Magie
- Mãe você tem certeza que é o único jeito? - a questionei olhando seu reflexo no espelho enquanto ela continuava a fazer o penteado no meu cabelo.
Meu coração se afundava em saber o motivo dela estar toda cuidadosa e me enfeitando daquela maneira, minha mãe só estava me arrumando para que eu conhecesse meu futuro marido, o homem que iria pagar as nossas dividas, o homem que ia colocar dinheiro na conta do meu pai para que não perdêssemos a mansão e declarássemos falência de vez.
Mas a que custo? Eu estava indo me casar com um homem mais velho do que eu e que eu nunca vi pessoalmente. As únicas vezes que vi Charles foram em fotos de eventos sociais e nada mais.
- Querida, já conversamos sobre isso. - ela nunca usava palavras doces comigo, eu sabia que isso era um teatro, um que ela tinha começado desde o momento que aquele homem demonstrou interesse por mim. - Pare pra pensar na parte boa de tudo isso, você vai ter um marido que vai cuidar de você e te dar tudo o que quiser, um marido muito rico.
Meu estômago se revirou ao pensar que era só com o dinheiro que ela se importava, minha própria mãe não ligava de jogar a filha que acabou de fazer dezoito anos no colo de um homem de quarenta e nove anos. Ele tem idade para ser meu pai com toda certeza, mas isso não o impediu de dizer que me queria em troca de todo o dinheiro que meu pai precisava, logo eu estaria junto dele, as mãos dele estariam passando por meu corpo me tocando, enquanto ele me reivindicava como sua.
Quando eu pensava nisso me dava uma vontade de vomitar, todo meu corpo estremecia só de pensar que minha primeira vez seria com um velho que eu nunca conheci.
- Está na hora, ele chegou! - meu pai anunciou na porta lançando um olhar avaliador para o meu vestido. - Não demorem.
- Vamos querida, não vamos deixar o seu noivo esperando. - a animação na voz dela só fazia meu coração doer ainda mais.
Mas eu tinha aprendido que chorar não era coisa de uma mulher da nossa classe, nós engolíamos os problemas colocamos um sorriso no rosto e vamos em frente.
E foi exatamente o que eu fiz, quando eu alcancei o primeiro andar ele já estava bebendo e sorrindo com meu pai, mas seus olhos me alcançaram rapidamente.
Ele me olhou como se estivesse prestes a tirar minha roupa ali mesmo e eu senti a bile subir em minha garganta.
- Como está linda! - ele segurou minha mão e eu em um impulso tentei puxar de volta, mas ele segurou com força mostrando que não cederia. - Vamos querida, agora você é minha.
- Mas já? Pensei que fosse ficar e jantar...
- O jantar está preparado em casa, vamos direto pra lá porque tenho outros assuntos mais importantes a resolver. - ele desviou os olhos por meu corpo se concentrando no decote extravagante que minha mãe tinha me obrigado a usar.
Antes que eu pudesse discutir meus pais se despediram, praticamente me colocando para fora. Eles nem ao menos se deram o trabalho de olhar em meu rosto enquanto eu era arrastada para o carro daquele homem. Como pais podiam fazer isso com a própria filha e nem se importar?
Charles me empurrou para o banco de trás do carro sem nenhum cuidado e veio logo atrás, suas mãos já segurando minha cintura e me puxando para junto dele, a boca viscosa grudando em meu pescoço e me babando em seu caminho para os meus seios.
Eu não sabia o que era mais forte, minha repulsa ou vontade de chorar. Ele nem ao menos estava me dando tempo de respirar, então coloquei as mãos em seu ombro tentando afasta-lo a todo custo, mas isso foi ainda pior.
- Escute aqui menina, eu comprei você, paguei muito caro para entrar no meio das suas pernas e é isso o que vou fazer! - ele avisou segurando meu queixo com firmeza e me obrigando a encara-lo. - Você pode fazer isso do jeito fácil ou do jeito difícil, mas no final eu vou conseguir o que eu quero.
Engoli em seco sabendo exatamente o que aquelas palavras queriam dizer, eu podia cooperar ou sofrer nas mãos dele. Então eu fiz o melhor que podia fazer por mim naquela situação, segurei seu rosto e o beijei de volta.
Alejandro
Eu estava terminando de arrumar meu figurino quase pronto para subir no palco, a casa estava cheia e eu estava mais do que feliz com isso, quanto mais mulheres mais dinheiro e com um bebê a caminho eu precisaria de muito.
Eu nunca tinha estado tão feliz como agora, nunca imaginei que duas listrinhas em um teste me deixariam querendo soltar fogos.
Gabriela e eu estávamos namorando há dois anos já, mas ainda não era a hora certa de ter um bebê a caminho, porém isso não me impediu de pular de alegria e comemorar, não só eu, minha família inteira estava feliz com a novidade, com o novo integrante da família a caminho.
- Cara, você não tem ideia da loucura que está lá fora essa noite! - Buck exclamou voltando para o camarim, o suor e as marcas vermelhas na pele me diziam que as mulheres estavam enlouquecidas hoje.
- Ale! Anda que você é o próximo! - Bella, nossa chefe gritou.
- Me deseje sorte. - sorri saindo do camarim e andando pelo corredor que ficava atrás do palco.
Os gritos já estavam enlouquecidos e quando as luzes se apagaram e eu subi no palco o silêncio ansioso tomou a plateia. Assim que a a luz forte em tom vermelho se focou em mim o grito feminino explodiu no lugar novamente.
- TEM ALGUMA MULHER PEGANDO FOGO AQUI HOJE? - o DJ gritou enlouquecendo as mulheres ainda mais. - PORQUE O BOMBEIRO ALEJANDRO VEIO AUMENTAR ESSE FOGO!
A música começou a tocar e eu fiz a minha dança, seduzindo com o olhar e movimentos, descendo do palco e indo até as mulheres na plateia me insinuando, deixando que os movimentos sensuais deixassem mexessem com a imaginação e o corpo delas. Voltei para o palco pronto para o final do número, tirando a calça e forjando um sexo contra o chão antes de ligarem as chamas em volta do palco.
Todas as mulheres estavam gritando, ensandecidas quando eu deixei o palco voltando para o camarim. Mas quando entrei lá não haviam os sorrisos e conversas animadas, todos os meus amigos estavam ali com as expressões sérias, preocupadas me encarando.
- Que porra aconteceu? - perguntei de uma vez, já sabe do que não era algo bom.
- Sua mãe ligou, Gabriela foi levada para o hospital as pressas. - Bella foi quem deu a notícia. - O carro está te esperando, Leo vai te levar.
Meu coração se apertou dentro do peito e eu senti como se me faltasse ar, medo me tomou, medo que algo de ruim tivesse acontecido com ela ou com nosso filho.
Buck empurrou minhas roupas em meus braços, me ajudando a raciocinar e eu corri para fora, deixando para trocar as roupas dentro do carro.
Durante todo o caminho até o hospital meus pensamentos iam para todos os lados, mil e um cenários se criavam em minha mente e aquela sensação sufocante não me deixava.
Quando Leo chegou eu corri para fora sem esperar que ele parasse o carro e fui chamando por ela.
Minha mãe e minhas irmãs estavam na recepção, o choro tomando minha família quase fez com que eu desabasse no chão.
- O que aconteceu? Onde está Gabriela? - perguntei desesperado sacudindo minha única irmã que não parecia estar se derramando.
- Ela está lá dentro, passando por uma cirurgia. - aquilo me deixou ainda com mais medo, mas Carla não usou um tom terno ou preocupado, ela parecia estar com raiva.
- O que aconteceu... O que aconteceu com ela?
- Gabriela tomou um remédio para tirar a criança, mas as coisas deram errado e ela teve uma hemorragia. - foi Elisa quem respondeu, sentada ao lado da minha mãe com o rosário na mão e rezando.
- Não, não, não. Ela não faria isso. Gabriela não... Não seria capaz disso. - repeti várias vezes sentindo minhas forças se acabarem e as pernas falharem, me fazendo cair no chão.
- Aquela vadia devia morrer não o bebê! - Carla rosnou soltando mais um monte de palavrões.
Mas aquilo não podia ser verdade, não podia. Ela não estava totalmente feliz com a notícia, mas nunca tinha me dito que pensava em tirar, nunca tinha trazido o assunto a tona.
- Parentes de Gabriela Cortes! - o médico anunciou e eu me ergui no mesmo instante, desesperado por saber que eles estavam bem, ela e nosso bebê.
- Eu, eu sou o marido dela. - falei mesmo que não fosse a verdade.
- Senhor, conseguimos estabilizar o estado dela, agora a paciente já está fora de perigo. Ela ainda está sedada da anestesia, mas vai acordar em breve.
- E o bebê doutor? Nosso filho, como ele está? - questionei já me sentindo um pouco aliviado por ela estar bem.
O homem olhou em volta, como se procurasse uma forma de me dizer aquilo e eu não pude deixar de odiá-lo por isso, por prolongar minha agonia.
- Eu sinto muito, não conseguimos fazer nada pelo feto. - e novamente eu senti como se tivesse sido atingido por um soco na boca do estômago. - Era uma gravidez muito recente e a quantidade de remédio que ela tomou tornou impossível salvá-lo. A única coisa que podíamos fazer era salvar a mãe e demos o nosso melhor para isso. - eu caí no chão deixando que os sentimentos tomassem o melhor sobre mim. - Queria poder dizer que vocês vão ter outra chance, que ela vai engravidar outra vez, mas infelizmente tivemos que retirar todos os órgãos reprodutores dela, foi o único jeito de parar a hemorragia e estabiliza-la.
Eu ouvi tudo o que ele disse sem conseguir fazer ou falar nada, minha mãe e minhas irmãs discutiam a minha volta, mas eu não prestava atenção em mais nada. Tudo o que eu tinha na cabeça era o desejo de perguntar a Gabriela o porque, porque ela tinha feito isso sem nem me contar. Se esse era o desejo dela eu teria ajudado, pagado um hospital para que ela não corresse nenhum risco, tudo o que eu me importava era com ela. Mas ela não só decidiu tudo sozinha, como quase se matou.
Eu fiquei ali remoendo todos os acontecimentos por tempo de mais, até que fosse chamado para vê-la.
Quando entrei no quarto meu peito se afundou ainda mais, vendo ela cheia de fios e parecendo tão frágil, a pele sempre bronzeado agora estava pálida assim como os lábios.
- Ei linda, como você esta se sentindo? - falei baixo quando cheguei ainda mais perto dela.
- O que está fazendo aqui? - foi a primeira coisa que ela perguntou me chocando.
- Como assim? Você está no hospital e eu estou aqui com você, vou ficar aqui do seu lado.
Gabriela bufou revirando os olhos, como se minha palavras a incomodassem de alguma forma. Mas eu não conseguia entender o motivo, não tínhamos brigado e até eu sair de casa acreditei que tudo estivesse perfeito entre nós. Porque isso agora?
- Você tem que parar de ser assim Ale, de ser tão bom com as pessoas. Não vê que isso está acabando com você? - as palavras dela me deixaram ainda mais confuso. - Não tem um jeito fácil de dizer, então lá vai, eu fiz isso porque não queria um filho com você, não queria ter um filho com uma pessoa pobre.
- O que?
- Nós dois viemos de um lugar pobre, cercado de pessoas do mesmo nível, mas não é o que eu quero pra mim, nunca foi. Só agora me deu conta de que tinha que fazer algo por mim e por um fim nesse ciclo. - Gabriela pegou minha mão, afastando dos seus cabelos, dando dois tapinhas antes de larga-la. - Eu vou embora da cidade, vou atrás dos meus sonhos.
- Do que está falando Gabriela? E nossos planos? Tudo o que sonhamos em fazer desde pequenos?
- Se eu continuar com você e aqui, nunca vou conseguir nada. Está na hora de ser adulto e cair na real Alejandro, aquilo foi coisa de adolescente e já não somos mais. Acabou.
Eu sentia como se estivesse em um maldito pesadelo e que a qualquer momento eu fosse acordar assustado, suado e gritando, mas que ela ia estar do meu lado me acalmando e dizendo que não ia a lugar nenhum.
Mas isso nunca aconteceu, eu tive que crescer como ela disse, mas não deixei meu lado bondoso, nem de acreditar nas pessoas, isso era uma coisa que nunca deixaria e tinha certeza que eu ia encontrar alguém que me amasse assim.
Vi o sol nascer mais uma vez, mesmo que estivesse em um lugar seguro, onde podia descansar e ficar em paz, mas eu não estava conseguindo dormir direito ainda, acordava no meio da noite com um pesadelo e não conseguia dormir mais.
Me levantei não querendo ficar ali remoendo aquilo ou acabaria voltando a pensar naquele monstro que foi meu marido.
Assim que abri a porta do quarto olhei para o corredor procurando por qualquer sinal daquele homem irritante e só sai do quarto quando não o vi por ali.
Alejandro é terrivelmente perturbador em vários sentidos, ele não me deixa em paz, qualquer oportunidade de pegar no meu pé ele é o primeiro a abrir a boca e consigo ver naqueles olhos todo o julgamento dele. Ele não se cansa de me irritar e parece se divertir ainda mais quando vê que estou irritada.
Mas o pior é quando ele banca o cuidadoso e preocupado, não sei como agir com um homem me tratando assim, já é difícil aceitar a bondade da mãe dele, mas um homem é duas vezes pior pra mim.
O barulho das panelas me atrai direto para a cozinha e eu marcho pra lá já sentindo o cheiro do café da Rosa. Mas meu inferno pessoal está bem na minha frente.
O homem está diante do fogão fritando alguma coisa que tem um cheiro muito bom e o pior é que o maldito está usando apenas uma samba canção.
Me encosto no canto da porta aproveitando que ele está ocupado e deixo que meus olhos vaguem pelas costas definidas, a pele bronzeada quase brilhando e se perdendo na samba canção azul, que marca a bunda malhada.
Merda, eu odeio quando ele usa essas coisas, ou aquelas regatas que marcam até os músculos do abdômen malhado dele, parece que quer me provocar totalmente. Mas é estupidez pensar isso já que ele me detesta, todos na verdade me olham de forma estranha e eu sei que mereço isso, já que deixei muita merda acontecer com Sophie enquanto fazia vista grossa para não aumentar meu próprio sofrimento.
Sophie e Rosa parecem ser as únicas que entendem meu lado, e eu sou grata a elas por isso mesmo que eu não mereça. Esse também é o único motivo de eu ainda estar naquela casa, porque depois que eu neguei qualquer ajuda financeira de Sophie, Rosa jurou que me ajudaria a encontrar um recomeço e eu estava adorando aprender a fazer bolos com ela.
- Você planeja ficar a manhã toda aí me olhando, ou vai entrar aqui Barbie? - a voz de Alejandro me despertou no mesmo instante e eu pulei arrumando minha postura e entrando na cozinha de vez.
- Não sei do que está falando, só estava vendo se não ia fazer isso errado. - retruquei mesmo sem saber o que ele estava fazendo e me sentei na cadeira.
No mesmo instante o desgraçado virou colocando um prato de linguiça com ovos na minha frente e me fazendo engolir em seco enquanto eu encarava todo o tamanho que a samba canção deixava evidente de frente.
Droga porque ele tinha que usar aquilo?
- Como se faz ovos e linguiça errado? - ele perguntou ainda parado na minha frente, tornando quase impossível não olhar para outro lugar que não o membro dele desenhado no tecido.
Mas eu pisquei rápido e desviei meus olhos para o rosto dele, antes que o convencido começasse a ter as ideias erradas.
- De você eu não duvido nada, até um copo com água poderia sair errado. - murmurei encarando os olhos azuis ou esverdeados, eu ainda não tinha chegado a uma conclusão de que cor eles realmente eram.
Alejandro ergueu uma das sobrancelhas grossas e forçou uma risada contraindo os músculos do abdômen torneado e atraindo meus olhos diretamente pra lá. Merda! Eu era mesmo muito tonta pra não conseguir me segurar dois minutos antes de olhar pro corpo dele.
- Muito engraçado, logo se vê que não me conhece. - ele deu a volta por trás de mim e eu respirei aliviada por um segundo, antes de sentir a respiração dele na minha nuca. - Se me conhecesse saberia que eu faço tudo uma delícia.
Meu ventre se contorceu e eu prendi a respiração tentando não parecer uma adolescente agitada com um homem bonito por perto.
Mas era como eu me sentia as vezes e a culpa era toda da vida de merda que tive, se tivesse vivido aventuras na minha adolescência não estaria aqui quase babando por um tanquinho.
- Ainda bem que você se ama a ponto de se enganar desse jeito. - falei quando ele finalmente se afastou e eu pude respirar em paz. - Do contrário a única pessoa no mundo que te acharia bom em alguma coisa seria sua mãe.
Me servi já sentindo a fome bater enquanto Alejandro me olhava, com os olhos semicerrados e o corpo encostado no balcão da pia.
- Um dia você vai engolir essas palavras. - ele disse sobre a xícara mantendo os olhos focados em mim.
Eu apenas fiquei quieta, não retruquei dessa vez, porque eu odiava ameaças desse tipo, mesmo que eu não tivesse medo de Alejandro e soubesse que ele jamais faria algo para me machucar, frases daquele tipo me deixavam realmente mal, com a lembrança de um passado tão recente que eu ainda sentia na pele literalmente.
Minha costelas e braços ainda estavam marcados com os machucados da última surra que Charles tinha me dado.
Se eu realmente não precisasse de um lugar para ficar já teria ido embora dessa cidade, nada me prendia aqui e todas as minhas lembranças eram ruins. Mas eu precisava continuar ali ao menos até ter dinheiro suficiente para bancar um lugar só meu.
- Porque ficou calada de repente? - a voz dele soou mais perto e eu ergui meu rosto dando de cara com ele perto de mim.
Agora não tinha um sorriso nos lábios, nem um brilho engraçado nos olhos dele, só havia um vinco entre as sobrancelhas e ele estava terrivelmente sério.
- Bom dia crianças. - a voz da mãe dele me fez piscar rapidamente virando o rosto no mesmo instante para longe do olhar dele. - Aconteceu alguma coisa aqui?
- Não, não aconteceu nada. - respondi rápido antes que Alejandro falasse qualquer outra coisa. - Estava só dizendo pro seu filho como ele faz tudo errado e deixou os ovos queimarem.
Rosa gargalhou quando o filhou começou a me retrucar, mesmo que os olhos dele dissessem que não tinha esquecido que eu devia uma resposta, ele continuou com a provocação deixando o clima se aliviar novamente.
- Vocês dois, tem que parar com tanta implicância ou vão acabar casados. - ela afirmou arrancando risadas de nós dois.
- Ahh claro, como se eu fosse me apaixonar por uma Barbiezinha mimada. - Alejandro falou alto já na porta pronto para sair da cozinha.
- E como se eu fosse querer alguma coisa com um bronco feito você! - gritei de volta enquanto ele sumia das minhas vistas. - Um casamento pra mim já foi trauma o suficiente pra uma vida toda.
Rosa se sentou na minha frente com uma caneta cheia de café e começou a bebericar aos poucos como fazia todos os dias, a mulher tinha o dom de passar uma calma em tudo o que ela fazia e eu a invejava por isso.
- Não pode achar que todos os homens são ruins, filha. Te garanto que você ainda vai encontrar alguém que te ame e cuide de você como a coisa mais importante.
Eu queria acreditar nisso, mas não me achava mais digna de ser amada. Algo dentro de mim morreu nesses anos de casamento com aquele infeliz, aquela menina inocente que foi vendida sim merecia ser amada, eu no fim das contas não, era só uma mulher que fez de tudo para manter a boa vida a que estava acostumada, mimada e fútil como Alejandro me lembrava sempre.
Mas não queria trazer esse assunto a tona, ou dona Rosa ia falar por horas e horas sobre como eu era uma vítima em tudo isso e a última coisa que eu queria era começar o dia pensando nisso, já bastava ter meus sonhos invadidos por aquele demônio.
- Estou mais interessada em que bolo você vai me ensinar a fazer. - me levantei no mesmo instante da mesa. - Também tive uma ideia noite passada, acho que já está na hora de começar a sair vendendo. O que acha? Aqui na vizinhança mesmo, nos comércios?
- Acho uma ótima ideia menina! Fico feliz que você esteja assim toda animada.
E foi isso o que eu fiz, prendi os cabelos, lavei as mãos e peguei todos os ingredientes que ela ia falando. Nunca tinha imaginado que seria tão facil assim fazer bolos e muito menos que eu iria gostar de fazer.
Quando eu terminei o bolo de limão e a cobertura, coloquei na geladeira enquanto subia para tomar um banho rápido e colocar um vestido leve para sair na rua.
Rosa me ajudou colocando o bolo já cortado nos guardanapos e todos dentro de uma cesta que ela tinha. Eu cobri tudo com uma toalha de piquenique e sai de lá, pronta para ganhar meus primeiros clientes.
Não foi nenhuma surpresa que assim que eu saí no portão meus olhos se depararam com Alejandro, a oficina ficando bem em frente da casa da mãe então era difícil não vê-lo.
- O que tem aí? - o homem que trabalha com ele gritou para mim, só para estragar meu momento em fingir que eles não existia.
- Bolo de limão com cobertura. - respondi erguendo a toalha e deixando que ele pegasse um pedaço.
Alejandro olhou com desconfiança para o bolo e nem ao menos se interessou em provar. Pelo menos o amigo dele comeu soltando gemidos de aprovação.
- Caramba! Isso aqui está dos deuses. Foi você que fez gata?
- Luke, cale a boca e vai trabalhar!- Alejandro gritou chamando a atenção. - Nós dois sabemos que minha mãe que fez esse bolo, você está cansado de comer os bolos dela e já conhece bem.
Eu semicerrei os olhos pra Alejandro e respirei fundo para não mandar ele se foder, já que estava de favor na casa dele não ia fazer isso. Se ele achava que falando aquelas coisas iria me diminuir estava muito enganado, era apenas mais combustível para que eu trabalhasse e pudesse sair da casa deles o mais rápido possível
Então o ignorei e sai de lá pronta pra vender todos os pedaços e voltar com o primeiro pagamento. E foi o que eu fiz, passei de loja em loja, salão, tudo o que estava aberto eu passei oferecendo, assim como as pessoas na rua.
Estava apenas com dois pedaços na cesta quando cheguei em uma pracinha, só aí foi que percebi o quanto tinha ido longe, já não tinha mais comércios por ali, apenas casas e ninguém a vista. Eu estava sorrindo feliz com o que tinha conseguido que nem tinha percebido o quanto andei, nada me abalava mais, nem mesmo os olhares tortos ou o calor escaldante.
- Oi gata, o que você tem aí? - um homem chegou por trás de mim me pegando de surpresa.
- Bolo de limão com cobertura. - respondi educada e sorrindo, puxando a toalha e mostrando o bolo como tinha feito com todos.
- Você é a cobertura? - outro homem chegou pelo outro lado me assustando mais uma vez.
Mas logo percebi que os dois estavam juntos e os olhares que lançaram para o meu corpo não foram nada discretos e educados. Eu já estava acostumada com isso, mas não me impediu de sentir repulsa e vontade de gritar e socar os dois. Sempre que as pessoas olhavam para mim só viam uma loira, burra, com peitões e um corpão, ninguém nunca tinha um mínimo de respeito.
- Estou vendendo bolos, se os senhores não querem, por favor, me deem licença. - murmurei com os dentes trincados e me virando para sair dali.
Olhei em volta procurando um lugar onde pudesse correr, ou alguém a quem pedir ajuda, mas tudo estava deserto e eu comecei a me recriminar por ter vindo tão longe em um lugar que eu não conheço absolutamente nada.
Mas então a mão de um deles me agarrou meu braço me puxando para perto deles e ativando um alerta em meu cérebro.
- Estamos interessados sim, mas não no bolo.
- E sim no que a moça tem aí de baixo desse vestidinho. - o outro falou passando a mão na minha bunda.
Eu deixei a cesta cair no chão com o choque e me virei pronta para gritar, mas alguém foi mais rápido do que eu.
O homem que tinha acabado de passar a mão em mim cambaleou para trás, tropeçando nos próprios pés e quase caindo no chão.
- Acho que a moça disse que era pra dar licença pra ela! - Alejandro rosnou com as mãos fechadas em punho pronto para atacar o homem que segurava meu braço
Sai de casa indo abrir a oficina antes que voltasse a puxar assunto com Magie sobre o que ela estava passando, eu sabia que ela não estava dormindo direito, escutava seus pezinhos pela casa de madrugada e às vezes os gritos assustados dela despertando de algum pesadelo.
Não tinha ideia de como tinha sido a vida dela naquela casa, e já que ela não falava nada eu só conseguia imaginar que teria sido igual ou pior do que a de Sophie. As duas mulheres sofreram nas mãos daquele maldito, mas como Sophie disse no outro dia, Magie era a esposa que tinha que se deitar com ele e sorrir mesmo depois de ser agredida e humilhada.
Talvez seja por isso que eu sinto uma necessidade de cuidar dela, garantir que tenha tudo o que precisa, que esteja confortável, assim como gostaria que alguém fizesse com minha irmã.
Mas foda-se, eu não a vejo como uma irmã nem aqui nem na china, a mulher faz meu corpo entrar em combustão com só uma olhada e nesses dois meses que ela está em casa perdi a conta de quantas ereções eu tive só em olhar pra ela.
Eu com certeza estava ficando maluco, mas quem podia me culpar a mulher era linda e sexy, mesmo quando estava fazendo algo sem sentido. Assistir ela comer ou fazer os bolos é quase com assistir um pornô, e o único motivo para eu não tentar nada é por ela ser quem é.
Uma ex riquinha, mimada e cheia de si. A última coisa que eu quero na minha vida agora é outra Gabriela.
- E lá vem a gostosa. - Luke murmurou me tirando dos meus pensamentos e levando meus olhos para Magie.
Ela atravessou a rua com uma cesta na mão e usando um maldito vestido que não deixava muito para imaginação, o vestido branco rodado se balançava com o vento mostrando ainda mais das coxas dela a cada passo que ela dava, as alças fininhas davam sustentação ao belo par de seios que eu sabia que ela tinha, mesmo que não os tivesse visto.
- O que tem aí? - Luke perguntou quando ela chegou na nossa calçada e eu só queria que ele calasse a boca e a deixasse ir.
- Bolo de limão com cobertura.
Ela ergueu a toalha mostrando a ele os bolos e eu semicerrei meus olhos, porra ela sabia fazer bolos, eu tinha experimentado cada um deles, minha mãe tinha ensinado muito bem, mas eu gostava de dizer o contrário e deixar que ela ficasse com essa duvida.
Afinal era assim que estávamos convivendo nessas semanas, os dois trocando farpas, fingindo que não olhamos o corpo um do outro com verdadeira fome. Mas era tudo o que podíamos fazer já que os dois estavam cercados de fantasmas.
- Caramba! Isso aqui está dos deuses. Foi você que fez gata? - Luke voltou a falar me fazendo revirar os olhos.
Ele tinha que flertar com toda a mulher que entrava ali, mesmo que não saísse com uma há muito tempo.
- Luke, cale a boca e vai trabalhar! - gritei querendo por um fim no papo furado. - Nós dois sabemos que minha mãe que fez esse bolo, você está cansado de comer os bolos dela e já conhece bem. - provoquei antes que ela se fosse.
Magie apenas me lançou um olhar feroz antes de sair de lá pisando duro.
- Com a bunda balançando assim certeza que ela vai vender cada pedaço. - Luke soltou enquanto a encarava assim como eu. Bufei acertando um tapa na nuca dele. - Estou falando dos bolos cara. Não que eu negaria se ela quisesse vender algo mais.
- Pare de falar dela assim seu merda! - grunhi prestes a socá-lo por isso. - Só pare ou vai ter que engolir seus dentes. - ouvir ele se atirar para cima dela já era irritante, agora aturar que ele fale dela desse jeito não ia acontecer. - Fique aqui e cuide de tudo.
Sai o deixando na oficina e indo atrás da loira, Luke falou muita merda, mas em uma coisa ele estava certo aquele vestido ia atrair muita atenção e definitivamente Magie não estava acostumada com bairros como aquele.
A segui de longe, garantindo que ela não perceberia onde eu estava a última coisa que queria era ela ficando irritada por estar sendo seguida por mim.
Ela foi passou em todos os lugares oferecendo as pessoas, mesmo quando recebia um não ou olhares de bastardos ela continuou sorrindo como se estivesse alheia a tudo, mesmo que eu soubesse que era apenas uma máscara.
Magie andou mais do que eu esperaria daquela Barbie mimada, realmente me surpreendeu a vontade de trabalhar dela. Mas isso acabou levando ela muito longe, para uma parte mais perigosa do bairro e como eu temia dois babacas se aproximaram dela.
Comecei a correr na direção dela assim que um deles agarrou seu braço e o outro passou a mão na sua bunda. Eu ia arrancar a mão do desgraçado por tocar nela!
Rosnei chegando perto e voei acertando um soco na cara do merdinha que tinha passado a mão nela, cheguei a ouvir o barulho de algo se quebrando, mas estava mais importando com o outro que ainda mantinha as mão nela.
- Acho que a moça disse que era pra dar licença pra ela! - rosnei me virando para o outro babaca.
- Quem você pensa que é pra falar assim? Arrume sua própria... - não deixei que ele terminasse a frase que com certeza acabaria com um insulto.
Acertei dois socos na cara do palhaço antes que ele caísse no chão, mas não me dei por satisfeito, subi em cima do pedaço de merda colocando para fora toda a minha frustração dos últimos dias, toda a raiva por ver a Barbie assustada quando foi cercada, explodi com fúria.
- Alejandro! Já chega! - ouvi a voz doce dela atrás de mim e me virei para vê-la já com a cesta de volta nas mãos e me encarando com os olhos arregalados. - Cuidado! - Magie gritou, mas foi tarde de mais, antes que eu conseguisse me virar o infeliz acertou um soco na altura do meu olho.
Minha visão ficou confusa e embaçada por um instante e eu acertei um último soco no merdinha antes de me levantar. O outro que ainda tinha as mãos no nariz cheio de sangue se levantou tentando chegar perto, mas Magie passou na minha frente dando um chute certeiro no meio das bolas dele.
- É isso Barbie, agora vamos!
Ela se virou me olhando com uma expressão de pura raiva antes de começar a marchar de volta pra casa.
- Não me chame de Barbie idiota! - ela grunhiu andando na minha frente e eu deixei, porque mesmo tonto do soco eu conseguia ver perfeitamente o balanço da bunda dela naquele vestidinho.
- O idiota aqui levou um soco por você. - cutuquei sabendo que isso ia irritá-la ainda mais.
- Porque é lento, se tivesse acabado com ele e saído de lá nada disso teria acontecido!
- Mal agradecida é isso o que você é. - resmunguei louco para dar umas palmadas nela por ter sempre uma resposta pra tudo.
Mas o simples pensamento de ter Magie com a bunda pra cima, a pele branca marcada pela palma da minha mãe e ela gemendo, trouxe minha ereção a vida.
Merda! Eu tinha que me controlar e parar de ter esses pensamentos sobre ela. Mas não adiantou, até chegar em casa eu fui focado no balançar dos quadris dela.
- Vai continuar me seguindo, seu maluco? Aqui não tem nenhum perigo. - eu entrei em casa atrás dela, precisando resolver a situação apertada que tinha se tornado as minhas calças.
- O único perigo aqui é você! - exclamei passando direto por ela e subindo para o segundo andar.
Entrei no meu quarto não me importando em fechar a porta e fui direto para o banheiro, ali sim eu fechei a porta enquanto arrancava minha calça e cueca, deixando minha ereção saltar livre antes de me enfiar de baixo do chuveiro.
Porra eu estava parecendo a merda de um adolescente com tesão vendo uma garota bonita. Mas eu não pude evitar, já estava com minha mão subindo e descendo em meu pau.
Não precisei nem pensar nela pois minha mente já tinha criado todo o cenário, Magie contra aquela parede, a água entre os nossos corpos enquanto eu deslizava para dentro dela devagar, assistindo os olhos se arregalarem enquanto ela me recebia, os lábios se abrindo e gemendo cada vez mais alto.
Meu corpo todo parecia estar em combustão com a fantasia que minha mente havia criado, eu quase podia sentir suas pernas em volta de mim e seu corpo sacudindo a cada arremetida dentro dela. A boceta quente e molhada me apertando, me sugando enquanto ela pedia por mais.
Soltei um gemido aumentando a velocidade da minha mão enquanto os seios dela se sacudiam bem diante do meu rosto na minha fantasia, os bicos rosados a centímetros da minha boca. Quase podia sentir as unhas afiadas se afundando em minha carne, os gemidos tomando todo o banheiro enquanto ela me apertava ainda mais em sua boceta, mostrando o quanto estava perto de gozar.
- Magie! - gemi o nome da diaba quando o rosto dela tomou meus pensamentos, as bochechas vermelhas com a excitação, os olhos verdes perdidos em prazer quando nós dois gozavamos junto. - Caramba Barbie!
Joguei a cabeça para trás deixando que minha respiração voltasse ao normal antes de tomar um banho de verdade.
Sai de lá procurando por uma roupa para voltar a trabalhar, mas quando passei em direção ao guarda roupa uma coisa me chamou a atenção, minha cama estava com os lençóis todos bagunçados, coisa que não estava minutos atrás quando eu entrei no banheiro.
Olhei em volta procurando qualquer pessoa, mas uma luz se acendeu na minha mente quando me aproximei da cama e senti o perfume dela impregnado nos meus lençóis.
- Barbie, Barbie. O que você estava fazendo aqui na minha cama?