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Enquanto Eu Te Esperava

Enquanto Eu Te Esperava

Autor:: Nayara Barbosa
Gênero: Romance
Sinopse: Enquanto Eu Te Esperava *Alguns amores não sabem partir* Teresa acreditou na promessa de um homem que partiu para servir o país... e nunca voltou. Enquanto o mundo seguia em frente, ela ficou. Criou cinco filhas sozinha, sustentada por uma esperança que o tempo jamais conseguiu apagar. Vinte e cinco anos depois, sua história desperta a atenção de uma repórter e reacende uma pergunta que nunca deixou de existir: e se ele ainda estiver vivo? Entre silêncios, destinos cruzados e um amor que nasce sem saber de onde vem, o passado começa a se mover novamente. Porque há esperas que não enfraquecem - apenas amadurecem. E alguns amores... não sabem partir.

Capítulo 1 Nota da autora

Há histórias que nascem aos poucos.

E há histórias que chegam prontas ao coração.

Enquanto Eu Te Esperava começou em um instante muito específico da minha vida.

No dia 15 de dezembro de 2025, às 18h51, em Chapadão do Sul, Mato Grosso do Sul. Foi ali que percebi - antes mesmo de escrever a última palavra - que essa não seria apenas mais uma história.

Teresa, Augusto e aquelas cinco meninas nunca foram apenas personagens para mim.

Eles respiravam. Existiam em um mundo próprio, silencioso e intenso, onde o amor aprendeu a esperar e o tempo aprendeu a respeitar.

Fernando Pessoa escreveu que "escrever é esquecer, e a literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida."

Hoje eu entendo essa frase como um convite. Porque a literatura não nos afasta da vida - ela nos permite vivê-la muitas vezes. Enquanto o mundo nos oferece uma única existência, o leitor vive mil. E quem lê não deixa de viver: sente mais fundo, ama mais intensamente, atravessa dores e esperanças que não caberiam em apenas uma só vida.

Quando uma história toca a própria alma de quem a escreve, o corpo responde primeiro.

E responde com lágrimas. Não por fraqueza, mas por conexão.

Foi assim comigo.

Esta história me atravessou antes de atravessar você.

E se chegou até aqui, é porque de alguma forma ela também encontrou morada no seu coração.

Alguns amores não sabem partir.

E algumas histórias... também não.

Com carinho,

Nayara Barbosa 🌹📖

Capítulo 2 Prólogo

🛩️

Maria Tavares

Naquela manhã fria do ano 2025, eu ainda não sabia, mas uma história avassaladora viria até mim. Ela abriria caminhos, rasgaria certezas e me atingiria do jeito mais doloroso e, ao mesmo tempo, mais emocionante possível. A história de amor de Teresa e Augusto era muito mais do que digna da primeira capa dos jornais - era daquelas que cabem em filmes de romance de época, onde o tempo não apaga sentimentos e a esperança se recusa a morrer.

Naquele dia, enquanto revirava arquivos antigos esquecidos no fundo da redação, encontrei o registro de uma mulher que, anos antes, havia procurado a imprensa para divulgar o desaparecimento do marido, sargento da aeronáutica. Um pedido simples, quase ingênuo: ajuda para encontrar o amor da sua vida. Mas o caso foi tratado com indiferença. O artigo nunca chegou aos tabloides. Não vendeu. Não interessou. E assim, aquela mulher teve sua dor arquivada junto com papéis amarelados e promessas quebradas.

E eu, como a boa jornalista que sempre acreditei ser, decidi que iria até o fim do mundo por ela.

- Maria, esse caso foi esquecido por um motivo. Não vende - Dênis, meu editor-chefe, disse sem sequer levantar os olhos da tela do computador.

- Nem que seja no meu blog pessoal, nem que eu perca o emprego. Mas vamos encontrar o Augusto. Essa senhora está esperando o amor da vida dela há vinte e cinco anos - respondi, com a voz firme, mesmo sentindo o coração bater acelerado.

Ele me encarou por alguns segundos, avaliando não apenas a pauta, mas a pessoa que eu era.

- Sua determinação é o que me fascina - disse, por fim. - No que eu puder, eu vou te acobertar.

Eu o abracei sem pensar duas vezes.

- Você é o melhor.

Peguei minha bolsa, as chaves do carro e segui até o endereço de Teresa Vidal.

Durante todo o caminho, meu coração parecia querer saltar do peito. Minhas mãos estavam trêmulas e suadas. Eu temia encontrá-la cansada demais, resignada demais, ou pior - sem esperança alguma. Orei em silêncio para que o coração dela ainda estivesse aberto. Prometi a mim mesma que faria tudo para que aquela mulher tivesse um final. Qualquer final. Porque esperar para sempre também é uma forma de morrer.

Quando estacionei o carro em frente à casa dela, fui tomada por uma sensação imediata de acolhimento. A fachada permanecia igual à de vinte e cinco anos atrás, como se o tempo tivesse decidido respeitar aquele lugar. Cercas de madeira branca, um portão delicado, margaridas amarelas florindo à frente do cercado. Um caminho de pedras bem alinhado cortava a grama verde e bem cuidada. Aquela entrada exalava vida, amor e, acima de tudo, esperança.

Ali morava alguém que ainda acreditava.

Entrei pelo pequeno portão, segui o caminho de pedras, subi os dois degraus que davam acesso à varanda e bati na porta. Em instantes, ela se abriu.

À minha frente estava uma mulher de quarenta e cinco anos. Cabelos grisalhos misturados aos castanhos, maquiagem leve, um vestido florido simples e sapatilhas. Mas nada nela era simples demais. Ela era ainda mais bonita do que nas fotografias antigas. O sorriso que me ofereceu era acolhedor, quente, quase maternal. Meu coração apertou, e a vontade de chorar veio forte. Segurar foi difícil.

- Bom dia, senhora Vidal.

- Bom dia - ela respondeu, sorrindo.

- Me chamo Maria Tavares. Sou jornalista. Encontrei seu caso entre papéis antigos e ele me despertou algo muito profundo. E, como a boa jornalista que acredito ser, não posso deixar sua história sem um desfecho. Quero te ajudar a saber o que aconteceu com o seu esposo.

Ela me encarou por alguns segundos, como se estivesse tentando entender se aquilo era real.

- Ô, querida... - disse, antes de me abraçar com força. - Eu sabia que um dia alguém iria despertar curiosidade.

Ela deu espaço para que eu entrasse.

Soltei o ar que nem percebi estar prendendo. A esperança ainda vivia nela. Teresa Vidal não era apenas uma mulher à espera. Ela era a própria esperança em forma de gente.

- Senhora Vidal...

- Por favor, querida, me chame de Teresa - pediu, com um sorriso doce.

- Teresa, quero começar uma entrevista, aos poucos. Você vai me contar tudo desde o início. Pretendo escrever um artigo e, se você permitir, um livro sobre a sua história. Os direitos autorais serão seus, e tudo que for arrecadado também.

Ela respirou fundo. Seus olhos marejaram.

- Se tudo isso puder, ao menos, acalmar meu coração ou me dar uma notícia do meu Augusto... eu assino em qualquer lugar.

Segurei as mãos dela com firmeza.

- Eu farei tudo que estiver ao meu alcance. E o que não estiver também. Eu prometo.

Meu coração explodia dentro do peito. Eu estava ali, diante de uma mulher, de uma história e de um amor que se recusava a morrer.

- Bom dia, mãe. Estou indo para o hospital - disse uma jovem ao descer as escadas.

- Bom dia, querida. Maria, essa é Eulália, minha caçula. Filha, essa é Maria, a jornalista que vai divulgar minha história - Teresa falou com a voz embargada.

Eulália me olhou com atenção, como se tentasse medir minhas intenções.

- Eu adoraria ficar e ouvir essa história mais uma vez, mas meus pacientes me esperam. Maria... por favor, não decepcione minha mãe.

- Jamais faria isso, Eulália.

Ela sorriu, assentiu e saiu.

A porta se fechou, e a casa voltou ao silêncio. Um silêncio confortável, respeitoso, como se cada parede soubesse o peso da espera que aquele lugar carregava.

Teresa foi até a cozinha preparar café.

- Augusto sempre dizia que café resolve tudo... ou pelo menos ajuda a suportar - comentou, com um meio sorriso.

Sentamos à mesa. Ela trouxe uma caixa antiga, de madeira, com cartas, fotografias, recortes de jornal. Cada objeto era uma memória, uma prova de amor, uma tentativa de manter vivo quem nunca voltou.

- Ele prometeu que voltaria - disse ela, quase num sussurro. - E eu acredito em promessas.

Naquele momento, eu soube. Aquela história não era só sobre desaparecimento. Era sobre fidelidade ao amor, sobre o tempo que passa e não leva tudo, sobre mulheres que esperam não por fraqueza, mas por convicção.

Naquela manhã fria do ano 2025, eu ainda não sabia.

Mas foi ali, naquela casa simples cercada por margaridas, que tudo começou.

E algumas histórias...

não sabem partir.

{...}

Capítulo 3 01

🛩️

A cidade de Santa Aurora parecia respirar diferente naquele dia. O sol iluminava as ruas de paralelepípedo, refletia nas vitrines simples do comércio local e fazia a praça central ganhar um brilho especial. Vinte e cinco anos depois, Santa Aurora se tornaria um polo comercial importante, cheia de movimento e pressa. Mas, em 2000, tudo ainda caminhava devagar. O tempo ali respeitava os sentimentos.

Foi no Baile Anual de Santa Aurora que Teresa dançou pela primeira vez com Augusto Vidal. Três músicas. Nenhuma palavra em excesso. E a certeza silenciosa de que aquele homem voltaria para casa - mesmo quando o mundo dissesse o contrário.

Naquela manhã, Teresa acordou com um sorriso que insistia em permanecer. Abriu os olhos devagar, sentindo o vento leve entrar pela janela e balançar a cortina de renda que sua mãe havia lavado no dia anterior. Havia algo no ar. Um pressentimento bom, desses que aquecem o peito sem explicação.

Ela se sentou na cama, passou a mão pelos cabelos ainda soltos e respirou fundo.

- Hoje vai ser um dia bonito - murmurou para si mesma, sem saber o quanto estava certa.

Levantou-se, colocou o vestido simples de algodão azul-claro e foi até a cozinha. A casa ainda guardava o cheiro de café recém-passado. Sua mãe arrumava a mesa com cuidado, como fazia todos os dias.

- Bom dia, minha mãe - Teresa disse, aproximando-se e a abraçando por trás.

- Bom dia, minha querida - respondeu a mulher, retribuindo o carinho. - Seu pai já saiu para a lavoura. Como sempre, antes do sol esquentar.

- Vou até a igreja fazer minhas preces - Teresa comentou. - Depois vou dar uma volta na praça com a Dália.

A mãe sorriu, enxugando as mãos no avental.

- Que Nosso Senhor e Nossa Senhora de Guadalupe te acompanhem, minha menina.

Teresa inclinou a cabeça, recebendo a bênção como fazia desde criança. A fé fazia parte da vida delas, assim como a esperança. Pegou sua bolsa pequena, despediu-se da mãe com um beijo no rosto e saiu.

O caminho até a igreja era familiar. Cada passo carregava lembranças. Quando chegou, avistou Dália conversando animadamente com o coroinha do padre. Teresa sorriu de lado. Sabia que os dois se gostavam desde sempre. Dois dias antes, haviam sido prometidos um ao outro em casamento. Era bonito de se ver um amor que cresceu antes mesmo da promessa.

- Você está radiante hoje - Dália comentou assim que Teresa se aproximou.

- Estou? - Teresa perguntou, surpresa.

- Está. Parece até que dormiu sonhando.

Talvez tivesse dormido. Ou talvez estivesse acordada para algo que ainda não entendia.

Elas entraram na igreja, acenderam velas, fizeram suas preces em silêncio. Teresa pediu por um amor sincero, puro. Um amor que chegasse como a brisa fria do anoitecer e permanecesse como o calor do amanhecer.

Ela ainda não sabia, mas naquela mesma noite, quando seus olhos encontrassem os do Sargento Vidal, tudo mudaria.

---

O sol já havia se despedido quando Teresa começou a se arrumar para o Baile Anual de Santa Aurora. A casa estava silenciosa. Sua mãe separara o vestido com antecedência: um modelo simples, cor creme, cintura marcada e saia rodada, costurado à mão. Teresa passou os dedos pelo tecido com cuidado.

- É bonito - disse a mãe, observando da porta. - Combina com você.

Teresa sorriu, sentindo o coração acelerar sem saber por quê.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, Augusto Vidal ajustava o nó da gravata diante do espelho. O reflexo mostrava um homem mais maduro do que quando partira. O uniforme estava impecável. As medalhas repousavam ao lado esquerdo do peito, próximas ao coração. Ele respirou fundo.

Voltar para Santa Aurora depois de tantos anos fora era estranho. Familiar e distante ao mesmo tempo. Mas havia algo diferente naquela noite. Algo que não sabia nomear.

- Você está nervoso - Dália comentou, encostada no batente da porta.

- Talvez - ele admitiu. - Ou talvez seja só o tempo tentando me lembrar de quem eu sou.

- Hoje você vai conhecer alguém - ela disse, com um sorriso enigmático.

- É mesmo? Quem?

- Teresa. Minha melhor amiga.

Augusto pensou no nome. Teresa. Soava bonito.

- Querendo me arrumar uma esposa, prima?

Dália cruzou os braços.

- Só se prometer que não vai fazê-la sofrer.

- Nem se eu quisesse seria capaz disso - ele respondeu, sério. - Se por acaso gostarmos um do outro, será ela a minha esposa.

- Você nem a conhece, Augusto.

- Mas vou conhecer, de é sua amiga, sei que é de boa família e de caráter impecável.

Dália suspirou, vencida.

- No baile, eu apresento. Mas cuide dela.

- Eu juro.

---

O salão do clube social estava iluminado por luzes amareladas. A banda afinava os instrumentos. O perfume das mulheres misturava-se ao som das conversas baixas. Teresa entrou acompanhada da mãe e sentiu o olhar de algumas pessoas se voltarem para ela. Não por vaidade, mas porque havia algo diferente naquela noite.

Foi então que ela o viu.

Augusto estava de pé próximo à entrada, conversando com alguns conhecidos. Fardado. Imponente. Quando seus olhos se cruzaram, o mundo pareceu diminuir. O corpo de Teresa reagiu antes do coração, antes da razão. Ela sentiu o chão desaparecer por um instante.

- É ele - Dália sussurrou ao seu lado.

- Quem? - Teresa perguntou, mesmo sabendo a resposta.

- Augusto Vidal.

Antes que pudesse dizer algo, Dália já os conduzia um ao outro.

- Teresa, este é meu primo, Augusto.

- É um prazer - ele disse, inclinando levemente a cabeça.

- O prazer é meu - Teresa respondeu, sentindo a voz tremer.

Augusto respirou fundo e se virou para a mãe de Teresa.

- Dona... posso pedir a permissão para dançar com sua filha?

A mãe de Teresa o avaliou por alguns segundos. Viu respeito, educação e algo raro: verdade.

- Pode, sim.

Augusto estendeu a mão. Teresa aceitou.

A música começou.

Eles dançaram. Uma. Duas. Três músicas seguidas. Não disseram muito. Não precisaram. O mundo ao redor parecia desaparecer. A mãe de Teresa observava de longe, conversando com Dália.

- Ele é um ótimo pretendente - comentou. - Nunca vi minha filha assim.

- Eles foram feitos um para o outro - Dália respondeu, com os olhos marejados.

E ali, naquele salão simples, entre olhares, passos sincronizados e promessas silenciosas, Teresa e Augusto selaram um laço que nem o tempo, nem a distância, nem o silêncio seriam capazes de romper.

Aquele simples encontro, aquela simples troca de olhares, serviu para unir duas almas para toda a eternidade.

{...}

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