Enrico olhou Antonella, sua prima loira e linda, adormecida em sua cama, então acendeu um cigarro. Pensou na primeira vez que dormiu com aquela beldade, logo que chegou na Itália, dez anos atrás. Antonella era um ano mais velha do que ele, já estava em idade de se casar, mas negava todos os pretendentes, desde os 18 anos.
A primeira tarefa como chefe de família de Enrico, era convencer Antonella a aceitar fazer uma aliança vantajosa para a família. Enrico riu disso e mandou chamar a prima, imaginando que fosse uma moça sem atributos que precisaria ser casada para ser respeitada. Quando Antonella, com 21 anos entrou em seu escritório, com um vestido longo vermelho, com uma fenda até o quadril, mostrando que estava sem calcinha, um decote vantajoso com bojo e alcinhas finas, mostrando que também estava sem sutiã, com tudo isso cobrindo um lindo corpo bem avantajado, deixando a prima sexy sem vulgaridade, Enrico tentou disfarçar a ereção, se lembrando das palavras do pai, antes de ele viajar para a Itália:
- Lá não é Brasil, Enrico. As mulheres da máfia tem que ser respeitadas. Se você tirar a virgindade de uma delas, vai ter que se casar ou será morto pela honra da menina.
- Que idiotice!
- Também acho uma idiotice, Enrico. Mas não é como aqui, que você vai em uma noitada, transa com uma mulher e vai embora sem nem dar seu telefone ou saber o nome verdadeiro dela.
Quando questionei os motivos da prima não querer aceitar nenhuma aliança:
- Você. Vou me casar com você. Faça a proposta e verá a mágica acontecer.
- Está doida, Antonella? Somos primos e a regra é clara para parentes próximos em primeiro grau.
- Mas somos de segundo grau, tolinho.
- Mas esqueça. Eu não vou me casar.
- Ah, você vai! Espere e verá, em breve vão começar a te pressionar para produzir o herdeiro.
- Já estão me pressionando, Antonella. Mas eu sou o capô, eu faço as leis. E só vou me casar quando eu quiser e se quiser!
Depois daquela reunião, Antonella passou a me cercar. Aquela diaba estava quase conseguindo me fazer pegar ela! Mas eu fui mais esperto. Enquanto planejava derrubar a lei da virgindade para as noivas da máfia, ia dormindo com mulheres de programa.
Depois da lei derrubada, enfim me enterrei naquela prima gostosa, que estava quase me fazendo pirar. Depois da primeira vez, a gente sempre se encontrava. Escondido, claro. Eu não queria ter tios raivosos tentando me depôr. As outras famílias já estavam dando o que tinham para me fazer desistir de ser capo, imagina quando descobrissem que eu estava dando motivos?
Deixei bem claro para Antonella que não iria me casar, principalmente quando, três anos depois, consegui quebrar a lei do relacionamento entre parentes! Eu levei quase uma vida pra mostrar para esses idiotas que era muito mais inteligente deixar os apaixonados se casarem e manter o poder dentro da família, do que entregar nossas preciosas para alguém que poderia maltratar elas ou nos trair.
Mas Antonella acreditou que eu tomei essa atitude para poder assumi- la, começou a ficar exigente e eu parei de dormir com ela por um tempo, conheci outras garotas e ela sempre ameaçava as outras mulheres. Para me impor, lhe arranjei um casamento. Ela me implorou pra não casar ela, pois ela sabia que a gente nunca mais poderia dormir juntos, já que o adultério era condenável dentro da máfia, para homens e mulheres. Uma das regras que eu mantenho até hoje, me lembrando que eu sou fruto de um adultério e não gostando nenhum pouco do que meu pai fez com minha tia Amélia.
Mas a aliança já estava formada e Antonella prometida, ela me jurou que o casamento não ia ser consumado e ela seria devolvida. Eu sabia que ela não iria fazer algo nesse sentido. Ia destruir a reputação dela e da família inteira!
E como previ, Antonella foi uma lady durante o noivado, mostrando seus atributos e ser uma noiva que qualquer um desejaria. Foi extremamente acolhida pela família do noivo, fez a sogra se apaixonar perdidamente por ela durante o noivado, eram amigas íntimas, assim como minha nona e bisnona. Fiquei admirado do comportamento dela e até com um pouco de ciúmes, mas o que estava feito, estava feito.
No dia da cerimônia, depois de casados, Antonella contou ao marido que não era mais virgem, e na festa, perante todos os familiares e as outras famílias, o noivo armou um escândalo, humilhando Antonella e questionando minha decisão.Tive que matar ele ali mesmo para mostrar quem é que manda. Resultado? Antonella era viúva, não tinha mais obrigação de se casar com ninguém se não quisesse, acolhida pela família do defunto, dona da mansão que ele preparou para eles e herdeira da família dele. Os irmãos eram crianças ainda e ela ajudava a sogra com eles, que culpavam o que aconteceu com o filho apenas ao seu temperamento, e não a minha adorável prima.
Sorri com essa lembrança quando a endiabrada se mexeu ao meu lado:
- Caramba, Enrico. Já te falei pra não fumar perto de mim! Além de você estar se matando, ainda deixa um cheiro horrível no cabelo!
- Larga de ser chata e vem aqui dar uma mamada.
- Nossa, você deu duas sem tirar de dentro, ainda não está satisfeito?
- Não, de você nunca!
Antonella sorriu e abocanhou o meninão, que logo acordou ao toque experiente dela. Apaguei o cigarro e fechei meus olhos, mas a porra do telefone tocou e era Alessa, minha melhor amiga brasileira. Fiz Antonella parar, ela olhou feio pra mim, se enrolou no lençol e foi pro banheiro, e eu atendi a chamada de vídeo, vendo Aisha e Paulo Henrique na tela:
- Vamos nos casar e queremos que você seja nosso padrinho!
Puta que pariu, eu teria que voltar ao Brasil?
ENRICO
Antonella estava muito zangada na reunião de família da minha despedida! Claro que eu não poderia me recusar a aceitar ir para o Brasil ser testemunha do casamento de Alessa e Paulo Henrique! Eles estavam juntos desde que a menina tinha 12 anos. Nos conhecemos quando ela tinha 14 e ele 16, ficamos amigos inseparáveis. Eu no Brasil e eles nos Estados Unidos. Quando eles vieram para o Brasil, eu tinha 15 anos e Alessa quem descobriu que eu era o herdeiro da Máfia. Começou o meu treinamento de defesa, e depois para ser capo. Naomi não aceitava de jeito nenhum isso, mas sabia que depois que eu fizesse 18, assumiria. As outras famílias estavam irritadas com a minha posse, mas eu vim pra Itália, resolvi algumas coisas, fui batizado e meu tio Fabrizio continuou sendo meu interino.
Nesses dez anos, muitas coisas aconteceram, mas eu não consegui mais visitar minha irmã. Meu pai Lorenzo, Alessa e Paulo Henrique vieram me ver algumas vezes, mas Bianca, nunca! Sentia falta dela, e ela me botava medo ainda, mesmo com 30 anos nas costas e sendo o capo ruim que não se preocupa em esmagar qualquer um que desafia minha autoridade.
Naquela reunião, estava alinhando tudo para que Fabrizio voltasse a ser meu interino, e a família estava em polvorosa com minha partida:
- Não é inteligente, Enrico! Estou velho, não presto mais para assumir seu cargo. E, meu filho, você precisa providenciar seu herdeiro, urgente! Ou daqui a pouco o conselho se manifesta para te depor!
Eu sabia que meu tempo de solteiro convicto estava se findando. Eu era de longe o melhor capo dos Sabatini e da Itália, com minha gestão ultrapassando até meu bisnono Giácomo, que foi quem elevou nosso nome para esse patamar, de família mais importante. Mas minha posição era passada de pai para filho e eu já tinha que estar com o bacuri correndo e treinando, mas protelei até onde quis e sabia que se eu fosse deposto, minha família seria extinta, porque Bianca e eu éramos os únicos herdeiros diretos de Giácomo Sabattini. E Bianca nem me perdoava por ter me envolvido com aquilo, jamais permitiria treinamento para Gabriel, que agora tinha 18 anos, ou Pietro, gêmeo da Elisa com 10!
- Quando voltar, vou resolver isso, tio. Não se preocupe. Quem sabe até não volto casado do Brasil e com o próximo capo encaminhado?
- Pretende engravidar a ninfeta que vai ser sua acompanhante?
- Isso não é de sua conta, Antonella! Eu acho que você deveria começar a se preocupar com sua vida, porque seu reloginho biológico ja está gritando tic-tac em nossos ouvidos e você vai acabar perdendo sua chance de ser mãe. E seus cunhados já são adultos agora, se resolvem parar de te sustentar porque você ficou duas horas casada com o irmão deles, eles estão no direito!
Antonella me fulminou com o olhar, como sempre fazia quando eu deixava bem claro perante a família que não ia assumir ela.
Deixei tudo alinhado e fui no avião pensando como realmente me estressei de saber que ia fazer par com uma das filhas de Thalles, de 19 anos. E era tudo o que eu sabia da ragazza, além de que ela era negra, e isso eu só sabia porque Thales adotou cinco crianças, todas pretas!
Quando cheguei no Brasil, avisei Bianca, como ela exigiu, e ela foi me buscar no aeroporto. Mafioso não pode ter rotina não, pra não acabar com a boca formigando. Então eu viajei pro Brasil um dia antes do que tinha avisado meus amigos e Bianca deu uma de maluca e arrumou uma viagem. E quando me abraçou, antes de eu entrar no carro dela, me senti aquele menino magrelo de vinte anos que saiu do Brasil emocionado!
Fui obrigada a sair da minha zona de conforto com o casamento de Aisha. Meu nome é Bianca Duprat, tenho 44 anos, sou casada com Gustavo Namioto e temos três filhos nossos, com idades bem diferentes e gerados de forma diferente também. Quando fiquei grávida de Gabriel, que agora tem 18 anos, Gustavo tinha uma filha de onze anos, Alessa, com uma mulher horrorosa chamada Sirlene. Eu sabia da filha, mas não da mulher. Fugi, sem saber que estava grávida, voltei mais poderosa com a intenção de destruir Gustavo.
Tudo aconteceu muito diferente do que previ, e 5 anos depois que voltei, nos casamos a primeira vez, Gabriel tinha 7 anos. Depois do casamento, decidimos ter outro filho com barriga de aluguel, e ela teve os gêmeos Elisa e Pietro. Meu primo e melhor amigo, vivia uma relação homoafetiva com Augusto e eles adotaram a primeira filha, Camille. E como eu estava envolvida em vários projetos sociais relacionados a adoção, comecei a encontrar novas crianças pra eles. No final tinham adotado 4 e não queriam mais.
Mas, um caso chegou pra mim, e eu precisava arrumar um lar para Selena, que já tinha 9 anos! E esse caso me chegou, não pelos projetos sociais que eu tinha, mas por minhas ações perigosas e secretas referentes a máfia!
Eu tinha começado há pouco tempo, sempre fazendo a pose de durona que não queria saber dos negócios escusos de minha família. Meu irmão Enrico, 14 anos mais novo do que eu, fruto de uma traição de meu pai, adorava aquela vida e tinha ido embora pra Itália, assumir seu lugar de direito como capo da família Sabattini. Ele não poderia nem sonhar que eu estava envolvida com algumas coisas da máfia mundial. Não para ter lucros, mas para ajudar pessoas e vítimas, sempre monitorando a gestão de Enrico.
Descobri muitas coisas sobre o submundo durante meus projetos. E tinha um orgulho danado do meu irmãozinho, que era justo e correto. Implacável, sim, mas correto. Ele jamais faria ou permitiria fazer com ninguém o que fizeram com a família de Selena.
Santz, uma angolana linda toda vida, foi vendida para um brasileiro produtor de algodão. Ela tinha a pele tão preta que chegava a brilhar. Quando ela chegou no Brasil, a intenção era ser só mais uma escrava em pleno século XXI.
Eu estava mexendo em vespeiro me metendo com essa gente, investigando todas as ações de tráfico de pessoas, mas sempre tinha em mente de que se me metesse em problemas, podia chamar Enrico pra resolver!
Mas Santz era tão linda, que o senhorio começou a abusar dela. Com violência e maus tratos. Ela foi espancada duas vezes até abortar, e um funcionário da fazenda que se apaixonou por ela, a ajudou a fugir. A partir daí, os dois começaram a viver o inferno. Quando Selena tinha 8 anos, o pai foi assassinado em sua frente e Santz recuperada. Menos de seis meses depois, ela já tinha feito um grande motim na fazenda, ajudado um monte de outros traficados a fugirem e matou o produtor de algodão quando ele tentou abusar dela de novo. Foi nessas condições que Santz chegou para meu escritório de advocacia. Consegui colocar ela e Selena sobre proteção, mas a máfia Argentina conseguiu localizar as duas, antes que Santz pudesse falar o que sabia e como íamos encontrar os traficantes de pessoas.
Conseguimos resgatar Selena e eu não poderia deixar ela cair no sistema, para não ser morta pelos malditos traficantes. Augusto quem convenceu Thales a aceitar a menina muda. Eles a adotaram e não tivemos mais problemas com ninguém a perseguindo. E eu monitorei muito de perto por quase um ano, quando Thales me chamou, dizendo que a filha não era muda, e estava chamando aquela moça loira que a salvou!
Quando fui, ela pediu pra ficar sozinha comigo e me contou todos os horrores que a família dela passou, tudo o que ela tinha ouvido e me entregou o tesouro dela.
Desde que a resgatamos, Selena tinha uma bolsinha encardida que não soltava por nada e não deixava ninguém tirar dela. A psicóloga ensinou ela a chamar de tesouro e orientou ninguém mais tentar tirar dela, que no momento oportuno, ela se sentiria confortável para dividir o tesouro dela com alguém.
- Você quer que eu veja seu tesouro, Selena?
- Não. Estou dando ele pra você.
- Pra mim? Porque?
- Tia, antes de meu pai morrer, ele me deu essa bolsinha, disse que eu não entenderia o que tinha dentro, mas nas mãos das pessoas certas, ia ajudar muitas famílias a não passarem mais pelo que a gente tava passando. Muitas vezes ele me fez ensaiar dizer isso. Quando eu perguntava pra quem eu ia dizer, ele me ensinava que teria que ser pra alguém que eu confiasse muito.
- E como você conseguiu guardar esse tesouro por tanto tempo, Selena?
- Na força do ódio, tia. Depois que meu pai foi morto, aqueles malditos mafiosos pegaram a minha mãe.
- Mafiosos? Onde você aprendeu essa palavra?
- Meu pai e minha mãe me ensinaram tudo. Eles disseram que eu seria a salvação da humanidade se aprendesse a falar tudo que eu tinha pra contar direitinho e guardasse o tesouro até o momento certo!
- E quando você brincava e se divertia, Selena?
- Nunca. Eu não posso descansar, tia Bia.
Aquilo me partiu o coração, mas não era nada perto do que Selena ainda tinha pra me contar. O relato dela me impactou de tal maneira, que eu fiquei semanas depois daquilo paralisada, só querendo abraçar meus filhos com toda a força e chorar:
- Quando pegaram minha mãe, ela estava grávida. Eu não consegui salvar meu irmãozinho, eles bateram muito nela e saiu sangue pelas pernas. Mas consegui negociar com eles a vida dela, e eu quem deu a idéia de ela voltar pra fazenda de onde meu pai tirou. Que eles podiam vender ela de novo para o mesmo dono.
- De onde você tirou essa idéia, Selena?
- Meu pai disse que eles precisavam de um jeito de voltar para a fazenda, porque tinha mais coisa pra colocar na minha bolsinha do tesouro.
- E com o que você negociou, Selena?
- Eles colocaram o piu piu em mim, tia. Em muitos lugares. Doeu muito, mas eu tinha que ser forte! Eu odeio a máfia, tia. Eu odeio mafiosos.
Dentro da bolsinha do tesouro de Selena, tinha mapas, nomes, locais, provas suficientes para eu desmembrar toda a organização de tráfico humano. Resgatamos mais de 300 pessoas traficadas da Angola, desmantelamos 9 locais com escravidão no Brasil e passamos muito tempo com pessoas sendo "devolvidas" em algum lugar para não cair o esquema deles. Selena nunca falou essas coisas com ninguém, é o nosso segredinho, embora também nunca mais falou comigo sobre esse assunto. Ela cresceu, ficou linda como a mãe. É a mais protegida de Thales dentre os cinco, apesar de que ele é apaixonado pelos filhos. Ela não era traumatizada, encontrou muito amor na família do primo, mas eu sempre vi ela torcendo o nariz quando alguém falava de Enrico, o amigo mafioso. Um dia, há uns três anos, ouvi Selena falando para Alessa:
- Não existe mafioso bom ou legal! Eles estupram crianças, dizimam famílias, traficam pessoas. Se o seu amigo é mafioso, ele só é legal com você, mas tem muita menina chorando por causa dele!
Depois dessa conversa, eu queria entender onde Alessa achou que chamar Enrico e Selena para seus padrinhos de casamento juntos, seria uma boa idéia?