Uma brisa fresca soprou pelas portas abertas do quarto na suíte presidencial do Clube Paraíso.
As elegantes cortinas de seda pululavam com a corrente de ar, suas sombras dançando uma doce melodia com a luz. O quarto era finamente decorado para transmitir calma e conforto para os hóspedes. No meio dele, havia uma enorme cama com um casal completamente nu. Seus corpos estavam entrelaçados um no outro enquanto dormiam profundamente. Pareciam estar bem relaxados, o que lhes concedia um ar encantador de certa forma.
A figura esbelta do homem parecia esculpida por um grande artista, sua musculatura torneada era quase melhor do que a de um modelo. Seu rosto também era muito atraente. As sobrancelhas eram espessas, servindo como uma moldura para os olhos. Em contraste com esse traço másculo, possuía um nariz reto e arrebitado, o que junto ao seus lábios finos o faziam de uma beleza incomum. Seu pomo de adão proeminente movia-se de tempos em tempos enquanto dormia. O seu cabelo estava bagunçado e caído sobre o rosto, lhe dando um aspecto despojado. Seus braços musculosos envolviam a mulher de maneira protetora.
Mesmo que a mulher estivesse tapada pelos seus braços e com o rosto mergulhado no peito dele, a julgar pela cintura fina e o queixo pequeno que aparecia por baixo do braço dele, ela era muito bonita. Ela deveria ter um pouco mais de um metro e setenta de altura. Suas pernas compridas e delgadas ziguezagueavam com as pernas musculosas do homem. A curva da sua cintura fina faria a mão de qualquer pessoa coçar para sentir a textura de seda da sua pele. Seus braços abraçavam a cintura máscula ao seu lado. Esse corpo esguio e incrivelmente charmoso, como uma raposa, fazia qualquer homem se apaixonar por ela.
A cabeça de Aden Morrison estava começando a latejar e pesar da noite anterior, ele gemeu e levou a mão até as têmporas para tentar aliviar a dor. Sentia as pálpebras como que coladas umas nas outras. Não conseguia se lembrar qual fora a última vez que bebera tanto. Contudo, a noite passada fora merecida, já que ele ficara com um humor péssimo no final do dia. Seu pai o havia convidado para jantar na sua casa, mas Aden não contava que a intenção dele era forçar a sua separação de Gianna Cullen. O que o pai não sabia, por sua vez, era que Aden jamais se permitiria romper com ela. Gianna era, sem sombra de dúvida, o seu verdadeiro amor. Ao perceber que ele recusava deixá-la, seu pai usou o atual cargo dele como gerente geral para ameaçar e forçar que deixasse essa mulher de lado. Se não abrisse mão dela, precisaria abrir mão do cargo e deixá-lo para seu irmão mais velho, Weston Morrison. Só pensar nisso fez uma nuvem de preocupação pairar no seu rosto.
Bem capaz! Ele queria as duas coisas, a posição na empresa e a garota. Nada poderia fazê-lo mudar de ideia. Aden daria um jeito para conseguir ambas as coisas, fosse pelo bem ou pelo mal.
Pensando em Gianna, o peso de suas preocupações ficou um pouco mais leve. Ele a abraçou mais firmemente, passando a mão suavemente pelo seu rosto e usando as pernas para trazê-la para perto. Quando a mulher se aninhou no seu corpo, Aden sorriu. Somente sua amada tinha a capacidade de fazê-lo feliz mesmo quando estava de mau humor. Apesar de ter bebido muito na noite anterior, havia se divertido muito também. Entretanto, não sabia se ela estava machucada ou não.
No instante que pensou nisso, abriu os olhos e observou atentamente a mulher adormecida. Queria acordá-la com um beijo, mas de repente franziu a testa. Espera aí! Essa mulher não era a sua amada! Memórias da noite passada começaram a aparecer. Lembrou que aquela mulher esteve o tempo todo calada e tímida. Então, num movimento brusco, a empurrou para longe do seu corpo. Suas pupilas dilataram e mal se podia ver o branco dos seus olhos.
A violência do empurrão despertou a jovem.
Janiya Hamilton sentiu a forte luz do sol entrando no quarto e procurou cobrir a luz com as mãos. Estava zonza e com dor de cabeça também, então colocou as mãos nas têmporas e as esfregou tentando acordar. Além disso, seu corpo também doía, uma dor muscular, como se tivesse acabado de correr uma maratona. Gemeu e então foi lentamente abrindo os olhos.
Estava desorientada e olhou ao redor, tentando entender onde havia se metido naquela noite. Mas antes que pudesse chegar em qualquer conclusão, uma mão grande e forte a puxou pelo pescoço.
"Ei! O que você está pensando!" Olhou para trás para ver de quem era a mão e se deparou com aquele corpo muito sexy ao seu lado. Ele era muito bonito e sua voz era profunda e atraente também, mas Janiya não estava no clima para apreciar aquele momento.
"Quem é você? O que você quer?" A garota estava fazendo um esforço para se lembrar de alguma coisa da noite passada. Por que tudo ao seu redor lhe parecia tão estranho? Será que havia sido sequestrada?
"Você acha que vai virar minha mulher só por ter conseguido vir parar na minha cama?" Aden estava tão bravo que foi lentamente fechando a mão ao redor do pescoço dela, parecia capaz de matá-la estrangulada.
Mesmo que estivesse irritado, não podia deixar de registrar internamente que a mulher na sua frente era muito bonita e estava sem maquiagem. Já havia visto inúmeras mulheres bonitas, mas dificilmente alguma era tão bonita quanto essa na sua frente. Mas o que será que ela pensou? Por acaso ter um rosto bonito significava que podia subir na sua cama?
Janiya, por sua vez, mal conseguia respirar e começou a temer que morreria ali naquele quarto. Lutou como podia para se desembaraçar daquela mão poderosa no seu pescoço, mas como uma mulher tão frágil poderia escapar daquela força bruta?
Quando Aden se deu conta de que os olhos da mulher na sua frente estavam quase saltando das órbitas e ela já tinha parado de lutar, a soltou e limpou a mão com desgosto.
Tossindo e lutando para trazer o ar de volta para os pulmões, Janiya levou as mãos ao pescoço e ao peito, se curvando para que o ar entrasse. Lágrimas escorriam copiosamente pela sua face.
Ele ficou apenas observando enquanto a mulher tossia violentamente ao seu lado. Sua expressão ainda era ameaçadora e seus olhos brilhavam com o desprezo que sentia. "Se voltar a me seduzir, vou garantir que você nunca mais veja a luz do dia."
Mesmo que Aden não fosse uma pessoa completamente inocente, já que Gianna não era a única com que ele havia dormido, ele odiava quando mulheres davam em cima dele. Mulheres que corriam atrás não lhe interessavam. Ele tinha plena consciência de que sua aparência e sua posição social acabavam atraindo elas como um ímã. E embora tivessem já tentado muitos truques para chamar a sua atenção, essa era a primeira a conseguir tramar e ser bem sucedida nesse tipo de plano.
Quando Janiya finalmente conseguiu recuperar o fôlego e a sensação da morte iminente desapareceu, se deu conta do que estava acontecendo.
Ela se surpreendeu ao olhar para seu próprio corpo completamente nu e rapidamente puxou um cobertor para tapar suas partes íntimas. Acabara de perceber por que seu corpo doía. Era a primeira vez que fazia sexo com um homem. Seu rosto ficou completamente vermelho de vergonha, agora não era mais uma virgem e, pior ainda, era incapaz de se lembrar de qualquer coisa.
Seu tesouro mais importante havia sido levado embora por aquele brutamontes na sua frente. Ficou evidente que ela havia sido abusada e agora aquele homem estava se fazendo de vítima. Ela não iria perdoá-lo. "Escroto, não fique achando que vai se sair bem com essa. Você acha que... esse teatrinho vai te salvar? Você me estuprou! Entendeu? E não o contrário! Eu não consigo me lembrar de absolutamente nada. Com certeza você armou isso pra abusar de mim. Vou processá-lo e me assegurar que passe o resto da sua vida na prisão!"
Frenética, Janiya se virou para procurar algo que pudesse utilizar no quarto e seu olhar pousou no telefone em cima da mesinha de cabeceira. Em um pulo, o pegou e discou o número da polícia, mas o telefone foi arrancado da sua mão assim que ela apertou para chamar.
Aden olhou para o telefone, alguém havia atendido, e depois virou-se para ela. Se deu conta de que a mulher estava muito assustada, mas também brava. Ele levantou uma sobrancelha interrogativamente e sentiu que algo não estava fechando naquela história.
"Delegacia da cidade."
A voz do policial foi alta o suficiente para que Janiya ouvisse, ao que imediatamente respondeu gritando: "Socorro! Estou no Clube Paraíso. Por favor me ajude! Seja rápido!"
Infelizmente, o homem cortou sua ligação antes que pudesse completar sua frase. Janiya não tinha certeza de quanto o policial teria conseguido escutar. Só podia rezar que tivesse sido o suficiente para que alguém viesse ajudá-la.
Aden olhou para a mulher, que estava furiosa, e perguntou grosseiramente: "Você não fez seus truques e subiu por vontade própria na minha cama?"
Janiya o encarou atordoada e se indagou: 'Quem diabos esse cara pensa que é?' Enquanto os dois se encaravam, subitamente ela se deu conta de que aquele homem na verdade tinha um rosto bem familiar. Definitivamente já tinha visto esse homem antes. Mas onde?
Calma aí... Seu pai não tinha lhe mostrado uma foto desse homem? "Por acaso você não é Aden Morrison, gerente geral do Grupo Céutico?"
Aden não tirava os olhos dela. Permanecia calado e imóvel, como uma estátua. Por dentro lutava para saber se a mulher era uma boa atriz ou se realmente não sabia nada do que sucedera na noite anterior.
Janiya apenas fitava o restante do quarto. Todo o ambiente parecia feito sob medida, indicando que era um local bastante caro. As roupas espalhadas pelo chão eram feitas manualmente na Itália, o que lhe dava certeza de que o homem na sua frente era Aden.
"Já que estamos aqui e tenho certeza que você é o gerente geral do Grupo Céutico, poderia me dizer como vim parar nessa suíte? O que aconteceu entre nós?"
Centenas de questões passavam pela cabeça de Janiya naquele momento, mas a mais importante era saber por que ele havia trazido ela ali. Mas ao dizer pela expressão no rosto dele e o silêncio, parecia que ele também não sabia como isso aconteceu. Ou será que estava fingindo tudo isso? Claramente estava muito confusa.
Ele a fitava atentamente. Por mais que observasse, não conseguia notar nenhum sinal de culpa ou atuação nos trejeitos dela. Não percebeu nada no comportamento dela além de incômodo e confusão. Continuou parado, ponderando, enquanto ela ia se enchendo de pânico e medo.
"Se você não sabe por que está aqui, então do que você se lembra?"
Aden desviou sua atenção para a mistura de roupas no chão. Era inegável que a mulher tinha muito bom gosto para moda. E todas suas peças de roupa eram de marcas caras. Definitivamente pertenciam a uma família rica. Como fazia parte do topo da classe social da cidade Asopool, conhecia todas as garotas daquele círculo, mas tinha certeza de nunca ter visto aquela mulher antes.
Notando que Aden a observava fixamente, Janiya apertou o lençol e se deixou afundar na cama, procurando ignorar a dor que sentia e dando o seu melhor para não deixar a tristeza a arrebatar por completo agora que tinha perdido a virgindade. Fez um esforço para racionalizar a situação e parar de se sentir tão desorientada.
Janiya havia se formado em Harvard nos Estados Unidos e ontem fora seu primeiro dia de volta. A sua meia-irmã Jayla insistiu para que as duas saíssem juntas e fossem jantar. Mesmo estando cansada da viagem, ela estava com saudades e achou que seria uma boa ideia se encontrar para comer algo no restaurante do primeiro piso do Clube Paraíso. Estavam se divertindo muito, mas em algum momento Janiya começou a se sentir meio tonta. Jayla a confortou dizendo que havia reservado um quarto no segundo piso para que descansassem ali mesmo, caso não quisessem voltar logo para suas casas. Muito agradecida, Janiya pegou o cartão da porta e subiu para o quarto.
Conforme subia as escadas, foi se sentindo cada vez mais tonta e suas pálpebras pesavam. Assim que encontrou o número do quarto, abriu a porta e entrou. Depois disso...
Aden não tinha tempo para esperar Janiya recordar o restante da noite. Olhou para o relógio e viu que já eram oito da manhã. Ele tinha uma reunião importante às nove, então precisava se apressar para chegar no escritório.
Decidiu ignorar a mulher e levantou-se rapidamente para acabar de se vestir. Ele tirou o talão de cheques do bolso interno do terno, destacou uma das folhas e escreveu um número nele, jogando-o na cama. "Não me interessa quem é você ou o que você quer aqui, mas acredito que isso é o que você merece. Esse assunto se encerra aqui. Agora que você sabe quem sou eu, não espere nada mais, caso contrário não vou me importar em acabar o que eu havia começado há pouco."
Apesar de só querer encontrar um canto para se esconder e ficar em paz, Janiya não podia evitar a fúria que a invadiu quando ouviu as palavras grosseiras de Aden e ele jogou o cheque na cama. Na sua vida toda, nunca fora tão insultada. E, para completar, ainda havia recebido essa ameaça de morte, embora ela achasse que o homem na sua frente não seria realmente capaz de acabar com a sua vida.
"Quem diabos você acha que é? Sim, você pode ser rico. Mas dinheiro não compra tudo no mundo, existem muitas coisas que não podem ser compradas! E não importa quão rico você é! Não preciso desse cheque. Você disse que não sabia por que eu estou aqui, espero que não esteja mentido, pois se eu descobrir, não terei um pingo de misericórdia, custe o que custar!"
Era a primeira vez que Aden recebia uma ameaça. Além disso, essa mulher sabia quão rico e poderoso ele era. 'Bom', pensou, 'Essa aí tem personalidade.'
"Mulher, preciso admitir que você tem um baita corpo", disse ele, procurando provocá-la, embora tivesse ficado um pouco confuso quando essas palavras saíram pela sua boca. Ele gostou do... seu corpo? Sim. Ainda que estivesse completamente bêbado na noite anterior, se lembrava de alguma coisa. 'Que inferno! Devo ter bebido demais!', ele pensou.
Janiya estava num misto de surpresa e nojo ao mesmo tempo, não sabia se devia receber aquelas palavras como um elogio ou como um insulto. Ainda mais depois dele ter sido tão grosseiro, não esperava escutar algo assim. Ela agarrou o lençol mais forte ao redor do corpo, se retraindo na cama. Com a outra mão encontrou um travesseiro e o jogou em Aden.
"Idiota!", Aden estava saindo do quarto, quando ela gritou e o travesseiro o acertou. Quando se virou para informar o preço por irritá-lo, viu a mancha de sangue no lençol em cima da cama. Ficou em silêncio e saiu da suíte do hotel, confuso.
Ao escutar a porta bater, Janiya correu até lá e, se assegurando de que o homem realmente saíra, trancou a porta por dentro. Depois retornou cabisbaixa até o quarto, sentou-se na cama com os joelhos dobrados e não pôde evitar chorar compulsivamente pela situação que se encontrava.
'Esta foi a minha preciosa primeira vez e a perdi com um idiota completo. Não bastou isso, por que não consegui me lembrar de nada? O que está acontecendo?', ela se perguntou essas coisas. Depois de algum tempo refletindo, decidiu se levantar da cama e pegar sua bolsa. A primeira coisa foi pegar seu celular e conferir se tinha alguma mensagem, mas não tinha sequer uma ligação perdida. Na verdade, nem mesmo Jayla havia tentado ligar. A mulher mordeu o lábio, se esforçando muito para recordar qualquer detalhe da noite anterior. Enquanto colocava suas roupas rapidamente, sua ansiedade aumentava a cada segundo. Esfregou a cabeça ainda dolorida e percebeu que a situação toda lhe dava uma sensação horrível, mas procurou não focar nisso e se preparou para sair.
Ela não queria permanecer mais tempo naquela suíte, além de precisar saber a verdade sobre o que havia sucedido. Mas ao sair, foi surpreendida pela coincidência do número na porta. Aquele quarto era o "666" e o número impresso no seu cartão de acesso era o "999". Naquele momento, Janiya se lembrou de que aquele não era o quarto que Jayla havia reservado e vários flashes da noite começaram a aparecer. Ela havia lido mal o cartão de acesso e pegou o elevador para o sexto andar. Mas ao chegar no andar, se sentiu ainda mais tonta. Foi cambaleando até esse quarto e quando apoiou o cartão contra a maçaneta, se deu conta de que a porta já estava aberta, então apenas entrou direto.
"Eu entrei no quarto errado!", exclamou e, ainda que fosse difícil admitir, era verdade. Agora sentia raiva de si mesma, mas também estava aliviada. Era muito melhor ser culpa dela do que alguma conspiração envolvendo Jayla.
Podia entrar no elevador se sentindo só um pouco melhor. Ela havia perdido sua virgindade com um estranho por ter entrado no quarto errado, o que provavelmente a tornava uma grande piada.
Contudo, nem Aden e tampouco Janiya sabiam que alguém estava se divertindo vendo as fotos que mostravam os dois entrando e saindo daquela suíte. E essa pessoa não era ninguém menos do que Jayla, que estava no quarto 999.
"Janiya, jamais esperava que você fosse escolher Aden ao invés de quem eu havia escolhido para ser seu par, então não me culpe pelas consequências que virão a seguir", disse ela em voz alta para si mesma, enquanto sorria e bebia um gole do vinho da taça na sua mão. Na sequência, ligou para alguém e ordenou: "O material que eu lhe mandei deve ser enviado para a mídia. Quero que todos na Asopool saibam o tipo de pessoa que Janiya é. Roubou o namorado de outra pessoa e não passa de uma amante vulgar."
Janiya, por sua vez, voltou para casa, ainda confusa com tudo que vivera nas últimas horas. Assim que abriu a porta, seu pai a recebeu com preocupação: "Niya, você voltou. Jayla nos disse que você estava muito cansada ontem à noite e que iria passar a noite no hotel. Depois de todos esses anos, você finalmente voltou, mas não veio passar a primeira noite em casa. Não lhe passou pela cabeça o quanto ficamos preocupados, amada?"
Diante disso, a jovem precisou forçar um sorriso e segurou o braço de Jedidiah Hamilton como se nada tivesse acontecido, enquanto o tranquilizava: "Pai, estou aqui agora. Achei melhor não vir dormir aqui ontem porque ficou muito tarde e não queria incomodar você. Aliás, Jayla está aqui?"
Olhando sua filha querida, Jedidah balançou negativamente a cabeça e respondeu: "Escutei ela saindo hoje de manhã cedo, mas não sei para onde foi."
Diante dessa resposta, Janiya pensou que a sorte havia sorrido um pouco para si, porque se Jayla estivesse em casa e lhe perguntasse alguma coisa da noite passada, ela não saberia o que dizer. "Pai, estou cansada ainda da viagem, vou subir e descansar um pouco", anunciou e foi para o seu quarto. Se atirou na cama e enterrou o rosto no travesseiro, se recriminando: 'Janiya, você é estúpida? Olha só, você se graduou em contabilidade numa das melhores universidades do mundo. Como foi entrar no quarto errado? Agora sua virgindade e reputação estão arruinadas!'
Sem conseguir se animar a outra coisa, passou o resto do dia deitada na cama. Ficou remoendo como todos os sonhos e planos maravilhosos que tinha foram estragados por causa de uma bobagem, um erro ridículo, e o remorso lhe oprimia o peito.
Somente na manhã seguinte decidiu se levantar. Queria dar um passeio, precisava de ar fresco para relaxar, pensar e fazer novos planos para o futuro. Mas antes que pudesse sair, o inesperado aconteceu.
Tinha acabado de descer as escadas e falou para o seu pai que iria dar um passeio, quando o homem a chamou no escritório. Ao entrar, viu ele sentado atrás de sua mesa com um jornal na frente.
"Niya, o que significa isso?", Jedidiah perguntou, seu tom era muito sério e grave. Estendeu o jornal para que ela pudesse ler a matéria.
Confusa, a jovem se aproximou e pegou o jornal. Seus olhos se arregalaram imediatamente ao ver a reportagem que seu pai estava mostrando. "O gerente geral do Grupo Céutico tem uma namorada nova: a filha do CEO do Grupo Hamilton", dizia a manchete.
"Janiya, a filha mais velha do CEO do Grupo Hamilton, que completou recentemente seus estudos no exterior, voltou para casa e no mesmo dia já se envolveu romanticamente com o gerente geral do Grupo Céutico. Parece que essa jovem graduada em Harvard gosta não apenas de estudar, mas também de roubar namorados! Aden abandonou a mulher com quem tinha um relacionamento nos últimos dois anos para ficar com ela. Os dois passaram uma noite caliente e romântica no Clube Paraíso..."
Ao final do texto, havia várias fotos mostrando o casal entrando e saindo do mesmo quarto e, também, a repórter conseguira capturar a expressão confusa e constrangida de Janiya ao sair do hotel.
Ela amassou o jornal e empalideceu.
"Niya, você recém voltou, mas seu rosto já está estampado por todos os lugares. Como isso foi acontecer? Não consigo acreditar que você seja esse tipo de mulher, então me diga, o que aconteceu exatamente?", perguntou seu pai. Embora adorasse sua filha, ele era muito rígido em termos de educação e comportamento.
Entretanto, Janiya não sabia como explicar e só conseguiu balbuciar: "Pai, isso não é verdade. Não sei como explicar, mas não roubei o namorado de ninguém. Eu não sou... amante de Aden. Eu..."
"Então essa notícia é falsa?", Jedidiah perguntou, aliviado.
Janiya não conseguia encarar os olhos do pai. Ficou em silêncio porque não poderia mentir. Embora não tivesse roubado o namorado de ninguém, não podia negar o que acontecera no Clube Paraíso.
Jedidiah ficou triste com o silêncio da filha. "Niya, você é uma garota. Consegue ter dimensão do dano que isso vai fazer com a sua reputação? Não vou obrigar você a nada. Mas vou pedir à família Morrison que assuma a responsabilidade pelo que aconteceu."
"Por favor, não faça isso, pai. Não é o que você está pensando. A culpa é minha. Eu... eu entrei no quarto errado", Janiya balbuciou baixinho, mas o pai a ouviu claramente.
Ele não podia acreditar nisso. Sentiu pena da sua menininha amada.
No dia anterior, ele havia lhe mostrado uma série de fotos com jovens talentosos da Asopool. Com certeza Aden estava entre eles. Se Janiya estivesse interessada no rapaz, ele poderia ter arranjado um encontro às cegas para eles. Porém ela só passou os olhos pelas fotos e recusou. Disse que queria a liberdade para escolher o próprio namorado. Contudo, ele não estava esperando aqueles acontecimentos.
"Niya, o que você pretende fazer sobre isso?" Jedidiah sabia bem como a filha se importava com a própria reputação. Naquele momento, queria ouvir a opinião dela.
"Pai, por favor, esqueça. Eu sou culpada por tudo que aconteceu, mas nunca pensei em roubar o namorado de alguém. Além do que, Aden não me interessa nem um pouco." Ela só queria que tudo aquilo acabasse o mais rápido possível.
"Filha, você sabe que esse jovem é um talento em ascensão no mundo empresarial. Se você gosta dele, posso contribuir para que fiquem juntos. Mas se você não gosta, vou fazer o possível para suprimir essas notícias. Assim que não se preocupe. Não vou deixar ninguém te machucar."
"Muito obrigada, pai. Espero ter a chance de escolher eu mesma o meu marido", Janiya insistiu nesse ponto. Um dos seus maiores sonhos era se casar com um homem que ela sentisse uma verdadeira conexão amorosa.
Enquanto isso, na mansão dos Morrison, Mason Morrison sorriu para Aden, que estava em pé na sua frente. "Então, Aden, fiquei sabendo que você está interessado na filha do senhor Jedidiah. Agora entendo por que nunca se interessou em nenhuma das mulheres que lhe apresentei. Por que não me contou sobre ela antes? Eu quero que você a traga para jantar conosco alguma noite dessas."
Ainda que Mason não conhecesse Janiya particularmente, conhecia seu pai e isso bastava. A esposa de Aden precisava ser uma mulher do mesmo status social que a família deles.
Diante dessa fala, o filho franziu a testa e contestou: "Pai, eu não tenho nada com Janiya Gianna é a única em quem estou interessado e com quem gostaria de me casar."
"Você não tem nada com Janiya? Então o que são essas fotos? Ela pertence à família Hamilton. Você acha que vai se livrar dela assim fácil? Pois deixe eu lhe contar uma coisa. Não me interessa se você tem ou não um relacionamento com Janiya, mas a partir de agora ela é a única que pode ser sua esposa. E sobre Gianna, ela jamais poderia casar com alguém da nossa família."
Mason cruzou os antebraços em cima da mesa e encarou o filho seriamente. Em apenas alguns segundos, concluiu declarando com firmeza: "Ligarei para senhor Jedidiah agora mesmo. Se você não se casar com Janiya, Gianna vai conhecer outro mundo. Além disso, definitivamente não quero alguém com a mente fraca dirigindo o negócio da família. Vou pedir para Weston assumir o seu cargo."
Aden encarou o pai com incredulidade, sua mente borbulhando em raiva. "Eu não vou me casar com Janiya. Se algo acontecer com Gianna, farei com que Janiya desapareça também. O que eu mais quero é me casar com Gianna e você sabe disso."
Mason se levantou e jogou os papéis que tinha em Aden. "Seu imbecil! Como ousa se virar contra mim? Então vai fazer Janiya desaparecer? Pois bem, se isso acontecer, no dia seguinte vou escolher outra mulher novamente para casar com você."
Aden ficou paralisado. Parecia que a situação era essa: ele apenas queria casar com Gianna. Mas, mesmo que Janiya não existisse, Mason traria outra candidata para ser sua esposa. Para seu pai, não importava realmente a pessoa com quem ele iria se casar, mas sim que a família da mulher fosse tão poderosa e rica quanto eles e pudesse cooperar no crescimento do negócio.
Assim que saiu da mansão, Aden se sentiu muito frustrado. Entrou no carro e dirigiu a esmo pela cidade. Ele estava recapitulando todos os eventos da noite passada no hotel e concluiu que devia ser um plano muito bem orquestrado por Janiya. Definitivamente ela procurou criar uma situação desagradável e apanhá-lo naquele golpe sujo para que se casassem. Antes, em algum momento, ele acreditou que aquela mulher era corajosa e tinha uma personalidade forte, mas na verdade se tratava de uma pessoa calculista e cruel.
Ele precisava encontrar uma solução para sua situação, então ligou para a única pessoa que podia confiar. "Lachlan Miller, não me importa o que você vai precisar fazer, mas quero que todas as notícias sobre mim e Janiya desapareçam imediatamente."
Depois de desligar o telefone, Aden dirigiu até a casa de Gianna. Ela devia estar preocupada, já que passou o dia lhe ligando. Eles precisavam conversar para que pudessem esclarecer tudo.
Assim que chegou, tirou o terno e a gravata, pendurando no cabide. Gianna se sentou no sofá da sala e o encarou com os olhos marejados. O coração do homem se partiu ao ver a dor que lhe causara.
"Aden, achei que você não iria voltar." Se sentia horrível vendo os olhos lacrimejantes da amada e seus soluços tristes. Então se sentou ao seu lado e a abraçou. Lhe deu um beijo na cabeça, falando baixinho: "Não seja boba, para onde eu iria? Não fique pensando besteiras, estou aqui agora e vou cuidar para que as coisas fiquem bem. Lembra sempre dessas duas coisas: Você é a única mulher que eu quero e vai se casar comigo."
Aden falava aquilo diretamente do coração. Ainda assim, ele não conseguia saber se havia dito aquilo para tranquilizar Gianna ou para reforçar a si mesmo.
"Estou tão aliviada em te ouvir dizendo isso. Eu te amo, Aden." Então, ergueu o rosto e lhe perguntou: "O que foi aquela notícia... É verdade o que dizem sobre você e senhorita Janiya..."
Mas antes que ela concluísse a frase, Aden a interrompeu: "Não fique pensando nisso. Já está bem tarde. É melhor descansar, vá deitar no seu quarto."
Apesar de desapontada, Gianna não demonstrou isso. Ela conhecia o seu temperamento. Sabia distinguir bem o limite entre o que podia perguntar e o que não.
No fundo, ela estava com bastante ciúme e curiosa para saber mais sobre a história. Afinal de contas, Janiya era filha da família Hamilton, ou seja, era tão poderosa quanto a família de Aden. Não bastasse isso, era uma mulher com uma beleza deslumbrante, com os traços do seu rosto finos e corpo perfeito. Janiya era, sem sombra de dúvida, mais bonita que ela, o que só contribuía para o ciúme e preocupação de Gianna. Mas ela escondeu essas emoções astutamente.
"Amor, quero que você me carregue até o quarto." Ao dizer isso, a garota abriu os braços como uma criança mimada e fez um beicinho.
Ao ver essa cena, Aden riu, então a pegou nos braços e a levou até o quarto.
Gianna enterrou o rosto nos braços fortes do namorado. Somente nesse momento se sentiu segura e pensou: 'Aden, você é meu!'
Os dois foram colegas na faculdade. Gianna vinha de uma família humilde, enquanto Aden pertencia a uma família muito poderosa. Todas as circunstâncias contribuíam para que eles nunca se conhecessem, até o dia que ela o salvou de um acidente. Desse momento em diante, ficaram perdidamente apaixonados.
Ela jamais teria a chance de estar ao lado dele, se não tivesse arriscado a sua vida para salvá-lo.
Do outro lado da cidade, a ideia de Janiya de sair para um passeio havia ido completamente por água abaixo. Precisou passar o dia inteiro dentro de casa para evitar ser abordada pelos repórteres acampados do lado de fora do portão. Embora esses repórteres fossem ousados o suficiente para ficarem esperando ali, jamais ousariam se meter dentro da propriedade dos Hamilton.