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Entre Vingança e Paz: Um Novo Fim

Entre Vingança e Paz: Um Novo Fim

Autor:: Selinda Andreasen
Gênero: Romance
A escuridão tomou conta de mim, seguida por um frio que entrava pelos ossos. Tentei gritar, mas a água suja e gelada encheu minha garganta. Eu me lembrava de tudo: uma noiva prometida, dedicada à família Silva, ao meu amor de infância, Pedro Henrique. Mas no altar, ele me abandonou por Sofia, uma influenciadora digital que sussurrava veneno em seu ouvido. A humilhação foi um soco no estômago, sufocante. Corri para ponte, querendo acabar com tudo, mas um estranho me segurou. Voltei para a única casa que conhecia e os encontrei, Pedro e Sofia, casados, se beijando na sala que eu havia limpado tantas vezes. A raiva me consumiu quando ninguém acreditou na minha verdade. Pedro, para se livrar de mim, me internou em uma clínica psiquiátrica. Lá, descobri que Sofia envenenava Dona Beatriz, mãe de Pedro, por causa da herança. Eu fugi, juntei provas e expus tudo, vendo o mundo de Pedro desabar. Não queria vingança, só paz. Eu o deixei e então... o acidente, o fim. Mas agora, eu estava viva, de volta ao meu quarto de solteira, mais jovem e sem marcas de sofrimento. Eu tinha voltado no tempo. O som de risadas vindo do andar de baixo, a voz de Sofia. Era o dia do noivado dela com Pedro, um evento que, na minha vida passada, aconteceria meses depois do meu abandono. Desci as escadas, tremendo. Lá estava ele, Pedro Henrique. Seu olhar, uma frieza que eu só conheci no fim. Sofia, ao lado dele, com um sorriso falso. "Maria Clara, querida. Que bom que desceu." Pedro me ordenou secamente: "Estamos ocupados, Maria Clara. Volte para o seu quarto." Eu estava confusa; na minha outra vida, ele ainda me tratava como amiga. "Pedro, o que está acontecendo?" Sofia me pintou como a louca ciumenta, a iludida. Não adiantava discutir, então forcei um sorriso. "Você tem razão, Sofia. Eu estava confusa. Desejo toda a felicidade. Vou pegar um copo de água na cozinha." Tentei sair, mas Pedro me segurou com força, seus olhos cheios de uma suspeita sombria. "O que você está tramando, Maria Clara? Essa sua calma não me engana. Você sempre foi uma cobra sorrateira." Eu congelei. Essas palavras, essa raiva... ele nunca tinha dito isso antes. Ele também se lembrava. Ele também havia voltado. "Não estou tramando nada, Pedro. Só quero que vocês sejam felizes." "Vou testar sua lealdade. Provar que você não passa de uma mentirosa." Ele me arrastou para o quintal, para o poço velho. "Você diz que só quer a nossa felicidade", ele disse. "Então prove. Pule." Eu olhei para ele, incrédula. "Você enlouqueceu?" Seu rosto se contorceu em um sorriso cruel. "Eu não enlouqueci. Eu me lembrei." E então, ele me empurrou. Não tive tempo de gritar. Senti o impacto brutal com a água gelada lá no fundo. A mesma água. O mesmo frio. O mesmo cheiro de morte. Enquanto eu afundava, a voz dele ecoou na minha cabeça. Eu me lembrei. Ele também tinha voltado. E ele me odiava.

Introdução

A escuridão tomou conta de mim, seguida por um frio que entrava pelos ossos.

Tentei gritar, mas a água suja e gelada encheu minha garganta.

Eu me lembrava de tudo: uma noiva prometida, dedicada à família Silva, ao meu amor de infância, Pedro Henrique.

Mas no altar, ele me abandonou por Sofia, uma influenciadora digital que sussurrava veneno em seu ouvido.

A humilhação foi um soco no estômago, sufocante.

Corri para ponte, querendo acabar com tudo, mas um estranho me segurou.

Voltei para a única casa que conhecia e os encontrei, Pedro e Sofia, casados, se beijando na sala que eu havia limpado tantas vezes.

A raiva me consumiu quando ninguém acreditou na minha verdade.

Pedro, para se livrar de mim, me internou em uma clínica psiquiátrica.

Lá, descobri que Sofia envenenava Dona Beatriz, mãe de Pedro, por causa da herança.

Eu fugi, juntei provas e expus tudo, vendo o mundo de Pedro desabar.

Não queria vingança, só paz.

Eu o deixei e então... o acidente, o fim.

Mas agora, eu estava viva, de volta ao meu quarto de solteira, mais jovem e sem marcas de sofrimento.

Eu tinha voltado no tempo.

O som de risadas vindo do andar de baixo, a voz de Sofia.

Era o dia do noivado dela com Pedro, um evento que, na minha vida passada, aconteceria meses depois do meu abandono.

Desci as escadas, tremendo.

Lá estava ele, Pedro Henrique.

Seu olhar, uma frieza que eu só conheci no fim.

Sofia, ao lado dele, com um sorriso falso.

"Maria Clara, querida. Que bom que desceu."

Pedro me ordenou secamente: "Estamos ocupados, Maria Clara. Volte para o seu quarto."

Eu estava confusa; na minha outra vida, ele ainda me tratava como amiga.

"Pedro, o que está acontecendo?"

Sofia me pintou como a louca ciumenta, a iludida.

Não adiantava discutir, então forcei um sorriso.

"Você tem razão, Sofia. Eu estava confusa. Desejo toda a felicidade. Vou pegar um copo de água na cozinha."

Tentei sair, mas Pedro me segurou com força, seus olhos cheios de uma suspeita sombria.

"O que você está tramando, Maria Clara? Essa sua calma não me engana. Você sempre foi uma cobra sorrateira."

Eu congelei.

Essas palavras, essa raiva... ele nunca tinha dito isso antes.

Ele também se lembrava.

Ele também havia voltado.

"Não estou tramando nada, Pedro. Só quero que vocês sejam felizes."

"Vou testar sua lealdade. Provar que você não passa de uma mentirosa."

Ele me arrastou para o quintal, para o poço velho.

"Você diz que só quer a nossa felicidade", ele disse.

"Então prove. Pule."

Eu olhei para ele, incrédula.

"Você enlouqueceu?"

Seu rosto se contorceu em um sorriso cruel.

"Eu não enlouqueci. Eu me lembrei."

E então, ele me empurrou.

Não tive tempo de gritar.

Senti o impacto brutal com a água gelada lá no fundo.

A mesma água.

O mesmo frio.

O mesmo cheiro de morte.

Enquanto eu afundava, a voz dele ecoou na minha cabeça.

Eu me lembrei.

Ele também tinha voltado.

E ele me odiava.

Capítulo 1

A escuridão foi a primeira coisa que senti, um peso sobre meus olhos, depois o frio, um frio que entrava pelos ossos. Abri a boca para gritar, mas a água suja e gelada encheu minha garganta. O cheiro de lodo e de morte era tudo que existia. Minha vida inteira passou diante dos meus olhos, não como um filme, mas como uma ferida que se abria de novo.

Eu me lembrei de tudo.

Lembrei de ter chegado na casa da família Silva com cinco anos, uma promessa de noiva para o filho deles, Pedro Henrique. Lembrei de dedicar cada dia da minha vida àquela casa, à mãe doente dele, Dona Beatriz, e a ele. Pedro era meu melhor amigo, meu confidente, o homem com quem eu sonhava construir uma família.

A imagem do dia do casamento queimava em minha mente. O vestido branco, a igreja cheia, e o olhar vazio de Pedro quando ele me deixou no altar. Ele disse na frente de todos que não podia se casar comigo, que amava outra. A humilhação foi como um soco no estômago, me deixando sem ar. A outra era Sofia, uma influenciadora que ele conheceu pela internet, uma mulher que sussurrava veneno em seu ouvido.

Desolada, corri para a ponte. Queria acabar com tudo. Mas um estranho me segurou, sua voz firme me dizendo que a vida valia mais. Voltei para casa, a única que conhecia, e os encontrei. Pedro e Sofia, casados em segredo, se beijando na sala que eu tinha limpado tantas vezes. A raiva e o ciúme me consumiram. Tentei gritar a verdade, contar para todos sobre a traição, mas ninguém acreditou. Me chamaram de louca, de ciumenta.

Pedro, para se livrar de mim, me internou numa clínica psiquiátrica. Foi lá, no inferno, que descobri a verdade mais terrível. Dona Beatriz não tinha uma doença crônica. Ela tinha uma alergia grave a um ingrediente simples, algo que Sofia, com a ajuda de um médico corrupto, usava para envenená-la lentamente. Sofia queria a herança, queria a vida que deveria ser minha.

Consegui fugir. Juntei as provas. Expondo tudo, vi o mundo de Pedro desmoronar. A morte da mãe, a manipulação de Sofia. Ele se arrependeu, chorou, implorou por perdão. Mas era tarde demais. O sofrimento tinha me transformado. Eu não queria vingança, queria paz. Eu o deixei para trás, para lidar com os destroços de suas próprias escolhas. E então... a escuridão. Um acidente, o fim.

Mas agora... eu estava aqui. Viva.

Abri os olhos de verdade. Não estava mais na escuridão do meu fim. Estava no meu antigo quarto, na casa dos Silva. A luz do sol entrava pela janela, a mesma cortina de chita que eu mesma costurei. Sentei na cama, o coração batendo descontrolado. Meu corpo era jovem, sem as marcas do sofrimento. Olhei minhas mãos, lisas, fortes.

Eu tinha voltado. De alguma forma, eu tinha voltado no tempo.

O som de risadas veio do andar de baixo. A voz de Sofia. Reconheci o dia. Era o dia da festa de noivado de Pedro e Sofia, um evento que, na minha vida passada, aconteceu meses depois de eu ser abandonada. Mas algo estava diferente. Eu estava aqui.

Desci as escadas devagar, meu corpo tremendo. Lá estava ele, Pedro Henrique. Tão lindo quanto eu me lembrava, mas seu rosto não tinha o carinho de antes. Seus olhos passaram por mim com uma frieza que eu só conheci no final.

Ao lado dele, Sofia. Ela usava um vestido caro, sorrindo como um anjo. Quando me viu, seu sorriso vacilou por um segundo antes de se tornar ainda mais doce, mais falso.

"Maria Clara, querida. Que bom que desceu."

A voz dela era mel.

Pedro nem sequer me olhou direito. Ele segurava a mão de Sofia, seus dedos entrelaçados.

"Estamos ocupados, Maria Clara. Volte para o seu quarto."

A ordem foi seca, cortante. Na minha vida passada, nesse ponto, ele ainda me tratava como uma amiga, como sua noiva prometida. O que mudou?

"Pedro, o que está acontecendo?", perguntei, a voz fraca.

Sofia apertou o braço dele.

"Não seja dura com ela, meu amor. Ela só está confusa. Afinal, ela achou que o noivado era dela."

Ela falou baixo, mas alto o suficiente para os convidados mais próximos ouvirem. O veneno em suas palavras era claro. Ela estava me pintando como a coitada, a iludida.

Eu sabia que não adiantava brigar. Eu já tinha vivido essa guerra e perdido. Decidi tentar algo diferente. Respirei fundo e forcei um sorriso.

"Você tem razão, Sofia. Eu estava confusa. Desejo toda a felicidade para vocês. Se me dão licença, vou apenas pegar um copo de água na cozinha."

Tentei me afastar, evitar o confronto, evitar o caminho que levou à minha destruição. Mas meu recuo foi visto como fraqueza, como uma admissão de culpa.

Pedro me segurou pelo braço, seu aperto forte, doloroso. Seus olhos me examinaram, não com a frieza de antes, mas com uma suspeita sombria, quase paranoica.

"O que você está tramando, Maria Clara?", ele sussurrou, seu rosto perto do meu. "Essa sua calma não me engana. Você sempre foi uma cobra sorrateira."

Eu congelei. Essas palavras... ele nunca tinha me dito nada parecido antes do abandono. Era como se ele também se lembrasse de algo. Como se ele também tivesse voltado.

"Eu não estou tramando nada, Pedro. Só quero que vocês sejam felizes", eu disse, tentando puxar meu braço.

"Vou testar sua lealdade. Provar que você não passa de uma mentirosa."

O medo começou a subir pela minha espinha. Isso não estava no roteiro da minha vida passada. Isso era novo, era perigoso. Ele me arrastou pela casa, passando pelos convidados chocados, em direção ao quintal dos fundos.

"Pedro, para! O que você vai fazer?"

Ele não respondeu. Me levou até o poço velho, coberto por uma tampa de madeira podre. O lugar sempre me deu arrepios. Ele chutou a tampa, que se partiu, revelando a boca escura e úmida do poço.

"Você diz que só quer a nossa felicidade", ele disse, a voz baixa e cheia de uma raiva que eu não compreendia. "Então prove. Pule."

Eu olhei para ele, incrédula. O homem que eu amei, o meu amigo de infância, estava me pedindo para pular para a morte.

"Você enlouqueceu?", gritei.

Seu rosto se contorceu em um sorriso cruel.

"Eu não enlouqueci. Eu me lembrei."

E então, ele me empurrou.

Não tive tempo de gritar. Senti o ar faltar, o mundo girar e, por fim, o impacto brutal com a água gelada lá no fundo. A mesma água. O mesmo frio. O mesmo cheiro de morte.

Enquanto eu afundava, a voz dele ecoou na minha cabeça. Eu me lembrei.

Ele também tinha voltado. E por alguma razão distorcida, em sua nova vida, ele me odiava.

Consegui voltar à superfície, ofegante, engolindo água suja. Meus braços e pernas doíam pelo impacto. Olhei para cima. A luz do dia era um pequeno círculo distante.

Então, uma silhueta apareceu contra a luz. Era Sofia.

Ela se ajoelhou na beira do poço, seu rosto uma máscara de triunfo perverso.

"Adeus, Maria Clara", ela sussurrou, sua voz ecoando na escuridão. "Dessa vez, vou garantir que você fique aí no fundo."

Ela ria, um som agudo e cruel que se misturava com a música alta que vinha da festa na casa. A festa de noivado deles.

Fiquei ali, tremendo de frio e de medo, na água imunda. Meus pulmões ardiam. A esperança começou a se esvair, substituída por um desespero gelado. O mundo lá fora celebrava, enquanto eu morria aqui dentro, de novo.

Gritei.

"Socorro!"

Minha voz era um sussurro rouco, perdido na vastidão do poço.

"Alguém, por favor, me ajude!"

Ninguém respondeu. Apenas o eco da minha própria desesperança.

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Capítulo 2

O tempo se arrastava na escuridão fria do poço. Meus gritos tinham se tornado sussurros roucos e, por fim, silêncio. Eu me agarrava a uma saliência de pedra na parede úmida, o corpo inteiro tremendo sem parar. A morte parecia certa, uma repetição inevitável do meu destino. Eu estava exausta, pronta para soltar e deixar a água me levar.

Foi quando ouvi um barulho vindo de cima. Um som de corda raspando na pedra.

Levantei a cabeça, com o coração disparado. Uma corda grossa desceu pela abertura do poço, balançando lentamente até chegar perto de mim. Agarrei-a com as poucas forças que me restavam.

"Segure firme", uma voz grave e autoritária rosnou lá de cima.

A voz era familiar. Me causou um arrepio que não era de frio. Era Coronel Valdemar. Um homem rico e poderoso da região, conhecido por sua crueldade e por tratar as pessoas como mercadoria. Na minha vida passada, Pedro, em seu desespero, quase me vendeu para ele. O medo que senti dele era visceral.

A corda começou a subir, me puxando para fora da escuridão. Meu corpo raspava na parede áspera do poço, arrancando pele dos meus braços e costas. Quando finalmente cheguei à borda, caí no chão, tossindo a água suja e tremendo violentamente.

Valdemar me olhava de cima, um charuto no canto da boca, seus olhos pequenos e calculistas me analisando como se eu fosse um animal ferido.

"Parece que você arrumou problemas com os Silva, garota", ele disse, soltando uma baforada de fumaça.

Ele se agachou ao meu lado, e o cheiro forte de charuto e de algo azedo me enjoou. Sua mão grande e áspera tocou meu rosto, e eu recuei instintivamente.

"Não tenha medo. Eu te salvei. Agora você me deve uma."

Seus dedos apertaram minha mandíbula, forçando-me a olhá-lo. O terror me paralisou. Eu sabia o que ele queria. Ele não era um salvador, era um predador que tinha encontrado uma presa fácil.

"Me solta!", consegui dizer, tentando empurrar sua mão.

Ele riu, um som baixo e gutural.

"Você não está em posição de dar ordens."

Sua outra mão começou a subir pela minha perna, por baixo do meu vestido encharcado e rasgado. O pânico me deu uma força que eu não sabia que tinha. Chutei, gritei e me debati com toda a fúria de uma vida de injustiças. Consegui me soltar de seu aperto e corri.

Corri sem olhar para trás, sem rumo, apenas para longe dele. Meus pés descalços pisavam em pedras e galhos, mas eu não sentia a dor. O único pensamento na minha cabeça era fugir.

Saí do quintal dos fundos e dei de cara com a frente da casa. A festa ainda estava acontecendo. Os convidados estavam espalhados pelo jardim, rindo e bebendo. Quando apareci, suja, encharcada, sangrando e com o vestido rasgado, o silêncio caiu como uma pedra.

Todos os olhos se viraram para mim.

"Meu Deus, é a Maria Clara!", uma mulher sussurrou.

"O que aconteceu com ela? Parece que saiu do inferno", disse outro.

Os sussurros se transformaram em um zumbido de julgamento. Vi os olhares de pena, de nojo, de curiosidade mórbida. A vergonha me queimou mais do que o frio. Eu estava exposta, humilhada diante de toda a cidade.

Então, Pedro apareceu na porta. Seu rosto, que antes exibia um sorriso cruel, agora estava contorcido de fúria. Ele marchou na minha direção, seus olhos ardendo de ódio.

"Sua vagabunda!", ele gritou, o som ecoando pelo jardim silencioso. "O que você fez? Tentou se matar para estragar a minha festa?"

Ele não me deu tempo de responder. Sua mão veio com força contra o meu rosto. O estalo do tapa foi alto, chocante. Caí no chão, a bochecha ardendo, o gosto de sangue na boca.

"Você não se cansa de me envergonhar?", ele continuou, em pé sobre mim, o rosto vermelho de raiva. "Eu te dei uma chance de sair com dignidade, e você volta assim? Suja, imunda, se mostrando para todos!"

Ele me agarrou pelos cabelos, me forçando a ficar de joelhos.

"Olhem para ela!", ele gritou para os convidados. "Olhem para essa louca! Ela tentou seduzir o Coronel Valdemar no meu quintal e, quando foi rejeitada, se jogou no poço para chamar atenção!"

A acusação era tão absurda, tão cruel, que me deixou sem palavras. Eu olhei para as pessoas, buscando um pingo de compaixão, um rosto amigo. Não encontrei nenhum. Eles acreditavam nele. Eu era a órfã, a agregada. Ele era Pedro Henrique Silva.

Meu corpo todo doía. A dor do tapa, a dor dos arranhões, a dor do frio. Mas nada doía mais do que a injustiça. O homem que eu amei, o homem que me jogou num poço para morrer, agora me acusava publicamente de ser uma prostituta e uma mentirosa.

Meu corpo cedeu. A força que me fez fugir de Valdemar, que me fez sobreviver no poço, se esvaiu. A escuridão começou a tomar as bordas da minha visão. A última coisa que ouvi foi a voz suave e vitoriosa de Sofia, se aproximando.

"Pedro, meu amor, não se altere. Ela não vale a pena. Vamos cuidar dela."

E então, tudo ficou preto.

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