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Enquanto Minha Filha Queimava, Ele Soltava Fogos de Artifício Para Ela

Enquanto Minha Filha Queimava, Ele Soltava Fogos de Artifício Para Ela

Autor:: He Shuyao
Gênero: Moderno
A mãe Elinor via o comercial da Disney na TV do hospital enquanto colocava uma coroa de papel na cabeça da filha Cece, que agonizava conectada a tubos. O pai nunca aparecia. De repente, o monitor cardíaco apitou sem parar. Cece morreu ofegante, chamando pelo pai que não veio. Enquanto a equipe tentava reanimá-la, a TV mostrou Derick beijando a testa de outra menina, Kiana, em uma festa luxuosa na Disneylândia que ele reservou só para ela. Derick chegou em casa bêbado com balões e negou tudo, chamando Elinor de louca e manipuladora. Ele ignorou a cremação da filha, correu para Kamryn quando a enteada dela ficou doente e depois invadiu o apartamento de Elinor exigindo saber onde estava Cece. A sogra e os médicos fecharam portas, e Kamryn provocou Elinor publicamente no hospital, roubando a última chance da criança. Elinor não entendia como o marido que jurava amor podia trocar a filha moribunda por outra família, deixando-a sozinha no crematório com apenas um medalhão de cinzas. A injustiça queimava: por que ele escolheu a mentira em vez da própria carne e sangue? Com o medalhão no peito, Elinor ligou para o advogado e exigiu o divórcio imediato, jurando descobrir quem desviou o rim que salvaria Cece e fazer Derick pagar por cada segundo de abandono.

Capítulo 1

"Mamãe, olha."

A voz de Cece era um fio fino, quase inaudível sobre o silvo rítmico do ventilador. Ela apontou um dedo frágil para a televisão montada na parede. Um comercial da Disney World passava na tela - cores vivas, xícaras giratórias, um rato gigante acenando de um castelo.

A garganta de Elinor se apertou, ela forçou os lábios em um sorriso. Ela enfiou a mão na gaveta da mesinha de cabeceira e tirou uma coroa de papel um pouco amassada, do tipo que se ganha em lanchonetes de fast-food. Ela a havia desamassado mais cedo, tentando fazê-la parecer festiva.

"Feliz aniversário, meu bem," disse Elinor, sua voz falhando apenas um pouco. Ela colocou delicadamente a coroa de papel na cabeça de Cece, evitando o emaranhado de tubos intravenosos e fios do monitor. O papel parecia berrante contra o branco estéril dos travesseiros do hospital.

Cece não sorriu. Seus olhos, grandes e fundos em seu rosto pálido, permaneceram fixos na tela. Seus dedos minúsculos e frios encontraram a mão de Elinor e a apertaram com uma força que surpreendeu Elinor.

"Quando o papai vai me levar para ver o Mickey?" Cece sussurrou.

A pergunta atingiu Elinor como um golpe físico no peito. Seus pulmões se recusaram a expandir. Ela olhou para a filha, para a esperança que tremeluzia naqueles olhos cansados, e sentiu o ácido das mentiras queimar o fundo de sua garganta.

"Ele está em uma reunião muito importante agora," disse Elinor, as palavras com gosto de cinzas. "Mas assim que ele terminar, virá direto para cá. Eu prometo."

Cece assentiu lentamente, confiante. "Ele disse que viria."

O monitor acima da cama apitou. Uma vez. Duas. Então o ritmo mudou. Acelerou, um passo frenético e errático que correspondia ao pânico repentino que arranhava o peito de Elinor.

O aperto de Cece no dedo de Elinor se intensificou, depois afrouxou. Seu peito arfou, um som terrível de estertor escapando de seus lábios. Sua pele, já pálida, assumiu um tom azulado ao redor da boca.

"Cece?" Elinor se inclinou. "Cece, olhe para mim!"

O monitor soltou um grito agudo e contínuo. A linha verde que rastreava os batimentos cardíacos de Cece despencou, achatando-se em uma linha irregular e sem esperança.

"Não!" Elinor bateu a mão no botão de chamada. Ela se virou para a porta, sua voz rasgando a garganta. "Socorro! Alguém me ajude!"

A porta se abriu com um estrondo. O Dr. Evan Cole liderava o carrinho de parada, com uma equipe de enfermeiras se aglomerando atrás dele. Eles se moveram com velocidade praticada, empurrando Elinor para o lado. Ela tropeçou, seu quadril batendo na quina afiada do balcão, mas não sentiu. Ela não conseguia sentir nada além do terror congelando seu sangue.

Ela pressionou as mãos contra o vidro frio da janela de observação. Lá dentro, o Dr. Cole estava posicionado sobre o corpo minúsculo de Cece, com as mãos entrelaçadas, bombeando com força o peito dela. A coroa de papel caiu, pisoteada sob o arrastar dos sapatos médicos.

"Vamos," Elinor sussurrou, seu hálito embaçando o vidro. "Vamos, meu bem."

A cena na televisão mudou. Um programa de notícias de entretenimento interrompeu com uma reportagem especial. "Estamos indo ao vivo para o tapete vermelho no Peninsula Hotel," o apresentador anunciou animadamente, "O Sr. Derick reservou a Disneyland inteira para comemorar o aniversário de Kiana!" Flashes de câmeras disparavam como relâmpagos, iluminando o tapete vermelho. Derick entrou em cena, sua figura alta impecável em um smoking feito sob medida. Ele segurava a mão de uma garotinha - Kiana. Kamryn Turner caminhava do outro lado, seu vestido brilhante agarrado às suas curvas, o braço possessivamente entrelaçado no de Derick.

O telefone de Elinor vibrou em seu bolso. Ela o pegou com as mãos trêmulas. Era uma mensagem de texto do assistente de Derick, enviada uma hora atrás: O Sr. Grant não está disponível.

Dentro do quarto, o Dr. Cole parou. Ele olhou para a enfermeira. Ela balançou a cabeça negativamente. Ele olhou para Cece, seus ombros caindo um pouco. Ele recuou, tirando as luvas.

Ele pegou o lençol branco.

"Não," Elinor sussurrou. Ela bateu no vidro. "Não! Não se atreva!"

O lençol pousou sobre o rosto de Cece, escondendo a coroa de papel no chão.

Um som rasgou a garganta de Elinor - não um grito, mas algo animalesco, um lamento que ecoou pelo corredor vazio. Ela bateu com as palmas das mãos no vidro até latejarem, mas a barreira resistiu.

A porta se abriu. O Dr. Cole saiu, seu rosto uma máscara de pesar profissional. "Sinto muito, Sra. Grant. Fizemos tudo o que podíamos."

Os joelhos de Elinor cederam. Ela caiu no chão de linóleo, o impacto sacudindo seus ossos. Ela não conseguia respirar. O ar havia sumido, sugado para fora do universo, deixando apenas um vácuo onde seu coração costumava estar.

Uma maca passou por ela no corredor. Na tela da televisão acima do posto de enfermagem, Derick se inclinou e deu um beijo suave na testa de Kiana Turner.

Inúmeros fogos de artifício brilhantes explodiram no ar à distância, do lado de fora da janela, seguidos por uma linha de palavras que apareceu no céu noturno--

Feliz aniversário para a nossa Kiana!

Elinor olhou fixamente para a tela. Suas mãos se fecharam em punhos, as unhas cravando tão fundo em suas palmas que ela sentiu o calor úmido do sangue. A dor estava lá, vasta e esmagadora, mas algo mais estava surgindo por baixo dela. Algo mais frio. Mais afiado.

Um capelão do hospital se aproximou, seus passos hesitantes. "Sra. Grant? Já fez os arranjos? Quer esperar por seu marido?"

"Não," disse Elinor. Sua voz estava rouca, esfolada, mas firme. Ela se levantou do chão. "Sem espera. Quero que ela seja cremada. Agora."

O capelão piscou. "Normalmente as famílias levam um tempo-"

"Eu disse agora." Os olhos de Elinor estavam secos, ardendo. "Não vou deixar que ele toque nela."

Algumas horas depois, ela estava no porão do crematório. O ar estava denso com o calor e o cheiro de fumaça industrial. Milo, o atendente, empurrou a maca de aço inoxidável em direção ao forno crematório.

"Senhora, você precisa confirmar," disse Milo gentilmente.

Elinor deu um passo à frente. Ela colocou o coelho de pelúcia favorito de Cece - uma coisa gasta e cinza, sem um olho - sobre o lençol, bem acima de onde estaria o peito de Cece.

"Eu te amo," Elinor sussurrou. "Sinto muito."

Milo apertou o botão. A porta pesada se abriu, revelando as chamas alaranjadas e rugidoras. A maca rolou para dentro. A porta se fechou com um clangor metálico final.

Elinor ficou ali, olhando para a porta fechada, até que o calor se tornou insuportável, até sentir sua própria pele enrijecer. Ela não se moveu até que Milo voltou, segurando uma caixa pequena, pesada e selada.

"As cinzas," ele disse suavemente. "Sinto muito pela sua perda."

Elinor pegou a caixa. Ainda estava quente do processo. Ela a apertou contra o peito, os cantos afiados cravando em suas costelas. Parecia impossivelmente pequena. Enquanto saía do hospital, ela já estava discando o número do joalheiro mais exclusivo da cidade, sua voz um sussurro frio e preciso enquanto encomendava um medalhão de prata personalizado, grande o suficiente para conter o pó precioso. Seria sua armadura. Seria sua arma.

Ela saiu pelas portas do hospital. O céu havia se aberto, despejando lençóis de chuva fria na calçada. A água encharcou suas roupas em segundos, gelando-a até os ossos, mas ela não se encolheu. Ela parou nos degraus, a caixa apertada contra o peito, e olhou para trás, para as janelas brilhantes do hospital.

A dor ainda estava lá, mas havia se cristalizado. Não era mais algo suave e dolorido. Era uma lâmina.

Ela pegou o telefone, seus dedos escorregando na tela molhada. Discou um número de memória.

"Vance & Associates," uma voz nítida atendeu.

"Aqui é Elinor Grant," ela disse, a chuva lavando as lágrimas de seu rosto. "Quero entrar com o pedido de divórcio. Hoje."

Capítulo 2

A cobertura estava silenciosa demais.

Derick empurrou a pesada porta de carvalho, o gosto rançoso de uísque cobrindo sua língua. Ele tirou o paletó e o jogou na direção do mordomo, errando as mãos estendidas do homem por uns trinta centímetros. Ele não se deu ao trabalho de pedir desculpas. Um sorriso pairava em seus lábios - o resquício da gala da noite anterior, o flash das câmeras, o jeito que Kamryn o olhara.

Ele enfiou a mão no bolso e tirou um cacho de balões prateados metálicos, os que ele havia pegado da festa pós-evento. Eles batiam no teto enquanto ele caminhava pelo corredor.

"Cece?", ele chamou, com a voz leve. "O papai chegou. Trouxe uma coisa para você."

Ele parou do lado de fora da porta do quarto dela. Estava fechada. Incomum. Cece sempre a deixava aberta, o som de seus desenhos animados ecoando pelo corredor.

Ele a empurrou para abrir.

A cama estava feita. Impecável. Os lençóis estavam bem esticados, os travesseiros afofados. O equipamento médico - o tanque de oxigênio, o oxímetro de pulso - havia sumido. O quarto cheirava a antisséptico e a vazio.

O sorriso de Derick vacilou. Os balões desceram, roçando em seu ombro. Ele se virou e caminhou em direção à sala de estar.

Elinor estava sentada no sofá. Ela ainda usava as mesmas roupas de ontem, uma blusa amassada e calças escuras. Suas mãos estavam juntas no colo, os dedos entrelaçados em volta de um medalhão de prata. Ela ergueu o olhar quando ele entrou.

Não havia expressão em seu rosto. Seus olhos estavam vazios, vítreos, como a superfície de um lago morto.

"Onde ela está?", Derick perguntou. Ele tentou manter o tom casual, mas um fio de inquietação se enroscou em seu peito. "Onde está a Cece?"

Elinor o encarou. Ela o olhou como se ele fosse um estranho que tivesse entrado no apartamento errado.

"A Cece está morta", disse ela.

As palavras pairaram no ar, afiadas e brutais.

Derick congelou. Seus dedos se afrouxaram. Um dos balões escapou de sua mão, flutuou em direção a uma mesa de canto e bateu em um abajur de latão. A ponta de metal afiada da fita do balão prendeu na superfície.

Pop.

O som foi ensurdecedor no silêncio. Derick se encolheu. Os balões restantes penderam em sua mão.

"O que você disse?", ele perguntou, sua voz baixando para um tom perigosamente grave.

"Você me ouviu", disse Elinor. Sua voz era monótona, desprovida da histeria que ele esperava.

A mente de Derick rejeitou as palavras. Eram impossíveis. Absurdas. Aquilo era Elinor jogando um de seus joguinhos, punindo-o por ter ficado fora, por ter levado Kamryn à gala.

"Você está mentindo", ele rosnou, dando um passo em direção a ela. "Está fazendo joguinhos de novo? Assim como fez cinco anos atrás no evento de arrecadação de fundos? Você faz qualquer coisa por atenção, não é? Está sendo ridícula porque eu não atendi suas ligações."

"Não estou mentindo", disse Elinor. Um fantasma de sorriso tocou seus lábios, uma coisa terrível e vazia. "Ela morreu esperando o papai levá-la para ver o Mickey."

Derick avançou. Ele atravessou a sala em duas passadas largas e agarrou Elinor pelos ombros, seus dedos cravando nas clavículas dela. Ele a sacudiu uma vez, com força.

"Pare com isso!", ele gritou. "Isso é doentio, Elinor. Até para você. Onde ela está? Você a mandou para a casa da sua mãe?"

Elinor não lutou contra ele. Não gritou. Apenas deixou que ele a segurasse, seu corpo mole em seu aperto.

"Eu quero vê-la!" Derick a soltou com uma mão, procurando desajeitadamente pelo celular. Ele rolou a tela até o número do Dr. Cole.

"Você não pode", disse Elinor. "Ela foi cremada."

Derick parou. Ele a encarou, o celular esquecido em sua mão. "O quê?"

"As cinzas estão bem aqui." Elinor ergueu o medalhão. Ele balançou em sua corrente, capturando a luz da manhã.

Derick encarou a pequena joia. Uma onda de repulsa e incredulidade o inundou. Isso era ir longe demais. Mesmo para Elinor, era uma mentira perversa e manipuladora.

"Você a está escondendo", disse ele, a voz tremendo de raiva. "Está usando-a para se vingar de mim. Acha que isso tem graça?"

Antes que Elinor pudesse responder, o celular de Derick tocou. A tela se iluminou com uma foto de Kamryn, seu rosto radiante e sorridente.

Derick olhou para o celular, depois para Elinor. A expressão de Elinor não mudou. Ela apenas ficou sentada ali, segurando o medalhão, com aquele olhar vazio.

Ele atendeu a chamada. "Kamryn?"

"Derick", Kamryn soluçou do outro lado da linha. "Sinto muito por incomodá-lo, mas a Kiana está com uma febre terrível. Ela está queimando. Não sei o que fazer. Preciso de você."

Derick olhou para o balão em sua mão, depois para a mulher sentada no sofá. A escolha foi instantânea. A realidade de uma criança doente contra a mentira teatral de uma esposa amargurada.

"Se você vai continuar com essa piada doentia", disse Derick, enfiando o celular no bolso, "não tenho tempo para isso."

Ele virou nos calcanhares e caminhou a passos largos em direção à porta.

"Os papéis do divórcio serão enviados para o seu escritório", disse Elinor para as costas dele.

Derick parou, a mão na maçaneta. Ele não se virou. Abriu a porta com um puxão e a bateu atrás de si, o som reverberando pelo apartamento vazio.

Elinor ficou sentada, sozinha. O silêncio retornou, mais pesado do que antes. A dormência que a protegia se partiu, e a dor a atingiu como um maremoto. Ela se curvou, um soluço rasgando sua garganta, cru e feio.

Ela apertou o medalhão até as bordas de metal cortarem sua palma. Ela não iria desmoronar. Não podia se dar ao luxo de desmoronar. Ainda não.

Ela pegou o celular na mesa de centro. Suas mãos tremiam enquanto digitava na barra de pesquisa: Detetives particulares Nova York. Erro médico.

Capítulo 3

"Eu tenho o direito legal a esses registros."

Elinor se inclinou sobre o balcão do escritório da administração do hospital, os nós dos dedos brancos contra a superfície laminada.

A administradora, uma mulher de cabelos grisalhos e postura rígida, não piscou. "Sra. Grant, eu já expliquei isso. A Lei de Privacidade HIPAA nos proíbe de divulgar dados de alocação de pacientes a indivíduos não autorizados. Mesmo para familiares do falecido."

"Eu sou a mãe dela", disse Elinor, com a voz se elevando. "E um rim de doador foi desviado da minha filha. Eu quero saber quem autorizou isso."

A expressão da mulher permaneceu impassível. "Se você tem uma queixa legal, precisa enviar o formulário 104-B para o departamento de conformidade. Segurança!"

Dois homens grandes em uniformes escuros deram um passo à frente, posicionando-se atrás de Elinor. Um deles gesticulou para a porta. "Senhora, está na hora de ir."

Elinor queria gritar. Queria estender a mão sobre a mesa e arrancar a presunção do rosto da mulher. Mas ela sabia que era inútil. O sistema foi construído para manter pessoas como ela do lado de fora.

Ela se virou e saiu para o corredor, seus saltos estalando contra o linóleo. Sentiu o medalhão balançar contra o peito a cada passo, um lembrete frio do porquê estava ali.

Ela quase colidiu com o Dr. Evan Cole.

Ele andava rapidamente, de cabeça baixa, com um tablet apertado contra o peito. Ele ergueu o olhar, a viu e congelou.

"Dr. Cole", disse Elinor, entrando em seu caminho. "Por que a cirurgia da Cece foi cancelada?"

Os olhos de Cole dispararam para a esquerda e para a direita, procurando uma rota de fuga. "Sra. Grant, sinto muito pela sua perda. Mas não posso discutir o cuidado de pacientes no corredor."

"Foi o comitê de transplantes?", Elinor insistiu, aproximando-se. "Outra pessoa pegou o rim dela?"

O rosto de Cole perdeu a cor. Ele deu um passo para trás, quase tropeçando nos próprios pés. "O comitê toma decisões com base na urgência médica e na compatibilidade. É tudo o que posso dizer."

"A Kamryn Turner pegou?", Elinor exigiu. "Ela usou as conexões dela para furar a fila?"

"Eu não sei do que você está falando", gaguejou Cole. Ele a contornou, começando a quase correr pelo corredor.

"Me diga!", Elinor correu atrás dele, mas ele desapareceu por um conjunto de portas restritas, a fechadura se trancando atrás dele.

Elinor ficou ali, respirando com dificuldade, os punhos cerrados ao lado do corpo. A raiva era uma coisa viva dentro dela, arranhando para sair. Ela se afastou das portas e caminhou em direção ao saguão principal.

Parou abruptamente.

O saguão estava claro, cheio com o sol da tarde que entrava pelas paredes de vidro. Na área de assentos central, Derick estava sentado em um sofá de pelúcia. Ele segurava a mão de uma garotinha - Kiana. Kamryn estava ao seu lado, o corpo inclinado em direção a ele, a mão dela repousando em sua coxa.

Kiana segurava um balão vermelho vivo. Ela estava rindo, as bochechas rosadas, os olhos brilhantes. Parecia saudável. Vibrante. Viva.

O estômago de Elinor revirou. O contraste foi uma agressão física. Cece em sua cama de hospital, azul e ofegante, contra esta criança, sentada onde Derick podia vê-la, tocá-la.

Kamryn ergueu o olhar. Seus olhos encontraram os de Elinor do outro lado da sala. Um sorriso lento e cruel se espalhou por seu rosto. Ela se inclinou para perto de Kiana, sua voz se projetando pelo saguão silencioso.

"Olha, querida", disse Kamryn, alto o suficiente para Elinor ouvir. "Aquela mulher louca está aqui de novo."

A cabeça de Derick se ergueu bruscamente. Seu olhar se fixou em Elinor. O calor em seus olhos de um momento atrás desapareceu, substituído por um olhar duro e de aviso.

Elinor caminhou em direção a eles. Suas pernas pareciam de chumbo, mas sua raiva a impulsionava para frente. Ela parou a alguns metros de distância, seus olhos queimando em Kamryn.

Kamryn se encolheu, pressionando-se contra o lado de Derick. "Derick, por favor. Ela está me assustando."

"Fique longe de nós, Elinor", disse Derick, sua voz baixa e perigosa. "Não faça uma cena."

"Você pegou?", perguntou Elinor, ignorando-o, seu foco totalmente em Kamryn. "Você roubou a chance da minha filha de viver?"

O rosto de Kamryn se contorceu em uma máscara de inocência ferida. "Eu não sei do que você está falando! Por que está fazendo isso?"

"Ela é sanguinária", rosnou Derick, levantando-se. Ele se posicionou entre Elinor e Kamryn, um escudo humano. "Você está atacando uma mulher inocente porque está amargurada."

"Inocente?", Elinor soltou uma risada áspera. "Ela não é sua família, Derick. Ela é uma mentirosa."

"Ela é mais família do que você jamais foi", Derick retrucou.

As palavras atingiram Elinor como um tapa. A frieza que se instalara em seu peito desde o crematório se espalhou, congelando suas veias.

Algumas enfermeiras e visitantes haviam parado, observando o confronto com curiosidade aberta. Sussurros se espalharam pelo saguão.

Kamryn espiou por cima do ombro de Derick. Ela olhou diretamente para Elinor e articulou duas palavras: Você perdeu.

A raiva explodiu. Elinor avançou, o braço se erguendo, um dedo apontando para o rosto de Kamryn. "Você roubou dela! Você a deixou morrer!"

Derick se moveu mais rápido do que ela esperava. Ele agarrou o pulso de Elinor antes que ela pudesse alcançar Kamryn, seus dedos se fechando ao redor do osso como uma morsa.

"Não toque nela", rosnou Derick.

A dor disparou pelo braço de Elinor. Seu aperto era forte, esmagador. Ela olhou para a mão dele com os nós dos dedos brancos, depois para o rosto dele. Não havia amor ali. Nenhuma preocupação. Apenas fúria e possessão.

Ela tentou puxar o braço de volta, mas ele o segurou com força, seus dedos cravando em sua pele, deixando marcas vermelhas e irritadas.

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