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Em nome do pai

Em nome do pai

Autor:: Paula Tekila
Gênero: Romance
de diversas histórias apaixonantes. Cada conto é uma janela para desejos secretos e encontros ardentes, explorando os limites da paixão e do prazer. Prepare-se para uma leitura envolvente que despertará seus sentidos e deixará sua imaginação à solta! LINGUAGEM EXPLÍCITA!

Capítulo 1 Capítulo 1

Marisa é uma jovem feliz apesar de ter perdido a mãe tão cedo, gosta de cuidar dos pobres do reino e espalhando seu sorriso encantador por onde vai. Ela tem a pele branca como neve e cabelos negros que ressaltam seus olhos verdes e penetrantes, gosta de andar a cavalo e é muito estudiosa, todos a amavam por sua doçura...

Vestiu-se com um vestido de cor verde e havia saído cedo para passear, sempre havia algo importante ou alguém a quem ela pudesse ajudar. Correu subindo as escadarias do palácio e segurando a calda de seu vestido, até se deparar com o rei e sua expressão era de descontentamento.

- Por onde esteve Marisa? De novo andando em meio aos miseráveis de Scarlatti? - Ele perguntou irritado.

- Papai perdoe-me, apenas fui levar flores até o túmulo da mamãe!

- Deixe de ser tão torpe, sou o rei e seu pai. Não quero que ande vagando por esses bosques, nunca mais. - Ele gritou, deixando-a muito triste.

Marisa correu para seu quarto no alto do castelo, ali era seu refúgio de paz. Onde ela buscava entender os motivos que levavam seu pai a ser tão mal.

Marisa

Às vezes, penso que meu pai já não me ama mais e que minha mãe ao morrer... levou todos os sentimentos bons que ainda podiam viver dentro dele. Por que ele não pode gostar de mim? Todos os dias eu me esforço para ser uma boa princesa, nem sequer um carinho eu posso ter dele!

Hoje havia um brilho diferente em seu olhar, um descontentamento maior e que o fez ser tão duro. Delilah é uma das minhas damas de companhia, ela veio até o meu quarto para saber se eu precisava de alguma coisa.

- O que aconteceu Marisa? Você parece triste!

- Eu sou triste, Delilah, não há nada de mais em minha vida e que já não estivesse antes. Além de ter um pai que me odeia! - Sentei-me em frente a um espelho.

- O que vossa majestade fez a você?

- Foi estúpido como sempre, mas dessa vez o tom dele estava ainda pior.

Ela caminhou e foi até a janela, cruzou os braços.

- Você ainda não soube? O rei Octávio teve suas tropas derrotadas no reino de Florença na noite passada, seu pai está furioso, pois tinha certeza de que dessa vez tomaria aquele lugar para si.

- Papai quer dominar o mundo às custas de muito sangue derramado.

Delilah saiu, tomei um banho e passei o resto dia presa dentro do meu quarto. Acho que ver o meu rosto pode trazer a ele lembranças tristes sobre a mamãe e por a termos perdido assim tão cedo.

[...]

A noite chegou, todos estavam prontos para o jantar. Marisa precisava esperar as ordens do pai para poder sentar-se à mesa com ele e as demais autoridades do castelo. Sua voz quase nunca era ouvida entre eles, as mulheres eram subjugadas e jamais tinham poder em quaisquer decisões. Ela chegou silenciosamente, trazendo um pouco da sua luz para aquele lugar cheio de homens desalmados.

- Sente-se Marisa! - Octávio ordenou a ela.

- Com licença. - Marisa se sentou, antes de tomar um gole de água e começar a comer, o rei disse a ela o que já havia planejado para o seu futuro.

- Esteja pronta, irá a cavalo para o reino de Florença e deverá encontrar-se com Dimitri.

- Como, ir a outro reino?

- Você entendeu menina, os malditos venceram a batalha, mas não a guerra!

- O senhor não pode me mandar sozinha para vencer uma guerra já perdida, sou apenas uma garota.

- Você tem o sangue de sua mãe e se há alguém no mundo que pode tomar aquele reino por mim, esse alguém é você Marisa. Não discuta e arrume suas coisas para partir essa noite!

- Eu não irei e isso está decidido papai. - Ela saiu correndo para seu quarto, o rei não poderia aceitar tamanha afronta de sua filha na frente de todos aqueles homens.

Foi correndo atrás dela e colocou a porta do quarto abaixo.

- Quer jogar seu sangue em desonra?

- O que o senhor me pede é uma grande loucura!

- Não me faça perder a paciência, maldita menina. - Ele aproximou-se dela com a mão pronta para dar-lhe um tapa, mas lembrou-se dos poderes da filha e preferiu não arriscar.

Marisa pensou no quanto sua vida estava infeliz naquele lugar onde as pessoas eram tratadas como apenas fantoches infelizes de um rei, viu aquela missão como uma oportunidade de fugir de todas aquelas humilhações.

- Não precisa me bater papai, eu irei até lá...

Com lágrimas nos olhos, Delilah preparou algumas coisas para que a moça pudesse levar consigo.

- Você vai mesmo, embora?

- Sim, Delilah, nada mais me prende a esse lugar. Aqui eu não tenho absolutamente nada!

As duas se abraçaram, Delilah ficou chorando ao ver sua amiga partir em uma missão tão perigosa.

Marisa

Apenas saí levando comigo meu cavalo e algumas roupas, quem sabe o meu lugar não seja aqui. Papai não pode entender que tudo o que eu queria é que ele fosse um pai diferente e amoroso, quanto a matar esse tal Dimitri, não sei o que encontrarei... se ele for alguém como meu pai, talvez seja melhor que eu o mate e tudo vai depender do que verei nesse reino. Montei meu cavalo, coloquei minha capa, pois essa é uma noite fria... cavalgamos por muitas horas e eu fiquei exausta.

Assim que vi as árvores mudarem para um aspecto mais seco e o clima frio e uma nevasca leve, eu sabia que já estava fora de Scarlatti. Cavalgamos por mais um tempo.

Ouvi alguns uivos e eu nunca senti tanto temor em toda a minha vida, desci e amarrei o cavalo... usando alguns gravetos eu fiz fogo e fiquei encostada naquela árvore fria até que acabei adormecendo.

[...]

Dimitri estava com seus súditos e fiéis amigos do reino, estavam apostando uma corrida de cavalos logo ao amanhecer. Viram a fumaça de uma fogueira recentemente apagada e Dimitri se abaixou e ainda sentiu o calor da chama recém-apagada, estranharam que alguém pudesse estar vagando sozinho por aquela região, conhecida por ter animais perigosos.

Marisa montou em seu cavalo e já estava a uma pequena distância dali, ouviu os cavalos deles, mesmo que ao longe. Ficou assustada e fez seu cavalo correr, o rei ouviu um urso e um grito feminino.

- Vocês ouviram isso?

- Sim, majestade e veio do lado direito.

- Vamos até lá. - Ele os ordenou, viram Marisa cair do cavalo, que assustado correu para a floresta deixando-a, frente a frente com o urso, mas o animal não a atacou e apenas saiu dali olhando nos olhos dela... como se os pudesse decifrar.

Dimitri desceu de seu cavalo, Marisa arrastou-se para mais longe dele.

- O que faz andando sozinha por essa parte do meu reino?

Assim que ele falou quem era, ela sorriu levemente. Já havia chegado ao seu destino e sabia exatamente a quem deveria eliminar.

- Vejo que você é da realeza, bem vestida e cheirando a rosas! - Ele se aproximou e ajudou a levantar-se, sua beleza era demasiadamente jovem para ele, mas ainda assim enchia-lhe os olhos.

- Sim, vim aqui para...

- Antes de maiores explicações, acho que é melhor sairmos daqui donzela. Venha! - Ele subiu em seu belo corcel negro e ofereceu a mão para ajudar a jovem a subir atrás.

Marisa olhou para a floresta e avisou a ele.

- Não vou sem o meu cavalo!

- Aqui você não dá ordens, princesa sabe-se lá de onde. - Ele insistiu soltando as rédeas do cavalo para partirem dali.

Marisa ameaçou pular da sela do cavalo, Dimitri segurou o braço dela contra seu abdômen forçando-a ficar onde estava.

- Meus homens irão atrás de seu cavalo, agora trate de se comportar.

- Já pode me soltar... majestade!

Ele soltou as rédeas do cavalo e eles partiram em direção a floresta, antes de chegarem, o rei tratou de fazer algumas perguntas a ela. Os seus súditos a olhavam com desejo, apesar de muito novinha já havia um encanto capaz de deixar qualquer homem desejoso.

- De onde a donzela veio?

- Venho de Scarlatti! - Ele forçou o cavalo a parar bruscamente.

- Veio daquele lugar, você é filha de Octávio?

- Sim, vai me deixar no meio do caminho, vossa alteza?

- Eu deveria fazer isso, ou te mandar de volta por onde veio.

- E o que vai fazer?

Dimitri

Não posso me desfazer dela assim, se veio de lá pode me trazer informações e dar-me o que eu tanto quero.

[...]

Ele ficou em silêncio e decidiu dar a ela um lugar para ficar, desde que mantivessem distância. Já era demais para ele ter alguém daquele reino em suas terras e ainda mais, a filha do seu pior inimigo. Pararam em uma cabana um pouco afastada do castelo.

- Não vai me levar para Florença?

- Você desce aqui! - Ele respondeu rispidamente.

- Mas...

- Se quiser ficar, este será o seu palácio a partir de agora... como... como você disse que se chama mesmo garota?

Ele esperou que ela descesse do cavalo.

- Eu ainda não disse, sou Marisa.

- Marisa, certo!

Ele fez o cavalo dar meia volta e ela o seguiu.

- Espere, você vai me deixar aqui sozinha? Sem uma criada ou dama de companhia?

Dimitri foi embora e a deixou naquele lugar.

Marisa

É um lugar simples e não tem quase nada nessa cabana, mas aqui poderei ter paz e viver sem ver as maldades que meu pai faz. Encontrei uma cama simples e cheirando a pó, apenas sacudi para que se tornasse mais aceitável, era irônico que alguém como eu, que sempre dormiu em lençóis de cetim... teria que me conformar com aquilo. Deitei-me, sonhei com o rosto de minha mãe e ela estava sorrindo para mim, talvez isso seja um sinal de que tudo ficará bem agora.

No dia seguinte, acordei com o som de cavalos se aproximando da cabana, achei que poderia ser Dimitri para me buscar e levar para seu castelo, mas eu estava errada.

- Vossa majestade pediu que trouxéssemos comida e algumas roupas para a dama.

Achei que ele me deixaria aqui a própria sorte, mas pelo visto, ele não é tão cruel assim. Um deles estava com meu cavalo, respirei aliviada ao ver que ele estava bem e agora seguro e perto de mim.

- Seu rei disse, mais alguma coisa?

- Não alteza!

Alguns dias passaram e eles sempre me traziam alimentos e algumas roupas, apesar de estar longe de casa e em um lugar onde não sou bem-vinda, tenho eu admitir que Dimitri tem me dado um pouco de apoio. Não como eu gostaria, preciso sempre lavar minhas roupas no rio e colher algumas frutas do pomar e cozinhar minha própria comida, além de pegar lenha todos os dias sozinha para me manter aquecida. O uivo dos lobos no meio da noite, já não me assustam mais e estou aprendendo a ter minha solidão como aliada.

- Dessa vez, nosso rei pediu que trouxéssemos a criada e ela lhe dará aulas.

Aulas? Fiquei confusa sobre as reais intenções do que me ensinavam, isso incluía aprender a ser uma boa esposa e a usar magia. Não entendo, por que ele faria isso se não me quer em seu reino? Talvez me torne autossuficiente para que eu vá embora de uma vez... isso não aconteceu.

[...]

Dimitri estava em seu castelo, pensou em Marisa e naquele momento seus súditos chegaram da cabana com notícias.

- A cada dia ela aprende mais coisas, majestade.

- Foi justamente para isso que mandei que a instruíssem!

- Vossa alteza não teme que depois disso tudo, ela vá embora?

- E para onde Marisa iria? Se quiser voltar para o pai dela, já teria feito isso.

- Mas ela pode buscar refúgio em outro reino ou vilarejo, onde encontre um marido que possa cuidar dela!

- Eu já estou cuidando dela.

Dimitri

Calvin está certo, as mulheres buscam a proteção e os cuidados de alguém que se case com elas. Não posso perder essa garota e as chances que ela pode me dar de me vingar, terei que me unir a ela para forçá-la a permanecer para sempre aqui. O quanto vai me custar dar o sobrenome, a filha de meu pior inimigo e o posto de rainha de Florença!

Marisa

Em meio a uma de minhas aulas de etiqueta, Dimitri chegou à cabana ao lado de um outro homem.

- Vista-se com algo mais formal e apropriado.

- Apropriado para o que, exatamente? - Ele suspirou de insatisfação ao ter que me responder.

- Porque vou me casar contigo!

- E me diz isso assim, nem ao menos sabe se quero fazer isso.

- Você não tem escolha, menina, está em meu reino... onde recebeu cuidados e proteção.

- Cuidados? Suponhamos que você...

- Vossa alteza!

- Certo, suponhamos que vossa alteza tenha me oferecido todas as honras, sequer isso te daria o direito de escolher meu destino.

- Está dizendo não para a oportunidade de se tornar minha rainha?

- Sim!

- Sim, vai aceitar? - Ele perguntou esperançoso.

- Sim, estou dizendo que não!

- Espere Marisa, olhe para mim... estamos diante da oportunidade de pôr fim a toda uma guerra que dura por anos, cansando-se comigo, estaremos acabando com um sofrimento que perdura por décadas. Pense nisso e estarei te esperando.

Eu pensei em todas as vidas perdidas por causa dessa batalha, se eu me casar com ele poderemos acabar com isso. Estou disposta a fazer o que for necessário para que isso aconteça, saí do quarto e eu disse sim para ele, naquela mesma noite eu me tornei a esposa dele. Mas assim como meu pai sempre me rejeitou, eu fui rejeitada por esse homem também, ele nunca me tocou e sequer ia me ver para saber se eu estava viva ou não, talvez minha sina seja nunca ser amada por ninguém nesse mundo.

Segui tendo aulas, era difícil entender todas aquelas coisas e as regras para me portar da forma que esperavam de mim, mas eu sempre dei o meu melhor.

- Você precisa saber cozinhar e se portar à mesa, saber falar apenas nos momentos apropriados. Uma mulher nobre jamais comporta como uma menina.

- Sim senhora!

[...]

Em Florença, o rei aguardava a chegada de seus soldados em mais um dia comum.

- Foram ver Marisa?

- Sim, vossa alteza, ela está bem e já está tendo as aulas mais avançadas.

- Isso é o bastante, é tudo o que posso oferecer a alguém como ela!

Quatro anos se passaram, a beleza de Marisa se aflorou ainda mais e com as aulas, ela sabia se portar como uma dama. Um dia, quando Marisa voltava de uma de suas aulas e pretendia lavar roupas no rio, uma empregada estranha aproximou-se.

- O rei me mandou para buscá-la!

- Me buscar? - Marisa sabia que ele jamais a levaria para seu reino e embora confusa, a ela não deu muita importância e seguiu a empregada até um lugar remoto entre árvores cujas folhas estavam todas no chão. De repente, a empregada sacou uma adaga e atacou Marisa repentinamente, fazendo-a gritar e os pássaros voarem para longe.

Capítulo 2 Capítulo 2

Marisa estava sozinha naquele lugar e muito ferida. Não queria morrer, mas era inútil lutar contra a fúria daquela mulher com uma adaga. Ela foi esfaqueada pela empregada misteriosa e ficou gravemente ferida no chão e sangrando. Quando a empregada estava prestes a matá-la com um golpe no coração, Dimitri apareceu de repente e conteve a empregada como um leão segurando-a pela mão. Aquela mulher cruel fugiu pela floresta, Marisa chorava de dor e Dimitri a pegou nos braços e ele foi a última coisa que ela viu, antes de desmaiar.

- Dimitri?

Ele saiu com ela em seu cavalo e o sangue deixava um rastro pelo caminho, o coração dele apertava a cada segundo e o medo de que a jovem morresse.

Marisa

Sinto meu corpo perder as forças segundo após segundo, essa dor parece me tirar o ar. Só posso sentir o calor do corpo de Dimitri me tirar o frio da morte, sinto que irei encontrar-me com minha mãe e os meus dias de sofrimento irão ser encerrados hoje.

[...]

Dimitri chegou com ela em seus braços e já desacordada, pediu que um médico cuidasse daquele ferimento...

- Eu ordeno que a salve, faça isso!

Todos que estavam presentes perceberam o temor que ele tinha por perder Marisa, mas os ferimentos pareciam ser graves demais. Ela foi levada para um quarto, seu ferimento foi limpo e colocaram-no algumas ervas, um tempo depois as notícias pareciam não ser nada boas.

- Sinto muito majestade, mas temo que eu não possa fazer nada pela donzela!

Dimitri suspirou, pensou no que poderia fazer naquele momento e só lhe ocorreu uma saída.

- Tragam a maga, se não há cura em nosso mundo... há de existir na magia.

- Sim, vossa majestade.

Enquanto os súditos foram buscá-la, Dimitri ficou ao lado de Marisa segurando sua mão que a cada momento parecia mais fria. Porém, a expressão de plenitude dela o fazia pensar.

- Você vai ficar bem!

Os súditos foram a cavalo às pressas para buscar aquela poderosa mulher, ela vivia longe do reino, mas estava sempre disposta a ajudar quem precisava de sua sabedoria.

- Viemos buscá-la a mando do rei Dimitri.

- Se ele precisa da minha ajuda, então ele a terá!

Ela precisou pegar algumas coisas para levar em sua missão, algumas ervas, livros para guiá-la no feitiço correto.

- Já estou pronta, podemos partir.

Deram-na um cavalo e ela seguiu com eles pela floresta o mais rápido que conseguiam, cada minuto poderia custar uma vida importante. Algumas horas mais tarde a maga chegou com seus apetrechos para tentar curar o corpo de Marisa, antes que fosse tarde demais. As duas ficaram a sós no quarto e ela preparava seus feitiços, mas algo a fez parar de repente para apenas admirar, um brilho de cor branca estava sobre a cama onde a menina estava.

- Só pode ser ela!

Ela saiu rapidamente e foi falar com Dimitri...

- Alteza, preciso que venha comigo um momento.

- Ela se salvou? - Ele perguntou preocupado.

- Essa jovem tem um véu, vossa majestade!

- O que significa isso?

- Ela tem poderes mágicos, pelo brilho intenso que irradia... ela é muito poderosa. Ainda é só uma menina, mas com o tempo seus poderes irão aflorar cada dia mais, tornando a maior de todas as feiticeiras que eu já conheci.

- Tem certeza do que está dizendo?

- Eu não tenho dúvidas!

Dimitri

Se ela tem reais poderes, poderá me servir e ajudar a combater a tirania de Octávio, só assim poderei vingar do assassinato de meu pai. Após sua morte, eu tive que aprender a reinar e me tornar um líder muito antes do que eu poderia imaginar... entrei no quarto, ela estava naquela cama e ainda em sono profundo. A maga me acompanhou, eu queria ver com meus próprios olhos a força que diziam, mas aparentemente ela não quis mostrar-se para mim.

- Alteza, se me permite um conselho, o senhor deve controlá-la e manter ao lado de nosso reino. Uma força como a dela é melhor que se mantenha dominada.

- Eu sei disso, ela é muito mais útil ao meu lado do que no meu caminho, mas diga-me como fazer para mantê-la sob meu domínio? Não sei como lidar com isso, preciso de sua sabedoria nesse momento.

Para ela era tão fácil entender, mas aquele jovem rapaz precisava de uma luz.

- Somente o amor é capaz de controlar uma mulher, alteza. Faça com que ela o ame de todo o coração e o servirá sempre que pedir a ela.

Ele sorriu, desde que Marisa se apaixonasse por ele... tudo estaria em suas mãos.

Marisa acordou confusa.

- Como você se sente? - Dimitri perguntou ao se aproximar dela.

- Ainda um pouco fraca e confusa com o que aconteceu, mas eu não esperava te encontrar aqui ao meu lado Dimitri.

Marisa

Mesmo com tantos anos estando casados, ele nunca havia demonstrado tanta preocupação, me salvou mais uma vez e isso me deixou confusa.

- Agora que já está bem, finalmente posso ir embora!

Ele se levantou para sair de repente.

- Dimitri espere...

- O que você quer?

- Pode me levar para viver em uma casa no reino? Me sinto muito sozinha na cabana!

- Não, você ficará onde está!

- Por favor, mesmo que seja fora do palácio.

- Não discuta Marisa.

Eu não sei por que ele me trata assim, me quer como esposa desde que eu mantenha distância dele. Me recuperei muito rápido do ferimento, logo eu estava de pé novamente e pensando no que pode ter acontecido no reino de Scarlatti desde que saí de lá por esses quatro anos em que estive aqui nesse lugar.

[...]

A empregada que quase causou a morte de Marisa foi capturada pelos guardas de Dimitri e levada até a masmorra do castelo. Ele chegou até o castelo e pediu que o levassem até lá e ele ansiava descobrir o motivo desse atentado.

- Levem-me até ela! - Ele ordenou, entrou naquele lugar escuro e viu aquela mulher de aparência estranha. - Quem é você e a mando de quem, tentou matar Marisa?

Aquela mulher parecia trazer dentro de si uma fúria que ele não podia entender.

Capítulo 3 Capítulo 3

Os homens do reino de Florença estavam temendo o que o rei Dimitri poderia dizer sobre o atentado a vida de Marisa, que o reino poderia estar inseguro e eles falhando em sua missão de proteger o povo. Levaram-no até o lugar onde ela estava presa, aguardando que decidissem sobre a vida dela, era tudo o que podiam fazer, já que o pior quase já havia sido concretizado.

Dimitri entrou na masmorra, altivo e disposto a tudo para descobrir a mando de quem aquela estranha trabalhava. Sabia que aquilo precisa ter um motivo forte para levar uma estranha a invadir suas dependências.

- Diga-me, quem te mandou tirar a vida de Marisa? - Ele perguntou de maneira firme e direta, sem desfazer o contato visual com ela.

- Ninguém vossa alteza!

- Acha mesmo que poderei acreditar nisso?

A mulher ficou ainda mais séria, não parecia temer o poder que ele tinha sobre a vida dela, ou estava segura demais em suas próprias convicções.

- Vossa alteza tem o direito de duvidar, mas a verdade é que não há um mandante e eu vim aqui disposta a tudo. Desafortunadamente meu pai e meu marido morreram na batalha contra o maldito reino de Scarlatti, eu odeio Marisa e todos os vermes vindos daquele lugar... ela é uma princesa amaldiçoada e minha missão neste mundo é tirar a vida dela! Eu sei que vossa majestade não se importa com essa criatura, apenas a mantém longe daqui do palácio como se fosse uma pobre donzela qualquer, ninguém a trata como rainha e jamais lamentariam sua morte... estou certa?

Ela sorriu debochando e ele se manteve neutro, a mulher deu um passo na direção dele esperando que o rei a deixasse terminar o que havia começado.

Dimitri engoliu seco e deixou de olhar para ela naquele instante, apenas ordenou que abrissem a cela. Os guardas não entenderam sobre sua reação, não sabiam mais o que fazer e apesar de temer, eles precisaram perguntar ao rei.

- O que faremos com ela, vossa alteza?

- Enforquem-na ao amanhecer! - Ele respondeu sem sequer virar-se de volta para a mulher.

O medo tomou conta dela, mas não iria clamar por sua vida. Sabia dos riscos que corria ao adentrar aquele reino para matar a jovem e estava disposta a pagar por isso... foi acorrentada pelos pés e pescoço e assim, levada para a parte detrás do castelo onde os sacrifícios e condenações eram feitos. O carrasco apenas leu sua sentença, ela foi colocada no alto de uma espécie de torre de onde era forçada a saltar com a forca em seu pescoço. Ela olhou para o céu pela última vez e apenas pulou para a morte.

[...]

Na cabana onde Marisa estava, tudo permanecia em silêncio. Ela seguia em seu quarto sozinha e pensando em todos os perigos aos quais tem estado submetida nos últimos tempos, sentiu falta do pai, apesar de nunca ter recebido o amor que gostaria dele. Na verdade, ela sentia um vazio por dentro que nada parecia conseguir curar.

Marisa

Acordei naquela cama, entediada e sem nada de interessante para fazer ou com quem conversar. Aquele lugar estava me deprimindo pouco a pouco. Mas parei e me lembrei de como era a minha vida no castelo de Scarlatti, uma eterna procura por um lugar que fosse meu.

Pelo menos aqui, eu recebia uma visita... Calvin sempre foi o melhor amigo de Dimitri na infância e ambos têm a mesma idade, agora meu melhor amigo também e ele sempre que pode me faz companhia, desde que cheguei aqui. Assim que ouvi um cavalo se aproximar, eu saia que era ele, sempre ele!

Ouvi a porta ser aberta e ele entrou com um imenso sorriso, o astral dele me contagiava e certamente me ajudou a permanecer aqui neste lugar. Os pássaros cantavam e lá fora certamente havia um lindo dia que esperava por mim, mas sem poder sair dessa cama é um tédio.

- Que bom que você chegou, Calvin, eu estava me sentindo muito sozinha. Entre!

Percebi que ele relutou aceitar o meu convite.

- Anda, vem!

- Mas, você está na casa Marisa.

- O que tem demais, somos amigos e você veio me ver como sempre.

Fiz um esforço sentei-me na cama e ele ao meu lado, após eu insistir muito para que entrasse, não sei por que ele ficou com esse receio todo.

- Você está mesmo bem Marisa? Eu fiquei assustado ao saber do que havia acontecido, aquela mulher estranha quase conseguiu o que queria.

- Estou, sim, milagrosamente, eu sobrevivi... pelo menos, o meu corpo está curado!

Ele me olhou próximo de onde eu havia recebido o golpe que quase me matou e depois nos meus olhos, tenho certeza de que viu dentro deles, toda a imensa solidão e o desprezo que tenho carregado nessa vida. Não gosto que as pessoas sintam pena de mim, mas Calvin me conhece tão bem que eu não poderia esconder isso, mesmo que eu quisesse.

- Como sempre sozinha, não sei por que Dimitri se recusa a te levar para o reino!

Eu neguei com a cabeça.

- Acho que ele sente vergonha de que eu seja sua rainha, talvez tenha se arrependido de ter me escolhido para se casar.

- Eu não gosto de te ver assim sempre triste Marisa, penso o tempo todo em você aqui sozinha neste lugar. - Suspiro de angústia - Por isso, eu trouxe alguns presentes.

Ele conseguiu me arrancar um leve sorriso, fiquei logo curiosa para o que poderia ser.

- Então me diz, o que é isso em suas mãos? - Perguntei tentando ver o que era, mas ele queria fazer uma surpresa ou adiar um pouco mais, me torturando de curiosidade.

- Apenas cartas que eu trouxe para jogarmos juntos, topa?

- Claro! - Eu nem me lembro quando havia sido a última vez que havia jogado cartas, acho que minha mãe ainda era viva.

Ele embaralhou as cartas, espalhou sobre a cama e nós dois passamos muito tempo brincando e conversando, ele sempre me distraía quando eu estava sozinha. Eu o vejo como o irmão que eu gostaria de ter tido!

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