O dia amanhece esplêndido para Verônica . Ela, uma mulher de vinte três anos, morando no maravilhoso estado de Nova York, está contente em saber que a sua noite foi ótima sem muito esforços, algumas horas na frente do computador com uns dos seus clientes fixos lhe rendeu mais de dois mil dólares. Verônica está deitada em sua cama king size com os lençóis de cetim cobrindo o colchão e uma coberta aveludada vermelha cobrindo-lhe o corpo nu.
Os seus olhos contemplam a vista de seu apartamento, ela ainda não mora na cidade mais luxuosa de Nova York, mas o sonho não estava longe e ela podia admitir para ela mesma que morar em Buffalo não era a pior coisa do mundo, considerando as circunstâncias em que ela já teve que passar e os lugares horríveis que ela já teve que morar.
Verônica se senta no meio da cama e se espreguiça de forma preguiçosa. A primeira coisa que ela faz ao ficar totalmente despertada é checar o seu celular para saber se há novas solicitações em suas redes sociais e no seu onlyfans e como sempre: há. Os seus olhos brilham com as notificações em seu perfil profissional.
O pensamento de Verônica é primeiro tomar um bom banho. Por mais que tenha sido por poucas horas com o seu cliente na noite anterior, ela se sentiu um pouco exausta após terminar e resolveu simplesmente ir para cama e dormir. Até porque o dia só começa bem depois de um delicioso banho. Verônica sai da cama totalmente nua e vai em direção à sua penteadeira cheia de produtos para cuidados do corpo, loção para esfoliar a pele, assim como também uma loção para hidratá-la, óleos diversos para passar antes e pós banho. Verônica é uma mulher que necessita e ama cuidar de sua pele, afinal é com isso que ela ganha a principal renda de dinheiro. Ela analisa a sua penteadeira, decidindo quais produtos ela irá usar em seu ritual de hoje no banho. A escolha é simples e não exige muito dela. Uma loção de óleos essenciais para passar ao fim do banho, uma máscara facial após o banho ter sido feito, sabonetes líquidos, além do shampoo e condicionador é claro.
Ela os leva todos para dentro do seu banheiro pequeno, mas que possui um charme e uma banheira confortável. Verônica se olha no espelho e observa que talvez fosse hora de marcar mais uma massagem linfática e outra de modelagem para acentuar um pouco mais a cintura, para continuar tendo o padrão midsize.
Entenda que para Verônica , ser magra nunca foi seu objetivo, ela gostava das curvas que possuía, amava os seus seios fartos e o bumbum grande, o quadril então? Com um vestido vermelho ela sabia arrasar. Podemos viver em uma sociedade que diz que o mais bonito e até mesmo o mais saudável é um corpo que entra em roupas tamanho 34 até o 36. Só que Verônica sabia que no mundo real, os homens gostam de ter um lugar para apertar e bater na hora de uma boa transa. Eles gostam dos decotes avantajados que realçam os seios turbinados naturais, das bundas grandes boas para serem apalpadas e apertadas. Ela aprendeu isso a muito tempo e tem tirado vantagem disso desde sempre. Por isso ela faz o que pode para manter o seu próprio padrão de beleza, ser a "gordinha" gostosa que os homens desejam ter.
- Alexa - Verônica fala alto para a caixinha IA que se encontra no corredor.
O aparelho responde de prontidão perguntando o que a Verônica deseja.
- Agenda de hoje - Verônica dá o comando. A Alexa informa que Verônica precisa ir até a lavanderia, à academia e também ao supermercado. - Alexa, toque uma música.
E assim a trilha sonora da rotina da parte da manhã da Verônica se inicia. Ela toma um banho demorado e calmo, venerando e dedicando totalmente ao seu corpo. A mente dela começa a organizar os seus afazeres para o dia que se inicia. Após o fim do banho, ela enrola uma toalha na cabeça e veste o roupão felpudo branco que possui.
Verônica vai até o seu closet e pega seu uniforme de trabalho: uma saia preta justa que vai até um pouco acima de seus joelhos, uma camisa branca de botões com o logo da empresa e um blazer preto com um péssimo caimento. Ela os estende em cima da cama e se vira para cuidar novamente do seu corpo. Passa as loções hidratantes no corpo, em seu rosto ela opta por um creme rejuvenescedor que previne linhas de expressões, envelhecimento precoce e tem proteção solar. Como havia dito, ela tem grande zelo por seu corpo.
Ela seca seus cabelos e passa cremes nele para desembaraçá-los. Os seus cabelos são um preto sedosos que vão até um pouco abaixo dos seus ombros, quando não seca eles com secador e chapinha, eles ficam ondulados nas pontas e com ondas no comprimento. Como precisa ser uma mulher de classe em seu trabalho oficial, fora das câmeras e da perversidade da internet, ela os escova e passa a chapinha.
Verônica possui o trabalho de supervisora de marketing de uma empresa multinacional de produtos para beleza. É um trabalho que pagaria bem se não fosse pelas longas horas extras que ela precisava fazer todas as vezes que a empresa lançava um produto novo no mercado e era necessário toda a equipe preparar os conteúdos de divulgações, parcerias para provarem o produto e falarem bem deles.
Viver só com o salário de supervisora mesmo na cidade de Buffalo não era fácil. O aluguel, contas de luz e de água eram absurdos de caros até mesmo para ela que vivia sozinha no seu apartamento de tamanho mediano de dois quartos. E Verônica gostava de viver no luxo sempre que podia, como viagens todo fim de ano, saídas para festas e baladas quase todos os finais de semana. Roupas e maquiagens novas todos os meses, sem contar na manutenção que era se manter sempre bonita, fazer as unhas toda a semana, sobrancelhas, academia e massagens modeladoras, os produtos para o seu rosto e sem contar os dias de spa que Verônica tinha como religião devota de ir pelo menos duas vezes ao mês.
Seu emprego formal, era visto por Verônica como um hobbie na realidade. Uma parte da sua vida, da sua rotina, para mantê-la ativa no mundo real, com contato físico com as pessoas. Ela gostava do seu emprego secreto, de ser uma camgirl, gostava de ficar horas na frente de uma câmera se exibindo para as pessoas e ser paga por fazer isso. Gostava de como conhecia novas pessoas nas salas de bate-papo, nas redes sociais e nos fóruns. Verônica é uma camgirl já vai fazer cinco anos, o motivo que a fez entrar nesse mundo perverso e sacana já está quase apagado em sua memória, enterrado com todos os outros traumas e dificuldades que ela teve que passar até chegar aonde se encontra hoje.
Por fim, Verônica pega sua bolsa e sua pasta com todas as papeladas e ideias para a campanha que a empresa está trabalhando agora. Ela sai do seu apartamento com tempo de sobra ainda, podendo assim se dar ao luxo de tomar um café da manhã na rua. Seu corpo deseja por um café expresso e bagels quentinhos da padaria que tem na esquina da rua da empresa. Verônica caminha com determinação até o seu carro e joga tudo dentro dele no banco do carona. O seu carro é um sedan preto de quatro portas seminovo de 2020, foi graças a horas extras na empresa e a maratona de live nos finais de semana que ela conseguiu comprar o carro à vista.
Ela dirige com o som ligado no alto e canta com ânimo e disposição pelas ruas de Buffalo. A empresa está localizada no centro da cidade, enquanto seu apartamento está mais para a costa, ficando vinte minutos de carro da praia. O trajeto inteiro está com pouco trânsito e a barriga de Verônica ronca em protesto pela fome que está surgindo.
Não demora muito para que ela chegue em frente à padaria, o problema surge no momento de encontrar uma vaga boa para estacionar, afinal, ela não é a única que prefere tomar café da manhã fora de casa. Na frente da padaria todas as vagas já estão preenchidas, ela dá algumas voltas no quarteirão até que decide estacionar de fato no estacionamento da empresa e ir andando até a padaria. Verônica ainda tem meia hora até o seu expediente começar de fato.
O dia está quente e isso alegra ela, Verônica adora verão e a primavera, são suas estações favoritas. Seu andar é gracioso e decidido, sua postura é reta e ela sabe que está deslumbrante no dia de hoje, prova disso são os assobios que ela recebe na rua e os olhares de desejos de alguns rapazes que passam por ela.
Ela entra na padaria e há um murmurinho de pessoas conversando e comendo no local, barulhos de pratos e xícaras. A padaria é grande e tem um certo glamour, com bancos estufados vermelhos colocados em fileiras ao lado das janelas grandes, há também um balcão para os fregueses que estão sozinhos também possam se sentar e curtir um rápido café enquanto mexem em seus celulares.
Verônica fica parada por um momento na frente de vitrine onde estão expostas todo o cardápio do dia de hoje. Ela analisa as opções de bagels e escolhe dois com recheios de cream cheese e outro com frutas vermelhas. Para beber ela pede um café expresso gelado com baunilha no topo.
Seu pedido é preparado rápido e entregue em menos de dez minutos. Por causa disso, ela decide comer na padaria e se dirige para uns dos bancos estufados que há no ambiente. Enquanto ela caminha para uma das mesas que encontrou vazia, um rapaz alto e bem vestido corta o seu caminho e se senta na mesa que ela havia escolhido.
Verônica fica estupefata com o acontecimento. Ela fica parada na frente da mesa encarando o jovem rapaz que não parece muito ciente da sua presença.
Ítalo não estava tendo um dos seus melhores dias. Acordara atrasado e ansioso para o trabalho. Ele sendo um jovem de vinte cinco anos comandando sua empresa multinacional de cosmético não é uma tarefa fácil. A pressão em seu trabalho o deixava a beira de ter uma úlcera nervosa. As viagens internacionais para participar de conferencias sobre o mundo dos negócios, de empreendedorismo e fazer conexões com magnatas que não levavam ele a sério, sempre o deixava desnorteado quando precisava voltar para casa. Ainda com um baita jet lag que o deixava fudido mentalmente.
Por causa disso, ele foi às pressas se arrumar e acabou esquecendo de tomar café da manhã. Por sorte dele, há uma padaria de esquina a sua empresa. Então como um bom zumbi que ele estava sendo, ele fez seu pedido, um sanduiche natural de frango com um suco de laranja com energético que ele mesmo colocaria quando sentasse na mesa.
Era isso que ele estava prestes a fazer na realidade, porém uma sombra se projetou ao seu lado e Ítalo levou uns bons segundos, quase um minuto inteiro, para perceber a moça parada na frente da mesa com uma bandeja nas mãos. Ela era uma beldade e isso deixou Ítalo catatônico.
Não leve a mal, Ítalo tem uma beleza também avassaladora, quando ele tem tempo para se cuidar é claro. Ele é um rapaz alto, cabelos ondulados castanhos que no dia de hoje gritam por um pente e uma lavagem talvez, o máximo que ele conseguiu dar de atenção para seus cabelos foi uma penteada com os dedos e coloca as mechas longas atrás da orelha. Ítalo gostava do seu cabelo cheio, mesmo que no mundo dos negócios, todos os CEO possuíam cabelos cortados e aparados, passados com gel e tudo mais. O seu corpo era musculoso nas pernas e braços, o abdômen era definido o suficiente, mas não formava os gominhos de tanquinho. A sua rotina de exercícios era baseada nos seu hobbie favorito: ciclismo e fazer trilhas. Ítalo amava passar horas e horas pedalando pela cidade de Buffalo, fazer trilhas e escaladas. Isso lhe dava a sensação de liberdade, algo que não parecia existir mais em sua vida de CEO. Os olhos acinzentados de Ítalo eram vibrantes, mesmo que seu olhar fosse de um rapaz tímido, seus lábios possuíam uma curvatura atraente e seu maxilar marcado também era vantajoso quando não estava com uma barba cheia, que era o caso de agora.
Porém, no dia de hoje, toda a beleza parecia estar na moça a sua frente, mesmo que o olhar dela fosse de irritação. Ítalo piscou para ela, percebendo que provavelmente deveria estar encarando-a por tempo demais.
- Sim? - ele diz na direção da linda mulher.
- Você roubou a minha mesa - ela o acusa.
Ele fica espantado com a acusação e quase fica vermelho de vergonha quando nota que provavelmente tenha feito de fato isso.
- Peço perdão.
Antes que pudesse falar algo, Ítalo percebe que a moça está usando o uniforme da sua empresa, isso faz ele abrir um rápido sorriso.
Ela não deve ter ideia de quem eu sou, ele pensa consigo mesmo. Ítalo estende a mão para que ela se sente com ele.
- Por gentileza, sente-se - ele oferece.
Verônica arqueia a sobrancelha e continua parada na frente de Ítalo, pensando se deve ou não aceitar o convite. Por fim, ela aceita, afinal ele está vestindo um terno muito bem alinhado Verônica observa. Provavelmente é algum contador ou advogado estagiário que deve ter bebido demais na noite anterior e perdeu o horário hoje, é o que a Verônica deduz.
- Sinto muito ter roubado o seu lugar - Ítalo retoma os pedidos de desculpa com elegância -, voltei de viagem ontem e ainda estou com o fuso-horário todo bagunçado.
- Viagem a negócios, imagino? - Verônica sugere e toma um gole do seu expresso. O sabor da cafeína preenche ela de uma maneira que Verônica precisa segurar um gemido de prazer.
Ítalo concorda com a cabeça enquanto observa Verônica tomar o café, como os lábios carnudos dela são convidativos e lindos. O jeito que ela os coloca na xícara é algo que mexe com a imaginação de Ítalo, mesmo ele não deixando transparecer nada.
Ele por sua vez abre a latinha de energético que pediu junto com o suco e mistura com o mesmo e toma um gole. Ao fazer isso Verônica arqueia novamente a sobrancelha, porém não diz nada. Ela não tem tempo para flertar agora, seu estomago ronca em protesto e isso faz com que suas mãos vão em direção ao bagel de frutas vermelhas e começa a come-lo.
Isso dá o sinal verde para que Ítalo faço o mesmo com o seu sanduíche. Quando ele dá a primeira mordida, sua boca saliva e ele não está tão alerta em seus modos como Verônica e ele solta um gemido enquanto mastiga o sanduiche. Isso faz com que ela ria com a cena e ele também.
- Perdão - ele fala com a boca um pouco cheia.
Verônica balança a cabeça e sorri. Os dois dividem a refeição de café da manhã com um silêncio natural, nenhum pouco desconfortável. Talvez por Ítalo ainda se sente cansado da viagem e prefere saborear seu sanduíche, enquanto Verônica está simplesmente pensando que sua fome só pode ser saciada se ela comer logo o segundo bagels e ir correndo para o trabalho antes que ela se atrase.
Mesmo com a refeição sendo compartilhada com esse silêncio. Verônica se sente compelida a perguntar algo para Ítalo , uma conversa boba e sem grandes expectativas. Só porque ele é bonito e ela gosta de rapazes bonitos.
- Viajou para onde? - ela pergunta com uma voz suave. Ítalo observa ela com um certo fascínio, se perguntando como ele não havia notado ela na empresa.
O prédio que a empresa está, tem mais de setenta andares, sendo que o andar em que o escritório dele fica é o último. Ítalo comprou o último andar, junto com mais quarenta e cinco andares do prédio comercial. Nem se ele quisesse, saberia identificar os funcionários que trabalha para a sua empresa, quanto mais o número de pessoas que entram e saem daquele prédio e possuem outras empresas nos outros andares que ele não é dono.
Além de que, a sede de Buffalo não é a matriz da empresa, é a segunda filial que ele conseguiu abrir no início da construção do seu império, a quase cinco anos atrás. Ele só estava aqui agora, porque gostava do estado de Nova York e gostaria de ver como essa filial estava com os planejamentos do novo produto que iriam lançar.
- Cheguei de Dubai - ele responde com certo cansaço. Era quase nove horas de diferença no fuso horário.
- Uau, por isso você está... - Verônica fala surpresa, mas não termina a frase.
- Um completo zumbi - ele finaliza por ela e ri.
- Você que disse - ela responde e ri junto com ele. - Mas conseguiu se divertir lá?
O fascínio de Verônica pelo rapaz que ela ainda não sabe o nome, surgiu após saber sobre a viagem. Ela ama viajar e saber de experiências de outras pessoas sobre o assunto. Suas viagens não são tão luxuosas a ponto de conseguir ir até Dubai, porém conheceu Argentina, Uruguai, Mexico e o Canadá. Europa é o continente que ela almeja ir, porém ainda não possui a grana para ter uma vasta experiencia do jeito que ela quer.
Ítalo percebe a mudança de voz na Verônica , entretanto ele percebe que não foi uma mudança igual ocorre com todas as outras mulheres quando percebem que ele tem dinheiro. O interesse dela parece ser genuíno para saber sobre a viagem e não se ele foi na primeira classe ou não.
- Na verdade não, foi bem chato - ele responde. E de fato foi, ficou uma semana lá apenas a trabalho, só teve oportunidade de passear pela cidade uma noite e ele acabou apenas conhecendo baladas e restaurantes com gente que não lhe entendia muito bem. - Fiquei pouco tempo por lá.
- Que pena, iria pedir dicas de pontos turísticos - ela responde um pouco desapontada e isso deixa Ítalo feliz. Ela de fato não quer saber se sou rico ou não, ele pensa. - Enfim, preciso ir. Vou me atrasar para o trabalho.
Verônica finaliza seu café e limpa a boca de leve antes de se levantar e ajeitar a saia. Ítalo coloca o último pedaço do seu sanduiche na boca e mastiga com rapidez antes de levantar e ficar de frente para ela.
- Obrigado pela companhia - ele fala após engolir o pedaço do sanduiche.
- Obrigada por roubar meu lugar - ela retruca com humor e pisca para ele.
Verônica coloca em cima da mesa o pagamento do seu pedido e vai caminhando por entre as pessoas para fora da padaria. Ítalo faz o mesmo, entretanto deixa um espaço considerável entre os dois, antes dela sair da padaria.
Ele observa Verônica andar na sua frente e a sua mente apenas faz suposições de como ela deve ser extremamente deliciosa na cama. A bunda dela redondinha e grande, bem empinada e justa na saia estava fazendo Ítalo quase ter uma ereção ali mesmo na padaria. Ele se obriga a desviar o olhar e manter a concentração em qualquer outra coisa, para que a sua malícia não tome o controle.
Verônica sabia que Ítalo estava observando sua caminhada. Ela conseguia sentir os olhos dele vidrados em suas costas e por causa disso, fez questão de andar rebolando. Sentia prazer em fazer isso, em saber que estava sendo desejada, afinal, não é ruim ter o ego acariciado logo cedo.
Entretanto, Verônica fica surpresa ao notar que ele está ao seu lado na rua, esperando os carros passarem para poderem atravessar. Geralmente o flerte não dito acaba rapidamente, cada um segue seu rumo e são esquecidos em um piscar de olhos. É assim que funciona para ela.
-Também vou nessa direção - ele fala e indica com a cabeça. Ítalo está adorando observar o rosto de Verônica e ver a desconfiança surgindo.
Os dois atravessam a rua e seguem em direção ao prédio da empresa. Verônica vez o outra olha para o lado, em direção ao Ítalo que está toda vez com um sorriso amigável no rosto. Ela começa a achar que ele é um maluco stalker. Quando os dois entram no saguão do prédio, Verônica toma a coragem de falar com ele novamente.
- Não me diga que você trabalha aqui? - ela diz com uma voz um pouco exaltada e duvidosa.
- Sim, trabalho - ele responde com humor e pisca para ela. - Você está me seguindo por acaso?
Verônica ri e nega com a cabeça. Em sua bolsa ela pega o crachá e passa no balcão de entrada onde é autorizada a passar. Ítalo por sua vez, simplesmente olho para o atendente que está sentado no balcão e abre um sorriso charmoso.
- Ítalo Roux - ele fala com a voz séria e o rapaz digita algo em seu computador, olha para tela e depois para o Ítalo e libera o acesso para ele.
- Bom dia, Sr.Roux - diz o rapaz com o tom educado. Ítalo apenas acena com a cabeça.
Seus passos largos logo alcançam Verônica que está parada esperando o elevador.
- Então você está me seguindo, senhorita... - ele diz perto do ouvido dela e isso causa um arrepio em Verônica .
- Senhorita Bagels - Verônica responde com humor. Os dois entram no elevador e ela aperta o seu andar, que é o quinquagésimo sexto.
Ítalo não aperta o último andar, porém fica contente em saber que a moça bonita que ele acabou de tomar café é da área de marketing. Afinal, hoje ele teria uma reunião com eles no final da tarde para saber sobre os projetos e campanhas. Torcia para vê-la na reunião.
Os dois não ficam sozinhos por muito tempo no elevador e faz algumas paradas para apanhar outros funcionários entre os andares. Isso faz com que o elevador fiquei um pouco cheio, obrigando Ítalo e Verônica ficarem próximos o suficiente para que ele consiga sentir o perfume que exala do pescoço da Verônica e com que ela sinta o calor que irradia dele e sinta o som da respiração bem perto do seu pescoço e orelha.
Nesse momento, os dois acabam por desejar a mesma coisa: que o elevador estivesse vazio, para que pudessem fazer algo totalmente insano dentro dele.
Verônica sai no seu andar e consegue dizer de forma rápida um tchau para Ítalo , mesmo que dentro do elevador ainda tinha mais cinco pessoas. A mente dela fica curiosa e um pouco apreensiva sobre o rapaz, afinal ela nunca o tinha visto antes no prédio e não sabia em qual andar ele poderia trabalhar.
Pode ser que ele estivesse no ramo de advocacia, quem sabe? Pensou Verônica , única explicação para a possível verdade sobre a viagem para Dubai, ela deduziu. Entretanto, sua cabeça não ficou muito tempo focada nisso. Seus passos eram apressados para seu escritório, havia muita coisa para se fazer hoje, organizar suas ideias para o novo produto e supervisionar o progresso da apresentação que a sua equipe tinha para fazer mais tarde.
Ela passou pela mesa da sua assistente/estagiaria, Lizzie. A sua assistente era uma estagiaria porque o orçamento que a empresa deu para Verônica contratar uma auxiliar quando foi promovida só permitia esse nível de experiência, praticamente zero. Entretanto, não foi algo ruim, Lizzie tinha garra, determinação e uma animação impressionante para alguém que tem dezenove anos. Verônica até poderia considerar Lizzie como uma amiga ou uma colega de trabalho próxima, as duas já almoçaram juntas quando Verônica estava se sentindo generosa com os ganhos do seu outro trabalho. Elas conseguiam fofocar um pouco sobre os outros funcionários sem dizer algo muito comprometedor que pudesse dar demissão com justa causa.
Lizzie é uma jovem sorridente, cabelos loiros ondulados que vão até a metade das suas costas, seus olhos são esverdeados, é magra demais, sem qualquer peito ou bunda, seu rosto jovial e seu tipo de corpo faz ela aparentar ter na verdade quinze anos e não dezenove. Quando Verônica a entrevistou ficou muito impressionada com a sua idade e sua aparência, porém o que fez Lizzie conquistar a vaga foi sua inteligência para organização e ideias criativas para o trabalho, mesmo sendo algo desnecessário. Sua função era simplesmente antecipar praticamente todas as necessidades de Verônica e ela fazia isso com maestria.
Por conta disso, quando Verônica passou por sua mesa, Lizzie já estava de pé ao lado esperando por ela com uma pilha de recados e e-mails importantes que Verônica precisaria responder de prontidão.
- Bom dia, V - Lizzie disse com a sua voz aguda e animada. Seus passos eram ligeiros igual os de Verônica . - Aqui estão as ligações de hoje mais cedo, três são daquele agente de publicidade que quer uma resposta sobre as modelos. Você possui sete e-mails urgentes para responder e já deixei eles fixados no topo do e-mail. E aqui estão os banners impressões que você pediu.
As duas já haviam entrado no escritório da Verônica e Lizzie colocava todas as informações à sua frente, mostrando as opções dos banners que havia enviado para gráfica. Iria precisar conversar com o pessoal de design e pedir para refazerem algumas montagens, as cores não estavam favorecidas e as fontes escolhidas eram horríveis.
- Você consegue ver os erros grotescos que há nesses banners, Lizzie? - Verônica pergunta séria. Ela sempre tentava ensinar algo para Lizzie sobre seu trabalho como um plus por ser estagiaria. Lizzie quer trabalhar com marketing e design.
Lizzie se aproxima melhor da mesa e analisa as opções dos banners.
- As fontes parecem esquisitas, talvez? - ela supõe com dúvida.
- Talvez eu devesse lhe contratar como designer e não como assistente - Verônica a elogia. - Pode ir, obrigada L.
Lizzie sorri e sai do escritório, fechando a porta de vidro atrás de si. O escritório da Verônica não era algo luxuoso e grande para o seu gosto, mas possuía já a sua personalidade. O tamanho do escritório era o suficiente para ela conseguir andar por ele com um espaço que não fizesse ela bater nas coisas que o decorava. Havia sua mesa grande com dois monitores e o seu notebook, além de porta-lápis, um bloco de notas auto colante, dois quadros com fotos com as suas melhores amigas. No canto direito um pouco afastado, tinha uma escrivaninha com uma impressora e uma pilhas de papeis e outras tralhas do trabalho. No lado esquerdo ficava a janela ampla com uma boa vista do centro da cidade, a luz do pôr-do-sol dentro do escritório era quando o ambiente ficava mais acolhedor para Verônica e ela fazia questão de parar por alguns minutos o trabalho e observar a janela.
Na sua frente, ficava uma estante com muitos livros sobre moda, cosméticos, marketing e algumas outras decorações que ela trouxe de casa, além de dois troféus que ela ganhou quando era mais jovem, de quando seu passado ainda possuía boas lembranças. Ela tinha uma cadeira de frente para ela também, porém poucas vezes alguém entrava no seu escritório e ficava tempo o suficiente para precisar sentar, além de uma poltrona branca perto da janela que ela utilizava para sentar e ver a vista quando não conseguia almoçar fora e precisava comer dentro do escritório.
Há quadros pendurados na parede atrás dela em formatos diferentes, que deixam o ambiente mais amistoso para ela e menos sufocante, já que há dias que ela fica quase sem sair de dentro do escritório, apenas trabalhando e supervisionando o trabalho dos outros.
Quando Lizzie deixa Verônica sozinha, ela já toma seu devido lugar na frente do notebook que já está ligado e abre os e-mails que Lizzie deixou sinalizado. Ela lê com atenção cada um deles, um é sobre o prazo de entrega de umas das campanhas de outro produto que não é o de lançamento, outro e-mail é sobre reunião que precisa ser marcada com o pessoal do financeiro pra saber os orçamentos utilizados nas campanhas e o retorno previsto com isso. Verônica bufa com a chatice que são os e-mails e resolve responde-lo com poucas promessas e bem objetivos. Ela gasta quase vinte minutos respondendo os e-mails importantes.
Ítalo por sua vez, vive outro tipo de chatice no trabalho alguns andares acima de Verônica . Ele já possui um secretário pessoal, formato e muito competente chamado Robert que é na realidade dois anos mais velho que Ítalo . Robert ama o trabalho que tem, ele não se importa em ter como chefe um rapaz mais jovem do que ele. Para Robert, Ítalo é um revolucionário no mundo dos milionários jovens e admite que não gostaria de ter a vida que o Ítalo tem, afinal é ele que organiza toda a agenda do jovem rapaz e ele sabe como é desgastante comandar uma multinacional com a idade do Ítalo .
Os dois se dão muito bem, possuem uma amizade além do serviço. Às vezes Robert pensa que talvez ele seja o único amigo de verdade que Ítalo tem, já que a sua rotina não permite tantas brechas para curtição. Até nos finais de semana Ítalo está com alguma coisa envolvida ao trabalho que toma o seu tempo por horas a fio. Robert sempre tenta encaixar todas as coisas importantes durante a semana e deixar os finais de semana livres para Ítalo curtir, porém o jovem não consegue cooperar com o seu secretário e sempre pede para marcar algo ou remarcar alguma coisa nos fins de semana.
Muitas vezes Robert obriga Ítalo a sair para descansar, encontrar com alguma garota, ter um pouco de vida fora dos escritórios. Porém, Ítalo sempre se esquiva e acaba não fazendo nada disso, poucas foram às vezes que Robert viu Ítalo sair de umas das festas que os dois foram convidados a participarem com uma garota a tira colo e não era por falta de opção, muitas moças atraentes tentavam fisgar a atenção do CEO. Só que Ítalo nunca levava jeito com elas, ficava acanhado e tímido. Todos acham que CEOs são seguros de si, confiantes e mulherengos, Ítalo vai totalmente contramão. O foco da sua vida é o trabalho e parece que sempre será isso. Isso preocupa demais Robert, ele vê o Ítalo como um irmão mais novo que precisa ser guiado na vida pessoal, porque a profissional Robert sabe que o Ítalo é um gênio.