêm buscar.
Então fui pra minha casa, meu sogro me levou, ela ficou fula, vocês não imaginam...
Então o tempo foi passando e eu engravidei ao fim de 5 meses ,nasceu outra menina.
Um ano depois acaba o meu casamento, porquê? Porque ele só fazia o que a mãe queria, a mãe não gostava do trabalho onde ele estava, ele vinha embora, me fartei e mandei ele pra casa da mamã...
Contando como foi nossa briga, para eu o mandar pra casa da mãe
Então eu tenho 2 trabalhos, sou vendedora de produtos alimentares, que consiste em visitar supermercado, restaurantes, cafés, etc, vendia pastilhas, que vocês chamam de bala(acho), rebuçados, gomas, chocolates e refrigerantes. Numa terça-feira fico doente, já de manhã quando acordo me dói a garganta, ignoro e vou preparar as meninas pra levar pro Colégio, à hora de almoço já estava com febre, mas mesmo assim eu acabo o meu trabalho, na volta pego as meninas e volto pra casa.
Meu segundo trabalho era com a minha mãe na padaria a fazer o pão e bolos até à 1h da madrugada, sim tinha de trabalhar por 2, porque meu marido só fazia o que a mãe queria... e então estava quase sempre desempregado...
Então vou ter com a minha mãe e digo a ela que estou doente, nesse dia não fui pra padaria, chego a casa trato das meninas e deito-as, de seguida vou também pra cama, piorei, como ele estava na cozinha, grito do quarto e lhe peço um copo de água.
--Vem tu buscar, que não estás aleijada, tens duas pernas e dois braços....
Que raiva dele, nem quando estou doente, ele é capaz de fazer algo por mim...
Fiquei 3 dias de cama, no sábado vou trabalhar quando era pra estar de folga, porque tinha clientes a precisar de material.
Chego a casa 16h, ele:
--Onde andaste?
--Fui trabalhar! Alguém tem que trabalhar nesta casa.
-- Foste? Deves ter ido, na volta foste ter com algum amante.
--Foi isso, fui ter com o meu amante.
Ele me dá uma chapada, eu olho a louça na pia e começo a jogar em cima dele, olha pra mesa, estava com a louça do almoço ainda e jogo em cima dele, enquanto tive louça joguei tudo nele, por fim foi a esfregona, parti o cabo na cabeça dele, ele dá um soco na porta do frigorífico e foge pro quarto e se tranca lá, eu grito pra ele desaparecer da minha casa e ir pra casa da mãe, que foi ela que o pariu e vou pro quintal onde as meninas brincavam e não se apercebem de nada, meninas eu choro de raiva, muita raiva dele, pois eu aguento dois trabalhos pra que não falte nada em casa e ele ainda me manda que eu fui ter com amante?
Passado um tempo ouvi a porta da rua, ele foi embora. Vou ao quarto e vejo a roupa dele cheia de sangue, me deu remorsos...
Três dias se passam, vou ter com uma amiga e ela me fala que ele quer se encontrar comigo.
Combino e vou ao encontro dele, quando eu vejo a cara dele era só feridas😱, eu só lhe dizia:
--Fui eu que fiz isso?
Ele disse que sim e explicou que no hospital disse que caiu em casa com louça na mão...
Fizemos as pazes e ele voltou pra casa, ao fim de um mês as coisas voltaram ao normal, brigas, brigas e mais brigas, vivemos assim por dois anos, até que eu fui para o exército, e nos separamos de vez, estive lá 2 anos, até conhecer o meu segundo marido.