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Entre Lágrimas e Acordes: A Redenção de Sofia

Entre Lágrimas e Acordes: A Redenção de Sofia

Autor:: Du Wu Qin Yang
Gênero: Romance
No nosso quinto aniversário de casamento, planeei uma noite perfeita para Diogo, a estrela da Bossa Nova. Eu, Sofia, a restauradora de arte, vivia na sua sombra, mas a minha devoção era absoluta. Mas ele cancelou à última hora. Em vez de um jantar romântico, encontrei-o num boteco na Lapa, rindo com a sua ex-namorada, Isabella. E as suas palavras foram um veneno: "A Sofia? Aquela coitadinha? Ela adora-me. É demasiado dependente." A melodia que ele dedicou a ela era uma composição do meu falecido amor, Léo. Aquela que ele supostamente tinha escrito para mim. Ele ridicularizava a minha "simplicidade" e o meu trabalho "empoeirado" no museu. Anos antes, eu o salvei, implorei por um transplante para as suas mãos esmagadas após um acidente. As suas mãos ágeis eram de Léo. A humilhação escalou: ele me arrastou para uma armadilha orquestrada por Isabella. O seu desprezo era palpável, a sua traição, cruel. Quando soube que estava grávida, ele riu, desprezando a notícia. Forçada a doar sangue para Isabella, perdi o meu bebé. Como pude amar este homem? Como pude confundir o recipiente com a alma? Naquele hospital, o meu coração parou de bater por ele. A minha submissão desfez-se em cinzas. Ele pensava que eu era um fantoche, mas eu sou a restauradora. É hora de restaurar a minha vida. E revelar a verdade por trás da "sua" genialidade.

Introdução

No nosso quinto aniversário de casamento, planeei uma noite perfeita para Diogo, a estrela da Bossa Nova.

Eu, Sofia, a restauradora de arte, vivia na sua sombra, mas a minha devoção era absoluta.

Mas ele cancelou à última hora.

Em vez de um jantar romântico, encontrei-o num boteco na Lapa, rindo com a sua ex-namorada, Isabella.

E as suas palavras foram um veneno: "A Sofia? Aquela coitadinha? Ela adora-me. É demasiado dependente."

A melodia que ele dedicou a ela era uma composição do meu falecido amor, Léo.

Aquela que ele supostamente tinha escrito para mim.

Ele ridicularizava a minha "simplicidade" e o meu trabalho "empoeirado" no museu.

Anos antes, eu o salvei, implorei por um transplante para as suas mãos esmagadas após um acidente.

As suas mãos ágeis eram de Léo.

A humilhação escalou: ele me arrastou para uma armadilha orquestrada por Isabella.

O seu desprezo era palpável, a sua traição, cruel.

Quando soube que estava grávida, ele riu, desprezando a notícia.

Forçada a doar sangue para Isabella, perdi o meu bebé.

Como pude amar este homem?

Como pude confundir o recipiente com a alma?

Naquele hospital, o meu coração parou de bater por ele.

A minha submissão desfez-se em cinzas.

Ele pensava que eu era um fantoche, mas eu sou a restauradora.

É hora de restaurar a minha vida.

E revelar a verdade por trás da "sua" genialidade.

Capítulo 1

A noite do nosso quinto aniversário de casamento.

O ar no Rio de Janeiro estava pesado e húmido, prometendo uma chuva que nunca chegava. Eu estava no meu ateliê no Museu de Arte do Rio, o cheiro de terebintina e óleo de linhaça a preencher o espaço.

Tinha planeado uma surpresa para o Diogo. Um jantar no nosso restaurante preferido, o mesmo onde ele me pediu em casamento.

Mas ele cancelou à última da hora.

"Amor, desculpa. Surgiu um ensaio com a banda, não posso faltar. É importante."

A sua voz ao telefone soava distante, quase entediada.

Aceitei, como sempre. A sua carreira vinha primeiro. Ele era Diogo Neves, a nova estrela da Bossa Nova, e eu era apenas a sua esposa, a restauradora de arte que vivia na sua sombra.

Mas uma inquietação tomou conta de mim. Decidi surpreendê-lo de outra forma. Fui até à Lapa, ao boteco onde ele e os seus músicos costumavam ir depois dos ensaios.

Parei à porta, o som de risadas e música a sair para a rua. Vi-o sentado a uma mesa, rodeado de amigos, o seu violão pousado ao lado.

E então, ouvi o seu nome nos lábios de outra mulher.

"Diogo, querido, toca aquela para mim. A nossa."

A voz era melosa, familiar. Era Isabella, a passista de Samba, a sua ex-namorada. A sua "musa" antes de mim.

O meu coração parou.

Um dos seus amigos riu. "Cuidado, Diogo. E a Sofia? A tua santinha?"

Diogo deu uma gargalhada alta, um som que costumava aquecer-me, mas que agora me gelava o sangue.

"A Sofia? Aquela coitadinha? Ela adora-me. Nunca me deixaria. É demasiado dependente, não tem para onde ir."

Ele pegou no violão. As suas mãos, aquelas mãos longas e ágeis, moveram-se sobre as cordas.

As mãos de Léo.

"Esta é para ti, Isa. Sempre foi."

A melodia que ele tocou era uma que eu conhecia bem. Uma composição de Léo, uma que ele nunca chegou a publicar. Uma que Diogo afirmava ter escrito para mim nos primeiros dias do nosso casamento.

A sua voz, suave e carismática, encheu o bar, mas as palavras eram um veneno no meu ouvido.

Ele cantava sobre o glamour, a fama, um mundo que ele dizia que eu nunca entenderia. Ele criticava a minha "simplicidade", o meu trabalho "empoeirado" no museu, a minha vida "pacata".

Ele justificava a sua traição como uma necessidade, uma fuga da monotonia que eu representava.

Uma risada amarga escapou dos meus lábios, silenciosa, perdida no barulho do bar.

Monotonia.

Um flashback atingiu-me com a força de um soco. A imagem de Diogo, há três anos, deitado numa cama de hospital. O seu corpo quebrado depois do acidente de moto. As suas mãos, esmagadas, a sua carreira de músico aparentemente terminada.

Eu estava lá.

Eu segurei o que restava das suas mãos. Eu chorei por ele. Eu procurei os melhores médicos, implorei por uma solução.

E encontrei-a. Um transplante. Um doador compatível que tinha morrido no mesmo dia, no mesmo terrível engavetamento na Ponte Rio-Niterói.

Léo.

Lembrei-me das promessas de Diogo, sussurradas com a voz fraca no quarto do hospital.

"Sofia, eu devo-te a minha vida. As minhas mãos. Eu nunca te vou deixar. Serei teu para sempre."

Para sempre.

E agora, no nosso quinto aniversário de casamento, a sua traição transformava o meu sacrifício, a minha devoção, num espetáculo ridículo.

Eu não o estava a adorar. Eu estava a adorar as mãos dele. A ver o sonho de Léo, o meu Léo, tornar-se realidade através do corpo de outro homem.

E esse homem estava a usar o dom de Léo para me humilhar.

Capítulo 2

Diogo chegou a casa muito depois da meia-noite.

O cheiro dele era uma mistura de álcool, fumo de cigarro e um perfume floral adocicado que não era o meu.

Ele entrou no quarto e acendeu a luz, surpreendido por me encontrar acordada, sentada na beira da cama.

"Ainda estás acordada?"

A sua voz era áspera, irritada.

O seu olhar caiu sobre a pequena caixa de presente na mesa de cabeceira. O relógio que eu lhe tinha comprado para o nosso aniversário. Ao lado, o saco de papel da loja, amachucado no lixo. Ele nem sequer tinha olhado para o presente. Tinha-o descartado como se fosse lixo.

"O que é isto?" ele perguntou, apontando para a caixa.

"O nosso aniversário," eu disse, a minha voz vazia.

Ele franziu o sobrolho, a irritação a transformar-se em aborrecimento. Não havia um pingo de remorso no seu rosto. Apenas impaciência.

"Ah. Esqueci-me. Estive ocupado."

Ele despiu a camisa, atirando-a para o chão.

Houve um tempo em que ele era gentil. Um tempo em que, mesmo depois de um dia exaustivo, ele me abraçava e dizia que sentia a minha falta.

Essa ternura tinha desaparecido.

Lembro-me exatamente quando começou a mudar. Foi há cerca de seis meses. Ele recebeu uma chamada. A sua expressão mudou, uma mistura de surpresa e algo mais, algo que não consegui decifrar.

Depois dessa chamada, ele começou a chegar tarde. Começou a usar roupas mais caras. E começou a cheirar a esse perfume floral.

Ele dizia que eram ensaios, reuniões com a editora, eventos da indústria.

Eu acreditava. Ou fingia acreditar.

Agora, eu sabia. As suas ausências não eram por causa do trabalho. Eram por causa dela.

"Vais tomar banho?" perguntei, a minha voz a soar estranha aos meus próprios ouvidos. A preocupação era um hábito difícil de quebrar. "As tuas mãos. Precisas de cuidar delas, não podes deixá-las húmidas por muito tempo."

Ele olhou para as suas mãos, aquelas mãos perfeitas. Por um breve segundo, vi um vislumbre de culpa nos seus olhos. Durou apenas um instante.

"Sim, sim. Vai dormir. Pareces cansada."

Ele dispensou-me como se eu fosse uma empregada.

Quando ele estava no banho, o seu telemóvel vibrou na mesa de cabeceira. O nome "Isa" iluminou o ecrã.

Ele saiu do banho, enrolado numa toalha, e pegou no telemóvel. O seu rosto suavizou-se ao ler a mensagem.

Ele vestiu-se rapidamente, sem me dirigir uma palavra.

Pegou nas chaves do carro.

"Onde vais?" perguntei, embora já soubesse a resposta.

"A Isabella precisa de mim," ele disse, sem sequer olhar para trás. "Vou sair."

A porta fechou-se atrás dele, deixando-me sozinha no silêncio do nosso quarto.

Não éramos marido e mulher. Éramos colegas de quarto. Estranhos que partilhavam uma cama.

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